A prisão de Carone, que denunciou a farsa do julgamento, uma oportunidade para esclarecer o misterioso assassinato da modelo que carregava o dinheiro do mensalinho tucano

Cris

A polícia do governo tucano de Minas Gerais jamais quis investigar o assassinato de  Cristiane Ferreira. Vou transcrever as principais reportagens sobre o caso, e veja os links.

Cristiane, 24 anos, além de andar com muito dinheiro do mensalinho, era amiga íntima, mais do que íntima, de um presidente da República, de dois ex-governadores de Minas Gerais, e de dois ex-ministros de Estado, entre outros figurões dos poderes do País da Geral.

Um ex-amante de Cristiane, um detive particular, foi acusado e condenado pelo crime, mas continua solto, e jamais revelou o(s) mandante(s). Esse silêncio garante sua liberdade. E a justiça de Minas nem aí.

Também a justiça de Minas engavetou o mensalinho tucano.

Veja a ação abafa da polícia mineira.

E a farsa desmoronou

por Roger Libório/ Revista Época

Há crimes que, pela repercussão, geram um esforço de investigação impressionante – a ponto de, em poucos dias, serem elucidados. E há outros que só são apurados após muita insistência. O caso da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, morta em agosto de 2000 num flat em Belo Horizonte, em Minas Gerais, pertence à segunda categoria. Passados dois anos e meio do assassinato, foi apenas na semana passada que se conheceu oficialmente a causa da morte – Cristiana foi sufocada com um objeto de pano, que pode ter sido um travesseiro ou um lençol enrolado. Ela foi agredida e as marcas da violência foram registradas em seu corpo. Para chegar a essa conclusão foi preciso reanalisar as fotos da vítima, exumar o cadáver e fazer uma necropsia. O primeiro laudo, que atestava ‘suicídio’, revelou-se uma grosseira peça de ficção. Os médicos-legistas responsáveis pelo documento, Remar dos Santos e Tyrone Abud Belmak, não se pronunciam. O Ministério Público (MP) agora investiga por que foi montada a farsa, típica dos anos da ditadura.

Cristiana, morena de 1,78 metro, queria fazer carreira de modelo, mas, aos 24 anos, havia conseguido apenas se tornar uma figura popular entre os ricos e famosos da capital mineira. Quando foi morta – aparentemente por um ex-namorado ciumento, que perdeu a carona na ascensão social e nas amizades importantes da moça -, o MP teve de enviar à polícia diversos ofícios pedindo a apuração do caso. ‘Requisitamos várias diligências, mas elas nunca foram feitas’, conta o promotor Luís Carlos Martins Costa.

Quando a polícia encaminha um cadáver para o IML, tem de preencher uma ficha pedindo vários tipos de exame – basta marcar um ‘x’ em cada um deles. Pode-se procurar, por exemplo, indícios de agressão física e violência sexual. O corpo de Cristiana foi encontrado na cama apenas de sutiã, sem calcinha e com vários hematomas, mas os investigadores solicitaram apenas exame toxicológico, anotando ao lado: ‘Suspeita de suicídio’. Na cena do crime não havia nada que sugerisse isso, como vidro de raticida, seringa ou bilhete de despedida. O boletim de ocorrência foi lavrado em 6 de agosto. Somente no dia 11 de dezembro, quatro meses depois, foi instaurado um inquérito policial. Ele passou por vários delegados e muitas trapalhadas – um ex-namorado, o empresário Luiz Fernando Novaes, chegou a ser preso e depois solto por falta de provas. A conclusão final, porém, foi novamente de ‘auto-extermínio’. O Ministério Público teve de investigar sozinho, colher 41 depoimentos e pedir a exumação do cadáver.

O ex-namorado Reinaldo Pacífico, contra quem Cristiana já registrara um boletim de ocorrência por agressão, vinha perseguindo a modelo. Sujeito misterioso, ganhava a vida como detetive particular mas se apresentava como ‘juiz criminal’. Ele tornou-se o principal suspeito depois que uma testemunha – agora sob proteção federal – admitiu tê-lo ouvido confessar o crime. Parece difícil, contudo, que Pacífico tenha sido capaz de agir sozinho na etapa seguinte do crime – a de embaralhar pistas e transformar sinais de um assassinato brutal em suicídio. Essa tarefa exige a cumplicidade de policiais, além da boa vontade da cúpula da máquina de segurança de Minas Gerais – recursos pouco acessíveis na mala de truques de um detetive particular. Por isso a promotoria agora quer apurar o que levou a polícia e os legistas a conduzirem a investigação de forma tão relapsa. ‘Há indícios de supressão e de alteração de documentos’, diz Martins Costa. Entre outros papéis, sumiu o depoimento de um dos irmãos da vítima, Cláudio Ferreira, que havia dado a lista de todas as pessoas importantes com as quais Cristiana teria se relacionado. ‘O delegado chamou o rapaz alguns dias depois, disse que o depoimento não tinha validade e o questionou novamente, orientando para não citar nomes’, acusa o promotor. Entre os famosos mencionados pela família de Cristiana estava Jairo Magalhães Costa, diretor do Banco Real, o único a admitir ter tido um caso com a moça. Mas uma irmã da vítima, Simone Ferreira, testemunhou dizendo que ela ‘estava se encontrando’ com Djalma Moraes, presidente da Cemig. Ele é casado, nega qualquer relacionamento com a modelo e declarou que a viu apenas duas vezes – foram apresentados pelo ex-secretário da Casa Civil Henrique Hargreaves. Em outro depoimento, uma amiga de Cristiana disse que ela apregoava um breve caso com o ex-governador Newton Cardoso, que declarou jamais tê-la visto na vida. E vários parentes afirmaram que Cristiana era amiga próxima do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, para quem trabalhava e viajava freqüentemente. Num depoimento tomado às vésperas da posse na equipe de Lula, Mares Guia disse que a conhecia de vista. Para uma pessoa tão pouco relacionada, é surpreendente que tenha conseguido ser recebida no Palácio da Liberdade, quando chegou a ser fotografada ao lado do governador Itamar Franco – parentes dizem que ela fora pedir um emprego.

Entende-se que pessoas importantes queiram proteger sua intimidade, especialmente contra boatos que podem não ter fundamento. Resta saber se foi por influência política que o primeiro laudo notava ‘ausência de lesões externas macroscopicamente visíveis’ num cadáver com três fraturas e vários hematomas. É um erro tão grosseiro que lembra os documentos produzidos nos anos de chumbo para mascarar a tortura de presos políticos.

