Papa Francisco: “É preciso estar dispostos a dar o perdão, mas nem todos o podem receber, o sabem receber ou estão dispostos a recebê-lo. É duro o que estou a dizer. Mas assim se explica porque há pessoas que acabam a sua vida de maneira nefasta, de maneira má, sem receber a carícia de Deus”

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A calorosa hospitalidade recebida nos Eua, os desafios da Igreja naquela Nação, a vergonha pelos abusos sexuais cometidos por alguns sacerdotes, o processo de paz na Colômbia, a crise migratória, os processos matrimoniais, a objeção de consciência, a China, as religiosas norte-americanas e as mulheres na Igreja, o poder do Papa: foram estes os principais pontos da conferência de imprensa de Francisco que, durante o vôo de regresso de Filadélfia — onde a 27 de Setembro, com a missa de encerramento do encontro mundial das famílias, terminou a viagem papal — respondeu por mais de 45 minutos a uma dúzia de perguntas.

O Pontífice disse que ficou surpreendido pela hospitalidade recebida que, embora tenha sido diferente nas três cidades visitadas nos Eua, foi muito calorosa. E acrescentou que ficou impressionado também com as celebrações litúrgicas e com a oração dos fiéis. O desafio da Igreja, disse, consiste em continuar a permanecer ao lado deste povo, acompanhando-o tanto na alegria como nas dificuldades. E isto deve realizar-se, permanecendo ao lado das pessoas.

Sobre os abusos sexuais cometidos por alguns membros do clero, o Papa disse que falou diante de todos os bispos do país, porque sentiu a necessidade de expressar compaixão pelo que aconteceu: algo muito desagradável, pelo que muitos pastores autênticos sofreram. Sem dúvida, os abusos existem em toda a parte, disse, mas quando quem os comete é um sacerdote, isto é gravíssimo, porque é uma traição da vocação presbiteral, que consiste também em fazer crescer o amor de Deus e, ao mesmo tempo, a maturidade afetiva dos jovens.

Quanto ao processo de paz na Colômbia, o Pontífice afirmou que recebeu com alívio a notícia, e que se sentiu partícipe desta aproximação entre o Governo e as Farc.

Sobre a imigração, ao contrário, Francisco frisou que hoje estamos diante de uma crise que deriva de um processo de longo período, porque a guerra da qual as pessoas fogem se combate há anos. Além disso, há a fome, que leva as pessoas a migrar. A África, disse ainda, é o continente explorado: primeiro a escravidão, depois os grandes recursos, e agora as guerras tribais, que escondem interesses económicos. Mas em vez de explorar, seria necessário investir, para evitar esta crise.

O Papa falou também das barreiras que são levantadas nalgumas regiões da Europa, afirmando que mais cedo ou mais tarde os muros desabam, e que contudo não são uma solução.

No que se refere à questão da nulidade matrimonial, o Pontífice reiterou que na reforma dos processos foi fechada a porta da via administrativa, através da qual podia entrar aquilo que alguém definiu «divórcio católico», e que a simplificação dos procedimentos já foi pedida pelos padres sinodais no ano passado. O matrimónio é um sacramento indissolúvel, e isto a Igreja não pode mudar. Os processos servem para provar que o que parecia sacramento não era tal. Além disso, há questões ligadas às segundas núpcias e à comunhão aos divorciados recasados que no entanto, disse o Papa, não são as únicas que serão enfrentadas no iminente Sínodo.

Falou-se inclusive de objeção de consciência, e Francisco afirmou qeu se trata de um direito, faz parte dos direitos humanos e é válida para todas as pessoas, portanto também quando se trata de um funcionário público. Negá-la significa negar um direito.

Depois, o Papa falou sobre a China, ressaltando que é uma grande Nação, portadora de uma imensa cultura. E afirmou que gostaria muito de visitar aquele país, acrescentando que ter uma Nação amiga como a China, com tantas possibilidades da fazer o bem, seria uma alegria.

Voltando a discorrer sobre questões americanas, o Pontífice disse que as religiosas são muito amadas nos Eua porque fizeram maravilhas nos campos da educação e da saúde. E reiterou que na Igreja as mulheres são mais importantes do que os homens, contudo realçando que há um pouco de atraso em matéria de teologia da mulher.

Quando lhe fizeram notar que nos Eua ele se tornou uma star, Francisco recordou que o título de um Papa é «servo dos servos de Deus». Os mass media usam o termo star, mas há outra verdade. Demasiadas estrelas apagaram-se. Ao contrário, frisou, ser servo dos servos de Deus não passa.

