Protógenes alimenta boato sobre a morte de Eduardo Campos

Duke
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Para colegas da Polícia Federal, Protógenes Queiroz (PCdoB-S) disse que um atentado tirou a vida de Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência.

Entre os argumentos para defender a suspeita, Protógenes frisou que o local da queda do avião não foi preservado, e que a PF chegou muito tempo depois da queda do avião.

Protógenas procurou os colegas para meter o pau lá neles. Cousa de deputado candidato à reeleição. Esqueceu de denunciar a quem interessava a morte de Eduardo. Que grupo econômico, partido e políticos foram beneficiados.

O irmão de Eduardo, o advogado Antônio Campos vai pedir que o deputado federal prove as alegações.

Acontece que o próprio Antônio Campos já desmentiu a boataria. Vide link

Da possível armação de uma “casa de caboclo” para censurar ou prender o jornalista Geraldo Elísio. Aprenda como escrever na internet sem computador

Julio Carrión Cueva
Julio Carrión Cueva

 

Fato inédito na história da Imprensa do Brasil: o jornalista Geraldo Elísio, que teve seu computador afanado pelos tiras do tucanato, continua na intenet, via uma rede de amigos e ex-colegas das redações dos principais jornais do Brasil.

Ninguém amordaça e encabresta um jornalista verdadeiro.

Transcrevo algumas mensagens de Geraldo Elísio, postadas por diferentes internautas, no Facebook:

Quem começou a ser jornalista antes da criação das Escolas de Comunicação, de um modo geral iniciava esta atividade profissional cobrindo o setor de polícia. E todo veterano como eu conhece uma expressão: “casa de caboclo”, ou seja, provas falsas que policiais inescrupulosos costuma plantar em lugares estratégicos para incriminar a quem não tem culpa. Assim, diante do meu netbook, um pen drive, CDs e HD externo estarem com ordem judicial apreendidos pelo Depatri, uma espécie de Gestapo mineira que ultrapassa as funções às quais se destina, de público ofereço a quebra de meus sigilos fiscal, bancário e telefônico ao Ministério Público de Minas Gerais, às Polícias Civil e Militar de Minas Gerais, à Receita Pública, à Polícia Federal e ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Para evitar qualquer tipo de “armação”.

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Ao vasculhar o apartamento onde moro, a Polícia Civil levou meu netbook, CDs, pen drive e escritos. Tenho 3 livros que estou escrevendo neste equipamento, e considero a atitude uma censura previa e a mim mesmo um perseguido político por interesse de Aécio Neves e Andrea Neves. Além do mais, mensagens de apoio a mim estão desaparecendo do facebook. Censura na rede social? Ou então a Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério Público de Minas Gerais, com apoio do judiciário, substituindo o AI-5 de triste memória. Um golpe judiciário policial ou desespero para encontrar provas para acusar quem fala a verdade? Democracia! Democradura! Eu posso explicar o que eles quiserem até de livre e espontânea vontade. Como a Polícia Civil me explica Fernandinho Beira Mar ter saído pela porta da frente do antigo DOPS? E o que tem o Ministério Público a comentar sobre isto e as duas instituições sobre os 450 quilos de cocaína do helicóptero dos Perrellas? Para mim não há mais dúvidas: tentativa de destruir provas e inviabilizar a Lista de Furnas e o Mensalão. Onde estão as provas da falsidade? O laudo do perito americano não vale pois ele foi preso por trambicagem. E o laudo da Polícia Federal atesta que é verdadeiro. Atenção Protógenes entre em ação que a coisa está feia em Minas.

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Aprendi desde os 16 anos a fazer um jornalismo revestido da mais extrema ética. E todas as matérias em que não me impediram de assinar os textos as assinei oferecendo o direito de resposta a todas as pessoas físicas ou jurídicas citadas. Os jornais belorizontinos “O Estado de Minas”, “Hoje em Dia” e “O Tempo” em 06-02-14 me citaram em matéria envolvendo a prisão do jornalista Marco Aurélio Carone faltando um detalhe básico. Não ouviram a minha versão. Quanto ao “Hoje em Dia” fui bem atendido pelo repórter, mas ao que parece a direção do periódico achou por bem não cumprir com o dever ético. No jornal “O Estado de Minas” não consegui falar com quem de direito apesar de vários telefonemas. E em relação a “O Tempo” o diretor Luis Tito foi sincero ao dizer “não ser isto usual” naquele jornal. Ficou de me telefonar e nada. Estão a serviço de quem e do que. Ofereço a estes jornais a quebra dos meus sigilos fiscal, bancário e telefônico, mas dos periódicos sugiram que façam o mesmo. Digam a Andrea Neves que nada quero além do que a Justiça me garante. Meu direito de ser ouvido, agora direito de resposta.

