No Brasil todo defunto vira santo. Morte de corrupto não merece luto oficial. Isso acontece porque temos cidades com nome de torturador e de ladrão

 

 

Que uma família cultue e chore seus mortos um direito sagrado. Mas o Estado deve apenas homenagear e lembrar personalidades, cuja história sirva de exemplo para todos os brasileiros, principalmente quando exerceram cargos nos poderes executivo, legislativo e judiciário.

Leio hoje: Pela morte do deputado estadual Walter Rabello (PSD), o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), decretou luto oficial por três dias. Por meio da Secretaria de Comunicação Social, o chefe do Executivo estadual disse lamentar a perda do parlamentar, que faleceu na noite desta terça-feira (9), aos 48 anos.

“O Walter fazia um grande trabalho e infelizmente nos deixou. Que Deus conforte sua família neste momento tão difícil”, disse o governador, em nota. Walter Rabello deixou a mulher, cinco filhas e duas netas. Além de deputado, ele também trabalhava como apresentador de TV e cantor.

Na sessão plenária desta terça-feira, Rabello fez um balanço de sua atuação parlamentar durante o primeiro semestre deste ano. Presidente da Comissão de Segurança Pública e Comunitária na Casa de Leis, ele comentou sobre os projetos que apresentou para melhorias nessa área.

Rabello começou na política em 2004, quando se elegeu vereador por Cuiabá e, dois anos depois, deputado estadual. Por mudar de partido, teve o mandato cassado por ‘infidelidade partidária’, em 2008. Na eleição de 2010, conquistou mais uma vez a cadeira. Este ano, foi reeleito com 27.232 votos.

Todo deputado do Mato Grosso é um Rabello em vida? Tem Rabello como modelo? Justa a homenagem, ele vai terminar nome de ruas e avenidas. De escolas e ginásios. De faculdade de comunicação social. Talvez de um algum presídio.

Major Curió nome de cidade

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Adorados como deuses, depois de mortos, Hitler teve derrubadas suas estátuas na Alemanha. Deixou de ser nome de cidades e monumentos. Aconteceu o mesmo com Stalin. Posso citar dezenas de ditadores na Europa do Século XX.

A estátua de Stálin derrubada pelo povo húngaro
A estátua de Stálin derrubada pelo povo húngaro

 

Por que não acontece o mesmo no Brasil? Resultado: São Paulo já realizou a quinta marcha pedindo o retorno da ditadura de 1964, que durou 21 anos.

A quinta marcha depois das eleições do segundo turno, para impedir a posse de Dilma Rousseff eleita, democraticamente, pelo voto direito.

É repugnante. O Brasil tem um município e cidade com o nome de Curionópolis, que homenageia o major Sebastião Curió, um assassino, um torturador, um ladrão, um traficante de minério.

 

Curionópolis fica no estado do Pará. Localiza-se na microrregião de Parauapebas e na mesorregião do Sudeste Paraense. O município tem 18.108 habitantes (2012) e 2 289 km² de área territorial.

Foi emancipado administrativamente em 1988. O município é notório por abrigar a Serra Pelada, que foi o local de operações do maior garimpo a céu aberto do mundo, durante a década de 1980. Um ouro que foi transportado de avião para vários países, principalmente o Uruguai.

Curió praticou todos os crimes que lhe deu na telha. Impunemente. Um deles. Foi condenado ao pagamento de R$ 1,1 milhão por improbidades administrativas ocorridas entre 2001 e 2004, durante sua penúltima gestão como prefeito do município. A decisão da Justiça Federal em Marabá foi publicada nesta quarta-feira, 25 de março, e suspende os direitos políticos de Curió por cinco anos.

A ação contra Curió e o então secretário de Finanças do município Wilson da Silva Marques foi ajuizada pelo Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) em setembro de 2006. O juiz federal Carlos Henrique Haddad considerou que o ex-prefeito teve enriquecimento ilícito, fraudou licitações e feriu os princípios de honestidade e legalidade na administração pública. As acusações contra Marques foram rejeitadas pela Justiça.

