Terrorismo policial: Gás de pimenta é refresco nos olhos dos estudantes e professores. As chacinas dos finais de semana

estudantes polícia indignados

Os crimes de guerra e contra a humanidade se tornaram uma “realidade cotidiana” no território sírio, denunciou nesta terça-feira a comissão de investigação da ONU. Pelo uso de armas químicas e da tortura. E repetição dos massacres.

O gás lacrimogêno é sim arma química. Comprovadamente letal.

Massacres, no Brasil, temos todo final de semana. Tortura nunca faltou. O País trava uma guerra interna.

A repressão policial funciona apenas contra estudantes, militantes de movimentos sociais, sendo famosa a costumeira apatia do povo. Que não protesta. Que suporta calado a fome, a sede – uma vivência de bicho nos lamaçais das favelas. Idem contra professores grevistas.

Para enfrentar a guerra interna do crime, o governo legal – há uma confusão e mistura do que seja polícia, milícia, empresa de segurança e fogo paramilitar – não sabe enfrentar o governo paralelo, cujo mando continua invisível.

Na guerra interna, apenas são presos os soldados rasos, os descamisados, os pés-rapados. E o dinheiro dos capos do tráfico em geral e dos bandidos de colarinho branco continua invisível.

políicia gás

AS LÁGRIMAS DO POVO 

Gás lacrimogêneo (do latim lacrima = lágrima) é um nome genérico dado a vários tipos de substâncias irritantes da pele, olhos (pode causar cegueira temporária) e vias respiratórias, tais como o brometo de benzilo, ou o gás CS (o-clorobenzilideno malononitrilo). O uso crescente do gás lacrimogêneo, pela polícia e exército, como arma de “controle de multidões” deveu-se ao fato de, supostamente, ser capaz de dispersar multidões sem causar efeitos letais (mortes). Os primeiros estudos clínicos mostravam que o gás causava irritação e mal-estar e em concentração CONTROLADA era incapaz de deixar marcas ou causar óbitos. Por isso era chamado de arma “não letal”. Porém, notadamente em crianças, o efeito pode ser consideravelmente perigoso.

Gases lacrimogênios populares são os irritantes oculares CS, CN e CR, e o irritante respiratório aerosol de pimenta.

As espécies de gases lacrimogêneos são: o gás CS, o gás CN (chloroacetophenone), gás CR (dibenzoxazepine) e o Spray de pimenta.

gás explosivo

FÓRMULAS DE GÁS LACRIMOGÊNEO

A forma mais comum de gás lacrimogêneo, o CS (chlorobenzylidenemalononitrile), foi desenvolvido nos anos 50, na Inglaterra, pelo laboratório CBW (no polêmico centro de pesquisas de armas químicas de Porton Down). Depois, nos anos 60, foi utilizado em larga escala pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnam.

Suas fórmulas variam. Podem ser, por exemplo, cloro-acetona (CH3–CO–CH2–Cl), bromo-acetona (CH3–CO–CH2–Br) ou acroleína (CH2=CH–COH). O CS é mais forte que o CN, porém desvanece mais rápido.

 

índios

UTILIZAÇÃO CONTRA O POVO DESARMADO

Estes produtos químicos podem produzir rapidamente irritação ou incapacitação sensorial, que desaparecem após cessar a exposição. Também podem ser utilizados em guerra química, ainda que seu uso em guerra é uma violação da Convenção Sobre Armas Químicas. Informa Wikipedia.

Que ironia: em guerra tipo Síria, proibido. Para dispersar jovens estudantes, totalmente permitido.

Estes gases podem ser dispersos por meio de sprays (aerosol) de mão por meio de recipientes que emitem gás a um ritmo fixo ou de forma explosiva. Tais recipientes são tanto construídos na forma de granadas de mão como projéteis a serem lançados tanto de armas adequadas portáteis como fixas em veículos ou mesmo por morteiros. Podem ainda ser construídas conjuntamente com bombas de efeito moral, liberando o gás conjuntamente com explosão de ruído extremamente intenso.

