O voto presidencial de Cristina Moreno de Castro

Sou favorável que o jornalista vote aberto. Os proprietários de mídia realizam campanha. Por que obrigar o jornalista a aparentar uma falsa neutralidade?

Uma campanha presidencial decide o futuro do Brasil como país, como nação, e o amanhã do povo em geral.

Quando uma campanha é disputada voto a voto, ela se torna mais democrática, mais emocionante, mais apaixonada e apaixonante. Não há como fugir do contágio das emoções.

O jornalista pode ser tudo, menos um indeciso, porque é um daqueles cidadãos que Fernando Henrique chama de esclarecido (pronto, com esta frase defini o meu voto).

 

As três razões para meu voto

 

Cristina Moreno de Castro

 

por Cristina Moreno de Castro

Como prometido, hoje vou escrever sobre meu voto. Apesar de muitos terem dito que eu não deveria declarar meu voto, por estarmos em um momento de muita agressividade na internet, acho que estas são eleições em que não podemos nos omitir, temos que tomar um partido, sair do muro, porque muita coisa está em jogo. Claro que não escrevo este post para aqueles que já estão convictos de seu voto (e todos têm seus motivos para escolher um ou outro candidato, que devem ser respeitados), mas para os que ainda estão abertos a mudar de opinião (ou tomar uma posição), a partir da reflexão. E, para contribuir com essa reflexão, trago uma planilha com diversos dados que coletei a partir de registros oficiais, além de mais de 70 links para notícias confiáveis, selecionadas a partir de critério jornalístico, que detalham o que escrevo ao longo do post, e que podem ser consultadas como fonte de informação.

 

Conheça o voto da poeta e jornalista Cristina Moreno de Castro. Inclusive porque ela explica as razões. É uma verdadeira aula da história política do Brasil hoje. Leia e medite. Clique aqui 

A tragédia do viaduto em BH

por Cristina Moreno de Castro

 

image viaduto 1

 
Charlys saiu mais cedo de casa
– não voltou.
Hanna iria à Fan Fest hoje
Mas a Copa acabou.
Não era moto, era um Uno Vivace
Que levou 15 horas para sair
Charlys ia passar às 15h
Para fazer sua mulher sorrir.
Mas o que caíram foram lágrimas
Porque a pequena de Hanna
Fará 6 anos de idade
Sem o abraço da mama.
Prefeito que diz não ser babá
Diz também que foi acidente
“É normal”, “acontece”, anota lá
Mas é claro que muito se sente.
(Caiu pedaço de viaduto!
Já se viu tal absurdo?)
“Não quero avançar em responsáveis”,
Que ninguém sabe mesmo quem são
Fiscais, engenheiros, a Copa?
A pressa, a corrupção.
O que sei é que Hanna e Charlys
Tinham 24 e 25 anos
E as outras 22 vítimas
Terão toda uma vida de danos.
E uma cidade inteira
Perdeu a fé em seu próprio chão
“Debaixo de viaduto não passo”
Escuto do cabreiro povão.
Para mim, a Copa acabou
Perdi a vontade de torcer
E, se antes a Seleção chorou,
Agora quem chora sou eu e você.
Era verdade mesmo, então:
Brasil não merece evento-celebração
Porque só levou 22 dias
Pra festa virar decepção.

 

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Veja galeria de fotos

 

 

A caixa-preta da Polícia Militar mineira

por Cristina Moreno de Castro

 

 

pm cris

Em 26 de novembro de 2012, um servente de pedreiro foi assassinado por policiais militares durante uma suposta troca de tiros no Aglomerado da Serra. O caso foi investigado pela Corregedoria da PM. Acompanhei de perto o episódio e, no dia 28, entrevistei uma liderança do aglomerado, que me explicou que o clima estava tenso desde a morte de tio e sobrinho em fevereiro de 2011, também por policiais.

Naquele mesmo dia, entrei com um pedido de informações para o Governo de Minas, usando a Lei de Acesso à Informação. Para quem não sabe, esta é uma lei de 2011 que permite a qualquer cidadão solicitar e receber dos órgãos e entidades públicos, de todas as esferas e Poderes, informações de interesse público.

