Pedro Tomar, jornalista trucidado na Chacina da Lapa

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Pedro Pomar nasceu em Óbidos, Pará, em 1913.

Com 13 anos, Pedro saiu de Óbidos, sozinho, para fazer o ginásio em Belém, onde se envolveu na movimentação política dos anos 30.

Em setembro de 1932, participou ativamente da organização de um levante armado em apoio aos constitucionalistas de São Paulo. Esmagada a revolta, passou algum tempo no Rio de Janeiro, depois retornou a Belém, onde concluiu o ginásio.

Não se sabe ao certo quando Pomar passou a integrar as fileiras do PCB, mas é certo que foi recrutado pela escritora Eneida de Moraes. [Eneida era minha amiga. Tive a felicidade de ser seu cicerone em Natal e interior do Rio Grande do Norte. Com o romancista Jorge Amado. Realizamos juntos uma viagem até Mossoró]

Aos 19 anos, Pedro Tomar entrou para a Faculdade de Medicina.

Membro do Comitê Central e da Comissão Executiva do PC, foi secretário de Educação e Propaganda, encarregado de supervisionar os cerca de 25 jornais mantidos pelo partido em todo o país. Entre 1945 e 1947, foi diretor da Tribuna Popular, diário de massas do PCB. Mais tarde dirigiu a Imprensa Popular, do Rio, e colaborou ativamente em Notícias de Hoje, de São Paulo. Foi, ainda, secretário político do Comitê Metropolitano do Rio de Janeiro. Em 1950, concluído o mandato, passou à clandestinidade.

Nessa época, já havia entrado em conflito com a maioria da direção do PC. De segundo ou terceiro principal dirigente, começou a ser gradualmente rebaixado. Afastado do secretariado, depois da Executiva, foi em seguida transformado em suplente do Comitê Central e deslocado do plano nacional: enviado para o Rio Grande do Sul, onde colaborou nas lutas operárias e populares ocorridas no Estado nos anos 1951 e 1952. Por sua experiência, foi indicado para participar de um comitê especial organizado em São Paulo, por cima da estrutura normal do Partido, com a finalidade de dirigir o processo de lutas grevistas e contra a carestia. Esse comitê orientou a atividades do PCB em São Paulo durante os anos 1952 e 1953.

Depois, voltou a morar no Rio de Janeiro. Foi, então, enviado à União Soviética, onde estudou por dois anos. Ao retornar, participou do Comitê Regional Piratininga, responsável pela organização do partido na Grande São Paulo. Em 1956, Pomar integrou a delegação brasileira ao 8° Congresso do Partido Comunista Chinês. De 1957 a 1962, participou ativamente da luta interna no PC, o que lhe valeu a paulatina destituição das posições de direção que ainda ocupava: de dirigente regional passou a dirigente do Comitê Distrital do Tatuapé, do qual o próprio Prestes, pessoalmente, ainda tentou destituí-lo durante as conferências preparatórias do V Congresso.

Pressionado pela direção, negou-se a voltar ao Pará e, para sobreviver, passou a fazer traduções e a dar aulas. Traduziu alguns livros de economia, uma série de livros de psiquiatria e de outros ramos científicos, tanto do inglês e do francês, como do russo. Traduziu, também, os dois primeiros volumes de “Ascensão e Queda do III Reich”, de W. Schirer, e deu aulas de russo. A maioria das traduções saíram com nomes de outros autores.

Em 1959, participou do Congresso do PC Romeno, onde assistiu ao choque direto entre Kruschev, o PC Chinês e o Partido do Trabalho da Albânia.

No V Congresso do PC, em 1960, Pomar ainda foi mantido como membro suplente do Comitê Central. Mas a luta interna caminhava para a sua expulsão e a criação, em fevereiro de 1962, do Partido Comunista do Brasil. Pomar, junto com Maurício Grabois, João Amazonas, Kalil Chade, Lincoln Oest, Carlos Danielli e Ângelo Arroyo foram os principais articuladores da conferência que selou o rompimento com o setor majoritário do PCB.

Eleito membro do Comitê Central do PC do B e redator-chefe de “A Classe Operária”, Pomar dedicou-se a organizar o novo partido, tendo realizado várias viagens ao exterior. Sabe-se que teve papel destacado na VI Conferência Nacional do PC do B, em julho de 1966. Nessa época, continuava morando em São Paulo.

Tendo discordâncias com a linha política e com os métodos adotados pela direção, Pomar não integrava o núcleo dirigente mais restrito do PC do B. Só após o assassinato de três membros da Comissão Executiva, em fins de 1972, Pomar incumbiu-se da direção de organização.