 

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OS EFEITOS NOCIVOS QUE A POLÍCIA NEGA

Os efeitos da exposição ao gás lacrimogêneo são reações involuntárias de lacrimação com uma forte sensação de queimadura nas terminações nervosas da pele. Coceiras, inflamações, dor de cabeça, leve vertigem, sensação de insuficiência respiratória são os efeitos mais comuns. Isso tem nome: tortura física.

Atualmente, os gases lacrimogêneos, bem como os sprays de pimenta são legalizados em alguns países, sendo valido como arma apenas para auto-defesa, porém tais “armas” – disponíveis em portáteis como latas de spray – necessitam de licença e treinamento para seu porte e uso (restrito). Acontece o mesmo para o porte de armas de fogo. Por que a precaução, quando usadas por civis?

Edema causado por exposição a gás lacrimogêneo
Edema causado por exposição a gás lacrimogêneo

Informa CMI: Até hoje, muitos poucos estudos médicos independentes foram realizados e as fontes da maior parte dos dados clínicos disponíveis são justamente das empresas que fabricam a substância. Segundo estudo feito por uma equipe de especialistas e publicado no periódico da Associação Médica Americana em 1989, a inalação de gás lacrimogêneo (na sua forma mais difundida, CS) pode causar pneumonia química e edemas pulmonares fatais. Em situações analisadas de grande exposição ao gás, foram notadas também paradas cardíacas e há casos registrados de morte entre adultos. Segundo um dos autores do estudo, Dr. Howard Hu, epidemologista da Universidade de Harvard, “a extensão dos efeitos nocivos desses químicos é ainda desconhecida, pois não existem estudos rigorosos independentes sobre populações afetadas”.

Essas evidências têm levado os fabricantes a chamar essas armas de “menos letais”, ao invés de “não letais”. Relatos de mortes relacionadas a gás lacrimogêneo têm aumentado nos últimos anos. Em 1996, 76 pessoas morreram, entre elas 25 crianças, depois que o FBI bombardeou com gás lacrimogêneo uma casa da seita dos davidianos em Waco, nos Estados Unidos. Dados da Anistia Internacional, de 1988, mostram que médicos em Israel citaram o gás lacrimogêneo como causa ou fator relevante na morte de mais de 40 palestinos nos territórios ocupados. E dados recentes de autoridades médicas palestinas estimam que do total de mortes em conflitos com forças israelenses, pelo menos 1,4% são causadas por gás lacrimogêneo.

Desde 1969, o uso de gás lacrimogêneo em guerras é condenado pelo Protocolo de Genebra, mas o uso “doméstico” não é recriminado. No debate ocorrido na Assembléia Geral da ONU, à época, destacou-se a posição da Embaixadora da Suécia que enfatizou que embora o uso militar do gás fosse condenável o mesmo não podia ser dito de seu uso para o “controle de tumultos” – assim “como não se pode confundir o uso de pesticidas na guerra e seu uso na agricultura”. O Brasil aderiu ao tratado em 1970.

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Brecha? Tem lugares com rombo
Brecha? Tem lugares com rombo

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Violencia, delito y miedo

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por NICOLÁS ARIEL HERRERA

Cuando los medios de comunicación repiten una y otra vez los hechos de sangre de la jornada, ocurren dos cosas: el público consume con morbosidad el dolor ajeno y, al mismo tiempo se repliega, refugiándose en su intimidad, alegrándose de no ser la víctima elegida. Pero el miedo irá ganando terreno. Miedo a la calle, miedo a la noche, miedo a “los extraños”. Cierto: los medios de comunicación no mienten ni inventan. Simplemente seleccionan los crímenes más horrendos para ocupar los espacios de mayor preferencia porque saben que ellos constituyen el material que tendrá los mejores niveles de público. Ahora bien, ¿es más violento este mundo del 2013? Claro que lo es. Nuestra civilización no ha logrado abatir, y más bien ha profundizado, las diferencias (económicas, sociales, culturales) entre los hombres y los pueblos.

