A adoração do dinheiro. Do mal. Os pobres pagam o preço da corrupção

indignados fome

 

«Quando a adoração do Senhor é substituída com a adoração do dinheiro abre-se o caminho para o pecado, o interesse pessoal e a prepotência; quando não se adora Deus, o Senhor, tornamo-nos adoradores do mal, como o são quantos vivem de crime e violência». Mas quem segue este «caminho de mal como os mafiosos não estão em comunhão com Deus: estão excomungados». Duras como um rochedo as palavras usadas pelo Papa Francisco na tarde de sábado, 21 de Junho, durante a missa em Maria de Sibari.

A ‘ndrangheta, disse, é «adoração do mal e desprezo do bem comum». E este mal deve ser combatido. De outra forma será difícil dar respostas aos jovens necessitados de resgate e de esperança. O Pontífice conjugou a reflexão sobre as leituras litúrgicas com a realidade quotidiana. Recordou a celebração da solenidade do Corpus Christi, o «sacramento do altar». E é precisamente por esta convicção de fé que «nós – acrescentou – renunciamos a satanás e a todas as suas seduções;

renunciamos aos ídolos do dinheiro, da vaidade, do orgulho, do poder, da violência. Nós cristãos não queremos adorar nada e ninguém neste mundo a não ser Jesus Cristo, que está presente na sagrada Eucaristia».

Talvez, reconheceu o Papa Francisco, nem sempre nos damos conta profundamente do que isto significa, das consequências que tem, ou deveria ter, esta nossa profissão de fé. E a este propósito falou da ternura de Jesus, do seu «amor tão delicado, tão fraterno, tão puro». E concluiu renovando o convite sobretudo aos jovens: a não se deixarem roubar a esperança e a não ceder ao mal, às injustiças, à violência. E de violência falou também no dia seguinte, durante o habitual encontro com os fiéis na praça de São Pedro para a recitação do Angelus. Depois da reflexão inicial dedicada ao amor desmedido de Deus pelo homem, o bispo de Roma recordou que a 26 de Junho se celebra o dia das Nações Unidas pelas vítimas da tortura, reafirmando «a firme condenação de qualquer forma de tortura» e convidando «os cristãos a comprometerem-se a colaborar para a sua abolição» e para apoiar as vítimas e os seus familiares. «Torturar as pessoas – concluiu – é um pecado mortal! Um pecado muito grave!

Alexander Dubovsky
Alexander Dubovsky

Os mártires da corrupção

Os pobres pagam sempre o preço da corrupção. De todas as corrupções: a dos políticos e empresários, mas também a dos eclesiásticos que não cumprem o próprio «dever pastoral» para cultivar o «poder». O Papa Francisco voltou a denunciar com palavras fortes «o pecado da corrupção», no qual caem «muitas pessoas que têm poder material, político ou espiritual», e exortou a rezar em particular por «quantos — e são muitos — pagam pela corrupção, pelo comportamento dos corruptos: são os mártires da corrupção política, económica e eclesiástica».

Inspirando-se no trecho do primeiro livros dos Reis (21, 1-16) proclamado durante a liturgia, o Pontífice recordou a história de Nabot de Jezrael, que não quis ceder a sua vinha ao rei Acab, herdada do pai, e por isso, foi lapidado por instigação da rainha Jezabel. «Um texto bíblico muito triste» comentou o bispo de Roma, frisando que a narração segue a mesma estrutura do processo de Jesus e do martírio de Estêvão, e evocando uma frase do Evangelho de Marcos (10, 42): «Sabeis como os governantes das nações fazem sentir o seu domínio sobre elas e os magnatas, a sua autoridade».

«Nabot — frisou o Papa — parece um mártir daquele rei que governa com tirania e opressão». Para se apoderar da vinha, no início Acab faz uma proposta honesta a Nabot: «Dar-te-ei em troca uma vinha melhor, ou se te convier, pagar-te-ei o seu justo valor». Mas depois, diante da rejeição do homem em ceder a «herança dos seus pais», volta para casa «entristecido, indignado», comportando-se quase como uma «criança mimada» que faz «caprichos». E é a este ponto que a sua esposa Jezabel — «a mesma que ameaçou o profeta Elias de morte, depois de ele ter assassinado os sacerdotes de Baal» — organiza uma farsa, um processo com testemunhas falsas e condena Nabot, permitindo que o marido tome posse da vinha. E Acab aceita, frisou o Pontífice, «tranquilamente, como se nada fosse».