Curió foi várias vezes prefeito. As irregularidades foram praticadas principalmente com verbas do Fundef. As fraudes vão desde a contratação de empresas fantasmas, uso de notas fiscais falsas, inexistência de processos licitatórios ou processos irregulares, entre outras. As investigações também detectaram que houve fraude na criação do conselho do Fundef, que provavelmente não chegou a funcionar durante o período pesquisado.

Em defesa dele, pode-se afirmar que, praticamente, todos os prefeitos desviam verbas federais e estaduais. Pobre país de prefeitos ladrões.

 

Quem é Walter Rabello?

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Apenas conhecido no Mato Grosso, Walter Rabello já foi denunciado pelas suas trapaças. Em maio deste ano, a imprensa publicou: A Secretaria Nacional de Defesa dos Direitos Humanos, órgão ligado à Presidência da República, enviou um ofício ao presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Rubens de Oliveira, pedindo urgência no julgamento da ação penal que envolve o deputado estadual e apresentador de televisão Walter Rabello (PSD).

Ele é acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de cometer crime de tráfico de influência e de pertencer a um grupo criminoso chefiado pelo empresário Julio Uemura.

No mês passado, o órgão solicitou ao presidente do TJ prioridade no andamento processual da ação penal, já que, segundo o órgão federal, existem testemunhas que estão sendo beneficiadas pelo Programa Nacional de Proteção a Testemunhas.

Relações com Uemura: “padrinho”

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Com uma relação estreita com o chefe da organização acusada de aplicar golpes e tinha o monopólio no setor de hortifrutigranjeiro em Mato Grosso, empresário Júlio Uemura, o deputado Rabelo afirmou que, caso vencesse a eleição para Prefeitura de Cuiabá, quando disputou em 2008, quem iria administrar a Capital seria o “padrinho” Uemura.

A revelação está contida na denúncia que os promotores Joelson Maciel e Célio Wilson, que atuavam no Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPE, encaminharam à Justiça, após a deflagração da “Operação Gafanhoto”.

O MPE colheu as declarações do parlamentar por meio de gravação telefônica autorizada pela Justiça. A conversa entre Rabello e Uemura e foi gravada um ano antes das eleições municipais, no dia 19 de outubro de 2007, às 11h15.

Rabello disputou as eleições para prefeito de Cuiabá e ficou em terceiro lugar. Informações extra-oficiais apontam Júlio Uemura como principal financiador da campanha do progressista ao Palácio Alencastro.

A denúncia oferecida pelo Gaeco e acatada pela Justiça aponta que Walter Rabello agia fazendo tráfico de influência, utilizando de sua influência política em benefício do grupo.

Conforme conversa telefônica, gravada no dia 28 de janeiro de 2009, às 19h13, o MPE considerou que ficou evidenciada a troca de favores em obtenção de uma série de vantagens, tais como patrocínios.

As gravações, conforme a denúncia, também revelam que Rabello pedia bênçãos ao “cabeça” da organização, com o tratamento de “chefe” e “padrinho”, revelando a estreita relação entre os dois denunciados pela Operação Gafanhoto.

“Conversas (…) relatam empréstimos concedidos por Júlio Uemura, como doação de cadeiras de rodas para seu programa”, revela trecho da denúncia do Gaeco. O programa “Olho Vivo na Cidade” era apresentado por Rabello na TV Cidade Verde, até então afiliada ao SBT, de onde ele foi demitido pelo dono da emissora, antes de oficializar sua campanha a prefeito de Cuiabá.

As investigações também mostram que, enquanto deputado estadual, Walter Rabello empregava em seu gabinete pessoas indicadas por Júlio Uemura, comprovando a existência de “troca de gentilezas” entre os denunciados.