Na minha solicitação, fiz os seguintes questionamentos:

“Gostaria de solicitar do governo de Minas, por meio de sua Polícia Militar, informações sobre: 1) quantas denúncias de agressão, letal ou não, a cidadãos, foram recebidas contra cada Batalhão da PM em Belo Horizonte, em 2012 e historicamente. 2) na lista, quantas dessas denúncias dizem respeito a agressão letal. 3) dessas denúncias, quantas foram apuradas pela Corregedoria de Polícia. 4) desses processos abertos, quantos resultaram em punição e quantas prisões de policiais denunciados ocorreram, por BPM.”

De acordo com a Lei de Acesso à Informação, “se a informação estiver disponível, ela deve ser entregue imediatamente ao solicitante. Caso não seja possível conceder o acesso imediato, o órgão ou entidade tem até 20 (vinte) dias para atender ao pedido, prazo que pode ser prorrogado por mais 10 (dez) dias, se houver justificativa expressa.”

Eu tinha a doce ilusão de que nossas polícias e nossa Secretaria de Estado de Defesa Social possuíam (ou possuem) um sistema informatizado, com registro de todos os crimes, em especial os cometidos por seus agentes. Ou seja, os 30 dias de prazo previstos pela Lei de Acesso à Informação seriam mais que suficientes para tabular o que foi pedido por mim, considerando apenas os batalhões de Belo Horizonte, pelo menos no que diz respeito ao ano de 2012.

Mas, como eu disse, isso é uma doce ilusão.

No dia 21 de janeiro de 2014, passados mais de um ano do meu pedido, portanto, o Controlador-Geral do Estado, Plínio Salgado, enviou um ofício para o Comandante-Geral da Polícia Militar, Márcio Martins Sant’Ana, pedindo resposta à minha demanda — dentre outras — em caráter de urgência, por estarem pendentes desde 2012.

A resposta da PM veio apenas em 20 de março, chegando até mim na última sexta-feira, dia 25 de abril, assinada pelo coronel da PM Renato Batista Carvalhais, Corregedor da instituição. Com 16 meses de atraso.

Em sua resposta, ele traz 13 parágrafos com justificativas sobre o funcionamento do sistema de informática da PM, dizendo que ainda não foi definido pela PM, passados mais de dois anos da promulgação da Lei de Acesso à Informação, os dados que serão classificados como se natureza sigilosa e concluindo: “nos vemos impossibilitados de atender à demanda apresentada”. Você pode ler os documentos clicando aí: Of 2146 Lei de acesso à Informação.

A resposta só não foi de todo perdida porque o corregedor disse, a certa altura, que o sistema de Procedimento Administrativo Disciplinar Informatizado (PADI) registrou, em 2012, 293 casos de agressões cometidas por policiais, 71 fatos de lesão corporal, 8 de tentativa de homicídio e 23 de homicídio consumado. Em 2013, o mesmo sistema registrou 285 agressões, 19 fatos de lesão corporal, 3 tentativas de homicídio e 9 homicídios consumados.

Há ainda fatos registrados nos dados do Sistema Informatizado de Recursos Humanos (SIRH), que não foram informados na resposta.

Não foi esclarecido se esses fatos registrados no sistema PADI são de todo o Estado, se são ocorrências em investigação pela corregedoria e qual a diferença entre o sistema PADI e o SIRH. Muito menos foi respondido o que perguntei, sobre o nível de letalidade dos nossos batalhões, sobre quantos processos terminaram com investigação e quantos culminaram em uma punição etc.

Assim, sabemos apenas que houve 32 homicídios provocados por policiais militares em dois anos, provavelmente em todo o Estado, que chegaram ao sistema da Corregedoria da PM. De um total de quantos? Não fazemos ideia.

O que podemos concluir disso tudo? Primeiro, que a Lei de Acesso à Informação ainda é tratada como piada pelos nossos órgãos públicos (lembrem-se de como foi a resposta que tive da BHTrans, no âmbito municipal). Segundo, que ainda não temos o direito de saber, como cidadãos, se a parcela de policiais que cometem crimes graves está sendo devidamente investigada e punida e qual é essa parcela. Ou mesmo se moramos perto de um batalhão que é significativamente mais violento que outro.

Tenho pra mim que é apenas com transparência que os problemas se resolvem. Em Minas, esta transparência parece inexistir.

