A DEUSA LUA (Vídeo O amor de Adélia)

por Talis Andrade

Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux
Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux

Não existem tesouros
promessas de velo de ouro
maior encantamento você
nua navegando nuvens
toda prateada pelos raios da lua
a dourada cabeça coroada
por uma constelação de estrelas

Teu corpo cavalo da deusa
a revolutear pelos campos azuis de papoulas
Teu corpo a girar a girar na dança
estonteante do amor
os cabelos soltos
os olhos de vertigem
de prostituta absorvida
prostituta virgem
prostituta sagrada
possuída pela deusa

 

Talis Andrade, A Partilha do Corpo, p. 93

 

 

 

 

 

 

A FRANÇA ENTRE O AMOR E A GUERRA

Jesus jamais tocou neste tema: o amor grego.
No Velho e no Novo Testamento não existe nenhuma referência ao amor entre mulheres.
São Paulo faz uma referência ao sexo anal. Sodomia.

No Velho Testamento se combate o amor entre os homens. Em defesa da supremacia racial: O famoso “Crescei e Multiplicai-vos”.

Que temem os franceses? O crescimento da população mestiça. O aumento da população de emigrantes. É um movimento xenófobo e racista.

lemonde.Le monde guerra

liberation. o amor

Uma Palma de Ouro que é um ménage à trois

por Vasco Câmara

O júri da 66.ª edição quis premiar os três cúmplices de La Vie d”Adèle: o realizador Abdellatif Kechiche e as duas actrizes

Cinco anos depois de A Turma, de Laurent Cantet, nova Palma de Ouro para um filme francês, e de novo em caminhos de juventude e de literatura, mas desta vez acrescentando-se algo de novo à experiência, como um patamar que foi ultrapassado: a intimidade sexual, como não a tínhamos experimentado assim – se calhar já, mas a memória suspendeu os juízos e deu à sessão das 19h do dia 23 a emoção dos momentos históricos. Cúmplices a introduzirem a imprensa mundial no Festival de Cannes nesse vórtice, Abdellatif Kechiche, realizador de La Vie d”Adèle, Chapitres 1 et 2, Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos, intérpretes de duas raparigas que se amam, foram ontem designados como os três artistas dignos do prémio máximo do palmarés deste 66.ª edição.

Subiram os três ao palco, cada um com a sua Palma, decisão com o seu toque de originalidade mas que faz justiça à experiência de rodagem nos filmes de Kechiche: a entrada numa família de afectos. Palmas para o presidente do júri Steven Spielberg. Que será responsável pela coroação do franco-tunisino, que na imprensa francesa já começara a ser chamado, como se se reparasse uma injustiça, o maior cineasta francês da actualidade – já recebera Césares e prémios em Veneza, com A Esquiva (2002) ou O Seg­redo de um Cus­cuz (2007), mas a Palma é outra coisa. Kechiche dedicou o prémio à belle jeunesse de França e da Tunísia, onde se faz a revolução.

Era o prémio que todos esperavam, faltava saber como o júri se iria desenvencilhar – até porque a opção de entregar o prémio máximo a La Vie d”Adèle, Chapitres 1 et 2 e distinguir as actrizes com o prémio de interpretação é um cúmulo não permitido pelos regulamentos do festival. O júri saiu-se bem, e não foi apenas artimanha, é a verdade de La Vie d”Adèle, uma pessoal adaptação de Kechiche da novela gráfica Le Bleu est une couleur chaude de Julie Maroh, que conta a educação sentimental e sexual de uma rapariga, Adèle (Adèle Exarchopoulos), a partir do coup de foudre por uma Emma (Léa Seydoux) de cabelos azuis (estreia-se em França em Outubro e está comprado para Portugal pela Leopardo Filmes).

Assim Spielberg & Cia. abriram caminho para a premiação de Bérénice Bejo como Melhor Actriz por Le Passé, do iraniano Asghar Farhadi (Uma Separação), alvo de uma recepção bastante mitigada em Cannes. Mas o prémio confirma os recentes triunfos de Bejo, a vencedora do César de melhor actriz por O Artista que muitas vezes alude que sempre “soube perder” e por isso agora lhe sabe bem ganhar – para este papel de uma mulher entre o marido iraniano de quem se vai divorciar e o homem com quem iniciou nova relação, tinha sido escolhida, inicialmente, a estrela Marion Cotillard.