Nuestra sociedad ya no consigue que los más desgraciados cooperen en el mantenimiento del estatus de convivencia, mientras se les niega el acceso a niveles de vida y de consumo que ofrece a otros. Entre los más humildes ya no existen familias integradas como barreras contra la transgresión. Porque además no hay confianza en la justicia, en la policía, en los políticos, en los militares, pero tampoco en los médicos, en los maestros, y, en fin, porque han ido desapareciendo todos los referentes que hacían creíble un mundo injusto y violento. También porque la naturaleza humana es violenta (Hobbes, 1588-1679). Tampoco las religiones ganan adeptos. Y los pierden las ideologías. Claro que todo eso no se traduce en que la sociedad uruguaya viva en un caos de violencia delictiva. Si se midiera el índice de seguridad de este país según la tasa de homicidios cada 100.000 habitantes, Uruguay tendría un 8, Honduras 82, Colombia 33, Brasil 22, Argentina 5.5 y Chile 3.7 (Latinobarómetro, 2012, Seguridad Ciudadana).

El informe dice que hay un abismo entre lo que el ciudadano piensa de la seguridad, o su miedo a ser víctima de un delito, comparado a los datos brutos de los delitos realmente denunciados. A esa situación de temor ante la inseguridad el informe le llama “clima de opinión”. Habría una “incongruencia entre lo subjetivo y lo objetivo”, esto es entre lo que siente la gente y las cifras de los delitos. “El clima” de temor e inseguridad adquiere tal peso en las actitudes de la población que llega a ser una realidad autónoma, independiente de los niveles delictivos. La preocupación en América Latina (el continente más violento del planeta) por la Seguridad ciudadana es tal que el 62% de la población de Venezuela opinó que es el problema más importante del país, igual a como lo entendió el 50% en Costa Rica, el 42% en México y el 35% en Argentina.

Pese a que Costa Rica y Argentina están en los primeros puestos entre los países “seguros”. El informe de Latinobarómetro advierte que una cosa es el “crimen organizado”, donde figura la ruta del narcotráfico, como Centroamérica, otra muy diferente los tipos delictivos derivados de la “violencia doméstica”, y otra los llamados “delitos comunes”, como los homicidios derivados de riñas, robos o rapiñas. Lo cierto es que se vive con miedo y pueblos convencidos que el delito está aumentando todos los días. Hay explicaciones tentativas. Una, que la gente compara el mundo contemporáneo, y en nuestro caso el Uruguay contemporáneo, con el Uruguay de hace 30 o 40 años y añora los tiempos en que “no se cerraba con llave la puerta de calle”. Otra, es que vivimos en sociedades donde el “cambio” se ha dado con demasiada rapidez y muchos no logran adaptarse, (menos todavía poblaciones envejecidas). O que al haberse superado (en América Latina) los problemas más urgentes (desempleo, poder adquisitivo, salud, educación), la atención recae en la seguridad personal y en lo que ocurre en los espacios públicos. Así es que el 39% de los argentinos dice haber sido víctima (o un familiar) de delito, aunque tiene una tasa de 5.5, (de homicidios) y también un 29% de los chilenos, con una tasa del 3.7.

No es que mientan. Lo “sienten” así. En Uruguay este “clima de opinión” negativa es reciente. “Es el país en el cual hay más percepción de que se cumple con la ley (54%)”, dice el informe, pero sin embargo “una baja percepción de seguridad ciudadana (15%)”. Claro que la violencia en Uruguay no es solo su tasa de homicidios de 8 cada 100.000. No preocupa tanto y no provoca miedo los muertos por accidentes de tránsito (14.8) y el récord de muertes por suicidios (16.7), de los mayores de Latinoamérica, que doblan a los homicidios y cuyas víctimas siempre son los jóvenes.

