Nenhuma luz no fim do túnel

Antes do golpe militar de 64, os trotes acadêmicos eram politizados. Com a ditadura e o lixo de suas leis que ainda perduram, os trotes tornaram-se uma festa orgiástica. Exageram em tudo: álcool, droga, sexo. Em abril último, na Universidade Federal de Juiz de Fora, uma caloura de 16 anos, virgem, foi estuprada. O tarado ainda hoje está solto no campus.

A cocaína foi introduzida nas universidades propositadamente. Com a música Banho de cheiro, e slogan hippie de botique: “faça o amor, não faça a guerra”. Tudo como parte do Projeto Camelot da CIA, que introduziu o vestibular de cruzinha, da decoreba, do não pensar.

Um povo colonizado, escravo, sempre vítima da tirania, tem uma alma submissa. A independência dada de mão beijada por um português. Nenhuma luta pela abolição da escravatura, que custou a perda do trono para a princesa Isabel. E uma república repleta de ditadores e presidentes corruptos.

Um povo que não reclama tem como catarse o carnaval, o futebol, as drogas e as novelas da Globo.

O trabalho escravo não é crime no Brasil. Veja “Servidão Humana” de Jean François Brient (com vídeo documentário)

 

 

A servidão moderna é um livro e um documentário de 52 minutos produzidos de maneira completamente independente. O livro (e o DVD contido) é distribuído gratuitamente em certos lugares alternativos na França e na América Latina.

O texto foi escrito na Jamaica em outubro de 2007, e o documentário finalizado na Colômbia em maio de 2009. O filme foi elaborado a partir de imagens desviadas, essencialmente oriundas de filmes de ficção e de documentários. Apresento uma versão legendada em português.

Importante que todo brasileiro conheça, principalmente hoje, que tramita no Congresso uma lei que pune o escravocrata. E contra esta lei existe o poderoso lóbi dos ruralistas.

Entre janeiro e dezembro de 2011, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel, órgão do Ministério do Trabalho que checa as denúncias, realizou 158 operações e resgatou 2.271 pessoas encontradas em situação degradante de trabalho.

Entre 1995 e 2011, foram resgatados 41.451 trabalhadores em todo o país, em 1.240 operações realizadas.

Impossível saber quantos brasileiros estão submetidos ao trabalho escravo. O recrutamento do trabalhador se faz via promessas enganosas, ameaças, sequestro. Todo escravocrata prende e tortura. A maioria mata.  Inclusive fiscais do Ministério do Trabalho.

O Governo Federal alega, por meio da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo – Conatrae, que pretende dar prioridade à criminalização do Trabalho Escravo em 2012. Um dos instrumentos eficazes na punição seria a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 438/01, que prevê o confisco de terras pela União onde seja comprovada a prática. A matéria precisa ser votada no Congresso.
A “Servidão Humana” de Jean Jean François Brient nào trata dos nossos campos de concentração nazista. Mas da servidão de trabalhar para satisfazer a compulsão consumista de objetos obsoletos. Ou da busca de status social via objetos.

A servidão moderna é uma escravidão voluntária, aceita por essa multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que lhes escravizam cada vez mais. Eles mesmos correm atrás de um trabalho cada vez mais alienante, que lhes é dado generosamente se estão suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os amos a quem deverão servir. Para que essa tragédia absurda possa ter sucedido, foi preciso tirar desta classe, a capacidade de se conscientizar sobre a exploração e a alienação da qual são vítimas. Eis então a estranha modernidade da época atual. Ao contrário dos escravos da Antiguidade, aos servos da Idade Média e aos operários das primeiras revoluções industriais, estamos hoje frente a uma classe totalmente escrava, que no entanto não se dá conta disso ou melhor ainda, que não quer enxergar. Eles não conhecem a rebelião, que deveria ser a única reação legítima dos explorados. Aceitam sem discutir a vida lamentável que foi planificada para eles. A renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça.

Eis então o pesadelo dos escravos modernos que só aspiram a deixar-se levar pela dança macabra do sistema de alienação.

A opressão se moderniza estendendo-se por todas as partes, as formas de mistificação que permitem ocultar nossa condição de escravos.

Mostrar a realidade tal qual é na verdade e não tal como mostra o poder constitui a mais autentica subversão. Leia mais. Sobre A servidão voluntária, A organização territorial e o habitat, A Mercadoria, A Alimentação. Clique aqui, para a leitura. E aqui, para ver o documentário .