Colaborou Paula Pereira

Reinaldo Pacífico é condenado pelo assassinato da ex-modelo Cristiana Aparecida Ferreira
Detetive Reinaldo Pacífico
Detetive Reinaldo Pacífico

Do Migalhas transcrevo: Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho, acusado de matar a ex-modelo Cristiana Aparecida Ferreira, em agosto de 2000, num flat no centro de Belo Horizonte, foi condenado a 14 anos de prisão.

O Conselho de Sentença decidiu pela culpa do acusado, tendo ele concorrido para o envenenamento da vítima. Ele foi condenado nos delitos constantes do artigo 121, §2º, incisos I e III do Código Penal(clique aqui) (homicídio cometido por motivo torpe e asfixia).

O juiz presidente do I Tribunal do Júri de Belo Horizonte, Carlos Henrique Perpétuo Braga, determinou que a pena seja cumprida em regime inicialmente fechado. Tendo em vista ser réu primário, ter bons antecedentes e por ter aguardado em liberdade o desdobramento do processo, o magistrado lhe concedeu a prerrogativa de aguardar a interposição de recurso em liberdade.

O plenário esteve lotado durante toda a tarde. Cerca de trezentas pessoas compareceram para acompanhar o julgamento. Às três da madrugada, quase quatorze horas após o início da sessão, aproximadamente 50 pessoas, entre jornalistas, parentes do réu e da vítima e o público em geral, ainda aguardavam a decisão do Conselho de Sentença.

A sessão foi presidida pelo juiz Carlos Henrique Perpétuo Braga e o promotor Francisco de Assis Santiago representou o Ministério Público. Como auxiliares de acusação, atuaram os advogados Dino Miraglia Filho e Felipe Daniel Amorim Machado. A defesa ficou a cargo dos advogados Eunice Batista da Rocha Filha e Fernando Antônio Santos de Santana.

Testemunhas

Foram ouvidas oito testemunhas, três de acusação e cinco de defesa.

A primeira testemunha, supervisora das camareiras do flat, afirmou que encontrou a modelo morta, no domingo, dia 6 de agosto, pela manhã. Ela disse que a modelo tinha o costume de entrar no flat na quinta-feira e sair na sexta. Estranhando o fato, pois já era domingo e Cristiana ainda estava hospedada, tentou ligar para o apartamento e bater à porta, mas não obteve resultado. Quando decidiu abrir a porta, descobriu que o “pega-ladrão” bloqueava o acesso.

Após vários chamados, já suspeitando da morte da modelo, ela acionou a gerente do flat, que, ao chegar, pediu que o “pega-ladrão” fosse serrado. Ao entrar no quarto, a supervisora confirmou a sua desconfiança e a polícia foi acionada.

A segunda testemunha, dono de um estacionamento, disse que Reinaldo confessou a ele que teria matado a modelo por ciúmes. Disse ainda que Reinaldo contou que Cristiane estava trabalhando transportando dinheiro de políticos de Brasília para Belo Horizonte.

Às 16h03, a terceira testemunha foi chamada. Ele é filho da segunda testemunha e disse que ouviu trechos de uma conversa entre seu pai e o acusado, em que o acusado falou que havia matado Cristiana.

O jornal ajuda muito mais do que eu“, afirmou o ex-governador Newton Cardoso, a quarta testemunha ouvida no Plenário do I Tribunal do Júri. O ex-governador afirmou que não poderia ajudar porque não conhece Reinaldo e viu a modelo somente uma vez no Palácio da Liberdade.

Para o delegado que concluiu as investigações na época, a quinta testemunha interrogada, “não existiu crime, foi auto-extermínio“. Ele declarou que não houve lesão indicativa de agressão e nem indícios de que Cristiana transportava dinheiro para políticos. Sobre o fato de Reinaldo estar sendo acusado do crime, ele disse que até o presente momento ninguém se perguntou como o acusado entrou ou saiu do quarto, uma vez que não foi encontrado qualquer vestígio de entrada e saída de alguém. Segundo ele, ninguém é capaz de demonstrar tecnicamente que ocorreu ali um homicídio.

Um médico perito foi a sexta testemunha. Ele examinou os restos mortais de Cristiana em exumação feita dois anos depois, em dezembro de 2002. A sua conclusão foi de que a morte se deu por intoxicação com veneno.

A sétima testemunha foi um homem com quem Cristiana manteve um relacionamento de maio a dezembro de 1999. Ele confirmou a declaração do Ministério Público de que Cristiana já havia tentado suicídio em duas ocasiões.

Às 20h a última testemunha foi ouvida: o médico legista que realizou a necropsia. Conforme ele disse, a morte se deu por intoxicação pelo consumo de pesticida. Por não ser sua atribuição, não pôde tecer conjecturas se a ingestão do veneno foi espontânea ou não.

Interrogatório

O interrogatório de Reinaldo começou às 20h40 e durou 1h05. Ele negou que tenha matado Cristiana. “A verdade absoluta é que eu não tirei a vida de Cristiana; tinha por ela afeto, carinho e consideração“, afirmou.

Ele confirmou o relacionamento com Cristiana, que durou mais ou menos um ano, a partir de 1996, e que na época de sua morte já não tinham nenhum tipo de envolvimento amoroso. Ele afirmou que os depoimentos do dono do estacionamento e do filho, que o acusaram de matar a ex-namorada, são falsos. Declarou ainda que nunca esteve no flat.

Debates

Contradizendo o depoimento do médico perito, o promotor Francisco de Assis Santiago apontou outros laudos em que há diagnóstico de asfixia mecânica, fratura e luxação. Acredita que há pessoas interessadas no arquivamento do inquérito com a conclusão de suicídio.

O promotor rechaçou a hipótese de suicídio, relembrando os sonhos da modelo em progredir na vida e montar uma griffe. Segundo ele, o copo quebrado encontrado no apartamento é sinal de que a vítima foi obrigada a ingerir o veneno encontrado em seu estômago.

O assistente de acusação, Dino Miraglia Filho, afirmou que “forças ocultas” atuaram na investigação. Para ele, o crime existiu. Não acredita em crime passional, “foi queima de arquivo”, afirmou categórico. Pediu ainda aplicação de multa para o ex-ministro Walfrido Mares Guia. Ele foi regularmente intimado para o julgamento, mas não compareceu, pois está fora do país.