Enfim, respondendo a uma pergunta sobre a presença do presidente da câmara municipal de Roma, Ignazio Marino, na missa conclusiva do encontro mundial das famílias, o Papa desmentiu categoricamente que houve um convite da sua parte ou da parte dos organizadores. Leia aqui a entrevista do Papa

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Papa Francisco: humanidade repudie para sempre a guerra

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Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recordou, no Angelus deste domingo, que 70 anos atrás, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, se verificaram os “terríveis bombardeios atômicos” sobre Hiroshima e Nagasaki. Repropomos as palavras do Santo Padre:

“À distância de tanto tempo, esse trágico evento ainda suscita horror e repulsão. Ele tornou-se o símbolo do desmedido poder destrutivo do homem quando faz uso destorcido dos progressos da ciência e da técnica, e constitui uma advertência perene para a humanidade, a fim de que repudie para sempre a guerra e proíba as armas nucleares e toda arma de destruição em massa. Essa triste data nos chama, sobretudo, a rezar e a empenhar-nos pela paz, para difundir no mundo uma ética de fraternidade e um clima de serena convivência entre os povos. De toda a terra se eleve uma única voz: não à guerra, não à violência, sim ao diálogo, sim à paz! Com a guerra sempre se perde! O único modo de vencer uma guerra é não fazê-la!”

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Entrevistado pela Rádio Vaticano, o presidente do Instituto de Pesquisas Internacionais de Arquivo Desarmamento, Fabrizio Battistelli, traça um quadro sobre a situação da não-proliferação e sobre o objetivo do desarmamento:

Fabrizio Battistelli:- “Em alguns aspectos, a situação neste momento é positiva. O acordo entre os 5+1 (EUA, China, Rússia, França, Inglaterra e Alemanha) e o Irã representou um passo importante no tema do controle dos armamentos nucleares e, sobretudo, na prevenção de uma possível proliferação, ou seja, daquele processo mediante o qual países que não são autorizados a desenvolver tecnologias militares em campo nuclear, ao invés, violando as normas internacionais, fazem-no. Tivemos a Coreia do Norte; Índia e Paquistão já são potências nucleares e tudo leva a crer que também Israel disponha de uma cota de ogivas nucleares.”

RV: Dias atrás, por ocasião do aniversário do lançamento da primeira bomba – a que foi jogada sobre Hiroshima –, John Kerry reiterou a importância do acordo recentemente alcançado com o Irã sobre sua produção de energia nuclear, a fim de que certos fatos não se repitam…

Fabrizio Battistelli:- “Não se pode deixar de concordar com o secretário de Estado norte-americano. Todos concordam em considerar o acordo com o Irã um grande passo avante. Surpreendem algumas críticas que foram feitas: parece-me, sobretudo, um importantíssimo passo avante na direção de uma prevenção da proliferação nuclear.”

RV: As armas atômicas ainda são uma ameaça para o mundo?

Fabrizio Battistelli:- “São absolutamente uma ameaça para o mundo. O Tratado de não-proliferação prevê um dúplice processo: de um lado, a contenção da proliferação; ao mesmo tempo, o Tratado oferece a esses países a possibilidade e o compromisso que os países nucleares adotem medidas de desarmamento nuclear, no sentido de uma redução das ogivas nucleares disponíveis. Portanto, a renúncia a ampliar seus arsenais. Potencialmente, o mundo é sempre vulnerável.”

RV: Recentemente, causou perplexidade a discussão de uma proposta de lei sobre a diminuição das restrições às forças armadas no Japão, onde a paz é um valor defendido na Constituição…

Fabrizio Battistelli:- “É um precedente inquietante. É uma triste notícia o ato de o próprio Japão, que tinha uma linha muito rigorosa de desarmamento e de rejeição em relação à corrida armamentista, inclusive por muitos motivos de política internacional a nível regional – leia-se a competição com a China, país cada vez mais emergente –, renuncie essa sua posição pacifista que seguiu tradicionalmente durante 70 anos.”

RV: Segundo algumas interpretações, as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki serviram para decretar o fim da II Guerra Mundial, mas a um preço altíssimo de vidas humanas…

Fabrizio Battistelli:- “O lançamento das duas bombas sobre Hiroshima e Nagasaki foi o último ato da II Guerra Mundial, mas foi também o início da III Guerra Mundial: a Guerra Fria. Essa é uma interpretação trágica, mas não totalmente infundada.”

RV: Passaram-se 70 anos desde então. Qual advertência resta, hoje, da tragédia de Hiroshima e Nagasaki?

