“A religião cristã é histórica, e não ideológica”. Novas formas de família na Igreja Católica

A Igreja Católica, em 1964, promoveu procissões de pregação do golpe militar, com a TFP – Tradição, Família e Propriedade, e o slogan hoje usado, pela direita, na Bolívia e na Venezuela: “a família que reza unida permanece unida”.

Com o aparecimento da Teologia da Libertação, os militares decidiram exportar, dos Estados Unidos, as igrejas pentecostais, que no Brasil atuam na política, elegendo pastores conservadores, para combater o casamento igualitário e libertário (o chamado casamento gay), e religiões nativas, notadamente de origem africana e indígena.

Essa nova onda de guerra religiosa recrudece quando a Igreja Católica, Apostólica e Romana sai das trevas da Santa Inquisição.

Francisco abre a Igreja às novas formas de família

O papa Francisco durante um encontro, no sábado, com atletas paralímpicos no Vaticano: AFP
O papa Francisco durante um encontro, no sábado, com atletas paralímpicos no Vaticano: AFP

 

por Pablo Ordaz/ El País/ Espanha

á há um membro do alto clero preso por lavagem de dinheiro e um arcebispo em prisão domiciliar por abuso de menores. O papa Francisco não foi a Milão, Londres ou Madri, mas à Coreia, à Albânia e à ilha de Lampedusa, lugares aonde o vento nunca soprou a favor nem do catolicismo e nem da própria vida. A agenda que Jorge Mario Bergoglio marcou quando, segundo suas próprias palavras, chegou ao Vaticano “do fim do mundo” está sendo cumprida. Um plano de transparência para o dinheiro do IOR (Instituto para as Obras de Religião), tolerância zero com os pedófilos e viagens constantes para a periferia do mundo. A etapa seguinte, que começa neste domingo com o Sínodo sobre a Família, é talvez a mais difícil, porque consiste em abrir as portas da Igreja aos que foram se afastando pelos azares da vida – divorciados que voltaram a se casar – ou aos que sempre as encontraram fechadas – união estável, novas famílias que surgem de relações quebradas, filhos adotados por casais do mesmo sexo. E é precisamente nessa distância curta entre o dogma e a tradição onde joga um papa como Francisco.

Não à toa, este está sendo o momento em que os setores mais retrógrados da Igreja – aqueles que sempre viram Francisco com desconfiança, mas não falaram nada por medo de serem afastados pelo líder – estão saindo à luz. O exemplo mais claro é o livro que o cardeal alemão Gerhard Müller, o poderoso prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé, e outros quatro cardeais – um norte-americano, outro alemão e dois italianos – publicaram junto ao Sínodo da Família. Nele, se opõem frontalmente ao retorno aos sacramentos de divorciados que voltaram a se casar, ou a que, em determinados casos de fracasso matrimonial, o procedimento de anulação seja acelerado e simplificado. “Está em jogo a lei divina”, afirmam os autores do livro, “porque a indissolubilidade do matrimônio é uma lei proclamada diretamente por Jesus e confirmada muitas vezes pela Igreja. O matrimônio só pode ser dissolvido pela morte”.

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Os mais críticos com as reformas do Papa alegam que “a lei divina está em jogo”

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Müller, atual chefe do antigo Santo Oficio, mesmo cargo que Joseph Ratzinger exerceu até substituir João Paulo II, diverge nada mais e nada menos que do próprio Jorge Mario Bergoglio, do cardeal de sua confiança Walter Kasper – “todo pecado pode ser perdoado, o divórcio também” – e do cardeal Lorenzo Baldisseri, que será justamente o secretário do Sínodo da Família. Baldisseri, como bom italiano, prefere mediar as partes antes que o sangue chegue ao rio, mas nem por isso esconde sua opinião ou a do Papa: “As coisas não são estáticas. Caminhamos através da história, e a religião cristã é histórica, e não ideológica. O contexto atual da família é diferente de 30 anos atrás, dos tempos em que se publicou a Familiaris Consortio (a Exortação Apostólica de João Paulo II). Se negarmos isso, ficaremos presos há 2.000 anos. O Papa quer abrir a Igreja. Há uma porta que até agora esteve fechada, e Francisco quer abri-la”.

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O cardeal Baldisseri replica aos conservadores que “as coisas não são estáticas” e Bergoglio quer abrir uma porta que estava fechada

