Polícia do Rio forja cena de crime para esconder assassinato de jovem

Moradores filmam pms alterando cena de crime após morte de jovem de 17 anos
 Eduardo Felipe Santos Victor, 17 anos. Foto Facebook
Eduardo Felipe Santos Victor, 17 anos. Foto Facebook
Gravação é novo golpe na imagem das UPP’s. Flagrante provoca protestos contra a PM

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Imagem mostra PMs mexendo na cena do crime na Providência
Imagem mostra PMs mexendo na cena do crime na Providência

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Até junho deste ano, a polícia matou em média quase duas pessoas por dia

por María Martín/ El País/ Espanha

A morte de Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, no morro da Providência, no centro do Rio, noticiada como a de um narcotraficante que entrou em confronto com os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), poderia ter sido mais uma em um Estado onde, até junho deste ano, a polícia matou em média quase duas pessoas por dia. Mas dois vídeos gravados por moradores, onde ficaram registrados todos os passos dos agentes ao adulterar a cena do crime, põe em dúvida a versão policial, que afirmou que houve troca de tiros e que encontrou com o adolescente um radiotransmissor, munições e uma pistola.

Nas imagens, gravadas na manhã desta terça, o jovem com a camisa banhada em sangue morre no chão rodeado de três policiais com colete antibalas e fuzis. Aparece na cena um quarto agente que entrega a arma que é deixada junto ao corpo e depois atira para o ar. Outro policial pega uma arma, depois de limpá-la, e a coloca entre os dedos inertes do jovem. Atira. Duas vezes. Levanta e fica, junto aos outros, contemplando o cadáver. Percebe que tem a mão suja de sangue e limpa-se na parede. Corta-se a imagem.

Após a morte do adolescente, o segundo na comunidade em uma semana, o clima ficou tenso. Indignados, moradores protagonizaram vários protestos durante todo o dia nas imediações da favela, na zona portuária do Rio, e atiraram pedras contra os policiais. À noite, segundo relatou o jornal O Globo, um grupo de 50 moradores protestou na frente da delegacia onde os cinco agentes envolvidos foram ouvidos. Houve gritos de “polícia assassina” e tumulto e os policiais lançaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.

Mais um golpe para as UPPs

Dois policiais foram presos em flagrante por fraude processual e três estão detidos administrativamente. O secretário de Estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, determinou “rigor nas investigações com punição exemplar dos responsáveis”, mas as gravações são mais um golpe na agonizante imagem das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio.

O programa de polícia comunitária acumula escândalos de letalidade policial. O último foi na semana passada, quando Herinaldo Vinicius da Santana, de 11 anos, morreu com um tiro na cabeça em um suposto confronto entre agentes da UPP e traficantes da favela do Caju. A lista é longa, mas o pontencial de sucesso da missão das UPP’s nas comunidades começou a se frustrar de vez com a morte de Amarildo Dias de Souza, o pedreiro da Rocinha cujo corpo ainda não foi encontrado e que foi torturado até a morte na sede da UPP da comunidade em 2013.

O porta-voz das UPPs do Rio de Janeiro, major Ivan Blaz, reconheceu que “o vídeo mostra uma manipulação flagrante que atinge duramente a confiabilidade estabelecido ao implantação da UPP Providência” mas afirmou que “os ganhos estabelecidos pelas UPPs não podem ser perdidas por casos lamentáveis como esse”.

Luiz Eduardo Soares, antropólogo e subsecretario de Segurança Pública no Rio, entre 1999 e 2000, disse em entrevista ao EL PAÍS que a crise nas UPP’s é imensa. “Porque foi feita de forma precipitada, sem a formação policial que teria sido imprescindível. Eu sempre disse que não seria sustentável um programa desse tipo com as nossas polícias. Elas precisam ser profundamente reformadas para ter alguma afinidade com os princípios que nortearam a criação do programa, como ser uma policia de proximidade e garantir direitos”, afirma Soares.

O número de pessoas mortas em supostos confrontos com a polícia aumentou no primeiro semestre do ano no Rio. A quantidade de mortes provocadas por agentes de segurança – policiais militares e civis – foi a maior registrada em um semestre desde a primeira metade de 2011, tanto na capital quanto no Estado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública divulgados no UOL. No total, foram 349 casos, um aumento de 21,6% em comparação ao primeiro semestre de 2014.

Encurtemos as distâncias entre o salário mínimo e o salário dos desembargadores, dos coronéis da PM, dos senadores, entre um favelado e um banqueiro, entre os palácios e favelas

justiça social Amorim

Essa distância o papa Francisco vem mostrando nos sermões.

No Brasil as desigualdades são cruéis. Pastores, com seus palacetes e aviões de luxo, pregam o fanatismo religioso. É difícil neste mundo cruel ser cristão, pregar o amor, que apenas existem – ensinou Jesus – dois mandamentos que é um só: amar a Deus e amar o próximo.

