Empetur paga caro para fazer um carnaval sem a cara de Pernambuco

Caboclinhos
Caboclinhos

Desculpem o trocadilho. Ninguém sabe quanto as prefeituras e o governo do Estado investem no nosso autêntico Carnaval, realizado por clubes e troças e grupos folclóricos que divulgam o frevo, o maracatu, a ciranda, o coco, os caboclinhos, entre outros ritmos.

Jamildo Melo denuncia: Entenda porquê artistas nacionais vão às lágrimas, como Fafá de Belém, ao falar do Carnaval de Pernambuco

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Acrescenta Jamildo: “No Carnaval de Pernambuco, a Empetur está dando uma força para as bandas de fora para que toquem no interior. Os gastos parciais foram compilados com base no Diário Oficial de Pernambuco e a relação dos principais contratos. Curiosamente, o Maestro Spok, homenageado do Carnaval do Recife, só recebeu um contrato para tocar fora do Recife. O seu cachê de apenas R$ 35 mil é mais barato que o show de Waleska Popusuda no Baile dos Artistas”.

Essa gente vai descaracterizar o Carnaval interiorano. Que as cidades têm seus carnavais típicos, como Nazaré da Mata com o Maracatu Rural, Bezerros com os Papangus, Pesqueira com o Carnaval dos Caiporas, Triunfo com o Carnaval dos Caretas.

 

Maracatu Rural
Maracatu Rural
Caiporas, foto de Ricardo Moura
Caiporas, foto de Ricardo Moura
Papangus
Papangus
Caretas
Caretas

A variedade de ritmos, de manifestações carnavalescas representa uma diversidade que enriquece nossa Cultura. Basta o exemplo de que o Carnaval do Recife é totalmente diferente do Carnaval de Olinda.

Os shows patrocinados pela Empetur visam uma unicidade que corrompe em todos os sentidos do termo. Corrompe o comportamento do povo, nossos costumes, marginalizam os grupos folclóricos, principais responsáveis pela autenticidade do Carnaval pernambucano, festa do povo, feita realizada e patrocinada pelo povo, que o dinheiro dos governos estadual e municipais o rei Momo não sabe bem o destino.

 

 

 

 

Escreve Moacir Japiassu

Moacir Japiassu2

 

Chance & risco
Chamada de capa do UOL:

Estocar água
eleva chance de
afogamento
infantil em casa

Janistraquis só não deu risada porque o assunto é sério:

“Para o redator do UOL, se você encher um balde grande e não providenciar cerca de proteção, terá boa chance, ou seja, terá ótimas possibilidades de ver um filho morto. Note bem: o comprador do balde não corre o risco de afogar a criança, só aumenta a chance da tragédia… Pois se eu fosse diretor do UOL, o responsável pela chamada seria escalado para cobrir baile gay na terça-feira de Carnaval!!!”

 

Céu e inferno

Por sugestão do considerado Elio Gaspari em sua coluna, Janistraquis visitou o endereço do YouTube abaixo reproduzido e adorou a “campanha eleitoral” de Maviael Melo, compositor, poeta, cantador e cordelista pernambucano.

 

Samba-enredo

Mais uma do nosso Roldão, em carta publicada na Folha de quinta-feira, 12/2:

Um fantástico patrimônio cultural brasileiro –a música de Carnaval– vem sendo desprezado. Explico: as músicas de Carnaval, com harmonia e melodia, acabaram. Há mais de 50 anos, só existe o samba-enredo, que é uma batucada, uma marcha acelerada para apressar o desfile.

 

(Transcrevi trechos. Leia mais)

SÓ TROCARAM AS MOSCAS

por Gilberto Prado

 

Amarildo
Amarildo

Wesley Safadão, Nando Reis, Jota Quest, O Rappa, Del Rey e Tiesto, contratados para o Carnaval do Marco Zero. Só pergunto. Esse pessoal tem alguma identidade com o evento? Será que o Recife trocou “seis por meia-dúzia”, substituindo os Joãos (Paulo e da Costa) pelo atual prefeito? Como é triste ser enganado. O “monturo é o mesmo”.

 

 

 

Prostitutas da Copa Brasil 2014

A prostituição está rolando nesta Copa 2014. Na da Alemanha, denunciaram a presença de 95 mil prostitutas brasileiras.

O pior é que existe a prostituição infantil. O Brasil tem, oficialmente, para a Polícia Federal e Unesco, 250 mil crianças de 8 a 12/13 anos trabalhando sexualmente. As ONGs contam 500 mil.

Escreve a Folha de S. Paulo: A alta demanda ‘sob lençóis’ leva São Paulo a importar garotas.

Divulga a Globo: Jornal inglês destaca prostituição na Copa do Mundo.