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Mais claro que isso apenas a água. Tão claro que, como se um sino tivesse sido tocado, os guardiões da tradição estão acordando. A última aparição foi do cardeal esloveno Franco Rodé, antigo prefeito da Congregação para os Institutos da Vida Consagrada, que falou de Bergoglio sem meias palavras: “Sem dúvida, o Papa é um gênio da comunicação. Parece simpático, e isso conta a seu favor. Mas suas opiniões sobre o capitalismo e a justiça social são excessivamente de esquerda. Claramente está marcado pelo ambiente do qual vem. Na América do Sul, há grandes diferenças sociais e cada dia se produzem grandes debates sobre essa questão por lá. Mas essa gente fala muito e resolve pouco”. Não se trata apenas do desabafo isolado de um cardeal que vê, aos 80 anos, aquilo que decorou estar sendo mudado, mas um pensamento que reflete o sentimento contrário às reformas de um setor que, ainda que minoritário, continua existindo dentro do Vaticano e permanece alerta, atento. Tanto que aquelas conspirações que marcaram os últimos dias do pontificado de Bento XVI estão voltando a surgir: relatórios secretos, vazamentos, acusações com mais ou menos fundamentos que tentam desqualificar os mais próximos colaboradores de Francisco, inclusive o cardeal australiano George Pell, atual prefeito da Secretaria de Economia da Santa Sé. Resta saber se são os últimos suspiros de uma época terrível para o Vaticano – o caso do Vatileaks, que foi fechado, talvez em falso, e a detenção do mordomo de Ratzinger – ou o princípio das hostilidades contra Bergoglio.

 

Um muçulmano no Sínodo Católico

 

Não é um processo rápido ou propenso às grandes manchetes. O Sínodo da Família, cujo título é “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”, que será desenvolvido até o próximo dia 19, contará com 253 participantes, dos quais 191 serão “padres sinodais”, e o resto se dividirá entre especialistas laicos e – pela primeira vez em um Sínodo – 14 famílias do Líbano, Congo, Ruanda, Filipinas e diversos países da Europa. Entre eles, está um casal formado por uma católica e um muçulmano. Os bispos, que já enviaram ao Vaticano o conteúdo dos seus discursos para eles serem ordenados por grupos temáticos, têm quatro minutos para defender suas propostas. O debate servirá para elaborar um documento que será enviado às Conferências Episcopais de todo o mundo. Portanto, como avisou o cardeal Lorenzo Baldisseri, o Sínodo “não tomará decisões” e suas conclusões serviram apenas “de base para a segunda assembleia, que se celebrará em 2015”. Será, portanto, no ano que vem que se anunciará a nova postura da Igreja para as famílias, se houver uma.
O interesse no momento não são tanto as respostas – que demoraram para chegar –, mas até que ponto a Igreja está disposta a se questionar e se alterar ou se continuará cômoda e presa a uma tradição que afasta os fiéis. Na véspera do Sínodo, e aproveitando sua conta no Twitter, @pontifex, o papa Francisco lançou uma mensagem que, mesmo óbvia, parece um desafio aos que, presos à tradição ou aos dogmas, continuam acreditando na teoria do vale das lágrimas. “A Igreja e a sociedade”, disse o Papa”, precisam de famílias felizes”.

 

 

Silas e Feliciano pressionaram Marina na política contra gays e lésbicas

O programa de governo de Marina Silva divulgado nesta sexta-feira se posiciona claramente sobre temas recorrentes nos debates eleitorais como união gay e a participação de movimentos populares. No capítulo 6 – Cidadania e Identidades, o programa diz apoiar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, “com vistas à aprovação dos projetos de lei e da emenda constitucional em tramitação, que garantem o direito ao casamento igualitário na Constituição e no Código Civil.”

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O texto fez amplo preâmbulo a respeito da causa, afirmando que vivemos em uma sociedade sexista, heteronormativa e excludente em relação às diferenças, em que os direitos humanos e a dignidade das pessoas são constantemente violados e guiados.

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E diz que é preciso olhar com respeito as demandas de grupos minoritários e de grupos discriminados. “A população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) encontra-se no rol dos que carecem de políticas públicas específicas”, diz o documento. O programa estabelece metas, como articular no Legislativo a votação do PLC 122/06, que equipara a discriminação baseada na orientação sexual e na identidade de gênero àquelas já previstas em lei para quem discrimina em razão de cor, etnia, nacionalidade e religião.

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Compromete-se ainda com a aprovação do Projeto de Lei da Identidade de Gênero Brasileira – conhecida como Lei João W. Nery -, que regulamenta o direito ao reconhecimento da identidade de gênero das “pessoas trans”. Outra promessa é eliminar obstáculos à adoção de crianças por casais homoafetivos.

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Atualmente, uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle externo das atividades do Judiciário, obrigou todos os cartórios do país a cumprirem a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de maio de 2011, de realizar a união estável de casais do mesmo sexo. Além disso, obrigou a conversão da união em casamento e também a realização direta de casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Porém, não há nenhuma lei no país que regulamente o assunto.

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Neca Setúbal, umas das coordenadoras do programa de governo do PSB, destacou que uma eventual gestão da ex-senadora terá o compromisso de garantir todos os direitos civis aos homossexuais.

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“Nosso compromisso é com o combate radical ao preconceito contra a comunidade LGBT. Vamos defender os direitos dessa população. Direito à saúde, oportunidades e direitos civis da população LGBT”

 

 

IGREJA COBRA “HERESIA” DE MARINA

Clique aqui e conheça como uma candidata, coagida e intimidada, muda de posição. Existe um lema indígena, que foi slogan da campanha de Evo Morales à presidência da Bolívia: “Não mente, não rouba, não é frouxo”.