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Outra da imprensa mineira. A Ângela Carrato está mostrando “pérolas” do passado por enquanto. Por enquanto mostro algo do presente. “O Estado de Minas”, “O Tempo” e o “Hoje em Dia” me negarem o direito de resposta. É compatível com o interesse deles em evitar os julgamentos do Mensalão Tucano e da Lista de Furnas tentando provar que isto é falso. E de quebra se livrarão, tendo como muletas Andrea Neves e Aécio Neves.

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Compartilhei como é dever de um jornalista uma nota postada em minha linha do tempo referente às declarações feitas pelo senador do PSDB de Minas, Eduardo Azeredo, mantendo a decência e a ética da qual nunca abri, não abro ou abrirei mão, garantindo o democrático direito de resposta a todas as pessoas físicas e jurídicas citadas por mim em qualquer circunstância. Por sinal um comportamento ético que a mídia mineira não teve para comigo ao envolver o meu nome em assuntos com os quais nada tenho a ver. Aos internautas, a quem cabe julgar os fatos, reitero não terem sido alterados em nada as minhas posições pessoais, o meu pensamento e a minha convicção. Um jornalista não cria fatos. Apenas os noticia.

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Carta aberta ao meritíssimo Juiz de Direito, dr. Haroldo André Toscano, ao promotor André Luiz Garcia, ao senhor Delegado de Polícia, dr Cesar Matoso, à mídia de Belo Horizonte e ao meu amigo jornalista Leopoldo José de Oliveira. No que diz respeito às matérias referentes à prisão do jornalista e publicitário Marco Aurélio Carone publicadas hoje – pelo menos onde vi – nos jornais “O Estado de Minas” e “O Tempo”, devo informar: já solicitei à doutora Aurora Ramalho, advogada por mim constituída para reaver o meu netbook, os CDs, pendrive e HD externo apreendidos, que encaminhem às Excelentíssimas autoridades aqui expressas uma autorização formal oferecendo de livre e espontânea vontade a quebra de meus sigilos fiscal, bancário e telefônico. Se assim o desejarem me convoquem também a conversar com qualquer um dos Excelentíssimos senhores. Só não posso oferecer a quebra do sigilo das fontes por que, sendo autoridades competentes como o são, sabem tratar-se de garantia constitucional e uma Constituição somente pode ser alterada por outra originária ou então através de Emenda o que não ocorreu e nem eu posso promover. Quanto ao dinheiro recebido em pagamento pelos serviços então prestados ao Novojornal quando lá trabalhei também nada poderei informar às ilustres autoridades visto ter adotado o mesmo critério de quando trabalhei na Rádio Clube de Curvelo, Rádio Cultura de Sete Lagoas, Mesbla, Cemig, O Diário Católico, O Jornal de Minas, O Estado de Minas, à Rádio Itatiaia de Belo Horizonte, à Secretaria de Estado da Cultura, na Assembléia Legislativa, no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, ou seja, em todas estas instituições – algumas já extintas, nunca perguntei de onde provinha o dinheiro com o qual era remunerado modéstia a parte por um trabalho eficiente. Sei da existência de alguns “grilos” em relação à minha amizade com o deputado federal Protógenes Queiroz, inclusive uma conversa minha com ele que foi “grampada” de forma irregular e mais irregular ainda anexada a um processo. Se não me engano só o STF poderia fazer isto. Podemos conversar sobre o assunto, pois tenho orgulho de ser amigo de um homem que trabalha diuturnamente combatendo a endêmica corrupção existente no Brasil. Ressalvo que o endêmico não é da minha lavra e sim do Departamento de Estado Norte Americano. Protógenes prendeu um bandido condenado, por sinal banqueiro, o político Paulo Maluf e tantos outros. Além do mais recorrendo à sapiência das autoridades mencionadas se existe alguma Lei nova que me impede de conversar com os meus amigos, e a democracia brasileira, sem que eu saiba, foi revogada. No que diz respeito à uma possível vinculação minha com outros fatores que os deveres constitucionais impõem, sei apenas que nada sei, e se já periciaram os meus equipamentos os senhores devem ter constatado isto. Não sei se leram meus poemas e livros – me preocupo se eles não foram danificados neste processo de censura prévia. Quanto à mídia está no seu dever de informar inclusive por que não me considero um cidadão acima de qualquer suspeita. Defendo este princípio com unhas e dentes. Só lamento não terem cumprido a ética de ouvir também todos os envolvidos. Tenho residência fixa, email, telefone e face book. Isto que estou dizendo poderia ter sido dito pela mídia. Tudo o que escrevi no Novojornal eu ofereci o sagrado direito de resposta a todas as pessoas físicas ou jurídicas citadas. Não responderam por que não quiseram. E ao meu amigo Leopoldo José de Oliveira lembro que as autoridades e os jornais citaram meu nome no contexto de um assunto explosivo, mas sem me vincular aos petardos. A sua indignação me sensibilizou pela solidariedade, mas pode ter certeza de que você nunca se decepcionará comigo. Você nem qualquer pessoa, principalmente meus amigos. – (Geraldo Elísio – Repórter).