“Walter Rabello, após solicitar o apoio financeiro de Júlio Uemura para realização de uma campanha beneficente (entrega de brinquedos no Natal), ressalta que colocará à disposição deste, uma vaga de assessor direto em seu gabinete”, relata denúncia, conforme conversa telefônica no dia 11 de dezembro de 2007.

 

Em São Paulo sem água, um bando de terroristas pede sangue

Passeata em Sampa. Imaginei que  para reclamar a falta de água.

E coisa rara, sem pancadaria da polícia e sem infiltrados e espionagem.

 

Viva a PM! Viva Bolsonaro! Viva Lobão!

 

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por Fábio Chap

Acabei de voltar de uma manifestação em que:

– 93% dos presentes gritavam: ‘Viva a PM! Viva a PM!’

– 52% dos presentes pediam a intervenção militar, ou seja, o retorno da ditadura militar no Brasil

– 97,8% dos presentes comemoraram quando foi dito no megafone que o congresso derrubou  a ‘medida bolivariana’ da Dilma que propunha participação popular na política brasileira

– Foi anunciado no carro de som que a ‘Fulana de Alguma Coisa’ tinha perdido seu cartão de crédito e poderia retirar no próprio caminhão. (Adoro manifestações em que eu posso recuperar meu cartão de crédito quando o perco.)

– 94% aplaudiu fervorosamente o Lobão quando ele subiu no carro de som

– 86% aplaudiu fervorosamente o filho de Bolsonaro, e ficou gritando: ‘Bolsonaro! Bolsonaro! Bolsonaro!’

– Discuti com uma mulher que cismou que eu era comunista quando eu disse que o Aécio bateu na esposa. Ela disse que eu preciso estudar mais e que se ele bateu na esposa, isso é problema particular deles, não nosso

– Uma menina bonita e bem vestida, por volta dos 20 anos, disse que o PT acabou  com a juventude dela

– Uma mulher começou a gritar ‘Dilma, Dilma, Dilma’ e ouviu de contra-argumento que ela era maconheira, sapatona e vagabunda. O homem que a xingou estava vestido de azul e deveria ter por volta de seus 60 anos.

Nesses rolês eu aprendo muito sobre o ÓDIO. E quanto mais eu vejo essas pessoas odiosas vomitarem suas verdades pequenas e particulares, mais eu desejo que elas descubram um pouco mais sobre o amor.

Quem sabe um dia.

 

Hidrante como enfeite

 

Boca de incêncio
Boca de incêncio

O governador Geraldo Alckmin mandou a polícia militar não reprimir a passeata. Ora, ora, era uma passeata favorável à polícia.

Estavam proibidos desta vez, o uso de bombas de efeito moral, balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo.

O governador aprovou apenas o uso de canhões de água contra os petistas, que não apareceram.

Os soldados estaduais testaram os hidrantes para ligar suas mangueiras. Não encontraram nenhum em funcionamento.

Alckmin ainda acredita que existe água em São Paulo.

E se acontecer um incêndio?

 

Os filhos da mídia foram protestar na Paulista

 

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por Paulo Nogueira

 

Os filhos da mídia foram neste sábado para as ruas protestar contra, bem, contra sei lá o quê.

Contra terem perdido nas urnas e, portanto, contra a democracia.

Disse “filhos”, mas poderia ter dito “vítimas”.

Porque em sua louca cavalgada antidemocrática eles foram intoxicados mentalmente pelo que a mídia deu nestas últimas semanas.

Eles pareciam saídos das páginas da Veja e dos comentários de gente como Jabor.

Pediam o impeachment de Dilma pelo caso Petrobras.

São os efeitos colaterais da capa criminosa que a Veja deu às vésperas das eleições.

Os manifestantes da Paulista tomaram aquilo como uma verdade indiscutível.

Isso mostra que é necessário aplicar uma punição exemplar à Veja. É uma tentativa de golpe branco fazer o que a revista fez – sem uma única prova – em cima de uma eleição tão disputada.

A Veja tem que enfrentar – rapidamente — as consequências do que fez. Ou vamos esperar que um lunático, inspirado pela revista, comece a matar petistas?