 

Silas 4

Entre os infortúnios que contam a História do Brasil

por Moacir Japiassu

Até nas flores se nota

A diferença de sorte;

Umas enfeitam a vida

Outras enfeitam a morte

(Imortal quadrinha popular)

O livro deste que é um dos melhores jornalistas e escritores do Brasil chega à segunda edição para nos transmitir um pouco de humildade sempre que a Seleção entrar em campo e a bola começar a circular de pé em pé. “Barbosa” revive o drama do goleiro que errou no cálculo e levou o segundo gol do Uruguai na tarde de 16 de julho de 1950.

O Brasil perdeu a Copa do Mundo no Maracanã por causa de um detalhe desses capazes de explicar grandes tragédias.

Num texto muito bem escrito, Muylaert emociona o leitor com o drama que começou com a arrancada do ponta-direita Ghiggia em direção à vitória do Uruguai e cujo final só ocorreu com a morte do goleiro, depois de meio século a conviver com seu fantasma e a rejeição nacional.

Confira no Blogstraquis um trecho dessa história que exige lugar certo entre os infortúnios que contam a História do Brasil.

 barbosa_-_livro

Haja posto!

Janistraquis já confundiu várias vezes Benito Mussolini com Roberto Rosselini, mas depois de muito insistir conseguiu fixar na memória que Benito, ditador italiano, foi justiçado pelo povo que o adorava e acabou amarrado pelos pés num posto de gasolina, ao lado da amante Rose, digo, Clara Petacci. E tem certeza de que a História se repete, sim, não apenas como farsa, porém da forma como alguns sonhos são recorrentes.
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Na rede
Cartaz publicado no Facebook:

CONSELHOS DO ZÉ — NÃO ADIANTA IR PRA RUA COMO UM LEÃO SE VOCÊ CONTINUA A VOTAR COMO UM JUMENTO!

Outra da rede social mais assanhada da internet:

Foto de ativista na rua a exibir este cartaz:

ENFIA OS 20 CENTAVOS NO SUS!

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Barraco
De uma leitora do considerado Eduardo Almeida Reis, melhor cronista diário da imprensa brasileira:
Já estou enjoada de ver casamento gay; não tem mais novidade.

Quero ver agora é divórcio gay: barraco, safanões, um gritando “já estou com homofobia de você!”, boletim de ocorrência, hematomas, delegacia, exame de corpo de delito.

E depois a partilha. Quem vai ficar com as barbies, com o poodle, com o Chevette rosa…

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Bolívar

Confira no Blogstraquis o texto que o considerado Bolívar Lamounier, maior cientista político do Brasil, postou no Facebook, o qual abriga passagens como esta:

“Participar de manifestações? Perfeitamente. Tenho toda a disposição de ir à rua, com a condição de que o protesto seja dirigido contra os responsáveis reais pelas dificuldades que o Brasil está vivendo. Com uma pauta adequada, prioridades bem definidas, cada problema no seu contexto e em sua escala certa – pronto, lá vou eu. Sem isso, não. Protesto romântico não é comigo.”
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Chance ou risco?

O considerado Hernâni Gonçalves Portella, professor em São Paulo, envia de seu apartamento no bairro da Bela Vista, também conhecido como Bexiga:

O colunista da Folha Hélio Schwartsman escreveu na editoria de Opinião:

“(…)Nas contas de Ronald Bailey, editor da revista “Reason”, após o 11 de Setembro, a chance anual de um americano ser morto num atentado terrorista dentro ou fora do país foi de uma em 20 milhões.”

Chance de ser morto?!?!?! O colunista bem que poderia substituir essa chance por risco, mas, como você, Janistraquis e outros leitores do Jornal da ImprenÇa já denunciaram, os jornalistas costumam fazer essa absurda confusão.
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Nota dez

Sob o título Big Brother está de ouvido em você, o considerado Sérgio Augusto escreveu no Estadão:

“Reconforta saber que em momentos de crise as pessoas também se consolam e ilustram com literatura. Assim como o furacão financeiro de cinco anos atrás reaninhou entre os best sellers o clássico da distopia conservadora de Ayn Rand A Revolta de Atlas, os recentes acontecimentos envolvendo o aparato de segurança dos Estados Unidos e o administrador de sistemas Edward Snowden trouxeram outra distopia de volta ao noticiário e às livrarias. No início da semana, em apenas 24 horas, as vendas de 1984, de George Orwell, aumentaram 6.021% na Amazon.
Usurpada e degenerada pela cretinice televisiva, a expressão Big Brother recuperou finalmente seu sentido original.”

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo, mais um show de criatividade e sabedoria deste que é o melhor jornalista cultural do Brasil.

