A escuridão do Maranhão rima com corrupção

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Quantos prefeitos e deputados estão envolvidos no esquema da agiotagem que matou o jornalista Décio Sá?

Essa gente é inimiga da transparência. Da claridade.

Os prefeitos jogam sujo e no escuro, como faz todo ladrão. Principalmente o gatuno de colarinho (de) branco.

Todo prefeito ladrão tem uma quadrilha de vereadores.

Isso acontece em terra que não tem justiça.

Tribunal de Justiça do Maranhão solta o capitão armeiro do assassino do jornalista Décio Sá

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Os desembargadores da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) concederam habeas corpus em favor do capitão da Polícia Militar Fábio Aurélio Saraiva Silva, o “Fábio Capita”, acusado de ter fornecido a arma que assassinou o jornalista Décio Sá, em abril de 2012.

A negativa da liberdade provisória foi fundamentada na conveniência da instrução criminal, entendendo que a manutenção da prisão seria necessária para evitar qualquer interferência indevida sobre testemunhas. Almeida considerou as justificações vagas e genéricas, ressaltando que o princípio da presunção de inocência admite a possibilidade de aplicar outras medidas cautelares, sendo a prisão de necessidade excepcional, motivada em elementos factuais.

Todo assassinato de jornalista tem polícia ou ex-policial envolvido. Daí a necessidade de federalizar os inquéritos policiais e o julgamento.

Cartaz exibido esta semana em passeata na Avenida Paulista, São Paulo
Cartaz exibido esta semana em passeata na Avenida Paulista, São Paulo

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Aviso para os assassinos de jornalistas: Conselho Nacional de Justiça vai monitorar processo da morte de Décio Sá

Alen Lauzán
Alen Lauzán

A Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) incluiu, no sistema de acompanhamento processual “Justiça Plena – Processos de Relevância Social”, a Ação Penal que trata do homicídio do jornalista Décio Sá – assassinado a tiros em São Luís, em 23 de abril de 2012.

A medida foi confirmada pelo ministro Fernando Falcão, corregedor nacional de Justiça, ao desembargador Antonio Guerreiro Júnior, presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, e ao corregedor-geral da Justiça, desembargador Cleones Cunha.

“Essa decisão é positiva para a Justiça estadual e, em especial, uma vitória de todos os maranhenses que acompanham esse caso e o querem resolvido”, comentou o presidente.

A inclusão do processo no sistema foi solicitada à Corregedoria Nacional pelo presidente Guerreiro Júnior, a pedido do juiz Márcio Brandão, que responde pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de São Luís, onde a ação foi ajuizada. Com o cadastro da Ação Penal no sistema, o processo passa a ser monitorado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O TJMA deve encaminhar, no prazo de 15 dias, informações como a situação processual; a movimentação; segredo de Justiça; tramitação de recursos e data de julgamento. As informações ficam disponíveis na internet (www.cnj.jus.br), apenas para usuários cadastrados.

RELEVÂNCIA SOCIAL – O programa “Justiça Plena” monitora o andamento de processos de repercussão social e apoia a gestão de causas de grande interesse público.

O acesso pleno aos processos ocorre por meio do Sistema de Acompanhamento de Processos de Relevância Social (SAPRS) e é concedido aos representantes cadastrados, que podem consultar e atualizar o banco de dados.

Transcrito do Imparcial, Maranhão

Nota: Toda morte de jornalista tem repercussão internacional. Inclusive as ações nefastas e antidemocráticas de censura.

Outro processo que virou uma piada, envolve um assassino que já teve três absurdos habeas corpus, o da morte do jornalista Valério Luiz em Goiás. O mandante é dono do principal cartório de Goiânia: Maurício Sampaio, milionário cartola de futebol.

Botaram nome difícil em ladrão das burras do Estado

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Pobre é ladrão, rico é barão. Sempre foi assim para quem rouba o dinheiro público. O costumaz desvio. Peculato nome que lembra pecado, peculiaridade.