A mídia está também por trás do disparatado pedido de auditoria de votos feito pelo PSDB.

Os tucanos só fizeram isso por saberem que têm as costas quentes com a imprensa. Ou então se refreariam antes de atentar contra as instituições com um pedido tão esdrúxulo.

As dúvidas não resistem a um minuto de reflexão. Considere. O Datafolha deu, na véspera, 52% a 48% para Dilma. A diferença ficou nos decimais: 51,64% versus 48,36%.

A desconfiança nasce também, assinale-se, de trapaças do PSDB não devidamente cobradas pela mídia.

Aécio usou dados enganosos de uma pesquisa do instituto Veritás que lhe dava ampla vantagem em Minas, onde perdera no primeiro turno.

O dono do Veritás avisou que era um erro, ou crime, utilizar os números que Aécio brandiu publicamente, nos debates, contra Dilma. O estatístico também.

E mesmo assim Aécio não se deteve.

O que pensa um fanático antipetista quando vê uma coisa dessas? Num dia, numa pesquisa, seu candidato está ganhando amplamente em Minas. No dia seguinte, no mundo real, o candidato perde.

Farsa, é a conclusão.

E a frustração se converte em raiva depois que analistas afirmam que Aécio perdeu a presidência por causa dos votos que não teve em Minas.

Manifestações como a de hoje mostram como a sociedade está sendo agredida por uma mídia interessada apenas na manutenção de seus formidáveis privilégios.

Pensava-se que o ataque da mídia à democracia cessaria com as eleições.

Não cessou.

É hora de o Estado proteger a democracia, antes que seja tarde demais.

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Leia também: “Se eu fosse você, temeria pela sua integridade física”: nosso repórter na manifestação pelo impeachment em SP

 

Será que vai ter água?

 

Sergei Tunin
Sergei Tunin

Se o STF ergueu um muro entre a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos e a Justiça, a ação dos jovens lança a ponte que haverá de torná-lo inútil

Quando um muro separa uma ponte une (…)

Você corta um verso, eu escrevo outro

Você me prende vivo, eu escapo morto

De repente olha eu de novo

Perturbando a paz, exigindo troco

Vamos por aí eu e meu cachorro

Olha um verso, olha o outro

Olha o velho, olha o moço chegando

Que medo você tem de nós, olha aí

(Pesadelo, de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)

Aos poucos a sociedade vai rompendo o marasmo com que recebeu a agressão resultante da aliança entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e os torturadores e assassinos da ditadura militar.

Se as discussões sobre o projeto da Comissão Nacional da Verdade foram atalhadas pelo rolo compressor do governo, este viu logo em seguida que sua timidez diante dos criminosos somente lhes aumentava a audácia e o despudor. A exigência da presidenta Dilma e do Ministro Amorim de retirada do manifesto apócrifo da página dos Clubes Militares resultou na afrontosa divulgação do Manifesto dos Canalhas na página dos torturadores.

Entre a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos repudiando os crimes militares e a palavra do STF que os santifica ergueu-se o muro de proteção da ignomínia, com o qual a mais alta instância do Poder Judiciário brasileiro se pôs em favor dos torturadores, assassinos e sequestradores.

Entre a posição do Ministério Público Federal que denunciou o Major Curió pelos desaparecimentos forçados no Araguaia e a realização da Justiça alinharam-se a decisão de um Judiciário de primeira instância que não consegue honrar o compromisso com os direitos humanos e a perspectiva de nova manifestação do STF em favor dos torturadores na malfadada Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental, com que a OAB tentou ganhar para si um espaço no panteão da democracia.

Entre o Manifesto dos Canalhas e a vontade da sociedade em apoio à Memória, Verdade e Justiça esboçou-se um hiato de silêncio e dúvida.