Leia também:

A caixa-preta da BHTrans (e a do governo de Minas)
O que nossos deputados estaduais fazem quando não têm o que fazer
Paz na Serra
Um a menos pra dar trabalho pra PM
A covardia da Polícia Militar

Uma história numa frase

Cristina Moreno de Castro: Dou uma pausa na enxurrada de posts sobre filmes, nesses tempos de Oscar, para publicar um excelente artigo do meu pai, que andava sumido do blog, sobre uma frase proferida na última quarta-feira por Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, que tinha passado batido por mim. Mas é uma frase para entrar na história. Vamos ao artigo:

chargejoaquimbarbosa

Texto escrito por José de Souza Castro:

O julgamento foi um espetáculo, uma farsa, uma maneira ridícula de procurar a verdade. Mas, como pude perceber, a verdade não era importante. Talvez em outros tempos um julgamento fosse um exercício de apresentação dos fatos, a busca pela verdade e a descoberta da justiça. Hoje um julgamento é um concurso em que um lado vencerá e o outro perderá. Cada lado espera que o outro se curve às regras ou trapaceie, então nenhum lado faz um jogo justo. A verdade se perde na disputa.

Não, não estou escrevendo sobre a Ação Penal 470, o chamado julgamento do mensalão petista. Nem fui eu quem escreveu o relato acima. Trata-se simplesmente de um parágrafo de “O manipulador”, o último livro de John Grisham, publicado em 2012 nos Estados Unidos e, no ano seguinte, no Brasil, pela Rocco, traduzido por Maira Parula. (E que ainda não acabei de ler.)

Nada a ver com a AP 470. Mas me faz pensar nesse processo, tendo em vista o muito que já se escreveu sobre esse julgamento do Supremo Tribunal Federal.

Desde logo vou avisando que sou um cético em relação ao judiciário. Cheguei até a escrever um livro que faz parte da biblioteca deste blog (Injustiçados – o Caso Portilho), antes mesmo de conhecer esse famoso trecho do discurso de Rui Barbosa no Senado sobre o caso do Satélite II: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

Ninguém se lembra mais desse caso que provavelmente foi famoso nos tempos de Rui Barbosa, mas o que o jurista baiano escreveu continua inesquecível, porque é muito atual.

A questão que se apresenta é esta: houve injustiça no julgamento da AP 470 ou na aplicação das penas aos condenados, apesar da inquestionável maioria dos que acham, principalmente na imprensa, que a maioria dos juízes do Supremo acertou ao mandar para a prisão José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e tantos outros?

No dizer de céticos como Wentworth Dillon, poeta inglês que viveu no século 17, “a multidão está sempre errada”. E já que me lembrei desse inglês, não custa citar Charles Dickens, nascido na mesma Inglaterra dois séculos depois, que dedicou parte de seu talento de crítico social para escrever em 1853 o romance “Bleak House”. A descrição das leis e do judiciário britânico de seu tempo talvez abale a confiança do leitor brasileiro honrado que ainda considera os ingleses que exploraram o ouro das Minas Gerais como paradigmas de civilização. A estes, serve de consolo uma frase de Samuel Johnson, pensador inglês que viveu um século antes de Dickens: “É melhor sofrer injustiça do que fazê-la, e preferível ser às vezes enganado do que não confiar.”

Aos que, como eu, preferem confiar desconfiando, talvez fosse mais prudente seguir o conselho de Siro, que na Roma antiga pensava que o remédio para os males é esquecê-los. Não sei se Siro chegou a conhecer Jesus, que não esqueceu e foi crucificado.

Sem querer nada parecido para os leitores, acho perfeitamente possível esquecer Joaquim Barbosa, o grande protagonista da AP 470, que logo estará deixando a presidência do Supremo e talvez nem seja eleito para outro cargo importante. Mas, como aquela frase de Rui Barbosa (e outras citadas aqui), talvez dure muito mais na memória escrita, depois que todos nós tivermos partido desta vida (para melhor, espero), esta frase dele numa das últimas sessões do julgamento: “Foi feito para isso sim!”.

Não saberia explicar a importância dessa frase com a competência de Janio de Freitas, na “Folha de S. Paulo” deste domingo. Como sei que alguns leitores deste blog não leem o jornal, reproduzo abaixo o artigo intitulado “Uma frase imensa”, sem pedir permissão ao autor e ao editor, na esperança de que nenhum dos dois vá se importar:

“Palavras simples, para uma frase simples. E, no entanto, talvez a mais importante frase dita no Supremo Tribunal Federal nos 29 anos desde a queda da ditadura.