Se exceptuarmos a ausência do palmarés do snob e amoroso Only Lovers Left Alive, de Jim Jar­musch – muito melhor filme do que o dos Coen ou de Alexander Payne -, é verdade que o júri fez o que tinha a fazer com os títulos que, melhor ou pior, marcaram esta edição. Pode-se ver no Prémio do Júri – Tel Père, Tel Fils, do japonês Hirokazu Kore-Eda – ou na distinção a um dos tesouros do cinema americano dos anos 1970, Bruce Dern, de 75 anos (prémio de interpretação por Nebraska, de Alexander Payne: história de um homem que acredita que ganhou um milhão e obriga o filho a levá-lo do Montana ao Nebrasca para cobrar o prémio), um percurso para a reconciliação com a figura do pai, tema, trauma ou perda em algum do melhor Spielberg. Antes de chegar Kechiche, o filme dos Coen, Inside Llewyn Davis, era o favorito para a Palma. Saiu-se com o Grande Prémio. Ambientado nas dark ages da cena folk de Greenwich Village no final dos anos 1950, antes dos ícones, é menos um retrato de um mundo do que o retrato da obsessão de uma personagem – Inside Llewyn Davis tal como na cabeça de Barton Fink, o filme que deu a Palma em 1991 a Joel e Ethan. Não poderão ser secundarizadas as distinções ao mexicano Amat Escalante, por Heli (melhor realizador, a distinção que teve Carlos Reygadas em 2012 por Post Tenebras Lux: de novo a violência que sangra a sociedade mexicana) e ao chinês Jia Zhangke, pelo argumento de A Touch of Sin, corajosa e gráfica explicitação da China de hoje. Zhangke diz que o cinema lhe permite acreditar na liberdade. (Público, Portugal)

Kechiche e as suas actrizes
Kechiche e as suas actrizes

Meryl Streep e os “ideais errados” da dama de ferro

Meryl Streep conseguiu do nada, de um final de vida medíocre e doentio, com uma consagrada interpretação, por ser, inclusive, maior do que a personagem, humanizar a “dama de ferro”.

Nenhum feito engrandece a vida de Margaret Thatcher. O Reino Unido voltou ao isolamento dos tempos de Henrique VIII. E a Europa do euro atravessa sua pior crise pós Segunda Grande Guerra.

Se existe beleza ou um grande feito para lembrar da vida de Margaret Thatcher faz parte da magia do cinema.

“Para mim, foi uma figura de admiração pela sua força pessoal e determinação. Chegar, legitimamente, às fileiras do sistema político britânico, que era classista e com fobia ao género (feminino), na época e na forma como o fez, foi uma grande conquista”, afirmou a actriz, citada pela agência EFE.

Meryl Streep ganhou, em 2012, a sua terceira estatueta dourada ao protagonizar “A Dama de Ferro”, uma retrospectiva da vida e carreira política de Thatcher.

A atriz americana considerou ainda a ex-primeira-ministra britânica “pioneira” na política, conseguindo “manter as suas convicções vinculadas a fervorosos ideais – errados como podemos percebê-los agora – mas sem corrupção”, considerando Meryl Streep que isso evidencia “algum tipo de grandeza”.

A atriz destacou ainda o fato de Thatcher ter oferecido às jovens de todo o mundo um motivo para redefinir “os seus sonhos de ser princesas” e dar-lhes uma fantasia diferente: “A opção real de liderar uma nação.”

A ex-primeira-ministra britânica, que esteve no poder entre 1979 e 1990, morreu ontem na sequência de um acidente vascular cerebral, informou o porta-voz da antiga líder conservadora.

A ex-primeira-ministra britânica sofria de Alzheimer e estava muito debilitada fisicamente. Na última década, as suas aparições públicas foram raras.

Margaret Thatcher não falava em público desde 2002, por aconselhamento dos seus médicos, após ter sido vítima de vários acidentes vasculares cerebrais.

