Armínio Fraga, o poderoso chefão da campanha de Aécio, jurou defender Tio Sam e lealdade e fidelidade aos Estados Unidos

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Armínio Fraga Neto quando se tornou cidadão dos Estados Unidos fez o Juramento de Fidelidade. Garantiu que estava disposto a apoiar e defender os Estados Unidos e sua Constituição.

Armínio Fraga declarou sua “dedicação”, lealdade aos Estados Unidos e à Constituição dos EUA ao fazer o Juramento de Fidelidade.

É este cidadão estadunidense que coordena a campanha e escreveu o programa de governo de Aécio Neves.

O Juramento de Fidelidade é realizado em uma cerimônia pública. “Só é cidadão quem já fez o Juramento de Fidelidade. Na hora do juramento um oficial lê o texto devagar, parte por parte, e pede para você repetir as palavras. Uma vez juramentado, você receberá seu Certificado de Naturalização. Esse certificado prova que você é cidadão americano. Antes do Juramento de Fidelidade, na cerimônia formal de naturalização, você não é cidadão. A cerimônia de Juramento de Fidelidade é um evento público. Muitas comunidades realizam cerimônias especiais no Dia da Independência, em 4 de julho”, pag. 68, Guia para emigrantes.

Armínio Fraga tem relevantes serviços prestados aos Estados Unidos.

 

Fraga, salário mínimo

In Wikipédia: Fraga começou sua carreira em 1985 como economista-chefe no Banco de Investimentos Garantia, no Brasil. Dois anos mais tarde, assumiu o cargo de Vice-Presidente do Salomon Brothers em Wall Street. Durante os anos de 1991 e 1992, Fraga ocupou o cargo de membro e diretor do Departamento de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil e, em agosto de 1993, foi contratado como diretor da Soros Fund Management LLC em Nova York, onde permaneceu por 6 anos. Ele era responsável pelo gerenciamento de fundos de alto risco e de toda sorte de investimentos nos países emergentes.

Armínio Fraga assumiu a presidência do Banco Central do Brasil em março de 1999, durante o segundo governo de Fernando Henrique Cardoso. No mesmo ano, recebeu o prêmio de Economista do Ano, da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).Fraga deixou a presidência do Banco Central em janeiro de 2003, e logo após, em agosto do mesmo ano, criou a Gávea Investimentos, empresa de gestão de recursos.

Em maio de 2007, o prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz indicou Armínio Fraga para presidir o Banco Mundial (BIRD). Dois anos depois, em abril de 2009, Armínio Fraga foi eleito presidente do conselho de administração da BM&F/Bovespa pelos membros do conselho.

Fraga vendeu a Gávea Investimentos para a JP Morgan em 2010, porém continuaria à frente da Gávea por cinco anos.(Exame) Em março de 2013, tomou posse como membro do conselho administrativo da Universidade Columbia no Brasil, com sede no Rio de Janeiro. De acordo com o Diário da Russia, a Universidade Columbia é uma das mais tradicionais instituições universitárias do mundo.

Em abril de 2014, o presidenciável Aécio Neves indicou Fraga como Ministro da Fazenda caso seja eleito.

 

NauFraga tem dupla cidadania

Leblon confirma: ministro de Aecioporto é tão americano quanto brasileiro

 

arminio

 

por Paulo Henrique Amorim

 

 

Bem que o Conversa Afiada suspeitava.

Agora, está aí o Leblon, que não nos deixa mentir:

ABAIXO OS INTERMEDIÁRIOS: ARMÍNIO GORDON PARA PRESIDENTE

Armínio Fraga tem cidadania americana e isso não é uma metáfora: ele foi indicado a Obama pelo ex-Secretário do Tesouro, Tim Geithner,como alguém confiável

A notícia soa como uma daquelas tiradas espirituosas da verve nacionalista brasileira: ‘Armínio Fraga cogitado para comandar o Fed norte-americano (o BC dos EUA)’.

Parece um revival do bordão dos anos 60, ‘Abaixo os intermediários, Lincoln Gordon para a presidência’, em cenário invertido.

Gordon, embaixador gringo, um dos articuladores do golpe de 64, não chegou lá.Mas a cogitação de Armínio , ex-presidente do BC, de Fernando Henrique Cardoso, que despontou para o estrelato rentista como operador do fundo especulativo de George Soros –e hoje é o principal fiador de Aécio Neves junto aos mercados– é mais que uma metáfora venenosa.

A proposta, real, foi revelada pelo próprio autor, Timothy Geithner, ex-secretário do Tesouro dos EUA, que conta o episódio em seu livro, ‘Stress Test’ (‘teste de resistência’). Nele, Geithner faz um retrospecto do fiasco da paridade entre o Real e o dólar , que obrigou a uma maxidesvalorização cambial de 30% em 1999. A decisão, empurrada com a barriga até se consumar a reeleição de FHC em 1998, ancorada em dupla fraude: compra de votos para aprovar a emenda constitucional no Congresso e a ilusão da moeda forte.

A ressaca começou logo em seguida à contagem dos votos. A máxi de janeiro de 1999 fez explodir a inflação levando Armínio a elevar a taxa de juro básica do país a 45%. Fechou-se assim o torniquete que o transformou em um centurião dos endinheirados : desvalorização da moeda, perda de poder de comora dos assalariados e juro sideral. Ele é soberbo nisso.

Quem diz é o amigo Geithner que narra assim a implosão: ‘Após abandonar uma tentativa inicial de se manter a paridade do real com o dólar, uma liderança econômica soberba do Brasil conseguiu dar a volta por cima em poucos meses’.

Em MATÉRIA SOBRE O LIVRO, de maio deste ano, o jornal Folha de SP () destaca a origem da credibilidade do brasileiro junto aos americanos: ’Ao explicar os pacotes de ajuda decididos pelo governo norte-americano, diz a matéria da Folha, Geithner acrescenta que “só funcionaram quando lidamos com líderes competentes e confiáveis. O presidente do banco central brasileiro, Armínio Fraga, que também possui cidadania americana, foi tão notável que mais tarde eu o mencionei para o presidente Obama como um potencial presidente do Fed [o BC americano]“, escreveu Geithner citado pela Folha. Seu empenho pela nomeação da ‘ liderança econômica soberba’ foi tão entusiasmada que fez questão de lembrar a Obama, como diz no livro, a condição de cidadão norte-americano de Armínio ( ele tem dupla cidadania e neste caso não é apenas uma metáfora venenosa)

A empatia entre ‘Tim’, como é chamado o ex-Secretário do Tesouro, e Armínio tem raízes profundas. O americano é um entusiasta dos derivativos que funcionaram como um dos bombeadores da crise de 2008.Não só. Durante a crise, Tim funcionou como uma espécie de embaixador da alta finança junto à Casa Branca: sua prioridade era salvar bancos.

A intercambialidade de Gordons , Armínios e Tins não é novidade na história brasileira.

Mas nem por isso a influência desses coringas deixa de trazer problemas no trato de interesses e agendas, nem sempre tão complementares quanto eles.

Tome-se a encruzilhada do país nos dias que correm.

Dois de seus principais desafios consistem em elevar a taxa de investimento e reverter o estiolamento da base industrial.

Armínio e Aécio Neves deram uma entrevista ao jornal Valor, no início de maio, em que o coordenador econômico da candidatura tucana expõe seu modus operandi ao tecer críticas à ação oficial nessa área.

Entre outras coisas, o amigo de Geithner manifesta sua desaprovação ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Talvez a coisa mais certa que o governo fez nessa frente.