E então a sociedade começou a fazer ouvir sua voz, pela voz da juventude, quando saíram às ruas em busca da oportunidade para demonstrar seu repúdio às violações de direitos humanos e à proteção dos violadores, e seu apoio à luta pela construção da memória, da verdade e da justiça.

Em diversos estados brasileiros os jovens foram às ruas e às portas atrás das quais se esconde a covardia para denunciar aos vizinhos e às consciências que ali se escondem criminosos. Já crentes, muitas vezes, de terem escapado ao julgamento da história, os “capitães Lisboa” de todos os recantos se ocultaram atrás das cortinas e devem ter gemido a dor de se verem encontrados quando já se julgavam ocultos para sempre.

Mas as ações dos jovens dizem mais do que avisar os torturadores e agentes dos desaparecimentos e homicídios de que sua hora se avizinha. Os jovens brasileiros disseram, com sua prática, que os esforços dos que apadrinham e acobertam os crimes do fascismo serão vãos.

A juventude brasileira mandou um recado ao Poder Judiciário e a sua instância maior de que mais do que suas decisões importam os direitos da Pátria e de seus filhos. A juventude popular deixou bem claro com suas ações e suas caminhadas que assumiu as bandeiras da geração que se sacrificou pela libertação nacional e a democracia, e já não aceita mais depô-las. Assim como os da geração pós 1964 ousaram afrontar a tirania militar a serviço do capital, a geração do segundo milênio anunciou sua ousadia para enfrentar a tirania judicial dos defensores do crime, do sequestro, dos homicídios e da tortura a serviço do mesmo capital.

As ações empreendidas pela juventude rebelde brasileira põem na berlinda os fascistas de ontem e os de hoje; o capital que sustentou a ditadura que os protegeu e o capital que protege os torturadores de ontem e de hoje. Na página da internet da empresa de vigilância do delegado Davi Santos Araújo, assassino do dirigente político Joaquim Alencar Seixas, estuprador de sua filha, ainda menor de idade naquela ocasião, e torturador de seu filho e sua esposa, exibiam-se orgulhosamente os logotipos de inúmeras empresas – Volkswagen, Santander, Anhanguera Educacional, Banco Itaú, Ford, Jac Motors e Banco Safra, entre outras – que contrataram os serviços das empresas do torturador. Tais empresas haverão de ser chamadas também, como as empresas que financiavam a tortura no passado, a dar contas de suas responsabilidades.

Se o STF ergueu um muro entre a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos e a Justiça, a ação dos jovens lança a ponte que haverá de torná-lo inútil.

Editorial da edição 474 do Brasil de Fato

Vídeo Música de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós.

Interpretação de Eduardo Gudin, Paulo César Pinheiro e Márcia no show “O Importante é que a Nossa Emoção Sobreviva”.

Levante Popular da Juventude apresenta alguns torturadores

Estudante, entre neste Levante. Vídeo apresenta os excruciadores

270312_torturadoresleandrosilvaLíngua Ferina – Inspirada em mobilizações similares ocorridas no Chile e na Argentina, a juventude da Consulta Popular realizou nesta segunda-feira, 26 de março, ações de “escracho” em diversas cidades contra vários torturadores que atuaram durante o regime militar brasileiro.


Em sua página na internet, o Levante Popular da Juventude declara que “os manifestantes apoiam a Comissão da Verdade e exigem a apuração e a punição sobre os crimes cometidos pela ditadura militar.”No dia 21 de setembro do ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que cria a Comissão da Verdade para apurar os crimes cometidos no período entre 1946 e 1988. O projeto provocou inúmeras críticas de diversas entidades de Direitos Humanos, que ressaltam que a Comissão não terá independência do governo nem meios legais e materiais para investigar a fundo os crimes da ditadura.
As ações de escrachos constituem na denúncia de torturadores que continuam impunes até hoje em seus atuais locais de trabalho ou moradia.