Estudantes começam a passar o Brasil a limpo

O movimento estudantil tem que ser de dentro para fora. Acabar primeiro com a corrupção no ensino. Pela erradicação dos serviços fantasmas nas escolas e universidades. Pela denúncia das obras inacabadas e superfaturadas. E fiscalizar a vida magnificente dos reitores, com suas viagens, luxuosas cortes de parasitas e o uso e o abuso dos cartões de crédito – o famoso dinheiro de plástico. Que inclusive compra lideranças estudantis. O peleguismo universitário sempre, sempre termina em peleguismo sindical.

Informa a Ufu:

“O que presenciamos hoje no cenário das universidades configura uma nova situação para a educação brasileira. Quase todas as universidades do País estão em greve docente, e boa parte delas já deflagrou greve estudantil também.

Há quase sete anos não temos uma mobilização como esta”.

Sete anos de jejum.

Sete anos de cativeiro.

“Que mundo é este que, para ser escravo, é preciso estudar”

Os estudantes foram declarar o apoio aos professores grevistas, tendo em vista o sucateamento da educação, que os docentes buscam melhorá-la.

Bom ver a estudantada sair do comodismo, do velho costume de dar uma dos três macaquinhos.

No campus da Universidade Federal de Juiz de Fora estupraram uma caloura, menor de 17 anos, virgem, e todo mundo calado.

Bancar o cego é gostar de viver na escuridão magnífica da ditadura da reitoria.

Bancar o mudo é viver como um morto. Curtir o silêncio do túmulo.

Quem não reivindica como estudante será amanhã um empregado acomodado, que não faz greve, que aceita, sem reclamar, o salário de fome .

Bancar o surdo é virar as costas para o clamor do povo. Perder o sentimento de fraternidade, de solidariedade, de união.

Ensina a canção: Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Tem o filhinho do papai, bichinho de estimação, que prefere a condição de estudante adestrado, encabrestado, fura-greve. Este tipo de bunda mole a canção dos indignados portugueses chama de parvo.

O bunda mole nasceu para dançar na boquinha da garrafa.

Para ser escravo é preciso estudar. Escute a música

Deolinda

Parva Que Eu Sou

Sou da geração sem remuneração
E nem me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
Já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Que para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
Se já tenho tudo, para quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, marido, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar,
Que parva que eu sou!
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me para quê?’
Há alguém bem pior do que eu na tv.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar.

Escute a música

 

 

Como surge a violência entre os jovens?

“As pesquisas apontam para as mesmas conclusões. ‘A gente não quer só comida, a gente não quer só dinheiro. A gente quer comida, diversão e arte. A gente quer dinheiro e felicidade’. O que a música indicava sintetiza bem a resposta. A problemática não se esgota apenas com dinheiro, ainda que seja muito importante. Se fosse, todos com pior condição econômica se perderiam na violência. O que está além é o afeto. Antes de matar alguém, tem que acabar algo dentro de você. Quem está mais vulnerável é quem viveu uma rejeição afetiva forte, desde a família até a comunidade. É a invisibilidade social”.

O antropólogo Luiz Eduardo Soares fala sobre a violência no Brasil.

Grande parte da violência está ligada às drogas. O que você tem a dizer sobre isso?
“Sou defensor da legalização de todas as drogas. Quando se tem a legalização, há um controle de qualidade, regras e uma disciplina. Veja o álcool, que é uma das drogas que mais matam. São mais de 15 milhões de alcoólatras no Brasil. Ninguém discute a criminalização, pois imagine o tráfico dessa substância. Contra ela há várias forma de tratamentos e campanhas educativas para evitar os abusos. As sociedades que melhor se relacionam com o álcool são as que trabalham com a autogestão e estabeleceram limites, como Israel, Itália e França. O melhor caminho para combater os abusos não é criminalizando, mas transformando em um problema de saúde. O mundo todo mostra que é impossível controlar o tráfico de drogas, mesmo com as melhores polícias. Se é inevitável o acesso, em que contexto seria mais adequado vivenciar isso? O de prisão ou o de discussão de saúde e educação? O criminal já se provou ineficaz. Outros países já mostraram que o caminho é mais racional, como na Holanda”.

Muita gente esquece. Pobre tem direito a ser feliz.
Por que uns tem de sofrer, outros não?
Não quer trabalhar, não tem. Não estudou, não tem. Duas respostas nefastas da direita, dos racistas, dos nazistas, das elites, dos fariseus.
Quem mais trabalha, ganha menos. Quem pega no pesado, recebe o salário mínimo do mínimo.
Quem mais estuda, depois de formado termina recebendo o salário piso.
Como diz a canção: “que mundo é este que, para ser escravo é preciso estudar”. Escute a música