Papa prega a Teologia da Pobreza: «quando a fé não chega aos bolsos, não é uma fé genuína»

Riqueza e pobreza

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Foi a «teologia da pobreza» o nó central da homilia do Papa Francisco na missa celebrada na terça-feira, 16 de Junho, em Santa Marta. A reflexão do Pontífice partiu do trecho da segunda carta aos Coríntios (8, 1-9), no qual são Paulo «está a organizar na Igreja de Corinto uma colecta para a Igreja de Jerusalém, que vive momentos difíceis de pobreza». Para evitar que a colecta se verificasse de forma errada, o apóstolo «faz algumas considerações», uma espécie de «teologia da pobreza».

Especificações necessárias porque, explicou Francisco, «pobreza» é uma palavra «que causa sempre perplexidade». Com efeito, quantas vezes ouvimos dizer: «Mas este sacerdote fala demasiado sobre a pobreza, este bispo fala de pobreza, este cristão, esta religiosa falam de pobreza… Mas são um pouco comunistas, não é?». E, ao contrário, sublinhou o Papa, «a pobreza está precisamente no centro do Evangelho», a ponto que «se nós tirássemos a pobreza do Evangelho, nada se entenderia da mensagem de Jesus».

Eis então explicada a catequese de Paulo «sobre a esmola, a pobreza e as riquezas» que começa com um exemplo tirado da experiência da Igreja da Macedónia. Ali, «na grande prova da tribulação – porque sofriam tanto devido às perseguições – na pobreza extrema, a sua alegria superabundou e superabundaram na riqueza da sua generosidade». Ou seja, «ao dar, ao suportar as tribulações enriqueceram-se, tornaram-se jubilosos. É, acrescentou Francisco, o que se encontra numa das Bem-aventuranças: «Bem aventurados sois vós quando vos insultarem, e perseguirem…».

Depois de ter feito este exemplo, Paulo dirige-se de novo para a Igreja de Corinto: «E dado que vós sois ricos, pensai neles, na Igreja de Jerusalém». Mas, perguntou o Papa, de qual riqueza fala Paulo? A resposta lê-se imediatamente depois: «Sois ricos em todas as coisas: na fé, na palavra, no conhecimento, em cada zelo e na caridade que vos ensinamos». Segue-se uma exortação: «Assim, dado que sois ricos, abundai também nesta obra de generosidade». Ou seja, fazei com que, explicou Francisco, esta riqueza tão grande – o zelo, a caridade, a palavra de Deus, o conhecimento de Deus – chegue aos bolsos». Porque, acrescentou, «quando a fé não chega aos bolsos, não é uma fé genuína»; e esta é «uma regra de ouro» que deve ser recordada.

Do trecho paulino sobressai, portanto, uma «contraposição entre a riqueza e a pobreza. A Igreja de Jerusalém é pobre, está em dificuldade económica, mas é rica, porque tem o tesouro do anúncio evangélico». E foi precisamente «esta Igreja de Jerusalém, pobre», que enriqueceu a Igreja de Corinto «com o anúncio evangélico: deu-lhe a riqueza do Evangelho». Quem era rico economicamente, na realidade, era pobre «sem o anúncio do Evangelho». Há, disse o Pontífice, «um intercâmbio recíproco» e assim «da pobreza vem a riqueza».

É neste ponto, explicou o Papa, que «Paulo com o seu pensamento, chega ao fundamento daquilo a que podemos chamar “teologia da pobreza”, porque a pobreza está no centro do Evangelho». Lê-se na epístola: «De facto, conheceis a graça do nosso Senhor Jesus Cristo: era rico e fez-se pobre por nós, a fim de que vos torneis ricos por meio da sua pobreza». Portanto, «foi precisamente o Verbo de Deus que se fez carne, o Verbo de Deus nesta condescendência, neste abaixamento, neste empobrecimento, que nos tornou ricos nos dons da salvação, da palavra, da graça». Este «é o centro da teologia da pobreza» que, de resto, se encontra na primeira bem-aventurança: «Felizes os pobres de espírito». Francisco explicou: «Ser pobre é deixar-se enriquecer pela pobreza de Cristo e não querer ser rico com outras riquezas excepto as de Cristo, é fazer o que Cristo fez». Não é só fazer-se pobre, mas é «dar mais um passo», porque, disse, «o pobre me enriquece».

Citando um exemplo concreto do dia-a-dia, o Papa explicou que «quando oferecemos uma ajuda aos pobres, não fazemos de modo cristão obras de beneficência». Estamos diante de um acto «bom», «humano», mas «não é a pobreza cristã que Paulo menciona e prega». Porque pobreza cristã significa «que eu ofereço ao pobre do que é meu e não do que é supérfluo, também do necessário, porque sei que ele me enriquece». E por que me enriquece o pobre? «Porque Jesus disse que ele próprio está no pobre».

O mesmo conceito é afirmado por Paulo quando escreve: «Nosso Senhor Jesus Cristo de rico que era fez-se pobre por vós, para que vós vos tornásseis ricos por meio da sua pobreza». Isto acontece «cada vez que me despojo de algo, mas não só do supérfluo, para dar a um pobre, a uma comunidade pobre, a tantas pessoas pobres às quais falta tudo», porque «o pobre me enriquece» enquanto «é Jesus quem age nele».