Plebiscito para mudar o triste nome de Curionópolis, cidade pelada de suas riquezas

Lideranças políticas do sudeste do Pará querem mudar o nome da cidade de Curionópolis, desfazendo homenagem concedida pelo Estado, na década de 1980, ao coronel reformado do Exército Sebastião Rodrigues Curió, conhecido como major Curió. O município, a 800 km de Belém, foi criado em 1988 por lei estadual, a partir do desmembramento de Marabá.

No início do mês, o deputado estadual Fernando Coimbra (PSD) apresentou projeto de plebiscito para que a população local diga se quer alterar o nome da cidade para Serra Leste. O coronel Curió, à época major, combateu a guerrilha do Araguaia (1972-1975) nessa região. Ele foi denunciado neste mês pelo Ministério Público Federal, que o acusa do sequestro de militantes políticos de esquerda durante a guerrilha. A Justiça Federal de primeira instância já rejeitou a ação, mas a Procuradoria anunciou que irá recorrer.

Foi interventor militar na década de oitenta, e prefeito por dois mandatos (2000-2008). Na última eleição, Curió foi cassado sob acusação de compra de votos.

O Ministério Público paraense já havia notificado Prefeitura e Câmara Municipal de Curionópolis pedindo providências para a mudança do nome. Uma lei federal de 1977 proíbe atribuir nome de pessoa viva a bem público. Deputados da região dizem acreditar na aprovação do projeto com folga. “É imoral uma cidade ter o nome de pessoa com uma história de truculência e violência“, disse a deputada Bernadete ten Caten (PT), relatora do projeto em comissão da Casa. (Fonte: jornal Agora)

Acontece que o nome Serra Leste não é bem aceito. Que o povo escolha o nome.

O blog Zé Dudu, das regiões sul e sudeste do Pará, fez uma pesquisa, e informa que a população está dividida. Isso no voto aberto, apesar do mando do coronelismo político.

O projeto foi proposto às comissões e deve ir a plenário em, no máximo, 45 dias. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE/PA) fixou o prazo de 180 dias para a realização do plebiscito, a contar da data de publicação do Decreto Legislativo. Segundo avalia Coimbra, a mudança de nome poderia dar maior visibilidade ao município, tanto no cenário nacional, como no internacional. “Curionópolis tem uma das principais jazidas de ouro do Pará, com capacidade para produzir, inicialmente, 150 toneladas. Grande parte de suas riquezas fica na região de Serra Leste, onde a Vale implantou o projeto para explorar os minérios. É preciso considerar isso”.

A região de Curionópolis é originária do município de Marabá que surgiu de um aglomerado de pessoas que, no final da década de 1970, se estabeleceram no km 30 da rodovia PA-275, com a expectativa de trabalho na implantação do projeto Ferro Carajás, construção da estrada de ferro Carajás – Ponta da Madeira ou em busca de ouro, nas dezenas de pequenos garimpos que proliferam na região.

Com a ocorrência de ouro na Serra Pelada, no início dos anos 1980, Curionópolis consolidou-se como núcleo de apoio a essa atividade e como local de residência das mulheres e filhos de garimpeiros que, à época, eram impedidos de ingressar na Serra Pelada. Desenvolveram, assim, um comércio diversificado e um setor de serviços – hotéis, pensões, bares, lanchonetes, boates e outros – que consolidou Curionópolis como povoação, definitiva, mesmo depois que o ouro daquele garimpo escasseou. Leia os comentários. 

Projetos minerários

“Tudo que foi discutido e prometido para a Coomigasp está sendo cumprido”. A declaração foi feita pelo diretor da empresa Colossus, Darci Lindenmayer, ao destacar que o cronograma das obras na Nova Mina de Serra Pelada está dentro do prazo estabelecido na planta do projeto. Darci disse que a chegada da Colossus e de outras empresas de mineração à Curionópolis tem mudado a economia da região. “Não só o nosso projeto, como também os projetos da Vale e da Serra Leste, têm trazido desenvolvimento muito grande  à vila de Serra Pelada e para o município de Curionópolis”, frisou. O diretor da Colossus destacou ainda os benefícios que estão chegando na vila de Serra Pelada. “Só para se ter uma ideia, dos 700 funcionários do projeto, a maioria é residente na vila de Serra Pelada. E hoje já vemos melhorias na vila com a abertura de novos bares, restaurantes, lojas de confecção  e supermercados. Portanto, hoje, a vila de Serra Pelada tem uma fisionomia bem diferente da que ela tinha há dois anos atrás”, afirmou.