Ninguém é responsabilizado pelas mortes anunciadas nos dias de chuva

Por Helio Fernandes

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A CRIMINOSA REPETIÇÃO DAS CALAMIDADES

A palavra certa para identificar as tragédias provocadas pelas chuvas é exatamente esta: criminosa. Só que alguém deveria responder por esses crimes que se repetem no estado do Rio e em São Paulo. É tudo igual ao ano anterior, dramas que só fazem aumentar.

A partir da Baixada, até Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, não há melhoria alguma. Ao contrário, aumenta o número de mortos, desta vez já são quase [mais de 50 em Petrópolis]

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PS – O prefeito de Duque de Caxias, em vez de socorro, recorre à semântica: “Existem DESABRIGADOS e DESALOJADOS”.

(O título é do editor do blogue)

Honestidade

por Moacir Japiassu

 

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Saiu em tudo quanto é canto que o tal do Cyonil Borges, que dedurou os amigos apanhados na Operação Porto Seguro, “está desencantado com a inclusão do seu nome entre os acusados de corrupção passiva”. Disse o elemento:

“Eu poderia ser o novo herói do Brasil se mentisse. Mas fui honesto demais e contei toda a história, com os erros que cometi. Vou virar réu por ter sido honesto”.

Janistraquis garante que Cyonil não se ferrou porque é honesto; Cyonil se ferrou porque é burro:

“Não é possível que uma pessoa, qualquer uma, ainda não tenha sequer desconfiado de que no Brasil honestidade é crime tão nojento quanto a pedofilia.”

 

 

Paraísos fiscais, lavagem de dinheiro e drogas no “novo mundo” da América

por Alejandro L. Perdomo Aguilera

 

De acordo com as cifras do FMI e da ONU, são lavados anualmente mais de 600 bilhões de dólares arrecadados pelo crime organizado em todo o mundo e esta operação ocorre sob a anuência do sistema bancário legal.

Em um contexto abundante de bolhas financeiras, onde o tráfico ilícito de drogas e outros delitos conexos consolidam as alianças entre o empresariado e setores da “alta” política para branquear os lucros e a evasão de altos impostos.

Digamos que quando se segue a rota do dinheiro, se pode perceber o ponto de encontro entre os interesses dos narcotraficantes, do empresariado transnacional e dos altos funcionários políticos latino-americanos e estadunidenses na lavagem de dinheiro e na evasão de impostos; para o qual utiliza habilmente os paraísos fiscais da região e, também, do território dos EUA.

Os paraísos fiscais não são necessariamente ilegais, apesar de que em muitos casos sejam relacionados com a lavagem de dinheiro, a fuga de capitais ou a evasão de impostos; certamente podem-se obter vantagens sem cometer nenhum delito, embora moralmente deixem muito a desejar. Existe também um problema ético, embora não deixe de ser legal quando os cidadãos ou empresas transferem seus capitais para outros países a fim de evitar os altos impostos em seu país de origem.

Atualmente é muito comum o investimento no setor turístico, sobretudo na construção. Por isso os países ou regiões com economias de serviços costumam ser muito atrativos para a lavagem de dinheiro do crime organizado. Entretanto, nas listas da OCDE nunca se reconhece este tipo de atividades nos países de primeiro mundo. Tal é o caso dos Estados Unidos, onde existem vários Estados onde é clássica a lavagem de dinheiro. Nesta atividade, é muito chamativo o caso do Estado da Flórida, onde Miami cumpriu um papel crucial nesta atividade por décadas. “Um estudo realizado pelo Departamento de Roubos da polícia de Miami, em meados da década de 80, indicou que de 100 notas de um dólar analisados, 99 tinham rastros de cocaína.”
É muito comum ver como grandes chefes da droga na Colômbia e no México lavam seu dinheiro em Miami, investindo em casas, hotéis e outras construções, contando com a cumplicidade de empresários e bancos que se encarregam de lavar o dinheiro. “Alguns opinam que os bancos de Miami iriam à ruína se deixassem de lavar dinheiro do mercado de drogas e que se depreciariam a níveis insuspeitos os preços de bens de raízes se os narcotraficantes suspendessem as compras de propriedades”.