Não existe justiça social nos despejos judiciários. Não existe amor em uma sociedade que convive com o trabalho escravo, o tráfico de pessoas e 500 mil prostitutas infantis.

Os governantes apenas trabalham pelos empresários financiadores de campanhas eleitorais. Nada se faz que preste para o povo. O Rio de Janeiro possui 1 mil e 100 favelas. São Paulo, 2 mil 627 favelas.

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Aproximar-se das pessoas marginalizadas, encurtar as distâncias até chegar a tocá-las sem ter medo de se sujar: eis a «proximidade cristã» que nos mostrou concretamente Jesus libertando o leproso da impureza da doença e também da exclusão social. A cada cristão, à Igreja inteira, o Papa pediu que tenha uma atitude de «proximidade»; fê-lo durante a missa na manhã de sexta-feira, 26 de Junho, na capela da Casa de Santa Marta. A próxima celebração está prevista para terça-feira 1 de Setembro.

«Quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o seguiam»: Francisco iniciou a homilia repetindo precisamente as primeiras palavras do Evangelho de Mateus (8, 1-4) proposto pela liturgia. E toda aquela multidão, explicou, «tinha ouvido as suas catequeses: ficaram maravilhados porque falava “com autoridade”, não como os doutores da lei» que eles estavam habituados a ouvir. «Ficaram maravilhados», especifica o Evangelho.

Portanto, precisamente «estas pessoas» começaram a seguir Jesus sem se cansar de o ouvir. A ponto que, recordou o Papa, elas «permaneceram o dia inteiro e, por fim, os apóstolos» deram-se conta de que tinham certamente fome. Mas « para eles ouvir Jesus era motivo de alegria». E assim «quando Jesus terminou de falar, desceu do monte e as pessoas seguiam-no» reunindo-se «em volta dele». Aquela gente, recordou, «ia pelas estradas, pelos caminhos, com Jesus».

Contudo, «havia também outras pessoas que não o seguiam: observavam-no de longe, com curiosidade», perguntando-se: «Mas quem é ele?». Aliás, explicou Francisco, «não tinham ouvido as catequeses que tanto surpreendiam». E assim havia «pessoas que olhavam da calçada» e «outras que não podiam aproximar-se: era-lhes proibido pela lei, porque eram «impuros». Precisamente entre elas estava o leproso do qual fala Mateus no Evangelho.

«Este leproso – realçou o Papa – sentia no coração o desejo de se aproximar de Jesus: tomou coragem e aproximou-se». Mas «era um marginalizado», e portanto «não podia fazê-lo». Porém, «tinha fé naquele homem, tomou coragem e aproximou-se», dirigindo-lhe «simplesmente o seu pedido: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me”». Disse assim «porque era “impuro”». Com efeito, «a lepra era uma condenação definitiva». E «curar um leproso era tão difícil quanto ressuscitar um morto: por esta razão eram marginalizados, estavam todos ali, não podiam misturar-se com as pessoas».

Porém havia, prosseguiu Francisco, «também os automarginalizados, os doutores da lei que olhavam sempre com aquele desejo de pôr Jesus à prova para o fazer cair e depois condenar». Ao contrário, o leproso sabia que era «impuro, doente, e aproximou-se». E «o que fez Jesus?», questionou-se o Papa. Não ficou parado, sem o tocar, mas aproximou-se ainda mais e estendeu-lhe a mão curando-o.

«Proximidade», explicou o Pontífice, é uma «palavra tão importante: não se pode construir comunidades a sem proximidade; não se pode fazer a paz sem a proximidade; não se pode fazer o bem sem se aproximar». Na realidade, Jesus poderia ter-lhe dito: «Que tu sejas curado!». Ao contrário, aproximou-se dele e tocou-o. «Mais ainda: no momento em que Jesus tocou o impuro, tornou-se impuro». E «este é o mistério de Jesus: assumir as nossas sujidades, as nossas impuridades».

É uma realidade, prosseguiu o Papa, que são Paulo explica bem quando escreve: «Sendo igual a Deus, não considerou esta divindade um bem irrenunciável; aniquilou-se a si mesmo». E, em seguida, Paulo vai além afirmando que «se fez pecado»: Jesus tornou-se ele mesmo pecado, Jesus excluiu-se, assumiu a impureza para se aproximar do homem. Por conseguinte, «não considerou um bem irrenunciável ser igual a Deus», mas «aniquilou-se, aproximou-se, fez-se pecado e impuro».

«Muitas vezes penso – confidenciou Francisco – que é, não quero dizer impossível, mas muito difícil fazer o bem sem sujar as mãos». E «Jesus sujou-se» com a sua «proximidade». Mas depois, narra Mateus, foi inclusive além, dizendo ao homem libertado da doença: «Vai ter com os sacerdotes e faz aquilo que se deve fazer quando um leproso é curado».

