Ação Civil Pública do MPPE revela herança do governo Eduardo Campos na Saúde: mortes e filas de espera por cirurgias com mais de 6 mil pacientes

por Noelia Brito

 

 

Saúde-Pública

O Dr. Edvaldo Palmeira, titular da 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital, concedeu, no último dia 03 de abril, liminar atendendo a uma ação civil publica movida pelo Ministério Público de Pernambuco, determinando que o Estado de Pernambuco apresente, no prazo da contestação, as listas completas e detalhadas por especialidade (constando o nome do usuário, número de identificação – como CPF e Registro Geral, a idade, o tipo de cirurgia, a data da indicação cirúrgica e a unidade de saúde requisitante) de todos os usuários do SUS que ainda aguardam realização de cirurgias eletivas em unidades hospitalares da rede própria ou conveniada do Estado e que, no mesmo prazo, também apresente nos autos um cronograma para a efetiva realização das cirurgias eletivas, quer relativamente às pendentes quer quanto àquelas cujas requisições possam ser estatisticamente previstas para este ano de 2014 e, por fim, que no mesmo prazo, faça a adesão ao SISREG ou apresente cronograma de implantação de sistema próprio de gerenciamento de lista de pacientes que aguardam por cirurgias eletivas, nele incluídos todos os hospitais da rede pública do Estado ou com ele conveniados, especificando as informações que terá tal sistema, fixando multa de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) por cada dia de descumprimento da decisão, a ser revertida ao Fundo Estadual de Saúde, sem prejuízo da responsabilização criminal e por ato de improbidade, além do direito de regresso contra quem der causa ao não cumprimento da decisão.

Ao analisar o processo, o Juiz constatou a existência de relatos dramáticos de casos de pessoas que, quando não foram a óbito, ficaram com a qualidade de vida extremamente comprometida, em face da demora na realização dos procedimentos cirúrgicos pelo SUS, quando procuraram hospitais da rede pública do Estado de Pernambuco ou com esta conveniados.

As listas de espera por cirurgias eletivas até o momento levadas aos autos por apenas 5 (cinco) dos hospitais públicos estaduais/conveniados alcançam o expressivo número de 5694 pacientes. Não se sabe ainda nos autos a quantidade exata de hospitais públicos ou conveniados em funcionamento no Estado, mas deve-se considerar pelo menos a existência de mais 9 (nove), que teriam sido criados pelo governo Eduardo Campos, além da reabertura do Hermínio Coutinho e da Maternidade do Hospital e Policlínica Jaboatão Prazeres, conforme informado pelo próprio governo em sua manifestação prévia, o que leva a crer que a fila de espera seja ainda bem maior que aquele levantada até o momento para os cinco hospitais, sem falar que no tocante ao Hospital da Restauração – um dos maiores do Estado – somente foi informado o número de pacientes aguardando cirurgias traumato-ortopédicas.

Apesar de toda a deficiência constatada pelos promotores e pelo próprio Juiz na instrução da ação, causou escândalo observar que mais de meio bilhão de reais foram gastos somente nos anos de 2013/2014, pelo governo Eduardo Campos, com despesas consideradas não essenciais e com publicidade, aí incluídos arranjos de flores, apresentações da Banda Calipso, eventos como o Olinda Beer e o Tamandaré Fest e a compra de bolos de rolo e repasses voluntários para municípios através do FEM. Leia mais

 

[Nota do redator do blogue: O governador Eduardo Campos saiu do governo sem revelar quanto gastou para construir um estádio na Mata de São Lourenço. A propaganda mentirosa do governo diz que jogou no mato ou na mata um pouco mais de meio bilhão de cruzeiros… apenas na construção do Coliseu…]

http://www.osvideoslegais.com/o-comercial-da-copa-que-foi-censurado-pela-tv/

Como vai a saúde dos médicos e hospitais?

Além do Ministério, o Brasil tem as secretarias de Saúde estaduais e municipais com hospitais e postos de saúde e as reitorias com hospitais escolas, e uma infinidade de planos de saúde e uma rede hospitalar privada que cresce cada vez mais, financiada e enriquecida com o dinheiro da União, Estados e Municípios.

