CNBB pede respeito ao Estado Democrático de Direito: “É preciso ter consciência de que não pode ser um mero interesse pessoal, partidário e corporativista. Tem que seguir a Constituição e a verdade dos fatos”

Em documento divulgado nesta quinta-feira, 14, intitulado “Declaração da CNBB sobre o momento nacional”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil diz que o processo de impeachment de uma presidente da República não pode atender “interesses pessoais, partidários e corporativistas”, e deve-se respeitar “o ordenamento jurídico do Estado Democrático de Direito”.

O documento foi lido durante a 54ª Assembleia Geral da CNBB, que termina nesta sexta-feira, 15, em Aparecida, interior paulista. A entidade católica diz que o “bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas”.

O presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha, afirmou que a entidade optou por “não manifestar uma posição político-partidária, nem emitir uma parecer mais técnico” sobre o impeachment de Dilma porque seria entrar em um campo que não diz respeito à Igreja Católica.

Já o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, defendeu o que estabelece a Constituição sobre o assunto. “Seria deselegante de nossa parte ficarmos citando nomes, mas creio que essas questões todas envolvem também o julgamento do impeachment. É preciso ter consciência de que não pode ser um mero interesse pessoal, partidário e corporativista. Tem que seguir a Constituição e a verdade dos fatos”, afirmou. Transcrito do portal do Conselho Nacional de Igrejas de Igrejas Cristãs do Brasil

CNBB: ‘Não vamos apoiar golpe contra governo que nasceu dos pobres’

Dom Ailton Menegussi: “Que sejam punidos políticos de todos os lados porque sabemos que têm um monte de processos de outros políticos e que são engavetados.

Os culpados não é só desse partido ou só daquele. Não sejamos bobos”

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por Luiz Muller, em seu blog

O bispo Dom Ailton Menegussi, da Diocese de Cratéus (CE), rechaçou duramente a tentativa de golpe contra o governo da presidente Dilma; ele disse que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não aceita que “partidos políticos se aproveitem a crise para dar golpe no País”; segundo o bispo, “tem muita gente pousando de santinho”, fazendo “discurso bonito porque querem poder”; “Que sejam punidos políticos de todos os lados porque sabemos que têm um monte de processos de outros políticos e que são engavetados. Mas quando se trata de governo que nasceu dos pobres, esse é criminoso. Nós não pensamos assim”; veja o vídeo

O bispo Dom Ailton Menegussi, da Diocese de Cratéus (CE), rechaçou duramente a tentativa de golpe contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Ele disse que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não aceita que “partidos políticos se aproveitem a crise para dar golpe no País”.

“Não vamos apoiar a troca de governo, de pessoas interesseiras. Tem muita gente pousando de santinho, mas nunca pensou em pobre. Fazem discurso bonito porque querem poder, e a CNBB não concorda”, disse ele para religiosos em Tauá, no Sertão cearense. “Que sejam punidos políticos de todos os lados porque sabemos que têm um monte de processos de outros políticos e que são engavetados. Mas quando se trata de governo que nasceu dos pobres, esse é criminoso. Nós não pensamos assim”.

Na avaliação do bispo, a Justiça “está tratando criminosos antes de provas as coisas”. “Uma vez provadas, que se punam os culpados. Agora os culpados não é só desse partido ou só daquele. Não sejamos bobos”, afirmou. “Queremos que o País seja respeitado, que os cidadãos seja respeitados”.

Para os bispos do Brasil o comando da Câmara dos Deputados não tem autoridade moral para pedir impeachment de Dilma

Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), organismo da CNBB, divulgou nota sobre a decisão de acolhida de pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

A Comissão considera a ameaça de impeachment que paira sobre o mandato da Presidente Dilma Rousseff, uma decisão de Eduardo Cunha, “estritamente embasada no exercício da política voltada para interesses contrários ao bem comum”.

E indaga: “O comando do legislativo apropria-se da prerrogativa legal de modo inadequado. Que autoridade moral fundamenta uma decisão capaz de agravar a situação nacional com consequências imprevisíveis para a vida do povo? Além do mais, o impedimento de um Presidente da República ameaça ditames democráticos, conquistados a duras penas.