Criado na crise de 2009, o programa garante crédito barato de longo prazo à aquisição de bens de capital, desde que apresentem 60% de conteúdo nacional.

O mesmo critério incômodo foi incorporado ao regime de partilha, que rege a exploração soberana do pré-sal brasileiro.

Todas as encomendas associadas à exploração das reservas bilionárias devem incluir 60% de conteúdo fabricado no país.

Compreende-se a má vontade.

Nos idos tucanos, quando Armínio pontificava, dizia-se que a melhor política industrial para uma nação em desenvolvimento é não ter política industrial alguma.

Com Armínio no comando (aqui, no Brasil) voltaríamos aos domínios dessa fé inquebrantável na capacidade dos livres mercados para alocar recursos com maior eficiência, ao menor custo.

O veículo por excelência dessa ubiquidade é o capital financeiro, dotado de alguns requisitos.

A saber: liberdade irrestrita de ir e vir, um Banco Central complacente e condições adequadas para impor sua remuneração pelos serviços prestados.

Se alguém disser que nessa chocadeira vingou o ovo do colapso neoliberal de 2008 não estará longe de uma verdade sintética acerca do ocorrido.

O amigão de Armínio ajudou na choca.

Quando presidente do Fed regional, de Nova Iorque, Geithner defendia que os bancos podiam reduzir suas reservas de segurança e alavancar operações , mesmo sem ter caixa para honrá-las, se necessário.

Deu-se o que se sabe. E agora se sabe que quando se deu, Geithner lembrou-se de Armínio – ‘competente e confiável’, afiançou ao presidente norte-americano, para ajudar a resolver o melê.

Hoje, no Brasil, essa linha de pensamento nomeia o arrocho fiscal, de consequências sabidas, como a principal alavanca corretiva para destravar o crescimento da economia.

Trata-se de recuar o Estado para o mercado agir e a sociedade prosperar. É o que dizem.

Nunca é demais repetir que essa reordenação vigora há alguns anos em países europeus, sob ajuste da troika.

Neles se colhe taxas de desemprego de 11,5% a 50% (entre os jovens); as contas públicas se distanciam do equilíbrio; o crédito mingua, a atividade econômica rasteja e a juventude migra. Mas a extrema direita floresce: sua bandeira é substituir a desordem resultante por uma ordem policial atuante.

Em nenhuma outra dimensão da luta política nesse momento a pauta do país é tão esfericamente blindada e impermeável quanto na área econômica.

Discute-se como se não existisse a opção de cortar os juros para a construção de um equilíbrio que poupe o investimento público em programas sociais e em infraestrutura.

Sim, é verdade, na era das finanças desreguladas o comando do Estado sobre a taxa de juros é limitado pelo poder de chantagem dos capitais que respondem à ‘afronta’ com fugas maciças levando a uma crise nas contas externas.

Mas também é verdade que tudo se passa como se o recurso do controle de capitais não figurasse no cardápio econômico mundial, embora seja tolerado até pelo FMI.

A invisibilidade imposta a essas angulações é parte da encruzilhada brasileira.

Ao afunilar o horizonte do país num labirinto repetitivo desemboca-se, inapelavelmente, no paredão do arrocho onde estão escritos os mandamentos seguidos pelos Armínios e assemelhados.

É impossível desmontar essa ciranda sem afetar os interesses da alta finança.Razão pela qual respeitados economistas cogitam alguma forma de controle de capitais numa reordenação macroeconômica para retomada do crescimento.

Se o PT avançará nessa direção num eventual segundo governo Dilma é incerto. Depende em grande parte da correlação de forças interna e externa.

Agora, imaginar que um potencial presidente do Fed americano possa agir contra seus camaradas de fé, em defesa do país, equivale a aceitar que Lincoln Gordon operou o golpe por amor à democracia.

 

Leia mais:

LULA: AÉCIO MENTIU SOBRE NAUFRAGA!

 

Por que jogar pedras em Pedrinhas é bem mais fácil?

Por Noelia Brito

As imagens de vários presos decapitados no presídio de Pedrinhas no Maranhão causou escândalo na sociedade civil e no meio político, como se ali se estivesse testemunhando um fato inédito em nossas cadeias e um episódio isolado.

Mas a verdade é que o que se deu em Pedrinhas foi a reedição de uma situação que vem ocorrendo não apenas em presídios pelo país a fora, mas também em unidades sócio-educativas, destinadas à recuperação de menores, o que se pode considerar até mais grave.

Quando se trata a questão da criminalidade como apenas uma estatística, uma meta a ser atingida através da redução dos índices de ocorrências policiais e através da distribuição de gratificações pelo número de prisões realizadas, sem qualquer preocupação com a análise e o combate responsável das causas reais dessa criminalidade, não se pode esperar realmente que o resultado seja diferente do que hoje se observa em nossos presídios ou em nossas unidades reeducadoras, cujo exemplo em Pernambuco é a Funase.

Sempre que se discute o combate à criminalidade, o que se observa é o debate em torno do aumento de efetivos policiais, de construção de presídios e do recrudescimento do sistema punitivo, quando a base de toda a problemática está na questão social que não interessa aos governos e aos políticos solucionarem ou pelo menos discutirem com profundidade.

Por que será que nos presídios brasileiros a maioria esmagadora da população carcerária é formada por pretos e pobres? Será que é porque pretos e pobres têm predisposição para o crime, como querem fazer crer os mentores de nossas políticas de segurança pública que só pensam o combate à criminalidade sob a ótima higienista, portanto, criminalizante e repressora e, jamais como deveria realmente ser, preventiva por meio de uma educação formadora de uma cidadania que liberte?

A desculpa é sempre a necessidade de medidas imediatas de contenção do crime, entretanto, nenhuma medida a médio e longo prazo é tomada ou, pelo menos, estudada e projetada para que nos próximos 10 ou 15 ou 20 anos, os que hoje estejam vindo ao mundo não estejam também predestinados a serem os futuros decapitados de Pedrinhas no Maranhão dos Sarney ou da Funase de Eduardo Campos, em Pernambuco, ou em qualquer outro Estado, pois também no Rio Grande do Sul, do petista Tarso Genro, que até bem pouco tempo foi Ministro da Justiça, as condições dos presídios deixam a desejar.

Em Minas Gerais, os presídios do tucano Aécio Neves são tão abjetos quanto os presídios maranhenses, não sendo raras as rebeliões. O Aníbal Bruno, do socialista Eduardo, até o episódio maranhense, figurava no topo da lista dos piores presídios da América Latina.

A solução então, tirada das cartolas dos gestores públicos que adoram uma inauguração em anos eleitoreiros é sempre construir mais presídios. De preferência através de uma Parceria Público Privada, onde um banco público empresta dinheiro a juros subsidiados para que um consórcio privado construa e depois receba dos governos estaduais uma fortuna pela exploração da obra. Foi o que planejou fazer Eduardo Campos, o governador de Pernambuco em Itaquitinga, obra milionária que, por sinal está abandonada. É bom lembrar que o presídio de Pedrinhas também é um presídio desse tipo, privatizado, onde até a revista era feita por empregados terceirizados. O resultado dispensa comentários.

Se não se combate a causa que é a degradação das condições de vida da população, pode-se construir milhares de presídios que as empresas privadas beneficiárias das PPPs até agradecem, mas a única coisa que se conseguirá será a potencialização da própria criminalidade dentro dos ambientes carcerários de onde os detentos, inclusive, até continuam, muitas das vezes, comandando facções e organizações criminosas, com o que se tem por comprovado que a forma correta de se combater à criminalidade não é a criminalização, mas a educação, a saúde, o esporte, enfim, as políticas públicas que estão, a cada dia, mais deterioradas em benefício de interesses privatistas e privatizantes.