Para a advogada de defesa, Eunice Batista da Rocha Filha, Reinaldo Pacífico é injustamente acusado. Ela relembrou casos de injustiças cometidas contra inocentes para convencer o conselho de sentença a não cometer mais um erro.

Reafirmou as palavras do delegado e peritos que testemunharam na sessão, apresentando laudos, contidos no processo, que afirmam que a causa da morte foi a ingestão de veneno. Lembrou que a vítima já tinha antecedentes suicidas. Para ela, o processo está claro: tudo demonstra o suicídio da modelo.

Antes da votação dos quesitos pelo Conselho de Sentença, o advogado de defesa Fernando Antônio Santos de Santana anunciou a sua renúncia ao mandato em plenário. Argumentou que acredita na inocência do acusado e teve divergências com sua colega de defesa.

Essa decisão está sujeita a recurso.

  • Processo : 0024.01.045547-5

Juíza do “Mensalão Tucano” manda investigar morte de modelo

Mariosan
Mariosan
 Transcrevo do Novo Jornal, editado por Marco Aurélio Carone:Após a aparição de novos documentos referentes ao “Mensalão Mineiro”, a Juíza Neide da Silva Martins e o Promotor João de Medeiro a abrir uma nova linha de investigações para analisar nova vertente criminal e apurar as circunstâncias da morte da modelo Cristiane Aparecida Ferreira, que podem ter ligação com o esquema criminoso montado para desviar dinheiro público arrecadado e distribuído entre integrantes do alto escalão da campanha de reeleição ao governo de Minas em 1998 de Eduardo Azeredo, no escândalo de corrupção conhecido como “Mensalão Mineiro”. A decisão é do dia 03 de outubro.

Os documentos apontam que a modelo atuou transportando valores milionários a serviço do esquema, além de ter recebido sem qualquer justificativa comercial, na época, a importância de R$ 1.800.000,00 de Walfrido dos Mares Guia. Para criminalistas que se dedicam ao caso, a morte de Cristiane não teria sido um crime passional em relação ao seu namorado e sim estaria jurada de morte por esposas de diversos figurões da sociedade mineira, pois teria se tornado perigosa para o esquema, já que conhecia toda a operação e mantinha relações com os principais operadores.

Segundo um dos criminalistas que atua no caso, o assassinato da modelo realmente foi cometido por Reinaldo Pacífico conforme sua condenação, porém, provas e evidências demonstram que houve um ou mais mandantes e que a motivação para a morte da modelo era a queima de arquivo. O processo tramita em Belo Horizonte por decisão do Ministro Joaquim Barbosa e, diante das provas, a Juíza da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte determinou a abertura de novo inquérito para apurar exclusivamente a participação de Cristiane no esquema.

Operadores – Segundo os criminalistas envolvidos na investigação da morte da modelo, comprovadamente ela mantinha um caso amoroso com o presidente da Central Energética de Minas Gerais (Cemig) Dijalma Moraes, com o ex ministro Walfrido dos Mares Guia e com o ex governador Newton Cardoso, entre outros operadores do esquema.

Com a abertura do novo inquérito deverá quebrar-se a resistência de alguns integrantes do Ministério Público que recusavam reabrir o caso da morte da modelo. O inquérito que apurou o crime ocorrido no San Francisco Flat, um apart-hotel de luxo da capital mineira, transformou-se em ação penal com a condenação do despachante Reinaldo Pacifico, que até hoje continua solto sem qualquer explicação das diversas autoridades envolvidas.

O crime – Cristiane foi assassinada em agosto de 2000 e, há quase três anos o teólogo e detetive particular Reynaldo Pacífico, acusado de matar a modelo nas dependências do San Francisco Flat, no centro de Belo Horizonte, foi condenado a 14 anos de reclusão em regime fechado e jamais foi detido. O crime ganhou repercussão nacional por envolver o nome de vários políticos de projeção, entre eles o ex-presidente Itamar Franco, o ex-secretário da Casa Civil de Minas, Henrique Hargreves, o ex-governador Newton Cardoso, o ex-ministro do Turismo do primeiro governo do presidente Lula, Walfrido dos Mares Guia e o presidente da Companhia Energética de Minas Gerais, Djalma Moraes.

Em agosto de 2005, a ligação da morte da modelo com o escândalo do mensalão mineiro veio à tona, depois que uma agenda com o telefone e o endereço de uma das agências de propaganda do empresário Marcos Valério Souza ser apreendida. A morte dela ganhou repercussão nacional após policiais encontrarem anotações com contatos de várias autoridades do governo de Minas Gerais à época. A modelo Cristiane Aparecida Ferreira, além de envolvimento sexual com os políticos, teria se transformado também em agenciadora de garotas de programas e “mula” para o transporte de dinheiro proveniente do “mensalão”.

Após o júri, um de seus parentes, que não quis se identificar, revelou que no dia em que ela foi morta ele recebeu um telefonema dela, dado de São Paulo, pedindo para ir se encontrar com ela que estava de posse de uma mala com um milhão de reais. Ele viajou a São Paulo, houve um desencontro, Cristiane veio para Belo Horizonte e acabou sendo morta. Com este novo documento mostra que Cristiane Aparecida Ferreira teria recebido quase R$ 2 milhões de políticos e empresários ligados ao mensalão, levantando ainda mais a hipótese de que ela estaria associada ao caso e de que o assassinato pode estar relacionado ao esquema. O documento teria sido entregue a família de Cristiane e deve ser investigado.

Jornalista preso em Minas Gerais: “Fiquei conhecendo o promotor hoje aqui, ele chegou me agredindo verbalmente. Meu passado me defende”

 

jornalista prisão pássaro

Dono do site Novojornal, Marco Aurélio Flores Carone, de 60 anos, foi preso na manhã desta segunda-feira, 20, em Belo Horizonte, conforme informa a Rede Record. Filho de Jorge Carone Filho, prefeito da capital mineira na década de 1960, o editor, segundo a Justiça local, usava o portal para fins criminosos, como extorsão e “linchamento moral” de políticos da região.