Confira, abaixo, a íntegra do texto:

 

Para onde caminha o Brasil?

 

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo da CNBB, no ensejo da ameaça de impeachment que paira sobre o mandato da Presidente Dilma Rousseff, manifesta imensa apreensão ante a atitude do Presidente da Câmara dos Deputados.

A ação carece de subsídios que regulem a matéria, conduzindo a sociedade ao entendimento de que há no contexto motivação de ordem estritamente embasada no exercício da política voltada para interesses contrários ao bem comum.

O País vive momentos difíceis na economia, na política e na ética, cabendo a cada um dos poderes da República o cumprimento dos preceitos republicanos.

A ordem constitucional democrática brasileira construiu solidez suficiente para não se deixar abalar por aventuras políticas que dividem ainda mais o País.

No caso presente, o comando do legislativo apropria-se da prerrogativa legal de modo inadequado. Indaga-se: que autoridade moral fundamenta uma decisão capaz de agravar a situação nacional com consequências imprevisíveis para a vida do povo? Além do mais, o impedimento de um Presidente da República ameaça ditames democráticos, conquistados a duras penas.

Auguramos que a prudência e o bem do País ultrapassem interesses espúrios.

Reiteramos o desejo de que este delicado momento não prejudique o futuro do Brasil.

É preciso caminhar no sentido da união nacional, sem quaisquer partidarismos, a fim de que possamos construir um desenvolvimento justo e sustentável.

O espírito do Natal conclama entendimento e paz.

Carlos Alves Moura

Secretário Executivo

Comissão Brasileira Justiça e Paz

Costumeiros enganadores títulos safados da revista Veja

Eis o título da notícia malandra da revista Veja para o debate, promovido pela CNBB, com de todos os candidatos a presidente:

“Tumulto, silêncio e Dilma perdida: os bastidores do debate”.

Que tipo de informação passa esse escandaloso título? Qual a primeira interpretação de um leitor apressado? Mais existe outras perversidade.

Eis a curta notícia: É por ali – A comitiva de Dilma Rousseff errou a entrada na Basílica de Aparecida e precisou dar uma volta. Dilma foi a última a chegar, faltando dez minutos para o início do debate”. Tai a “Dilma perdida”.

Leia o texto completo, assinado por Bruna Fasano, Mariana Zylberkan e Andressa Lelli, de Aparecida):

Penitência – Jornalistas que tentavam cobrir o debate entre os presidenciáveis acabaram ‘enclausurados’ em um cercadinho do lado de fora do estúdio da TV Aparecida. A situação impedia o acesso da imprensa aos candidatos – jornalistas tinham de gritar em coro para convencê-los a se aproximar da barreira. Marina Silva (PSB) e Dilma Rousseff (PT) foram as únicas que não atenderam aos gritos e passaram batido.

Os verdes – Na vez de Marina Silva, os jornalistas tentaram convencê-la a se aproximar: “Vem para a grama, Marina, vem para o verde”, gritaram alguns. A área destinada à imprensa ficava sobre um gramado.

Voz fraca – Rouca, Marina não quis falar com a imprensa quando chegou. Já a caminho da sala destinada a receber os candidatos, fez um gesto com as mãos de que falaria depois. E cumpriu o prometido.

A força do anel – Marina tem por hábito mexer na aliança quando tem de discursar e, principalmente, falar sobre temas espinhosos. Logo no início do debate, a candidata do PSB manipulava nervosamente o anel que simboliza sua união com Fábio Vaz, técnico agrícola, com quem é casada desde 1986.

Marina, o nervoso tique de rodar a aliança
Marina, o nervoso tique de rodar a aliança

Virgem – Uma das explicações para a falta de acesso à imprensa aos candidatos foi a inexperiência da TV Aparecida em promover debate entre presidenciáveis. “Foi para garantir que tudo desse certo”, afirmou um integrante da organização.

Acordo – Segundo a assessoria de imprensa da CNBB, a ausência de jornalistas na plateia foi condição imposta por dirigentes de algumas campanhas para aceitar participar do debate. A entidade não informou quais partidos fizeram o pedido.