Em síntese, «aquele que estava excluído da vida social, Jesus inclui-o: inclui-o na Igreja, inclui-o na sociedade». Recomenda-lhe: «Vai para que todas as coisas sejam como devem ser». Portanto, «Jesus nunca marginaliza, nunca!». Aliás, Jesus «marginalizou-se a si mesmo para incluir os marginalizados, para nos incluir a nós, pecadores, marginalizados, na sua vida». E «isto é bom», comentou o Pontífice.

Quantas pessoas seguiram Jesus naquele momento e seguem Jesus na história porque ficaram maravilhadas com o seu modo de falar», realçou Francisco. E «quantas pessoas observam de longe e não compreendem, não estão interessadas; quantas pessoas observam de longe mas com um coração maldoso, a fim de pôr Jesus à prova, para o criticar e condenar». E, ainda, «quantas pessoas observam de longe porque não têm a coragem que teve» aquele leproso, «mas desejariam muito aproximar-se». E «naquele caso Jesus estendeu a mão primeiro; não como neste caso, mas no seu ser estendeu-nos a mão a todos, tornando-se um de nós, como nós: pecador como nós mas sem pecado; mas pecador, sujo com os nossos pecados». E «esta é a proximidade cristã».

«Palavra bonita, a da proximidade, para cada um de nós», prosseguiu o Papa. Sugerindo que nos questionemos: «Mas sei aproximar-me? Eu tenho a força, a coragem de tocar os marginalizados?». E «também para a Igreja, as paróquias, as comunidades, os consagrados, os bispos, os sacerdotes, todos», é bom responder a esta pergunta: «Tenho a coragem de me aproximar ou me distancio sempre? Tenho a coragem de encurtar as distâncias, como fez Jesus?».

E «agora no altar», sublinhou Francisco, Jesus «aproximar-se-á de nós: encurtará as distâncias». Portanto, «peçamos-lhe esta graça: Senhor, que eu não tenha medo de me aproximar dos necessitados, dos que se vêem ou daqueles que têm as chagas escondidas». Esta, concluiu, é «a graça de me aproximar».

Saad Murtadha
Saad Murtadha

A imprensa bate panelas

por Luciano Martins Costa

 

 

Os jornais desta segunda-feira (9/3) fornecem um material precioso para a análise do processo que vimos observando, cuja principal característica é uma ruptura entre o chamado ecossistema midiático e o mundo real.

O noticiário e os penduricalhos de opiniões que tentam lhe dar sustentação têm como fato gerador o pronunciamento da presidente da República em rede nacional da TV, mas o que sai nos jornais com maior destaque é a reação de protesto que partiu das janelas de apartamentos nos bairros onde se encastelam as classes de renda média e alta das grandes cidades.

A presidente tenta seguir o protocolo que recomenda informar a população sobre as medidas econômicas que o governo está adotando – boa parte das quais foi insistentemente defendida pela imprensa antes de se tornar decisão de governo.

No entanto, não há uma conexão entre o conteúdo do ato oficial e as manifestações de ódio e intolerância que se ouviram na noite de domingo.

Mesmo que a presidente estivesse anunciando, por exemplo, que o custo das mensalidades nas escolas privadas poderia ser debitado integralmente do imposto de renda, ela seria vaiada e xingada com a mesma intensidade.

Há uma forte simbologia na imagem do cidadão que dá as costas para a tela da televisão, no momento em que a mensagem é endereçada, e põe a cabeça para fora da janela ou sai à sacada do apartamento para dizer que é contra.

Contra o que?

Contra as medidas anunciadas?

Não se pode responder que sim, porque quem estava protestando não podia ouvir o que anunciava a presidente.

Essa simbologia mostra que nesses apartamentos, curiosamente, a realidade estava falando sozinha na tela da TV, enquanto a perturbação emocional, diligentemente cultivada pela mídia nos últimos meses, produzia um novo fato político.

O fato é a radicalização das camadas da sociedade mais expostas ao discurso da mídia, com base num conteúdo jornalístico construído para produzir exatamente esse estado de espírito.

Não há como contar o número de pessoas que bateram panelas e gritaram palavrões, e os jornais são obrigados a admitir que não houve protestos nos bairros onde moram os menos afortunados.

 

Meme panela

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LA POLICIA DE RIO, QUE NO RESPONDE AL GOBIERNO FEDERAL, ESPIO Y APRESO A MILITANTES CONTRARIOS AL MUNDIAL. Del gatillo fácil a la persecución

Por Darío Pignotti

 

 Saad Murtadha
Saad Murtadha

Del gatillo fácil en las favelas a la represión política. La policía del estado de Río de Janeiro, que no responde al gobierno federal, espió y apresó a militantes opuestos a la Copa del Mundo reproduciendo las prácticas aplicadas cuando era el brazo auxiliar de las fuerzas armadas en la represión de la resistencia democrática durante la dictadura.