Nota do redator do blogue: Transcrevo do jornal O Globo:

Rebelião em centro socioeducativo acaba matando três adolescentes no Cabo. Um degolado

Funasa presos Cabo internos

Funase_ Cabo

funase- incêndio

Três adolescentes foram mortos em rebelião num centro de reeducação social em Pernambuco. O caso aconteceu na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) do Cabo de Santo Agostinho, [em janeiro de 2012]

Um dos menores foi decapitado e outros três ficaram feridos. A Polícia Militar só conseguiu invadir o local quatro horas depois do início da rebelião. Três agentes socioeducativos foram feito reféns.

Os internos utilizaram os rádios que pertencem aos agentes do centro para se comunicar com a polícia. Ainda espalharam fogo em vários pavilhões. Os adolescentes exigiram a presença da diretora da unidade e contaram que já haviam assassinado e decapitado um dos jovens.

Ao entrar, a polícia encontrou o rapaz decapitado e mais dois com os corpos carbonizados. Feridos, os agentes só conseguiram ser libertados depois que os policiais entraram na unidade.

Os 51 policiais tiveram que arrombar um dos portões dos fundos da unidade para entrar. Os infratores jogavam pedras para o lado de fora, atingindo os carros que estavam estacionados. E os PMs ainda usaram várias bombas de efeito moral para render os rebelados.

Rebelião na Funase deixa dois internos mortos em Caruaru

aprovado por KillJoy

Um rebelião na FUNASE (Fundação de Atendimento Socioeducativo) de Caruaru (PE). deixou o saldo de dois internos mortos e pelo menos quatro agentes socioeducativos feridos. A rebelião [em fevereiro de 2013]: Com a chegada da Polícia Militar, os internos, utilizando colchões e cobertores, atearam fogo nos portões e assassinaram dois internos, Marcelo Cícero da Silva, de 17 anos, que cumpria medida socioeducativa por estupro, foi queimado vivo e Wellington Manoel de Souza,17 anos, que cumpria medida por tráfico, foi morto por espancamento e a golpes de faca artesanal, ainda tentaram queimá-lo mas foram impedidos pelo policiamento. Os policiais militares tiveram muito trabalho para controlar o motim, haja vista, dezenas de adolescentes participavam da ação, inclusive jogando pedras nos policiais que tiveram que utilizar bombas de efeito moral para conter os ânimos. Foram identificados como autores intelectuais e com atuação direta, tanto na rebelião como nos assassinatos, 7 internos, sendo 5 menores, um de 15, um de 16 e 3 de 17 anos, e dois maiores, Eduardo Jansaro da Silva, vulgo “Dudú” de 18 anos, que cumpre pena por tráfico, roubo, assalto e homicídio e Luiz Carlos da Silva, vulgo “Indio” ou “Aldeia” de 18 anos. Os acusados confessaram o crime e disseram que mataram as vítimas, porque as mesmas eram “cabuetas”. Os acusados foram levados a 2ª Delegacia de Polícia Civil de Caruaru, onde foram autuados em flagrante por duplo homicídio qualificado, tentativas de homicídio, lesão corporal e dano ao patrimônio público. Após a lavratura do procedimento, os maiores foram levados para a penitenciária Juiz Plácido de Souza em Caruaru, enquanto que os menores retornaram a FUNASE.

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morto

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Os governadores e a degeneração da música brasileira

Não entendo o fascínio dos governadores e prefeitos, notadamente de

Governador Eduardo Campos e Cláudia Leitte
Governador Eduardo Campos e Cláudia Leitte

Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Ceará, por Ivete Sangalo, e o pagamento de cachês amplificados de cantores bregas, e estilizadas e descaracterizadas músicas de origem negra dos Estados Unidos e África hodierna.

Eis que aparece nesta lista Claudia Leitte. Escreve Rafael Albuquerque: “Pouca gente sabe da recente falta de elegância da artista em encontro com Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, pediu um título de cidadania: ‘Quero ser cidadã pernambucana’, declarou rindo. O governador, desconcertado, de pronto deu um jeito de atender ao pedido da fluminense. Como o único representante do Legislativo presente na reunião era o líder do governo, Waldemar Borges, coube a ele a missão de encaminhar um projeto de resolução”. Não sei se o deputado protocolou o pedido de cidadania.

Seria consolidar a banalização do título. Que, em 5 de agosto de 2002, foi concedido a Ivete Sangalo.

Que fez Ivete Sangalo, além da degeneração da Música Popular Brasileira (MPB)? Degeneração que o crítico Rafael Teodoro chama de MIB – Música Imbecil Brasileira.

Escreve Rafael Teodoro: “Ivete Sangalo merece uma atenção especial. Originalmente vocalista da Banda Eva, seguiu o caminho para o qual todo ‘artista’ de axé está direcionado: a carreira solo. Sangalo soube aproveitar como ninguém a catapulta. Carismática e muito bem assessorada, ela sabia que seu repertório grotesco não a sustentaria mais do que alguns verões fora de Salvador. Assim, tratou de cultivar uma imagem que a projetasse como cantora para além da axé music, que principiava a agonizar nas vendas das gravadoras. Hoje, contando com o apoio de quase toda a mass media brasileira, que a tem por ‘grande cantora’, é empurrada ‘goela abaixo’ do público pela televisão, que lhe dá um espaço imenso nos principais canais abertos, sem contar os sucessivos apelos propagandísticos. Mas nem toda a máquina publicitária pode esconder a péssima qualidade do seu repertório, que não resiste a um exame qualitativo mais minucioso. ‘Carro velho’, sucesso comercial na sua voz, revela bem o quão criativa é a leitura de mundo da cantora: ‘Cheiro de pneu queimado. Carburador furado. Coração dilacerado. Quero meu negão do lado. Cabelo penteado. No meu carro envenenado. Eu vou, eu vou, então venha. Pois eu sei. Que amar a pé, amor. É lenha’.

Nos anos 2000, no entanto, a axé music entrou em colapso no mercado. Os carnavais fora de época (micaretas) foram aos poucos desaparecendo pela perda crescente de público. Os grupos ‘clássicos’ do período deixaram de existir não por brigas de seus integrantes, mas pela simples falta de shows. O mercado usou e abusou da axé music enquanto era lucrativa. Quando deixou de sê-lo, descartou-a, substituída que foi, nas rádios comerciais, pelo forró universitário e pelo funk carioca (cuja nomenclatura correta é ‘batidão’). Nem mesmo o movimento da ‘suingueira’, capitaneado por ‘pérolas’ do nível de ‘Re­bolation’, associado a um amplo apelo midiático que tem por diretriz espicaçar os ‘sucessos do carnaval’, conseguiu ressuscitar o declínio inexorável daquele gênero musical moribundo”. Continue lendo.

Há um complô – o Projeto Camelot – das redes de televisão, criadas pela ditadura militar de 64 – contra a Cultura brasileira. Um projeto de desnacionalização, que beneficia a indústria de cultura de massa globalizada. Uma internacionalização que envolve a editoração de livros, a desvalorização dos autores brasileiros; o cinema, pela reserva de mercado para o cinema estadunidense. E assim vai. Todo processo de colonização, desde as conquistas do Império Romano, começa pela cultura. A construção do Templo de Jerusalém, por Herodes, o Grande, provocou a divisão religiosa dos judeus.