Responsável por ordenar a prisão preventiva do jornalista, a juíza Maria Isabel Fleck concluiu que a detenção do réu se faz necessária pela “necessidade de garantia da ordem pública”. [Mesmo argumento foi usado em Pernambuco para prender o jornalista Ricardo Antunes. Que perigo representa um velho jornalista, quando edita um site totalmente desconhecido?]
Em sua decisão, a juíza citou autoridades que teriam sido caluniadas em matérias do Novojornal: José do Carmo Veiga (desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais), Jarbas Soares Júnior (ex-procurador geral de Justiça), Márcio Nabak (delegado de polícia chefe do departamento de investigações) e Christiano de Oliveira Cesarino (juiz de direito em Nova Serrana) foram descritos como alvos.

Em texto publicado em 2013 com o título “Aécio e Andréa Neves determinam nova devassa no Novojornal”, o site controlado pelo jornalista preso afirma que Jarbas Soares Júnior determinou que o portal de notícias online fosse “empastelado”. De acordo com o artigo, assinado pelo próprio Carone, o então procurador teria agido “a serviço de Andréa Neves”, irmã do presidenciável tucano Aécio Neves.

Ao chegar à delegacia, Carone conversou com a equipe do ‘Balanço Geral MG’ e se definiu como vítima de ação política. “Sou um preso político. Estou sendo preso por questões políticas. Quem me conhece sabe do meu trabalho, tenho 30 anos de profissão”, afirmou o jornalista, confiante na absolvição. “Estou tranquilo e vou provar que isso não corresponde à verdade. Fiquei conhecendo o promotor hoje aqui, ele chegou me agredindo verbalmente. Meu passado me defende”. Fonte: Comunique-se.

Tudo que as autoridades do judiciário e do governo de Minas Gerais sacam contra o Jornalista Marcos Aurélio Flores Carone [ pelo sobrenome Flores, como acontece em todas as notícias das páginas policiais, os acusados ganham apelidos que visam humilhar ou incriminar: de Flores, a alcunha de “Rosinha”] não passa de uma repetição do artigo publicado por José Luiz Ferreira Fernandes, em 26 de agosto de 2008, no Observatório de Imprensa, que teve a seguinte resposta de Carone:

OS ESQUELETOS DE TRÊS JORNAIS FECHADOS

Embora o José Luiz Ferreira Fernandes informe que baseia-se em “cópias de documentos distribuídos nas redações de jornais de Belo Horizonte” – e, desta forma, não seriam fruto de pesquisa sua –, acredito que não por outro motivo o articulista não fez constar de seus relatos fatos que meus detratores não diriam, pois desmontariam suas acusações.

No texto de Fernandes, embora acusatório, demonstrado está que não apenas defendo a liberdade de imprensa como a pratico. Esta liberdade que defendo assegura o direito à crítica, assim como o direito de resposta e esclarecimento quando queira exercê-lo o criticado. Seja um cidadão comum como eu, seja uma autoridade, que a meu ver obrigatoriamente deveria fazê-lo por ocupar um cargo público. Não é por outro motivo que em momento algum o Novojornal recusou-se a oferecer o direito de resposta a quem quer que seja. Prova disso é o noticiado na matéria que analiso.

Em relação à Patrimar, realmente depois de denúncias que chegaram à nossa redação, por dever de oficio publicamos duas matérias a respeito da empresa. Porém, ao contrário do que informa o jornalista, a publicação do “Erramos” não ocorreu para viabilizar um acordo celebrado com a Patrimar na ação que a mesma movia contra minha filha. A publicação do “Erramos”, no mesmo local que havia sido publicado a matéria sobre a construtora, ocorreu em função da Interpelação Judicial nº. 0024.07.508.205-7, ajuizada pela Patrimar na Justiça mineira contra o Novojornal. Nesta, ela comprovava o equivoco da matéria de Novojornal.

Admitir que erramos é um procedimento adotado por toda imprensa séria e visa demonstrar ao leitor que nosso compromisso é com a verdade. Quando erramos, reconhecemos nossos erros e publicamos a informação correta. Neste caso, também estávamos evitando ser processados por publicar uma matéria que continha informações erradas. Inclusive a nota de retificação publicada foi apresentada pela empresa ao jornalista Renato Cunha, a quem dei orientação de contatar a empresa.

Quanto ao acordo judicial de um desentendimento comercial entre minha filha e a construtora, segundo consta dos autos, foi sanado por meio do pagamento da dívida.

Interesses contrariados

Realmente os fatos narrados ocorreram, só que por motivos e de forma diferente da informada por José Luiz Ferreira Fernandes. Ele afirma: “Suspeita-se que as falsas matérias publicadas contra empresas tenha sido uma forma clara de chantagear…”. Eu gostaria que o nobre jornalista citasse a que matérias se refere para que eu pudesse esclarecer ou ser “desmascarado”, como afirma.

Em relação a Ricardo Eletro, creio que Fernandes o citou apenas por ser um grande anunciante. Porém, para que nada fique sem resposta, cabe esclarecer que jamais tive qualquer envolvimento com essa loja – embora, confesso, gostaria de ter tido, pois é um dos grandes anunciantes mineiros.

Em relação ao San Francisco Flat, gostaria de corrigir o jornalista no que julgo ser fundamental para o exercício de sua profissão: escrever com clareza. Fernandes afirma que neste flat uma jovem modelo “teria” sido assassinada. O certo seria dizer “onde a modelo foi assassinada”. Jamais existiu qualquer dúvida a respeito deste fato, seu corpo foi encontrado ali. A dúvida existente é sobre quem a assassinou. Dúvida que talvez perdure, pois, quando do interrogatório de um dos suspeitos, surgiu como que do nada na sede da Procuradoria Geral do Ministério Público estadual, em Belo Horizonte, o ex-procurador geral da República, Aristides Junqueira, apresentando-se como advogado de Walfrido dos Mares Guia e impedindo seu depoimento. Depois disso, o inquérito adormeceu e a única coisa que se sabe é que laudos, fotos, depoimentos e outras provas desapareceram.

As matérias do Novojornal diziam respeito a esse fato e ao inexplicável comportamento da Cemig, ainda hoje maior usuária do San Francisco Flat, para o qual paga uma conta mensal aproximada de 500 mil reais. Jamais acusamos qualquer funcionário da Cemig de participação no crime, mas sim de terem modificado a cena do crime.