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Dilma Rousseff sancionou a Lei do Programa Mais Médicos

 

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por Regy Carte

“O Mais Médicos é uma ação objetiva para enfrentar e vencer a desigualdade de acesso à saúde que recorta nossa sociedade”, disse a presidenta da República durante a cerimônia de sanção da Lei. “Mais médicos nos postos de saúde significa menos doentes nos grandes hospitais, menos filas, melhor atendimento e profissionais menos sobrecarregados. Todos se beneficiam, sem exceção”, destacou.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o programa significa o começo de uma profunda mudança na saúde do Brasil. “O trabalho dos meus colegas médicos, que aceitaram a nobre missão de resgatar a cidadania e o direito à saúde de todos estes brasileiros, já está melhorando a vida de muita gente. Sabemos que não vai resolver de imediato os problemas de saúde do país, mas é um passo muito corajoso. Estamos mudando uma mentalidade que ainda existe de que saúde só se faz com hospitais complexos”, disse o ministro, ao relatar impactos e resultados do programa em algumas cidades que receberam profissionais, como Formosa (GO), Salvador (BA), Bico do Papagaio (TO) e Brasília (DF).

Emissão de registros

O número de pessoas beneficiadas pelo programa deverá aumentar com a transferência da responsabilidade da emissão dos registros dos médicos com diplomas do exterior para o Ministério da Saúde. Essa foi uma das mudanças feitas pelo Congresso Nacional na proposta original encaminhada pelo governo. Por conta dos atrasos nos registros, 196 médicos estrangeiros da primeira seleção ainda não começaram a atender a população.

Com a mudança, a partir desta semana, todos os estrangeiros participantes do programa começam a receber do Ministério da Saúde o registro único, uma declaração provisória para exercer suas atividades nos municípios até que a carteira de registro fique pronta. A carteira, que funcionará como uma cédula de identidade médica elaborada especificamente para o programa, será produzida pela Casa da Moeda e deverá ser entregue em 30 dias.

A cédula de identidade do médico, que terá validade de três anos, autoriza o exercício da medicina exclusivamente na atenção básica, restrito às atividades do programa e aos municípios onde os profissionais estão alocados – inclusive, o nome da cidade vai constar na identificação. Para emissão do registro serão exigidos os documentos previstos na lei, como diploma de graduação e habilitação para o exercício da medicina em um país com mais médicos que o Brasil.

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Por que enfermeiros e médicos brasileiros não usam o estetoscópio?

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Estetoscópio (do grego στηθοσκόπιο, de στήθος, stéthos – peito and σκοπή, skopé – exame), também chamado de fonendoscópio, é um instrumento utilizado por diversos profissionais, como médicos e enfermeiros, para amplificar sons corporais, entre eles:

Para usar o estetescópio é preciso

* Tempo (uma consulta brasileira dura menos de cinco minutos)
* Tocar o corpo do paciente (médico tem nojo do pobre povo pobre brasileiro)
* Privatização da medicina recomenda uma bateria de exames de laboratórios com seus sofisticados equipamentos importados. O comércio e a indústria agradecem

Clique nos links que você conhecerá a importância do uso do estetoscópio. Coisa dos médicos de antigamente.

O estetéscopio é um símbolo da profissão. Idem a bata. Bem que os estudantes gostam de exibi-lo. Raramente vi usado por uma enfermeira. Será que são proibidas pelo corporativismo?
O estetoscópio é um símbolo da profissão. Idem a bata. Bem que os estudantes gostam de exibi-lo. Raramente vi usado por uma enfermeira. Será que são proibidas pelo corporativismo?

Médica africana: no Brasil só é atendido quem tem dinheiro. “Um médico com um estetoscópio pode fazer muito mais tanto para o paciente quanto para a equipe”

Kátia Miranda é uma das médicas que participam do programa Mais Médicos. Foto Daia Oliver/R7
Kátia Miranda é uma das médicas que participam do programa Mais Médicos. Foto
Daia Oliver/R7

Nascida no Congo Belga, na África, especialista em medicina familiar e hematologia, Kátia Miranda, de 62 anos, atua há 36 anos na área.