Um ministro considerara importante demonstrar que determinadas penas, aplicadas pelo STF, foram agravadas desproporcionalmente, em até mais 75% do que as aplicadas a crimes de maior gravidade. Valeu-se de percentuais para dar ideia quantitativa dos agravamentos desproporcionais. Diante da reação temperamental de um colega, o ministro suscitou a hipótese de que o abandono da técnica judicial, para agravar mais as penas, visasse um destes dois objetivos: evitar o reconhecimento de que o crime estava prescrito ou impedir que os réus gozassem do direito ao regime semiaberto de prisão, em vez do regime fechado a que foram condenados.

Hipótese de gritante insensatez. Imaginar a mais alta corte do país a fraudar os princípios básicos de aplicação de justiça, com a concordância da maioria de seus integrantes, é admitir a ruína do sistema de Justiça do país. A função do Supremo na democracia é sustentar esse sistema, viga mestra do Estado de Direito.

O ministro mal concluiu a hipótese, porém, quando alguém bradou no Supremo Tribunal Federal: “Foi feito para isso sim!”. Alguém, não. O próprio presidente do Supremo Tribunal Federal e presidente do Conselho Nacional de Justiça. Ninguém no país, tanto pelos cargos como pela intimidade com o caso discutido, em melhor situação para dar autenticidade ao revelado por sua incontinência agressiva.

Não faz diferença se a manipulação do agravamento de pena se deu em tal ou qual processo, contra tais ou quais réus. O sentido do que “foi feito” não mudaria conforme o processo ou os réus. O que “foi feito” não o foi, com toda a certeza, por motivos materiais. Nem por motivos religiosos. Nem por motivos jurídicos, como evidenciado pela inexistência de justificação, teórica ou prática, pelos autores da manipulação, depois de desnudada pelo presidente do Supremo.

Restam, pois, motivos políticos. E nem isso importa para o sentido essencial do que “foi feito”, que é renegar um valor básico do direito brasileiro –a combinação de prioridade aos direitos do réu e segurança do julgamento– e o de fazê-lo com a violação dos requisitos de equilíbrio e coerência delimitados em leis.

Quaisquer que fossem os seus motivos, o que “foi feito” só foi possível pela presença de um fator recente no Supremo Tribunal Federal: a truculência. “O Estado de S. Paulo” reagiu com forte editorial na sexta-feira, mas a tolerância com a truculência tem sido a regra geral, inclusive na maioria do próprio Supremo. A sem-cerimônia com que o presidente excede os seus poderes e interfere, com brutalidade, nas falas de ministros, só se compara à facilidade com que lhes distribui insultos. E, como sempre, a truculência faz adeptos: a adesão do decano da corte, outrora muito zeloso de tal condição, foi agora exibida outra vez com um discurso, a título de voto, tão raivoso e descontrolado que pareceu, até no vocabulário, imitação de Carlos Lacerda nos seus piores momentos.

Nomes? Não fazem hoje e não farão diferença, quando acharmos que teria sido melhor não nos curvarmos tanto à truculência.”

A quantas anda o jornalismo em Minas

por Cristina Moreno de Castro

Hoje é um daqueles dias pra gente refletir sobre a quantas anda o jornalismo em Minas.

Notícia mais importante desta sexta-feira, 7 de fevereiro: o procurador geral da República, Rodrigo Janot, mineiro, pediu 22 anos de prisão para o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), pelo chamado mensalão tucano.

Foi a manchete dos três maiores jornais do Brasil:

– Folha de S.Paulo: “Procurador pede prisão de ex-governador tucano”
– O Globo: “Procurador pede 22 anos de prisão para o tucano Azeredo”
– Estadão: “procurador pede ao STF condenação de Eduardo Azeredo”

Entre os três maiores jornais de Minas, apenas O Tempo deu manchete para o principal assunto do dia: “Procurador pede 22 anos de prisão para Azeredo”.

Estado de Minas deu na dobra de baixo da primeira página, uma chamada pequena, sem foto. A matéria interna ocupa apenas meia página, na dobra de baixo da página 2.

