Da incomunicabilidade dos divinos poderes

PT deixou de ser partido.
Virou uma religião

shutterstock

 

O macaco é sagrado em várias partes do mundo. Devia ser aqui. As tribos da África Ocidental reverenciam nele uma figura ancestral, que representa a malícia. No hinduísmo honram o deus macaco Hanumam. No Japão os três Macaquinhos Místicos que não vêem nenhum mal, não ouvem nada de mal, e não dizem nada de mal.

Creio assim oficializada uma nova seita, tendo em vista a nossa vocação para o ecletismo religioso.

O primeiro Macaquinho não escuta

O ministro da Fazenda Antonio Palocci disse que “uma transformação silenciosa está acontecendo na economia brasileira”. Em discurso na inauguração do Sistema Integrado dos caixas eletrônicos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, Palocci revelou que essa transformação silenciosa está permitindo que o Brasil consiga um desenvolvimento que se estende às camadas mais pobres da população, o que não ocorreu em processo semelhante no passado.

Palloci esqueceu de avisar se promoveram uma integração idêntica entre os bancos oficiais, a Receita Federal e a Previdência.

O segundo Macaquinho não fala

Temos o sigilo bancário, o foro especial e o segredo de justiça. José Dirceu inclusive anunciou que o governo pretende criar uma categoria de documento jamais vista: o de segredo eterno. Justiça seja feita, vai oficializar a prática do engavetamento para toda a eternidade, como sempre aconteceu com as CPIs. Um modismo que vem dos tempos do “nada a declarar” do ministro Alfredo Buzaid, no governo Médici.

É o país das autoridades amordaçadas, e que apenas falam abobrinha e mungangem. Fica explicado porque jornalista faz campanha contra a regulamentação da profissão e do trabalho. Todo mundo virou precário em relações públicas das personagens do Panteão nacional.

O terceiro Macaquinho não vê

O Brasil é o país da escuridão total. Ninguém jamais viu um sorteado das loterias da Caixa Econômica, um negócio tão rendoso que Val e Cachoeira queriam o controle. Encantaram até os prédios das prisões especiais para hospedar os ladrões de colarinho (de) branco.

Aviões carregaram para o Uruguai o ouro de Serra Pelada. E ninguém viu. Transportaram nos aviões Franco CC-5, para os paraísos fiscais, cerca de 250 bilhões de dólares nos oito anos terminais do governo FHC. Ninguém viu.

No começo do governo Lula era prestígio ostentar uma carteirinha do PT. Foi o caso do frei Tito, que não quis ser militante na nova religião. Não nasceu com a vocação de Talleyrand, bispo de Antun.

 

Pavel Constantin
Pavel Constantin

Publicado em 28/02/2005 no Aqui e Agora.  Seis anos depois, em 2011, entrou em vigor a Lei da Transparência que ainda não vigora em nenhum poder da República Federativa do Brasil. Vamos deixar para um futuro distante o direito do povo ser informado. E ressaltar a harmonia entre os três poderes. A necessidade de um poder conhecer o que o outro faz.  

Esdruxulamente, esse papel de ligação entre os poderes vem sendo realizado por uma imprensa parcial. 

Poder (do latim potere) é a capacidade de deliberar, agir e mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, o império. Poder tem também uma relação direta com capacidade de se realizar algo, aquilo que se “pode” ou que se tem o “poder” de realizar ou fazer.

O poder vai até onde a informação chega. No Brasil são simbólicos: o nome de Rio da Integração para o São Francisco, os postes das linhas telegráficas do marechal Rondon, e a Hora do Brasil, programa radiofônico criado em 1934, durante o Estado Novo, e retransmitido obrigatoriamente por todas as emissoras do país, entre 19 e 20 horas, desde 1938.

Da transparência. Democracia Um país que possui foro especial, neologismo para justiça secreta, não existe transparência.