(Transcrevi trechos)

 

Deputado Marco Feliciano seria hoje um herói na França

O senhor disse em plenário viver um “tempo de caça às bruxas” sobre questões homossexuais. Acha que o Congresso representa todos os setores da sociedade brasileira? Não temos democracia aqui. A democracia só funciona para uma parte desse grupo que se diz minoria. Minoria, entretanto, é quem não tem vez, não tem voz, não tem acesso a trabalho, não consegue estudar. Onde o grupo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) se encaixa nisso? Eles se escondem atrás de um rótulo de minoria, não para buscar direitos, mas privilégios.

Mas eles não têm direito a defender as causas que considerem adequadas? Entre os projetos de lei que eles querem ver aprovados está a instituição de cotas dentro das universidades públicas. Se não começar a segurar um pouco esse tipo de iniciativa gay, em breve não haverá mais controle. Daqui a pouco vão criar dentro do Brasil uma nova raça, uma raça superior.

O senhor já foi acusado de racismo. Houve uma polêmica com a cantora Preta Gil, que não fui eu que comecei [o deputado Jair Bolsonaro disse ao programa humorístico CQC que seus filhos não namorariam negros porque não haviam sido criados em um “ambiente de promiscuidade”]. Um ativista do movimento negro me provocou e perguntou o que eu achava. Disse que repousava sobre o continente africano, até na África do Sul, com população branca, uma maldição patriarcal. Mas repare no meu cabelo. Somos todos descendentes de negros.

Não acha que suas posições religiosas comprometeriam suas funções na Comissão de Direitos Humanos? A comissão discute exatamente como garantir melhores condições para setores considerados excluídos. Existe um protecionismo exacerbado com o movimento LGBT. O medo deles é que eu comece a revirar a caixa de Pandora e ver onde as verbas foram investidas, se houve direcionamento. Não tenho problemas em discutir assuntos ligados à homossexualidade. Eles é que não dão direito ao contraditório. Não os xingo de nenhuma palavra. As palavras obscurantista, fundamentalista e desgraçado foram usadas por eles contra mim.

O senhor não acha que os homossexuais sofrem perseguição? Quando homossexuais são feridos, mortos ou quando sofrem qualquer tipo de preconceito, aí é uma questão de direitos humanos. Mas também me preocupo, por exemplo, com os brasileiros presos no exterior por estarem ilegais. Ninguém pergunta pelos direitos deles.

Mas o senhor fala em medo da causa gay? Nosso medo é só esse: união homossexual não é normal. O reto não foi feito para ser penetrado. Não haveria condição de dar sequência à nossa raça. Agora, o que se faz dentro de quatro paredes não me diz respeito.

Medo de quê? Deveria haver posições menos radicais na comunidade LGBT. Os gays destroem qualquer pessoa que se levante contra eles.

Por que o senhor apresentou um projeto para sustar a decisão do STF favorável à união civil de homossexuais? O casamento gay fere os direitos da Igreja. Apresentei uma proposta de plebiscito sobre a união civil. Pergunte se o grupo de direitos dos gays aceitou. Por que não posso defender o meu plebiscito? Falo por parábolas: certa vez havia animais correndo de um fogo na floresta e um beija-flor trazia uma gota d’água no bico e ia tentar apagar o fogo. Faço a minha parte. Nosso país é conservador.
(Veja)

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lacroix. frança antigay
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Los detractores del matrimonio homosexual volvieron a tomar este domingo las calles de París en la primera manifestación multitudinaria convocada después de que el presidente de Francia, el socialista François Hollande, promulgara la ley que autoriza a personas del mismo sexo a casarse y a adoptar niños.

La tercera gran protesta de este tipo -en la que participaron 150.000 personas, según la policía, y “más de un millón”, según los organizadores- estuvo vigilada por 4.500 agentes, ante la radicalización de las últimas marchas contra la autorización de las bodas gays en Francia.

Durante la manifestación, una veintena de ultraderechistas ocuparon la sede del Partido Socialista, declaró un responsable de esa formación política. El portavoz del partido, David Assouline, declaró en el canal de televisión LCI que “una veintena de militantes de un grupúsculo de extrema derecha Generación Identitaria” pudieron “alcanzar las terrazas con escaleras”.

El líder de la oposición conservadora, Jean-Fançois Copé, estuvo en la manifestación y criticó las “inaceptables tentativas de presión y de intimidación” del primer ministro, Jean-Marc Ayrault, quien en la víspera había acusado a la UMP de contribuir a la “crispación y a la radicalización” al prestar su apoyo a los manifestantes. Copé, presidente de la UMP, ha prometido que, en caso de que su partido gane las elecciones presidenciales de 2017, celebrará un referéndum sobre esa ley, aprobada por la mayoría de izquierdas de la Asamblea Nacional y el Senado.

Philippe, un manifestante llegado de Biarritz (suroeste) y agarrado a una bandera vasca, explicó a Efe que espera “que un día haya un referéndum o que se retire antes la ley”. Pancartas, música y banderas marcaron el tono general de la protesta parisina, que en Francia se conoce como “manifestación para todos”, eslogan que se asemeja a quienes reivindicaban el “matrimonio para todos”.