A imprensa não engana mais com a rotulação de crime de colarinho (de) branco. Partiu para outro jeitoso jeitinho maneiroso

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ASSASSINOS DE DÉCIO SÁ ENVOLVIDOS COM VERBAS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS. E COM O TRÁFICO DE DROGAS, AGIOTAGEM, PROSTITUIÇÃO E PISTOLAGEM

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[A VIDA DE LUXO E LUXÚRIA DE AGIOTAS, DEPUTADOS E PREFEITOS.

OS EMBALOS DOS SHOWS PROMOVIDOS PELAS PREFEITURAS]

POR OSWALDO VIVIANI

Em meio às milhares de horas de escutas da operação “Blogueiro” – na qual mais de 30 pessoas tiveram seus telefones “grampeados” com autorização judicial, entre maio e junho de 2012, no bojo das investigações sobre o assassinato do jornalista Décio Sá –, a polícia maranhense descobriu, além de indícios de envolvimento com o crime propriamente dito, que parte dos investigados levava uma vida de farra permanente – não raro “incrementada” pela companhia de prostitutas caras e traficantes “donos” de bairros inteiros de São Luís. O Jornal Pequeno teve acesso às degravações das escutas.

Indiciado pela polícia e denunciado pelo Ministério Público por participação no crime, mas ainda em liberdade, o advogado Ronaldo Henrique Santos Ribeiro – tido, ainda segundo a polícia, como “braço jurídico” de agiotas que atuam em várias prefeituras do Maranhão – foi flagrado nas escutas acertando um “programa” de prostituição com um intermediário.

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R$ 250 o ‘frete’ – Em duas conversas, “grampeadas” no dia 22 de junho de 2012, Ronaldo Ribeiro fala com Wallen de Sousa (conhecido produtor de eventos de São Luís).

As conversas dão a entender que aquele tipo de “serviço” já fora prestado a Ronaldo outras vezes.

No primeiro diálogo, que durou cerca de dois minutos (das 12h16min40s às 12h18min27s), Wallen diz que tem “uma novidade” para Ronaldo e quer saber se ele tem tempo naquele dia à tarde.

Ronaldo responde que “estava precisando mesmo” e Wallen quer saber para que horas ele pode “organizar tudo”.

Ronaldo, então, afirma a Wallen que “um bom local seria o Ibis Hotel (perto da Associação Atlética Banco do Brasil)” e pergunta: “Quanto seria o ‘frete’”.

Wallen procura valorizar o “produto”. Diz que a mulher “é belíssima” e que vai ver “se ela está de folga”. “Ela é do seu estilo. Não é de cabaré, é de residência”, afirma Wallen a Ronaldo.

Pouco mais de três horas depois (às 15h42min58s), Wallen liga para Ronaldo novamente e conta que conseguiu falar com a mulher. Acerta um encontro com Ronaldo no Bairro do São Francisco, às 18h30, onde estaria já com a mulher. Ronaldo pergunta se Wallen já acertou o “frete”.

Wallen diz que já acertou “tudo direitinho” e que “não é coisa alta, não”. Orienta Ronaldo a pagar R$ 250 – “R$ 200 para ela e R$ 50 para o táxi”.

‘Chegado’ – Já Fábio Aurélio do Lago e Silva, o “Buchecha” – que, segundo a polícia, ajudou na operacionalização do assassinato de Décio Sá, por trabalhar para José Raimundo Sales Chaves Júnior, o “Júnior Bolinha”, apontado como um dos mandantes do crime –, foi “grampeado” comentando a respeito de um traficante que teria conhecido recentemente.

A conversa reveladora deu-se em 14 de maio de 2012, uma segunda-feira. Nela, “Buchecha” e um homem identificado apenas como Roberval falam, primeiramente, de um show que acontecera no sábado anterior (12), no espaço “Tapete Vermelho” do Marafolia.

“Tava toda a ‘galera’ lá”, diz “Buchecha”, informando Roberval sobre quem o acompanhava na mesa: “Carlos Filho [deputado estadual], Rômulo, a irmã de Rômulo”.