A corrupção, explicou o Papa, «é um pecado fácil, que pode cometer a pessoa que tem autoridade sobre os outros, quer económica e política quer eclesiástica. Somos tentados pela corrupção. É um pecado fácil de cometer».

De resto, acrescentou, «quando uma pessoa tem autoridade, sente-se poderosa, quase um deus». Portanto, a corrupção «é uma tentação diária», na qual podem cair «políticos, empresários e prelados».

Mas — perguntou-se Francisco — quem paga pela corrupção? Certamente não quem paga «o suborno»: de facto, ele só representa «o intermediário». Na realidade, «o pobre paga pela corrupção!», constatou o Pontífice.

«Se falamos de corrupção política ou económica, quem paga isto?», perguntou-se o Papa. «Pagam — disse — os hospitais sem remédios, os doentes que não são cuidados, as crianças sem escolas. Eles são os Nabot modernos, que pagam pela corrupção dos grandes». E quem paga «pela corrupção de um prelado? Pagam-na as crianças que não aprenderam a fazer o sinal da cruz, não conhecem a catequese, não são cuidadas; os doentes que não são visitados; os presos que não recebem atenção espiritual». Enfim, são sempre os pobres que pagam pela corrupção: os «pobres materiais» e os «pobres espirituais».

Na conclusão, o bispo de Roma confirmou o valor do testemunho de Nabot, o qual «não quis vender a herança dos seus pais, dos seus antepassados, os valores»: um testemunho ainda mais significativo se pensarmos que, com frequência, «quando há corrupção», também o pobre corre o risco de perder «os valores, porque são impostos hábitos e leis que vão contra os valores recebidos dos nossos antepassados». Eis o convite a rezar pelos muitos «mártires da corrupção», para que o «Senhor nos aproxime deles» e conceda a estes pobres a «força para continuar» o seu testemunho.

Publicado no L’Osservatore Romano, ed. em português, n. 25 de 21 de junho de 2014

 Alfredo Sábat
Alfredo Sábat

 

 

 

 

 

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Papa Francisco: “Corrupção é roubo aos pobres, fere aos mais vulneráveis, prejudica toda a comunidade, destrói a nossa confiança”

África

 

 

 

 

O Papa Francisco recebeu na manhã desta sexta-feira os Bispos da Conferência episcopal da África do Sul (África do Sul, Botswana e Suazilândia), em visita ad limina Apostolorum por estes dias. Na sua mensagem aos Bispos o Papa sublinhou que o encontro

Era uma ocasião propícia para dar graças a Deus, pelo crescimento da Igreja nos seus países, graças ao trabalho dos missionários de muitas terras que, juntamente com os homens e mulheres nativos da África do Sul, Botsuana e Suazilândia, semearam as sementes de fé do seu povo assim tão profundamente, e durante gerações inteiras sairam para encontrá-los onde quer que eles se encontrassem, nas aldeias, vilas e cidades, e especialmente nos bairros suburbanos sempre em contínua expansão. Eles, continuou o Papa Francisco, construíram igrejas e escolas e clínicas que têm servido os seus países por quase dois séculos; esta herança brilha ainda hoje no coração de cada crente e no trabalho pastoral que ainda continua.

Apesar dos muitos desafios, os vossos países – disse ainda o Papa – são abençoados por florescentes paróquias, a prosperar muitas no meio de grandes dificuldades: grandes distâncias entre as comunidades, a escassez de recursos materiais e acesso limitado aos sacramentos.

Contudo, a Igreja está empenhada na formação de diáconos permanentes em algumas dioceses, para ajudar o clero, onde os sacerdotes são menos; há um esforço concertado para renovar e aprofundar a formação dos catequistas leigos que ajudam as mães e os pais na preparação das novas gerações na fé; sacerdotes e irmãos e irmãs religiosos são unânimes em servir mais vulneráveis filhos ​​e filhas de Deus, tais como as viúvas, mães solteiras, as divorciadas, crianças em situação de risco e especialmente os vários milhões de órfãos da SIDA, muitos dos quais são chefes de famílias em áreas rurais .