Polícia do governador Anastasia (PSDB) invade residências de jornalistas da oposição. A cumplicidade da justiça

A justiça e a polícia não param de atazanar os jornalistas que fazem oposição aos tucanos, em Minas Gerais, principalmente a Aécio Neves. Tudo se faz para anestesiar o povo. Com a cumplicidade dos jornais governistas, comprados a peso de ouro.

Escreve Conceição Lemes:

Os bastidores da política mineira estão em ebulição. Na Justiça, o delator do mensalão mineiro, Nilton Monteiro, o jornalista Marco Aurélio Carone e o advogado Dino Miraglia são acusados de formar quadrilha com o objetivo de disseminar documentos falsos, inclusive por meio de um endereço na internet, com o objetivo de extorquir acusados. Os dois primeiros estão presos. Houve busca e apreensão na casa do advogado.

Esta é a versão oficial, que tem sido noticiada em Minas Gerais.

Mas há outra, que deriva de um fato político: Nilton, Carone e Miraglia se tornaram uma pedra no sapato dos tucanos em geral e do senador Aécio Neves em particular, agora que ele concorre ao Planalto.

Nilton é testemunha nos casos do mensalão mineiro e da Lista de Furnas, esquemas de financiamento de campanha dos tucanos nos anos de 1998 e 2002. Carone mantinha um site em que fazia denúncias contra o ex-governador mineiro. Dino representou a família de uma modelo que foi morta em circunstâncias estranhas. O advogado sustenta que ela era a intermediária que carregava dinheiro vivo no esquema do mensalão mineiro e levou a denúncia ao STF.

Desde 20 janeiro, quando ocorreu a prisão de Marco Aurélio Carone, diretor-proprietário do site Novo Jornal, o bloco parlamentar de oposição a Aécio Neves na Assembleia Legislativa Minas Sem Censura (MSC) denuncia: a prisão preventiva do jornalista é uma armação e tem a ver com o chamado “mensalão tucano” e a Lista de Furnas no contexto das eleições de 2014.

Na última sexta-feira, 31 de janeiro, um lance evidenciou o roteiro. Segundo o Minas Sem Censura, há indícios de um amplo complô de políticos do PSDB e governo mineiro associados a setores do Judiciário e Ministério Público contra a oposição.

O plano A, de acordo com a oposição mineira, era prender o jornalista e pressioná-lo a assinar uma falsa acusação contra vários adversários.

A começar pelo ministro Fernando Pimentel, da Indústria e Comércio, que sempre foi muito próximo dos tucanos, mas se tornou uma pedra no caminho deles.

Na eleição de 2008 à prefeitura de Belo Horizonte, o senador Aécio Neves (PSDB) e Pimentel apareceram juntos na propaganda eleitoral na TV, apoiando Márcio Lacerda (PSB).