Eis porque, concluiu o Papa, a pobreza «não é uma ideologia». A pobreza «está no centro do Evangelho». Na «teologia da pobreza» encontramos «o mistério de Cristo que se abaixou, se humilhou e se empobreceu para nos enriquecer». Assim, compreende-se «porque a primeira das bem-aventuranças é: “Bem-aventurados os pobres de espírito”». E «ser pobre de espírito – frisou o Pontífice – é ir por este caminho do Senhor», o qual «se abaixou» a ponto de se fazer «pão por nós» no sacrifício eucarístico. Isto é, Jesus «continua a abaixar-se na história da Igreja, no memorial da sua paixão, no memorial da sua humilhação, no memorial do seu abaixamento, no memorial da sua pobreza, e enriquece-nos com este “pão”».

Eis a sugestão final para a oração: «Que o Senhor nos faça entender o caminho da pobreza cristã e a atitude que devemos assumir quando ajudamos os pobres». In Osservatore Romano/ Vaticano

Tico Santa Cruz
Tico Santa Cruz

«O estilo» com o qual Deus nos quer salvar

“Mas quem vos compreende? Sois como os jovens na praça: tocámos músicas e não dançastes; entoámos cânticos de lamento e não chorastes. Mas nada vos satisfaz?”

Cruz

Missa em Santa Marta. Quantos se dizem cristãos mas não aceitam «o estilo» com o qual Deus nos quer salvar? Papa Francisco definiu-os «cristãos sim, mas…», incapazes de compreender que a salvação passa pela cruz. E Jesus na cruz – explicou o Pontífice na homilia da missa celebrada em Santa Marta na terça-feira 24 de Março – é precisamente o «núcleo da mensagem da liturgia de hoje».

No trecho evangélico de João (8, 21-30), Jesus diz: «Quando elevardes o Filho do homem…» e, prenunciando a sua morte na cruz, recorda a serpente de bronze que Moisés elevou «para curar os israelitas no deserto», sobre a qual se lê na primeira leitura tirada do livro dos Números (21, 4-9). O povo de Deus escravo no Egipto – explicou o Papa – foi libertado: «Eles viram verdadeiramente milagres. E quando sentiram medo, no momento da perseguição do faraó, quando estavam diante do Mar Vermelho, viram o milagre» que Deus realizou para eles. O «caminho da libertação» portanto começou na alegria. Os israelitas «estavam contentes» porque «tinham sido libertados da escravidão», contentes porque «traziam consigo a promessa de uma terra muito boa, só para eles» e porque «nenhum deles tinha morrido» na primeira parte da viagem. Também as mulheres estavam contentes porque tinham consigo «as joias das egípcias».

Mas a um certo ponto, continuou o Pontífice, no momento em que «se prolongava o caminho», o povo já não suportou a viagem e «cansou-se». Por isso começou a falar «contra Deus e contra Moisés: por que nos fizestes sair do Egipto para nos fazer morrer neste deserto?». Começou a «falar mal de Deus e de Moisés», dizendo: «Aqui não há pão nem água e estamos enjoados desta comida tão leve, o maná». Isto é, os israelitas «sentiam-se enjoados da ajuda de Deus, de um dom de Deus. E assim a alegria do início da libertação torna-se tristeza, murmuração».

Provavelmente preferiam «um mago que com uma varinha mágica» os libertasse e não um Deus que os fazia caminhar e que «de certo modo» os fazia «ganhar a salvação» ou «pelo menos merecê-la em parte».

Na Escritura vê-se «um povo descontente» e, frisou Francisco, «a maledicência é uma saída deste descontentamento». Na sua insatisfação «desabafam, mas não se dão conta de que com este comportamento envenenam a alma». Portanto, eis a chegada das serpentes, porque «assim, como o veneno das serpentes, neste momento, o povo estava com a alma envenenada».

Também Jesus fala sobre a mesma atitude, deste «modo de estar descontente, insatisfeito». Referindo-se a excertos do Evangelho de Mateus (11, 17) e de Lucas (7, 32), o Pontífice evidenciou: «Jesus, quando fala desta atitude diz: “Mas quem vos compreende? Sois como os jovens na praça: tocámos músicas e não dançastes; entoámos cânticos de lamento e não chorastes. Mas nada vos satisfaz?”». Isto é, o problema «não era a salvação, a libertação», porque «todos queriam isto»; mas era «o estilo de Deus: não apreciavam o som de Deus para dançar; nem os lamentos de Deus para chorar». Então «o que queriam?». Queriam, explicou o Papa, agir «segundo o seu pensamento, escolher o próprio caminho de salvação». Mas aquela estrada «não levava para lugar algum».

Uma atitude que encontramos ainda hoje. Também «entre os cristãos», perguntou-se Francisco, quantos estão «envenenados» por este descontentamento? Ouvimos dizer: «Sim, é verdade, Deus é bom, mas cristãos sim, contudo…». São aqueles, explicou, «que não completam a abertura do coração à salvação de Deus» e «exigem condições»; os que dizem: «Sim, sim, sim, quero ser salvo, mas por este caminho». É deste modo que o «coração fica envenenado». O coração dos «cristãos tíbios» que sempre têm algo do qual se lamentar. «”Senhor, mas por que me fizeste isto?” – “Mas salvou-te, abriu-te a porta, perdoou-te muitos pecados” – “Sim, é verdade, mas…”». Assim o israelita no deserto: «Gostaria de água, pão, que é o que aprecio, não este alimento leve. Estou enjoado». E também nós «muitas vezes dizemos que estamos enjoados do estilo divino».