Depois, “Buchecha” e Roberval comentam sobre um traficante conhecido como “Chegado”, do Cohatrac.

“Todo mundo sabe que é ele quem abastece São Luís”, diz Roberval. “Buchecha” afirma: “Só conheci ele [‘Chegado’] esses dias”.

Uma observação da polícia na degravação informa que o traficante “Chegado” teria uma loja de equipamentos de carros.

Truculência – Em vários dos diálogos “grampeados” na operação “Blogueiro” vem à tona a forma truculenta pela qual os alvos das escutas conduziam seus negócios – caracterizados por misturar contravenção (agiotagem) e atividades à primeira vista lícitas (compra e venda de veículos).

Um trecho de uma conversa, ocorrida em 7 de maio de 2012, entre “Buchecha” e Fernando da Silva, conhecido como “Bracinho”, é revelador. No “grampo”, “Buchecha” ameaça dar “uma pisa” em “Bracinho”, pelo fato de este estar “falando dele pela rua” e ter ameaçado “quebrar” Davi (um amigo de “Buchecha”).

“Quem ganha dinheiro nessa cidade sou eu e quem manda dar ‘pisa’ sou eu. Tenho os ‘meninos’ pra ‘fazer’, diz “Buchecha” para “Bracinho”.

Em outro “grampo”, de 12 de junho de 2012, é “Júnior Bolinha” quem ameaça “matar no meio da rua” um irmão de “Buchecha”, Adriano do Lago e Silva, por causa de um suposto débito de R$ 30 mil que este teria com “Bolinha”. “Você vai perder seu irmão por causa disso bem aí [o débito]”, vocifera “Bolinha”. (Transcrito do Jornal Pequeno)

 

ESCUTAS AUTORIZADAS DA INVESTIGAÇÃO DO ‘CASO DÉCIO’

Ao menos outros 3 supostos agiotas – entre eles um juiz e um deputado estadual – aparecem nas escutas da polícia feitas após o assassinato de Décio Sá; as interceptações foram denominadas ‘Operação Blogueiro’

No bojo das escutas da ‘Operação Blogueiro’, também aparecem os nomes do juiz de Caxias Sidarta Gautama Farias Maranhão e do deputado estadual Marcos Antonio de Carvalho Caldas (PRB).

Em janeiro de 2010, o magistrado foi flagrado em ‘grampos’ da Polícia Federal em conversas com ‘Eduardo DP’ que revelavam indícios de agiotagem.

Por envolver um juiz, o caso foi levado à Corregedoria do Tribunal de Justiça do Maranhão, que em fevereiro passado decidiu arquivar o pedido de abertura de processo administrativo disciplinar contra Sidarta.

Nas escutas da ‘Operação Blogueiro’, o juiz Sidarta Gautama teve ‘grampeado’ um diálogo que teve em 17 de junho de 2012 com Pedro Teles. ‘O Charles sumiu do mapa (…) e ficou me devendo um monte dinheiro’, afirma Sidarta. Não fica claro na conversa quem é Charles. Pedro Teles responde que ‘aquele que mataram lá em Teresina [Fábio Brasil] também deu um monte de prejuízo’ e diz que quer falar com Sidarta pessoalmente.

Pedro Teles foi condenado, no início do mês passado, a 21 anos de prisão, como mandante da morte do líder comunitário Miguel Pereira Araújo, o ‘Miguelzinho’, assassinado em 1998, em Barra do Corda. Seus advogados recorreram e ele espera o resultado do recurso em liberdade. No dia do assassinato de Décio Sá, Pedro Teles entrou em contato telefônico com Raimundo Chaves Sales Júnior, o ‘Júnior Bolinha’, um dos principais envolvidos no homicídio.

Quanto a Marcos Caldas, que tem sua base política no município de Brejo, ele já foi sócio de ‘Júnior Bolinha’ numa loja de revenda de carros na Avenida dos Africanos (São Luís).