A Lei da Transparência é para inglês ver. No 

Art. 3o: Os procedimentos previstos nesta Lei destinam-se a assegurar o direito fundamental de acesso à informação e devem ser executados em conformidade com os princípios básicos da administração pública e com as seguintes diretrizes:

I – observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como exceção;

II – divulgação de informações de interesse público, independentemente de solicitações;

III – utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação;

IV – fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na administração pública;

V – desenvolvimento do controle social da administração pública.

“Sigilo como exceção”, escárnio, piada, que o Brasil se tornou o país das fantasiosas, perdulárias, bombásticas e espetaculares comissões parlamentares de inquérito e das operações policiais. Que representam uma inútil busca da transparência, da quebra do silêncio, da ormità, do sigilo, do segredo. Acrescente-se que, em caráter confidencial, dissimulado, privado, essas investigações também existem dentro do judiciário.  

 

 

E covardes somos nós, subsecretário de Comunicação de SP?

por Cilene Victor (*)
Há tempo não lia um texto verdadeiramente pueril, pobre em argumentação e amparado em um vocabulário comum às gangues coléricas que se reproduzem por segundos pelas mídias sociais.

Nesta manhã, o subsecretário estadual de Comunicação do governo de São Paulo, Marcio Aith, deu a esperada demonstração do despreparo das autoridades locais para gerenciar a crise hídrica.

Publicado hoje na página ‘A3’ da Folha, o artigo de Aith mais parece uma redação de estagiário, com todo o respeito aos jovens talentosos que tenho tido o privilégio de conhecer fora e dentro da sala de aula.

Para dizer que o governo fez a lição de casa, Aith recorre ao passado recente e passa a citar os “comerciais veiculados pela Sabesp”. Talvez ele não tenha ninguém da área de comunicação de riscos ou de crise para dizer que neste cenário não se faz comercial, isso seria para vender água. No contexto de crise, ou de risco de abastecimento, usamos a expressão “campanhas de comunicação, de educação ou conscientização”. E isso não é apenas uma questão de nomenclatura, mas engloba o tipo de mensagem, o seu propósito, o público-alvo e, claro, tudo adaptado ao contexto.

E ele continua: “em maio [2014], um novo comercial, acompanhado de um esforço didático sobre o uso racional da água, redobrava o alerta”.

Na passagem acima, observa-se que o subsecretário é arrogante o suficiente para não buscar ajuda, por exemplo, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), sua vizinha, inclusive. Vamos tentar entender: material didático dentro de um comercial que tem o propósito de servir de alerta? Como assim? No contexto da crise?

Comercial vende água, material didático é uma ferramenta preciosa da gestão de risco (antes da crise) e alerta, ah, sim, alerta é o que o Estado já deveria ter feito.

Marcio Aith é criticado pela jornalista Cilene Victor
Marcio Aith é criticado pela jornalista Cilene Victor

Com um terço de página em um nobre espaço na Folha, o subsecretário, mais uma vez, desperdiçou a oportunidade de reparar os erros da sua pasta e, assim, preferiu ofender a imprensa: “o argumento deriva de certa covardia jornalística, de grande cinismo, e não resiste de fatos”. Texto escrito na frente de um espelho, claro!

Agora, alguém precisa dizer a esse subsecretário que estamos todos aguardando um pronunciamento formal do governador. Em cenários de desastres, de crises, de catástrofes, cabe à autoridade local informar e esclarecer a população.

Precisamos de um plano de contingência. Não é possível aguardar 60 dias para que, em abril, sejamos forçados a viver dois dias com água e cinco sem.

No entanto, nada disso foi formalmente divulgado ou assumido pelas autoridades competentes. Há uma série de rumores, informações que preenchem os espaços vazios deixados pela Comunicação do Estado. Isso sim é covardia e cinismo, principalmente se lembrarmos das famílias que não têm dinheiro para comprar e, tampouco, estocar água.

