A política a ferver sobre uma mina de ferro

Parauapebas, nos confins da floresta tropical do Pará, nasceu de uma mina de ferro há menos de 50 anos e tornou-se a cidade que mais cresce e mais exporta do Brasil. Com o seu ar de cidade de corrida ao ouro, é um espelho do potencial e dos desafios do Brasil moderno. Hoje, é tão grande e tão rica que nenhuma campanha política a pode dispensar.

Ferro Carajás, a maior mina de ferro em exploração no planeta LUNAE PARRACHO/REUTERS
Ferro Carajás, a maior mina de ferro em exploração no planeta LUNAE PARRACHO/REUTERS


por Manuel Carvalho/ Público/ Portugal


Bairro do Sol Poente, Parauapebas, pouco depois das 19h00 da tarde abafada e húmida de sábado (23h00 em Portugal). Os militantes do candidato a deputado estadual Coutinho começam a juntar-se na frente do palco onde a coligação liderada pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) vai fazer o seu comício. Pouco depois, vem a ala dos Democratas empunhando cartazes e bandeiras de Marcelo Catalão, um filho de fazendeiro rico com ar de estrela de novela. Pouco mais tarde, a militância do PT chega para fazer ouvir os nomes dos seus candidatos, Elienle e Milton Zimmer. As bandeiras do candidato evangélico Pastor Ramiro, do DEM (Democratas), num azul-turquesa-forte, já lá estão a aumentar o colorido. Quando a falange de Chico das Cortinas, candidato do Partido Humanista da Solidariedade, se faz ouvir, a rua comercial está já composta e o comício pode iniciar-se com a repetição vezes sem conta dos dois hinos de campanha do candidato a governador que se apresenta com o número 15, Hélder Barbalho.

Um comício com aquele aparato e dignidade, com a presença de candidatos a deputado federal, a senador e até com um nome forte da política do Pará que corre pelo governo do Estado seria improvável em Parauapebas há apenas 20 anos. Nessa época, a cidade tinha 53 mil habitantes, era apenas um projecto de futuro encaixado num recanto da floresta tropical que vem desde o Amazonas. Agora, de acordo com os censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conta com 183 mil, embora os cálculos da autarquia admitam que possa chegar aos 300 mil. O segredo desta explosão demográfica está no ferro. Mais precisamente em 105 milhões de toneladas de ferro por ano. Atraídos pela riqueza da maior mina deste minério em exploração no planeta, todos os dias chegam pessoas de todo o Brasil à procura de uma oportunidade.

Parauapebas (Pebas, para os locais), a 700 quilómetros da capital do Pará, Belém, faz lembrar as cidades do ouro dos westerns americanos. Nasceu há menos de 40 anos, nas margens do rio que lhe dá o nome – na língua tupi-guarani significa “rio de águas rasas”. Fica nas faldas da serra dos Carajás, perto das zonas remotas onde nos anos 70 a Guerrilha do Araguaia tentava combater a ditadura militar. Nos limites do município encontram-se as terras indígenas dos kayapó xicrin, que por acreditarem no poder da audição e da palavra perfuram as orelhas e os lábios das suas crianças. Entre os seus habitantes, poucos são naturais. No edifício dos promotores de Justiça, o auxiliar Cléber Fernandes conta os trabalhadores um a um e constata que, das 17 pessoas que lá trabalham, todas são emigrantes. Parauapebas é a cidade acima dos 100 mil habitantes que mais cresce no Brasil.

É também a que mais exporta. O minério, que sai daqui numa viagem de comboio por uma linha de mais de 800 quilómetros construída especialmente pela Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, até ao terminal de Ponta da Madeira, em São Luís do Maranhão, rendeu no ano passado mais de sete mil milhões de euros em exportações. Um valor que supera o registado na capital da economia brasileira, São Paulo. E que é superior ao produto interno bruto de estados brasileiros como Acre, Roraima ou o vizinho Tocantins.