Francisco frisou: «Não aceitar o dom de Deus com o seu estilo é o pecado; é veneno; isto envenena-nos a alma, tira-nos a alegria, não nos deixa caminhar».

E «como resolve isto o Senhor? Com o mesmo veneno, com o mesmo pecado»: isto é «ele próprio assume sobre si o veneno, o pecado e foi elevado». Deste modo sara «esta tibieza da alma, este ser cristão pela metade», este ser «cristão sim, mas…». A cura, explicou o Papa, só acontece se «olharmos para a cruz», olhando para Deus que assume os nossos pecados: «o meu pecado está ali». Mas «quantos cristãos morrem no deserto da própria tristeza, da murmuração, do não querer o estilo de Deus». Esta é a reflexão para cada cristão: enquanto Deus «nos salva e mostra como nos salva», eu «não sou capaz de tolerar um pouco uma estrada de que não gosto». É «este o egoísmo que Jesus repreende à sua geração», que dizia de João Baptista: «Mas, era um endemoninhado». Quando veio o Filho do homem definiram-no um «glutão» e um «bêbado». «Quem vos compreende?», disse o Papa, acrescentando: «Também eu, com os meus caprichos espirituais diante da salvação que me oferece Deus, quem me entende?»

Eis então o convite aos fiéis: «Olhemos para a serpente, o veneno no corpo de Cristo, o veneno de todos os pecados do mundo e peçamos a graça de aceitar os momentos difíceis; de aceitar o estilo divino de salvação; de aceitar também este alimento tão leve do qual se lamentavam os judeus»: a graça de «aceitar os caminhos pelos quais o Senhor me conduz». Francisco concluiu desejando que a Semana santa «nos ajude a sair desta tentação de sermos “cristãos sim, mas…”.

Água para todos, defende o Papa

«A água é o elemento mais essencial para a vida, e da nossa capacidade de a preservar e partilhar depende o futuro da humanidade», afirmou o Papa Francisco no Angelus de domingo 22 de Março, dia mundial da água, promovido pelas Nações Unidas. O Pontífice encorajou «a comunidade internacional a vigiar a fim de que as águas do planeta sejam adequadamente protegidas e ninguém seja excluído ou discriminado no uso deste bem, que é um bem comum por excelência». E citou a propósito as palavras que são Francisco de Assis dedicou à água no Cântico do irmão Sol. Sucessivamente, Francisco anunciou a distribuição aos fiéis presentes na praça de São Pedro de cinquenta mil cópias de uma edição de bolso do Evangelho, renovando a iniciativa promovida também por ocasião da quaresma do ano passado.

 

“Queremos ver Jesus”

 

Neste V Domingo da Quaresma, o Santo Padre referiu o Evangelho de S. João que nos propõe o pedido de alguns gregos ao Apóstolo Filipe que queriam ver Jesus.

Presente na cidade santa de Jerusalém para as festividades da Páscoa, Jesus foi acolhido festivamente pelos simples e humildes. Estão também presentes na cidade os sumo sacerdotes e os chefes do povo que querem eliminar Jesus porque consideram-no perigoso e herético – afirmou o Santo Padre. Aqueles gregos tinham curiosidade de ver Jesus.

“Queremos ver Jesus; estas palavras, como tantas outras nos Evangelhos, vão para além do episódio particular e exprimem qualquer coisa de universal; revelam um desejo que atravessa as épocas e as culturas, um desejo presente no coração de tantas pessoas que sentiram falar de Cristo, mas não o encontraram.”

O Papa Francisco apontou a resposta profética de Jesus ao pedido de encontro que lhe é feito: “Chegou a hora de o Filho do Homem ser glorificado”.

É a hora da Cruz – frisou o Papa que recordou ainda a seguinte frase da profecia de Jesus que nos fala do “grão de trigo” que caído na terra morre e dá muito fruto.

A morte de Jesus, efetivamente, é uma fonte inesgotável de vida nova – afirmou o Santo Padre que exortou os cristãos a oferecerem três coisas àqueles que querem ver Jesus nos dias de hoje: o evangelho, o crucifixo e o testemunho da fé:

“O Evangelho, o crucifixo e o testemunho da nossa fé, pobre mas sincera. O Evangelho: ali podemos encontrar Jesus, escutá-Lo, conhecê-Lo.           O crucifixo: sinal do amor de Jesus que se deu a si próprio por nós.             E depois uma fé que se traduz em gestos simples de caridade fraterna. Mas principalmente na coerência da vida.”

Depois da recitação do Angelus, o Papa Francisco referiu a comemoração neste domingo do Dia Mundial da Água, e encorajou a comunidade internacional a estar vigilante na preservação deste bem comum, tendo recordado, em particular, o Cântico do Irmão Sol de S. Francisco de Assis.

 

Irmão Sol, Irmã Lua (Fratello sole, sorella luna), do diretor Franco Zeffirelli. O filme de 1972 conta a trajetória
Irmão Sol, Irmã Lua (Fratello sole, sorella luna), filme do diretor Franco Zeffirelli, 1972, cena em que São Francisco recebe Santa Clara como itmã
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. São Francisco de Assis e Santa Clara Autor Josefa de Óbidos Data1647 Técnicaóleo sobre cobre Dimensões	25,5 cm × 34,5 cm Localização	Colecção Particular São Francisco de Assis e Santa Clara' é um óleo sobre cobre da autoria de pintora Josefa de Óbidos. Pintado em 1647 e mede 25,5 cm de altura e 34,5 cm de largura.1
São Francisco de Assis e Santa Clara é um óleo sobre cobre da autoria de pintora Josefa de Óbidos. Pintado em 1647, e mede 25,5 cm de altura e 34,5 cm de largura.