Não sei bem a motivação de governadores e prefeitos pelas cantoras brancas do MIB. Talvez os cachês pagos.  A procuradora do Recife Noélia Brito ingressou com pedidos no Tribunal de Contas de Pernambuco e na Promotoria Pública, questionando os gastos da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes com o show de Cláudia Leitte. Leia. É uma excelente, exemplar e pioneira denúncia.

Na Universidade Livre, Noélia Brito participou de um debate sobre a MPB,  com os jornalistas Ricardo Antunes, Antonio Nelson e Lúcia Helena Valle, cujas opiniões transcrevo, nos trechos acordados. Vou chamar de texto coletivo, e para maior autenticidade deixo o verbo na primeira pessoa e não faço distinção de gênero:

Divas da música brasileira… onde se encaixa Ivete?

Ivete Sangalo em Ipojuca, o segundo maior PIB de Pernambuco depois do Recife
Ivete Sangalo em Ipojuca, o segundo maior PIB de Pernambuco depois do Recife

“Diva… cantora… intérprete… Cada uma das palavras aqui tem sua força, quando falamos em música.  E não há como pensar em grandes interpretações – imortalizadas pelas grandes vozes que cravaram nas canções sua marca indelével – sem pensar em seus intérpretes… Quem consegue ouvir ‘Como Nossos Pais’ sem, de algum modo, lembrar-se de Elis Regina? Ou, como esquecer a releitura de Marisa Monte em Luiz Gonzaga, cantando-o como Blues, em ‘Xote das Meninas’?

Aqui, não vai nenhuma crítica ou azedume explícito direcionado à tal senhora do título deste artigo: Ivete Sangalo. Até porque eu gostaria muitíssimo de ter o que criticar: Ivete canta em tons muito altos… Seu repertório traz elementos ecléticos de mais (ou de menos)… sua postura em apresentações precisa ser revista… e por aí vai. Mas, como criticar uma arquiteta por má prática da medicina? Ou, como criticar uma animadora de palco por ser uma cantora medíocre? Não dá. Ela precisaria desenvolver ainda outras tantas habilidades que não possui, tadinha. Para que eu pudesse criticá-la como cantora.

Na atual cultura musical, basta ser amigo do Faustão para ser ‘canonizado’ cantor e intérprete. Ou do Luciano Huck. Pronto: virou ‘intocável’. A questão é: onde fica TODO aquele legado deixado por Elis, Maysa, Nara Leão [A Divina, Elizeth Cardoso] , enfim, simplesmente esquecer que já tivemos legítimos representantes de nossa cultura, rica em diversidade, sons, arranjos, cores e jeitos? Não, meus senhores, obrigada: vocês me violentam obrigando-me a ouvir interpretações tão vazias como a cabeça dessa senhora.

Exemplo? Ah, bem, vamos lá. O que dizer da obra-prima: ‘Que vai rolar a festa/ Vai rolar!/ O povo do gueto/ Mandou avisar…’  Lindo, né? Desde que a galera do ‘gueto’ fique lá mesmo, viu, ‘zifio’? As letras são racistas, colocando o ‘povão’ no seu devido lugar, perpetuando uma cultura escravocrata de mentalidade colonial que ainda – e assombrosamente – teima em existir em um país de mestiços.

A interpretação de Ivete é menos que medíocre. Nunca vi ninguém que vai a seu show  dizer: ‘mas ela canta muito! Trouxe arranjos diferentes, interpretou magistralmente!’. Já vi muita gente comentar: sua ‘energia’,  ‘presença de palco’ e  ‘animação’. Até onde sei, essas não são qualidades necessárias a uma grande intérprete da música. Toda essa ‘energia, traz o que, em termos de música? Nada. E, como ouvintes idiotizados de sua música, prosseguimos com ela. Uma legião.

Então entra a galera da ‘éducassão’ pra clamar pela falta dela. Mas, se nossas ‘divas da música’ atacam políticos do alto de seus trios elétricos, e se dirigem a eles com uma linguagem própria de qualquer profissional da estiva, e se sagram el máximo, como exigir desse público um comportamento diferenciado? Infelizmente, a idiotização dessa parte da população chega mais rápido quando fomentada por Ivetes Sangalo da vida”.

 Um pedido de beijo na boca do prefeito

Cartazete na internet
Cartazete na internet

Claudia Leitte pede um título de cidadania para Eduardo Campos. Ivete Sangalo, um beijo do prefeito de Salvador.

Narra a Folha de S. Paulo: “Ao passar pelo camarote da Prefeitura de Salvador, a cantora Ivete Sangalo constrangeu o prefeito ACM Neto (DEM) nesta terça-feira (12).

A cantora interrompeu a música que cantava e brincou com o político, pai de duas meninas –de cinco e dois anos– e solteiro desde o fim de 2011.

‘Que moça bonita, Neto, parece a Carla Bruni. Como é seu nome? Para a gente ficar logo amiga e você me jogar na comitiva…’, disse a cantora.

‘Neto, deixe eu lhe dizer uma coisa: não é porque eu sou cantora que não faço xixi, não é porque você é prefeito que não vai ser miseravão [gíria baiana para namorador]. Quero ver um pitoco. Se quiser de língua, também pode’, disse Ivete, antes de puxar o coro: ‘Beija, beija’.

O prefeito gesticulava que não e sorria enquanto a multidão gritava.

‘Não adianta, prefeito, eu só vou sair daqui quando você beijar. Esse homem sempre foi tímido’, disse Ivete.

O pedido, porém, não foi aceito, e a cantora teve de seguir adiante.”

Esse “ataque político”, de Ivete, ao invadir o camarote do prefeito, demonstra que perdeu o censo ao comparar, em uma ensolarada tarde de Salvador, uma menina de cinco anos com Carla Bruni, ex-primeira dama da França, e pedir um beijo de língua para uma pai, na frente das filhas crianças. Esse pode tudo das “divas” não tem lógica, além da ostentação de novas ricas. A soma do sucesso passageiro + dinheiro.

Volto a repetir: insondável o rasga dinheiro do povo, pela secretárias estaduais de Cultura, na desmoralização da música brasileira, com o apoio da Tv Globo que, para Flávio Ricco, faz o mesmo com as novelas.

“Ninguém exige das novelas perfeição absoluta em todos os detalhes. Determinadas coisas podem perfeitamente passar batido, sem incomodar quem quer que seja, até os mais exigentes. O que não se deve é subestimar a inteligência do público ou não calcular o estrago que o uso errado das palavras pode causar na vida de muitas pessoas. É preciso tomar muito cuidado com isso”, analisa Ricco, que demonstra o papel nocivo da televisão:

“É uma situação semelhante ao ‘vareia‘ do Renato Aragão, de há muitos anos, que de tanto ele usar virou vício para tristeza das nossas escolas e dos seus educadores. A televisão, como agora está fazendo, só tratou de espalhar o que não deveria.

Por que não evitar essas coisas? Vale lembrar aos nossos autores que existem zilhões de situações que podem ser engraçados nas novelas ou programas. Falar e ensinar errado, com toda certeza, não precisa ser incluída no meio delas”.

A idiotice musical vai longe. Tanto que ninguém reclama quando um cantor brega esconde o nome do letrista e do compositor de um música comercial.

Outra faceta –  costumeiro abuso capitalista:  comprar uma letra e/ou uma composição, e registrar como criação de autoria de algum interprete.

Na música clássica e popular, a poesia foi musicada por imortais compositores. São raros os nomes de cantores que a história registra.  O primeiro aparelho capaz de gravar e reproduzir sons foi inventado em 1877, por Thomas Edson.