 

Los servicios de inteligencia policial violaron las comunicaciones y allanaron los domicilios de 23 activistas a quienes el Poder Judicial de Río acusó de formar parte de una “asociación ilícita”, equiparándolos con una banda de delincuentes que trafica drogas o realiza secuestros.
El lunes tres de los militantes, entre ellos la abogada Eloísa Samy, solicitaron y no recibieron asilo político en el consulado de Uruguay, del cual salieron acompañados por la diputada Janira Rocha que ayer repudió la “ina-ceptable persecución política existente en Río”, durante un acto convocado por la Orden de Abogados de Brasil bajo la consigna “En defensa de la democracia y contra la criminalización de la protesta”.

“Nuestra democracia no puede aceptar que haya zonas de excepción, los organismos del Estado no pueden hostilizar a la democracia”, planteó ayer Wadhih Damous, titular de la seccional carioca de la Comisión de la Verdad sobre los crímenes durante la dictadura, creada por la presidenta Dilma Rousseff, del Partido de los Trabajadores.

Es similar la persecución política que ocurre en San Pablo, donde surgieron las marchas en junio de 2013, cuya policía llegó a detener a varios “sospechosos” de violar la Ley de Seguridad Nacional, sancionada en 1983, dos años antes del fin del gobierno de facto.

Entre tanto, la policía carioca proseguía ayer con la cacería de activistas, en su mayoría jóvenes, iniciada hace una semana cuando el Partido de los Trabajadores (PT) divulgó una nota de repudio.

“La violencia del Estado y la intimidación tienen que ser rechazadas por todos los que defendemos la democracia… seremos intransigentes en la defensa de esas conquistas”, afirma el comunicado firmado por el presidente PT, Rui Falcao, miembro del comité de campaña para la reelección de Dilma Rousseff en las elecciones del 5 de octubre.

En el enérgico tono de la nota petista contra el apriete a los grupos rebeldes se insinúa la posición de la propia presidenta Rousseff, quien como jefa de Estado no tiene jurisdicción sobre las policías de las 27 provincias de la Federación, las cuales suman cerca de un millón de hombres en armas.

Ese número prácticamente triplica a las fuerzas federales (considerando militares y policía federal), a las cuales Rousseff convocó para reforzar la seguridad durante la Copa del Mundo en medio de rumores sobre paros de las policías locales. De hecho, la Unión suele ser rehén de esas policías que en su mayoría repiten el patrón de la de Río de Janeiro: corporaciones guiadas por sus propios intereses, formadas en escuelas que prácticamente no reformaron sus planes de estudios desde la dictadura, habitualmente vinculadas con el crimen organizado y tolerantes, cuando no cómplices, de los escuadrones de la muerte.

Lo nuevo es que en Río las fuerzas de seguridad conquistaron mayor poder territorial con la implantación desde 2008 de las Unidades de la Policía Pacificadora (UPP) con el pretexto de combatir al narcotráfico, al cual suelen dar cobijo a cambio de coimas.

Estos destacamentos de las UPP establecidos en una treintena de favelas se convirtieron en nichos de poder político donde la policía actúa a voluntad implantando una suerte de Estado de baja intensidad democrática al que deben allanarse los vecinos, degradados a la condición de ciudadanos de segunda.

En las multitudinarias marchas de 2013, que perdieron convocatoria durante el Mundial del mes pasado, se observó la participación de algunas agrupaciones surgidas en las favelas, donde es cada vez mayor el repudio a la ocupación policial con su lastre de torturas, asesinatos y, un dato inquietante, el creciente número de desapariciones de vecinos, entre ellos algunos dirigentes comunitarios.

De esos casos el más emblemático fue el del albañil Amarildo de Souza, que continúa desaparecido luego de haber sido secuestrado a mediados de 2013 por agentes que lo torturaron hasta la muerte en la sede de la UPP de la favela Rocinha. Una decena de policías fue procesada por la de-saparición del albañil, crimen que dio lugar a varios actos, uno realizado frente al palacio de la gobernación carioca durante la recepción ofrecida al papa Francisco en julio del año pasado.

Para el diputado Robson Leite, del PT, el acoso a los militantes prófugos desde que salieron del consulado uruguayo anteayer y los aprietes a los movimientos surgidos en las favelas son parte de una misma estrategia policial. “Esto que pasa hoy en Río es algo que viene aplicándose sistemáticamente, recordemos que ya en marzo hubo órdenes de detención masiva contra vecinos de la favela Maré… es fundamental la unión de los sectores progresistas para decir un sonoro no a todo esto.”

“Recordemos que los basureros en huelga fueron criminalizados, los profesores (en paro) fueron criminalizados y ahora los manifestantes fueron criminalizados”, citó ayer el parlamentario del PT.

“En las favelas estamos organizados para parar la privatización del espacio”

Ali Sargent

Niños jugando a fútbol en una de las favelas de Rio de Janeiro
Niños jugando a fútbol en una de las favelas de Rio de Janeiro

 

Julio Condaque | Miembro del Movimento Luta Popular en Rio de Janeiro.

¿Cuál es la historia del Movimento Luta Popular?