Quanto a meu débito com o San Francisco Flat, ele só existiu devido minha independência. Na campanha para o governador de Minas Gerais, em 2002, um grupo de empresários doara-me a hospedagem para que lá eu montasse uma estrutura capaz de atender a imprensa – algo comum em todas as campanhas políticas. Como, no andamento da campanha, minhas declarações contrariaram os interesses desses empresários, eles se vingaram não pagando as despesas, conforme o combinado. Não houve, portanto, “chantagem” pois a dívida ainda existe, assim como o processo.

Jornalistas prejudicados

Cabe, porém esclarecer o porquê de uma enormidade de execução fiscal contra um empresário na justiça federal mineira? Vamos à resposta.

Em 1989, depois de uma difícil luta contra forças dos três poderes instalados no estado de Minas Gerais, a falência do Jornal de Minas foi decretada devido a uma dívida já paga de pouco mais 10 dólares – hoje equivalente a mais ou menos 16 reais. Esta foi a maneira encontrada na época para silenciar um jornal que estava incomodando. Tratava-se de um jornal e de uma empresa com mais de 50 anos de atividade. A situação de crise vinha se arrastando havia quase um ano, com freqüentes atrasos da folha de pagamento e nos compromissos com fornecedores.

Em Minas, como permanece até hoje, o principal anunciante é o governo do estado – que havia suspendido o pagamento de seus débitos, assim como deixara de autorizar novas inserções no Jornal de Minas.

Ainda na direção do Jornal de Minas, contrariei interesses ligados ao então procurador chefe da Procuradoria Regional da República de Minas Gerais, que determinou à Polícia Federal a abertura de um inquérito contra mim fundamentado em uma denúncia que sequer estava assinada. Não deu outra: comprei a briga e provei que a denúncia era ilegal e nela não existia qualquer verdade. A verdade é que ao ser decretada a falência de S.A Jornal de Minas, o Ministério Público estadual e federal caíram feito leão sobre a contabilidade da empresa e meus bens particulares. Viraram-me do avesso e nada encontraram.

Depois de uma falência em que a falida perdeu todos os seus bens – que na época chegavam a mais de 1 milhão de dólares entre créditos com o estado, terreno de dois quarteirões na área central de Belo Horizonte, uma rotativa para impressão simultânea de 32 páginas e duas dobradeiras recém-reformadas, valendo por baixo 250 mil dólares –, a gestão da massa foi tão eficiente que chegou ao fim sem pagar um sequer de seus funcionários. Desnecessário informar que, após a decretação de uma falência, os administradores da empresa são afastados e substituídos por um síndico nomeado pelo juiz.

Para evitar “atrapalhar” a tramitação da falência, nenhum débito fiscal foi habilitado na massa falida, optando-se pela execução fiscal contra o sócio. Tudo feito para acusar-me de apropriação indébita e me pôr na cadeia.

O processo existiu e, por meio dele, o Procurador Geral executou sua vingança. Porém, mesmo na oposição e com meu segundo jornal, o Diário de Minas, fechado pela mesma juíza da falência do S.A Jornal de Minas, hoje desembargadora, comprovei que não contribuira assim como não houvera qualquer crime na falência. Fui absolvido em primeira e segunda instância da Justiça Federal da acusação de crime de apropriação indevida, processo original nº. 930009833-0/MG, Apelação Criminal nº. 1998.01.00.034144-5. Muitos jornalistas e funcionários, alguns com mais de 30 anos de serviços prestados ao S.A Jornal de Minas, foram prejudicados. A mim foi atribuída toda culpa desse fato – que algum dia, independente da vontade do Palácio da Liberdade, será esclarecido.

Neste momento, não existe veículo melhor que o Observatório da Imprensa para eu lançar o seguinte desafio: que o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais promova um seminário sobre o fechamento do Diário de Minas e do Jornal de Minas, convocando-me a prestar os esclarecimentos necessários para que sejam tomadas medidas na defesa dos jornalistas prejudicados. Prestarei esses esclarecimentos na condição de colaborador, pois na condição de réu e em tribunais onde eu era persona non grata, fui absolvido.

Mais esqueletos

Embora corra em segredo de justiça o inquérito que apura denúncias do Ministério Público mineiro sobre oNovojornal, na condição de parte tive acesso ao seu teor. Coincidentemente, as acusações são as mesmas feitas pelo jornalista José Luiz Ferreira Fernandes. Por isso, cabe-me parabenizar ao autor do dossiê distribuído nas redações dos jornais da capital mineira pela ótima fonte que tem junto à Procuradoria Geral de Justiça de Minas Gerais.

Imagino que minhas respostas já satisfizeram grande parte das dúvidas do procurador Jarbas Soares. Informo ainda, que o portal jornalístico Novojornal pertence à pessoa jurídica de minha propriedade que possui CNPJ, inscrição municipal e alvará de localização, como todas obrigadas por lei a apresentar declarações de receitas e despesas, além de manter sua contabilidade em dia.

Por esse motivo soa como brincadeira a acusação de que não se sabe a origem dos recursos que mantêm oNovojornal. Novamente, e para não deixar uma indagação sem resposta, informo que esses recursos, quando não oriundos do arrecadado com publicidade, fazem parte de meu patrimônio pessoal e estão todos contabilizados e à disposição do Procurador Geral.

A peça acusatória diz que me dedico à administração do Novojornal e, desta forma, sou empresário. Mas em seguida afirma que não tenho emprego nem renda…

No período do golpe de 1964, o sindicalista mineiro Dazinho, ao ser interrogado em um IPM sobre quem pagava suas despesas pessoais, respondeu ao seu inquisitor: “Tenente pode ficar tranqüilo, não é vossa progenitora”. Parafraseando Dazinho, presto este esclarecimento a quem formulou indagações como esta que, segundo o jornalista José Luiz Ferreira Fernandes, “foram distribuídas nas redações”.

Quando montei o Novojornal, tinha ampla experiência em lidar com o Palácio da Liberdade, que adota o seguinte critério: os que não compram, quebram. Já estava suficientemente prevenido quanto a isso.

Como no artigo anterior que publiquei neste Observatório, penso que o momento é mais que oportuno para a retirada dos esqueletos do Diário de Minas e Jornal de Minas do armário. (M.A.C.)

 Leia aqui a acusação de José Luiz Ferreira Fernandes que a justiça mineira volta a repetir

Conheça o dia em que morreram as noticias da televisão brasileira

Chute-na-santa

A televisão promoveu a santificação da mãe de Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da seita TFP – Tradição, Família e Propriedade, adorada como imagem da mãe de Jesus; e da segunda esposa de Roberto Marinho.