Quando chegou à cidade no autocarro que, pela madrugada, veio desde Marabá, a uns 200 km de distância, Marilda Sousa, de 70 anos, exclamou alto para que todos a ouvissem que ela era do tempo “em que tudo isso aí era mato”. Irineu Manuel, um taxista, chegou a Parauapebas há 19 anos e nessa altura a pequena cidade tinha três bairros. Hoje, diz, “tem aí uns 120”. Atraídos pela febre do ferro, “e por ouvirem dizer que era uma cidade próspera, com empregos e salários altos, vieram pessoas de todo o lado do país, especialmente do vizinho estado do Maranhão”, confirma Sara Dias, que trabalha na área da comunicação da prefeitura. Gerir uma cidade que cresce todos os dias tornou-se “um desafio muito grande”, diz Sara, ela própria uma migrante de Tocantins. Ainda que o seu núcleo central seja cuidado, ainda que a sua avenida principal tenha passeios conservados, recintos para crianças jogarem futebol e árvores numa álea central, os problemas do desordenamento notam-se logo que se entra nos bairros laterais.

O poder local na campanha

No Sol Poente, no comício de Hélder15 (nos cartazes não aparece o nome Barbalho, talvez para evitar qualquer associação com o pai, Jader Barbalho, senador e ex-governador do estado, suspeito de infindáveis casos de corrupção), o cheiro a esgoto confundia-se com o da carne assada. Só 13% da cidade tem saneamento básico. Não é esse o único ou sequer o maior problema da cidade. Os candidatos que se fizeram ouvir no comício desfiaram um extenso rosário de males, tanto para desgastar o prefeito, que é seu adversário político, como para os deixar inscritos na agenda de Hélder Barbalho, que está em segundo lugar nas sondagens para governador.

No gigantesco estado do Pará (1,2 milhões de km2, quase o dobro da França), as eleições estaduais ou nacionais não dispensam o olhar para as debilidades locais. Se o Pastor Ramiro se preocupou em exigir a criação de uma “secretaria das Missões Religiosas” no governo estadual, porque “as igrejas não recebem nenhuma ajuda do Governo”, Marcelo Catalão apresentou-se como o “[deputado] Federal da Região”, Coutinho quer “tirar o velho de lá [o governador actual, Simão Jatene, do PSDB] e o velho de cá [o prefeito Valmir Queirós Mariano]”, Chico das Cortinas, que mandou na cidade há 20 anos quer hospitais, e a ex-vereadora do PT, Eliene, exige escolas decentes

O futuro em Canaã dos Carajás

Em 31 de Julho de 1967, o helicóptero que transportava o geólogo Breno Augusto dos Santos aterrou numa clareira da Floresta Nacional de Carajás para o piloto reabastecer o aparelho. Breno suspeitou de que a clareira não existia por acaso. Começou a partir pedras e constatou que ali se encontrava uma jazida de minério de ferro. A maior do mundo, haveria de comprovar mais tarde. A exploração começaria logo depois, ainda no tempo da ditadura militar.

O projecto “Grande Carajás”, criado nos anos 70 do século passado, haveria de mudar a face da região. Parauapebas nasceu com as minas e em 1988 era já suficientemente grande para organizar um plebiscito que determinou a sua autonomia em relação à vizinha cidade de Marabá. Hoje, há uma nova cidade que ameaça disputar o seu protagonismo. Chama-se Canaã dos Carajás e fica 70 km a sul.

Em Canaã, a Vale lançou o projecto “s11d” para a exploração de jazidas de minério com um teor de ferro ainda mais elevado do que as das minas de Parauapebas. A companhia vai gastar nesse projecto 15 mil milhões de euros nos próximos anos. O ferro que vai aí ser extraído seguirá o mesmo caminho do que sai das minas já em funcionamento. Viajará por comboio por algumas das zonas mais remotas do país até à capital do Maranhão, São Luís, onde todos os dias dezenas de navios o transportam para vários destinos do outro lado do mar, com a China à cabeça. Em breve, com o natural esgotamento das suas jazidas e a aposta na nova estrela emergente do potencial da Vale, Parauapebas pode perder brilho. Mas o Sudeste do Pará reforçará o seu estatuto entre as maiores províncias mineradoras do mundo.