 

Cântico do Irmão Sol

 

Altíssimo, onipotente, bom Senhor
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar
Louvado sejas, meu Senhor
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste as claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é muito útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite,
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por Ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei ao meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.

 

 

 

 

Papa Francisco: Jesus não tinha diploma

Não dar espetáculo

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O estilo de Deus é a «simplicidade»: inútil procurá-lo no «espetáculo mundano». Também na nossa vida ele age sempre «na humildade, no silêncio, nas coisas pequenas». Foi a reflexão quaresmal que o Papa Francisco propôs na homilia da missa celebrada em Santa Marta, na segunda-feira, 9 de Março.

Como de costume, o Pontífice inspirou-se na liturgia da palavra na qual, frisou, «há uma palavra comum» às duas leituras: «a ira e o desprezo». No Evangelho de Lucas (4, 24-30) narra-se o episódio no qual «Jesus volta a Nazaré, vai à Sinagoga e começa a falar». Num primeiro momento «todos o ouviam com amor, felizes», e admiravam-se com as palavras de Jesus: «estavam contentes». Mas Jesus prossegue no seu discurso «e reprova a falta de fé do seu povo; recorda como esta falta é também histórica», referindo-se ao tempo de Elias (quando – recordou o Papa – «havia muitas viúvas», mas Deus enviou o profeta «a uma viúva de uma cidade pagã») e à purificação de Naaman o Sírio, narrada na primeira leitura tirada do segundo livro dos Reis (5, 1-15).

Começa então a dinâmica entre expectativas do povo e resposta de Deus que esteve no centro da homilia do Pontífice. De facto, explicou Francisco, enquanto as pessoas «ouviam com prazer o que Jesus dizia», alguém «não gostou do que dizia» e «talvez algum bisbilhoteiro se tenha levantado e dito: Mas ele de que nos fala? Onde estudou para nos dizer essas coisas? Que nos mostre o diploma! Em qual universidade estudou? É o filho do carpinteiro e conhecemo-lo bem!».

Explodem então «a fúria» e «a violência»: lê-se no Evangelho que «o expulsaram da cidade e o levaram ao pináculo do monte» para o empurrar. Mas, perguntou o Pontífice, como podem «admiração e enlevo» ter-se transformado em «ira, fúria, violência?». Foi o que aconteceu também ao general sírio do qual fala o segundo livro dos Reis: «Tinha fé este homem, sabia que o Senhor o teria curado. Mas quando o profeta diz: “Vai, molha-te”, indigna-se». Tinha outras expectativas, explicou o Papa, e de facto pensava em Eliseu: «Estando em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus, passará a sua mão sobre a parte doente e tirará a lepra… Mas nós temos rios mais bonitos do que o Jordão». E assim foi embora. Contudo, depois «os amigos fizeram-no raciocinar» e voltou atrás, eis que se realizou o milagre.

Duas experiências distantes no tempo mas muito semelhantes: «O que queriam aquelas pessoas, os da Sinagoga e o sírio?» perguntou o Pontífice. Por um lado, «Jesus reprovou os da sinagoga por falta de fé», e o Evangelho evidencia que «Jesus lá, na sua cidade, não realizou milagres, por falta de fé». Por outro, Naaman «tinha fé, mas uma fé especial». Nos dois casos, frisou Francisco, todos procuravam a mesma coisa: «Desejavam o espetáculo». Mas «o estilo do bom Deus não é dar espetáculo: Deus age na humildade, no silêncio, nas coisas pequenas». Não foi por acaso que ao sírio «a notícia da possível cura lhe foi dada por uma escrava, que trabalhava como doméstica de sua esposa, por uma jovem humilde». O Papa comentou a propósito: «Assim age o Senhor: na humildade. E se virmos todas a histórias da salvação, veremos que o Senhor age sempre assim, sempre, com as coisas simples».

Para compreender melhor este conceito o Pontífice referiu-se a diversos episódios das Escrituras. Por exemplo, observou, «na narração da criação não se diz que o Senhor usou uma varinha mágica», não disse: «Façamos o homem» e o homem foi criado. Ao contrário, Deus «modelou-o com o barro, simplesmente». E assim, «quando quis libertar o seu povo, libertou-o pela fé e confiança de um homem, Moisés». Do mesmo modo, «quando quis derrubar a poderosa cidade de Jericó, fê-lo através de uma prostituta». E «também para a conversão dos samaritanos, usou a acção de outra pecadora».

Na realidade o Senhor surpreende sempre o homem. Quando «enviou David a lutar contra Golias, parecia uma loucura: o pequeno David diante do gigante, que tinha uma espada e muitas outras armas, e David só a fisga e as pedras». O mesmo aconteceu «quando disse aos Magos que o rei tinha nascido, o grande rei». O que encontraram? «Um menino, uma manjedoura». Portanto, afirmou o bispo de Roma, «as coisas simples, a humildade de Deus, é o estilo divino, nunca o espetáculo».

De resto, explicou, o «espetáculo» foi «uma das três tentações de Jesus no deserto». Com efeito, Satanás disse-lhe: «Vem comigo, vamos ao terraço do templo; lanças-te de lá e todos verão o milagre e acreditarão em ti». Ao contrário, o Senhor revela-se «na simplicidade, na humildade».