Excelentes compositores e letristas existem, no anonimato, e não são os responsáveis pela degeneração da música brasileira. É que a música como espetáculo, indústria – um fenômeno mundial -, sucesso descartável de uma Madona, de uma Ivete Sangalo, visa ser “eterna enquanto dure nas paradas”. 

Ceará

Manual para enfrentar o terrorismo policial

Diante dos últimos acontecimentos relacionados as repressões políticas nas manifestações, os Advogados Ativistas atualizaram o Manual Prático do Manifestante com novas orientações jurídicas.

Aroeira
Aroeira

Manual Prático do Manifestante (AA)
NA MANIFESTAÇÃO: Esteja SEMPRE com o seu documento/ Estar com o rosto coberto não é crime/ Não porte NADA ilegal/ Ande sempre em grupos grandes/ Cuidado com o retorno para casa, pois muitas prisões têm ocorrido neste momento/ Tenha o número de algum advogado, se possível.

Se alguém estiver sendo preso não entre no meio. Questionar a abordagem, filmar a ação e os policiais não é desacato. Não ofenda os policiais, isso é desacato. Procure FILMAR a manifestação e as abordagens policiais, caso capture algo relevante procure algum Advogado Ativista e coloque o vídeo na Internet.

NA ABORDAGEM/PRISÃO: Você só pode ser preso em flagrante ou por ordem judicial. Por isso, pergunte o motivo da prisão, demonstrando que não está resistindo, levante a mão e diga literalmente que não está resistindo.

Não argumente com a PM, o trabalho deles é apenas conduzi-lo até a DP (Polícia Civil), ou seja, você não precisa responder perguntas deles, apenas as que se referem aos seus dados pessoais. Se você estiver sendo preso arbitrariamente isso será discutido depois, não xingue os policiais e não reaja.

Mantenha o seu celular bloqueado, pois isso evita que seus vídeos e fotos sejam apagados arbitrariamente. Você não é obrigado a fornecer senha ou liberar o conteúdo sem ordem judicial.

NA DELEGACIA: Você tem o direito de comunicar alguém da sua prisão, seja família ou advogado. O seu depoimento deve ser acompanhado obrigatoriamente por um advogado e você pode permanecer calado, porém, é recomendável que você dê a sua versão dos fatos. Relate os possíveis abusos, porém apenas na presença do seu advogado. Não fale com a PM, apenas forneça seus dados pessoais se for pedido. Seus pertences podem ser entregues ao seu advogado ou familiar caso você queira.

 

tv rebando pensamento controle indignados

Surto de censura à imprensa. Caso Ricardo Antumes & outros

por Observatório Geral

pensamento tv livre indignados

jornalismoUma onda de conservadorismo parece assolar parte do Poder Judiciário. Mas também a sociedade. Utilizando a mesma técnica da antiga Lei de Imprensa, 5.250, veem-se decisões liminares disfarçadas de combate a crimes de calúnia, injúria e difamação. Quem vai ser a favor da existência de um “crime”? O crime é um risco, um perigo para a sociedade, uma conduta que não se quer ver existindo. Quando se pensa em crimes de sangue, por exemplo, não há dúvida de que seja assim.

O problema é que o chamado “crime de opinião” é relativo. Aliás, muito relativo. O advogado, por exemplo, não responde por crimes de injúria e difamação no exercício da profissão. Tem, segundo Damásio de Jesus, a mesma imunidade do parlamentar. O Código Penal, artigo 142, chega a isentar o advogado da “ofensa” praticada em juízo na discussão da causa.

O mesmo artigo 142, no inciso II garante não ser injúria ou difamação punível “a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar”. Além de o que já há na Constituição da República, a favor do jornalista e da liberdade de imprensa, vê-se um fundamento jurídico para exclusão de punibilidade: opinião desfavorável.

A ONG Repórter Brasil é a nova vítima da censura judicial no país. Segundo a ABRAJI, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, em nota de 1o.out.2013, “Desde essa segunda-feira (30.set.2013) o site da organização está proibido de veicular qualquer informação que associe o nome da madeireira Pinuscam à exploração de mão de obra análoga à escravidão.”

Pouco importa que a informação seja absolutamente verdadeira. Conforme a ABRAJI “A censura foi determinada pelo juiz titular da 43ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Miguel Ferrari Júnior. A multa em caso de descumprimento é de R$ 2 mil por dia.”

O Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público flagraram 15 trabalhadores em condições análogas à escravidão na Pinuscam. Mesmo com este suporte fático, o problema parece ser “a notícia”.

A diferença entre “censura” e decisão liminar a respeito dos crimes de calúnia, injúria e difamação não é  difícil. Censura-se, em regra, por meio de decisão liminar, para impedir uma publicação, notícia, informação, matéria jornalística ou outra qualquer que “saiu”, e então será recolhida; ou uma que está “prestes a sair”, e será proibida de circular. O fundamento desta decisão costuma ser a violação à intimidade, à vida privada, o dano moral e o dano à imagem princípios constitucionais e por isso mesmo “normas abertas” que admitem largos “preenchimentos” pelo juiz.

Já a decisão acerca dos crimes de injúria, calúnia e difamação, guarda uma estreitíssima correlação com o que se chama “tipo penal”, norma fechada, milimétrica e precisa. Ou seja, a casuística de o que é o crime em si, sem possibilidade de confusão conceitual ou “jeitinho”. Aí se considera a conduta particularizada do agente, no caso a frase ou palavra ofensiva, que deverá ser “subsumida” perfeitamente à lei. Se não o for, não há crime.

O exemplo típico, e absurdo e ilegítimo, de censura à imprensa é a proibição “prévia” de circulação ou publicação de uma matéria ou assunto. Se a proibição é a uma frase “existente”, no presente, pode ter havido, teoricamente, com a frase,  crime de calúnia, injúria ou difamação. Mas como se justifica a proibição ou cerceamento a uma publicação que ainda não existe? Que ainda vai “sair”? O juiz não tem como adivinhar que um crime “será” cometido.

imprensa 2Proibir um “tema” de circular, no futuro, é a mais nítida forma de censura. Exemplo, o famoso caso Estadão x filho de José Sarney, há inacreditáveis 4 anos, em que se proíbe um “assunto”, um “tema”. O que tem havido ao longo da atual história constitucional é sempre o mesmo. Alguns juízes de primeiro grau ainda se veem atrelados a um modelo autoritário de atuação. Concedem liminares impedindo circulação de jornal ou matéria na imprensa e, somente quando a discussão alcança o Superior Tribunal de Justiça ou, o Supremo Tribunal Federal, é que o assunto é “liberado”.

Por que é assim? Entra em cena aí, interessante sociologia do chamado crime de imprensa ou sociologia do controle ao crime de imprensa. Os juízes de primeiro e mesmo de segundo grau, estes os desembargadores, quando proíbem uma circulação de jornal, por exemplo, têm sua atuação restrita ao estado da federação. À localidade. Há uma violação aí, mas também restrita.

Ocorre que quando a discussão chega a Brasília, qualquer decisão das cortes superiores repercutirá por todo o país. Quiçá internacionalmente. Seria um rombo para o país uma decisão que proibisse a imprensa. Por isso, sempre em todos os casos, o Supremo “libera”. Mas até essa tal “sociologia” vem sendo reorganizada. Aí a preocupação. Tribunais de Justiça, nos estados, têm proibido, constantemente, jornais e notícias. Uma perseguição ácida. Repare-se que não se apuram os crimes de calúnia, injúria e difamação, que seriam a via restrita e técnica. Opta-se pela censura, pelo cerceamento jornalístico. No seco, na raiz.