Após a derrota da guerrilha do Araguaia, Pomar escreveu um balanço crítico, em torno do qual conseguiu reunir a maioria da direção.

Pomar não deveria estar presente à reunião da Lapa. Mas a doença de sua mulher Catharina, desenganada pelos médicos, levou a desistir de uma viagem à Albânia. Por uma dessas ironias, vários membros da família reuniram-se para despedir-se de Catharina – que viveria até 1986 –, sem saber que na verdade despediam-se de Pedro.

Pomar foi executado pela repressão no dia 16 de dezembro de 1976 na fuzilaria contra a casa 767 da Pio XI. Seu corpo apresentava cerca de 50 perfurações de bala. Morreu ao lado de Ângelo Arroyo. Este episódio ficaria conhecido como Chacina da Lapa.

Foi enterrados no Cemitério Dom Bosco, em Perus, sob nome falso. Em 1980, a família conseguiu localizar e trasladar seus restos mortais para Belém do Pará, onde estão enterrados, e, no mesmo ano, editou o livro ‘Pedro Pomar’ , pela Editora Brasil Debates.

Transcrito do Portal São Francisco

 

Justiça abre primeira ação penal contra torturadores

O coronel Sebastião Curió Rodrigues de Moura e o major Lício Augusto Maciel, ambos da reserva do Exército brasileiro, se tornaram ontem os primeiros réus na Justiça brasileira por crimes cometidos durante a ditadura militar. A juíza Nair Pimenta de Castro, da 2ª Vara Federal em Marabá, no Pará, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e abriu a ação penal contra ambos. Eles são acusados de sequestro de militantes durante a repressão à guerrilha do Araguaia na década de 70 e até hoje desaparecidos.

Coronel Curió
Coronel Curió

Sebastião Curió comandou a repressão à guerrilha do Araguaia usando o codinome de doutor Luchini e é acusado dos sequestros de Maria Célia Corrêa (Rosinha), Hélio Luiz Navarro Magalhães (Edinho), Daniel Ribeiro Callado (Doca), Antônio de Pádua Costa (Piauí) e Telma Regina Cordeira Corrêa (Lia), todos capturados por tropas comandadas por ele entre janeiro e setembro de 1974 e nunca mais encontrados após terem sido levados às bases militares e submetidos à tortura.

Major Lício Augusto Maciel
Major Lício Augusto Maciel

Já o réu Lício Maciel usava, na época da repressão, o codinome de doutor Asdrúbal e foi responsável pela captura de Divino Ferreira de Souza, o Nunes, detido pelo exército em 1973. De acordo com as investigações do MPF, Divino foi emboscado pelos militares chefiados por Lício quando estava ao lado de André Grabois (Zé Carlos), João Gualberto Calatroni (Zebão) e Antônio Alfredo de Lima (Alfredo). Divino foi interrogado e submetido à tortura, e depois disso nunca mais foi visto.

Coronel Ustra
Coronel Ustra

Para o MPF, a responsabilização penal de Curió e Maciel é obrigação do Estado diante da sentença da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A comissão entendeu que o Brasil viola os direitos humanos ao não processar criminalmente acusados de tortura e mortes durante o regime militar, previsão feita na Lei de Anistia e mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O MPF também já pediu a abertura de uma ação penal contra o ex-chefe do Doi-Codi, Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o delegado da Polícia Civil, Dirceu Gravina, pelo sequestro do bancário Aluizio Palhano Pedreira Ferreira em 1971.

Estão soltos os comandantes da chacina de Carajás

Levante da Juventude:

Exigimos justiça e punição aos responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, em que 21 companheiros foram assassinados, (19 executados na hora e dois que morreram mais tarde), durante operação da Polícia Militar a mando do Governador Almir Gabriel, no governo FHC, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996, no dia 17 de abril.

Após 16 anos ao massacre, que teve repercussão internacional, os policiais e os governantes foram inocentados. Mas os dois comandantes foram condenados 220 anos de cadeia. Entretanto, recorreram e estão livres. Agora dia 28 de março, o STF determinou que eles deveriam ser presos. E até agora, estão ainda soltos.

Por outro lado, desde que se instalou a democracia em 1985, já foram assassinados mais de 1700 trabalhadores rurais. E apenas 70 casos foram a júri, e destes apenas 15 condenados. O Poder Judiciário no Brasil só funciona a favor dos ricos. E para proteger os interesses dos latifundiários. E a cada dia aparece mais denúncias na televisão das falcatruas no Poder Judiciário. Porque ainda é um poder monárquico, que não depende do voto do povo. Meia dúzia fazem o que querem. E depois se aposentam ganhando milhões, que o povo vai pagar pro resto da vida.

