Rock in Rio Lisboa. A língua portuguesa na economia mundial

O economês não fala a língua do fado. Nem a língua do samba. Fala a língua do Império. A língua do rock.

O Império jamais cantou fado na língua do rock.

Ou samba. Inventaram até uma bossa nova para isso.

Coisa de colonizado: Tem quem cante rock no português de Portugal.

E no português do Brasil. Na esperança, que nunca morre, de um dia ser conhecido internacionalmente.

O Império nunca entendeu: Rock é para ser cantado, fica melhor de ouvir e mais bonito, em português, nao importa o sotaque.

Veja o mapa 

O circo sem pão dos prefeitos ladrões e quadrilhas de cantores e bandas

O Brasil tem 5 mil e 565 municípios. Pode ser mais. A grande maioria deles possuem secretarias de Turismo e de Cultura. São multidões de funcionários tocando punheta no tempo.

Secretaria de Turismo em município sem hotel é piada.  Idem Secretaria de Cultura em município sem biblioteca pública.

Municípios sem a tradicional banda de música, e as principais festas ainda são as dos santos padroeiros, promovidas pelos fiéis.

Essas secretarias não promovem os artistas locais. Nem os grupos folclóricos. Não publicam livros. Não realizam nada que seja para promover a cultura, o turismo.

Secretarias que existem para pegar verbas das secretarias estaduais e ministérios da Cultura e do Turismo. E dinheiro juntado com a grana do cofre municipal para realizar shows de artistas que se tornaram conhecidos pela visibilidade nacional dos programas de Gugu, Sílvio Santos, Faustão e outros globais.

Isso também acontece nas capitais. Todo final de semana tem embalo. Cidades sem museus, sem arquivo público, sem ou com teatro caindo aos pedaços, que as exibições dos artitas são realizadas ao ar livre. Na rua principal. Na beira do mar.

Veja a tabela dos artistas mais ricos e famosos. Que baliza as faturas frias quitadas pelas prefeituras para cantores e bandas. Isto é, sempre contratam com o preço nas alturas.

Ensina o Blog Brasil: “O número de artistas que estão fazendo sucesso pelo mundo cresce muito. Cada pessoa começa a carreira como pode ou como consegue, mas de fato quase todos os cantores começaram a vida no interior, onde a procura por eventos e show é muito grande”.

São milhares de agências de eventos, as sérias e as desonestas. Impossível numerá-las. Que existem até produtoras fantasmas. E outras, exclusivas deste ou daquele município.

O roubança acontece assim: um artista que cobra cem mil é contratado por 500 mil. Muitas vezes nem sabe da safadeza, que os contratos são firmados através dos promotores de eventos.

É um bom negócio para o prefeito e secretários e agenciadores. Para o prefeito melhor ainda. Todo show vira comício eleitoral. É um circo sem pão. Ele ganha grana fácil e votos.

Moacir Japiassu escreveu uma obra prima sobre o golpe de 64: o romance Quando Alegre Partiste

Moacir Japiassu
Moacir Japiassu

Como jornalista, você esperava que a ditadura brasileira durasse mais de duas décadas? E, em sua opinião, os jornalistas e veículos de comunicação tiveram grande participação na derrocada do regime?

Imaginei que aquilo durasse pouco tempo. Tudo no Brasil é passageiro, menos o cobrador e o motorneiro, como se dizia antigamente. Os militares queriam dar o golpe desde 1945, com a deposição de Getúlio Vargas; não foi possível, então prepararam outra ação quando Getúlio se matou; também não deu. Houve tentativas outras, como o episódio de novembro de 1955, quando o general Lott garantiu a posse de Juscelino, mas somente em 1964 é que conseguiram, finalmente, tomar o poder.

Como você avalia a relação da mídia com os ditadores?

Apareceram os “líderes civis” daquela cretinice, como Magalhães Pinto, governador de Minas, e Carlos Lacerda, governador do Rio, mais um eito de generais, os “líderes militares”. Achei que era muita gente a mandar, a “revolução” não iria muito longe. Do ponto de vista histórico, não foi muito longe mesmo; porém, viver aquela desgraça por 21 anos foi uma das maiores perdas de tempo já verificadas neste país. Convém não esquecer que a chamada grande imprensa apoiou o golpe de 1964; depois, com seus interesses contrariados, começou a fazer oposição. O próprio Correio da Manhã, que havia publicado dois terríveis editoriais contra João Goulart, intitulados Basta! e Fora!, logo se arrependeu e partiu para o ataque aos militares, com seu cronista Carlos Heitor Cony na linha de frente.

Transcrevi trechos. Entrevista concedida a Anderson Scardoelli in comunique-se com.

Moacir Japiassu escreveu um clássico da literatura brasileira: “Quando Alegre Partiste – Melodrama de um delirante golpe militar”. Tem como cenário a Cidade do Rio Janeiro, antes e depois da queda de Jango. Idem Belo Horizonte. E as redações dos jornais do Rio nos dias 31 de março, e primeira semana da abril de 1964. Um romance gostoso de ler. Um documento único para conhecer a História do Brasil, do Jornalismo, da Cidade do Rio de Janeiro, a poesia de Jorge de Lima, a cultura, o comportamento e os costumes do povo brasileiro.