Quente x frio – Enquanto o debate entre os candidatos foi bastante monótono em frente às câmeras, com poucos confrontos diretos entre os principais presidenciáveis, os bastidores foram agitados. Uma jornalista que tentava ter acesso ao estúdio foi barrada por seguranças da Presidência e chegou a ter o braço ferido. Profissionais de imagem puderam ficar apenas 15 minutos próximos aos candidatos e registrar poucas imagens.

Ginástica olímpica – O candidato do PSDB, Aécio Neves, comentou o fato de ter perdido o segundo lugar na corrida eleitoral. “A campanha eleitoral deu uma cambalhota depois da morte de Eduardo Campos”, disse em referência ao trágico acidente que vitimou o candidato do PSB e outros seis membros de sua equipe.[Uma morte providencial para Marina, que amargava um humilhante terceiro lugar]

Gravata da discórdia – O tucano parece ter errado na escolha do figurino e escolheu uma gravata vermelha para participar do debate. A cor, em geral, é associada ao PT.

Bandeira branca – Principais oponentes nessas eleições, Marina Silva e Dilma Rousseff vestiram branco para participar do debate na CNBB. No caso da candidata do PSB, o uso de roupas em tons claros tem sido a orientação de pessoas próximas para suavizar sua imagem. Marina tem sido proibida de usar preto [para apagar imagem de viúva de Chico Mendes e Eduardo Campos]

Entre nós – Ao contrário dos demais debates, o da CNBB foi marcado pelo confronto direto entre Dilma e Aécio. Se o formato obrigou Marina a debater com Levy Fidelix, a petista e o tucano protagonizaram o momento mais tenso da noite ao falar de corrupção – que incluiu pedidos de direito de resposta.

O falante – Diante dos apelos da imprensa, Aécio Neves concedeu duas entrevistas coletivas aos jornalistas. Apostando na “onda da razão”, aparentava alívio diante de uma nova pesquisa de intenção de voto que indica que cresceu quatro pontos na preferência do eleitorado.

Reforma política – Eduardo Jorge, candidato à Presidência pelo PV, disse que recebeu uma proposta de reforma política de Dom Raymundo Damasceno Assis, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “Não concordamos que as empresas financiem as campanhas eleitorais”, disse o candidato.

Ataque ao marketing – Luciana Genro, candidata do PSOL à Presidência, agradeceu à sua moda o convite para participar do debate. “O debate é um recurso mais autêntico e não protegido por marqueteiros como na propaganda eleitoral.”

Entendeu? – O candidato Eymael (PSDC) também agradeceu o convite da CNBB e se disse injustiçado por ter sido excluído de dois debates anteriores. “Vim aqui dizer quem é o Eymael e o que eu fiz pelo Brasil”. Ao ser questionado sobre o que realmente fez pelo país, o candidato respondeu: “Ajudei a construir uma sociedade livre e justa e fazer do Brasil uma República Federativa.”

Metralhadora – Alvo de uma liminar concedida pela Justiça Eleitoral a pedido da campanha de Dilma Rousseff, que suspendeu os programas eleitorais que atrelavam o governo do PT ao escândalo do mensalão, Pastor Everaldo (PSC) repetiu o discurso vetado. “O povo brasileiro não aguenta mais corrupção, estamos diante de um mensalão 2”.

Líder isolado – Presidente nacional do PT e um dos chefes da campanha de Dilma Rousseff, Rui Falcão ficou sem saber o que fazer na espera pela presidente na entrada do debate. Após conceder entrevista coletiva, e sem intimidade com bispos e padres, que faziam as honras na recepção, se manteve com as mãos nos bolso e isolado em um canto.

É por ali – A comitiva de Dilma Rousseff errou a entrada na Basílica de Aparecida e precisou dar uma volta. Dilma foi a última a chegar, faltando dez minutos para o início do debate.

Militância abraçada – Ao final do debate, Dilma Rousseff saiu do carro e fez questão de abraçar a militância do PT que a aguardava já de madrugada.

Os acréscimos entre colchetes são do editor deste blogue. T.A. 