Fabrizio Battistelli:- “A advertência sobre os limites da ação humana. Toda vez que o homem esquece seus deveres em relação aos outros homens e em relação à natureza, pode esquecer todo o mais; pode esquecer a sua natureza humana, os limites à própria ação que nós homens, diferentemente de outras espécies, podemos encontrar somente em nós mesmos.” (RL)

(from Vatican Radio)

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Fim de uma era, uma nova civilização ou o fim do mundo?

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por Leonardo Boff

Há vozes de personalidades de grande respeito que advertem que estamos já dentro de uma Terceira Guerra Mundial. A mais autorizada é a do Papa Francisco. No dia 13 de setembro deste ano, ao visitar um cemitério de soldados italianos mortos em Radipuglia perto da Eslovênia disse:”a Terceira Guerra Mundial pode ter começado, lutada aos poucos com crimes, massacres e destruições”. O ex-chanceler alemão Helmut Schmidt em 19/12/2014 com 93 anos adverte acerca de uma possível Terceira Guerra Mundial, por causa da Ucrânia. Culpa a arrogância e os militares burocratas da União Européia, submetidos às políticas belicosas dos USA. George W. Bush chamou a guerra ao terror, depois dos atentados contra as Torres Gêmea, de “World War III”. Eliot Cohen, conhecido diretor de Estudos Estragégicos da Johns Hopkins University, confirma Bush bem como Michael Leeden, historiador, filósofo neoconservador e antigo consultor do Conselho de Segurança dos USA que prefere falar na Quarta Guerra Mundial, entendendo a Guerra-Fria com suas guerras regionais como já a Terceira Guerra Mundial. Recentemente (22/12/2014) conhecido sociólogo e analista da situação do mundo Boaventura de Souza Santos escreveu um documentado artigo sobre a Terceira Guerra Mundial (Boletim Carta Maior de 22/12/2014). E outras vozes autorizadas se fazem ouvir aqui e acolá.

A mim me convence mais a análise, diria profética, pois está se realizando como previu, de Jacques Attali em seu conhecido livro Uma breve história do futuro (Novo Século, SP 2008). Foi assessor de François Mitterand e atualmente preside a Comissão dos “freios ao crescimento”. Trabalha com uma equipe multidisciplinar de grande qualidade. Ele prevê três cenários: (1) o superimpério composto pelos USA e seus aliados. Sua força reside em poder destruir toda a humanidade. Mas está em decadência devido à crise sistêmica da ordem capitalista. Rege-se pela ideologia do Pentágo do”full spectrum dominance”(dominação do espectro total) em todo os campos, militar, ideológico, político, econômico e cultural. Mas foi ultrapassado economicamente pela China e tem dificuldades de submeter todos à lógica imperial. (2) O superconflito: com a decadência lenta do império, dá-se uma balcanização do mundo, como se constata atualmente com conflitos regionais no norte da Africa, no Oriente Médio, na Africa e na Ucrânia. Esses conflitos podem conhecer um crescendo com a utilização de armas de destruição em massa (vide Síria, Iraque), depois de pequenas armas nucleares (existem hoje milhares no formato de uma mala de executivo) que destroem pouco mas deixam regiões inteiras por muitos anos inabitáveis devido à alta radioatividade. Pode-se chegar a um ponto com a utilização generalizada de armas nucleares, químicas e biológica em que a humanidade se dá conta de que pode se auto-destruir. E então surge (3) o cenário final: a superdemocracia. Para não se destruir a si mesma e grande parte da biosfera, a humanidade elabora um contrato social mundial, com instâncias plurais de governabilidade planetária. Com os bens e serviços naturais escassos devemos garantir a sobrevivência da espécie humana e de toda a comunidade de vida que também é criada e mantida pela Terra-Gaia.

Se essa fase não surgir, poderá ocorrer o fim da espécie humana e grande parte da biosfera. Por culpa de nosso paradigma civilizatório racionalista. Expressou-o bem o economista e humanista Luiz Gonzaga Belluzzo, recentemente: “O sonho ocidental de construir o hábitat humano somente à base da razão, repudiando a tradição e rejeitando toda a transcendência, chegou a um impasse. A razão ocidental não consegue realizar concomitantemente os valores dos direitos humanos universais, as ambições do progresso da técnica e as promessas do bem-estar para todos e para cada um”(Carta Capital 21/12/2014). Em sua irracionalidade, este tipo de razão, construi os meios de dar-se um fim a si mesma.

O processo de evolução deverá possivelmente esperar alguns milhares ou milhões de anos até que surja um ser suficientemente complexo, capaz de suportar o espírito que, primeiro, está no universo e somente depois em nós.