Então, concluiu Francisco, «far-nos-á bem nesta quaresma pensar no modo como o Senhor nos ajudou na nossa vida, como nos fez ir em frente, e descobriremos que o fez sempre com coisas simples». Até poderia parecer que tudo aconteceu «como se fosse uma casualidade». Porque «o Senhor faz coisas simples. Fala-te silenciosamente ao coração». Por conseguinte, será útil recordar neste período «as muitas vezes» em que na nossa vida «o Senhor nos visitou com a sua graça» e compreendemos que a humildade e a simplicidade são o seu «estilo». Isto é válido, explicou o Papa, não só na vida diária mas também «na celebração litúrgica, nos sacramentos», nos quais «é bom que se manifeste a humildade de Deus e não o espetáculo mundano». Missa em Santa Marta, 9 de Março de 2015

 

Fanatismo religioso promovido pelos ricos

O papa Francisco vem sendo criticado, injuriado e boicotado pela imprensa capitalista. Por quê? Esta frase título bem explica o motivo:

“Bilionário ameaça parar com doações se Papa continuar a pedir apoio aos mais pobres”.

O jornalista Fernando Brito publica o fac-símile da capa de um jornal de humor, “onde o Papa Francisco aparece maquiado, com a boca delineada por batom e de brinco, e pergunta:

“E com Maomé, pode?”.  Pode sim. Como faz a revista parisiense Charlie Hebdo, de propriedade dos banqueiros Rothschild, que satiriza todas religiões, menos o judaísmo, fonte do cristianismo e do islamismo.

A imprensa monopolista brasileira, das famílias Marinho, Frias e Mesquita, censura e deturpa as palavras de Francisco.

Duvido que o Globo, o Estadão e a Folha de S. Paulo destaquem as palavras do Papa publicadas hoje no Osservatore Romano:

Recordando que «não existe uma humanidade sem cultivo da terra», o Papa Francisco pediu que a agricultura seja «reconhecida e valorizada adequadamente, inclusive nas concretas escolhas políticas e económicas». E convidou a não ceder à tentação de «vender a mãe terra», sacrificando o seu cultivo a favor de actividades «aparentemente mais rentáveis». O Pontífice denunciou novamente «a cultura do descarte» que desperdiça os alimentos, esfomeando populações inteiras: «com o pão não se brinca» admoestou, exortando a repensar «profundamente o sistema de produção e de distribuição alimentar»

 

“Bilionário ameaça parar com doações se Papa continuar a pedir apoio aos mais pobres”

As igrejas cristãs são dos pobres, e nunca de um bilionário varejista que, quando morrer, espera levar toda fortuna o túmulo
As igrejas cristãs são dos pobres, e nunca de um bilionário varejista que, quando morrer, espera levar toda fortuna para o túmulo

 

O bilionário Kenneth Langone, fundador da Home Depot, empresa varejista norte-americana de produtos para casa, enviou um aviso ao Papa Francisco durante uma entrevista no canal CNBC: pessoas “como ele” estão se sentindo ofendidas com as mensagens do Vaticano em apoio aos mais pobres.

Para completar, disse que se o Pontífice continuasse a fazer declarações contra o capitalismo, ele iria parar com as doações que realiza.

Em um discurso realizado no Brasil em julho, o Papa Francisco pediu para “aqueles que têm posse de grandes recursos” não pararem de lutar por um mundo mais justo e solidário. “Ninguém deve se manter insensível em relação à desigualdade que enfrentamos”, afirmou Francisco. Fonte: Forbes/MSN Notícias

 

 E com Maomé, pode? 

 

barcelona

por Fernando Brito
A revista de humor Barcelona – que modestamente se intitula “uma solução europeia para os problemas dos argentinos” – publicou no final do ano passado, uma capa onde o Papa Francisco aparece maquiado, com a boca delineada por batom e de brinco.
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E o título, garrafal:
¡Putazo!
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Se é preciso tradução para a gíria portenha digamos que é um chamar de “gay” de forma ofensiva.
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A editora da revista, Ingrid Beck, topou ser entrevistada por Eduardo Feinmann, um apresentador de TV conservador e dado a grosserias no padrão Danilo Gentilli.
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O resultado é uma sessão de baixaria, porque Feinmann chama a jornalista de “mal-nascida”.
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O que é, por lá, é quase um “puta”.
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Beck tenta argumentar, mas acaba se ofendendo e deixa a entrevista.

Uma imbecilidade mútua.
Que foi planejada pelo entrevistador e aceita pela entrevistada, que acha que “imprensa” é um salvo conduto universal, que nos dá direito a tudo, como davam as “carteiradas” de jornalistas no passado.
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É uma boa advertência para os limites da atividade de jornalista, dos dois lados.
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Se o leitor acho que foi ofensiva ao Papa ou se foram ofensivos a Ingrid, porque é aceitável ser ofensivo aos islâmicos?
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Não gozamos de imunidade para fazer “gracinhas” ofensivas a pessoas ou a símbolos religiosos.

Se o fazemos, estamos sujeitos à receber, na mesma moeda.
E reduzimos o nosso papel a uma briga de botequim.