Em Recife, o jornalista Ricardo Antunes acusado de extorquir o marqueteiro e cientista político Antônio Lavareda teve simplesmente seu blog, instrumento de trabalho, proibido por ordem judicial do tribunal. No início de setembro/2013, a Gazeta do Povo, do Paraná, foi a impedida. Há o “eterno” caso Estadão x filho de José Sarney, de 2009 a 2013. O jornal é simplesmente impedido de noticiar uma investigação que deveria ser sigilosa, mas por “desorganização” de agentes do Estado as informações “vazam”. Aí, em vez de se apurar internamente o vazamento, cerceia-se a imprensa.

A censura, a intimidação e o cerceamento da imprensa não são, efetivamente, o que a Constituição Cidadã, de 1988 quer. Esta verdade jurídica orna as cabeças do Supremo Tribunal Federal. Mas num país do tamanho do Brasil, ficou claro que apenas o STF é muito pouco. A notícia e a informação são direitos fundamentais ligados à cidadania e o jornalista é o instrumento destes direitos. OBSERVATÓRIO GERAL.

Michael Hutter
Michael Hutter

No governo de Eduardo Campos impera a condução debaixo de vara

Constitue uma duvidosa prática da polícia do governador Eduardo Campos ordenar o comparecimento de cidadãos livres à Sorbonne, sob pena de condução coercitiva. Isto é, na marra – o famoso manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Este o modelo ditatorial que Eduardo Campos – ele que odeia ser chamado de “Imperador” – oferece aos brasileiros se eleito presidente. O caso da estudante de direito Vatsyani Ferrão é um exemplo, entre outros.

Reclama o advogado André Fonseca:  “A Polícia Civil é um dos órgãos mais corporativos. Até hoje, não nos foi fornecido os nomes nem as matrículas dos agentes envolvidos na agressão”.

Eis a cena tenebrosa: dois desconhecidos pegam uma pessoa na rua, e sem se identificar, e comprovar que são policiais, jogam a presa em um carro. Qual deve ser a reação dessa vítima , neste Brasil de sequestros?

O secretário de Defesa Social de Pernambuco Wilson Damázio: ”Os agentes apresentaram o documento, [mas] ela rasgou o mandado e resistiu à prisão, chegando a dar uma tapa em um dos agentes. Saíram lesionados os próprios agentes, que foram encaminhados para corpo de delito. Eles tiveram arranhões e hematomas inclusive. Esperamos os laudos das perícias para poder saber a extensão das lesões”
 Vatsyani Marques Ferrão, 41 anos, além de estudante de direito, deve praticar artes marciais. “Uma tapa” dela causa hematomas em dois homens.
Cenas de prisões em protestos de rua:
Barcelona
Barcelona
Chile
Chile

Acho impressionante dois policiais treinados levar uma pisa de uma mulher de 41 anos, considerada parte fraca.

Vatsyani Ferrão escreve hoje no Facebook: “Nunca recebi nenhuma intimação. Vão ter que comprovar”, desmentido a afirmação de que rasgou o mandato de condução coercitiva.

Somente por Mandado Judicial pode-se Intimar sob pena de Condução Coercitiva: Privativo do Poder Judiciário

Habeas corpus concedido para obstar ordem de comparecimento sob pena de condução coercitiva. (TRF – 3ª Região, Hábeas Corpus nº 12399 (2002.03.00.000731-1), 2ª Turma, Relª. Juíza Federal Conv. Marianina Galante, Rel. p/acórdão Juiz Federal Conv. Souza Ribeiro, DJU 26.03.2004)

Muito do que ocorre, com a truculência policial, advém dos longos 450 anos de nossa história ser totalitária e absolutista. Somados os períodos esparsos de Estado de Direito, o Brasil conta apenas 50 anos, e na história recente, apenas 32 anos.

Assim, muito das normas policiais que eram legítimas no Estado Novo de Getúlio Vargas (época de nosso Código de Processo Penal), não mantém substrato perante a nova Ordem Constitucional.

Assim não pode a Polícia Civil, nem a Militar, nem o Órgão do Ministério Público expedir mandado de intimação para comparecimento em data, hora e local determinado, sob pena de condução coercitiva, pois fere o direito inviolável de liberdade de ir e vir.

Somente os órgãos judiciais têm essa atribuição constitucional.

Ademais, como pode a Polícia Civil expedir um Mandado de Intimação, SOB PENA DE CONDUÇÃO COERCITIVA (também chamado de condução DEBAIXO DE VARA) determinando que o indivíduo saia de sua casa, trabalho ou lazer, para comparecer a determinado local, sob pena de desobediência e condução coercitiva.

E todos os dias é o que vemos. Pessoas sendo tolhidas no seu direito constitucional de liberdade de ir e vir, de exercer a plena defesa, e de permanecer calada.

No entanto a Polícia Civil expede Mandados de Intimação de Comparecimento sob pena de condução coercitiva (debaixo de varas), tanto às testemunhas, quanto ao ofendido ou contra o agente.

E nessas intimações policiais nenhum fundamento, motivo ou tipo penal é expresso. É um chamado às escuras, onde o Intimado deve comparecer sem saber do que se trata: Se é testemunha; réu; ou vítima; ou se existe ou não Inquérito Oficial instaurado; e contra quem; ou sobre o quê. Leia mais

CIDADANIA

 
por Thiago de Mello
Vladimir Kazanevsky
Vladimir Kazanevsky
Cidadania é um dever
do povo.
Só é cidadão
quem conquista o seu lugar
na perseverante luta
do sonho de uma nação.
É também obrigação:
a de ajudar a construir
a claridão na consciência
de quem merece o poder.
Força gloriosa que faz
um homem ser para outro homem,
caminho do mesmo chão,
luz solidária e canção. 

 

Seleta de Paulo Peres 

Você pode e deve fiscalizar o governo

Todo cidadão devia saber o dia-a-dia do prefeito de sua cidade, do governador do seu Estado e do presidente.

Se eles andam pitando o sete, ou fazendo o certo.

Os jornais eram mais vigilantes. Tanto que fui o último a escrever, para o Diário de Pernambuco, a coluna “Ontem, em Palácio”.  Cobri os governos de Cid Sampaio (o último ano), Miguel Arraes e Paulo Guerra. No primeiro dia do governo de Nilo Coelho, a coluna foi censurada e apagada de vez; e minha cabeça dada de bandeja – acabava assim um colunismo político exercido pelos principais jornalistas do Recife.

É função de vereadores e dos deputados estaduais e federais e senadores  fiscalizarem os governantes.

E de cada cidadão. É assim que entende e faz a vereadora Priscila Krause.

Está no ar, desde o dia 10 último,  a primeira plataforma colaborativa online de cobranças dos compromissos assumidos pela administração do prefeito Geraldo Júlio (PSB).

Elaborado e coordenado pela vereadora Priscila Krause (DEM), o site intitulado “Monitora Recife” abre espaço para a participação dos internautas, que atuarão como “fiscais-cidadãos”. Atualmente, são 166 compromissos em análise, respectivamente divididos em 24 temáticas. Cada uma das obras ou ações está tipificada por um status como “em andamento”, “atrasado” ou “não iniciado”, por exemplo.