Porém, a relação começou a azedar, quando Aécio se colocou como candidato à presidência da República contra a presidenta Dilma Rousseff. E desandou de vez com disposição de Pimentel, nas eleições de 2014, ser o candidato do PT ao Palácio da Liberdade, ocupado há 16 anos pelo PSDB.

Na lista de “incriminados”, também estariam, entre outros:

* Rogério Correia, deputado estadual, líder do PT na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALEMG).

* Durval Ângelo (PT), deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALEMG.

* Sávio de Souza Cruz (PMDB), deputado estadual, líder da oposição na ALEMG.

* Protógenes Queiroz, deputado federal (PCdoB-SP) e delegado licenciado da Polícia Federal (PF).

* Luís Flávio Zampronha, delegado da PF, responsável pelo relatório do mensalão tucano.

* William Santos, advogado, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil– seção Minas (OAB-MG).

Em troca da delação premiada, o jornalista ganharia a liberdade. A proposta teria sido lhe oferecida pelo promotor André Luiz Garcia de Pinho. O mesmo que pediu a sua prisão preventiva e já havia sido alvo de denúncia no site do próprio preso.

Marco Aurélio Carone fez essas e outras revelações na quarta-feira 29 a Rogério Correia e Durval Ângelo. Junto com eles, representando a OAB-MG,  estava o advogado Vinícius Marcus Nonato.

Os três ouviram-no no Hospital Biocor, onde ficou internado de 25 a 28 de janeiro, sob vigília policial.

A conversa durou 31min15s.  Foi gravada e dividida em duas partes (na íntegra, sem qualquer edição, ao final desta reportagem).  É que aos 7min28s, a pedido da enfermagem, teve de ser interrompida, para o jornalista receber medicação.

Carone recusou a delação premiada: “Sou filho de pai e mãe cassados, vou morrer, não tem problema. Mas de mim eles não conseguem nada, em hipótese alguma”.

Segundo a oposição mineira, fracassado o plano A, partiram para o plano B, devassar os documentos do jornalista e do Novo Jornal, cujas matérias desagradam politicamente a cúpula do PSDB e do governo mineiro, para descobrir suas fontes de informação.

Por determinação da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, agentes da Polícia Civil (Depatri) realizaram busca e apreensão de agendas, computadores e documentos na sede do Novo Jornal.

Fizeram o mesmo na casa de Carone e na do jornalista Geraldo Elísio, Prêmio Esso Regional de Jornalismo e que trabalhou no Novo Jornal até sete meses atrás.

Harondo André Toscano de Oliveira

“Uma equipe composta por um delegado e três outros investigadores do Depatri visitou-me com ordem de busca e apreensão de meu netbook, minhas cadernetas de telefone, CD’s e anotações, principalmente em um livro no qual escrevo poesias”, postou na sua página no Facebook . “Fizeram uma relação de objetos levados perante testemunhas legais, mas nada me mostraram.”

“Esses atos são obra de Andréa [Neves] e seu irmão [senador Aécio Neves, PSDB-MG], para tentar desqualificar a Lista de Furnas e o mensalão tucano, para que não entrem em julgamento no STF”, afirma Geraldo Elísio ao Viomundo. “Para isso não estão titubeando em lançar mão de tentativas loucas e desmesuradas, inclusive incriminar os deputados Rogério Correia e Sávio Souza Cruz, que certamente o doutor Tancredo Neves reprovaria. Eles não herdaram a inteligência nem o bom senso do avô.”

Durval Ângelo: O “promotor André Pinho (foto acima) não tem isenção para atuar no caso, é suspeito”
Durval Ângelo: O “promotor André Pinho (foto acima) não tem isenção para atuar no caso, é suspeito”

LIBERDADE DE IMPRENSA VIOLADA COM A CUMPLICIDADE DA MÍDIA

Rogério Correia está perplexo: “É estranho uma ordem de busca e apreensão na residência do jornalista Geraldo Elísio. Evidencia o caráter de censura da operação em curso”.

O bloco Minas Sem Censura, integrado por PT, PMDB e PRB, denuncia:

O bloco parlamentar Minas Sem Censura vem a público mais uma vez registrar sua perplexidade e sua indignação com mais essa atitude do Judiciário mineiro, no caso do Novo Jornal.