Veja o vídeo da briga aqui

 

Charlie Hebdo ridiculariza todas as religiões, menos uma

O jornal Charlie Hebdo era internacionalmente conhecido por debochar da Santíssima Trindade, da virgindade da Imaculada Conceição, dogmas do cristianismo; e fazer palhaçadas com o profeta Maomé, venerado pelos muçulmanos.

Jamais criticou o judaísmo. Por quê?

A chamada grande imprensa esconde. Idem os jornalões brasileiros. Publicado in Contexto Livre:

Os Rothschild compraram o Charlie Hebdo pouco antes dos atentados em Paris

 

 Rothschild
Rothschild

Pra quem ainda acredita que o massacre em Paris não foi ‘false flag’, segue material para reflexão

Os atentados de 7 de janeiro em Paris cada vez mais se parecem ao 11-S. Se fôssemos da Guarda Civil diríamos que o “modus operandi” é o mesmo, que é a mesma mão que balança o berço.

O caso é que uma revista econômica holandesa, Quote, revelou a informação da compra em 9 de janeiro, dois dias depois dos atentados, leia aqui

E o jornal alemão NeoPresse a reproduziu dez dias depois. Confira aqui

A família de banqueiros Rothschild comprou uma revista em ruínas em dezembro do ano passado e ao mesmo tempo o jornal “Libération“, outro velho fóssil de maio de 68, que entrara para as fileiras da pura e dura reação há muito tempo.

Se alguém tinha dúvida dos motivos pelos quais os últimos números de Charlie Hebdo estavam sendo lançandos desde a redação do “Libération”, aqui está a resposta: porque são do mesmo dono.

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A aquisição não foi pacífica; ocorreram desentendimentos dentro da família de banqueiros, conta o Barão Philippe de Rothschild numa entrevista publicada por Quote. O tio Edouard não queria comprá-la porque isso lhes traria um poder político que não queriam, diz o sobrinho à revista. “Não nos queremos misturar em política”, assegura Philippe, “ou pelo menos não de uma maneira tão aberta“.

Se isso estiver correto, como parece, a pergunta é inevitável: foi o atentado contra a revista outro negócio redondo por parte dos Rothschild? Eles a compraram a preço de banana, porque antes de 7 de janeiro, a revista só gerava prejuízos.

Mas se só gerava prejuízos, que interesse teriam os banqueiros em comprar uma revista em ruínas? É então que aparece o aspecto político que o Barão Philippe quer manter em segundo plano: para continuar com as provocações de Charlie Hebdo contra os muçulmanos.

Teremos Charlie Hebdo por algum tempo. Agora que a revista passou a ter não somente 60.000 leitores, mas uma audiência de sete milhões. Além do dinheiro que está chovendo, não só do Estado francês, senão procedente de investidores privados. Estão se forrando.

Mas não sejam vocês preconceituosos nem conspiratórios. Nada do que acabamos de expôr significa que os Rothschild organizaram os atentados, nem muito menos que fizeram matar pessoas pelo vil dinheiro. De jeito nenhum. É claro que o que aconteceu em Paris é uma cópia quase exata do 11-S em Nova York, onde asseguraram os ataques terroristas as Torres Gêmeas pouco antes de derrubá-las, é pura coincidência.

E se a imprensa internacional não publicou nada disto, é porque ainda não estão informados. E quando souberem, será notícia no telejornal das 9 da noite. O que tinham pensado? Pensaram que lhes ocultariam a informação? Que não lhes contariam toda a verdade e nada mais que a verdade?

 

 

Menina de 12 anos, que vivia nas ruas, pergunta ao Papa: – “Por que é que Deus permite estas coisas?”

Perante uma plateia de 30 mil jovens numa universidade de Manila, antes da missa no parque Rizal, Francisco pediu-lhes compaixão pelo sofrimento das crianças da rua, vítimas da prostituição e da droga.

Glyzelle Aries Palomar, 12 anos, que foi salva das ruas por uma associação humanitária desfez-se em lágrimas quando falou com o Papa e lhe perguntou “por que é que Deus permite estas coisas? E por que é que há tão poucas pessoas a ajudar”. A resposta foi dada em forma de um abraço sentido que marcou um dos pontos mais emocionantes da viagem de Francisco. O apelo veio a seguir: “O mundo tem que chorar pelas crianças que se drogam e que que se prostituem. Se nós não aprendermos a chorar, nunca poderemos ser bons cristãos”. Não basta, disse Francisco, a existência de uma “compaixão mundana” que faz com que “muitos se limitem a levar a mão ao bolso para dar uma moedinha”.

O abraço de Francisco à jovem Glyzelle GIUSEPPE CACACE:AFP
O abraço de Francisco à jovem Glyzelle GIUSEPPE CACACE/ AFP
Papa com os jovens em Manila - REUTERS
Papa com os jovens em Manila – REUTERS

Muito animado o encontro com os milhares de jovens, em que o Papa Francisco pôs de lado o discurso que tinha preparado em inglês e improvisou em espanhol, respondendo às perguntas que três deles lhe dirigiram. Antes de mais a jovenzinha Shon que, chorando quis saber “porque é que as crianças sofrem”.

Antes de responder a esta pergunta, o Papa aproveitou para realçar essa pequena representação das mulheres, poucas – disse – chamando a atenção para o machismo que muitas vezes não deixa lugar às mulheres que, no entanto, têm um olhar diferente dos homens sobre a realidade.

“Assim, quando vier o próximo Papa que haja mais mulheres” – disse, suscitando aplausos dos presentes.