O Papa falou em seguida dos maiores desafios nesta região da África Austral com forte impacto na pastoral, sobretudo a escassez das vocações ao sacerdócio e à vida religiosa, os abortos, e o reduzido número de sacerdotes, e a praga da corrupção, que é “roubo aos pobres … que fere aos mais vulneráveis … prejudica toda a comunidade … destrói a nossa confiança”., enquanto que a comunidade cristã é chamada a ser coerente na seu testemunho pelas virtudes da honestidade e integridade, para que possamos estar diante do Senhor, e os nossos vizinhos, com as mãos limpas e um coração puro (cf. Sl 24:4), como um fermento do Evangelho na vida da sociedade.

Também no que diz respeito ao compromisso dos leigos, é necessário enfrentar os desafios relativos à proliferação das seitas, que acabam por exercer uma atracção cada vez maior sobre as pessoas. Uma tendência, o Pontífice observou, favorecida também pelo «fracasso da moral cristã», que chega perigosamente até aos confins da conspiração com a desonestidade.

 

 

 Tayo Fatunia
Tayo Fatunia

Corrupção mata. É crime hediondo

Luciano Nascimento
Agência Brasil

 

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Como parte do esforço concentrado que será feito esta semana próxima semana para destravar a pauta de votações , a Câmara dos Deputados pode votar um projeto de lei que torna a corrupção crime hediondo. Proveniente do Senado, onde foi aprovado em junho de 2013, a proposta foi uma resposta do Parlamento às manifestações que tomaram conta do país no ano passado. Se aprovado sem alterações, o projeto vai a sanção presidencial. Se for alterado na Câmara, retorna ao Senado.

Caso o projeto seja aprovado, serão incluídos na Lei dos Crimes Hediondos (8.072/90) os delitos de corrupção ativa e passiva, peculato (apropriação pelo funcionário público de dinheiro ou qualquer outro bem móvel, público ou particular), concussão (quando o agente público exige vantagens para si ou para outra pessoa), excesso de exação (nos casos em que o agente público desvia o tributo recebido indevidamente). O projeto também torna crime hediondo o homicídio simples e suas formas qualificadas.

O projeto também altera o Código Penal para aumentar a pena desses delitos. Com isso, as penas mínimas desses crimes ficam maiores e eles passam a ser inafiançáveis. Os condenados também deixam de ter direito a anistia, graça ou indulto e fica mais difícil o acesso a benefícios como livramento condicional e progressão do regime de pena.

12 ANOS NA CADEIA

Com a mudança as penas para estes delitos passam a ser de quatro a 12 anos de reclusão, e multa. Em todos os casos, a pena é aumentada em até um terço se o crime for cometido por agente político ou ocupante de cargo efetivo de carreira de Estado.

A lei atual determina reclusão de dois a 12 anos e multa para os delitos de corrupção ativa e passiva e de peculato. Para concussão, a pena vigente hoje é reclusão de dois a oito anos e multa. Já o excesso de exação, no caso incluído na proposta, é punido hoje com reclusão de dois a 12 anos e multa.

Segundo a Lei 8.072/90 são considerados crimes hediondos homicídio, quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, latrocínio (roubo seguido de morte), extorsão qualificada pela morte, extorsão mediante sequestro e na forma qualificada, estupro, estupro de vulnerável, epidemia com resultado de morte e falsificação, corrupção, adulteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

 

[Mudei o título. Veja os links para entender

corrupção quadrilha peculato verba ladrão indignados

Nenhum governador rouba sozinho. Nenhum prefeito rouba sozinho. Todo desvio de verbas públicas, do dinheiro do povo, é realizado com a cumplicidade do poder legislativo e judiciário. É preciso a formação de uma quadrilha.