 

Sobrevivientes de Eldorado dos Carajás enfrentan otra extinción

Crédito: Fabíola Ortiz/IPS

 

Los troncos secos indican el lugar donde se cometió la masacre de Eldorado dos Carajás
Los troncos secos indican el lugar donde se cometió la masacre de Eldorado dos Carajás

ELDORADO DOS CARAJÁS, Brasil, 16 abr (IPS) – Cerca de las cinco de la tarde del 17 de abril de 1996 salió del despacho del entonces gobernador del norteño estado brasileño de Pará, Almir Gabriel, la orden de evacuar a toda costa la carretera PA-150, epicentro de la agitación social por la reforma agraria.

En esa ruta que une la ciudad de Marabá y Parauapebas, en el sudeste del amazónico Pará, se concentraban los mayores proyectos mineros y ganaderos.

Ese día, en una zona conocida como la curva de la “S”, cerca del municipio de Eldorado dos Carajás y a 800 kilómetros de la capital estadual Belém, 150 policías abrieron fuego contra unos 1.000 manifestantes del Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST) que bloqueaban el paso.

Diecinueve personas murieron y 70 sufrieron heridas. Los manifestantes marchaban rumbo a Belém para reclamar la expropiación de la hacienda Macaxeira, que ya ocupaban 1.500 familias en Curionópolis, cerca de Eldorado, y la distribución de sus tierras en la reforma agraria.

La tragedia colocó el problema agrario en la agenda política de este país sudamericano, y el 17 de abril se convirtió en Día Mundial de Lucha por la Tierra.

Este año se cumplen 17 de aquella masacre y 15 de la creación del asentamiento 17 de Abril, que hizo justicia a aquel reclamo.

El asentamiento se fundó casi dos años después de la masacre, cuando el Instituto Nacional de Colonización y Reforma Agraria (Incra) declaró improductiva la hacienda, condición necesaria para expropiarla.

Unas 700 familias sobrevivientes habitan hoy el asentamiento de 37.000 hectáreas en la hacienda Macaxeira y luchan por sobrevivir sin empleos ni apoyo para hacer productivos sus predios.

Ivagno Brito, hijo de campesinos, tenía 13 años cuando fue testigo de los hechos. Hoy tiene 30 y está dedicado a la causa del MST.

“Fue una desesperación, una locura. Imagine a mucha gente y fuego cruzado. La escena que más me marcó fue ver a mujeres y niños que se escondían en una pequeña capilla que hoy ya no existe”, dijo Brito, señalando el lugar exacto de los hechos en la curva de la “S”.

“No puedo olvidarlo. Perdí el sentido. No encontraba a mi padre y comencé a correr… Luego me encontré en la vegetación”, describió a IPS.

Maria Zelzuita, de 48 años, también fue parte de la tragedia. “Querían que desocupáramos la ruta, pero andábamos a pie. La forma que halló la policía fue dispararnos. Lo que no olvido son los gritos de la gente y de los niños llamando a las madres”, narró.

“Ya había gente muerta sobre el asfalto, tomé de la mano a cuatro pequeños para salvarlos. Salí de la ruta corriendo hacia los arbustos, cargamos incluso a un niño baleado”, añadió.

Zelzuita tiene un lote de 25 hectáreas en las que cultiva arroz, mandioca, maíz y zapallo. Pero los años demostraron que no basta repartir tierras sin suministrar instrumentos y conocimientos para desarrollar una agricultura sostenible.

Trabaja en asociación con la aldea de los asentados, se gana la vida como ayudante de cocina en la escuela local, estudia y es madre sola de tres hijos. En su casa tiene agua por cañería y electricidad.

“Me siento feliz como asentada; tengo donde vivir y criar a mis hijos. Antes no lo tenía, y no me veo en la ciudad. Pero aquí no hay trabajo, muchos deben irse a las ciudades a buscar el sustento”, dijo a IPS.