Mas pode também irromper uma nova era que conjuga a razão sensível (do amor e do cuidado) com a razão instrumental-analítica (a tecnociência). Emergirá, enfim, o que Teilhard de Chardin chamava ainda em 1933 na China a noosfera: as mentes e os corações unidos na solidariedade, no amor e no cuidado com a Casa Comum, a Terra. Escreveu Attali:”quero acreditar, enfim, que o horror do futuro predito acima, contribuirá para torná-lo impossível; então se desenhará a promessa de uma Terra hospitaleira para todos os viajantes da vida (op.cit. p. 219).

E no final nos deixa a nós brasileiros esse desafio:”Se há um país que se assemelha ao que poderia tornar-se o mundo, no bem e no mal, esse país é o Brasil”(p. 231).

Pavel Constantin
Pavel Constantin

Revolução na economia mundial. O dólar deixa de ser moeda única

Esta a notícia mais importante deste século: O mundo passou a ter duas moedas.

Sei que a imprensa brasileira vai dar pouca importância ao acontecimento histórico. Aconteceu o que os Estados Unidos tanto temiam:

Devastador amanecer para el dólar: China lanza el comercio bilateral en yuanes y rublos

indignados ministro economia

 

Este lunes 29 de diciembre el mundo se despierta con una nueva realidad devastadora para el dólar: China lanza el comercio bilateral en yuanes y rublos rusos.

El Banco Popular de China cerró a principios de octubre la firma de un ‘swap’ cambiario bilateral con el Banco Central ruso con el objetivo de reducir el papel del dólar estadounidense si Pekín y Moscú tuvieran que ayudarse mutuamente para superar la crisis de liquidez.

El acuerdo prevé un canje por un monto de 150.000 millones, según el portal Zero Hedge, que añade que el golpe sobre el dólar será “devastador”.

“China permite futuros intercambios comerciales entre el yuan y más de tres monedas en un intento de reducir los riesgos de falta de liquidez en un contexto de elevada volatilidad en los mercados de los países en desarrollo”, escribe Bloomberg.

China comenzará la implementación de contratos con el ringgit de Malasia, el rublo ruso y el dólar de Nueva Zelanda desde el 29 de diciembre, según un comunicado publicado en la página web de la organización.

Según Roman Terejin, jefe del centro independiente de peritaje comercial Obschestvennaya Duma, citado por el portal informativo Regnum, el comercio entre yuanes y rublos debería aliviar la dependencia de la economía rusa del dólar y conllevar cierta reducción de la tasa de cambio entre este y el euro respecto al rublo.

O poder global sai do ocidente, para os países BRICS

Futura Nova Ordem Mundial? Não. Ela já está aqui

 

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por Bryan MacDonald, Russia Today
Time for a “new world order?” No, it’s already here
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

 

Putin falou da necessidade de uma “nova ordem mundial”, com o objetivo de estabilizar o planeta. Para ele, os EUA já abusaram demais, no papel de líder global. O que pouco se noticia, contudo, é que os pilares que sustentavam aquela velha ordem vêm ruindo há anos.

Antes, era tudo tão simples! O mundo estava dividido em dois campos: o ocidente e o resto. E o Oeste, o ocidente, era de fato o melhor. Há 20 anos, seis das maiores economias do planeta estavam integradas ao mundo pró-Washington.

O líder, os próprios EUA, estavam tão à frente, que o PIB, ali, era mais de quatro vezes maior que o da China e nove vezes maior que o da Rússia.

O país mais populoso do mundo, a Índia, tinha quase a mesma renda bruta que os comparativamente minúsculos Itália e Reino Unido. Qualquer noção de que a ordem mundial mudaria tão dramaticamente em apenas duas décadas soava como piada.

A percepção ocidental era que China e Índia eram atrasadas e se passaria um século antes que se tornassem concorrentes. A Rússia era vista como uma espécie de lata de lixo, de cócoras e governada pelo caos. Nos anos 1990s, boa parte disso tudo, sim, fazia algum sentido.

Aqui, um resumo da economia mundial, nos anos 1990s e hoje:

Maiores Economias, pelo PIB, ajustado por paridade do poder de compra (PPC) Fonte: Banco Mundial

 

1995 (PIB em bilhões de USD) 

EUA 7,664
Japão 2,880
China 1,838
Alemanha 1,804
França 1,236
Itália 1,178
Reino Unido 1,161
Indonésia 2,744
Brasil 1,031
Rússia 955

2015 (PIB estimado pelo FMI)

China 19,230
EUA 18,287
Índia 7,883
Japão 4,917
Alemanha 3,742
Rússia 3,643
Brasil 3,173
Indonésia 2,744
França 2,659
Reino Unidos 2,547

 

Crepúsculo dos EUA

Hoje, a piada é o ocidente. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, em 2015, quatro das principais economias do mundo estarão incluídas no grupo hoje conhecido como BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. A China substituirá os EUA como lobo guia da matilha. Pode até já ter acontecido: os números da economia sempre aparecem depois dos fatos da economia.