Publicado hoje no Movimiento Ciudadano Español, por Jorge Carre Ibañez:]

forca

 

Veja que a Argentina faz para acabar com a dengue

“Quando é detectada uma pessoa suspeita de ter contraído a dengue, imediatamente começa o que é chamado bloqueio de foco, para erradicar os mosquitos dentro de nove quadras próximas de onde o paciente se encontra, de modo a evitar uma propagação da doença”.

No Brasil, José Serra, quando ministro, acabou com os guardas mata-mosquitos.

Mais de 500 brasileiros morreram de dengue em 2013 e quase 1 milhão e meio contraíram a doença.

Raramente se pulveriza inseticidas, através do popular “fumaçê”, que prefeitos e secretários de saúde roubam as verbas enviadas pelo governo federal.

A dengue é mais uma constatação de que a corrupção mata.

Histórico da dengue no Brasil
As primeiras referências à dengue no Brasil remontam ao período colonial. Em 1865 foi descrito o primeiro caso na cidade de Recife. Sete anos depois, em Salvador uma epidemia levou a 2 mil mortes. Em 1846, a dengue é considerada como epidêmica, atingindo vários Estados, como Rio de Janeiro e São Paulo. Até 1916, São Paulo foi atingido por várias epidemias de dengue.

O transmissor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, tem origem africana, sendo reconhecido pela primeira vez no Egito – daí o seu nome. Chegou ao Brasil nos navios negreiros – e se reproduzia nos depósitos de água dos barcos nas viagens da África para cá.

O Aedes estava erradicado no Brasil em 1955 (governo de Café Filho), mas retornou em 1985, com uma epidemia de dengue em Roraima.

 

Foi mais um presente da ditadura militar, no governo de João Figueiredo (1979-1985).

Prefeitos ladrões, para receber verbas federais para erradicar a dengue, chegaram a disseminar em seus municípios larvas de Aedes aegypti. Vários casos foram denunciados pela imprensa. Que os nomes desses assassinos sejam lembrados.

Argentina: El dengue, en baja

En 2013, en la Argentina se reportaron sólo 2718 casos de dengue, ninguno mortal
En 2013, en la Argentina se reportaron sólo 2718 casos de dengue, ninguno mortal

Un informe del Ministerio de Salud muestra que entre 2009 y 2013 se registró una caída del 90 por ciento de la enfermedad. En los países de la región, el año pasado fue una epidemia.

Los casos registrados de dengue en Argentina disminuyeron un 90 por ciento entre 2009 y 2013, informó el Ministerio de Salud de la Nación en referencia a la enfermedad que se contrae por la picadura de un insecto. Esta, junto a otras de transmisión vectorial, constituyen el tema central con el que la Organización Mundial de la Salud conmemora el Día Mundial de la Salud el próximo 7 de abril.

“El año pasado hubo una epidemia de grandes proporciones en el Cono Sur, con más de 250.000 casos, y nuestro país reportó sólo 2718, ninguno mortal, lo que constituyó una cantidad pequeña en relación al resto del continente”, destacó el ministro Juan Manzur.

En 2009, Argentina había padecido una epidemia que dejó cinco muertos y que reportó 26.923 casos.

Desde principios de este año hasta la primera semana de abril se llevan registrados 27 casos confirmados de dengue “cuando el promedio anual oscila entre 200 y 250, salvo cuando hubo epidemia, como la que se disparó en 2013 en países limítrofes”, comentó Héctor Coto, director de Enfermedades Transmisibles por Vectores del Ministerio de Salud de la Nación. El funcionario detalló que “cuando se detecta a una persona sospechosa de haber contraído el dengue de inmediato se pone en marcha lo que se llama bloqueo de foco y que consiste en erradicar los mosquitos en un radio de nueve manzanas de donde se encuentra el paciente, de modo de prevenir que haya una propagación de la enfermedad”.

El dengue es causado por un virus que se transmite a través de la picadura de mosquitos infectados, principalmente de la especie Aedes Aegypti, lo que convierte el control del vector en una herramienta fundamental para la prevención de la enfermedad.

El cuadro más común se caracteriza por fiebre acompañada de un intenso malestar general (dolor de cabeza, de músculos y articulaciones), erupciones rojizas en brazos y piernas, picazón, náuseas y vómitos y sangrado de nariz y encías.