Seis sessões para aprender a fazer sexo

por Mafalda Santos

as sessões

Na calha dos óscares, hoje decidi falar de um tema que é abordado por um dos filmes que ainda se encontra em exibição nas salas de cinema portuguesas e que levou a que Helen Hunt tivesse sido nomeada, este ano, para melhor atriz secundária pela Academia: Seis Sessões ou “The Sessions”, no título original.

“Seis sessões” conta a história verídica do jornalista, poeta e escritor Mark O’Brien, que em criança contraiu poliomielite e que, derivado disso, ficou paralisado até ao resto da sua vida. Mark, apesar de paralisado e condenado a uma maca e a um “pulmão de ferro” que lhe garantia o oxigénio necessário à sua sobrevivência, tinha – à semelhança do comum dos mortais – desejos sexuais que, derivado do seu estado e condição física, não eram satisfeitos ou resolvidos. Por isso, aos 38 anos e ainda virgem, decidiu recorrer a uma terapeuta sexual para o ajudar a ultrapassar esta situação, garantir-lhe confiança enquanto ser sexual ativo e ir até onde nunca ninguém tinha ido.

O filme é uma história comovente, divertida e bastante humana de uma questão que é tudo menos pacífica: as “surrogates” (título original em inglês), que se assumem como terapeutas sexuais e que ajudam a ultrapassar os mais variados traumas, a descobrir o corpo e a permitir que muitos homens em condições físicas adversas (e não só), obtenham o prazer e a confiança de tirar partido e satisfação da experiência sexual plena.

Mas isso não é o que uma vulgar prostituta também faz, perguntam muitos de vocês? Haverá quem diga que sim e há quem diga que não, pelo menos assim defendem estas terapeutas sexuais que, nos Estados Unidos, têm um código de ética e uma Associação Profissional regulada.

Terapeuta ou prostituta? As opiniões dividem-se.

Há diferenças entre uma terapeuta sexual (surrogate) e uma prostituta – e embora a profissão seja polémica e existam códigos de conduta – a verdade é que há estados norte-americanos que não a aprovam e permitem. A linha que divide esta atividade pode ser ténue e confusa para muitos, ficando sempre uma certa indecisão sobre o que acontece entre quatro paredes, mas para estas terapeutas sexuais, o foco da questão não é o sexo, mas sim a familiaridade e a intimidade criada com o paciente, levando-o a quebrar os seus próprios preconceitos e barreiras. Não se procura o prazer pelo simples prazer. Procura-se ultrapassar problemas, aprender, libertar fantasmas e ajudar a que estes homens, no futuro, consigam – com base nos conselhos recebidos – ter uma vida sexual normal e satisfatória com as suas companheiras sem recorrer a mais nenhuma terapia sexual. E isso, tanto se adequa a um deficiente ou paraplégico que não sabe como iniciar a sua vida sexual ou o que fazer, por total ausência de contacto físico nesse sentido, como a um homem perfeitamente normal que viva assombrado pelo medo de não proporcionar prazer.

A terapia também se paga… e bem!

Na Europa não há equiparação possível. Não há cá “surrogates” que valham aos nossos deficientes ou aos nossos homens que tenham problemas sexuais e necessitem de ajuda. Ou resolvem a coisa com psicoterapia e eventuais tentativas de erro, ou estão entregues à sua própria sorte. A profissão “terapeuta sexual” não existe nem é reconhecida e tudo o que recorra a serviços que envolvam sexo pelo meio e que são pagos, só há uma catalogação possível: prostituição.

Voltando ao filme “Seis Sessões” e ao papel interpretado por Helen Hunt – que deu vida à terapeuta sexual (ou surrogate) Cheryl Cohen Greene – hoje com 68 anos e ainda em exercício das suas funções, a mesma refere; “Necessitamos de um parceiro para resolver a maior parte dos nossos problemas sexuais e para os homens solteiros e sem companheira, isso é um enorme problema.”