CNBB aconselha “voto no Brasil”

 

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Durante a reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da CNBB, realizada na semana passada, em Brasília, o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação, dom Joaquim Mol, apresentou aos bispos a série de vídeos “Eleições 2014 – Voto no Brasil”. São seis vídeos que abordam temáticas sobre as eleições no Brasil como o voto consciente, compromisso do eleitor na escolha dos representantes políticos, entre outros.

Produzidos pelo Núcleo de Estudos Sociopolíticos (Nesp) da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC- Minas), instituição da arquidiocese de Belo Horizonte (MG), em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os vídeos têm o propósito de contribuir para a formação política dos cidadãos. Apresentam linguagem simples e têm uma duração média de oito minutos.

Os vídeos podem ser reproduzidos em ambientes como salas de aula, reuniões, seminários, debates, meios de comunicação e compartilhados nas redes sociais. Estão disponíveis nas páginas do youtube da CNBB e da arquidiocese de Belo Horizonte.

 

 

Hoje, o Grito dos Excluídos busca liberdade e direitos

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“Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos” é o lema da 20ª edição do Grito dos Excluídos, que acontece em todo o Brasil, neste domingo, 7 de setembro, dia em que se celebra a Independência do Brasil. O conjunto de manifestações populares, que há duas décadas trata da temática “Vida em primeiro lugar”, prioriza neste ano a linguagem criativa e simbólica em suas ações, como música, teatro, poesia, redações, exposições e feiras. A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participa das mobilizações por meio das Pastorais Sociais, com apoio da Cáritas Brasileira e da Pastoral da Juventude.

A edição de 2014 organiza o máximo de ações na defesa da vida humana, na luta pelo acesso e qualidade dos serviços públicos básicos e na construção de espaços e ações de denúncia de injustiças. Os grupos também marcham contra as privatizações de bens naturais e serviços e denunciam a criminalização dos movimentos e lutas populares.

Vários eixos foram articulados para trabalhar questões como participação popular, comunicação, impactos de megaprojetos e megaeventos, extermínio da juventude negra, meio ambiente e os povos indígenas e tradicionais.

“O grito tem uma função como se fosse um pequeno grande professor que contribui para levar informação e formação ao povo brasileiro, que é daquilo que o povo precisa para se manifestar”, afirma o coordenador nacional do evento, Ari Alberti.

Desde 1995, quando aconteceu a primeira edição do evento, houve grande repercussão internacional e reconhecimento na Assembleia Geral da CNBB, ocasião em que os bispos refletiram sobre o tema e o abordaram no Documento 56, “Projeto Rumo ao Novo Milênio”.

Outro fato é o contraste da manifestação civil com o desfile militar. “A Semana da Pátria deixou de ser uma semana de plateia, que assiste a desfiles, para ser uma semana de mobilização, de atividades, de lutas e de botar nas ruas suas necessidades e seus direitos que não estão sendo respeitados”, aponta Alberti.

Saiba mais sobre a organização e locais onde acontecem as ações do Grito dos Excluídos no site www.gritodosexcluidos.org.

 

 

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Nota da CNBB: “Ouvir o clamor que vem das ruas”

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Nascidas de maneira livre e espontânea a partir das redes sociais, as mobilizações questionam a todos nós e atestam que não é possível mais viver num país com tanta desigualdade. Sustentam-se na justa e necessária reivindicação de políticas públicas para todos. Gritam contra a corrupção, a impunidade e a falta de transparência na gestão pública. Denunciam a violência contra a juventude. São, ao mesmo tempo, testemunho de que a solução dos problemas por que passa o povo brasileiro só será possível com participação de todos. Fazem, assim, renascer a esperança quando gritam: “O Gigante acordou!”

Numa sociedade em que as pessoas têm o seu direito negado sobre a condução da própria vida, a presença do povo nas ruas testemunha que é na prática de valores como a solidariedade e o serviço gratuito ao outro que encontramos o sentido do existir. A indiferença e o conformismo levam as pessoas, especialmente os jovens, a desistirem da vida e se constituem em obstáculo à transformação das estruturas que ferem de morte a dignidade humana. As manifestações destes dias mostram que os brasileiros não estão dormindo em “berço esplêndido”.