Hay una falta grande de vivienda en Brasil. En los años 70 y 80 movimientos populares lucharon solamente por la vivienda, pero nosotros tenemos varios enfoques. Comenzamos en los 90 no solamente con las ocupaciones, sino que también empezamos a articular un movimiento en que pudiéramos estar juntos con la clase obrera en sus manifestaciones culturales. Por eso, el Movimento Luta Popular (MLP) se organiza dentro de las comunidades, las favelas. Muchos son trabajadores fluctuantes; vienen del norte y nordeste y trabajan en la construcción civil. Después se quedan en paro y muchas veces se quedan en las favelas. Nuestra política se concentra en áreas como salud, luz y agua que el estado no gestiona en las comunidades. La infraestructura de las ciudades está cada vez más elitizada y todo se centra en el mercado.

¿Cuál es la experiencia del MLP en relación a la Copa del Mundo?

Rio de Janeiro es la punta de lanza en el proceso de la Copa. Hay un política de “embellecimiento” de la ciudad; el diseño de la ciudad está cambiando, pero solamente para la Copa. No tiene nada que ver con que la población tenga derecho a la vivienda que necesita. De hecho trasladan a la población del centro de la ciudad a la periferia.

En Rio no hay dialogo entre gobierno y movimientos sociales. Solo existen formas de lucha directa para evitar desahucios –el MLP es parte de estas luchas y fue así como evitamos algunos desahucios. Ellos inventan varias excusas; como por ejemplo que es una “área no ecológica”, pero no ofrecen nada para compensar a las comunidades. El mensaje es: te vas o vamos a echarte por la fuerza. A través de programas como Minha Casa, Minha Vida (Mi Casa, Mi Vida) los movimientos sociales se organizan para intentar parar este proceso violento de privatización del espacio.

¿Cómo se lleva a cabo esa represión en las favelas?

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En las favelas se ha desarrollado una forma de control militar. En Rio de Janeiro por ejemplo tenemos 32 Unidades de Policía Pacificadora (UPP) y va creciendo. El proyecto original era colocar centros de la UPP dentro de las favelas controladas por el narcotráfico y después construir servicios públicos. Pero no ocurrió eso. Ahora llega más dinero pero es para la seguridad de la Copa y que podrían haber usado de otra manera. Las UPPs construyeron una guerra interna dentro las comunidades, acelerando los conflictos con el narcotráfico. La población se ha queda en medio y hoy en día hay un aumento de homicidios que son verdaderamente números de exterminio, de genocidio.

Ahora se han dado un serie de casos bárbaros vinculados a las UPP. El caso de Amarildo, que fue torturado y asesinado por las UPP. O el de Claudia, una mujer negra, trabajadora y muy pobre, que fue disparada por las UPP y después tirada desde el coche militar. Fue arrastrada por la calle todavía viva hasta que murió. El MLP apoyamos a su familia para luchar para que se haga justicia.
De hecho, el laboratorio del proyecto de las UPP tiene como telón de fondo la ocupación militar brasileña de Haití, que es usado como el lugar para fortalecer a las fuerzas armas brasileras. En Brasil no necesitamos más programas para que se lleven el dinero del país a mercados internacionales. Y es lo que hace la FIFA a cambio de la sobreexplotacion del pueblo pobre y negro.

 

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Florianópolis. Por tras de cada incêndio sempre existe um Nero
Florianópolis. Por tras de cada incêndio sempre existe um Nero
Santos
Santos

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A frágil ‘pax’ carioca. A PM é tristemente conhecida pela sua violência e corrupção. Os moradores das favelas, que antes tinham medo dos traficantes, agora temem a polícia

por Olmo Calvo/ El País/ Espanha

 

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A favela se manifesta com timidez. Apenas cerca de 40 pessoas participaram de um protesto contra o despejo de alguns moradores. Por medo, talvez. Estamos na favela original, a primeira de todas: há pessoas vivendo no Morro da Providência desde 1897, muito antes do que em vários bairros do Rio de Janeiro. Os primeiros moradores, veteranos de guerra, se instalaram aqui para trabalhar no porto próximo, agora praticamente abandonado. E justamente para “regenerar” a zona portuária, a Prefeitura decidiu instalar um teleférico que conecta a base da comunidade com o seu ponto mais alto, a mais de 80 metros de altura: uma obra de 16 cabines, três estações e 90 milhões de reais. E o mais importante: cerca de 670 famílias que serão despejadas para dar lugar à infraestrutura. Nenhuma delas foi consultada; espera-se que todas recebam uma moradia, em teoria equivalente.