Para Priscila Krause, o “Monitora Recife” é um produto que o seu mandato está oferecendo à cidade em nome da melhoria efetiva da qualidade de vida dos cidadãos. “O aperfeiçoamento da democracia tem exigido que as promessas de campanha e até mesmo aquelas registradas ao longo da gestão ultrapassem o discurso e alcancem resultados. Com esse objetivo, decidi convocar minha equipe para oferecermos uma plataforma que coloque o cidadão como chefe do monitoramento das ações da Prefeitura”, explicou.

Além de cobrar todos os compromissos registrados no programa de governo do então prefeiturável, ainda no período eleitoral de 2012, o “Monitora Recife” cataloga e registra matérias do Diário Oficial, do site da administração municipal e da imprensa. Além disso, utiliza o Portal da Transparência e os pedidos de informações protocolados na Câmara como instrumentos de avaliação das metas registradas publicamente pelo prefeito.

Nesse primeiro momento, dos 166 compromissos avaliados, 27 estão “em andamento”, 13 estão “atrasados”, seis “parados”, 4 “não há informações” e 116 “não iniciados”.

“O cidadão tem agora uma ferramenta concreta para cobrar resultados da administração municipal”, reafirmou Priscila.

Você, que não é do Recife, peça que algum vereador faça o mesmo pela sua cidade. Veja como é fácil. Clique aqui.
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Bom para Pernambuco! que algum deputado estadual seguisse o exemplo, principalmente quando se sabe que o governador Eduardo Campos é candidato a presidente.

O Superior Tribunal Federal (STF) acaba de derrubar o sigilo sobre o nome de investigado em inquérito, que a transparência ajuda a premiar os bons governantes (esta a razão da fidelidade do voto, da reeleição), e a condenar os que pintam o sete (a manta, o cão, o diabo, os canecos).

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Eufemismos e estereótipos

por Pedro J. Bondaczuk

 

cart. premiados duas caras

Os homens que ocupam o poder, em qualquer de suas instâncias, seja em que parte do mundo (ou em que época) for, via de regra, salvo raras exceções, lançam mão, em seus contatos com as pessoas sobre as quais exercem domínio – caracterizadas genericamente como “povo” –, de eufemismos e de estereótipos para “explicar”, ou no mais das vezes “justificar”, ações (ou omissões). Acabam, por conseqüência, não explicando e nem justificando nada. Certamente não é essa sua verdadeira intenção.

Alguns jargões utilizados já se tornaram até motivos de anedota entre os politicamente esclarecidos (minoria em termos mundiais e mais ainda no Brasil), de tão cínicos que são. Tal manifestação de esperteza seria, de fato, risível, não fosse lamentável, por se tratar de uma forma de burla, de fuga à responsabilidade da prestação de contas àqueles que esses poderosos (teoricamente) representam.

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira define assim o termo “eufemismo”, em seu popular dicionário da língua portuguesa: “sm. Ato de suavizar a expressão duma idéia substituindo a palavra própria por outra mais polida”. Já estereótipo é uma expressão emprestada das artes gráficas e usada como metáfora para clichê, para chavão, para a maneira geralmente distorcida e inalterável de caracterizar pessoas, grupos, objetos, conceitos etc.

Estereotipia, de acordo com o dicionarista, é o “processo pelo qual se duplica uma composição tipográfica, transformando-a em fôrma compacta, mediante moldagem de uma matriz sobre a qual se vaza metal-tipo”. O jornalista Jânio de Freitas, em artigo publicado na “Folha de S. Paulo” no dia 23 de novembro de 1998, intitulado “País Submergente”, alinha alguns eufemismos muito comuns, utilizados, sem nenhuma parcimônia, especialmente por economistas e sociólogos.

O articulista cita, por exemplo, que a caracterização (até pouco tempo atrás muito em voga) para país pobre, atrasado e/ou mal administrado, ou seja, “subdesenvolvido”, foi substituída pelo termo “emergente”. Mas o Brasil não “emergiu” do buraco onde está metido há quase cinco séculos. Pode estar a caminho de fazê-lo (e na minha opinião, está), mas ainda permanece “submerso”, se atentarmos para o seu potencial. Destaque-se que está nessa situação não por ausência de recursos naturais e de material humano, mas por falta de verdadeira consciência social, que não privilegie pessoas ou grupos, mas proporcione oportunidades relativamente iguais para todos.

O conceito de cidadania no Brasil (se é que de fato existe) está muito longe do real significado. Não passa de retórica, face à realidade cruel com a qual convivemos da infância à velhice e que por isso já nos acostumamos. Se “país emergente” é um eufemismo, o mito do “brasileiro cordial” é estereótipo. Nenhum dos dois condiz com a realidade dos fatos. Não, pelo menos, de toda ela.

O sociólogo alemão Ralf Dahrendorf, em discurso que proferiu em 20 de outubro de 1990 no Saint Anthony’s College, em Oxford, Inglaterra, na cerimônia de entrega do Prêmio Toynbee (texto inserido em seu livro “Após 1989 – Moral, Revolução e Sociedade Civil”), destacou: “…A cidadania visa a dar a pessoas que são diferentes em idade e sexo, em suas crenças e na cor de sua pele, em seus interesses sociais e em suas preferências políticas, os mesmos direitos básicos. Esses direitos incluem o que veio a ser denominado de direitos humanos, como a integridade da pessoa e a liberdade de expressão; eles incluem também os direitos civis de participação na comunidade política, no mercado de trabalho, na sociedade, incluindo também o direito de seguir as próprias preferências culturais”.

Por essa conceituação, se pode dizer, mesmo “forçando a barra”, que a maioria dos brasileiros exerce minimamente a cidadania? Claro que não! E as esperanças de mudança estão se exaurindo. O “passaporte” para a liberdade – a educação – ainda é muito precário no Brasil (uma parcela considerável da população não tem acesso a ele) e requer ajustes. Verdade seja dita que, nesse aspecto, houve ligeira evolução nos quatro últimos governos: o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os dois mandatos de Luís Inácio Lula da Silva e a atual gestão de Dilma Roussef. Mas há ainda longo, longuíssimo caminho, de se perder de vista, a percorrer.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) classificou, há quinze anos, o ensino brasileiro como um dos mais deficientes do mundo. E ele já foi pior, conforme frisei em várias oportunidades! Mas para poder ser considerado pelo menos “regular”, terá que evoluir muito, mas muito mesmo. Progredimos nesse campo, mas o progresso foi muito pequeno, diria irrisório, diante das necessidades e do tempo que já foi perdido.

Mas o subdesenvolvimento brasileiro, ao contrário da maioria dos outros povos da África, Ásia e América Latina, não decorre da falta de riquezas naturais ou das geradas com o trabalho da sua população. O País ostenta ora a quinta, ora a sexta maior economia do mundo, o que, convenhamos, não é pouco. No papel, a renda per capita anual (crescente) não é nada desprezível se, na realidade, fosse corretamente distribuída. Qualquer pessoa minimamente bem informada sabe que não é. Os números relativos à renda per capita do brasileiro são mentirosos. Oitenta por cento dos cerca de 200 milhões de brasileiros – que ou não têm nenhum rendimento, ou sobrevivem (ou vegetam) com entre meio e um salário mínimo mensal –, só podem rir desses dados estatísticos, longe de condizerem com sua verdadeira condição de quase indigência.

O pecado do Brasil, portanto, reside (reitero) na “repartição do bolo”, prometida por sucessivos governos – quer ditatoriais, quer os livremente eleitos pelo voto – mas jamais cumprida. Não, pelo menos, de forma sistemática e contínua. Nesse aspecto, o da distribuição de renda, estatísticas precisas, de entidades internacionais confiáveis, demonstram, de sobejo, que somos a sociedade nacional mais injusta do Planeta (ou pelo menos entre elas). O fosso que divide ricos de miseráveis, apesar de se estreitar, ainda é muito profundo.