A ordem de busca e apreensão expedida contra o diretor proprietário do Novo Jornal e contra o repórter Geraldo Elísio configura mais um absurdo do caso.

Depois de vários dias da prisão de Carone, sem fato concreto que pudesse incriminá-lo, vasculhar sua residência e a de Elísio, só tem sentido como ato de intimidação.

Se a credibilidade dessa atípica atitude de censura já era mínima, agora chega ao limite da desmoralização. Não conseguindo forjar a delação premiada, só restou essa truculência: busca e apreensão.

Qual será a próxima ousadia? Qual a credibilidade de supostas “provas” que eventualmente “apareçam”?

Invadir casas de jornalistas é um precedente perigoso. Em Minas não se respira liberdade.

Na verdade, nesse 31 de janeiro de 2014, Minas sofreu um atentado à liberdade de imprensa digno dos tempos da ditadura civil-militar no Brasil.

(Transcrevi trechos. Leia mais sobre o terrorismo tucano e a morte anunciada de Carone)

Federalização já de crimes contra jornalistas

Ilustração Mohamed Sabra
Ilustração Mohamed Sabra

Todo assassinato de jornalista, no exercício da profissão, tem sempre um policial ou ex-policial envolvido. Sem falar do stalking policial e ameaças de morte. E legenda de medo e terrorismo dos casos dos dois jornalistas que viveram o começo deste ano de 2013 no exílio. Um ameaçado pelos delegados de polícia do Paraná, e o outro, pela bancada da bala de São Paulo.

Informa o Portal da Imprensa: Na última segunda-feira, o Conselho de Comunicação Social do Congresso aprovou o texto final da moção pedindo rapidez e ampliação do projeto de lei que federaliza crimes contra jornalistas.

O órgão consultivo do Senado solicitou ainda que fossem incluídas no projeto outras categorias, como radialistas e blogueiros. O grupo irá pedir rapidez na tramitação do projeto (PL 1.078/2011), de autoria do deputado Delegado Protógenes Queiróz.

“Com essa ampliação, procuramos contemplar outros grupos que atuam na área jornalística. Pedimos para abrir para outras categorias e recomendamos a federalização para que haja melhor apuração dos crimes cometidos contra comunicadores. Isso ajudará a garantir a liberdade de expressão”, afirmou o presidente do conselho, Dom Orani Tempesta.

 
O representante dos trabalhadores no conselho, Nascimento Silva, é fundamental a entrada da Polícia Federal nas investigações.
 
“Se depender da polícia local, as dificuldades serão grandes, porque em alguns casos há conluios com o poder público que está sendo denunciado pelo jornalista ou radialista, e outros problemas, como a falta de efetivo. Todos que exercem o trabalho de informar têm de ser incluídos nessa lei. Não caberia deixar de fora os radialistas e blogueiros, por exemplo”, disse.
 
Ilustração Ramses Morales Izquierdo
Ilustração Ramses Morales Izquierdo
 
 [Falta de efetivo é conversa mole. Polícia nunca faltou.  Colocar os assassinos na cadeia, sim, e que os crimes denunciados pelos jornalistas trucidados sejam investigados, para que o martírio não seja em vão, que os mandantes, na maioria dos casos, são ladrões do dinheiro público, com envolvimento na prática de outros crimes: lavagem de dinheiro, agiotagem, sonegação, abuso de autoridade, tráfico, inclusive outros assassinatos. T.A.]
 
 
 
 

O judiciário em pé de guerra: Quem degrada quem?

por Laerte Braga

O presidente do STF – Supremo Tribunal Federal – Cesar Peluso disse em discurso no plenário da corte que quem ataca o Judiciário “degrada” aquele poder e abre espaços para algo como um caos na ordem institucional.

Um tribunal de justiça de um dos estados brasileiros resolveu absolver um juiz acusado de desvios funcionais diante de um impasse. Parte do tribunal queria a aplicar a pena mais grave, a aposentadoria compulsória, outra parte entendia que no caso cabia a censura. Como não houve acordo o juiz foi absolvido. “Os desvios funcionais” permaneceram impunes.

Quem degrada quem?