Ante estas dificultades, muchos asentados por el Incra vendieron sus lotes y se marcharon. La comercialización de los asentamientos es un fenómeno frecuente en Pará.

A los 49 años, “Doña” Rosa Costa Miranda no piensa dejar el campo, pero superada por el esfuerzo de cultivar una huerta en un suelo tan pobre, decidió arrendar el predio para criar ganado.

“Hoy tengo un lote y una casa construida. No produzco casi nada porque soy sola, pero lo alquilo. La vida en el asentamiento es difícil porque no hay trabajo. Hay gente endeudada con el banco y que no tiene cómo pagar”, describió a IPS.

Doña Rosa nació en Maranhão, en el extremo del árido Nordeste. A los 16 años se vino a Pará con su marido agricultor. Ella estaba presente en la ocupación de la hacienda, y el día de la masacre fue una de las mujeres que se ocultaron en la pequeña iglesia.

Hace poco, Doña Rosa obtuvo fondos para plantar “cupuaçu”, un fruto amazónico. Pero el fuego que habían prendido sus vecinos en un predio aledaño –práctica frecuente para limpiar y fertilizar el terreno– se salió de control y quemó las plantas.

Pese a las dificultades, “es mejor que vivir en la periferia de las ciudades o en las favelas. Quien tiene un trozo de tierra hoy está seguro. No pienso mudarme. La calle es muy peligrosa”, comentó.

Las expropiaciones de haciendas son lentas y pueden llevar hasta una década.

En 17 de Abril la expropiación se logró “dos años después (de la masacre) por el derramamiento de sangre. Hay campamentos que llevan esperando 12 años y para ellos nunca llegó la reforma agraria”, dijo Doña Rosa.

La Amazonia ya no es lo que era cuando llegó desde el Nordeste. Para arribar a 17 de Abril es preciso cruzar pequeñas aldeas y zonas urbanas que crecen a la vera de la carretera, como Sororó, Eldorado dos Carajás y Curionópolis, centros de gran circulación de camiones cargados de minerales.

En el trayecto de la antigua ruta PA-150, hoy la carretera federal asfaltada BR-155, se pasa cerca del distrito industrial de Marabá, que cuenta con 12 siderúrgicas y grandes propiedades ganaderas, todo en plena Amazonia.

Desde allí se divisa un paisaje sin un solo árbol, apenas pasturas. “Está cambiando mucho, por eso nos estamos muriendo de sequía. De aquí a unos años no va a haber ni lluvia, porque no hay árboles“, lamentó la campesina.

Plebiscito. Jornal “O Liberal” faz propaganda pelo Pará

O uso do termo “isto” para a criação dos Estados de Tapajós e Carajás tem um sentido pejorativo.

O “isto” é dubitativo. É uma interjeição de apoio, de aplauso. “Isto, eleitor, votou certo! Votou pela divisão!”.

Não sou contra um jornal fazer propaganda. Imprensa é propaganda direta ou indireta.

A propaganda quanto mais implícita, mais eficaz. Não confundir com propaganda subliminar.

Um jornal não pode é enganar o leitor. Partir para o balão-de-ensaio, a meia-verdade, a mentira.

Plebicisto dirá amanhã e sempre: A Amazônia é nossa!

“Eles não querem o nosso bem, mas os nossos bens”

Todo plebiscito e referendo são importantes. Que o povo decida seu futuro fortalece a democracia.

Uma lei referendada pelo povo não é letra morta.

O plebiscito de amanhã tem vários significados e decisões do povo que marcarão a História do Brasil.

Promoveu-se o debate da “Amazônia é Nossa”. Da importância estratégica do Pará. “Eles não querem o nosso bem, mas os nossos bens”. Agora um slogan permanente contra a pirataria internacional.

Foram discutidos os problemas do Pará. Notadamente a corrupção no executivo, no legislativo e no judiciário. A pobreza do povo, o isolamento de Carajás, de Tapajós.