“Hay que defender las cosas normales”


En el escenario, varios intervinientes subrayaron que no son ni homófobos ni de extrema derecha y, entre cánticos contra el Gobierno y contra Hollande, insistieron sobre el problema de filiación entre un menor adoptado y dos mujeres o dos hombres. “Queremos defender absolutamente la ley de la familia y la filiación, porque un niño es el resultado único de la unión entre un hombre y una mujer”, explicó a Efe Laure de Cotte, una manifestante que aseguró que la protesta no es homófoba pero que “hay que defender las cosas normales y no normalizar las que están fuera del circuito y son un poco contra natura”.

Aunque los manifestantes insisten en que ejercen un derecho constitucional y que pretenden seguir haciéndolo, un sondeo publicado hoy muestra que el 78% de los franceses creen que las manifestaciones deberían terminar, una vez promulgada la ley.

Entre tanto, el primer matrimonio homosexual ya se celebró el pasado 22 de mayo en Cayeux-sur-Mer (norte), en forma de validación oficial del contraído previamente en Bélgica por dos hombres, aunque se espera para el próximo miércoles el anunciado como primera ceremonia oficial, prevista en Montpellier (sureste). IN Público, Espanha

 

 

Daniela Mercury casou de novo. É o marido da jornalista Malu Verçosa

Daniel Mercury, que está em Portugal a trabalho, postou nesta quarta-feira, fotos românticas com seu novo par, a jornalista Malu Verçosa.

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E legendou: “Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar”.

Numa das fotos, a exibição das alianças na mão esquerda.

Malu Verçosa, famosa jornalista da Bahia
Malu Verçosa, famosa jornalista da Bahia
O namoro começou no sábado do carnaval deste ano.

En nombre contre le mariage homosexuel

por Dominique Quinio

lacroix.casamento

Les opposants au projet de loi ouvrant le mariage et l’adoption aux personnes homosexuelles se sont de nouveau mobilisés en nombre, dimanche 24 mars , dans les avenues parisiennes. Pourtant la date – le dimanche des Rameaux – et les incertitudes sur le lieu du rassemblement, connu très tardivement à la suite du refus de la préfecture d’ouvrir les Champs-Élysées, auraient pu dissuader certains de venir dans la capitale. L’Assemblée a voté le projet de loi ; le Sénat doit se pencher sur le texte à partir du 4 avril ; les opposants espèrent encore infléchir la position du gouvernement ou obtenir la tenue d’un référendum.

Tous les organisateurs n’ont sans doute pas en tête, aujourd’hui, une même stratégie. Certains veulent aller jusqu’au bout du combat, en trouvant de nouvelles formes de contestation, au risque d’un jusqu’au-boutisme stérile. Pour ceux qui sont politiquement engagés, il s’agit d’appuyer sur un levier qui met en difficulté le gouvernement actuel, déjà fragilisé par la situation économique et sociale.

Pour d’autres, il importe de capitaliser sur cette mobilisation réussie, pour limiter les effets de la loi, notamment sur des questions – pour l’instant repoussées mais qui pourraient resurgir – comme la procréation médicalement assistée ou la gestation pour autrui. Sans doute ont-ils également en tête les autres projets du gouvernement en matière de politique familiale. Ces responsables souhaitent que les personnes qui ont manifesté soient convaincues de ne pas l’avoir fait pour rien, et sachent que leur engagement a porté des fruits, plus modestes qu’espéré mais réels.

Les responsables politiques doivent entendre le message : d’ordinaire, les gouvernements craignent, quand ils avancent une réforme, une rébellion des organisations syndicales ou du monde enseignant, par exemple. Mais la « société civile » n’a guère l’habitude de faire peur et sa voix, en l’occurrence, n’a pas été écoutée avec sérieux, donnant à beaucoup le sentiment d’un déni de démocratie. Il est important que le gouvernement admette qu’a défilé, avenue de la Grande-Armée, un collectif représentatif d’une partie des Français, qu’il le considère avec respect et lui donne des signes tangibles de ce respect.

 Le non massif de la rue au « mariage pour tous

Le rassemblement contre le mariage pour homosexuel avenue de la Grande armée.
Le rassemblement contre le mariage pour homosexuel avenue de la Grande armée.

por Pascal Charrier et Emmanuelle Reju

Ils sont au premier rang, juste derrière une banderole scandant « Pour la filiation père-fils » tendue à l’extrémité de l’avenue de la Grande-Armée, à quelques dizaines de mètres du podium où vont se succéder les orateurs de la « manif pour tous ». Élisabeth et Jean-François Roche sont venus spécialement de Mandagout, leur village des Cévennes, pour dire hier à Paris leur opposition à la loi Taubira sur le « mariage pour tous ».

Ils ont passé la nuit dans un bus avec une trentaine d’autres Gardois pour débarquer dans la capitale à huit heures et demie du matin. « Quand nous sommes arrivés, nous étions seuls, il n’y avait que des policiers et des organisateurs », raconte la sexagénaire, un brin de rameau accroché à son anorak rouge.