O jornal FOLHA DE SÃO PAULO acusou dois ministros do STF de receberem gratificações indevidas (auxílio moradia) e remanescentes ao tempo que exerciam a magistratura em São Paulo. São eles o próprio Cesar Peluso e o ministro Ricardo Lewandowsky. Segundo a FOLHA ambos teriam recebidos a vantagem ilícita num valor de 700 mil reais cada um.

Ato contínuo o ministro Marco Aurélio Mello concedeu liminar a um pedido da Associação Brasileira de Magistrados (presidida por um juiz acusado de não trabalhar), suspendendo a competência do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para examinar, ou investigar juízes e desembargadores estaduais antes de igual procedimento pelas corregedorias de cada estado.

À época o ministro deu guarida aos reclamos de Cesar Peluso que alegou estar investigado pelo CNJ. Servidores do Judiciário têm seus pleitos negados e via de regra são acusados de negligentes, marajás, etc, na política, essa sim, de degradação dos serviços públicos essenciais. E todo serviço público é essencial, pois é direito.

O CNJ é o resultado da luta por transparência no Poder Judiciário. Por um mecanismo de controle desse poder. Com a decisão de Marco Aurélio fica castrada essa conquista e garantida a impunidade de juízes, desembargadores e ministros de cortes superiores.

Havendo culpa, como no caso do juiz acima citado, mas não havendo consenso quanto à sanção a ser aplicada, o acusado é absolvido.

Quem degrada quem?

O STF, na previsão de especialistas deve dar uma no cravo e na ferradura ao julgar a competência do CNJ, mas de um jeito tal que juízes, desembargadores e ministros corruptos permaneçam impunes. No caso das gratificações pagas a dois ministros da corte suprema, um deles o seu presidente, fica tudo o que foi dito não dito.

Será que podem julgar alguém?

O ministro Gilmar Mendes à época em que presidia a corte concedeu dois habeas corpus em menos de três horas a um dos maiores criminosos do País, o banqueiro Daniel Dantas. Gilmar Mendes e Daniel Dantas participaram do governo de FHC. O mínimo que deveria ter acontecido seria a declaração de suspeição. Foi pior. Gilmar acusou o delegado Protógenes Queiroz e o juiz De Sanctis, de estarem investigando a ele através de escuta em seu gabinete e uma farsa – já comprovada – foi montada pela revista VEJA, porta voz das principais quadrilhas do Brasil, para abrigar essa versão que, na prática, pretendia apenas exalar uma fingida indignação de um ministro que agiu por conta de suas ligações com o mafioso Daniel Dantas.

Ato contínuo, no curso dos acontecimentos, no roteiro desse filme, a Operação Satiagraha foi declarada ilegal, Protógenes, o juiz De Sanctis e o procurador do caso viraram réus e os bens confiscados a Daniel Dantas foram devolvidos ao criminoso. Continua solto, impune e flanando por corredores de tribunais em Brasília e em todo o território nacional. O livro A PRIVATARIA TUCANA que mostra a ação da quadrilha FHC, mostra também as ligações entre Dantas e a filha do ex-governador José Serra na lavagem do dinheiro das privatizações.

Quem degrada quem?

A prisão do banqueiro Salvatore Cacciola por fraudes financeiras ainda no governo FHC, um dos escândalos abafados e jogados para debaixo do tapete do governo tucano, resultou num habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, à época, e esse habeas corpus na fuga de Cacciola – tem dupla nacionalidade – para a Itália.

Marco Aurélio Mello e Cacciola eram vizinhos num condomínio no Rio de Janeiro. Preso, o banqueiro ameaçava abrir a boca e contar os escândalos e as fraudes no sistema financeiro com figuras de proa no Banco Central e no governo FHC.

Cacciola só foi preso de novo por ter saído da Itália para um país vizinho e ali capturado a pedido das autoridades brasileiras, já no governo Lula, ação direta do ministro Tarso Genro e depois extraditado para o Brasil, onde cumpriu parte da pena. Está agora em regime aberto.

Todo o seu patrimônio constituído através de fraudes financeiras quando a quadrilha de FHC governava o Brasil, está mantido intacto.

Quem degrada quem?