Não adianta ofender a imprensa, fomentar a tensão PSDB x PT, mostrar outros problemas (apagão) para amenizar a situação. Também não adianta fazer uso de frases de efeito, cínicas como a que o subsecretário recorreu para fechar sua redação escolar, ops, seu artigo: “o governo do Estado de São Paulo adotou desde janeiro de 2014, e continuará adotando, as medidas que forem necessárias em defesa de sua população”.

Que conversa mais fiada, subsecretário!

Por que não consigo fazer um café ou um arroz com a água que sai da torneira da minha casa? Por que tenho de comprar água mineral? Qual a verdadeira qualidade da água que está sendo servida? Qual a segurança para a população? Por que estou angustiada para saber como será o nosso ano letivo, se teremos aulas? Como fica a situação das famílias mais pobres, das crianças, dos idosos e dos enfermos em um rodízio (que expressão absurda!) 5 x 2?

Se a Subsecretaria de Comunicação soubesse o que é, de fato, comunicação de riscos e de crise, tenho certeza, não usaria o espaço no jornal de maior circulação do país para ofender jornalistas.

Comunicação de riscos reduz ansiedade, inibe a propagação de rumores, responde as dúvidas acima e é amparada no respeito, na transparência e na coragem política para assumir o tamanho, a dimensão e as envergaduras do problema.

Marcio Aith, faça o seu trabalho e convença o governador a fazer um pronunciamento público, sem vergonha, sem constrangimento, pois agora não cabe buscar culpados, precisamos, juntos, sobreviver à crise.

Visite a Defesa Civil do seu Estado, peça ajuda a esses profissionais treinados para situações como esta, talvez este já seja um bom começo.

(*) Professora dos cursos de comunicação da Faculdade Cásper Líbero.

El primer satélite boliviano ya está en el espacio

patria.750 satélite 1potosi.750 satélitecorreo_sur.750 satélite 3

Evo se emocionó hasta las lágrimas y ya piensa en otro satélite; el país se abre a era espacial

El primer satélite boliviano, el “Túpac Katari”, fue lanzado ayer desde la base espacial de Xichang en China, donde la operación fue seguida por el presidente, Evo Morales, y los ministros de Planificación, Relaciones Exteriores y Defensa. El primer satélite boliviano en el espacio fue calificado como un hecho”histórico” por el Gobierno, que no tardó en anunciar su voluntad de lanzar un nuevo satélite para la exploración de recursos naturales.
El lanzamiento, mediante cohetes propulsores Larga Marcha 3B/E, se llevó a cabo a las 00:42 hora desde esa base, situada a 1.800 kilómetros de Pekín, según imágenes transmitidas por el centro de control.
Decorado con la bandera nacional y la wiphala, el satélite pudo lanzarse a la hora prevista, pese a las bajas temperaturas de seis grados bajo cero y la nieve que caía en la zona.
Horas antes del lanzamiento del satélite, el presidente Morales había destacado en Pekín el momento histórico que supone para Bolivia el lanzamiento.
“Túpac Katari, antes de ser descuartizado hace 232 años, dijo ‘Volveré y seré millones’. Siento que ahora desde el espacio Túpac Katari será nuestra luz, será como millones”, proclamó en referencia al líder que se rebeló contra el imperio español en el siglo XVIII.
Morales subrayó que “por fin el pueblo boliviano será liberado de la incomunicación”.
El satélite, que orbita a 36.000 kilómetros de altura, tiene como principal finalidad mejorar las telecomunicaciones y supuso una inversión de $us 302 millones, financiados en un 85% con un crédito del Banco de Desarrollo de China, mientras el resto corre por cuenta del Estado.
Será operado desde dos estaciones de control: una en Amachuma, en El Alto, y la otra, en La Guardia, en Santa Cruz.
El personal civil y militar que operará estas bases, unas 80 personas, recibió formación específica en China, como parte del programa de cooperación tecnológica bilateral.
El satélite, un proyecto fruto de un acuerdo de cooperación firmado por ambos países en 2009, fue construido por la Corporación Industrial Gran Muralla, subsidiaria de la Corporación de Ciencia y Tecnología Aeroespacial de China.
Con un peso de 5.200 kilos y una vida útil de 15 años, el “Túpac Katari”, beneficiará sobre todo a áreas rurales, a las que facilitará el acceso a internet y brindará apoyo en programas de educación a distancia.
El satélite también se empleará para fines de seguridad y defensa, así como en telemedicina.
Dispone de tres canales de comunicación que trabajarán en tres frecuencias (una de ellas cubre Bolivia, otra se utilizará para radio y televisión y la tercera abarcará Sudamérica).

