Deputado Sílvio Costa reage à provocação e responde para Eduardo Cunha: “Bandido, criminoso, doente…psicopata”

Sílvio Costa revelou um pouco da personalidade de Eduardo Cunha cria de PC Farias, e acusado como corrupto desde quando sucateou a Telerj

Clayton
Clayton

O deputado federal Sílvio Costa classificou Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como “bandido”, “psicopata”, “corrupto” e criminoso. Afirmações do parlamentar aconteceram após Cunha dizer que Sílvio era “uma piada”.

“Eu sou uma piada e ele é um bandido que já está com passagem comprada para Curitiba”, disparou Sílvio Costa. A referência sobre a capital paranaense se deve ao fato de que é em Curitiba onde correm os processos da Operação Lava Jato, que investiga casos de corrupção e desvios na Petrobras. Local conhecido como república do Galeão do Paraná.

O presidente da Câmara é acusado de ter recebido propina de US$ 5 milhões do esquema investigado na estatal, além de manter contas secretas no exterior em seu nome e no de familiares.

“Não tenho conta na Suíça, não sou corrupto”, afirmou Costa. “Não tenho medo de Eduardo Cunha”, disse. “Ele tem que sair. Esta Casa não pode continuar com este criminoso. Ou este cara é doente, ou é psicopata ou está brincando com o País”, ressaltou Sílvio Costa.

Mariano
Mariano

Cunha chamou Sílvio de “piada” por conta da acusação de que conspira, com ministros corruptos do TCU, para derrubar Dilma Rousseff. Veja vídeo:

A vigília do dinheiro gera monstros. A corrupção e os trágicos efeitos colaterais

por Ugo Sartorio/ L’Osservatore Romano

político ladrão corrupto

Quem já ouviu do púlpito uma pregação sobre a corrupção? Talvez com a dose certa de indignação pelos comportamentos que ferem e empobrecem a comunidade civil, subtraindo recursos destinados ao bem de todos.

Com mais facilidade, assistimos a intermináveis talk-shows televisivos sobre este tema, ou a cansativas campanhas eleitorais, nas quais a acusação de manter os corruptos no próprio partido saltava de uma facção para outra. Sem que no fim, ao que parece, acontecesse alguma coisa. Depois, da base, das pessoas comuns, a indignação contra a corrupção e os corruptos é tanto rancorosa quanto espontânea na possibilidade de alcançar o seu efeito.

À maré crescente de protesto, muitas vezes, segue a ressaca da desilusão e do refluxo na vida privada. Se tivéssemos aprendido da lição de Hannah Arendt que o mal, no sentido trágico, pode ser «banal», podemos dizer que a corrupção pode tornar-se «habitual», quase ambiental, realidade que se insinua dentro dos gânglios da sociedade porque ainda antes se aninha no coração do homem.

É este o ponto de novidade – que Lorenzo Biagi frisou no seu último livro Corruzione (Pádua, Editore Messaggero Padova, 2014, 116 páginas) – que o Papa Francisco ofereceu ao debate acerca de um tema que a nível civil se apresenta deteriorado e quase desarmado, incapaz de suscitar grandes paixões e indignação que não seja efémera. Sobretudo por causa das demasiadas leituras minimalistas ou fatalistas que procuram negociar com a corrupção: se por um lado a «compreendem», porque seria parte do sistema, por outro correm o risco de a legitimar.

Mas em que consiste mais precisamente, segundo Biagi, a novidade da leitura do Papa Francisco em tema de corrupção, sobretudo no famoso texto escrito em 1991, na onda da delicada situação argentina, retomado em 2005 por «Editorial Claretiana» (Corrupción y pecado) e editado em italiano com o título Guarire dalla corruzione (Bolonha, Editrice Missionaria Italiana, 2013, 64 páginas)? No facto de que Bergoglio indaga sobre a sua estrutura interna colhendo a sua curvatura antropológica, isto é, não permanecendo – como fazem todos – no limiar da fenomenologia do homem corrupto, mas chamando em causa precisamente a existência concreta e individual. Portanto, indo além da abordagem crítica das ciências sociais que correm o risco de nos restituir uma visão moralmente neutra da corrupção.

Praticamente «o Papa Francisco obriga-nos a questionar-nos se existe uma nossa responsabilidade diante da formação de homens corruptos».


Charge espanhola
Capa do Le Monde hoje

lemonde.750 direita radical

Está errado! Níveis de investigação para resolver crimes são baixos

BRA_CB crime luxo

por Livia Scocuglia

Os níveis de investigação criminal para resolver crimes são baixos. A maior parte dos detentos de São Paulo foi presa em flagrante e não por causa de investigação. A constatação é o resultado da pesquisa divulgada nesta semana, pela Fundação Getulio Vargas. Ao todo, 65,8% dos presos foram detidos no dia em que cometeram o delito.