A riqueza e a pobreza no Brasil podem ser notadas claramente em uma cidade como o Rio de Janeiro. À beira-mar, os bairros de classe média e alta; sobre as montanhas de granito que emolduram a baía de Guanabara, as favelas. Os turistas que molham os pés nas praias de Copacabana, Ipanema ou Leblon só precisam levantar os olhos para ver a pobreza que está a pouca distância e o Cristo Redentor, que parece olhar em volta, incrédulo. Nesta cidade, a segunda maior do Brasil, cerca de 1,7 milhão de pessoas vive na favela: quase 15% da população. Rocinha, Dona Marta, Complexo do Alemão, centenas de manchas escuras no mapa com várias ruas sem nome. E é nesta cidade que vai acontecer a final da Copa do Mundo, em julho, e os Jogos Olímpicos, em 2016.

Durante décadas, os morros foram territórios sem lei nas mãos de grupos mafiosos e, depois, do narcotráfico. Mas o aumento da violência e a necessidade de arrumar a cidade para os turistas estrangeiros levaram o Governo do Rio a criar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), um setor da polícia dedicado exclusivamente a intervir nas áreas mais perigosas. Após grandes operações, em grande parte orquestrada para a imprensa, as UPPs conseguiram pacificar 28 favelas. Em muitas delas, os traficantes de drogas não ofereceram resistência alguma. Alertados com antecedência sobre a intervenção da polícia, eles simplesmente fugiram para outros bairros mais distantes do centro.

Mas, apesar das belas palavras e intenções, o medo continua. A Polícia Militar do Rio de Janeiro, que controla as UPPs, é tristemente conhecida pela sua corrupção e violência, especialmente contra os pobres. As favelas pacificadas vivem em um permanente estado de exceção, com policiais fortemente armados vigiando cada esquina. E, como as ONGs denunciam constantemente, muitos moradores que antes tinham medo dos traficantes, agora temem a polícia.

 

Uma rua comercial na Rocinha 2

Ambos os lados fazem o que podem para aterrorizar os manifestantes no morro da Providência. Em frente às escadas que levam ao topo, guardas armados com fuzis formam um cordão de isolamento. “Se você quiser subir, suba, mas lá em cima as balas não são de borracha”, adverte um policial. A poucos metros de distância, narcotraficantes mostram a sua rejeição à manifestação. “Não é bom para o negócio”, dizem. O negócio, claro, é o tráfico de drogas, que ainda está ativo, apesar – ou com a conivência – da polícia O protesto acaba se dissolvendo.

Esta é a pax carioca: uma trégua tensa, um jogo de cartas marcadas sob o interesse de uns e de outros. Uma paz que, espera o Governo, dure pelo menos até os Jogos Olímpicos de 2016. Mas o status quo está sendo desafiado onde menos se espera: uma população cansada de sofrer sob a tirania conjunta de policiais e narcotraficantes e que, lentamente, mas de forma decisiva, está recuperando a sua voz. E quer ser ouvida.

O silêncio começou a ser quebrado quando em 16 de julho Amarildo de Souza Lima, de 43 anos, um pescador e peão de obra e o que fosse necessário para sustentar a sua mulher e os seus seis filhos, foi levado para o posto da UPP na favela da Rocinha, a maior do Rio de Janeiro, para “questionamentos”. Ele nunca mais foi visto desde então. A Rocinha está a menos de 10 minutos de carro do bairro do Leblon, onde o metro quadrado residencial é o mais caro da América Latina. Aqui, milhares de barracos de tijolos estão grudados parede com parede na encosta. É preciso a ajuda de um parente ou vizinho para andar pelo labirinto de vielas e escadas. Antes, também, é necessária a permissão do narcotráfico.

 

pax uma rua da Rocinha

A casa de Amarildo é um barraco entre milhares, com piso de concreto e uma porta sempre aberta para a rua. Dentro, Elizabeth Gomes da Silva, a mulher de Amarildo, conversa enquanto seus filhos brincam com o som da televisão ao fundo. “Nós só queremos justiça”, diz. Ela não está sozinha. Alguns vizinhos chegam para ajudá-la a organizar uma manifestação exigindo uma explicação da polícia. Na marcha, que aconteceu em 3 de novembro, dezenas de pessoas percorreram as ruas da Rocinha com um manequim simbolizado o cadáver de Amarildo. Depois, fizeram um enterro simbólico.

Uma investigação interna da Divisão de Homicídios mostrou que os policiais da UPP submeteram Amarildo a choques elétricos. Depois, eles o sufocaram com um saco plástico e mergulharam a sua cabeça em um balde de água. Então, apagaram as luzes do quartel provisório e retiraram o seu corpo. Cerca de 25 policiais foram acusados pelo Ministério Público de tortura e assassinato. A única coisa que falta é saber onde está o corpo.

O destino de Amarildo não é a única razão que revoltou uma grande parte da sociedade civil brasileira. Em julho, milhares de pessoas tomaram as ruas de São Paulo, a maior cidade do país, para protestar contra um reajuste de 20 centavos nas tarifas do transporte público, o que afetaria o orçamento de muitas famílias que vivem com menos de 770 reais por mês.