O Brasil, portanto, ainda não emergiu, a despeito dos progressos sociais que obteve que apenas impediram que a situação se agravasse. Outro eufemismo muito difundido é o de caracterizar o “retrocesso econômico” como sendo “crescimento negativo”, evidente paradoxo, gritante contradição até mesmo semântica. “Favela” mudou de nome e é freqüentemente denominada pela tecnoburocracia de plantão de “assentamento urbano de baixa renda”, como se a elegância da expressão apagasse, ou pelo menos atenuasse, a miserabilidade dessa forma subumana de “morar” (ou de se “esconder”).

Em política, “infidelidade” para com partidos, aliados e principalmente com eleitores; “oportunismo” e “egoísmo” transformaram-se em “fisiologismo”. O miserável e excluído, vítima do “apartheid” social que atinge a dois terços dos mais de sete bilhões de habitantes do Planeta, é chamado de “carente” (e põe carência nisso!). “Mão de obra ociosa” é o conjunto dos “desempregados”.

O diplomata Josué de Castro, no livro “Geografia da Fome”, advertiu que “dois terços da humanidade não comem e um terço não dorme com medo da revolta daqueles que não comem”, que é fatal, mera questão de tempo e do grau de desespero desses famintos. A todo o instante, nos discursos e declarações de políticos, ou nos artigos e ensaios de economistas, cientistas políticos e sociólogos, topamos com desnecessários e cínicos eufemismos e estereótipos. São tantos que se torna redundante e, portanto, desnecessário, relacionar e repetir sequer os mais comuns.

Um deles, além do que diz respeito à suposta “cordialidade” do brasileiro (desmentida pelos crescentes e assustadores índices de violência e criminalidade), é o do “país do futuro” (infelizmente “deitado eternamente em berço esplêndido”). Outro desses estereótipos é o da “alegria” espontânea do povo. Outro, ainda, é a afirmação de que o Brasil “fatalmente se tornará superpotência” um dia. Neste último caso, até pode ser, já que dispõe de potencial para isso. Mas quando?

Para acontecer, será necessário vencer desafios imensos, nos campos da educação (principalmente), da saúde pública (em petição de miséria), da habitação (que apresenta déficits escandalosos), do bem-estar social e da distribuição de renda, entre outros. Não serão eufemismos e estereótipos que irão mudar a situação do brasileiro. O saudoso presidente eleito (e nunca empossado) Tancredo Neves destacou, em discurso proferido em 1985, que “enquanto houver nesse país um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda a prosperidade será falsa”. Quanto tempo ainda vai levar para que haja consciência consensual sobre essa cristalina realidade? Um ano? Os quatro da gestão da presidente Dilma Roussef? Cinco anos? Dez? Cinqüenta? Cem? Nunca?… Todas essas possibilidades, em maior ou menor grau, permanecem em aberto.

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Brasil tem uma dívida internacional que o povo paga e fica sem dinheiro para comer, comprar medicamentos, água engarrafada e pagar o aluguel de uma moradia digna

Ninguém sabe o valor da dívida. Talvez nem o governo. Para pagar apenas os juros dos juros, Dilma raspa o tacho dos ministérios dos serviços essenciais para o povo que sofre. Cobra os mais elevados impostos indiretos, os impostos embutidos nos preços de tudo que se compra de menos no estado mínimo que não oferece nada de graça para o povo, que tudo foi privatizado. Até os cemitérios.

Entrevista a Éric Toussaint

“Los movimientos ciudadanos han de realizar una auditoría de la deuda”

¿Son los países latinoamericanos que se negaron a pagar la deuda, como Ecuador y Argentina, un ejemplo a seguir para Europa?

Es fundamental que los ciudadanos desde los movimientos sociales intenten realizar auditorías de la deuda, desde abajo. Esto es importante como instrumento de organización de las bases y como campaña masiva para hacer cambiar la percepción de la gente, pues desde la banca, las instituciones internacionales y los medios de comunicación que controlan construyen una falsa idea de que el déficit público es consecuencia del despilfarro en gastos sociales y un excesivo Estado del Bienestar. Una auditoría ciudadana no se limita a hacer un análisis, sino que sirve para provocar la movilización que exija la suspensión del pago de la deuda ilegítima.

Un ejemplo es el de Ecuador, donde durante años los movimientos populares hicieron auditorías desde las bases y posteriormente lograron que un gobierno, el de Correa, decidiera auditar y suspender el pago de la deuda ilegítima.

Creo que en nuestra situación en Europa la prioridad es la auditoría ciudadana. Si un gobierno como el de Rajoy, Merkel o Samaras hiciera una auditoría sólo serviría para legitimar el pago completo. Y este ejemplo podría concretarse en Grecia si Syriza ganara las elecciones. Desde el gobierno podrían suspender el pago, auditar la deuda y decidir qué parte hay que repudiar.

Frente a la actual crisis de la deuda soberana usted apuesta por realizar una auditoría y no pagar la deuda ilegítima. ¿Qué parte de la deuda habría que considerar como tal?

Es una tarea sencilla, hay criterios muy claros. En el caso de Grecia más de la mitad de su deuda es con la Troika, 170.000 millones de euros. Es totalmente ilegítima y debe ser declarada nula porque ha sido impuesta por organismos que no representan a los ciudadanos griegos. Ni siquiera los memorándum fueron tratados democráticamente en el Parlamento; se aprobaron bajo el chantaje del Fondo Monetario Internacional (FMI) sin posibilidad de enmendar los documentos. Son unas condiciones que representan una violación de los derechos económicos y sociales de la población. Portugal e Irlanda se ajustan también a este esquema.

En el caso español todavía no ha habido memorándum, pero toda la deuda generada por el rescate bancario ha de considerarse ilegítima. Puede ser una decisión legal, porque la ha tomado el propio gobierno, pero no es legítima, porque fuerza a la ciudadanía a asumir las deudas generadas por la burbuja inmobiliaria y la crisis de la banca.

Con el aumento de la deuda pública en Europa y la consecuente aplicación de planes de austeridad para rebajar el déficit público, ¿qué le espera al Sur de Europa en los próximos años?

Vamos a conocer una profundización de la crisis económica. Las consecuencias son más devastadoras en los llamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Italia, Grecia y España), pero no hay ninguna duda de que los países más fuertes como Francia, Alemania o Bélgica también están en una situación de extrema gravedad.

Quedan aún diez o quince años de crisis, pues las políticas de los gobiernos que se pliegan a los intereses privados no son las adecuadas para revertir esta situación. La política actual de reducción del gasto público, congelación de salarios y servicios sociales tendrá un efecto muy fuerte en términos de reducción de las rentas.

 Leia mais. Nem toda pobreza se parece. Um desempregado na Europa não mora em uma favela à brasileira
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O europeu tem água para beber, inclusive água engarrafada no Brasil. O brasileiro que se vire

Lata d’água na cabeça,
Lá vai Maria. Lá vai Maria:
Sobe o morro e não se cansa.
Pela mão leva a criança.
Lá vai Maria.

Maria, lava roupa lá no alto
Lutando pelo pão de cada dia,
Sonhando com a vida do asfalto
Que acaba onde o morro principia.

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lata 2

lata 3

Para comer três refeições por dia, a dona de casa recebe o bolsa família, no máximo cem dólares, para sustentar o marido e as crias.