Ante estos síntomas se debe acudir sin demoras al médico para recibir el tratamiento adecuado y es importante no automedicarse ya que las aspirinas, el ibuprofeno o la aplicación de inyecciones intramusculares pueden empeorar el cuadro de la enfermedad.

En América, existen 35 países que concentran casi toda la población del continente y conviven con el mosquito Aedes Aegypti; durante las últimas décadas, América latina se convirtió en la región con las cifras anuales reportadas más altas en el mundo, advirtieron la OPS y la OMS.

De cara al Día Mundial de la Salud, que se celebra cada 7 de abril, la OPS y la OMS llamaron a tomar medidas sencillas para evitar este tipo de enfermedades, como el uso de ropas que sirvan de barrera en la exposición a la picadura y la reducción de criaderos cerca de las casas.

 

 

Corrupção. Governadores e prefeitos têm autonomia administrativa e são diretamente responsáveis pela gestão de cada estado e município

Brasil: antecipar o futuro

Não reivindicamos uma origem ou uma identidade fixa. Nossa identidade é plural e difusa, pois a mestiçagem é parte constitutiva da sociedade brasileira. E, pelo menos nesse sentido, antecipamos o futuro.

 

BRA_OPOVO corrupção persiste

por Milton Hatoum

 

 

Para a imensa maioria dos portugueses, o 25 Abril de 1974 significou liberdade. Mas para muitos brasileiros, abril foi o mês mais cruel, pois o primeiro dia de abril de 1964 marcou o início de uma ditadura que durou mais de duas décadas. Nesse dia sinistro eu tinha onze anos de idade e percebi vagamente que alguma coisa grave estava acontecendo em Manaus, cidade onde nasci. As ruas, o aeroporto e a área portuária foram ocupados pelas forças armadas. O ambiente da cidade era outro. O Brasil, de norte a sul, tornou-se outro.

Em dezembro de 1967, deixei Manaus, minha família e meus amigos e fui morar em Brasília, onde estudei num colégio público, cuja proposta pedagógica era notável. Àquela época Brasília significava, para muitos de nós, um futuro promissor. Em 1960, a inauguração da nova capital dera alento a nossa frágil (e efêmera) democracia. Era como se a utopia ou um grande sonho estivesse no horizonte do possível. O ousado projeto urbanístico de Lucio Costa e os anos prósperos da década de 1950 – com o Plano de Metas do então presidente Juscelino Kubitschek (1956-61) –, pareciam simbolizar a antecipação do futuro, ou do país do futuro, como escreveu Stefan Zweig. Mas nada disso aconteceu. A vida na capital do país era, mais que árida, opressiva. Vivíamos sob o signo do medo, da ameaça, da delação. O Ato Institucional n.º 5 (decretado em 13/12/1968) deu poderes extraordinários ao marechal Costa e Silva, suspendeu as garantias constitucionais e fechou o Congresso Nacional. O AI-5 significou a coroação da barbárie, do totalitarismo.

O golpe militar que destituiu o presidente João Goulart e interrompeu brutalmente a democracia foi um retrocesso em todos os sentidos. No complicado xadrez geopolítico da Guerra Fria, a América Latina não podia pertencer à esfera de influência da então União Soviética. O Governo dos Estados Unidos, com a CIA à frente, financiou instituições civis e militares e deu total apoio político a todos os golpes que destituíram brutalmente os governos democráticos da América do Sul. Sem isso, e sem o apoio de setores da classe média, da igreja católica e do empresariado, esses golpes de Estado talvez não tivessem vingado.

Afora a violência do aparelho do Estado, que ceifou a vida de centenas de brasileiros e deixou milhares traumatizados pela prisão, tortura e exílio, a política econômica durante a ditadura concentrou ainda mais a renda. Esses foram os crimes mais ostensivos da ditadura. Mas outros crimes, menos comentados, devem ser mencionados. Um deles foi a destruição intencional do ensino público. Isto gerou uma verdadeira aberração na sociedade brasileira, pois os jovens de famílias pobres e humildes não tinham – e ainda não têm – acesso a uma boa formação educacional. Criou-se, assim, uma segregação social: os filhos da classe média e da elite estudam em boas escolas particulares, enquanto a imensa maioria dos jovens pobres frequenta escolas públicas precárias.