Se calcula que ayudará a ahorrar unos $us 15 millones en gastos de alquiler de servicios de satélites extranjeros y, además, podría atraer ingresos si su utilización es arrendada a otros países sudamericanos.

EMOCIÓN

El presidente Morales se emocionó hasta las lágrimas cuando los propulsores del cohete hicieron ignición y despegaron.
Por segunda vez desde que asumió el mando de Bolivia, el 22 de enero de 2006 durante la ceremonia de trasmisión de mando, Morales se quebró por la emoción al ver en el aire, en dirección a la estratósfera el cohete que puso en órbita el primer satélite de la historia.
“Emoción profunda. Nunca más estaremos incomunicados, como antes que estuvimos en la austeridad, en la oscuridad”, balbuceó el Mandatario.
Morales describió el acontecimiento como la coronación de “una lucha contra los gobiernos neoliberales” y una muestra palpable “de cómo liberarnos frente a ese saqueo” y “un reconocimiento a este pueblo que ha luchado tanto por la soberanía”.

O que preocupa os jovens comunicadores

Informa Venício A. de Lima que cerca de seiscentos estudantes de jornalismo, publicidade, relações públicas e cinema, da maioria das unidades da federação, e com idade entre 19 e 23 anos, estiveram reunidos para discutir “A qualidade de formação do comunicador social”, tema geral do 34º Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, Enecom PI 2013, que ocorreu de 20 a 27 de julho, no campus da distante Universidade Federal do Piauí, em Teresina.

Claudius Cecon
Claudius Cecon

 

por Venício A. de Lima

Chamou minha atenção a “metodologia” utilizada. O painel é dividido em “perfis” a serem apresentados por diferentes expositores, não necessariamente professores. Sobre a “Democratização da Comunicação” foram quatro perfis: 1. Por que a democratização da comunicação tem tudo a ver com você?; 2. Novas leis para um novo tempo: marcos regulatórios pelo mundo; 3. Construindo outras vozes; e 4. Das redes às ruas: a internet e a mobilização social da juventude. (…)

1. Diagnósticos e críticas não interessam mais. Precisamos discutir alternativas.

Como viabilizar a construção de alternativas locais de jornais populares? Quem teria mais credibilidade nos assuntos de interesse local, o Jornal Nacional da Globo ou um jornal produzido na comunidade? Quem os financiará? Quais parcerias coletivas são possíveis para viabilizar, por exemplo, a contratação “por serviço”, do maquinário ocioso de grandes jornais ou de gráficas?

2. A internet é importante, mas a maioria dos brasileiros ainda não tem acesso a ela. A banda larga é cara e de má qualidade. Precisamos criar alternativas complementares à internet.

A importância das rádios comunitárias é amplamente reconhecida. É necessário priorizar uma nova legislação que impeça a criminalização e o fechamento de rádios já existentes e amplie o seu alcance.

3. Não basta ser um canal de televisão público ou educativo para uma emissora se constituir em alternativa à mídia comercial dominante.

É preciso exigir dos órgãos fiscalizadores (Ministério das Comunicações) o cumprimento das obrigações dos canais não comerciais e transformá-los em espaços de veiculação de programação alternativa de qualidade.

4. A explicação midiática “pós-moderna” da total fragmentação de interesses e objetivos das manifestações de jovens não deve ser aceita sem discussão.

Por detrás da aparente fragmentação existem insatisfações comuns como, por exemplo, uma demanda por participação na construção de políticas públicas. Surge aqui a necessidade de se instalarem os conselhos de comunicação como espaço de interferência na destinação de recursos públicos nos planos estaduais de comunicação.