Leia o manifesto completo no sítio do Brasil de Fato.

A marcha interrompida
A marcha interrompida
O massacre virou história em quadrinhos, literatura de cordel, romance, poesia, teses cadêmicas, livros de sociologia, história e política
O massacre virou história em quadrinhos, literatura de cordel, romance, poesia, teses acadêmicas, livros de sociologia, história e política
Cruzes marcam o local do massacre
Cruzes marcam o local do massacre

Os cadáveres transportados de Eldorado dos Carajás, antigo distrito de Curionópolis
Os cadáveres transportados de Eldorado dos Carajás, antigo distrito de Curionópolis
O velório
O velório
As covas rasas em Curionópolis (cidade de Curió, interventor militar de Curionópolis e Eldorado do Carajás
As covas rasas em Curionópolis (cidade de Curió, coronel Curió, sequestrador, torturador, assassino de presos políticos, interventor militar de Curionópolis e Eldorado dos Carajás)
Reforma agrária: sete palmos de terra
Reforma agrária: sete palmos de terra

Coronel Sebastião Curió, primeira ação legal por crimes durante a ditadura

 

O Ministério Público Federal do Brasil vai acusar um coronel aposentado por alegado sequestro de cinco militantes da guerrilha do Araguaia na década de 70, durante a ditadura militar.

Esta será a primeira ação penal no Brasil por um alegado crime cometido durante a ditadura (1964-1985), que avançará na cidade de Marabá, no Estado do Pará, e terá como alvo o coronel aposentado Sebastião Curió, segundo uma nota do Ministério Público brasileiro.

A guerrilha do Araguaia era um movimento armado organizado pelo então Partido Comunista do Brasil e, pelo menos, 62 dos seus cerca de 80 membros morreram ou desapareceram na Amazónia em combates contra as forças do regime militar entre 1972 e 1974.

Curió, que foi um dos chefes militares que combateram essa guerrilha, será acusado de sequestro qualificado de María Célia Correa, conhecida como “Rosinha”, Hélio Luiz Navarro Magalhães (“Edinho”), Daniel Ribeiro Callado (“Doca”), António de Padua Costa (“Piauí”) e Telma Regina Correa (“Lia”), de acordo com a nota do Ministério Público.

Os cinco “foram sequestrados por tropas comandadas por Curió entre janeiro e setembro de 1974 e, depois de terem sido levados para bases militares coordenadas por aquele e submetidos a tortura física e moral, nunca mais foram encontrados”, refere o comunicado.

Curió poderá arriscar até 40 anos de prisão. (Diário de Notícias, Portugal)

Biografa Wikipedia:

Em 21 de junho de 2009 o jornal “O Estado de São Paulo” noticia que “Curió” abriu seu arquivo particular sobre a Guerilha do Araguaia, afirmando que o Exército executara 41 guerrilheiros, e não somente 25, como se sabia até então. O lendário arquivo do militar da reserva Curió teve notoriedade em 1982, quando o então ex-ditador Médici afirmou que o agente “sabia de muita coisa”.

O Pacto de silêncio firmado pelos oficiais vigorou por 30 anos, segundo O Estado de São Paulo.

O apelido faz referência ao curió, um pássaro nativo da América do Sul (e também uma das gírias para pênis pequeno no interior do Brasil).

Jornal do Brasil:

O presidente  da OAB do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous afirmou, nesta quarta-feira, que a decisão do Ministério Público Federal de apresentar denúncia penal contra o coronel do Exército Sebastião Rodrigues de Moura, apelidado de Curió, “se respalda em corretíssima interpretação jurídica”. Segundo Damous, o desaparecimento forçado é crime permanente e, portanto, não está prescrito.

“É inaceitável que responsáveis por tortura, assassinatos e desaparecimentos que agiram em nome do Estado continuem por aí impunes e circulando livremente”, disse.

“A atitude dos Procuradores da República, além de tecnicamente irrepreensível, é patriótica”, destacou o presidente da OAB do Rio de Janeiro.

 

Corte Interamericana

Os cinco crimes de sequestro identificados pelos procuradores foram levados à Justiça pouco mais de um ano depois que a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre o caso Araguaia determinou que: “o Estado deve conduzir eficazmente, perante a jurisdição ordinária a investigação dos fatos do presente caso a fim de esclarecê-lo, determinar as correspondentes responsabilidades penais e aplicar efetivamente as sanções”.

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