O outro crime diz respeito à destruição sistemática do meio ambiente e à invasão e ocupação de terras indígenas, cujas consequências foram trágicas. Isto aconteceu na década de 1970, com a construção das rodovias Transamazônica e Manaus-Boa Vista e uma série de atividades econômicas predatórias na Amazônia: extração de madeira, mineração e agropecuária. (In Público, Portugal)

 

Uma cena terrível da devastação da floresta pode ser vista no filme Iracema: uma transa amazônica, dirigido por Jorge Bodansky. Poucos anos depois, uma imensa área florestal perto de Manaus foi transformada num deserto artificial, úmido e triste, onde foram construídas milhares de casas populares. Foi uma imagem tão chocante que, 25 anos depois, eu a usei no romance Cinzas do Norte.

Desde a eleição de Fernando Henrique Cardoso o Brasil é governado por presidentes que lutaram contra a ditadura. O Plano Real (1994) foi o primeiro grande passo rumo à estabilização econômica. Recentemente o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – divulgou um estudo em que assinala a melhora das condições de vida de 40 milhões de brasileiros e sua inserção no mercado de consumo. Entre 2001 e 2011 a diminuição da pobreza foi notável e a renda dos mais pobres cresceu com mais rapidez que a dos mais ricos. Mas 16 milhões de brasileiros ainda vivem na extrema pobreza, e, de um modo geral, a qualidade da educação pública permanece lamentável. Outros problemas seríssimos devem ser enfrentados pelos próximos governantes: a violência nas grandes cidades, a burocracia, a infraestrutura obsoleta, o desmatamento da Amazônia, do cerrado e da Mata Atlântica. Por fim, a corrupção secular, endêmica, que envolve uma parte do empresariado e dos três poderes da República. Esses problemas requerem a mobilização da sociedade e também dos governadores e prefeitos, pois estes têm autonomia administrativa e são diretamente responsáveis pela gestão de cada estado e município.

 

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BRA^MG_MET metrô BH roubo corrupção

BRA^PA_OL máfia do seguro desemprego

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BRA^SP_TI Araraquara loira furacao corrupção

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España. Todos los medios están censurando los 3.158 suicidios por la crisis

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Censura con silencio de la TV , Prensa y Política sobre los 3.158 suicidios por la crisis causada por los errores , estafas o lucrarse de ello por políticos y banqueros , con más de 120 suicidios sólo por desahucios . Los suicidios ya supera las muertes por tráfico. Recordemos : Grecia 720 desahucios al año, España 512 desahucios al día.

 

La crueldad e insensibilidad de los políticos alrededor del drama de la pobreza y el desempleo ha convertido a España en la vergüenza del mundo , sin que los poderes públicos den cuenta de la gravedad de la catástrofe para quienes la padecen . Este cataclismo ha obligado al movimiento 15 – M en abrir una página en Wikipedia para intentar cuantificar el número de suicidios en España relacionados con la crisis , lo que va a aumentando cada mes . No están incluidas las tentativas como la del joven Leandro en Málaga , lo que incrementaría notablemente la cifra.

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La situación parece evidenciar que en España , ante la falta de alternativas políticas , los ciudadanos optan por quitarse la vida antes de que sublevarse contra el régimen o ayudar a su derribo o sustitución . Algunos movimientos sociales están estudiando la idea de dar a conocer los nombres de los políticos con cargo y sueldo vigente que desarrollan su labor en la provincia en que se produce el suicidio de un ciudadano por las crisis , para poder hacer algún día responsables del mismo.

 

El desastre se agrava porque los periodistas del régimen son obligados a silenciar estos sucesos, ya que los medios de comunicación son víctimas de una creencia política, alimentada por la “casta”, que presupone que la publicación de la noticia de un suicidio provoca un sentimiento de imitación en el que, sufriendo las mismas circunstancias que el afectado, la lee o escucha. Esto lleva al silencio ya la censura, en unos momentos en los que es fundamental conocer cuál es la realidad del verdadero impacto de la crisis económica en las clases medias y trabajadoras de España.