Os acontecimentos recentes em São José dos Campos, envolvendo o governador Geraldo Alckmin e o prefeito da cidade, ambos tucanos, que resultaram no despejo de famílias que moravam num bairro supostamente propriedade do bandido Naji Nahas (como não é ladrão de galinhas, ganhou o epíteto de “investidor”), mais de oito mil pessoas, sete mortos pelo menos e toda a boçalidade da PM paulista, foram possíveis a partir de decisões malandras do Judiciário paulista. Uma escadinha. Uma juíza ignora um protocolo de acordo, o presidente do Tribunal de Justiça dá aval à juíza, em seguida o STJ (Superior Tribunal de Justiça) – aquele do ministro que vendia sentenças a um milhão de reais e um elefante branco dentro do modelo do Judiciário brasileiro, abrigo de protegidos de políticos como Sarney – garante o esquema e no final da trama o próprio presidente do STF. Cesar Peluso dá foros definitivos ao crime que foi o despejo dos moradores de Pinheirinho, encerrando o assunto.

Está garantida a primazia das elites políticas e econômicas no controle acionário do Estado como instituição, dentre elas o Poder Judiciário.

Na falta de transparência quem degrada quem? Na impunidade, quem degrada quem?

O mínimo que o cidadão comum espera da justiça é justiça. Pode levar duzentos anos e geralmente não chega nunca. Mas garantidos estão os privilegiados como Daniel Dantas, Nagi Nahas, etc. É a justiça que deixa de ser cega e enxerga os seus preferidos.

A verdade é que essas figuras, Dantas, Nahas, os banqueiros, os grandes empresários e os latifundiários, detêm o controle acionário do Estado. Têm forças ativas no Executivo, no Legislativo e no Judiciário e com isso todo o aparato de barbárie da sociedade capitalista é mantido em todo o Brasil.

O STF está julgando a questão CNJ. Deve promover uma espécie de retalhamento em suas decisões, ou seja, aceitar aquilo, negar isso e manter tudo como está. Arranca um braço, cala uma boca e permite, por exemplo, que sejam vistas as irregularidades, mas nunca punidas ou investigadas para que isso ocorra. Tudo, segundo um ex-juiz, para não melindrar o ministro Marco Aurélio Mello.

Espírito de porco, de corporação. Quem degrada quem?

Os corpos dos mortos em Pinheirinho estão sumidos. A grande mídia, cúmplice do massacre não toca no assunto, esconde. Prefere discutir e noticiar o BBB, quem dormiu com quem. Ou quem estuprou quem.

O modelo político institucional do Brasil está falido. Foi construído sobre alicerces podres, tutelado pela ditadura militar mesmo que o presidente após o último general tenha sido civil, caso de Sarney.

Mas que diferença existe entre Sarney e um dos ditadores do golpe de 1964? Posso escrever que o general Geisel, um exemplo, não metia a mão no bolso de ninguém e nem de dinheiro público. Sarney saqueia os cofres nacionais, do Maranhão e do Amapá em particular, sem que nada se lhe aconteça. A ele, ou a família.

É uma diferença, claro que sim.

O que o STF está decidindo, ou já decidiu, com certeza, aprofundará o poço/fosso entre elites e trabalhadores e vai reforçar o controle desse Estado falido por elites econômicas e políticas, num modelo que despenca em todo o mundo.

O governador de São Paulo, figura proeminente da ordem terrorista/católica OPUS DEI, constituiu um gabinete anti-protestos. Quer evitar que a população manifeste desagrado com decisões que partam de sua “iluminada mente” FIESP/DASLU, como evitar comparecer a lugares onde possa ser hostilizado.

Quer a mídia vendendo a idéia que Alckmin é o ideal para o Brasil. Um em cada cinco dos homicídios cometidos em São Paulo o é por policiais militares.

A degradação, não sei quem escreveu o discurso de Peluso, mas sei que sozinho ele não conseguiria produzir tal documento – é só ouvir o dito cujo tentando falar para explicar qualquer coisa, é um fraco –, mas quem o fez estava escrevendo e Peluso falou para os controladores de BRASIL S/A.

Tranqüilizou a todos eles.

A degradação é outra coisa, tem outro viés. É muito mais ampla. E está do outro lado rua por onde transitam Peluso, Lewandowsky, Gilmar Mendes, etc, etc.