 « C’EST BEAUCOUP PLUS BEAU PUISQUE C’EST INUTILE »

Ce couple d’hôteliers à la retraite s’est protégé du froid de cette fin de mois de mars en portant des tenues adaptées, souvenirs d’une croisière en Antarctique. Le 13 janvier, ils étaient déjà là pour manifester et le fait que le texte sur le mariage gay ait été adopté depuis à l’Assemblée nationale ne les a pas découragés de revenir.

« C’est beaucoup plus beau puisque c’est inutile », philosophe Élisabeth Roche. « Ce n’est pas de moi, c’est tiré de Cyrano de Bergerac, d’Edmond Rostand. On ne peut pas ne pas réagir. Je n’ai rien contre le mariage des homosexuels. Je pense qu’il fallait simplement aménager le pacs pour leur donner davantage de sécurité juridique. 

Maintenant, il faut continuer à se battre pour les enfants, pour qu’on ne fasse pas n’importe quoi avec la procréation médicalement assistée et la gestation pour autrui. On essaye de nous faire croire que tout le monde est d’accord. Mais il faut qu’on prouve que non et que les gens sont nombreux à penser comme nous. »

Dans leur dos, l’avenue de la Grande-Armée continue justement à se remplir. Plusieurs résidents du quartier ont aussi affiché leurs convictions à leurs fenêtres et balcons. « Non au gaystrémisme », proclame une banderole. On peut aussi lire sur les façades : « On veut du boulot, pas du mariage homo » ou « Touche pas au mariage, occupe-toi du chômage ».

Dans les haut-parleurs installés le long des 5 kilomètres du parcours, résonnent des « Taubira, t’es foutue, les familles sont dans la rue », suivis de : « Ne lâchez rien ! » Bientôt, la foule remplit l’espace de la place de l’Étoile à la Porte Maillot, où Joseph Gué attend des amis. Ce lycéen de Tournon-sur-Rhône (Ardèche) était, lui aussi, déjà dans le cortège en janvier. Il dit qu’il ne sait pas si cette nouvelle mobilisation va faire fléchir le gouvernement. « Mais c’est important de manifester, c’est même un devoir », assure l’élève de terminale S.

Un peu plus loin, les manifestants continuent d’affluer, en provenance des différents points de rassemblement prévus par les organisateurs. Venu de Meaux (Seine-et-Marne), Patrick Molin est arrivé par la porte de Champerret avec son épouse, Marie, et leurs cinq enfants, âgés de 1 à 7 ans. Pour l’instant, ils marchent sur l’avenue Charles-de-Gaulle, qui relie Paris à la Défense, via Neuilly.

Il y a peu de chances qu’ils puissent s’approcher du podium. « Tant mieux, se félicite le père de famille. Cela veut dire que l’on est nombreux. » Des grands écrans ont été justement installés à intervalles réguliers pour que tous puissent assister, même de loin, aux prises de parole programmées pour ce meeting géant.

 « LA FAMILLE EST TELLEMENT ATTAQUÉE ! »

Le couple de trentenaires avait également déjà battu le pavé le 13 janvier à Paris. « Nous étions aussi là en novembre, nos enfants nous poussent à venir, parce qu’ils sont concernés, reprend Patrick Molin, qui est cadre dans le secteur du bâtiment. Et nous sommes prêts à revenir autant de fois qu’il faudra si c’est nécessaire, sur le sujet du mariage homosexuel ou sur d’autres. La famille est tellement attaquée ! C’est un combat de société que nous menons. Les gens qui nous gouvernent sont sourds. » Mais lui ne croit pas à la solution du référendum : « On ne juge pas de questions d’éthique comme cela. »

Pendant ce temps, des représentants des différentes associations organisatrices du rassemblement s’apprêtent à prendre la parole, y compris des homosexuels comme des membres du collectif « Homovox », qui s’opposent aussi à la loi Taubira. C’est le cas de Caroline, en couple avec une autre femme depuis six ans. Pour elle, c’est une évidence : « Un enfant a droit à un père et à une mère ». Elle-même explique avoir travaillé dans le domaine de la petite enfance pour trouver une autre manière d’exprimer sa « fécondité » plutôt que de revendiquer un droit d’avoir un enfant.

« Il est évident que je ne pourrais pas lui donner le meilleur », ajoute-t-elle. Maire de Chasselas, en Bourgogne, et homosexuel, Jean-Marc Veyron La Croix veut aussi répéter que cette « loi n’est pas un cadeau pour les homosexuels ».

JURISTES ET AVOCATS

Alors que la foule grossit encore, Henri Joyeux, président de Familles de France, en est convaincu : « Je vous l’annonce tout net : François Hollande va reculer. La solution, c’est de faire un référendum et il va remonter immédiatement de 10 points dans les sondages. S’il résiste, il va affronter une troisième manifestation », veut-il croire. Des juristes, avocats ou professeurs d’université, ont aussi rejoint les manifestants pour dénoncer les contradictions d’un texte qui s’oppose, selon eux, au discours général des magistrats et des éducateurs, attachés aux liens entre l’enfant et ses parents.