A Itália, a doente da Europa, já saiu dos “10 mais”; e o Reino Unido mal se mantém pendurado, por mais que Londres continue a ser promovida como poderoso centro financeiro. Só criancinhas, na Inglaterra, ainda creem nisso. O Reino Unido está convertido numa Julie Andrews da geopolítica – estrela que se vai apagando, depois de ter luzido com tanto brilho. A França é impotente, saltando de crise em crise, sempre com novas trapalhadas, até voltar a mergulhar em nova crise.

Ainda é cedo para descartar completamente os EUA. O império não se acabará assim, do dia para a noite, mas o sol já está bem baixo no horizonte. É menos culpa dos EUA e, mais, resultado da perda de importância relativa de seus tradicionais aliados.

De fato, os únicos aliados dos EUA que ainda se seguram são Alemanha e Japão – nenhum dos quais é ator militar importante. Grã-Bretanha e França foram, por muito tempo, fornecedoras da carga pesada para aventuras marciais. Verdade é que a Alemanha não é parceira lá muito entusiasmada, porque grande parte da classe política em Berlim tem sérias dúvidas quanto ao poderio dos EUA. Muitos, na intelligentsia alemã, sentem que seu aliado natural é Moscou, não Washington.

O crescimento na importância dos BRICs e de outros países emergentes têm implicações imensas sobre o consumo, os negócios e os investimentos globais. Em 2020, pelas estimativas do FMI, a economia russa já terá ultrapassado a alemã, e a Índia terá deslocado, do quadro, o Japão. O mesmo FMI também prevê redução na fatia global dos EUA, de 23,7% em 2000, para 16% em 2020. Em 1960, os EUA representavam 38,7% da economia mundial. A China, por sua vez, mal chegava a 1,6%; no final dessa década, a China já terá chegado a 20%. O mundo não conhece mudança tão forte, em prazo tão relativamente curto.

 

A importância da estabilidade

O discurso de Putin no Valdai Club [em ing., no blog do Saker; (NTs)] não foi estocada no escuro. Vê-se ali compreensão nuançada sobre onde está o equilíbrio global hoje e em que direção andará nos próximos anos. A hegemonia dos EUA sempre se baseou no fato de que, com os seus aliados, os EUA controlavam o cerne do comércio global, além de sempre empunharem um gordo porrete militar. Isso, hoje, é história.

Mas a imprensa-empresa ocidental, em vez de aprofundar a discussão proposta por Putin, pôs-se a chutar as canelas do artista, em vez de chutar a bola. Muitas colunas apresentaram o discurso como “diatribe” e assumiram que Putin só teria focado a política exterior dos EUA, que, na opinião dele, seria anti-Rússia [1]. Nada mais longe do que realmente importa.

A preocupação de Putin é reencontrar e manter a estabilidade e a previsibilidade, exatamente a antítese do neoliberalismo ocidental moderno. Na verdade, a posição de Putin aproxima-se mais de outras visões para promover a ordem mundial, que brotaram da União Democrática Cristã [al. CDU] de Konrad Adenauer na Alemanha e dos Tories britânicos de Harold Macmillan – do conservadorismo europeu clássico.

Putin é quase sempre mal compreendido no ocidente. Suas declarações públicas, orientadas sempre mais para a audiência doméstica que para a grande vitrine internacional, não raro soam agressivas, quase chauvinistas. Mas os observadores bem fariam se não esquecessem que Putin é grande-mestre de judô, cujos movimentos são calculados para confundir e desequilibrar o adversário. Se se leem as entrelinhas, o presidente russo está interessado em engajamento, não em isolamento.

O presidente da Rússia vê seu país como parte de uma nova alternativa internacional, unido a outros países BRICs, para conter, onde seja possível, a agressão pelos EUA. Para Putin, conter a agressão norte-americana é necessário, para chegarmos à estabilidade mundial. Adenauer e MacMillan teriam compreendido exatamente isso, imediatamente. Mas líderes europeus e norte-americanos contemporâneos já não entendem nada. Embriagados pela dominação que exerceram durante os últimos 20 anos, ainda não lhes caiu a ficha, de que a ordem global já está em mudança e mudando rapidamente.

O modo como os EUA reajam à nova realidade é elemento vital do processo. Em dinâmica própria das histórias em quadrinho, o discurso de Washington só sabe focar a Agência de Segurança Nacional, correria de espiões para lá e para cá, governos “sombra”, um patético, desentendido 4º estado, aquela gigantesca força militar jamais usada produtivamente para nada e ninguém, e um crescente, aterrorizante nacionalismo.