Os paraísos fiscais costumam tipificar-se por sua baixa tributação e o requerido segredo bancário. Devido a estas circunstâncias, a OCDE costuma elaborar listas de paraísos fiscais, listas offshore, listas cinza, ou as chamadas listas espanholas , que são utilizadas para “desacreditar” algumas jurisdições. Curiosamente, nestas listas não aparecem bancos radicados em alguns Estados dos EUA que realizam práticas similares.

Por exemplo, se revisamos o listado de paraísos fiscais da América segundo a OCDE no ano 2000, figuravam: Antilhas Holandesas, Aruba, Anguilha, Antígua e Barbuda, As Bahamas, Barbados, Bermudas, Ilhas Caimãs, República Dominicana, Granada, Jamaica, Ilhas Malvinas, Montserrat, São Vicente e as Granadinas, Santa Luzía, Trinidad e Tobago, Ilhas Turks e Caicós, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Virgens dos EUA, República do Panamá.

No contexto de crise global, os cortes orçamentários que se aprofundam em vários países afetam os organismos tributários e a luta contra a evasão. De acordo com as cifras do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da ONU, são lavados anualmente mais de 600 bilhões de dólares arrecadados pelo crime organizado em todo o mundo e esta operação ocorre sob a anuência do sistema bancário legal.

A concentração do poder dos bancos é tal, que apenas 20 dos maiores bancos do mundo estão a cargo de 75% das transações financeiras dos Estados Unidos, França e Inglaterra. A esta realidade deve-se somar que os EUA não contam com um Banco Central real, mas que o dito Banco é uma empresa privada formada por grandes bancos dos Estados Unidos. Portanto, a Reserva Federal é um ente privado, resultado de uma associação de bancos de caráter estatal e de orientação nacional – segundo sua ata constitutiva – com interesse de lucro, motivo pelo qual a dita reserva responda aos interesses dos bancos que a constituem. Como se não bastasse, os mandatos dos presidentes da Reserva são mais longos que os do presidente dos EUA, de modo que o presidente entrante dos Estados Unidos não escolhe o presidente da Reserva Federal.

Um famoso lavador como Kenneth Rijock, conhecido agora como um muito lucrativo conferencista sobre estes assuntos, esclareceu que as razões que continuam fazendo atrativa a banca para os lavadores, são a inexistência de um imposto sobre a renda, nem de impostos de sucessões, nem sobre o beneficio empresarial, eliminando-se, assim, os controles legais de cambio sob a suposta confraternidade profissional do segredo.

Desta forma, o próprio sistema esta evadindo impostos. De fato, como a própria Reserva Federal não é em sua totalidade um ente estatal, é muito lógico que prefiram canalizar parte de seus fundos a vários bancos estadunidenses e paraísos fiscais para assim obterem um lucro que perderiam na Reserva Federal, de modo que não se veem obrigados a depositar todo seu capital na Reserva. A incógnita seria: quem desconhece este fato e por que não se tomam medidas efetivas contra o mesmo, e a realidade é que todos sabem e ninguém faz nada.

Neste contexto, a evasão de impostos e a busca de paraísos fiscais com maiores preferências, merece um maior controle devido as perdas milionárias que pode significar para as economias “nacionais”. Para que se tenha uma medida de quanto se pode perder com a evasão de impostos, vale a pena lembrar o período da ditadura de Alfredo Stroessner no Paraguai. “Estimativas formuladas após a queda de Stroessner concluíram que a corrupção da ditadura custou ao país pelo menos seis bilhões de dólares estadunidenses. Dadas as dimensões desta enorme cifra, é fácil concluir as oportunidades de desenvolvimento das quais se privou miseravelmente o Paraguai em termos de orientação do investimento público para a educação, a saúde, a moradia e a infraestrutura de todo tipo.”