Internacionalmente, a brasileira passou a ser sinônimo de puta. Isso se deve, inclusive, com a propaganda do Carnaval tipo Globeleza.

Para completar, aparece Huck como duvidosa promoção que deveria ser investigada pela Polícia Federal:

Huck

 

 

Os movimentos sociais, notadamente os feministas, contra os traficantes (que a Folha chama de ‘importadores’, os proxenetas, os gigolôs, os alcoviteiros.

Veja um exemplo: o corajoso testemunhal da estudante de direito Maria Bubna, líder feminista: “Tá difícil (pra cacete, diga-se de passagem) vibrar amor e calma no Rio de Janeiro de Copa do Mundo.

É exploração sexual, gringo assediando e agredindo mulher, brasileiro seguindo a onda e sendo (ainda mais) machista, nacionalismo barato…”

O Carnaval mais sujo da história do Rio de Janeiro

Os garis unidos contra o Sindicato submisso
Os garis unidos contra o Sindicato submisso
 
O Rio de Janeiro teve o Carnaval mais sujo de sua história. Sujeira do prefeito que mandou demitir 300 garis. Sujeira do Sindicato que traiu a classe. Sujeira da Polícia Militar e guardas municipais que bateram nos grevistas.
Prais do Leblon, hoje no Rio. (Foto: Renata Soares/G1)
Praia do Leblon, hoje no Rio. (Foto: Renata Soares/G1)
 A resposta dos garis, que decidiram escapar do mando da pelegada do Sincato, foi que o prefeito Eduardo Paes fosse varrer as ruas. Os lá de cima da Prefeitura não são de pegar no pesado. E sim noutras coisas. E o Rio foi uma sujeira só desde sábado de Carnaval. 
 

Por decisão do prefeito Eduardo Paes, escoltas armadas estão acompanhando todos os caminhões da Comlurb para garantir a coleta. Para  Paes, a maioria dos garis compareceu ao trabalho durante o carnaval, mas foi impedida de trabalhar por “delinquentes”, inclusive grupos armados. Isso não é verdade.

Os garis realizaram vários protestos. A polícia de Sérgio Cabral jogou bombas de gás lacrimogêneo e atirou com balas de borracha. Os líderes grevistas foram presos. 

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Ato contra demissão garis

Paes também disse que vai suspender a todas as demissões para os garis que retornarem ao trabalho. Derrotado, prometeu atender todas as reivindicações dos garis: uma alta salarial para R$ 1.200, o pagamento de horas extras e outros benefícios. 

salário gari

garis título adv ativistas
 
████████████████ Brasil realmente tem vivido tempos interessantes. Com a mais pura estratégia, garis paralisaram seus trabalhos durante o Carnaval no Rio de Janeiro, período de maior atenção e turismo na Cidade Maravilhosa. Ao parar, a Cidade fedeu, os lixos acumularam e o debate sobre a greve acendeu.

Direito a greve é mais do que uma garantia inscrita na Constituição Federal. Ao parar a exploração de seu trabalho, clama-se pelo reconhecimento da importância da função e acontraprestação oferecida. É um ativismo político dos mais sangrados, mas que, ainda hoje, oferece resistência e grandes resultados.

“Garis não são diplomados” – dirá a pessoa contra o aumento de salários. Para essa pessoa, a desigualdade é algo tão natural quanto o nascer do sol, e não imposto pelo sistema econômico. Além disso, menospreza-se o valor do trabalho pela ausência de diploma, como se a graduação fosse indicativo de nobreza, na pura tradução do pensamento aristocrático. Típico sintoma da alienação intelectual, onde acredita-se que o trabalho material não exige conhecimento, enquanto o trabalho intelectual é responsável unicamente pela criação de toda sabedoria, e portanto, merece a maior das remunerações. 

Argumenta-se ainda que os “Garis foram chantagistas”, ao escolher a fatídica época para interromperem a função. Ora, greve nada mais é do que parar as atividades para atrapalhar o funcionamento da máquina, tudo para forçar o debate sobre a valorização da função.

Infelizmente, no caso dos garis, em razão do elo fraco no cabo de guerra, os grevistas foram demitidos, numa clara demonstração de arbítrio e falta de diálogo. Hoje, funcionários intimidados pela demissão foram trabalhar, sob o protesto dos grevistas. Além disso, o Tribunal Regional do Trabalho julgou a greve ilegal. Ao que parece, a Greve não é permitida no carnaval da Democracia brasileira.