A senhora Greene, que permaneceu amiga do escritor Mark O’Brien até à morte do mesmo em 1999, continua casada com um “maravilhoso e compreensivo companheiro”, segundo palavras da mesma, podendo lucrar por ano, mais de 50 mil dólares. O preço das consultas ronda os 300 dólares e tem a duração de 2 horas, não ultrapassando em número, as seis sessões. Geralmente é na sexta e última sessão que ocorre penetração e, por regra, não existe mais contacto físico ou presencial. O objetivo não é tornar a terapia recorrente, como se fossemos ao psicólogo ou fidelizar clientes. O objetivo é dar-lhes as ferramentas para, a partir daqui, dependerem de si próprios.

E se a senhora Greene foi uma percursora deste tipo de terapia, hoje podemos dizer que o preço dos seus serviços até é bastante em conta e com um grande desconto, pois há surrogates a cobrar entre 3.000 e 5.000 dólares por sessões de duas horas e com um número mínimo que variam entre as 12 e as 15, ou seja, mais do dobro que as praticadas pela senhora Greene.

Caso para dizer que, como em tudo na vida, a quantidade nem sempre significa qualidade do serviço.

Recorrido por Mali en 35mm

por Sebastián Ruiz
Wiriko
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La primera generación de cineastas africanos nació de una voluntad implacable de desarrollar una identidad de las culturas nacionales y con un profundo deseo de dar testimonio de las mismas, teniendo por objetivo rechazar la imagen que de ellos había dado el cine durante la época colonial. Las estructuras formales cinematográficas se puede decir que florecieron en Mali con un cierto orden y lógica. En el año 1962 se creó el OCINAM (Oficina Cinematográfica Nacional de Mali) que abarcaba, en principio, todos los sectores, hasta que en 1966 se creó Scinfoma (Servicio de Información del Cine) incorporado en 1977 dentro del CNPC (Centro de Producción Nacional).

Para conseguir que los africanos pudieran reencontrarse con una identidad que les había sido usurpada y rebajada al rango de la barbarie, los cineastas asumieron el firme compromiso de dirigirse al espectador, de interpelar directamente al africano que se observaba a través del cine, de su cine. Es por eso que el cine de los primeros años posee una marcada tendencia política y didáctica, pues estos pioneros no consideraban al séptimo arte como un entretenimiento, sino como un vehículo ideológico que podía servir para descolonizar las mentes, desarrollar una toma de conciencia y recuperar las herencias y tradiciones auténticamente africanas.

Este es el caso del aclamado Souleymane Cissé, que en 1970, se convirtió en el primer maliense en tener terminado el ciclo completo de estudios en una escuela superior de cine, en concreto, en el Instituto de Moscú. Por esta escuela pasarían figuras claves del cine maliense como Djibril Kouyaté que dirigió durante un tiempo el OCINAM.

Después de los primeros pasos en el cine documental con el sello etnográfico de Jean Rouche, los realizadores y técnicos malienses, formados durante los años 60-70 en la Unión Soviética y en las Repúblicas de Europa del Este (principalmente Yugoslavia), se orientaron hacia la ficción. Estas obras, se inspirarían en el realismo, ofreciendo una mirada aguda y comprometida por el poder y la dictadura de Moussa Traoré instaurada en 1968 afectando a toda la cultura audiovisual.

Entre 1970 y el 2001, Malí había producido y co-producido poco más de 20 largometrajes, 30 documentales y 20 cortometrajes según las cifras del (CNPC). Esta producción tan reducida en una franja de 30 años ha llevado a una drástica reducción en la tasa de asistencia al cine, dejando el campo libre a las imágenes extranjeras, e impulsado por las cintas de vídeo y las cadenas satélites. Parte de esta responsabilidad fue debido a la supresión del OCINAM cuyo papel, entre otros, era el de gestionar las salas de cine y asegurar la programación, distribución y la explotación de las películas de producción nacional.

Además de la eliminación del OCINAM, la ausencia de film político explicaría lo que algunos han denominado “la corriente a través del desierto del séptimo arte maliense”. No obstante, el espíritu de lucha, inventiva y crítica de algunos de sus directores ha mantenido al país en el reconocimiento internacional; es el caso del mencionado Souleymane Cissé, de Cheick Oumar Sissoko o de Abdoulaye Ascofaré.