Segundo o que disse à polícia Patrícia Gracielli Aranha Martins, viúva do negociante de carros Fábio dos Santos Brasil Filho, o ‘Fabinho’ (assassinado em Teresina no fim de março de 2012), o parlamentar fazia empréstimos a juros. Ele teria emprestado R$ 60 mil a ‘Fabinho’ – um dos muitos que o empresário morreu sem quitar.

Um raro caso em que a agiotagem nas prefeituras aparece é num diálogo, ocorrido em 26 de junho de 2012, entre ‘Eduardo DP’ e um homem identificado apenas como ‘Zé’. Na conversa ‘grampeada’, fala sobre seis cheques de R$ 600 mil cada da merenda escolar de Dom Pedro, que estariam nas mãos de Gláucio Alencar e foram apreendidos pela polícia. (Transcrevi trechos)

 

“PRA FAZER TODO MUNDO SOFRER”

Truculenta também foi a reação do ex-prefeito de Barra do Corda, Manoel Mariano de Sousa (PV), dois dias depois de seu afastamento do cargo, pelo Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), em 19 de junho de 2012.

Numa conversa com seu filho Pedro Teles, “grampeada” em 21 de junho de 2012, “Nenzim” o manda organizar o fechamento à população de todos os 11 postos de saúde do município.

“Não é pra deixar nenhum funcionário dentro. É pra dar o choque… pra fazer todo mundo sofrer”, diz “Nenzim” ao filho. Pedro Teles responde que vai “tomar as providências”.

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No “grampo”, “Nenzim” conta a Pedro que Sandra Maria Teles de Sousa, também filha do ex-prefeito, sugeriu a pessoa para realizar a maldade: “Sandra diz que seu Raimundo é bom pra fazer isso. Ele é danado…”

No mesmo dia do fechamento dos postos de Barra do Corda, a mando de “Nenzim”, ele conseguiu derrubar, no Superior Tribunal Federal (STF), em Brasília, a decisão do TJ-MA, e voltou ao cargo.

 

ASSASSINATO DE DÉCIO SÁ ABRE VÁRIOS CAIXAS DOIS DAS ELEIÇÕES DO MARANHÃO

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Tudo que consta nas provas e inquérito é que Décio Sá foi morto por ter descoberto a ligação dos envolvidos com a morte do Fábio Brasil, no Piauí - Augusto Barros
Tudo que consta nas provas e inquérito é que Décio Sá foi morto por ter descoberto a ligação dos envolvidos com a morte do Fábio Brasil, no Piauí – Augusto Barros
por Saulo Maclean
O desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) do Maranhão, Raimundo Nonato Magalhães Melo, negou ontem o pedido de liminar do habeas corpus impetrado durante o plantão judiciário, pela defesa do advogado Ronaldo Ribeiro, um dos 12 réus no processo que apura o assassinato do jornalista Décio Sá. Este foi o segundo encaminhamento indeferido pelo TJ, ajuizado pelo advogado Aldenor Rebouças Júnior, que pleiteava, mais uma vez, o adiamento das audiências de instrução.“A liminar em habeas corpus constitui medida de extrema excepcionalidade. Ela somente é admitida nos casos em que são demonstradas de forma manifesta a necessidade e a urgência da medida, bem como o abuso de poder ou a ilegalidade do ato impugnado. O defensor do réu impetrou o pedido sob a justificativa de que tal fato prejudicaria a defesa do acusado, entretanto essas circunstâncias são inexistentes na hipótese em discussão”, observou o desembargador. (Estado do Maranhão)

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ENTREVISTA COM O DELEGADO AUGUSTO BARROS

O IMPARCIAL – A Polícia Civil encerrou o inquérito apontando os envolvidos na morte do jornalista Décio Sá. Na sua avaliação, todas as dúvidas a respeito foram esclarecidas?