ELUS

Un certain nombre de politiques ont également fait le déplacement, à l’image d’Hervé Mariton. « Il est grave de diviser les Français dans un contexte de crise », plaide le député UMP de la Drôme, qui se projette dans l’avenir. Pour lui, la majorité des Français reste défavorable à l’adoption d’enfant par des couples de même sexe.

« Les choses ne sont pas terminées au plan parlementaire, le débat se poursuit, insiste-t-il. Au-delà de la loi Taubira, la mobilisation collective doit continuer. Le mouvement s’étendra et se prolongera, pour défendre la famille. La mobilisation d’aujourd’hui est en tout cas un démenti évident vis-à-vis de ceux qui pensaient que le mouvement était terminé. »

ENTRE 300 000 ET 1,4 MILLION DE PERSONNES

Les organisateurs de la « manif pour tous » ont revendiqué la présence de 1,4 million de personnes, soit plus qu’en janvier, où ils avançaient le chiffre de 1 million, contre 340 000 selon la police qui, cette fois, avance une première estimation de 300 000 manifestants. Des débordements ont eu lieu du côté de la place de l’Étoile, qui était interdite d’accès aux manifestants, tout comme les Champs-Élysées, sur décision de la préfecture de Paris.

« La France déborde », a estimé Frigide Barjot, l’une des porte-parole du mouvement, alors que les organisateurs ont plusieurs fois appelé au calme et au respect de la légalité. Les forces de l’ordre ont tiré des gaz lacrymogènes pour repousser quelques centaines de personnes qui ont tenté de franchir les barrages installés. Quelques-unes ont été interpellées.

La militancia lgbtt. Orgullo monstruo

La española Beatriz Preciado acuñó el concepto de “multitudes queer”, un modo político de enfrentarse desde lo raro y lo variado a lo que se supone que es normal. Qué relación tiene esta multitud de muchxs y distintxs con la historia de la militancia lgbtti y qué aporta a la humanidad.

orgulho LGTB gay indignados

Por Vero Marzano y Sonia Gonorazky

Durante mucho tiempo los grupos lgtbi se construyeron a partir del autorreconocimiento de sus integrantes como sujetos alienados, minorías expuestas a la arbitrariedad de “no tener derechos” reconocidos socialmente. Como pidiendo permiso, reclamaron y reclaman integrarse (y ser integradxs) a la mundanidad bien vista de la normalidad.

En los años ’80, y en consonancia con muchos otros movimientos sociales, empezó a cobrar fuerza otra modalidad de situarse en el mundo, la forma queer, que irrumpe en la arena política con posiciones fuertes, invirtiendo el sentido del estigma y celebrando las variaciones más que la variedad. Quizá pueda verse a las multitudes queer ponerse en evidencia dentro de las marchas del orgullo y de las contramarchas, de los cientos de grupos de dos, de cinco activistas que se arman, se desarman, se rearman, de las intervenciones en el espacio público, de los pasquines que circulan callejera y cibernéticamente o en esos “raros” discursos que intervienen esporádicamente la hegemonía mediática.

Múltiples en sus expresiones y discursos, lxs sujetxs de las multitudes queer no buscan uniformidad de criterios, ni unidad en la diferencia: son muchxs y distintxs; no sostienen demandas efectistas y lineales, fácilmente traducibles en slogans y titulares, sino más bien cuestionamientos, indagaciones, preguntas incómodas, pero ¡atenti!, comparten ciertas bases sólidas, por ejemplo, las luchas contra las imposiciones de la normalidad entendida como congruencia sexo/género/estereotipo y contra los atropellos de la heterosexualidad y el racismo como regímenes de opresión.

Preciado nos advierte sobre dos posibles lecturas erróneas pero frecuentes de “lo queer”. Por un lado, la que propende a la segregación del espacio político convirtiendo a las MQ en una reserva de transgresión y “la potencia política de los anormales en una óptica de progreso”. Y por otro lado, la que entiende que las estrategias de las MQ se oponen a las estrategias identitarias (o proponen una nueva, la queer), tomando la multitud como una acumulación de individuos soberanos e iguales ante la ley, sexualmente irreductibles, propietarios de sus cuerpos y que reivindicarían su derecho inalienable al placer. Esta interpretación silencia los privilegios de la mayoría y de la normalidad (hetero)sexual, que no se reconoce como identidad dominante.

“Cuerpos transgéneros, hombres sin pene, bolleras lobo, ciborgs, femmes butchs, maricas lesbianas…” Para Preciado el sujeto de la política queer es la multitud sexual. Propone abandonar conceptos marcados por la debilidad como “diferencia sexual”, “minorías” y todos los esencialismos de las políticas feministas y homosexuales. Lo que está en juego, indica, es cómo resistir o reconvertir las formas de subjetivación sexopolíticas de una modernidad que, a pesar de su persistencia, quedó atrás hace varios lustros.