A empresa Colossus, de origem canadense, fez parceria com a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) para exploração mecanizada de ouro, platina e paládio no antigo garimpo. Serão investidos no projeto R$ 220 milhões. Novos equipamentos recém-chegados já estão em atividade: dois caminhões betoneiras tornados e um caminhão alfa 20 responsável pela projeção de concreto no teto do túnel no interior da mina. Além desses modernos equipamentos, o projeto acaba de receber um moinho de bolas, que é responsável pela diminuição do material proveniente da mina e pelo seu preparo para as próximas etapas de concentração.

Que piada: “abertura de novos bares, restaurantes…”

A vocação mineral do Pará esta cada vez mais consolidada e o município de Curionópolis é um dos mais importantes neste cenário. Informa a Prefeitura: O município vai receber além do Projeto Serra Leste, o Projeto Cristalino de exploração de cobre, e Serra Pelada para a lavra de ouro.

A reserva inicial da mina de Ferro Serra Leste é de 29 milhões de toneladas de minério de ferro, com estimativa de produção de 2 milhões de toneladas por ano. O minério de ferro granulado produzido atenderá o mercado das siderúrgicas de ferro gusa (componente do aço) em Marabá, Açailândia, Santa Inês e Rosário. O empreendimento possibilitará a criação de novos postos de trabalho arrecadação de impostos, já que no segundo ano de operação, Curionópolis passa a ganhar anualmente uma injeção de tributos entre royalties e impostos incrementando assim, a economia local e investimento em projetos sociais. Esses são alguns dos benefícios que a implantação da mina de Ferro Serra Leste vai trazer para o município de Curionópolis.

O projeto Cristalino será implantado na divisa entre as cidades de Canaã dos Carajás e Curionópolis, porém a mina onde será feita a extração de cobre, ficara no município de Curionópolis. Com investimentos na ordem de 1 bilhão de dólares, e com estimativa prevista para 24 anos de produção, o Projeto Cristalino é um empreendimento da Vale na exploração de cobre na região e vai suprir a demanda do mercado nacional tornando o Brasil auto – suficiente na produção e comercialização desse minério.

Pobre Curionópolis pobre, pra onde vai tua riqueza? As fotos mostram o atraso da cidade sempre roubada.

Serra Pelada

Por Thais Pacievitch

De maio a novembro de 1980 foram retirados aproximadamente 7 toneladas de ouro. No fim do ano de 1981, já haviam sido retiradas do garimpo mais de 10 toneladas de ouro. No fim de dois anos, o estreito riacho já havia se transformado em um buraco de 100 metros de profundidade, do tamanho do estádio do Maracanã.

Devido à grande concentração de pessoas e a falta de infraestrutura na região, em maio de 1980 foi enviado o interventor federal Sebastião Rodrigues de Moura, o “major Curió”. Foi ele o responsável pela organização dentro e nos arredores do garimpo.

As condições de trabalho eram extremamente precárias. Quanto maior a profundidade do garimpo, maior o perigo de acidentes com garimpeiros. Os desmoronamentos eram frequentes. As escadas improvisadas e danificadas; os perigosos barrancos que se formaram e a inalação de poeira rica em monóxido de ferro tiraram a vida de muitos garimpeiros.

Leia mais

Pelada Serra Pelada...
Pelada Serra Pelada...

Escreve Breno Castro Alves:

Estima-se que cerca de 120 mil pessoas viveram ali no auge do garimpo, de 82 a 86. A primeira pepita foi encontrada em dezembro de 79, por um vaqueiro da fazenda do velho Genésio, dono daquelas terras.