Tanta imbecilidade juvenil-adolescente não vive sem um bandidão para chamar de seu. Em dez anos, o bandidão oficial dos EUA já passou de Bin Laden para Saddam; das batatas fritas na cafeteria do Congresso, para a russofobia. Se a elite norte-americana mantiver esse mesmo comportamento, a transição para um mundo multipolar pode não ser pacífica. Isso, sim, se deve temer, medo real.

 

Nota dos tradutores

[1] No Brasil, a imprensa-empresa apagou do universo essa fala de Putin. Foi como se não tivesse acontecido. O jornal o Estado de S.Paulo, que muito provavelmente é o PIOR jornal do mundo, publicou, sobre esse discurso, o que se pode ler (mas não vale a pena) em “Putin culpa ocidente por crise na Ucrânia e nega formação de império pela Rússia”, o que seria cômico, não fosse tão ridículo.

 

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VEJA QUANTO É IMPORTANTE PARA O BRASIL E O MUNDO A REELEIÇÃO DE DILMA

Nas eleições presidenciais do Brasil está em jogo a mudança do Mundo. É o salto do Brasil para ser uma nação independente, sem o mando do FMI, dos Estados Unidos e países da Europa, que desde séculos colonizam a África, parte da Ásia, as Américas do Sul, Central e México.

Notadamente os Estados Unidos, Inglaterra e Israel estão jogando pesado nestas eleições, pelo poder dos bancos, empresas multinacionais, ex-estatais privatizadas e os meios de comunicação de massa.

Inviabilizada a candidatura de Aécio Neves (?), desde a morte de Eduardo Campos, transformaram Marina na carta de aposta para desestabilizar o governo e impedir a reeleição de Dilma Rousseff.

É nesta guerra econômica, pela criação do BRICS, que se deu credibilidade a teorias de conspiração de que Eduardo Campos foi vítima de um atentado político, planejado e executado por George Soros, banqueiros e CIA.

De que o Brasil vive uma crise de crescimento econômico, com desemprego, moeda fraca, o velho complexo vira-lata, que casa com uma Marina que chora, vestida de preto, que passou fome, e doente, ressuscitou várias vezes pela graça de Deus, para salvar o Brasil das garras… do PT, quando o Brasil deve ser salvo das garras dos piratas de várias bandeiras.

Para se entender a razão da imprensa ocidental considerar Dilma Rousseff uma das mulheres mais poderosas do mundo, e a importância do Brasil como nação, leia esta reportagem de capa, publicada hoje no conceituado jornal econômico da Europa, o direitista e conservador L’Economic, editado na Espanha.

economic. Espanha Brics

Occident perd el control del món

El banc d’inversions i el fons d’estabilitat dels Brics que impulsa la Xina posen fi al monopoli que els Estats Units i Europa han tingut durant setanta anys en les institucions econòmiques i financeres internacionals

Indian PM Modi walks past Chinese President Xi Jinping and Brazilian  President Rousseff during the 6th BRICS Summit in Fortaleza
El primer ministre indi, Narendra Modi, caminant entre la presidenta brasilera, Dilma Rousseff, i el president xinès, Xi Jinping, a la cimera dels BRICS de juliol. Foto: REUTERS

por JOAN POYANO

 