AUGUSTO BARROS –  Sim, no nosso entendimento, foram esgotadas todas as possibilidades. O caso não começou no sentido de identificar a rede de agiotas. Este era mais uma das possibilidades. Às vezes as pessoas questionam o avanço das investigações por abarcar um grande número de pessoas. Foram ouvidas muitas pessoas, jornalistas e blogueiros, alguns destes até interceptados telefonicamente, mas não com objetivo de apontar como acusado, mas investigados. A linha que ficou clara e muito bem definida, a partir das reconstituições, dos interrogatórios das testemunhas e dos suspeitos, todas apontam para a ligação existente entre os agiotas, o escritório de advocacia do Ronaldo Ribeiro, o ‘Júnior Bolinha’ e o homicida. É uma inverdade quando os envolvidos tentam dissuadir e dizer não terem qualquer ligação com a morte do Décio. À Polícia Civil não interessa indicar pessoas que não tenham ligação com o crime de assassinato. Não temos dúvida quanto à conclusão das investigações. Todas as linhas de investigação foram investigadas.

Nos depoimentos tomados pela Justiça surgiram outros pontos, como a participação de pessoas que não constam do inquérito da Polícia Civil. Pode ser aberta outra investigação a partir destes depoimentos?

A nosso ver não, de forma alguma. Isso consta de todo caderno de provas que, a linha que eles dizem que não foi explorada, foi bastante explorada. À medida que a investigação aponta você foca na linha de maior possibilidade. Essa linha que envolve a família Teles, por conta de uma postagem e áudios que indicaram a possibilidade de participação são muito tênues e pequenas no caso. Não colocam na cena do crime e não colocam na linha de mando.

Qual sua avaliação sobre o desmembramento do processo contra o advogado Ronaldo Ribeiro, concedido pela Justiça?

Não tive acesso ao pedido, nem à ordem judicial para o desmembramento, mas acredito que não prejudique as investigações, nem o andamento do processo.

Porque ele continua solto, se há um áudio que comprovaria a participação dele no caso Décio Sá?

Solicitamos ao judiciário a prisão, mas foi negada. Nós entendemos que a participação dele, em vários níveis, poderia autorizar a concessão da prisão, mas respeitamos a decisão do judiciário. Mas, a participação dele ficou muito bem delineada quanto à relação com o assassinato do Décio. A justiça irá avaliar à parte o caso dele, para saber se ele vai compor grupo a ser julgado pelo Tribunal do Júri.

O réu confesso, Jhonatan Sousa, disse que fará revelações e apontará outros envolvidos. Isso pode mudar a linha de investigação da morte do jornalista?

Não mudará. O Jhonatan, frio como é, pode racionalizar a situação em que se havia se metido. Ele não tinha ideia da complexidade e da vítima que ele tinha contratado para matar. Ao longo de algumas reinquirições que foram feitas, ele raciocinou que, entrando no presídio com aquela série de acusações seria perigoso. Não foi estabelecido qualquer tipo de acordo, que não aquele que preservasse a integridade física dele. Todas as revelações que ele fez ‘casaram’ com o que colhemos dos demais envolvidos. A defesa se articula para tentar negar a autoria desse crime. Ele é um pistoleiro de extensa ficha, o que foi confessado logo no primeiro do inquérito e confessou inclusive outros crimes. Tudo filmado e com a presença do Ministério Público. Portanto, tudo o que poderia ter sido dito, foi dito e está comprovado no inquérito.

Porque Décio Sá foi assassinado?

Tudo que consta nas provas e inquérito é que Décio Sá foi morto por ter descoberto a ligação dos envolvidos com a morte do Fábio Brasil, no Piauí. Décio começou a postar informações no blog e os envolvidos temiam que fosse descoberta a participação deles e isso viesse à tona. Por não ter aceitado deixar o assunto de lado, Décio foi vítima.

 

Qual o andamento da investigação sobre agiotagem?

Estamos ainda averiguando os documentos e ouvindo os prefeitos. É uma investigação muito ampla. São 41 prefeituras, que, de alguma maneira têm ligação com o grupo de agiotas, o que não quer dizer que sejam culpados. São gestores atuais e os penúltimos. As investigações estão apurando a participação.