Ni hombres ni mujeres, ni hétero ni homosexuales, las MQ se reivindican y actúan dentro de la “anormalidad” que les atribuye la sociedad. Lejos de la patologización y el miedo, engordan (o aumentan) ese alejamiento de las normas y las convenciones y lo convierten en “monstruosidad”. Una monstruosidad gozosa y provocativa, llena de potencia, que cuestiona los binarismos clásicos y tranquilizadores de la sexología y otros discursos modernos.

¿Qué piensan las MQ concretamente? Reconocen que en la visibilidad existe resistencia, protección y posibilidad. También que permanecer demasiado tiempo al amparo de una categoría produce efectos anquilosantes. Proponen moverse para resistir los efectos de la política de nombrar, etiquetar, encasillar y diferenciar para entonces jerarquizar, discriminando. Eso es la biopolítica, artimaña que invisibiliza, bajo consignas “igualitarias”, puntos de vista de un sujeto que —irónicamente o no— es siempre blanco, hétero, varón, propietario.

Las tecnologías 3D

Las MQ proponen principalmente tres banderas para su programa. Se trata de acciones o enfoques francamente deconstructivos, que parten de lecturas intencionadas de Foucault, Wittig, Derrida, De Lauretis, Hardt y Negri, y otrxs, y que decidimos llamar, polisémicamente, “el enfoque 3D”. Estas son:

l Des-identificarse de las categorías hegemónicas. Lesbianas que no son mujeres, putos que no son hombres, trans que no son hombres ni mujeres, etc. permiten cuestionar a los sujetos políticos clásicos y, al mismo tiempo, producir prácticas hiperidentitarias que los parodian y debilitan.

l Des-ontologizar el sujeto de la política sexual, repensando cuáles son esos sujetos sin considerar nada como evidente. Ejemplo de este proceso es el cuestionamiento, por parte de las lesbianas negras, chicanas y marimachas, al sujeto dominante de la teoría feminista standard (mujer, femenino, blanco y heterosexual).

l Des-territorializar la heterosexualidad. La emergencia de los cuerpos que encarnan las MQ en los espacios individuales tanto como en los urbanos supone una resistencia activa a los procesos de “llegar a ser normal” y detona inevitablemente la metamorfosis de la heterosexualidad. Sí: leíste bien. Cambios dentro del propio régimen político que constituye la matriz hétero, produciendo infinidad de opciones legítimas.

Y por casa, ¿cómo andamos?

En Argentina, legislaciones como el matrimonio igualitario y la Ley de Identidad de Género pueden atemorizar o generar desconfianza frente al riesgo de que conduzcan —intencionadamente o no— a las trampas de un sistema republicano universalizador que, lejos de cuestionarse a sí mismo, se reafirma asimilando bolsones de sujetxs hasta hoy en los márgenes, pero ahora necesarixs para expandir sus fronteras y mantener su hegemonía. Así, desde una lectura ingenua y lineal podríamos decir que las recientes leyes, en lugar de des-identificar, identifican; en lugar de des-ontologizar, ontologizan y en lugar des-territorializar, territorializan.

Pero si consideramos las advertencias de no caer en poses transgresoras que sólo pueden sostenerse en las políticas de mercado o invisibilizando los privilegios heterosexuales, decididamente apostamos a la potencia que conllevan los cuerpos de las MQ como “horadadores” de todas las seguridades sexopolíticas por el solo hecho de hacer uso de las instituciones hegemónicas. Aun cuando la única ilusión que persigan legítimamente los sujetos individualmente sea la ilusión de la “normalidad”.

De ese modo los usos de la ley de identidad de género recientemente sancionada nos permite reapropiarnos de las tecnologías del género estatales y reconvertir las formas heterosexuales de varón y mujer y sus relaciones de poder, encarnándolas monstruosamente: en Argentina hoy bien se puede ser varón sin pene, mujer sin concha, y todas las variantes que la imaginación nos permita, aun cuando quienes mayoritariamente hagan uso de la ley sólo busquen ser “lo más normales que sea posible”. Y esto definitivamente cambia el panorama de la política sexual. Porque lo que importa es la invención de nuevos imaginarios, el corrimiento de los límites, el traspaso de ciertas fronteras para todxs y para cada unx. Porque lo que buscamos es desterritorializar la heterosexualidad que como régimen domina el escenario político y social en el que nos movemos. Y porque finalmente “la sexopolítica no es sólo un lugar de poder, sino sobre todo un espacio de creación”.

En síntesis, las políticas de las MQ se oponen a las instituciones tradicionales soberanas y universalmente representativas. Justamente porque sus estrategias inauguran procesos de metamorfosis del espacio urbano, del conjunto social y de los sujetos políticos corrientes, inyectando en su seno monstruosidades queer que se meten por los orificios de la heterosexualidad y dan como resultado otros sujetos, que quizás aún no tengan un lenguaje propio. Construir ese lenguaje es tal vez un desafío similar al de Wittig en El cuerpo lesbiano y podría ser, por qué no, una de las próximas luchas.