Hoje em Dia ignora o assunto, solenemente, em sua primeira página. Ignora. Zero chamadas. Dentro, sai na quinta página de política, numa tripinha sem foto, no canto da página. Escondido, precisa procurar muito pra achar.

Triste Minas.

br_folha_spaulo. azeredo

BRA_OE estadao azeredo

Olhar de fotógrafo

por Cristina Moreno de Castro

 

Cristina Moreno de Castro
Cristina Moreno de Castro

 

Andando rápido. Caminho longo.

Trinta minutos em quatro quilômetros.

Cidade no centro é pura fotografia.

Mulher ranzinza com bebê ao colo.

Nenhum sentimento, bela foto.

Prédios correndo rápido, carros lentos.

Na linda avenida com postes altos.

Sol de rachar, camelôs, vinis, barato.

Chego ao destino, mil vidas depois.

Puro pensamento.

Mais tarde, caminho de volta é sem compromisso.

Livros e teatros, bares e livros.

Maletta cheio de boemia precoce.

Ainda  é cedo e hoje é terça-feira.

Mas todos querem festa, querem descansar.

A hora mágica surge, espontaneamente

– como sempre.

E contrasta luzes da Praça

da Liberdade.

Estou livre, e feliz e cheia de vida.

Correria o triplo, se preciso fosse

e se não me privassem do meu pensamento.

Natal, tão longe, baixou seu clima no meu peito.

Misto de saudade e fé, desejo e necessidade.

Quero presentear a todos.

E viver natal como se fosse sempre.

Enquanto isso, três crianças devoram um cachorro-quente

um para cada.

E isso é felicidade.

– Que prédio alto! E acenam para o porteiro-pai.

E isso é minha felicidade.

Livre, estourando toda em mim.

Como as praças, e as casas velhas e os rostos enrugados

felizes de minhas fotografias.

 

 

 

 

Sobre a prisão de um jornalista mineiro

por Cristina Moreno de Castro

Alex Falco
Alex Falco

Na última segunda-feira, o jornalista Marco Aurélio Flores Carone foi preso, acusado de integrar uma quadrilha que falsifica documentos e faz denunciações caluniosas. Segundo a decisão da juíza Maria Isabel Fleck, com data de 17 de janeiro, o jornalista seria o “relações públicas” do grupo, ao publicar informações negativas “falsas” contra autoridades em seu jornal virtual, o “Novo Jornal” — que faz oposição aberta ao governo estadual mineiro, desde os tempos em que Aécio Neves era governador.

Já deve fazer pelo menos uns cinco anos que eu não acessava o “Novo Jornal” (até hoje) e a única vez que vi pessoalmente o jornalista agora preso foi em 2008, quando ele denunciou que o escritório onde funciona o jornal tinha sido arrombado, invadido e que vários documentos, arquivos e computadores tinham sido furtados. (Na época, fui lá apurar para uma matéria para a Agência Folha, mas acabou saindo um registro apenas no “Observatório da Imprensa” e em outros sites e blogs que se preocupam com a liberdade de imprensa.)

Portanto, não tenho como afiançar nada a respeito do trabalho de Carone, de sua pessoa, ou mesmo da qualidade ou credibilidade das notícias que são publicadas em seu portal. O que posso dizer, desde já, é que considero grave uma juíza decidir o que é ou não é informação de conteúdo jornalístico, para determinar se essas informações podem ou não ser publicadas por um jornal, virtual ou não. Imaginem se a moda pega e o mesmo é feito contra veículos consolidados, como a “Veja” ou a “Carta Capital”, que às vezes fazem uma reportagem inteira apenas com base em informações em off?

Desde 2008, promotores se preocupam em retirar do ar o site do “Novo Jornal”.Chegaram a conseguir, por um período. Depois, ações em outras instâncias retomaram o direito de publicação do site. Descontentes, agora decidiram pedir a prisão do dono. Para o sindicato dos jornalistas de Minas, o que houve é um “ataque ao direito e à liberdade de expressão”. Para o bloco de deputados Minas Sem Censura, trata-se de “censura prévia”.

Luiz Egypto, redator chefe do “Observatório da Imprensa”, pediu que meu pai tecesse suas observações sobre o que houve. É a manchete da edição de hoje do portal. Acho que é uma oportunidade de reflexão para jornalistas e não jornalistas, mineiros ou não.CLIQUEM AQUI para ler.