Com “os pés no chão”

O indispensável diálogo com os jovens é muitas vezes surpreendente. Os observadores de gabinete, analisamos movimentos de jovens sem conhecer o que de fato pensam esses sujeitos coletivos.

Mesmo levando-se em conta que boa parte de participantes dos Enecoms são jovens diferenciados porque envolvidos em militância estudantil, é gratificante observar que eles não estão – como em geral se acredita – “deslumbrados” com os falaciosos superpoderes das redes sociais virtuais. Na verdade, estão com “os pés no chão” e preocupados em encontrar formas factíveis de exercício profissional em suas respectivas áreas de formação, sem abrir mão de interferir politicamente nas transformações do país.

Ignorados pela grande mídia, no calor estorricado do Piauí, jovens futuros comunicadores sociais brasileiros “fazem” mais um Enecom e mostram saber muito bem o que querem.

Estão no caminho certo.

imprensa nanica jornalismo censura blogue

Nota do redator do blogue: Todas as redes sociais virtuais são censuradas sim, e seu tempo de exibição demasiado curto. Uma vida menor que a dos jornais impressos, que têm a duração de um dia, mas podem ser conservados, adquirindo assim uma permanência que depende das bibliotecas e arquivos.  Todas as mensagens na web desaparecem no ar. Principalmente os blogues, que possuem diferentes e diversificados tipos de censura. Inclusive estão destinados à solução final do apagão eterno.  T. A.

Papa Francisco: devemos criar, com a nossa fé, uma ‘cultura do encontro’, uma cultura da amizade, uma cultura onde encontramos irmãos, onde podemos conversar mesmo com aqueles que pensam diversamente de nós

Quando se ouve alguns dizerem que a solidariedade não é um valor, mas uma “atitude primitiva” que deve desaparecer… é errado! Está-se a pensar na eficácia apenas mundana. Quanto as momentos de crise, como este que estamos vivendo… Antes tinhas dito que “estamos num mundo de mentiras”. Atenção! A crise actual não é apenas económica; não é uma crise cultural. É uma crise do homem: o que está em crise é o homem! E o que pode ser destruído é o homem! Mas o homem é a imagem de Deus! Por isso, é uma crise profunda! Neste tempo de crise, não podemos preocupar-nos só com nós mesmos, fecharmo-nos na solidão, no desânimo, numa sensação de impotência face aos problemas. Não se fechem, por favor! Isto é um perigo: fecharmo-nos na paróquia, com os amigos, no movimento, com aqueles que pensam as mesmas coisas que eu… Sabeis o que sucede? Quando a Igreja se fecha, adoece, fica doente. Imaginai um quarto fechado durante um ano; quando lá entras, cheira a mofo e há muitas coisas que não estão bem. A uma Igreja fechada sucede o mesmo: é uma Igreja doente. A Igreja deve sair de si mesma. Para onde? Para as periferias existenciais, sejam eles quais forem…, mas sair. Jesus diz-nos: “Ide pelo mundo inteiro! Ide! Pregai! Dai testemunho do Evangelho!” (cf. Mc 16, 15). Entretanto que acontece quando alguém sai de si mesmo? Pode suceder aquilo a que estão sujeitos quantos saem de casa e vão pela estrada: um acidente. Mas eu digo-vos: Prefiro mil vezes uma Igreja acidentada, caída num acidente, que uma Igreja doente por fechamento! Ide para fora, saí! Pensai também nisto que diz o Apocalipse (é uma coisa linda!): Jesus está à porta e chama, chama para entrar no nosso coração (cf. Ap 3, 20). Este é o sentido do Apocalipse. Mas fazei a vós mesmos esta pergunta: Quantas vezes Jesus está dentro e bate à porta para sair, ir para fora, mas não O deixamos sair, por causa das nossas seguranças, por estarmos muitas vezes fechados em estruturas caducas, que servem apenas para nos tornar escravos, e não filhos de Deus que são livres? Nesta “saída”, é importante ir ao encontro de…; esta palavra, para mim, é muito importante: o encontro com os outros. Por quê? Porque a fé é um encontro com Jesus, e nós devemos fazer o mesmo que Jesus: encontrar os outros. Vivemos numa cultura do desencontro, uma cultura da fragmentação, uma cultura na qual o que não me serve deito fora, a cultura das escórias. A propósito, convido-vos a pensar – e é parte da crise – nos idosos, que são a sabedoria de um povo, nas crianças… a cultura das escórias. Nós, pelo contrário, devemos ir ao encontro e devemos criar, com a nossa fé, uma “cultura do encontro”, uma cultura da amizade, uma cultura onde encontramos irmãos, onde podemos conversar mesmo com aqueles que pensam diversamente de nós, mesmo com quantos possuem outra crença, que não têm a mesma fé. Todos têm algo em comum conosco: são imagens de Deus, são filhos de Deus. Ir ao encontro de todos, sem negociar a nossa filiação eclesial. Leia mais

