Marina: Reformista ou acomodada?

por Carlos Chagas

Alpino
Alpino

 

Na campanha agora acirrada e cheia de surpresas, surge uma encruzilhada para a ex-senadora: diante da possibilidade de vencer a disputa, ela manterá a imagem de candidata que rejeita a prática vigente no país desde o governo Fernando Henrique, passando pelo Lula e por Dilma, ou, no reverso da medalha, prepara-se para amaciar? Fará concessões às forças conservadoras, evitando assustá-las, como estratégia para ganhar a eleição, ou preservará suas características de contestadora da velha política, imaginando ter sido esse o instrumento que a trouxe à pole-position?

Numa palavra, Marina apresentará uma nova “Carta aos Brasileiros”, no estilo Lula, garantindo a governabilidade e abrindo mão de seu perfil contestador? Ou seguirá atropelando concepções e diretrizes enraizadas no Brasil? A dúvida é saber por qual desses caminhos imagina chegar ao palácio do Planalto: recuar e garantir o apoio das elites ou avançar imaginando dispor da maioria do eleitorado ávido por mudanças fundamentais?

Em sua primeira aparição nas telinhas, sábado, ela ficou em cima do muro. Prometeu superar a velha política e criticou PSDB e PT, “que dividem o país numa guerra”. Denunciou a chantagem dos partidos sobre Dilma, “que troca ministérios por tempo na televisão” e até provocou Aécio, revelando esperar o apoio de José Serra. E enviou sinais à turma do agronegócio, através de seu candidato a vice, Beto Albuquerque.

Está sendo pressionada pela turma do “deixa disso”, no Partido Socialista, para não bancar o lobisomem, modelo que o Lula seguiu depois de vencer a eleição, dando garantias de que não mudaria as regras do jogo. A dúvida é saber se Marina conseguirá chegar ao 5 de outubro equilibrando-se entre os dois pólos contrários. Entre ser reformista, quase revolucionária, ou acomodada, submetendo-se ao modelo econômico, político e social vigente, estará chave do sucesso ou do malogro de suas pretensões. (Transcrevi trechos)

 

Marina é uma acomodada. Pra lá de acomodada
Aroeira
Aroeira

 

Deseja que o Gigante continue adormecido. A única mudança que propõe é que não adormeça mais em berço esplêndido. E sim em uma rede.

Informa hoje a agência alemã Reuters:

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, aproveitou o programa de rádio e TV nesta terça-feira para reforçar seu discurso de que o país precisa de união e que pretende dialogar com outros partidos.

O discurso cada vez mais forte na campanha serve, por um lado, como um contraponto à polarização entre PT e PSDB, siglas que comandaram o país nos últimos 20 anos.

Mas as declarações de que ela buscará outras legendas e que há pessoas qualificadas em outros partidos funcionam ainda como uma sinalização para obter apoio para um eventual governo, se eleita.

“É preciso uma mudança na política, na relação com o Congresso (Nacional), e com a sociedade. Nós vamos chamar pessoas honestas e competentes. Vamos dialogar com os partidos”, disse Marina no programa eleitoral desta tarde.

Segundo o coordenador-geral adjunto da campanha, Walter Feldman, o argumento –que inclui o reconhecimento de avanços obtidos tanto pela gestão tucana quanto pela petista– estará cada vez mais presente, inclusive no debate da TV Bandeirantes previsto para a noite desta terça.

“Se não tivermos um governo que reforce a unidade das forças, e que não reconheça os avanços na questão social, na questão econômica, o país vai desandar”, disse Feldman à Reuters, por telefone.

“É momento de ter uma unidade nacional e esse processo não pode ser conduzido pelo PT nem pelo PSDB. Eles não se aceitam”, afirmou, acrescentando, no entanto, que há pessoas nesses e em outros partidos “dispostos a contribuir” para o avanço do país. [Deseja Marina um governo da pacificação dos protestos de junho de 2013, da anistia, de tudo como dantes no quartel de Abrantes.

  Osmani Simanca
Osmani Simanca

O que caí na rede é peixe 

[Veja que Marina, que reúne antigos correligionários do racha petista, prega a união com seus antigos adversários do racha tucano.

Walter Feldman é do racha do PSDB, José Serra é outro. Marina já apóia Geraldo Alckmin para governador, reeleição.

Do racha petista: A própria Marina, o vice Beto Albuquerque, a coordenadora da campanha Erundina, Heloísa Helena e outros velhos companheiros de Lula da Silva]

 

Sem pedidos

Eram 40 quadrilheiros. Restam 37. E ninguém fala do dinheiro lavado. Que pegou sumiço.

Na lista de réus restam

* José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) – corrupção ativa e formação de quadrilha
* José Genoino (ex-presidente do PT) – corrupção ativa e formação de quadrilha
* Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) – corrupção ativa e formação de quadrilha
* Silvio Pereira (ex-secretário geral do PT) – formação de quadrilha
* Duda Mendonça (publicitário) – lavagem de dinheiro e evasão de divisas
* Zilmar Fernandes (sócia de Duda Mendonça) – lavagem de dinheiro e evasão de divisas
* José Borba (ex-deputado federal pelo PMDB-PR) – corrupção passiva
* Roberto Jefferson (ex-deputado federal pelo PTB-RJ) – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
* Romeu Queiroz (ex-deputado federal pelo PTB-MG) – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
* Emerson Palmieri (ex-tesoureiro do PTB) – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
* José Janene (ex-deputado federal, PP-PR) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
* Pedro Henry (deputado federal, PP-MT) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro
* João Cláudio Genu (ex-assessor do PP) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
* Enivaldo Quadrado (empresário) – formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
* Carlos Alberto Quaglia (empresário) – formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
* Valdemar Costa Neto (deputado federal pelo PR-SP) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
* Jacinto Lamas (ex-tesoureiro do PL) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
* Bispo Rodrigues (ex-deputado federal do PL-RJ) – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
* Antônio Lamas (ex-tesoureiro do PL) – lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
* Breno Fischberg (empresário) – formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
* Marcos Valério (publicitário) – corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
* João Paulo Cunha (deputado federal pelo PT-SP) – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato
* Luiz Gushiken (ex-ministro) – peculato
* Paulo Rocha (deputado federal PT-PA) – lavagem de dinheiro
* Anita Leocádia (assessora parlamentar) – lavagem de dinheiro
* João Magno (ex-deputado federal PT-MG) – lavagem de dinheiro
* Professor Luizinho (ex-deputado federal PT-SP) – lavagem de dinheiro
* Anderson Adauto (ex-ministro dos Transportes) – lavagem de dinheiro e corrupção ativa
* José Luiz Alves (ex-assessor de Anderson Adauto) – lavagem de dinheiro
* Simone Vasconcelos (ex-diretora da SMPB) – lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
* Geiza Dias (ex-auxiliar da diretoria das empresas de Valério) – lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
* Rogério Tolentino (advogado) – lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
* Cristiano Paz (publicitário) – corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
* Ramon Hollerbach (publicitário) – corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
* Kátia Rabello (ex-presidente do B. Rural) – gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
* José Roberto Salgado (ex-vice-presidente do B. Rural) – gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
* Ayanna Tenório – (ex-vice-presidente do B. Rural) – gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
* Vinícius Samarane (ex-diretor do B. Rural) – gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
* Henrique Pizzolato (ex-diretor do BB) – peculato (2x), corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Das autoridades, o Brasil espera que cumpram seus deveres.
Ganham para isso.