 

Qual sua avaliação da CPI da agiotagem da Assembleia Legislativa?

O trabalho de investigação deve ser feito pela polícia e com todo respeito à inclinação da Assembleia em colaborar, acreditamos que o mais prudente seria aguardara a investigação, para que, ao final, um trabalho concorrente não venha a interferir no mais antigo que vem sendo realizado.

 

O deputado Raimundo Cutrim defende a CPI, mas está sendo cotado para depor como envolvido no esquema de agiotagem, segundo a polícia. Qual sua avaliação desta iniciativa? Ele irá depor no inquérito?

Acredito que o deputado está imbuído das melhores intenções para ajudar nas investigações de agiotagem ao ter proposto a CPI. Ele foi citado pelo Jhonatan e será solicitado ao longo da investigação. Por ser deputado ele tem prerrogativa de foro e já enviamos ao Tribunal de Justiça, em agosto do ano passado, o pedido para que ele possa se posicionar. Estamos aguardando.

 

O que é atribuído a ele neste caso?

Não atribuímos culpa alguma a ele. Ele será ouvido. Não podemos dizer que há culpabilidade ou participação dele nesse caso. Estamos apurando e vamos ouvi-lo para tirar as conclusões.

 

Há previsão da conclusão deste inquérito?

Não é uma previsão exata, pois depende de muitos fatores e, de antemão, teremos de ouvir, pelo menos 41 advogados das prefeituras citadas, analisar inúmeros documentos, mas, se não sofrermos nenhum incidente, esperamos ter uma resposta satisfatória dentro de três meses.

 

ENTREVISTA COM O DELEGADO PEDRO MEIRELES

por Oswaldo Viviani e Jully Camilo / Jornal Pequeno
O delegado da Polícia Federal Pedro Roberto Meireles Lopes negou hoje (9), durante seu depoimento, na audiência de instrução do “caso Décio Sá”, que tenha favorecido Gláucio Alencar Pontes Carvalho durante as operações policiais realizadas por ele. Gláucio é o principal acusado de ter mandado matar Décio. Também é investigado, em outro processo, de atuar como agiota, em várias prefeituras do Maranhão, sangrando recursos públicos federais.A acusação de favorecimento à agiotagem, por parte de Pedro Meireles, foi formalizada à polícia pelo ex-prefeito de Serrano do Maranhão, Vagno Pereira, o “Banga” – alvo de uma operação da PF, em março de 2010, chefiada pelo delegado.Delegado Pedro Meireles

Delegado Pedro Meireles

Pedro Meireles mostrou à Promotoria documentos emitidos pela Controladoria Geral da União (CGU), que comprovavam desvios de mais de R$ 2 milhões da Prefeitura de Serrano do Maranhão durante a gestão de Banga.

Ele garantiu que todas as operações da PF são acompanhadas e controladas pela escala hierárquica da Polícia Federal, além de contar com a participação de vários órgãos, como a CGU, e, portanto, não teria possibilidade de serem tendenciosas ou benéficas a alguém.

“O relatório da Controladoria atestou que 96,34% dos recursos avaliados em seis meses, foram desviados da prefeitura de Serrano, com saques na ‘boca do caixa’, totalizando R$ 2.720.471,92 milhões. Além disso, áudios demonstram toda uma cadeia de irregularidades que foram cometidas. Então, eu devo concluir que o depoimento de um ex-prefeito que foi preso por mim, não tem nenhuma credibilidade”, disse Meireles.

Por sua vez, Banga, que também depôs hoje na Justiça, confirmou o que já havia denunciado em agosto de 2012: que sua prisão pela PF se deu porque ele não pagou ao agiota Glaucio Alencar uma dívida de R$ 200 mil, contraída pelo prefeito anterior, Leocádio Olímpio Rodrigues (PDT), no período da campanha eleitoral de 2008. Leocádio foi cassado em abril de 2009, por improbidade administrativa, ocasião em que Banga assumiu o cargo de prefeito.