Em sua parte mais profunda, o lago de Serra Pelada possui 120 metros de profundidade. Acima d’água não difere muito de um lago comum, talvez exceto pela montanha recortada que se projeta morro acima. Abaixo da superfície, depositadas no solo envenenado de mercúrio, estão sobrepostas camadas de ouro, lama, sangue e ganância humana.

TSE proíbe pré-campanha eleitoral pelo Twitter. Curionópolis desobedece

Coronel Curió nomeia um munício e uma cidade
Coronel Curió nomeia um munício e uma cidade

Toda vez que é citado o nome de Curionópolis se promove o coronel Curió, chefe político do Pará.

É crime nomear um município com o nome de pessoa viva, idem uma cidade.

Os candidatos a cargos eletivos não podem usar o  Twitter para se autopromover ou pedir votos antes do período de propaganda permitido por lei. É o que definiu o Tribunal Superior Eleitoral.

Os ministros do TSE entenderam que o Twitter é um meio de difusão de massa e que, assim como ocorre no rádio e na TV, a propaganda só deve ser autorizada a partir do dia 6 de julho próximo.

Ninguém sabe se o coronel Curió pretende ser novamente prefeito. Sua possível candidatura depente da Justiça de Brasília.

Para onde vão os desaparecidos?

É conhecida a expressão popular: negro não morre, desaparece.

Nas escolas, o uso da palmatória. Sabatina. Também existia a brincadeira do ai. (Veja vídeo).

– Vamos brincar de ai?

– Como se brinca?

– A gente dá as mãos, e uma mão bate na outra. Quem falar ai, sai. Até ficar apenas um jogador, o vencedor.

Tinha outro jeito:

Perguntava-se:

– Você conhece a brincadeira do ai?

Se a respostas fosse: – não, se dava um beliscão.

Quando a vítima dizia ai, ouvia a resposta:

– Agora, você sabe.

Esta brincadeira do beliscão fez muito começo de namoro. O beliscão era suave, servia para criar um espaço de intimidade, e a garota fingia dor.

Nos porões da ditadura praticavam a brincadeira do ai. Com instrumentos usados contra os escravos nos antigos impérios, e outros inventados pela polícia das tiranias hodiernas.

No Brasil muitos levaram sumiço nesse jogo comandado pelos Ustra e os Curió.

Eles sabiam que estavam praticando um crime. Portanto, para esconder os mortos criaram os cemitérios clandestinos. Recentemente, um ex-goleiro do Flamengo fez o mesmo ou mandou. Muitos torcedores pediram a soltura do jogador que assassinou a amante grávida. Partes do cadáver foram jogadas para os cães. Cegos flamenguistas assinaram manifesto.

O secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, anunciou em 2011, que quer dar fim à dor das famílias que tiveram parentes mortos de maneira cruel e enterrados em favelas da cidade. Beltrame lançou uma campanha de incentivo para moradores da região denunciarem a existência de cemitérios clandestinos e possíveis esconderijos de ossadas.

– Nós entendemos que precisamos buscar os restos mortais destas pessoas, como o Júlio Baptista, que desapareceu em 2009, para minimizar a dor das famílias que sofreram ou sofrem com isso, porque existem inquéritos abertos de acusações de homicídios, mas nós não temos o corpo para concluí-los.

Júlio Baptista é um agente de combate às endemias da Prefeitura do Rio (mata-mosquito) que está desaparecido desde o dia 9 de julho de 2009. A iniciativa da campanha teve início depois de a Secretaria de Segurança ter sido acionada pela família da vítima, morta por traficantes do local. De acordo com as investigações, ele teria sido confundido com um estuprador e morto pelo tribunal do tráfico que atuava na Nova Brasília. O corpo de Júlio nunca foi encontrado.

O Brasil todo pergunta:

– Onde estão os desaparecidos?

Eternamente vão ouvir esta música. Clique