 

Despesas com plebiscito e referendo representam lucro. O Brasil gasta mil vezes mais com a corrupção e o entreguismo

Gianfranco
Gianfranco

Tudo que a justiça faz é caro. O Superior Tribunal Eleitoral funciona mesmo nos anos ímpares, quando não têm eleições. Idem os tribunais regionais eleitorais.

Os funcionários já existem. E descansados.

As urnas eletrônicas já existem.

Quanto o Brasil gasta com as polícias para reprimir o povo nas ruas? Quanto o Brasil perde com a corrupção? Quanto o Brasil é roubado pelos piratas de todas as bandeiras?

Alerta suspeito da revista de propaganda Veja:

plebiscito sobre a reforma política poderá custar 500 milhões de reais. A estimativa é de técnicos da Justiça Eleitoral que, na corrida contra o relógio, tentam calcular os gastos e o tempo necessário para preparar a consulta popular. A previsão do Planalto é que a consulta seja feita no início de setembro.

Desde quarta-feira, quando a presidente Dilma Rousseff telefonou para a presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia Antunes Rocha, para discutir questões práticas e logísticas do plebiscito, integrantes de várias áreas do TSE estão mobilizados para avaliar as providências e os gastos.

Normalmente uma consulta popular consome orçamento semelhante ao de uma eleição. Mas as estimativas atuais são de que o plebiscito sobre a reforma política custará mais do que a eleição municipal de 2012, quando foram gastos 395 milhões de reais. Além da inflação, dois fatores contribuirão para o aumento da conta. Por causa das mobilizações dos últimos dias e os episódios de confronto, a segurança durante o período do plebiscito deverá ter de ser reforçada com o apoio de homens das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica).

Em 2012, só para esse apoio foram destinados 24 milhões de reais. Diante das manifestações generalizadas no país, a expectativa é de que os pedidos de força federal sejam multiplicados. Além disso, o caráter de urgência deve tornar o plebiscito mais caro. No ano passado, por exemplo, a presidente do TSE anunciou que o custo do voto, de 2,81 reais por eleitor, foi o menor desde a implantação do sistema eletrônico, em 1996.

Segundo ela, um dos fatores foi o planejamento. “Quanto maior o planejamento, menor é o custo”, disse na ocasião. Se confirmado o valor final de meio bilhão de reais, o valor será o dobro do que foi gasto em 2005 com o referendo do desarmamento. Na ocasião, foram consumidos 252 milhões de reais. Já o plebiscito sobre a divisão ou não do Pará, em 2011, não custou mais que 19 milhões de reais. Nesta consulta só participaram, porém, os eleitores paraenses.

De acordo com técnicos do TSE, apesar do tempo escasso é possível fazer o plebiscito no início de setembro, dando tempo para que o Congresso aprove até 3 de outubro as leis necessárias para vigorarem na eleição presidencial de 2014. Pelas regras atualmente em vigor, as alterações no processo eleitoral têm de ser aprovadas até um ano antes do pleito.

Um dos principais pontos do planejamento do plebiscito deverá ser a campanha de esclarecimento aos eleitores. Se a consulta for feita em setembro, o ideal é que a campanha seja veiculada no rádio e na televisão em agosto. As peças publicitárias terão de explicar que todos os eleitores deverão participar do plebiscito porque o comparecimento é obrigatório. Também deverão informar sobre as perguntas que terão de ser respondidas. A tarefa não é considerada fácil uma vez que estarão em questão assuntos que não fazem parte do cotidiano da maioria dos eleitores.

Nota do redator do blogue: Os  “assuntos” do referendo fazem parte do cotidiano do povo. E estão sendo discutidos hoje nas ruas. Nas passeatas.

As peças publicitárias podem ser realizadas sem pagar fortunas para as agências dos Marcos Valério, dos Dudas Mendonça e outros marqueteiros ou marreteiros.

As televisões e rádios são concessões do governo. É só requisitar o tempo para exibir toda propaganda necessária. Basta não existir a censura eleitoral. Que vem sendo realizada pelos tribunais eleitorais nas eleições diretas para vereador, prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal, senador e presidente da República.