Quando analisado o crime de roubo, a porcentagem de presos no próprio dia da ocorrência é ainda maior: 78,2%, o que pode indicar baixo nível de investigação criminal no Estado. Para um dos coordenadores do projeto, José de Jesus Filho, da Pastoral Carcerária, esses dados apontam que as pessoas estão sendo presas de forma errada no país. “A investigação no Brasil não acontece. Nós não prendemos o criminoso do colarinho branco, não prendemos o corrupto ou as lideranças do tráfico de drogas”, afirmou Jesus Filho ao jornal O Estado de S. Paulo.

Em relação ao processo, só uma pequena minoria dos entrevistados conseguia entender muito (13,5%) ou mais ou menos (14,7%) do que estava acontecendo nas audiências. A maioria entendia pouco ou nada das audiências e do processo judicial.

Além disso, o estudo mostrou que existem variações significativas na duração dos processos de acordo com o tipo de crime pelo qual foram condenados. Os condenados por homicídio doloso tiveram os processos mais longos (média de 24,9 meses) e aqueles condenados por furto/furto qualificado tiveram os processos mais curtos (média de 8,8 meses).

A pesquisa também levou em conta a corrupção usada para evitar prisões. Entre os entrevistados, 62,6% deles disseram que poderiam ter evitado a prisão se tivessem recursos para corromper a polícia e 31,8% dos entrevistados disseram que a polícia realmente pediu dinheiro ou algum pertence a partir do momento da prisão até a sentença.

No Judiciário, a proporção de presos que relatou algum pedido de dinheiro ou de algum bem por parte de juiz é quase nula (0,3%). Segundo a pesquisa, isso indica uma instituição judicial muito menos inclinada a este tipo de corrupção.

Cor da pele

A maioria dos policiais militares da capital envolvidos em ocorrências com mortes são brancos (79%), entre 25 e 39 anos (73%) e homens (97%). Já quanto às vítimas, a maioria é de negros (61%), menores de 24 anos (57%) e homens (97%), segundo noticiou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Os números foram coletado em pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que entre 2009 e 2011 analisou 734 processos com 939 vítimas. A coordenação foi feita pela professora Jacqueline Sinhoretto. Em relação a cor da pele, a população do estado é formada por 30% de afrodescendentes, mas há três vezes mais negros mortos do que brancos. Só 1,6% dos autores foi indiciado. Para 98% deles, as investigações apontaram que não houve crime ou que agiram em legítima defesa.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que vai avaliar os dados do estudo para decidir se eles “podem subsidiar aprimoramentos das políticas públicas de segurança”. Declara também que “os policiais são preparados para lidar com a diversidade racial e que, na PM, cerca de 40% dos homens são afrodescendentes”.

Fonte: Consultor Jurídico
Transcrição: Fenapef

BRA^PA_DDP crime morte

BRA_DG crime

BRA^PA_DDP idoso crime

BRA_OPOVO morte crime

BRA_NOTA crime violência jovem classe média

Papa Francisco: O administrador desonesto começa com um pequeno suborno. “Depois vem outro e outro ainda, e acaba-se na doença da dependência da ilegalidade”. O corrupto dá aos filhos o “pão sujo”

 «Uma podridão envernizada: esta é a vida do corrupto.

Spiros Derveniotis
Spiros Derveniotis

“Mas que diferença há entre pecar e escandalizar? Qual é a diferença entre cometer um pecado e fazer algo que causa escândalo e faz mal, muito mal?”. A diferença, disse o Papa Francisco, é que “quem peca e se arrepende pede perdão, sente-se frágil, sente-se filho de Deus, humilha-se e pede a salvação de Jesus. Mas quem dá escândalo não se arrepende e continua a pecar e finge que é cristão”. É como se levasse uma “vida dupla” e, acrescentou, “a vida dupla de um cristão faz muito mal”. “Onde há engano – comentou o Papa Francisco – não há o Espírito de Deus. Esta é a diferença entre pecador e corrupto. Quem leva uma vida dupla é um corrupto. Quem peca, ao contrário, gostaria de não pecar, mas é débil ou encontra-se numa condição na qual não pode achar uma solução mas vai ter com o Senhor e pede perdão. A este o Senhor ama, acompanha-o, está com ele. E nós devemos dizer, todos nós que estamos aqui: pecadores sim, corruptos não”. Os corruptos, explicou o Papa, não sabem o que é a humildade. Jesus comparava-os com os sepulcros caiados: bonitos por fora mas dentro cheios de ossos podres. “E um cristão que se vangloria de ser cristão mas não leva uma vida cristã – frisou – é um corrupto.