Retirada dos Poderes Investigativos do Ministério Público

“Todo o que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz,
para que suas ações não sejam denunciadas!” (Jo 3,20)

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O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, de 5 a 7 de fevereiro, vem manifestar sua opinião sobre Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n.º 37/2011, que acrescenta o §10º ao art. 144 da Constituição Federal, estabelecendo que a apuração das infrações penais de que tratam os §§ 1º e 4º do mesmo artigo caberá “privativamente” às Polícias Federal e Civis dos Estados e do Distrito Federal.

A consequência prática de tal acréscimo significa a exclusividade de investigação criminal pelas Polícias Civil e Federal, que hoje têm o poder de investigar, mas sem que tal poder seja “privativo”. Tal exclusividade não garantiria uma melhor preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio (Art. 144). Ao contrário, poderia criar um clima de insegurança pública e jurídica, limitando ou impedindo uma ação civil dos cidadãos.

Essa exclusividade, além disso, resultará na indesejável restrição do poder investigativo de outros entes, em especial, do Ministério Público. No momento em que os valores e as convicções democráticas da sociedade brasileira passam por uma preocupante crise, custa-nos entender a razão de tal vedação.

A importância do Ministério Público em diversas investigações essenciais ao interesse da coletividade é fundamental para o combate eficaz da impunidade que grassa no país. Não se deve, portanto, privar a sociedade brasileira de nenhum instrumento ou órgão cuja missão precípua seja a de garantir transparência no trato com a coisa pública e segurança ao povo. A PEC é danosa ao interesse do povo devendo ser, por isso, rejeitada.

Que Deus, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, nos inspire a todos no compromisso com a construção de uma sociedade de irmãos em que prevaleçam a justiça e a paz.

Brasília, 6 de fevereiro de 2013.

Dom Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

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Ministra Rosa Weber: “homens públicos” devem ser mais cobrados que os cidadãos comuns

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante: “A gente não pode afirmar que já está tudo certo. A gente só pode falar isso quando tivermos o último voto. Mas a expectativa é a mais otimista possível. O voto da ministra Rosa Weber foi fundamental para consolidar a compreensão de que a Lei é constitucional e de que ela vai valer já para as próximas eleições. Portanto, se vier a se confirmar isso no julgamento de amanhã, vai ser uma vitória da sociedade brasileira, da democracia. Isso fortalece, cada vez mais, as instituições desse País. E confere à classe política uma importância ainda maior do que ela tem, mas isso com uma responsabilidade ainda maior de ter bons representantes. Os partidos terão que ter mais cautela e mais critério na escolha dos seus representantes, para que eles não sejam impugnados e acabem prejudicando o próprio partido”, disse Cavalcante, que acompanhou o julgamento ao lado do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno Assis.

O presidente da OAB se referiu ao voto da nova integrante da Corte, Rosa Weber, que não havia participado das sessões anteriores do julgamento. Ela defendeu a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e afirmou que os “homens públicos” devem ser mais cobrados que os cidadãos comuns.

Faltam ainda os votos de seis ministros. O do presidente do STF, Cezar Peluso, e dos ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello. Apesar de ainda não terem votado, os ministros Lewandowski e Ayres 

Os bispos contra os cardeais do STF

O  presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raymundo Damasceno Assis, vai participar do ato público que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) promoverá, no dia 31, contra o esvaziamento dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para processar e julgar questões  envolvendo magistrados.

“OAB, CNBB e ABI, historicamente, sempre empreenderam lutas em favor da redemocratização do país e continuam juntas na afirmação da democracia no Brasil”, salientou Ophir. “A presença dessas entidades nesse ato, para além do simbolismo, é também uma reafirmação da importância da unidade de sentimentos e de propósitos que envolvem a sociedade civil brasileira organizada”, acrescentou.

Tramita no Supremo Tribunal Federal ação ajuizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) que questiona os poderes do CNJ para investigar e punir juízes por desvios ético-disciplinares. A expectativa é de que a ação direta de inconstitucionalidade (Adin) pode ser julgada, no mérito, na volta do recesso, a partir de 1º de fevereiro. No fim do ano passado, o ministro Marco Aurélio Mello, relator da Adin, concedeu liminar à AMB.