Em conversa com o R7, ela revela que fala seis idiomas e já trabalhou em Portugal, Inglaterra, França, Bélgica, Espanha, Alemanha e Holanda.

— Sempre quis vir para cá e quando o meu filho casou com uma brasileira, essa vontade só aumentou. Não estou vindo pela conta bancária e, sim, pelas pessoas. Minha expectativa é ficar até o fim da vida aqui e usar meus anos de experiência para ajudar os brasileiros.

Kátia está impedida de trabalhar pelo Conselho de Medicina de São Paulo, que defende a privatização da Medicina, e contra o Programa de Mais Médicos.

Kátia se formou em Lisboa, e vai trabalhar em Indaiatuba, interior de São Paulo.

Escreve Brunna Mariel: Apesar de ter vivido muitas experiências em países desenvolvidos, a médica, filha de portugueses, disse que não vê diferença entre a infraestrutura da saúde pública do Brasil com a de países europeus, como Portugal e Espanha. Porém, ela revela que percebeu que existe uma grande diferença no tratamento do paciente.

Kátia diz que percebeu essas diferenças de postura não apenas durante seu treinamento de três semanas e na semana de acolhimento, mas também ao conhecer melhor a cidade de São Paulo.

— Você anda pela cidade e vê zonas muito pobres e zonas muito ricas. Sem contar as pessoas arrogantes que andam pela rua.

“Faltam médicos, não estrutura

Após visitar uma UBS (Unidade Pública de Saúde) no período do treinamento do programa, a estrangeira conta que notou que a infraestrutura das unidades “não deixa a desejar, mas que, sim, faltam médicos”.

— Vi que há uma grande equipe que tem vontade de trabalhar, mas faltam médicos. E um médico com um estetoscópio pode fazer muito mais tanto para o paciente quanto para a equipe.

— Aqui você é atendido de acordo com o dinheiro. Se você tem condições, você tem médico. Em países como a França, se você não tem condições de pagar a consulta de um especialista, o governo paga para você.

Médicos cubanos: a revolução é outra

Latuff

Weden Alves 

Embora a direita ultra-conservadora esteja com medo dos médicos cubanos reeditarem a revolução castrista no Brasil (sim, é possível que alguém pense assim nesse mundo de Deus!), a questão é outra. Ou são outras. A medicina de Cuba não é ultra-dependente de duas grandes máfias industriais: a dos diagnósticos e a farmacêutica.
A discussão sobre ideologias médicas não é nova e foi trazida para o Brasil pelo saudoso Sérgio Arouca, a partir de Canguilhem. Nenhum dos dois está vivo, mas a discussão continua, no meio acadêmico, na crítica severa à medicamentação excessiva dos sujeitos, o que produz enormes lucros das farmacêuticas.
Outra discussão em curso e que também não encontra voz no senso comum e na mídia é a substituição da escuta e do diálogo pela intermediação, por vezes desnecessária, pelos aparatos tecnológicos: uma indústria que movimenta bilhões de dólares (e que alimenta gigantes da mídia, como a Sony e a MGM, que tem braços empresariais no setor das diagnoimagens) e é vendida sem que se esclareça sua determinação pelo lucro.
Em artigo recente no Huffington Post, jornalistas mostraram que o custo com diagnósticos caríssimos está solapando a saúde pública mesmo nos EUA (que já não é grande coisa).
Há um estudo muito interessante de Charles Rosemberg, um pesquisador americano de Harvard, publicado no texto “The tyranny of diagnosis: specific entities and individual experience”. Ele fala não somente da “tirania” das máquinas de diagnóstico, mas no que se transformou a febre das taxonomias médicas (vide as discussões atuais sobre o DSM).
Discussões essas importantes que passam ao largo da mídia, mais ainda da nossa mídia (Não temos uma cobertura crítica da saúde! Não há preparo jornalístico para tal infelizmente, deficiência a exigir uma reflexão de nossas faculdades!).
A medicina cubana não tem grandes recursos. Teve que se virar com o que tem. E o que tem é gente. Afinal, e no final das contas, quando vamos ao médico queremos, em primeiro lugar, ser ouvidos. E remédios não escutam. Máquinas não confortam.
Abaixo, o anúncio de um produto de “diagnoimage” da Sony, gigante do setor de entretenimento.
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Transcrito do O Esquerdopata