O protesto, que se espalhou para outras cidades, foi essencialmente pacífico. Houve apenas alguns grupos de manifestantes que entraram em confronto com a polícia, os chamados black blocs, mas receberam toda a atenção da imprensa. Usando esses grupos como uma desculpa, a repressão foi desproporcionalmente violenta, com centenas de detidos, o que fez reacender os protestos que continuam intermitentemente até hoje. “E eles vão continuar crescendo à medida que se aproxima a Copa do Mundo”, disse Paula Daibert, colaboradora do grupo de comunicação coletiva Mídia NINJA.

Como pano de fundo, uma parte substancial da classe média urbana está descontente com algumas autoridades públicas, que afirmaram que os grandes eventos – Copa e Olimpíadas – seriam a oportunidade de resolver os muitos problemas das cidades brasileiras. As promessas não foram cumpridas e, a menos de 100 dias do Mundial, as maiores cidades do país continuam com graves problemas na educação, na saúde e especialmente na infraestrutura. A única coisa que foi feita – e com atraso – são os grandes estádios de futebol que, como se fosse o suficiente, custaram muito mais do que o previsto nos seus já superfaturados orçamentos.

 

pax Complexo do Alemão, um grupo de favelas na zona norte do Rio.

Em 31 de outubro, uma manifestação com o lema O Grito da Liberdade percorreu o centro do Rio. Cerca de 3.000 pessoas marcharam de forma festiva até o bairro financeiro da cidade para exigir a libertação dos detidos nos protestos. Lá, a atmosfera estava carregada de tensão e o silêncio tomou a região. Só era possível ouvir o eco do rufar dos tambores em meio aos grandes edifícios de aço e vidro. Algumas pessoas gritavam o nome dos encarcerados.

O Brasil tem vivido nos últimos 15 anos um crescimento econômico espetacular que já serviu para reduzir as diferenças sociais, como confirmou um relatório da organização não-governamental Oxfam. Mas, em um dos 12 países mais desiguais do mundo, ainda há muito a ser feito. Atrás das grades de um apartamento no Leblon – quase indispensáveis em uma cidade onde os roubos são comuns – as luzes da Rocinha piscam à noite. De repente, várias explosões são ouvidas na favela. Fogos de artifício? Tiros? Não se sabe. Trata-se de mais uma evidência de que a pax carioca é frágil, ou talvez inexistente. O Rio de Janeiro espera atrás das grades que passe um espetáculo que poucas pessoas poderão desfrutar.

 

unidade-de-policia-pacificadora UPP polícia favela

UMA BATALHA NA ZONA NORTE DO RIO. O PRENDE E ARREBENTA DA POLÍCIA VIROU EVENTO
UMA BATALHA NA ZONA NORTE DO RIO. O PRENDE E ARREBENTA DA POLÍCIA VIROU EVENTO

DEL TERROR DEL NARCO AL TERROR POLICIAL – Galeria de fotos

Foto prova que DG foi executado pela polícia do Rio de Janeiro

Laudo mentiroso da Polícia Civil informou que as lesões no corpo do dançarino eram ‘compatíveis com a queda de um muro’

Antes da execução, um policial berrou: “Quem? O DG do Esquenta? Eu sei em que esquenta ele trabalha. Ele também é bandido”

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Uma foto divulgada pelo jornal Extra nesta sexta-feira (25) confronta a versão dada pela polícia de que não era possível saber que o dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, do programa Esquenta, havia sido baleado.

Na imagem, é possível identificar a perfuração da bala que entrou pelas costas e saiu pelo braço direito do dançarino. DG morreu depois de ter o pulmão perfurado pela bala. Laudo da Polícia Civil informou que as lesões no corpo do dançarino eram ‘compatíveis com a queda de um muro’.

 

A visívil e incofundível marca de bala
A visível e inconfundível marca de bala

Até quando a polícia vai continuar com suas versões furadas e com os laudos risíveis para esconder assassinos?

Esses procedimentos criminosos devia ser punidos pela justiça sempre tarda e falha.

Publica o Correio da Bahia: Em entrevista divulgada pelo Jornal Nacional, o delegado Gilberto Ribeiro, da 13ª DP (Ipanema), explicou que o perito disse que não havia perfuração no corpo do dançarino.

“Foi um comentário que o perito fez no local para os nosso policiais, que não teria encontrado. Mas quando a pessoa está machucada e existem crostas de sangue, é difícil para um perito que não vai lavar o corpo identificar um orifício de entrada ou de saída. Isso não necessariamente é uma falha da perícia, é uma contingência da situação”, disse o delegado.

Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), os policiais não sabiam que o rapaz havia sido morto e só descobriram o corpo depois, junto com peritos da Polícia Civil. Um procedimento apuratório foi aberto pela CPP. [Ninguém acredita em “procedimento apuratório” da polícia]

 

Enterro de dançarino termina em protesto contra polícia

 

Revolta do povo no enterro
Revolta do povo no enterro

A mãe do dançarino, Maria de Fátima da Silva, afirmou, ontem, que seu filho “ia virar outro Amarildo” se os moradores não tivessem interferido na hora em que PMs estavam na creche em que o corpo foi encontrado.