O Papa colheu o fato de Shon ter feito essa pergunta chorando para dizer que ao mundo de hoje falta a capacidade de chorar, falta sobretudo aos que levam uma vida folgada. Mas certas realidades da vida só podem ser vistas como olhos lavados pelas lágrimas – disse.

A pergunta de Shon quase que não tem resposta, mas lança um desafio – frisou o Papa – lançando, por sua vez, uma pergunta aos jovens: “Eu aprendi a chorar?” perante os sofrimentos do mundo (fome, droga, crianças abandonadas, abusos, escravatura) “ou o meu pranto é um pranto caprichoso só para ter algo mais?”.

“Aprendamos a chorar” – exortou o Papa aos jovens, recordando que também Jesus chorou em diversas ocasiões. “Se não aprendeis a chorar não sois bons cristãos”.

E à pergunta “porque as crianças sofrem” o Papa convidou a responder com o silêncio.

“Que a nossa resposta seja o silêncio ou a palavra que nasce das lágrimas. Sêde valentes, não tenhais medo de chorar” .

Por sua vez, o jovem Leandro Santos, fazendo notar que vivemos num mundo, onde abunda a informação, perguntou se isto é um mal. “Não” – respondeu o Santo Padre, sublinhando que o importante é saber o que fazer dessa informação e não correr o risco de ser “jovens museus” que só acumulam informação, mas não saber o que fazer dela. É preciso ser, pelo contrário, “jovens sábios” . E como ser sábios? – perguntou o Papa, respondendo que este é outro desafio, o desafio do amor. “Aprender a amar” e “através do amor fazer com que a informação seja fecunda”.

Para isso o Evangelho nos propõe um caminho tranquilo baseado em três elementos, harmoniosamente articulados: a linguagem da mente, do coração e das mãos, ou seja, pensar, sentir, realizar – frisou o Papa convidando os jovens a repetir em voz alta as três linguagens … E depois disse:

“O verdadeiro amor é amar e deixar-se amar. É mais difícil deixar-se amar do que amar.

Podemos amar a Deus, mas o mais importante é deixar-se amar por Ele: “O verdadeiro amor é abrir-se a esse amor primordial e que nos provoca surpresa.”

Se estivermos sempre concentrados no computador que parece ter respostas para tudo, não nos abrimos a essa surpresa, porque isso supõe um diálogo a dois: entre quem ama e quem é amado – afirmou o Papa, exortando:

“Deixemo-nos surpreender por Deus. E não tenhamos a psicologia do computador de querer saber tudo”.

E dando o exemplo de São Mateus que se deixou surpreender e convencer pelo amor de Jesus, acabando por segui-Lo, o Papa exclamou: “Deixa-te surpreender por Deus. Não tenhas medo das surpresas que movem o chão debaixo dos teus pés, que te fazem sentir inseguro, mas que nos põem a caminho. O verdadeiro amor leva a queimar a vida, embora com o risco de ficar com as mãos vazias” – disse mencionando São Francisco de Assis que deixou tudo e morreu de mãos vazias, mas de coração cheio.

“De acordo? Não jovens de museu, mas jovens sábios. Para ser sábios usar as três linguagens: pensar bem, sentir bem e fazer bem, e deixar-se surpreender pelo amor de Deus e andar e queimar a vida”.

Finalmente a terceira pergunta colocada pelo jovem Riqui que ilustrou ao Papa as actividades que ele e o seu grupo levam avante.

O Papa apreciou esse serviço aos outros mas desafiou-os imediatamente a pensarem se se deixam que os pobres lhes dêem a riqueza que eles também têm, se se deixam evangelizar pelos pobres

A este respeito evocou a leitura do Evangelho que tinham feito pouco antes e que mostra que o que nos falta muitas vezes é “aprender a mendigar daqueles a quem damos”, “aprender a receber da humildade daqueles a quem ajudamos. As pessoas a quem ajudamos, pobres enfermos, órfãos têm muito para nos dar. Mas me faço mendigo e peço também isto, ou sou suficiente e vou só dar” .

“Vos que viveis dando sempre e pensais que não tendes necessidade de nada, sabeis que sois um pobre tipo, sabeis que tendes muita pobreza e precisais que te (vos) dêem?

E perguntando mais uma vez aos jovens se se deixam amar por aqueles a quem ajudam, o Papa rematou:

“É isto que ajuda a amadurecer jovens comprometidos como Riqui no trabalho de dar, aprender a estender a mão a partir da própria miséria”.

Aprender a amar e a deixar-se amar. E o Papa concluiu referindo, em inglês, a um aspecto que tinha previsto no seu texto escrito: o desafio da integridade. Recordando que os bispos das Filipinas declararam 2015 “Ano do Pobre” convidou ao amor aos pobres, sempre interrogando os jovens se pensam nos pobres, se lhes pedem que lhes transmitam a sua sabedoria, se se deixam evangelizar pelos pobres…e por fim pediu desculpas por não ter lido o discurso que tinha preparado, mas disse sentir-se consolado pelo facto que “a realidade é superior à ideia” e a realidade que vocês apresentaram e a vossas realidade é superior a todas as respostas que eu tinha preparado. Obrigado!”