Todos conhecemos alguém que “está nesta situação e sabemos – acrescentou – quanto mal fazem à Igreja os cristãos corruptos, os sacerdotes corruptos. Quanto mal fazem à Igreja! Não vivem no espírito do Evangelho, mas no espírito da mundanidade. E são Paulo diz claramente aos romanos: Não vos conformeis com este mundo (cf. Rm 12, 2). Mas no texto original é ainda mais forte: não entreis nos esquemas deste mundo, nos parâmetros deste mundo, porque são precisamente estes, esta mundanidade, que levam à vida dupla”.

Na conclusão o Papa disse: “Uma podridão envernizada: esta é a vida do corrupto. E a estes Jesus não lhes chamava simplesmente pecadores. Mas dizia-lhes: hipócritas”. Jesus, recordou ainda, perdoa sempre, não se cansa de perdoar. A única condição que pede é que não queiramos levar esta vida dupla: “Peçamos hoje ao Senhor que evitemos todos os enganos, que nos reconheçamos pecadores. Pecadores sim, corruptos não”.

Na missa celebrada na sexta-feira, 8 de Novembro, o Papa Francisco – ao propor uma reflexão sobre a figura do administrador desonesto descrita no trecho litúrgico do Evangelho de Lucas (16, 1-8) frisou que os administradores corruptos “devotos da deusa ilegalidade” cometem um pecado grave contra a dignidade” e dão de comer aos próprios filhos “pão sujo”: a esta “astúcia mundana” deve-se responder com a “astúcia cristã” que é “um dom do Espírito Santo”.

“O Senhor – disse o Papa – volta a falar-nos do espírito do mundo, da mundanidade; como age esta mundanidade e quanto é perigosa. E Jesus, precisamente ele, na oração depois da ceia da quinta-feira santa, rezava ao Pai para que os seus discípulos não caíssem na mundanidade”, no espírito do mundo.

O administrador descrito na página evangélica é “um exemplo de mundanidade. Algum de vós – fez notar o Pontífice – poderá dizer: mas este homem fez o que todos fazem”. Na realidade, “nem todos!”; este é o modo de agir de “alguns administradores do governo. Talvez não sejam muitos”. Em suma, “é um pouco daquela atitude do caminho mais breve, mais cómodo para ganhar a vida”. O Evangelho narra que o homem rico “elogiou aquele administrador desonesto”. E este – comentou o Papa – “é um louvor à ilegalidade. O costume da ilegalidade é mundano e muito pecador”. Certamente, é um hábito que nada tem a ver com Deus.

Com efeito, prosseguiu, “Deus deu-nos este mandamento: levar o pão para casa com o nosso trabalho honesto”. Ao contrário, “este administrador dava aos seus filhos pão sujo. E os seus filhos, talvez educados em colégios caros, talvez crescidos em ambientes cultos, tinham recebido do seu pai sujidade como alimento. Porque o seu pai levando para casa pão sujo tinha perdido a dignidade. E este é um pecado grave”. Talvez, especificou o Papa, “se comece com um pequeno suborno, mas é como a droga”. E mesmo se o primeiro suborno é “pequeno, depois vem outro e outro ainda; e acaba-se na doença da dependência da ilegalidade”.

Mas há outro caminho, o da “astúcia cristã” – “entre aspas”, disse o Papa – que permite “fazer as coisas com um pouco de rapidez mas não com o espírito do mundo. O próprio Cristo o disse: astutos como as serpentes, puros como as pombas”. Combinar “estas duas” realidades é “uma graça” e “um dom do Espírito Santo”. Por isso, devemos pedir ao Senhor que sejamos capazes de praticar a “honestidade na vida, aquela honestidade que nos faz trabalhar com rectidão, sem entrar nesse círculo”.

Deus é um pai “que não gosta de perder”. Ele procura, com alegria e “com esmero de amor”, as pessoas perdidas, suscitando muitas vezes “a música da hipocrisia murmuradora” dos conservadores. Foi a chave de leitura sugerida pelo Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de quinta-feira, 7 de Novembro. O Pontífice iniciou a sua meditação descrevendo precisamente a atitude dos fariseus e dos escribas que estudavam Jesus “para compreender as suas acções”, escandalizando-se com as “coisas que ele fazia. E escandalizados murmuravam contra ele: mas este homem é um perigo!”. Escribas e fariseus, explicou o Santo Padre, pensavam que Jesus era um perigo. Eis porque na sexta-feira santa “pedem a sua crucificação”. E ainda antes – recordou – chegaram a dizer: “É melhor que um só homem morra pelo povo e que não cheguem os romanos. Este homem é um perigo!”.