Durante o velório, a mãe do dançarino afirmou que vai recorrer à ONG Anistia Internacional para “levantar a bandeira dos direitos humanos no Brasil e pedir justiça por meu filho”. Ainda no velório, o bombeiro civil e funkeiro Paulo Henrique dos Santos afirmou que estava com o dançarino em uma festa na comunidade na noite do último sábado quando, por volta das 4h, uma guarnição da PM lotada na UPP local fez ameaças a ele e ao dançarino.

“Eles chegaram e nos chamaram de bandidos, afirmando que a gente só vivia no meio de bandidos. Acontece que, por sermos famosos, as pessoas da comunidade se aproximam sempre que estamos aqui”, disse Santos, aumentando a crença de um crime premeditado.

No entanto, o delegado Gilberto Ribeiro, responsável pelas investigações sobre a morte de DG, disse, ontem, que nas análises da perícia feitas até o momento não há indícios de espancamento, e que o rapaz pode ter sofrido escoriações durante queda de uma laje.

 

Mãe de dançarino do ‘Esquenta’ afirma que moradora viu morte de filho

A mãe do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, de 26 anos, Maria de Fátima da Silva, de 56, afirmou que uma moradora do morro assistiu o momento da morte de DG.

Maria de Fátima tenta convencer a mulher a prestar depoimento na 13ª Delegacia de Polícia (Ipanema). “Ela assistiu a toda a tortura, me falou como foi (a morte). Ele levou o tiro e terminou de ser morto na creche. Meu filho foi assassinado com requintes de crueldade”, disse.

Moradores contaram que o dançarino, que não mora no morro, decidiu ir embora de uma festa após ouvir tiros. A favela estava sem luz. Amigos teriam pedido que Douglas seguisse um caminho alternativo e ele teria respondido que seguiria pela via principal porque “era um trabalhador e tinha o direito de ir e vir”. No caminho, Douglas foi atingido por uma bala nas costas que atravessou o pulmão e saiu pelo ombro direito.

De acordo com relatos de moradores para Maria de Fátima, policiais civis e militares foram até a creche na manhã de terça porque “pretendiam sumir com o corpo do meu filho”. Os moradores desconfiaram da movimentação na creche durante o feriado prolongado e foram ao local.

Ao perceberem que o corpo era de Douglas, começaram a protestar para que ele não fosse retirado do local. “Se passaram muitas horas desde que ele morreu. O local foi mexido. O corpo do meu filho estava molhado e não tinha chovido naquele dia. Eu não sou leiga.”

Maria de Fátima afirmou que haverá duas manifestações pacíficas contra a morte de Douglas: uma de mulheres vestidas de branco e outra de mototaxistas que trabalharam com DG no Pavão-Pavãozinho e no morro Dona Marta.

 

Amigo de dançarino morto no Rio diz que eles sofreram ameaças de PMs

O artista e bombeiro civil Paulo Henrique dos Santos, de 37 anos, amigo de Douglas, foi nesta quinta-feira (24) à delegacia para denunciar que os dois sofreram ameaças de policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Pavão-Pavãozinho, na zona sul da capital fluminense, no sábado de madrugada (19).

A informação sobre a ida à delegacia é do advogado da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Rodrigo Mondego, que acompanha o caso. Santos informou mais cedo que foi abordado por policiais que o chamaram de bandido.

“Uma guarnição da UPP Pavão-Pavãozinho composta de nove militares chegou para mim e ficou falando que eu era bandido, que eu era vagabundo, que vivia no meio de um monte de marginal”, relatou o artista, que disse morar na comunidade há 37 anos.

O bombeiro civil contou que, no momento da ameaça, eles estavam acompanhados por integrantes do Bonde da Madrugada, grupo em que DG dançava. “Eu falei pra ele [policial]: ‘Ali na frente onde eu estava, onde o senhor está falando que tem um monte de bandidos, de traficante, tem pessoas do bem, inclusive pessoas do Bonde da Madrugada, da [apresentadora] Regina Casé, do [programa da TV Globo] Esquenta’.”

Santos relatou que disse ao policial que ele e DG gravariam um clipe. “Ele falou: ‘Quem? O DG do Esquenta? Eu sei em que esquenta ele trabalha. Ele também é bandido’.”

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Enterro com passeata e muita repressão
A comoção provocada pelo enterro do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, deu lugar à revolta provocada por testemunhos que indicam que o dançarino foi assassinado por policiais.

Um grupo de pessoas que participaram da cerimônia realizaram, na tarde de ontem, uma passeata fechando ruas na região de Copacabana. Houve um princípio de tumulto por volta das 16h30, quando policiais militares do Batalhão de Choque usaram bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral contra os manifestantes.

 

Policiais chamaram DG de bandido na frente de músicos e bailarinos
Policiais chamaram DG de bandido na frente de músicos e bailarinos