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Programa Mais Médicos fortalece a saúde pública contra a privatização da medicina

Publica o R7 Notícias:

Contrário à Medida Provisória que institui o programa Mais Médicos, o CFM (Conselho Federal de Medicina) vai iniciar um empreitada contra a medida, apelando para a população, tentando convencê-la de que a ação é negativa.

— Vamos lutar, inclusive esclarecendo a população que se trata de uma farsa, que ela é apenas um engodo porque não faltam médicos no Brasil”, afirmou o presidente do conselho, Roberto D’Ávila.

Segundo D’Ávila, a conscientização dos médicos se dará por meio de panfletos que serão entregues a pacientes e também de orientação boca a boca nos consultórios e hospitais. Para o presidente do CFM, a MP é “improvisada, eleitoreira, imediatista e populista” e atende a “interesses que serão consolidados em 2014”.

— A cada paciente que atendermos, vamos entregar um folheto, vamos orientar, dizer que não é assim que se faz saúde, que isso é fruto apenas de uma maquiagem, ilusionismo para atender interesses que serão consolidados – não espero que aconteça isso – mas serão consolidados em 2014.

 [Bom. Só assim aumenta o tempo da consulta médica que, costumeiramente, não passa dos cinco minutos. Tem médico que nem olha o paciente, um intocável. Intocáveis eram os portadores de certas doenças consideradas heréticas (os leprosos, os loucos, os epilépticos); pessoas em estado de impureza (por exemplo, as mulheres menstruadas); e trabalhadores de profissões malditas (os carrascos, os coveiros).
Faltam médicos em pequenas cidades brasileiras. Outras têm médico de passagem. Médico que passa a manhã numa pequena cidade do interior; a tarde, noutra; e dorme na capital, onde reside. Tem todo tipo de médico caxeiro-viajante. Médico que mora na cidade grande, com uma rapidinha no emprego público em um posto de saúde municipal e/ou hospital do Estado; outra, em uma sala de espera cheia em um hospital privado, que ganha por produtividade (quanto mais consultas, mais trocados); e, para terminar a jornada, as consultas do consultório particular, para manter a tradição de ser um profissional liberal.
No mais, o brasileiro leva seis meses de espera para uma consulta e, no dia marcado, numa sala superlotada, aguarda três, quatro horas para ser atendido. Muitas vezes fica em pé no consultório, posto de saúde ou hospital. Espera meses e horas para uma consulta de menos de cinco minutos.
O médico faz a clássica pergunta cretina: – Que lhe trouxe aqui? O trouxa responde, e o bata branca passa uma bateria de exames. Isso significa: mais filas para marcar os exames, mais tempo de espera, e rezar para que morte não chegue antes da “volta”, para ser medicado.
Isso acontece nas filas do SUS e dos privados planos de saúde cada vez mais caros. Principalmente para os velhos, os idosos, os anciãos.
O programa Mais Médicos significa a melhoria da saúde pública. Contra o programa estão os engajados na privatização, que transforma o médico em um empregado das multinacionais].
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Pobres coitados os jornalistas. Quando adoecem têm que procurar a rede pública

Os sindicatos dos jornalistas realizam greve de teatro. Eta profissão de gente sofrida. Que ganha o salário do medo e da fome. Não tem dinheiro para pagar um plano de saúde. E quem vai para os superlotados hospitais públicos tem consulta de menos de cinco minutos. E o diagnóstico é sempre o mesmo: virose. E a morte, quase sempre, por causa desconhecida.