Un celuloide bien dinámico

Actualmente, el Centre National de la Production Cinématographie (CNPC) se encuentra intentando relanzar un sector que aunque nunca ha llegado a detenerse está por ver de qué manera afectará el conflicto actual que está teniendo lugar y que mantiene al país dividido. Prueba de ello es la firmeza que mantiene la UCEAO (Unión de Creadores y Empresarios del Cine y el Audiovisual de África del Oeste), creado en 1996.

Pese al subrayado en rojo de todos los indicadores de organizaciones internacionales que analizan este país, el presente cinematográfico se anto ja dinámico. Así lo demuestran los últimos premios recibidos por películas malienses. El último de ellos ha sido para el film Toiles d’Araignées (Tela de araña) obteniendo el Premio de la Organización Internacional de la Francofonía (OIF) en el marco del festival canadiense International Film Festival Vues d’Afrique 2012. Este largometraje de 92 minutos, producido íntegramente por el CNPC y dirigido por Ibrahim Touré, está basado en la novela de Ly Ibrahim.

Como afirmaba el propio director: “La película revive las páginas oscuras de las dictaduras africanas que sellaron el destino de nuestro pueblo con el silenciamiento de las voces y el aplastamiento brutal a cualquier atisbo de disidencia”. Toiles d’Araignées será además una de las seleccionadas para representar a Mali en el FESPACO (Festival Panafricano de Ouagadougou que se celebra bianualmente y que vendrían a ser como los Oscar africanos), en la categoría de mejor largometraje, según anunciaba ayer la web oficial . También lo harán en la categoría de cortometraje Dankuma de Bakary Diallo, y en la de documental Hamou-Beya (Pescadores de arena) de Andrey Samonté Diarra.

 

O PASTELÃO DO MENSALÃO

por Celso Lungaretti
Os melhores filmes de tribunal que vi na vida foram Sacco e Vanzetti (d. Giuliano Montaldo, 1971), O veredicto (d. Sidney Lumet, 1982), Doze homens e uma sentença (d. Sidney Lumet, 1957), Julgamento em Nuremberg (d. Stanley Kramer, 1961), O sol é para todos (d. Robert Mulligan, 1962) e O vento será sua herança (d. Stanley Kramer, 1960).
Um degrau abaixo estãoTestemunha de Acusação (d. Billy Wilder, 1957) e Anatomia de um crime (d. Otto Preminger, 1959).
O amargomas um tanto forçado,Justiça para Todos (d. Noman Jewison, 1979) se coloca num patamar ainda inferior, o que não o impede de ser o mais apropriado para explicar o que vimos na maratona do  mensalão.No final de um julgamento igualmente grotesto, o advogado Kirkland (Al Pacino) chuta o pau da barraca, explicando aos jurados que os partícipes daquela encenação pomposa queriam mesmo era vencer, não fazer justiça.

Isto ficou mais do que evidenciado no mafuá da ação penal 470, com o relator Joaquim Barbosa usando e abusando de retórica intimidatória para obter as condenações e o revisor Ricardo Lewandowski reagindo às derrotas pessoais com incoerências típicas de um pavão pirracento, como suas mudanças de votos para fabricar empates.

O pouco de respeito que ainda tinha pelo Supremo Tribunal Federal, eu o perdi nos julgamentos do Caso Battisti, ao constatar a tendenciosidade extrema com que Cezar Peluso e Gilmar Mendes atuaram, alinhados escancaradamente com a posição italiana.
Como a extradição era impossível segundo as leis brasileiras, os dois não hesitaram em, alternando-se nas posições de presidente do STF e relator do processo, promoverem um verdadeiro  arrastão  jurídico. Chegaram, p. ex., a estuprar a instituição do refúgio, sem que os demais ministros reagissem à altura.Com isto, ambos alongaram artificialmente uma pendenga que jamais deveria ter prosseguido após a decisão do ministro da Justiça Tarso Genro em janeiro de 2009; e, menos ainda, depois da palavra final do presidente Lula em dezembro de 2010, tendo a mais alta corte do país, nos meses seguintes, se acumpliciado com um indiscutível  SEQUESTRO!

Agora, o pastelão do mensalão veio comprovar definitivamente que o Judiciário é mais um dos nossos podres poderes, nada ficando a dever ao Executivo e  Legislativo. Leia mais