“Só policiais e favelados morrem na guerra das drogas”

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Presidida pela juíza aposentada Maria Lucia Karam, a Leap Brasil (Agentes da Lei contra a Proibição) defende ainda a regulação da produção de drogas pelo Estado como forma de combate ao narcotráfico e para reduzir a violência.
Em entrevista ao jornal O Dia, do Rio de Janeiro, o delegado titular da 18ª DP e diretor da Liga, Orlando Zaccone diz que há “hipocrisia” no trato do tema: “Só policiais e favelados morrem nessa guerra”.
A missão da LEAP é reduzir os inúmeros e danosos efeitos colaterais resultantes da guerra às drogas e diminuir a incidência de mortes, doenças, crimes e dependência, pondo fim à proibição das drogas.
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OS OBJETIVOS DA LEAP SÃO:
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1. Informar o público, a mídia e os políticos sobre a falência da atual política de drogas, mostrando-lhes um retrato verdadeiro da história, das causas e dos efeitos do abuso de drogas e dos crimes provocados pela proibição;2. Restaurar o respeito público aos integrantes das forças policiais, que tem se reduzido consideravelmente por seu envolvimento na imposição da proibição das drogas.A principal estratégia da LEAP para cumprir esses objetivos consiste na criação de um crescente quadro de porta-vozes, composto por ex-combatentes da guerra às drogas bem informados e articulados, que descrevam o impacto das atuais políticas de drogas sobre: as relações polícia/comunidade; a segurança de policiais e suspeitos; a corrupção policial e outros desvios de conduta; e os custos financeiros e humanos decorrentes das atuais políticas de drogas.

“PACIFICAÇÃO” DAS FAVELAS
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A pacificação nas favelas constitui um tapume. Idem os muros dos guetos. Visam esconder uma guerra das milícias pelo faturamento da economia subterrânea, dos currais eleitorais da bancada da bala na Assembléia Legislativa e Câmara Municipal, a grilagem de terras, a especulação imobiliária.
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Os invisíveis bandidos de colarinho branco não residem nas favelas, e sim em condomínios de luxo. Para encontrá-los tem que seguir a pista do dinheiro também invisível.
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Veja (vídeo) depoimento da juíza  Maria Lucia Karam: temos 500 mil pessoas encarceradas pela guerra das drogas.
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Brasil. Tráfico de animais rende três vezes mais que o de drogas

O MAIS RENDOSO NEGÓCIO DO CRIME ORGANIZADO DE COLARINHO BRANCO
O MAIS RENDOSO NEGÓCIO DO CRIME ORGANIZADO DE COLARINHO BRANCO

Um relatório divulgado pela organização internacional WWF conclui que o comércio ilegal de animais selvagens representa cerca de US$ 19 bilhões anuais (cerca de R$ 39 bilhões), fortalece as redes criminosas, compromete a segurança nacional e tem riscos para a saúde. Para a ONU é muito mais: Está avaliado entre US$ 25 bilhões a US$ 30 bilhões ao ano.

O  estudo da WYF realça que este comércio ilegal leva “muitas espécies já ameaçadas à extinção”.

De acordo com o relatório “Luta contra o tráfico ilícito da vida selvagem: uma consulta com os governos”, apresentado esta semana num encontro de embaixadores das Nações Unidas, em Nova Iorque, e hoje divulgado pela WWF, o comércio ilegal de animais selvagens ocupa o quarto lugar nas transações ilegais, depois da contrafação, da falsificação e do tráfico de seres humano.

Os lucros obtidos com o tráfico dos animais selvagens, no Brasil, desaparecem no ar. E são superiores ao de drogas, que rendem  R$ 1,4 bilhão por ano. Os de animais silvestres chegam a, aproximadamente, US$ 2 bilhões (R$ 4 bilhões). Esta é uma estimativa da Renctas (Rede Nacional de Combate ao Tráficos de Animais Silvestres). Considero pouco.

O Brasil, maior país da América Latina, com uma área de 8,5 milhões de km², é considerado a maior biodiversidade do planeta.

Possui 530 espécies de mamíferos, 1800 espécies de aves, 680 de répteis, 800 de anfíbios e 3000 espécies de peixes.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, 627 espécies estão sob risco de extinção, o triplo de 15 anos atrás.

Escrevem Wagner de Cerqueira e Francisco Graduado:

Crime. Quem combate lambaris não pega tubarão

Por que o crime está vencendo a polícia

por Luiz Flávio Gomes

 

O governo do Estado de São Paulo fez uma aposta: enfrentar o crime organizado por meio do combate violento conduzido pela Rota. O tiro saiu pela culatra, visto que 63% dos paulistanos reprova a política de segurança adotada (Datafolha). E o governador perdeu 11 pontos em sua avaliação ótimo/bom, na passagem de setembro para outubro deste ano (de 40% caiu para 29%).

São Paulo não está sabendo distinguir o crime organizado das organizações criminosas ostensivas, que atuam em nome do primeiro (a distinção é bem feita por Ricardo Balestreri). O crime organizado – diz o autor citado – não se confunde com as organizações criminosas ostensivas que atuam nas ruas, nas estradas e nas favelas, por meio de milhares de “soldados”.