Não obstante, ainda que a evasão de impostos seja muito prejudicial para a classe trabalhadora, para a classe alta resulta num negócio muito lucrativo, embora, paradoxalmente, são eles os que menos impostos pagam, já que se considera que é a classe que tem grandes capitais e, portanto, possibilidades de investir. Esta situação foi tão discutida que um dos maiores milionários dos Estados Unidos chegou a reclamar ante ao Congresso, que lhe cobrem mais impostos. Os paraísos fiscais têm, entre outros benefícios, a possibilidade de lavar dinheiro de procedência ilícita, que só seria possível sob os agradáveis segredos bancários que costumam conceder.

Entre as formas de lavagem de dinheiro está o trabalho formiga, onde uma serie de indivíduos dividem diversas somas de dinheiro reduzindo-as a uma soma que não é registrada como suspeita e, portanto, o dinheiro pode ser utilizado sem necessidade de justificativas perante a Lei, devido à ausência de registros nesse tipo de transações.

Esta grande vulnerabilidade provocou que, em 1998, a ONU realizasse o primeiro acordo para a luta contra de lavagem de dinheiro, estipulando os princípios jurídicos internacionais para a “luta” contra este delito, entendendo-o como um fenômeno inerente ao mundo atual. “A globalização liberal necessita os ‘paraísos fiscais’ como a família tradicional necessitava os prostíbulos, como compensação equilibrante dos matrimônios indissolúveis. A leitura do que são e de como é seu funcionamento fala muito mais sobre o capitalismo contemporâneo do que centenas de inócuos manuais de economia e finanças. ”

A evasão fiscal se vale dos centros chamados “offshore” ou bancos extraterritoriais, que atraem quem busca evadir o pagamento de impostos por suas fortunas. O conjunto de atividades dos paraísos se converteu em parte essencial do sistema econômico global.

Embora já esteja fora de moda falar do neoliberalismo e de suas tantas falácias, a desregulamentação do sistema econômico, financeiro e comercial se acentua. E como este fenômeno cai maravilhosamente bem aos políticos, empresários e criminosos, os requisitos que os organismos internacionais lhes propõem como limite são tão formais e costumam ficar nas listas paraísos de tão pouca relevância, que dá trabalho acreditar que as atividades de lavagem e evasão se resumam a paraísos como o de Nauru. Acontece que estes paraísos são o nicho no qual comparecem do mais rústico político regional de algum território colombiano, até a elite política do continente, com a manipulada forma que protegem da luz pública seus suntuosos dividendos, políticos milionários como o presidente chileno Sebastián Piñera e o candidato republicano maior competidor de Obama, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney.

Neste complexo entrelaçado entram em ação, como outro dos elementos prejudiciais que costumam dirigirem-se aos paraísos fiscais, os chamados Capitais Andorinha, caracterizados assim pela instabilidade da permanência do capital em um lugar. Este consiste em depósitos de capital efêmeros, ou seja, que se condicionam em curto prazo e com rendimentos muito variáveis, outorgando-lhe maiores possibilidades de mobilidade. Estes capitais viajam aos países ou regiões onde podem obter maiores lucros, de forma conjuntural, para depois dirigirem-se a outros que lhe ofereçam melhores condições. Desta maneira se assegura o não comprometimento com o destino dos países onde fizeram depósitos nem com as consequências que acarreta para os mesmos as características de suas atividades.

Neste sentido, os capitais andorinha podem ser compreendidos como uma das tantas expressões negativas da globalização neoliberal da economia. Com isso percebemos outras das falácias de ver dogmaticamente correto aspectos como o investimento estrangeiro que, sem condicionamentos nem regulações financeiras e jurídicas que protejam os países onde se realizam, puderam beneficiar os interesses privados sobre o interesse nacional, o que aprofunda as relações de dependência e dominação historicamente ancoradas na relação dos EUA com a América Latina e o Caribe.