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Após ser liberada de hospital, repórter morre com suspeita de dengue
Contratada da TV Centro América de Sinop (MT), afiliada da Rede Globo, a jornalista Ângela Cavalcante morreu na manhã desta sexta-feira, 2. A repórter, que se sentiu mal na quinta-feira, foi ao médico com suspeita de dengue. Ela foi medicada e liberada, horas depois retornou e foi direto para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Ângela, que tinha 29 anos, fez exames em um hospital público. Na ocasião, a doença não foi detectada. A profissional decidiu, então, procurar um hospital particular da cidade. Segundo o G1, ela foi atendida e liberada. Ainda se sentindo mal, voltou ao médico horas depois. Neste momento ela foi internada na UTI, mas não resistiu e faleceu.

Colegas de trabalho contam que a jornalista, que estava na afiliada da Globo desde 2010, reclamou de fortes dores de cabeça ontem. Ela trabalhou até às 17h, horário que teria saído para buscar ajuda clínica. A causa da morte ainda não foi confirmada. Ângela era natural de Tucuruí, no Pará, solteira e morava com os pais.

(Transcrito do Comunique-se)

Brasil: 1,8 médico por mil habitantes. Motiva filas e consultas “rapidinhas”

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira que o programa Mais Médicos, lançado nesta segunda-feira, 8, criará mais vagas para esses profissionais. Padilha sustentou que a discussão a respeito do projeto deve ser realizada “de forma respeitosa e com diálogo”, ante as avaliações feitas por associações médicas.

De acordo com a Agência Brasil, em contestação às regras divulgadas, os médicos anunciaram uma greve. O ministro da Saúde reiterou que a prioridade da administração federal é ocupar os postos com brasileiros. “Estamos deixando claro que o programa não vai tirar vagas de médicos brasileiros, pelo contrário, vai gerar mais empregos para esses profissionais. Com os investimentos de mais de R$ 7 bilhões em infraestrutura que já estão em andamento, e mais de R$ 5 bilhões previstos, serão abertos 35 mil postos de emprego nessa área no Brasil”, afirmou.

Padilha disse que, ao avançar no assunto, o Poder Executivo “enfrenta tabus”, como o conceito de que há profissionais excesso no País e que a questão é a distribuição. “Estamos mostrando, com dados concretos, que faltam médicos no Brasil, não só na comparação com países europeus, mas com países aqui do lado, como a Argentina e o Uruguai”, disse, declarando que nações com alto nível de desenvolvimento econômico e social que adotaram projetos análogos também enfrentaram forças opostas num primeiro momento.

Segundo o Ministério da Saúde, existe no País 1,8 médico por mil habitantes, ao passo que na Argentina a fração é 3,2; no Uruguai, 3,7; em Portugal, 3,9, e na Grã-Bretanha, 2,7. “Vamos continuar dialogando (com os médicos), montamos um grupo de trabalho com entidades médicas, mas a questão é que faltam médicos no Brasil e a culpa não é dos médicos brasileiros. Mas o único interesse que temos de observar são as necessidades de saúde da população”, garantiu.

AE

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Médicos cubanos buscam evitar o aparecimento da doença

Por que os médicos cubanos assustam

Elite corporativista teme que mudança do foco no atendimento abale o nosso sistema mercantil de saúde

por Pedro Porfírio, em seu blog, via Cebes

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No Brasil, o apego às grandes cidades

Dos 371.788 médicos brasileiros, 260.251 estão nas regiões Sul e Sudeste

Neste momento, o governo da presidenta Dilma Rousseff só está cogitando de trazer os médicos cubanos, responsáveis pelos melhores índices de saúde do Continente, diante da impossibilidade de assegurar a presença de profissionais brasileiros em mais de um milhar de municípios, mesmo com a oferta de vencimentos bem superiores aos pagos nos grandes centros urbanos.

E isso não acontece por acaso. O próprio modelo de formação de profissionais de saúde, com quase 58% de escolas privadas, é voltado para um tipo de atendimento vinculado à indústria de equipamentos de alta tecnologia, aos laboratórios e às vantagens do regime híbrido, em que é possível conciliar plantões de 24 horas no sistema público com seus consultórios e clínicas particulares, alimentados pelos planos de saúde.

Mesmo com consultas e procedimentos pagos segundo a tabela da AMB, o volume de clientes é programado para que possam atender no mínimo dez por turnos de cinco horas. O sistema é tão direcionado que na maioria das especialidades o segurado pode ter de esperar mais de dois meses por uma consulta.