O que mais os escandalizava, rematou o Papa Francisco, era ver Jesus “almoçar e jantar com os publicanos e os pecadores, falar com eles”. Disto nascia a reacção: “Este homem ofende a Deus, desconsagra o ministério do profeta que é um ministério sagrado”; e “desconsagra-o para se aproximar destas pessoas”.

corrupção2

O tribunal da consciência e a corrupção que não se apaga

por Leonardo Boff

O corrupto ama a escuridão e abomina a luz. Ele sabe o quanto é condenável o que pratica. É nesse ponto que se anuncia a consciência. Fizeram-se inumeráveis interpretações acerca da consciência. Tentaram derivá-la da sociedade, dos superegos, das tradições e das religiões, do ressentimento face aos fortes e outros. Os manuais de ética referem infindáveis discussões sobre a origem, a natureza e o estatuto da consciência. Entretanto, por mais que tentemos derivá-la de outras realidades, ela se mantém como instância irredutível e última.

Ela possui a natureza de uma voz interior que não consegue ser calada. Exemplifiquemos: em 310, o imperador romano Maximiano mandou dizimar uma unidade de soldados cristãos porque, depois de uma batalha, se negaram a degolar inocentes.

Antes de serem executados, deixaram uma carta ao imperador: “Somos teus soldados e temos as armas em nossas mãos. Entretanto, preferimos morrer a matar inocentes, a ter que conviver com a voz da consciência nos acusando” (Passio Agaunensium). A 3 de fevereiro de 1944, escreve um soldado alemão e cristão a seus pais: “Fui condenado à morte porque me neguei a fuzilar prisioneiros russos indefesos. Prefiro morrer a levar pela vida afora a consciência carregada com o sangue de inocentes. Foi a senhora, minha mãe, que me ensinou a seguir sempre primeiro a voz da consciência e, somente depois, as ordens dos homens” (Letzte Briefe zum Tode Veruteilter).

Que poder possui essa voz interior, a ponto de vencer o medo natural de morrer e aceitar ser morta? Ela admoesta, julga, premia e castiga. Com razão, Sócrates e Sêneca testemunhavam que a consciência “é Deus dentro de ti, junto de ti e contigo”. Kant, o grande mestre do pensamento ético, dizia que “a consciência é um tribunal interno diante do qual pensamentos e atos são julgados inapelavelmente”.

Foi esse filósofo que introduziu claramente a distinção entre preço e dignidade. Aquilo que tem preço pode ser substituído por algo equivalente. Entretanto, há uma instância em nós que está acima de todo preço e que, por isso, não admite nada que a substitua: essa é a “dignidade humana”, fundada na consciência de que “o ser humano é um fim em si mesmo e que não pode jamais servir de meio para qualquer outra coisa”.

###
A MÁ CONSCIÊNCIA

O mau e o corrupto se escondem sem que ninguém os procure e fogem sem que ninguém os persiga. Donde lhe vem esse medo e pavor? Quem é esse que vê os dinheiros escondidos, e para os quais não existem cofres secretos nem senhas para abri-los? Para ela, não há segredos dentro de quatro paredes palacianas ou em obscuro quarto de hotel. O corrupto sabe e sente que a consciência é maior que ele mesmo. Não possui poder sobre ela. Não a criou. Nem pode destrui-la. Ele pode desobedecer aos seus imperativos. Negá-la. Violentá-la. Mas o que ele não pode é silenciá-la.

Por que aventamos esse clamor íntimo? Porque estamos interessados em conhecer os tormentos que a má consciência inflige ao coração e à mente daquele corrupto que desviou dinheiro público, que se apropriou das poupanças dos trabalhadores e dos idosos e que, desmascarado, teve que inventar mentiras para esconder o seu malfeito. Mas não há nada escondido que um dia não venha a ser revelado.

Mesmo que saia absolvido em um tribunal, porque contratou advogados hábeis em fazer narrativas que encobriram seu crime e convenceram os magistrados, ele não consegue escapar do tribunal interior que o condena. Uma voz o persegue, acusando-o de indigno diante de si mesmo, incapaz de olhar com olhos límpidos para sua esposa e filhos, e conversar com coração aberto com seus amigos. Uma sombra o acompanha.

(Transcrito da Tribuna de Imprensa)