Por outro lado, os capitais andorinha depositados de maneira conjuntural e condicionada, podem produzir uma perigosa reavaliação na moeda local, prejudicando as condições de vida dos lugares onde fazem depósitos, unido a investimentos estrangeiros que, longe de ir à economia real, ao setor produtivo, vão para a obtenção de grandes lucros, durante o período em que os paraísos fiscais lhe ofereçam maiores possibilidades de evasão fiscal e outros nichos de lucros, para depois transferirem-se para outros lugares onde as vantagens comparativas que procuram sejam maiores; deixando prejudicada as economias dos países onde haviam feito depósitos.

Os Estados Unidos, como país que concentra as riquezas dos narcotraficantes, já não é só um paradigma cultural, mas também seus bancos e sucursais são reconhecidos pelo crime organizado como um bom destino para seus dividendos. É ali onde se concentra parte importante das riquezas extraídas da América Latina, reproduzindo-se a lógica de dependência e dominação que precede a romântica relação entre o norte e o sul americano. “Estima-se que, só nos Estados Unidos, os lucros que alcançam estes delitos ascendem à cerca de US$ 275 bilhões, excluído a evasão fiscal.”[23]

Desta forma, os Estados Unidos da América do Norte e, em particular, o sul da Flórida, resulta especialmente atrativo para que o crime organizado gaste seus lucros em uma economia de serviços, que se adapta perfeitamente aos interesses de lavagem e investimento destes setores.

Destes “lucros”, o que chega às economias latino-americanas é um (muito deprimido) por cento, o que, não obstante, consegue atrair amplos setores rurais e urbanos que participam em algumas fases do negócio por pequenas comissões, diante da difícil situação socioeconômica que vivem estes países.

A concepção do Estado nacional em sua versão original vai se perdendo quanto ao interesse econômico. Os lucros dos negócios ilícitos da droga e outros delitos conexos fluem de toda a América Latina e Caribe para os EUA; correndo a favor dos interesses do grande capital transnacional. “Se tempos houve na história nos quais o estado regulador, mediante sua intervenção, podia paliar os ‘efeitos não desejados’ do ‘livre jogo’ da oferta e da demanda nos mercados, hoje não existe estado no mundo que possa ‘regu¬lar’ a atuação das grandes empre¬sas transnacionais, algumas delas com maior força econômica do que continentes inteiros.”

Os países latino-americanos dependentes, após séculos de colonialismo e deformação estrutural de suas economias, distraídos ideologicamente pela influência e hegemonia cultural estadunidense, costumam reconhecer como alternativa contra a crise atual a “atrativa” tríade do negócio das drogas, da lavagem de dinheiro e dos paraísos fiscais. Entretanto, ao realizar-se uma análise profunda sobre estes fenômenos, observa-se que esses países não fazem mais do que diluir a região entre a narco-economia e a dominação perpétua do império estadunidense, desta vez através de um negócio ao qual comparecem extraindo os maiores benefícios para sustentar o sistema, limpar os grandes volumes de dinheiro sujo, e para amparar as falácias do sistema capitalista mundial.

Não por gosto Galeano expressou em sua paradigmática obra As Veias abertas da América Latina: “A economia mundial é a mais eficiente expressão do crime organizado” . Evidentemente esta ideia não só continua vigente, mas se acentua em nossa realidade. Quando as economias latino-americanas se veem mais dependentes do sistema econômico global e as crises originadas pelos Estados Unidos e outras potências ocidentais, costumam ser mais sentidas nos países do chamado Terceiro Mundo; vale a pena aproximar-se ao mundinho dos paraísos fiscais e seguir – à maneira de Walter Martínez – a rota do dinheiro, que quase sempre ajuda a elucidar melhor quem são os autores intelectuais do que acontece hoje com o crime organizado transnacional, a lavagem de dinheiro e os paraísos fiscais, que tanto corrói o “novo mundo” americano.
(Transcrevi trechos). Leia mais