Além disso, dependendo da especialidade e do caráter de cada médico, é possível auferir faturamentos paralelos em comissões pelo direcionamento dos exames pedidos como rotinas em cada consulta.

Sem compromisso em retribuir os cursos públicos

Há no Brasil uma grande “injustiça orçamentária”: a formação de médicos nas faculdades públicas, que custa muito dinheiro a todos os brasileiros, não presume nenhuma retribuição social, pelo menos enquanto não se aprova o projeto do senador Cristóvam Buarque, que obriga os médicos recém-formados que tiveram seus cursos custeados com recursos públicos a exercerem a profissão, por dois anos, em municípios com menos de 30 mil habitantes ou em comunidades carentes de regiões metropolitanas.

Cruzando informações, podemos chegar a um custo de R$ 792.000,00 reais para o curso de um aluno de faculdades públicas de Medicina, sem incluir a residência. E se considerarmos o perfil de quem consegue passar em vestibulares que chegam a ter 185 candidatos por vaga (UNESP), vamos nos deparar com estudantes de classe média alta, isso onde não há cotas sociais.

Um levantamento do Ministério da Educação detectou que na medicina os estudantes que vieram de escolas particulares respondem por 88% das matrículas nas universidades bancadas pelo Estado. Na odontologia, eles são 80%.

Em faculdades públicas ou privadas, os quase 13 mil médicos formados anualmente no Brasil não estão nem preparados, nem motivados para atender às populações dos grotões. E não estão por que não se habituaram à rotina da medicina preventiva e não aprenderam como atender sem as parafernálias tecnológicas de que se tornaram dependentes.

Concentrados no Sudeste, Sul e grandes cidades

Números oficiais do próprio CFM indicam que 70% dos médicos brasileiros concentram-se nas regiões Sudeste e Sul do país. E em geral trabalham nas grandes cidades. Boa parte da clientela dos hospitais municipais do Rio de Janeiro, por exemplo, é formada por pacientes de municípios do interior.

Segundo pesquisa encomendada pelo Conselho, se a média nacional é de 1,95 médicos para cada mil habitantes, no Distrito Federal esse número chega a 4,02 médicos por mil habitantes, seguido pelos estados do Rio de Janeiro (3,57), São Paulo (2,58) e Rio Grande do Sul (2,31). No extremo oposto, porém, estados como Amapá, Pará e Maranhão registram menos de um médico para mil habitantes.

A pesquisa “Demografia Médica no Brasil” revela que há uma forte tendência de o médico fixar moradia na cidade onde fez graduação ou residência. As que abrigam escolas médicas também concentram maior número de serviços de saúde, públicos ou privados, o que significa mais oportunidade de trabalho. Isso explica, em parte, a concentração de médicos em capitais com mais faculdades de medicina. A cidade de São Paulo, por exemplo, contava, em 2011, com oito escolas médicas, 876 vagas – uma vaga para cada 12.836 habitantes – e uma taxa de 4,33 médicos por mil habitantes na capital.

Mesmo nas áreas de concentração de profissionais, no setor público, o paciente dispõe de quatro vezes menos médicos que no privado. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, o número de usuários de planos de saúde hoje no Brasil é de 46.634.678 e o de postos de trabalho em estabelecimentos privados e consultórios particulares, 354.536.Já o número de habitantes que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 144.098.016 pessoas, e o de postos ocupados por médicos nos estabelecimentos públicos, 281.481.

A falta de atendimento de saúde nos grotões é uma dos fatores de migração. Muitos camponeses preferem ir morar em condições mais precárias nas cidades, pois sabem que, bem ou mal, poderão recorrer a um atendimento em casos de emergência.

A solução dos médicos cubanos é mais transcendental pelas características do seu atendimento, que mudam o seu foco no sentido de evitar o aparecimento da doença. Na Venezuela, os Centros de Diagnósticos Integrais espalhados nas periferias e grotões, que contam com 20 mil médicos cubanos, são responsáveis por uma melhoria radical nos seus índices de saúde.