Em seu depoimento, Pedro Meireles afirmou, ainda, que o seu relacionamento com o jornalista Décio Sá era estritamente profissional, sem vínculo de amizade. Ele relatou que tomou conhecimento da morte do jornalista por meio de uma rede social, na internet.

Meireles também contou à Promotoria que é amigo de infância do advogado Ronaldo Henrique Santos Ribeiro e que conheceu Gláucio Alencar em decorrência de frequentarem a mesma igreja evangélica, situada no bairro do Vinhais.

Três máfias de agiotagem acusadas de mandar matar o jornalista Décio Sá. Cada máfia tem uma factoring. Que legal

Cada máfia, que envolve, notadamente, prefeitos e deputados, acusa a outra de matar o jornalista Décio Sá.

Tem mais de um bilhão na danceteria, e o Ministério da Fazenda ainda não nesta zona que é o Maranhão.

A agiotagem movimenta os caixas 2; as factorings, o tráfico de moedas para os paraísos fiscais.

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Escreve Gilberto Lima: Treze pessoas foram indiciadas por envolvimento no crime. Entre eles, o assassino confesso Jhonathan de Souza Silva  e os principais suspeitos de serem mandantes, o empresário Glaucio Alencar e o pai dele, José de Alencar Miranda, presos desde o ano passado.

De acordo com a polícia, o jornalista foi morto porque teria publicado em seu blog informações sobre o assassinato do empresário Fábio Brasil, envolvido em uma trama de pistolagem com os integrantes de uma quadrilha encabeçada por Glaucio Alencar e José Miranda.
A morte do jornalista levou a polícia a descobrir um esquema de agiotagem, que envolve mais de 40 prefeituras do Maranhão, mantido pela quadrilha. Segundo a polícia, os prefeitos procuravam o bando para pedir dinheiro emprestado e pagavam a dívida com juros quando as verbas de recursos públicos eram liberadas. O rombo nos cofres era maquiado com “notas frias”.
Décio Sá foi morto por volta de 22h40 do dia 23 de abril do ano passado, em um bar na Av. Litorânea, em São Luís. O jornalista trabalhava na editoria de política do jornal O Estado do Maranhão e alimentava o Blog do Décio, o mais acessado do estado na época do crime.
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Escreve Luís Cardoso: A ficha tinha sido dada há mais de um mês, quando o empresário e agiota Gláucio Alencar insinuou a participação do também empresário e agiota Pedro Teles, como participante da morte do jornalista e blogueiro Décio Sá. Teles é filho do ex-prefeito de Barra do Corda, Nenzin, e irmão do deputado estadual Rigo Teles. Condenado recentemente a 21 anos de prisão como mandante de um líder dos sem terra em Barra do Corda, o nome de Pedro Teles vem crescendo na boca dos principais acusados da morte do jornalista, como se a coisa fosse combinada lá dentro da cadeia.

Ontem, alguns depoentes blogueiros e jornalistas tiveram que responder a perguntas dos advogados dos acusados relacionadas à provável participação de Teles no crime.

O motivo maior seria uma publicação feita no mesmo dia da execução no blog de Décio Sá, em que o jornalista denunciava a composição do jurado que iria julgar o empresário de Barra do Corda. Boa parte do júri era formada por parentes e empregados de Pedro Teles, numa clara tentativa antecipada de absolvição.

Por causa da denúncia de Sá, o júri foi desconstituído e o julgamento transferido para São Luís, que condenou Teles a 21 anos de cadeia.

Ontem, o advogado de Jhonatan Silva, assassino confesso de jornalista, dizia que seu constituinte iria fazer revelações capazes de mudar toda a trajetória das investigações realizadas pela polícia.

E é quase certo que a mudança inclua o nome do dono da Federal Factoring no consórcio que eliminou a vida do jornalista e blogueiro Décio Sá.

Existem ainda comentários de que outros nomes possam ser apontados pelo pistoleiro, incluindo pessoas do ramo empresarial.