 
 

a polícia veio e acabou com a festa

Foto Alex Almeida
Foto Alex Almeida
eu morava perto da favela da serra, em beagá – uma vez, numas férias de janeiro, lá pelos anos oitenta, as crianças arranjaram latas, umas duzentas, vestiram-se com jornais, passaram batom, as meninas com a barriga de fora, e saíram num samba lascado, ao modo deles… um desfile antes do carnaval!
batucavam, dançavam, umas alas bem organizadas, era lindo! toda tarde apareciam, sempre mais gente…

não durou uma semana! os vizinhos telefonaram, atentaram a polícia – ela veio e acabou com a festa!!!

permitir que crianças se organizem é um perigo!!!

As populações excluídas das festas oficiais de rua patrocinadas pela mordomia dos prefeitos e governadores

A vida luxuosa das autoridades brasileiras precisa ser investigada. As mordomias são perdulárias, escandalosas e imorais. Acontece de tudo em um camarote do prefeito, do governador, em noites alegres, regadas a uísque importado, nas festas natalinas, de réveillon, de carnaval, de carnaval fora de época, de santo padroeiro e shows das cantoras de tv e artistas internacionais. Tudo pago, com verbas públicas de diferentes origens: turismo, cultura e casa civil. Ou bancadas por empresas.

Nas festas do povo, os camarotes das autoridades, dos empresários e industriais constituem uma ostentação, um afastamento das multidões. Os camarotes são construídos nas alturas com todo os serviços de uma suíte presidencial em um motel de cinco estrelas das elites depravadas, racistas, que têm nojo do cheiro do povo.

No Brasil, começou com as festas dos colonos. Foi assim que nasceu o termo forró (for all). Festa para todos, e uma festa exclusiva para os estrangeiros e as elites nativas.

Os camarotes são fortins defendidos  por policias, empresas de segurança, leões de chácara que evitam a entrada da ralé.

Esta separação nas festas demonstra que vigora um sistema de castas de sangue e dos altos poderes, uma exclusão baseada no cargo, na profissão, no dinheiro.  Um estilo de vida que inclui um status ritual numa hierarquia, exclusões sociais que determinam inclusive a arquitetura das cidades, as leis, as benesses estatais, que nada se faz que preste para o povo. Veja que este sistema de divisão vai passar a vigorar nos camarotes construídos nos novos coliseus/estádios da Copa do Mundo.

O Carnaval sempre foi, na história da humanidade, uma catarse, uma inversão, por uma dia, ou três dias, quando todos são iguais, com a entrega do mando para o Rei Momo. O que não acontece nos camarotes.

A única inversão possível é que um camarote constitui um gueto fechado por dentro, um jardim dos vícios capitais, dos dias “gordos” (mardi gras), do  “carnis valles”. A única coisa proibida: fotografar ou filmar.

CARNAVAL 2014 Defensoria Pública da Bahia entrou com Ação Civil Pública contra Camarote Salvador

camarote

por André Luiz Rorigues/ Consultor Jurídico

A Defensoria Pública da União da Bahia entrou com Ação Civil Pública, pedindo o embargo e a supressão da estrutura já montada do Camarote Salvador, na área da Praça de Ondina, no final do circuito Dodô, famoso no carnaval baiano. A ação foi apresentada na sexta-feira (10/2). A entidade reclama de possíveis irregularidades no processo de licitação e no contrato, realizado ao final de 2010, entre a empresa Premium e a Superintendência de Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), autarquia municipal. As informações são do jornal A Tarde Online.

Segundo o defensor federal João Paulo Lordelo, “dos 9.837 m² licitados pela municipalidade, cerca de 65% da área são de propriedade da União, o que revela a manifesta incompetência administrativa da Sucom em licitar e o vício no objeto do certame”.

Ele conta que em fevereiro de 2011, a Secretaria de Patrimônio da União realizou vistoria no local e identificou a construção e a instalação de equipamentos em terrenos da União. A inspeção resultou em um auto de infração, que foi cancelado administrativamente dias depois. “A empresa requereu permissão de uso temporário da área da União irregularmente licitada, de forma que a SPU considerasse o terreno como se fosse de titularidade do município de Salvador. A SPU, sem realizar qualquer tipo de licitação, concedeu a permissão de uso para o Carnaval de 2011”.

A empresa pagou R$ 1 milhão à prefeitura de Salvador para erguer o camarote na praça e se comprometeu a realizar benfeitorias no local. A praça foi entregue em agosto de 2011, com novo calçamento, barracas e estruturas removíveis, de forma a facilitar a montagem do camarote pelo período de cinco anos firmados no acordo.

De acordo com a Secretaria, “há dois meses, um termo precário foi assinado entre a Sucom e a produtora autorizando o início da montagem do empreendimento para este ano. Novamente a SPU permitiu o uso do espaço da União para a instalação das estruturas durante os festejos, que já se iniciam na próxima quinta-feira (16). Os valores comercializados pelas camisas que dão direito a um dia de festa variam entre R$ 600 e R$ 1,5 mil reais, a depender do dia escolhido”.

