Moacir Japiassu escreveu uma obra prima sobre o golpe de 64: o romance Quando Alegre Partiste

Moacir Japiassu
Moacir Japiassu

Como jornalista, você esperava que a ditadura brasileira durasse mais de duas décadas? E, em sua opinião, os jornalistas e veículos de comunicação tiveram grande participação na derrocada do regime?

Imaginei que aquilo durasse pouco tempo. Tudo no Brasil é passageiro, menos o cobrador e o motorneiro, como se dizia antigamente. Os militares queriam dar o golpe desde 1945, com a deposição de Getúlio Vargas; não foi possível, então prepararam outra ação quando Getúlio se matou; também não deu. Houve tentativas outras, como o episódio de novembro de 1955, quando o general Lott garantiu a posse de Juscelino, mas somente em 1964 é que conseguiram, finalmente, tomar o poder.

Como você avalia a relação da mídia com os ditadores?

Apareceram os “líderes civis” daquela cretinice, como Magalhães Pinto, governador de Minas, e Carlos Lacerda, governador do Rio, mais um eito de generais, os “líderes militares”. Achei que era muita gente a mandar, a “revolução” não iria muito longe. Do ponto de vista histórico, não foi muito longe mesmo; porém, viver aquela desgraça por 21 anos foi uma das maiores perdas de tempo já verificadas neste país. Convém não esquecer que a chamada grande imprensa apoiou o golpe de 1964; depois, com seus interesses contrariados, começou a fazer oposição. O próprio Correio da Manhã, que havia publicado dois terríveis editoriais contra João Goulart, intitulados Basta! e Fora!, logo se arrependeu e partiu para o ataque aos militares, com seu cronista Carlos Heitor Cony na linha de frente.

Transcrevi trechos. Entrevista concedida a Anderson Scardoelli in comunique-se com.

Moacir Japiassu escreveu um clássico da literatura brasileira: “Quando Alegre Partiste – Melodrama de um delirante golpe militar”. Tem como cenário a Cidade do Rio Janeiro, antes e depois da queda de Jango. Idem Belo Horizonte. E as redações dos jornais do Rio nos dias 31 de março, e primeira semana da abril de 1964. Um romance gostoso de ler. Um documento único para conhecer a História do Brasil, do Jornalismo, da Cidade do Rio de Janeiro, a poesia de Jorge de Lima, a cultura, o comportamento e os costumes do povo brasileiro.