Como esdrúxulo  reverso: a cena de um pastor chutando a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Nada pessoal. Sou contra a divinização pretendida, e o absurdo iconoclasta.

Jornalistas experientes aderem ao crowdfunding do Viomundo

terrorismo tv polícia

por Luiz Carlos Azenha

Um golpe palaciano, daqueles que se viu no Vaticano, me relegou ao papel de cuidar dos vídeos e docs do Viomundo, sob as ordens da papisa Conceição Lemes.

A boa notícia é que jornalistas experientes já se declararam dispostos a submeter projetos ao crowdfunding do site, ou seja, ao financiamento de produção jornalística livre de governos ou patrocinadores privados, bancada pelos próprios leitores.

O formato está sendo organizado por Leandro Guedes, da Café Azul.

1. Importante produtor da TV brasileira, ganhador dos prêmios Vladimir Herzog, Esso e Embratel, pretende fazer um mini-doc no Nordeste sobre uma tribo indígena em extinção ameaçada por madeireiros.

2. Autor do livro Privataria Tucana, que por enquanto pretendemos não identificar, quer saber se a modelo morta em importante escândalo político de Minas Gerais cometeu suicídio ou foi assassinada.

3. Premiadíssima repórter pretende passar alguns dias em Minas Gerais, debruçada sobre números do governo e da oposição, para avaliar se o “choque de gestão” dos governos Aécio/Anastasia de fato arrumou as finanças do Estado.

4. Premiadíssima repórter de Direitos Humanos considera viajar para o interior do Brasil e, em um mini doc, avaliar se de fato mudaram as condições de vida onde se deu um foco guerrilheiro durante a ditadura militar, além de revelar fatos inéditos sobre a repressão.

5. Experiente repórter na área de economia junta documentos e entrevistados para se perguntar: o objetivo de FHC era mesmo vender a Petrobras ou foi apenas um truque eleitoral do PT para pintá-lo de privatista? Quanto se gastou com o projeto de mudar o nome pata Petrobrax? Quem foi autor da ideia?

6. Jovens repórteres querem explicar como é possível que o veneno dos agrotóxicos termine no leite materno; quais são as outras substâncias que podem afetar desde os primeiros dias a saúde do seu bebê?

7. Repórter desempregado pretende demonstrar como um terreno da Telesp, que na verdade ainda hoje deveria pertencer ao patrimônio público (um bem reversível, ou seja, só controlado pela concessionária durante o período da concessão) foi negociado para um dos maiores empreendimentos imobiliários do Brasil.

8. Veterana correspondente internacional vai aos arquivos norte-americanos e faz, pela primeira vez em vídeo, a cronologia dos documentos que demonstram que o golpe cívico-militar no Brasil se enquadrava num plano muito mais amplo de contenção que, ao fim e ao cabo, levou à Operação Condor.

Estas são apenas algumas das dezenas de ideias que nos foram sugeridas por gente quem tem interesse especial na elucidação de determinados assuntos obscuros de nossa História, passada ou contemporânea. Obviamente haverá um processo de seleção inicial para submeter apenas quatro ou cinco à decisão dos leitores.

Vocês poderão acompanhar online os que querem ver aqueles reportagens realizadas, através de um contador de adesões.

Algumas serão em texto, outras em mini-docs e, eventualmente, chegaremos aos documentários.

Como o processo é complexo, vamos começar devagar, mas um dos objetivos finais é permitir que leitores sugiram ou façam suas próprias pautas, com o auxílio de profissionais experientes.

Seria o embrião para estabelecer no Brasil uma rede de correspondentes comprometidos com o interesse público, no modelo da GRNlive.

Plínio Corrêa de Oliveira preside solenidade da TFP ladeado pelas imagens da mãe e de Nossa Senhora
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Plínio Corrêa de Oliveira em uma marcha golpista da TFP
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As procissões da Tradição, Família e Propriedade estão narradas no célebre romance Quando Alegre Partiste - Melodrama de um delirante golpe militar de Moacir Japiassu
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O mensalinho mineiro matou a modelo Cristiana Ferreira?

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No dia 20 de julho o Contexto Livre indagava:

E quando vai ser julgado o mensalão tucano

(…) rebatizado pela grande imprensa de “mensalão mineiro”, que é bem mais antigo e vem se arrastando desde 1998?
O “mensalão tucano” foi simplesmente escondido pela mídia reunida no Instituto Millenium, que não quer nem ouvir falar no assunto. Quem quiser saber a quantas anda o processo que dormita no Supremo Tribunal Federal precisa acessar aquilo que o tucano José Serra chama de “blogs sujos”.
Sob o título “Mensalão tucano e silêncio da mídia”, o blog de Altamiro Borges tratou do asunto:
“Finalmente o Supremo Tribunal Federal decidiu incluir na pauta o debate sobre o “mensalão tucano”, o esquema utilizado patra alimentar a campanha pela reeleição do governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em 1998. A mídia, porém, não deu qualquer destaque ao assunto. Algumas notinhas informaram apenas que o “mensalão mineiro” também será julgado em breve (…) a imprensa demotucana evita, por razões óbvias, falar em mensalão tucano”.
Quer dizer, 14 anos depois, o STF decidiu colocar na pauta e vai começar a debater o “mensalão tucano”. Nem se pensa ainda em marcar uma data para o julgamento, ao contrário do que aconteceu com o “mensalão do PT”, que virou um caso de vida ou morte para a mídia e precisa porque precisa ser julgado – e todo mundo condenado – antes das eleições de outubro. Altamiro explica:
“O caso é bastante emblemático. Ele serve para comprovar a seletividade da chamada grande imprensa. O escândalo surgiu bem antes das denúncias contra o PT. A própria Procuradoria-Geral da República, ao encaminhar o caso ao STF, em novembro de 2007, afirmou que o esquema foi “a origem e o laboratório” do mensalão do PT. Ele teria sido armado pelo mesmo publicitário Marcos Valério, que montou o famoso “valerioduto” para financiar campanhas eleitorais com recursos públicos e doações de empresas privadas”.
Muitos anos antes, em 2 de outubro de 2007, meu velho amigo Carlos Brickmann, jornalista dos bons que pode ser acusado de tudo, menos de ser petista, já tinha tocado no mesmo assunto em sua coluna “Circo da Notícia”, publicada no Observatório da Imprensa. Sob o título “Quando a polícia abre o baú da imprensa”, Brickmann escreveu:
“Que o mensalão começou em Minas Gerais, até os fios de cabelo de Marcos Valério sabiam. A primeira investida do esquema beneficiou o governador tucano Eduardo Azeredo, candidato à reeleição (perdeu para Itamar Franco). A imprensa até que deu a notícia, embora discretamente. E esqueceu o assunto”.
(…) “Pois é: há asuntos que entram na moda, há assuntos que não há força humana capaz de colocá-los na mídia. Tudo bem, vai ver que o mundo é assim. Mas precisava transformar o mensalão tucano, na imprensa, em mensalão mineiro?”
O Blog do Mello resgatou trecho de uma entrevista com Eduardo Azeredo publicada pela “Folha” em 2007 na qual podem estar os motivos para esta preferência da mídia tratar furiosamente do  “mensalão do PT” e deixar de lado o chamado “mensalão mineiro”:
Folha – A Polícia Federal diz que houve caixa dois na sua campanha…
Eduardo Azeredo – Tivemos problemas na prestação de contas da campanha, que não era só minha, mas de partidos coligados, que envolvia outros cargos, até mesmo de presidente da República.
Folha – O dinheiro da sua campanha financiou a de FHC em Minas?
Azeredo – Sim, parte dos custos foram bancados pela minha campanha. Fernando Henrique não foi a Minas na campanha por causa do Itamar Franco, que era meu adversário, mas tinha comitês bancados pela minha campanha.
Fundador do PSDB e presidente do partido quando o escândalo estourou, Eduardo Azeredo conseguiu desta forma o apoio irrestrito dos tucanos de bico grande que cuidaram de tirar o assunto da mídia.
A acusação central de que o PT usou dinheiro público para comprar o voto de parlamentares no Congresso foi derrubada pelo Tribunal de Contas da União, como informou Marta Salomon, em nota publicada no portal Estadão.com:
“O Tribunal de Contas da União considerou regular o contrato milionário da empresa de publicidade DNA, de Marcos Valério Fernandes de Souza, com o Banco do Brasil. O contrato é uma das bases da acusação da Procuradoria-Geral da República contra o empresário mineiro no julgamento do mensalão, marcado para agosto”. Mais adiante, a matéria lembra:
“De acordo com a Procuradoria-Geral da República, contratos das agências de publicidade de Marcos Valério com os orgãos públicos e estatais serviam de garantia e fonte de recursos para financiar o esquema de pagamentos a políticos aliados do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.
Se e quando o STF finalmente marcar o julgamento do “mensalão tucano”, vamos ver o que Eduardo Azeredo terá a dizer e se a imprensa vai lembrar do que ele falou nesta entrevista de 2007.
Podem até querer esquecer esta história, mas o Google lembra. Está tudo lá. Escreveu
A pergunta continua sem resposta:

E quando vai ser julgado o mensalão tucano?

Vai ser julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, depois do julgamento da Chacina de Unaí, também envolvendo tucanos.

O julgamento do Mensalão tucano, também chamado de mensalinho, tag que uso para lembrar o decidido pela imprensa marrom e o STF. Repetindo: o caixa dois da campanha eleitoral do PT é Mensalão (para o STF foi para comprar votos de deputados na Câmara Federal); do PSDB, mensalinho.

Por falar em compra de votos no Congresso, a maior escândalo que se conhece foi a da mudança da Constituição, para criar a reeleição do presidente da República, que terminou sendo uma lei para também reeleger prefeitos e governadores. Isto é, veja, para reeleger Fernando Henrique na época.

Acontece que o mensalinho tucano também tem dinheiro manchado de sangue.  Veja o vídeo  (leia os comentários)

Vários versões foram divulgadas sobre o assassinato da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada por envenenamento seguido de estrangulamento em um flat da capital mineira, em agosto de 2000.

Filha de um funcionário aposentado da Companhia Energética de Minas Gerais, (Cemig), Cristiana, de 24 anos, tinha ligações com diversos políticos mineiros. No inquérito policial sobre o crime, é descrita como garota de programa, mas os investigadores desconfiam que sua principal ocupação fosse entregar malas de dinheiro do valerioduto mineiro. Na lista assinada por Souza, ela aparece como beneficiária de 1,8 milhão de reais, com a seguinte ressalva: “Via Carlos Eloy/Mares Guia”.

Carlos Eloy, ex-presidente da Cemig entre 1991 e 1998, foi um dos coordenadores da campanha de reeleição de Azeredo. É um dos principais envolvidos no esquema e, segundo Miraglia, pode estar por trás do assassinato de Cristiana Ferreira. “Não tenho dúvida de que foi queima de arquivo”, acusa o advogado.

MARES GUIA, AMANTE DA MODELO

Mares Guia foi ministro do Turismo no primeiro governo Lula e coordenou a fracassada campanha à reeleição de Azeredo. Apontado como ex-amante da modelo, o ex-ministro chegou a ser arrolado como testemunha no julgamento de Cristina, em 2009, mas não compareceu por estar em viagem aos Estados Unidos. Na ocasião, o detetive particular Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho foi condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato. Leia mais, conheça os nomes do executivo, do judiciário e do legislativa que aparecem na lista.

QUEM MATOU A MUSA DO MENSALINHO? 

Para desvendar o mistério é preciso saber o que motivou o crime:

1. Queima de arquivo

2. Ciúme de alguma esposa de importante figuraço da política mineira

3. Latrocínio

4. Crime passional

5. Punição por desviar 1 milhão e 800 mil reais

Não entendo muito dos namoros de hoje, mas garota de programa não tem namorado ou noivo. Tem cafetão. Clique para ler os comentários.

Morreu com 1 milhão e 800 mil reais na bolsa. Dinheiro que pegou sumiço.

Existe também a versão que era, também, agenciadora de adolescentes da sociedade mineira para a nata do poder.

Tem garota que o pai é uma fera. E nunca vi campanha política sem sexo. Legiões de moças bonitas são contratadas para trabalhar nos comitês, sempre inaugurados com rega-bofes, e outras bocas, inclusive de urma.

No mais, muita agente esquece que Marcos Valério era apenas um laranja. Herdou as duas agências que articularam o Mensalão e o mensalinho. Uma das agências era de um sobrinho de José de Alencar. Outra do vice-governador de Minas Gerais.