A nova linguagem telegráfica

Na televisão, o anúncio de uma marca de cerveja: “Você veio aqui beber ou conversar?”. Nem precisava o alerta. Que nas boates o som é tão alto que ninguém escuta ninguém. A comunicação se faz por sinais.

 Mohammad Saba'aneh
Mohammad Saba’aneh

 

 

 

A conversa nos sítios de relacionamentos precisa ser telegráfica. As palavras abreviadas. Em c.b. Ou substituídas por emoticons.

 

Quem desconhece o internetês se trumbica.

 

Nos Sertões de Dentro e de Fora reinava o silêncio marcado pelo espaço. O silêncio dos descampados. Os povoados distantes um do outro. O isolamento das fazendas.

 

A juventude vive pendurada em um celular. Escreve com um dedo só no teclado de uma iluminada caixa mágica do tamanho de um maço de cigarro. O cata milho dos jornalistas na máquina de escrever. Que o curso de datilografia era coisa de secretária.

 

Cada edifício das metrópoles cabe a gente de uma cidade inteira. Das pequenas cidades dos municípios criados para comer verbas federais.

 

Os moradores evitam conhecer os vizinhos.

 

Dos apartamentos, intermitentes sons na madrugada: o bater de uma porta, o pisado de algum sapato de salto alto, a descarga do banheiro e, raramente, algum gemido de amor. Jamais alguma fala.

 

Na frente dos arranha-céus, os caminhões de mudança. Nunca se sabe se alguém morreu ou se foi despejado.

 

Todos os dias lançam novidades eletrônicas de comunicação, e “ninguém fala com ninguém”, registra Helio Fernandes.

 

despejo casa vazia déficit habitação

SILÊNCIO NAS REDAÇÕES E EM OUTROS TRABALHOS

por Helio Fernandes

 Svitalsky Bros
Svitalsky Bros

 

 

 

As sedes dos jornais do Rio, a partir de República, eram centros de cultura, de reuniões diárias, de convergência de personalidades. Essas redações substituíam os grandes salões da Europa. Rui Barbosa, João do Rio, Joaquim Nabuco e muitos outros se encontravam e debatiam nesses locais.

O Jornal do Brasil se dava ao luxo de ter no cabeçalho, como Redator-Chefe (se dizia assim na época) Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. E como eram brigados, tinham salas distantes, onde recebiam personalidades. Tudo isso acabou com a revolução na Comunicação.

Ninguém fala com ninguém, todos “enfiados ou focados” no computador, não olham para o lado, não sabem de ninguém. Observadores dizem: “Estão preocupados com o texto”. E antes, não se redigia nada, não havia preocupação com o texto?

Em Brasília, um ótimo jornalista e notável advogado me diz: “Antigamente, no meu aniversário, o telefone não parava em casa ou no escritório. Não esqueceram de mim, só que recebo dezenas de SMS, não querem conversar”.