Briga entre quadrilhas de policiais em Goiás

BRA^GO_DDM polícia

As investigações sobre o assassinato do cabo Marcelo Alessandro Campinam Macedo, ocorrido em março desse ano, tiveram desdobramentos na manhã de hoje. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão de documentos e outras provas requisitadas pela Delegacia de Homicídios, que concentra os trabalhos.

Foto: Divulgação

A principal execução dos mandados foi na residência e trabalho do tenente-coronel Sérgio Ricardo Caetano, titular do Comando de Apoio Logístico (CAL) e citado pela Delegacia de Homicídios como investigado na morte do cabo Capinam. De acordo com o relatório feito ao juiz Jesseir Coelho de Alcântara pelo delegado Murilo Polatti, titular da DIH, “existem fortes indícios de que militares soubessem, com antecedência, de que o cabo Capinam seria executado ou que tivessem até mesmo participação”. O que os investigadores querem confrontar é o envolvimento de um grupo de militares com demonstrações de animosidades entre eles.
Capinam foi morto com uma sequência de tiros disparados por um homem que desceu de uma motocicleta. A caminhonete que o cabo Capinam dirigia estava parada no sinaleiro próximo ao Detran-GO quando o atirador desceu da garupa da moto, escorou na janela do veículo Amarok e disparou ao menos 12 tiros. Junto com ele estavam outros dois homens que também foram feridos sem gravidade.

Foto: Edilson Pelikano

Cabo Campinam executado. Foto: Edilson Pelikano

As investigações apontam para envolvimento de Capinam e outros militares com um grupo que agia em várias frentes praticando uma série de delitos. “Há indícios de crimes como extorsão, lavagem de dinheiro, estelionato e falsificação de documentos”, explicou um membro do Ministério Público (MP).

No dia em que foi morto Capinam carregava consigo uma grande quantidade de cheques, com valores variando de R$ 30 mil a R$ 40 mil, e que totalizavam pouco mais de R$ 1 milhão. As suspeitas da polícia na época é que o cabo estaria fazendo cobranças para os credores desses cheques. Na época ele estava lotado no 26º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Caldas Novas.

Conhecimento

Os investigadores têm como certo que o executor de Capinam sabia de sua rotina e lhe conhecia bem, além de ser altamente treinado em tiro e abordagem, o que aumentou as suspeitas de que se tratava de outro militar. Capinam serviu muitos anos na temida Rotam, Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas, tropa de elite da Polícia Militar. Mesmo sendo militar experiente e saber dos riscos a que estaria exposto ele sequer teve tempo de reagir.

Capinam era acusado de ter sido o autor dos disparos feitos contra a casa do então senador Demóstenes Torres, fato ocorrido em agosto de 2004. Ele teria saído no carro de uma prima sua, à noite, e disparado os tiros na casa de Demóstenes para intimidá-lo como forma de pressão política. A amigos o cabo teria confidenciado algumas vezes arrependimento desse fato e expressado medo de sofrer represálias por isto.

As ligações do cabo Alessandro Capinam com integrantes de facções criminosas é a principal tônica das investigações da Polícia Civil. “O que parece mais correto é que os integrantes de um grupo com forte atuação no submundo do crime esteja se confrontando depois de desentendimentos. Esse processo pode ser entendido como sendo uma autodestruição do grupo criminoso.”