Agências secretas existem em quase todos os estados, para receber a publicidade dos governos estaduais e prefeituras. Acontece o mesmo com os meios de comunicação de massa. Os marqueteiros políticos também possuem agências com nomes desconhecidos no mercado publicitário. São agências motéis que mudam de nome em cada campanha eleitoral. As prostitutas nunca dão o nome verdadeiro.

Nas listas de uma campanha, várias pessoas citadas jamais receberam dinheiro. A rubrica indica que foi pago o aluguel de um avião, a hospedagem em um cinco estrelas, o cachê de uma acompanhante…

Acontece assim nos casos de morte encomendada: Ao pistoleiro entregam uma foto: ‘O cara é este’.

Para a pistoleira: ‘Taí o retrato. Se você dormir com o homem tem um  bônus. Ele tem que acreditar que é amor a primeira vista’.

Por que a justiça protege o assassino da modelo Cristiane Ferreira?

Reinaldo Pacífico, em 2000, quando Cristiane Ferreira foi assassinada
Reinaldo Pacífico, em 2000, quando Cristiane Ferreira foi assassinada

Novo Jornal

[Oito ano depois do crime] o teólogo e detetive particular Reynaldo Pacífico, acusado de matar a modelo Cristiane Aparecida Ferreira, nas dependências do San Francisco Flat, no centro de Belo Horizonte, foi condenado a 14 anos de reclusão em regime fechado e jamais foi detido.

Na época, o crime ganhou repercussão nacional por envolver o nome de vários políticos de projeção, entre eles o ex-governador Itamar Franco, o ex-secretário da Casa Civil, Henrique Hargreves, o ex-governador Newton Cardoso, o ex-ministro do Turismo do primeiro governo do presidente Lula, Walfrido dos Mares Guia e o presidente da Companhia Energética de Minas Gerais, Djalma Moraes.

Durante o júri popular foram citados para comparecer e depor o ex-governador Newton Cardoso e o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. Newton Cardoso compareceu e depôs, dizendo-se isento de qualquer responsabilidade com o crime, tese que foi aceita. O ex-ministro Walfrido dos Mares Guia não compareceu perante o juiz singular, e em sua defesa alegou uma viagem inadiável a Miami.

Na acusação funcionou o promotor Francisco Santiago que denunciou entre outros fatores as investigações somente terem começado com quatro meses de retardo, segundo ele, por “determinação do Palácio da Liberdade” onde a moça tinha livre acesso, além de descaracterizações do cenário do crime. Francisco Santiago conseguiu desmontar a versão de suicídio e condenar Reynaldo Pacífico a 14 anos de reclusão em regime fechado, o que nunca foi cumprido.

No auge da divulgação pela mídia, surgiram as versões de que Aristides Junqueira teria pressionado o MPMG a não ouvir Walfrido dos Mares Guia, conforme estava previsto, sem que nenhuma autoridade tivesse se manifestado.  A modelo Cristiane Aparecida Ferreira, além de envolvimento sexual com os políticos, teria se transformado também em agenciadora de garotas de programas e “mula” para o transporte de dinheiro proveniente do “mensalão”.

Após o júri, um de seus parentes, cujo nome ele pediu para ser mantido em sigilo, revelou que no dia em que ela foi morta ele recebeu um telefonema dela, dado de São Paulo, pedindo para ir se encontrar com ela que estava de posse de uma mala com um milhão de reais. Ele viajou a São Paulo, houve um desencontro, Cristiane veio para Belo Horizonte e acabou sendo morta.

Reviravolta

Agora novo documento mostra que Cristiane Aparecida Ferreira teria recebido quase R$ 2 milhões de políticos e empresários ligados ao mensalão, levantando ainda mais a hipótese de que ela estaria associada ao caso e de que o assassinato pode estar relacionado ao esquema. O documento teria sido entregue a família de Cristiane e deve ser investigado.

Foi em agosto de 2005 que a ligação da morte da modelo com o escândalo do mensalão veio a tona, após uma agenda com o telefone e o endereço de uma das agências de propaganda do empresário Marcos Valério Souza ser apreendida. Cristiane Aparecida foi encontrada morta em 6 de agosto de 2000, em um flat de luxo em Belo Horizonte, após ser asfixiada. A morte dela ganhou repercussão nacional após policiais encontrarem anotações com contatos de várias autoridades do governo de Minas Gerais à época.

Mensalão Tucano, Duda Mendonça e Cristiane Ferreira

por Ramiro Guedes

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Mônica Bergamo publicou na Folha de São Paulo uma reportagem escárnio sobre o réveillon de Duda Mendonça, família e amigos, na luxuosa propriedade (1 milhão de metros2) do publicitário, onde o banho de champanha da meia-noite foi com Moet Chandon. Uma festa nababesca. Moniquinha nem insinua isso, mas o fim da reportagem foi ligar Duda ao PT de maneira negativa, mostrando como vivem os nababos que receberam grana do mensalão. Duda teria recebido a remuneração da campanha de Lula, da qual ele foi marqueteiro, em recursos de empréstimos fajutos feitos pelo PT, além de boa parte ter sido depositada em contas no exterior. A reportagem zomba do povo brasileiro, no sentido em que mostra pessoas se exibindo em gastos principescos, enquanto a maioria da população se aperta para ter um simples peru de Natal e outros para ter ao menos uma cuia de farinha para molhar e comer. O que não se pode esquecer é que Duda ganhou o dinheiro trabalhando em campanhas vitoriosas (quer dizer: o povo gostou de suas mensagens, inclusive nas campanhas de Maluf) e, mais que isso, ganhou esse dinheiro honestamente (o STF absolveu Duda no mensalão das acusações que eram feitas a ele). O espetáculo da gastança mostrada por D. Mônica, com o fim que ela mostrou, é mais uma vergonha do nosso jornalismo oportunista. Muitos outros barões tiveram reveillons assim, por que mostrar apenas o que serve para condenar o PT?

Depois falam que a gente inventa.

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CRISTIANE FERREIRA

Quem viver verá: a turma do mensalão tucano vai ter que suar frio para explicar a morte da modelo Cristiane Ferreira, que morreu envenenada, assassinada ainda não se sabe a mando de quem. Cristiane era suspeita de carregar malotes de dinheiro para parlamentares e demais envolvidos no mensalão dos tucanos.

Suspeita de típica queima de arquivo.

Cristiana Ferreira
Cristiane Ferreira