O crime organizado é camuflado, clandestino, pouco ou nada visível; as organizações criminosas são ostensivas, servis, fragmentos operativos dos interesses daquele. As organizações criminosas são poderosas e normalmente violentas, ou seja, precisam ser combatidas (não há dúvida sobre isso), mas é necessário ter consciência que esse combate está sendo feito ao varejo, não ao atacado (não à inteligência do grupo). Enquanto se ataca somente o grupo ostensivo, o crime organizado nunca termina. Atacar os criminosos do Paraisópolis (SP) não significa atingir o crime organizado, que não reside aí.

Combater a filial não significa atacar a matriz. Guerrear com os lambaris não significa que serão alcançados os tubarões. As organizações criminosas são as longa manus dos verdadeiros crimes organizados, cujos integrantes raramente aparecem. Claro que devem ser investigadas e punidas, mas nunca se pode perder de vista que elas são apenas a linha de frente. Que o escritório (e a cabeça) de tudo está por trás. O colarinho branco não frequenta as favelas.

Aliás, o crime organizado não habita as favelas, não transporta drogas, não vai para dentro dos presídios (normalmente). Do crime organizado faz parte a elite, que quase nunca aparece. É ela que lava o dinheiro sujo, que faz negócios com os bancos “lavadores” (HSBC e Bank of America, recentemente flagrados), que abre contas internacionais, que gerencia os narcodólares, que se relaciona com os paraísos fiscais. É ela que abre também negócios lícitos, fazendo a mesclagem (lavagem) dos dinheiros (limpo e sujo), por meio do processo chamado mimetização.

O crime organizado é transversal, não paralelo, ou seja, ele atravessa os poderes constituídos, por meio da corrupção, tendo poder econômico para comprar políticos, policiais, juízes, fiscais, ministros etc. As organizações criminosas, distintamente, são prioritariamente paralelas, porque se colocam à margem do poder central (do comando). São mais operacionais que dominiais, ou seja, não possuem o domínio do fato, apenas operam, dentro dos territórios e da área delimitados.

Sua transversalidade é pequena, geralmente com policiais (que passam a fazer parte da organização ou dos benefícios dela). O crime organizado é difícil de ser combatido porque ele frequenta a cozinha do governante, o gabinete dos parlamentares, as salas dos ministérios, as representações da presidência da república etc.

As organizações criminosas ficam sempre encarregadas do “serviço” sujo, sanguinário, arrecadatório (arriscado). Por trás de tudo está o crime organizado. Que age em função do lucro, logo, normalmente com astúcia. Mas que conta, ademais, com enorme poder de fogo (e de ameaça), suficiente para intimidar quem apareça em sua frente.

O crime organizado tem alto poder de infiltração nas mais elevadas instituições públicas e privadas. Seu escopo é o lucro. Não existe crime organizado para fins benemerentes. Rapinar o dinheiro alheio, sobretudo o dinheiro público, é o esporte predileto do crime organizado, que é o que mais financia as campanhas dos políticos. Normalmente não aparece, tendo gente que executa para ele as atividades arriscadas e ostensivas. O crime organizado é o agente de trás.

Quando a polícia invade as favelas, promovendo espetáculos hollywoodianos, operações de “saturação” etc., está atrás das organizações criminosas, não do crime organizado. Muitos policiais acham que estão buscando o crime organizado (nessas operações). Nada mais equivocado. O criminoso organizado não está nas favelas.

Se compararmos as operações inteligentes da polícia federal com as operações pedestres das polícias estaduais (normalmente militares) vemos nitidamente a diferença. A polícia federal vai sempre atrás do crime organizado, que frequenta ministérios, parlamentos, gabinetes da presidência, palácios, grandes construtoras etc. A polícia estadual só consegue atacar, no máximo, as organizações criminosas filiais (os lambaris). Que não são desprezíveis (se sabe).

A polícia federal não fica “pedalando” portas em favelas, tiroteando. Não se trata de uma polícia sanguinária, nisso se distinguindo com clareza das demais polícias. Nas favelas e ruas das cidades não está o crime organizado, sim, as organizações criminosas. O crime organizado está oculto: sua forma de investigação e combate, portanto, é bem diferenciada.

Precisamos de muitas polícias federais para debelar o crime organizado. Enquanto isso não acontece, a população e a mídia vão se divertindo (ou se intimidando) com as operações de guerra pedestres contra as organizações criminosas ostensivas. O crime organizado está agradecido, enquanto não é devidamente investigado (com inteligência, neurônios e muita tecnologia de ponta).

 BRA_porto alegre onda de crime

 

Todo prefeito ladrão comanda uma quadrilha de vereadores

Verbas federais somem ao chegar a prefeituras, diz MPF

Somem. Neologismo para roubalheira, ladroagem, corrupção, enriquecimento ilícito, tráfico de moedas e safadezas mil.

Somem. Porque falta justiça.
Somem. Porque os governos estaduais e federal não fiscalizam.
Somem. Porque ninguém prende ladrão de colarinho (de) branco.

Somem as verbas. Os ladrões continuam com as chaves dos cofres e as senhas das contas bancárias das prefeituras.

Somem. Porque existe a cumplicidade das câmaras municipais.

Cidade com prefeito ladrão. Cidade com uma maioria de vereadores safados, vendidos, quadrilheiros, porcalhões, sebosos, parasitas, bandidos, traidores do povo e cabos eleitorais do crime pra lá de organizado nos palácios das capitais.