Seis milhões para ouvirem a missa do Papa em Manila

O papa bate récord de multidão em Manila, celebrando missa para seis milhões de católicos. Pope draws record crowd é uma das manchetes do Manila Standard Today

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Ao quarto dia da visita a este bastião católico da Ásia, milhões de fiéis começaram a chegar bem cedo ao parque Rizal, situado junto ao mar. Tal como na véspera, por causa de uma tempestade tropical que se abateu sobre a região, o mar de gente coloriu-se com impermeáveis de plástico coloridos para se proteger da chuva. Principalmente amarelo, a cor do Vaticano.

Jorge Bergoglio fez a sua entrada no papamóvel, circulando por entre a multidão sob fortes aplausos. Na missa, falada em inglês e tagalog, exortou os filipinos a serem “missionários” em toda a Ásia. “É um dom de Deus, uma bênção! Mas também é uma vocação.”

papa móvel

papa abaraça

O cardeal de Manila, Luis Antonio Tagle, respondeu ao desafio do Papa, dizendo que “todos os filipinos gostariam de partir amanhã com a Sua Santidade, mas não para Roma! Partiriam para as periferias, os bairros de lata, as prisões, os hospitais. Iriam também evangelizar o mundo da política, das finanças, das artes, das ciências, da cultura, da educação e das comunicações.”

Depois da missa, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, explicou que “o Papa quis nesta viagem dar um impulso a uma via concreta para uma sociedade filipina mais coerente com os valores cristãos”, justificando assim a insistência do Papa nas desigualdades que persistem nesta sociedade muito católica.

Durante a sua visita de quatro dias, Francisco denunciou as profundas desigualdades e a corrupção. Também lançou apelos em defesa da família tradicional, denunciando o “relativismo”, as “ameaças insidiosas”, a “confusão” sobre o casamento.

“A grande ameaça ao plano de Deus, segundo a Bíblia, é a mentira”, afirmou o Papa, acrescentando que “o diabo é o pai da mentira e esconde seus embustes sob a aparência da sofisticação e do fascínio por ser moderno como todo mundo”. Segundo o pontífice argentino, o diabo “distrai com o chamariz dos prazeres efêmeros, de passatempos superficiais”. “Esbanjamos os dons que Deus nos deu brincando com artefatos banais, esbanjamos nosso dinheiro no jogo e na bebida, encerramo-nos em nós mesmos e não nos centramos nas coisas que realmente importam”, afirmou. Além disso, Francisco ressaltou o papel da mulher na sociedade, salientando que elas “têm muito a dizer”. “Muitas vezes somos machistas, mas uma mulher é capaz de ver as coisas com outros olhos, com um olhar diferente”, afirmou.

papa francisco fora do procolo

“Não é possível uma família sem sonhar”

 

O seu discurso às famílias iniciou-se com o verbo sonhar. Falando em espanhol e recorrendo a um tradutor, o Santo Padre proferiu as afirmações que marcaram a sua intervenção:

“Não é possível uma família sem sonhar.”

“Sem sonhar perde-se a capacidade de amar.”

“Hoje sonhei com o futuro dos meus filhos e da minha esposa e também com os meus pais e avós.”

“Não percam a capacidade de sonhar.”

“Nunca deixem de ser noivos”

Foram três os aspetos que o Papa Francisco apresentou sobre a figura de S. José: repousar no Senhor, levantar-se com Jesus e Maria e ser voz profética. E, desde logo, o Papa Francisco contou uma pequena história referindo o facto de ter na sua escrivaninha uma imagem de S. José que dorme: sempre que algo o preocupa o Santo Padre escreve num pequeno papel o seu problema e coloca-o debaixo da imagem para que S. José repouse sobre o problema e o ajude a solucionar.

Para ouvir o chamamento de Deus é preciso pois rezar em família:

“Para ouvir e aceitar o chamamento de Deus, para construir uma casa para Jesus, deveis ser capazes de repousar no Senhor. Deveis encontrar em cada dia o tempo para rezar.”

O Santo Padre referiu de seguida o segundo aspeto: levantar-se com Jesus e Maria. Ou seja, enfrentar a vida, aprender a amar, a perdoar, a ser generosos e não egoístas. Mas também a saber dizer não às colonizações ideológicas da família – declarou o Papa Francisco que citou o Papa Paulo VI pela defesa da vida durante o seu pontificado.

Finalmente, o terceiro aspeto: S. José é uma voz profética e também nós devemos ser – disse o Papa – exortando os cristãos a não terem medo de afirmar a sua fé em Jesus Cristo:

“Não escondais a vossa fé, não escondais Jesus, mas colocai-O no mundo e oferecei o testemunho da vossa vida familiar.”

 

Por que o dia 25 de dezembro é festejado na Europa e nas Américas?

Sinônimos de natal: aniversário, natalício, nascimento, berço, natividade.

Pelos principais jornais da França, o Dia de Natal foi criado para lembrar, festejar

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CANIBALISMO CRISTÃO

por Talis Andrade

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Atenáguras na Súplica pelos Cristãos
a Marco Aurélio e Cômodo
indagava respeitosamente
– Não suportamos
sequer a vista de uma execução capital
segundo a justiça
como irão nos acusar
de assassinato e antropofagia

Pedro Eremita o pregador
da Primeira Cruzada
considerava preciosa iguaria
a carne de crianças
mouras e judias

A crença em um boato depende
de que seja factível
Neste mundo
sempre se praticou o canibalismo
os cadáveres comidos
crus assados e cozidos

 

 

Poema: do livro inédito Judeu Errante

Ilustração: Pedro o Eremita mostra o caminho de Jerusalém aos cruzados (Iluminura francesa de c.1270). Clique na foto para ampliar