Em nota, a KRP Relações Públicas, que representa a Premium Produções, alega que a Defensoria Pública da União da Bahia não tem “legitimidade” para propor ação civil pública com requerimento de liminar contra o funcionamento do camarote.

No último 14 de janeiro, cerca de mil manifestantes do movimento Desocupa Salvador promoveram uma manifestação em frente ao camarote para protestar contra o que chamam de privatização do espaço público. O ato foi realizado mesmo depois da juíza Lisbete Maria Almeida, da 7ª Vara da Fazenda Pública, conceder liminar a Premium Produções, Criações Artísticas e Eventos Ltda., proibindo a manifestação.

“Depois de sofrer ameaças de depredação da parte de líderes de um movimento cujo discurso é de violência, com o objetivo de assegurar a festa, que é da Bahia e do Brasil, o Camarote precisou recorrer à Justiça, que impediu sua a invasão. Faltando menos de cinco dias para a realização da maior festa popular do Mundo, o Camarote Salvador foi surpreendido com a tentativa de obstruir o evento. Os mesmos líderes que tentaram constranger o Camarote com uma invasão inexplicável requereram à Defensoria Pública da União que ajuizasse ação para frustrar o Carnaval”, disse a empresa na nota.

Leia abaixo a íntegra da nota:

O Camarote Salvador é um dos mais estruturados empreendimentos do Carnaval da Bahia, e é responsável por atrair para a festa, ano a ano, milhares de pessoas, divulgando o nosso Estado em todo o Mundo e contribuindo para o incremento de emprego e de renda em nossa terra. Em 2011, o Camarote Salvador venceu licitação pública para se fazer instalar num espaço até então degradado, onde proliferava o crime, no bairro de Ondina. Em razão dessa licitação, o Camarote Salvador não somente edificou uma praça para uso da população, com aparelhos modernos, de que outras praças não dispõem, mas também assumiu o pagamento de R$ 1.000.000,00 em favor do patrimônio público.

No total, somente nessa licitação pública, o Camarote Salvador arcou com cerca de R$ 3.000.000,00 para promover o Carnaval da Bahia. Ao mesmo tempo, procedendo dentro da legalidade estrita, com atenção e zelo ao interesse público, a Premium obteve da Superintendência do Patrimônio da União – SPU, órgão federal, permissão para uso da área de marinha para o Carnaval. Para tanto, já remunerou a União com aproximadamente R$ 250.000,00.

Depois de sofrer ameaças de depredação da parte de líderes de um movimento cujo discurso é de violência, com o objetivo de assegurar a festa, que é da Bahia e do Brasil, o Camarote precisou recorrer à Justiça, que impediu sua a invasão. Faltando menos de cinco dias para a realização da maior festa popular do Mundo, o Camarote Salvador foi surpreendido com a tentativa de obstruir o evento. Os mesmos líderes que tentaram constranger o Camarote com uma invasão inexplicável requereram à Defensoria Pública da União que ajuizasse ação para frustrar o Carnaval.

Contra as manifestações anteriores do Ministério Público da União, do Ministério Público do Estado, das instituições públicas responsáveis e da própria Defensoria Pública da União, o defensor João Paulo Lordelo decidiu, sem legitimidade para tanto, propor ação civil pública com requerimento de liminar contra a realização do Camarote e do Carnaval da Bahia.

O Camarote Salvador lamenta que, um dia apenas depois de encerrada a greve na segurança pública do Estado, por má intenção se queira trazer tumulto e incerteza contra os milhares de turistas que escolheram a Bahia como destino no Carnaval. Expressando a sua confiança no Poder Judiciário e nas instituições constituídas, o Camarote Salvador se associa às inúmeras manifestações da sociedade contra esta ação temerária, proposta com o intuito de depreciar, de violentar e de boicotar uma festa que é de todos.

P.S.: As interações sociais consuetundinárias e exclusão baseada em noções culturais de pureza e poluição, motivaram em uma mesma cidade vários polos de festas. Os camarotes do governador e do prefeito são armados no local destinado aos turistas. Nas festas mais afastadas nos bairros das periferias ou considerados da classe média baixa (que cruel classificação), o divertimento dos que reconhecem seu lugar: os negros, os bolsa-família, os favelados, os de sangue sujo, os zés-ninguém, os plebeus.

Importante assinalar que as festas populares mais autênticas, mais representativas da nossa Cultura, mas paradoxal que seja, são as que não entram nenhum dinheiro público.

Festas realizadas pelo povo, que mantém nossas tradições e, vivo, o nosso rico folclore.