Jim O’Neill, un executiu del banc d’inversions Goldman Sachs, es va empescar l’any 2001 la sigla BRIC per fer referència a les economies emergents que marcaran les pautes econòmiques i polítiques mundials del segle XXI: el Brasil, Rússia, l’Índia i la Xina. Aquests quatre estats es van reunir per primera vegada el 2006 i al cap de quatre anys s’hi va afegir Sud-àfrica, que aporta la s de Brics. Un grup que amb un 43% de la població, el 21% del PIB i el 20% de la inversió mundial reclama més protagonisme, que li neguen les institucions -el Fons Monetari Internacional i el Banc Mundial- creades el juliol del 1944 per servir al capitalisme industrialitzat dels Estats Units i Europa.
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Sense sortir de l’FMI i el BM, els Brics van acordar aquest juliol -coincidint amb el setantè aniversari de la fundació d’aquests dos organismes a la població nord-americana de Bretton Woods- posar en marxa el New Development Bank (NDB), un banc de desenvolupament per finançar inversions recíproques, amb seu a Xangai (Xina), i un capital inicial de 100.000 milions de dòlars que hi posaran a parts iguals aquests cinc estats i que està obert a l’entrada d’altres països emergents. A la reunió de Fortaleza (Brasil) també van acordar dotar amb 100.000 milions de dòlars l’Acord de Reserves de Contingència (ARC), un fons de reserves per evitar pressions de liquiditat en el curt termini i enfortir la xarxa de seguretat financera mundial.
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Bretton Woods va representar un abans i un després en l’ordre econòmic internacional. Per donar estabilitat al comerç es va organitzar un sistema monetari lligat al dòlar, i per eliminar el dèficit en les balances de pagaments dels estats se’ls dóna préstecs de l’FMI si compleixen unes condicions -reducció de despeses, privatitzacions, pujades de tipus d’interès…- que el mateix fons ha reconegut a posteriori que han agreujat les darreres crisis.
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Representarà també un abans i un després l’acord de Fortaleza? Jordi Bacaria, director general del Centre d’Estudis i Documentació Internacionals a Barcelona (Cidob) assegura que és la constatació que “el món de la postguerra mundial i del monopoli institucional i internacional de les potències industrials ha finalitzat”: “El comerç sud-sud està passant al davant del comerç nord-sud, i aquest nou espai l’omplen amb altres institucions, com aquest acord de contingència amb el qual es munten un FMI paral·lel”, remarca Bacaria. A tall d’exemple, si el comerç entre els Brics era l’any 2002 de 21.000 milions d’euros, l’any 2012 ja sumava 219.400 milions d’euros, una evolució que en el cas del Brasil la presidenta, Dilma Rousseff, explica perquè “abans dirigia la seva mirada cap als països desenvolupats i avui mira cap a tota l’Amèrica Llatina i tot Àfrica i té una relació amb els Brics”.
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Alejandro Alcaraz, professor de finances internacionals de l’escola de negocis EADA, també destaca que la creació del banc de desenvolupament és un senyal que hi volen dir la seva els països emergents, que “s’han adonat que comencen a ser més poderosos que algunes economies desenvolupades”, i considera que els candidats a afegir-se a la iniciativa dels Brics són Mèxic i Corea del Sud. Alcaraz subratlla que “s’obre una porta a la desdolarització de l’economia mundial”. La moneda nord-americana ja va perdre part de la seva hegemonia com a divisa en el comerç internacional, i en pot perdre més si els Brics comencen a pagar els seus intercanvis amb iuans, la divisa de la Xina, que aporta el 41% del fons de reserva ARC.
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Si els Estats Units porten la veu cantant en les institucions de Bretton Woods, en les de Fortaleza la porta la Xina, la impulsora del NDB i l’ARC perquè està interessada en l’estabilitat de les economies dels països on es produeixen les matèries primeres que necessita importar per continuar sent la fàbrica del món. Amadeu Jensana, director d’economia i empresa de Casa Àsia, assenyala que la Xina “té un paper preponderant en el Brics, però haurà d’anar amb compte a l’hora d’exercir el lideratge perquè no la seguirien”. A les relacions complicades amb l’Índia, pels conflictes territorials a l’Himàlaia, s’hi afegeix l’historial a Àfrica, on “ha arrambat amb tot”.
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Àsia i Àfrica seran les superpotències del futur, segons explica Josep Piqué, exministre d’Afers Estrangers en el govern d’Aznar i anterior president del Cercle d’Economia, en l’assaig el Cambio de Era: un mundo en movimiento de Norte a Sur y de Oeste a Este, en què manté que l’economia mundial s’està desoccidentalitzant i que el canvi vindrà marcat per l’explosió demogràfica i l’evolució tecnològica. A Àsia, la Xina competeix amb els Estats Units i el Japó firmant acords comercials, i aquest dijous el primer ministre indi, Narendra Modi, i el president xinès, Xi Jinping, van anunciar una sèrie d’acords pels quals la Xina es compromet a invertir 15.400 milions d’euros en cinc anys en l’establiment de parcs industrials i projectes d’infraestructura, especialment en el sector ferroviari, a l’Índia. A principis de mes, Modi va arrencar del Japó en la seva visita a Tòquio promeses d’inversions que pugen a 27.000 milions d’euros.
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Àsia-Pacífic. L’eix al voltant del qual gira l’economia mundial es desplaça de l’Atlàntic (Estats Units i Europa) al Pacífic (Àsia i Amèrica), i l’Amèrica Llatina succeeix Àfrica com a objectiu de l’expansió xinesa a la recerca de recursos energètics i matèries primeres. Si l’any passat Xi va firmar acords amb Mèxic, Costa Rica i Trinitat i Tobago, aquest juliol ha fet una altra gira per l’àrea firmant inversions per a infraestructures com els 4.700 milions de dòlars amb què la Xina finançarà la construcció de dues preses hidroelèctriques a l’Argentina, l’aportació de 2.100 milions de dòlars per a la renovació d’una línia ferroviària de càrrega, i l’interès per la Zona Especial de Desenvolupament del port de Mariel (Cuba). A més, Xi proposa construir una xarxa ferroviària que connecti la costa pacífica del Perú amb l’atlàntica del Brasil. El comerç entre la Xina i l’Amèrica Llatina ha passat de 12.000 milions de dòlars l’any 2000 a 261.000 milions el 2013, que l’han situat com a segon major soci comercial de la regió (després dels Estats Units) i primer en alguns països, com és ara el Brasil.
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No estranya que O’Neill digués l’any passat que si hagués de tornar a definir les economies emergents que marcaran el futur no faria una sigla sinó que només hi posaria la C de la Xina.