Eliana Calmon nega devassa em informação sobre juízes

estadão.com.br

Depois de enviar a sua defesa ao Supremo Tribunal Federal (ATF), a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, afirmou não ter promovido uma devassa para a captação dos números do relatório feito pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Em sua defesa, a ministra afirmou que o acesso aos dados cadastrais de magistrados e servidores não configura quebra de sigilo. Argumentou, ainda, que o CNJ, como órgão de controle do Judiciário, pode investigar dados que possam apontar a prática de ilícitos administrativos.

“O relatório apresentado (do Coaf) mostra uma visão geral das comunicações financeiras distribuídas por unidade da federação, o que é absolutamente diverso de uma devassa nas movimentações bancárias pessoais dos servidores e magistrados do Poder Judiciário. As informações do Coaf, reitera-se, não especificam nomes ou CPFs”, afirmou Eliana Calmon.

Na ação levada ao STF, as associações de juízes acusavam Eliana Calmon de violar sigilos fiscais de servidores e juízes e de vazá-los à imprensa. A acusação acontece depois de dados do Coafmostrarem que 3.426 servidores do Judiciário e magistrados movimentaram, de forma suspeita, em torno de R$ 855,7 milhões de 2000 a 2010. Em dinheiro vivo, foram R$ 274,9 milhões movimentados de forma atípica entre 2003 e 2010. São Paulo foi o Estado que apresentou maior volume de operações em espécie – R$ 53,8 milhões -, seguido do Distrito Federal, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em julho de 2010, ainda na gestão de Gilson Dipp, a Corregedoria do CNJ solicitou ao Coaf o levantamento.

A corregedora também alegou que a acusação de vazamento de dados sigilosos por parte da corregedoria não procede, uma vez que o órgão só teve acesso a determinados dados depois que eles foram divulgados na imprensa. Também afirmou que a corregedoria não chegou a produzir relatório sobre a inspeção em São Paulo.

Outro ponto rebatido pela ministra é a alegada necessidade de obter decisão judicial para investigar movimentações financeiras atípicas praticadas por juízes e servidores. “Se acolhida a tese das impetrantes (das entidades de classe que moveram o processo), no sentido de se exigir autorização jurisdicional para o fornecimento de dados sigilosos, a quem deveria o corregedor nacional de Justiça solicitar tal permissão? A um juiz de primeiro grau, sujeito à sua fiscalização? A um desembargador, sujeito à sua fiscalização?”, perguntou.

Maior tribunal do mundo, TJ-SP deve R$ 7 bi a magistrados e confirma que nunca existiu devassa

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, fala sobre a dívida do maior tribunal do mundo, que tem um orçamento de R$ 6,8 bilhões para 2012:

– São R$ 3 bilhões a nosso ver. Já para associações de servidores são R$ 7 bilhões. (O valor) é relativo a férias (não aproveitadas), fator de atualização monetária, equivalência, licença-prêmio.

– Cada dia fica maior (a dívida do TJ). Eram R$ 600 milhões, passou para R$ 1 bilhão, foi para R$ 2 bilhões, agora são R$ 3 bilhões. Daqui a pouco não se paga ninguém mais.

Ele disse ao estadão.com.br que vai solicitar créditos junto ao Executivo para cobrir pelo menos uma fatia do débito.

Ao contrário do argumento usado pelas associações de classe da toga para atacar o CNJ, Sartori negou que a Corregedoria Nacional de Justiça tenha quebrado o sigilo de juízes ao pedir dados ao Coaf. “O acesso que eu tive foi aos relatórios do Coaf que não individualizam as pessoas. Não tem nomes ali. Por isso, não houve quebra de sigilo.”

 – Vou tentar buscar com o governador (Geraldo Alckmin). Uma hora vamos ter que conversar. Quero buscar pelo menos uma parte para os juízes, mais para os funcionários em situação de penúria. Tudo não sei se vou conseguir.
Ao contrário do argumento usado pelas associações de classe da toga para atacar o CNJ, Sartori negou que a Corregedoria Nacional de Justiça tenha quebrado o sigilo de juízes ao pedir dados ao Coaf.
– O acesso que eu tive foi aos relatórios do Coaf que não individualizam as pessoas. Não tem nomes ali. Por isso, não houve quebra de sigilo.