El veto dels Estats Units

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Els Brics sumen el 21% del PIB mundial (destaca la Xina, amb el 12,3%), quasi el mateix que el 23% que sumen els 28 membres de la UE o el 22,5% dels Estats Units. Però en drets de vot a l’FMI tenen l’11% i la Xina –que ocupa el segon lloc en el rànquing mundial per PIB i el primer en exportacions- té el 3,8%, quatre vegades menys que els Estats Units i per sota del Japó, Alemanya, França i el Regne Unit.

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El 2010 el fons va plantejar una reforma per donar més pes als països emergents: la Xina guanyaria 2,4 punts percentuals i es convertiria en el tercer major membre de l’FMI, després del Japó; el Brasil, l’Índia i Rússia s’incorporarien als deu primers, i els que perdrien més pes serien Aràbia, Bèlgica i Alemanya. Cent quaranta estats membres estaven d’acord amb el canvi, però en la reunió de la primavera no va prosperar perquè calia el 85% dels vots i hi van votar en contra els EUA, que amb un 16,7% tenen un dret a veto que mantindrien amb el canvi, ja que el seu percentatge només quedava modificat de tres dècimes a la baixa. Obama no va aconseguir el suport del Senat a una modificació que, si s’hagués aprovat, potser hauria evitat els fons paral·lels dels Brics.

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Els drets de vot i les quotes –aportació al capital del fons- es calculen pel pes econòmic, corregit amb factors com el grau d’obertura de l’economia i el nivell de reserves. Un país membre pot obtenir anualment un préstec de fins al 200% de la seva quota, i els préstecs acumulats no poden superar el 600%.

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Potència agrària, minera i petroliera

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Primer productor mundial de cafè, canya de sucre, taronges i bestiar. Segon exportador mundial de ferro i un dels principals productors d’alumini i hulla. Com a país productor de petroli, el Brasil es proposa autoabastir-se a curt termini (les seves reserves podrien convertir-lo en un dels cinc principals productors).

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Rica en minerals preciosos i reserves de carbó

El seu PIB representa gairebé el 40% del total d’Àfrica. És el major productor i exportador d’or, platí i crom, i el quart productor de diamants del món. Té el 60% de les reserves mundials de carbó. Líder mundial en sectors industrials especialitzats, com ara materials rodants ferroviaris i maquinària minera.

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Economia agrària i informàtica

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Quarta potència agrícola del món i segon major productor de bestiar boví. El sector serveis és la part més dinàmica de l’economia índia: contribueix a més del 55% del PIB i dóna feina a una quarta part de la població activa. El ràpid creixement del sector del programari estimula les exportacions de serveis i modernitza l’economia índia.

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Fàbrica del món amb capital estranger

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És la segona potència econòmica mundial, la primera exportadora i té les reserves de divises més altes del món. El 2013 va créixer un 7,6%, el nivell més baix des dels anys noranta. La indústria i la construcció aporten quasi la meitat del PIB, i més del 50% de les exportacions són realitzades per empreses amb capital estranger.

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Dependent de les exportacions d’hidrocarburs

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L’economia russa està estancada per la fugida de capitals, la inestabilitat en el mercat de divises i els baixos preus del petroli. Rússia té una gran riquesa de recursos naturals: és el primer productor de gas natural i de petroli del món i un dels principals productors i exportadors de diamants, níquel i platí.

Basta um homem para enfrentar os tanques chineses e os soldados de Eduardo Campos

CHINA

Destemor-não-à-tirania-viva-a-liberdade.

PERNAMBUCO DE EDUARDO CAMPOS

Pernambuco de Eduardo Campos

Depois da dispersão dos manifestantes, permanece um RESISTENTE como alvo das balas de borracha.
– Protesto dos ambulantes em Recife – 31/10/2013