Que depois do plebiscito, as populacões do Pará – estado único, ou dividido em dois ou três – continuem irmanadas e combatendo a cobiça internacional, a traição dos seus supostos líderes, e a bandidagem defendida pelos advogados de porta de palácio e de porta de cadeia.

Um plebiscito memorável pelo civismo, pela brasilidade, pela animação de campanhas nacionalistas.

Publiquei foto de manifestação do dia 21 de agosto último. Para mostrar quanto o plebiscito foi encoberto pela imprensa do Sul.

As cores vermelho e branco, que representam a bandeira do Estado do Pará, estão nos rostos pintados dos estudantes, nas camisas dos professores e nas bandeirinhas.

Tapajós nasce forte

Tapajós, um estado estratégico, por fazer fronteira com a única colônia da América do Sul, a Guiana Francesa, e os novos países Suriname e Guiana
Tapajós, um estado estratégico, por fazer fronteira com a única colônia da América do Sul, a Guiana Francesa, e os novos países Suriname e Guiana
Uma das bandeiras propostas
Uma das bandeiras propostas

Os antecedentes do movimento de emancipação de Tapajós são antigos, a ideia da criação desta nova Unidade Federativa partiu do governo central há mais de 150 anos, datam do início do século XIX, aproximadamente 1823.

De novo, apenas o rancor de jornalistas da direita. Eis um deles, da BBC, Ivan Lessa:

“Não bastassem os progressistas 26 (ou 27? Há dúvidas) Estados e um Distrito Federal, que tantas alegrias nos têm proporcionado, em nossas terras abençoadas, e até mesmo aqui no pobre do exterior, tamanho o seu sucesso, que, mesmo sem o alto patrocínio ou chancela de Eike Batista, o sexto ou oitavo homem mais rico do mundo, vamos acrescentar mais uma unidade federativa ao nosso querido e progressista Brasil.

Seu nome aflora aos lábios e acaricia os ouvidos como rio correndo (chuá, chuá) ou árvore sendo derrubada (cataplum): Tapajós. Para que fique claro, repito silabando, Ta-pa-jós”.

Ainda bem que os Eikes não aprovam o novo Estado, principalmente ele, o Batista, que é dono do Pará, envolvido com governadores corruptos.

TAPAJÓS É NOSSA BANDEIRA, SEMPRE!

Do manifesto pela criação:

1)      Autonomia: Quem mora nos municípios que compõem a região Oeste do Pará, sabe, com conhecimento de causa, o que significa viver à margem das decisões políticas que interferem diretamente no cotidiano, mas que são tomadas externamente, mesmo quando se trata do Próprio estado do Pará, pois o núcleo decisório se concentra na capital. Ter autonomia significa ter o direito de decidir sobre os assuntos que são coletivos, e dispor de uma estrutura de governo mais próxima, para que seja ouvida e respeitada em suas reivindicações;

2)      Fortalecimento regional: Com a autonomia, em todos os campos, a região formada pelo novo estado terá condições de desenvolver suas potencialidades, promovendo maior equilíbrio entre os seus integrantes;

3)      Identidade Cultural: O vasto território que compõe a Amazônia, objeto de cobiça dos colonizadores, sofreu violento processo de desagregação ao longo da história. Diversas nações que habitavam as terras que hoje compõem os atuais estados foram dizimadas, outras foram escravizadas e incorporadas ao modo de vida dos colonizadores. Mesmo assim, ficaram vestígios que demonstram diferenças substanciais entre os povos que habitavam a região que hoje busca se emancipar. A cultura Tapajoara é distinta de outras culturas, e se expressa nas mais variadas situações cotidianas. Sobreviveu a toda sorte de ataques que sofreu ao longo do tempo. E haverá de continuar sendo o nosso orgulho, pois expressa nossa identidade.

4)      Desenvolvimento e justiça social: A forte concentração das atividades econômicas e das políticas sociais no entorno de Belém, cria um círculo vicioso que tende a aumentar a miséria, pois expulsa milhares de famílias do interior do estado em busca de oportunidades na região metropolitana. Com o novo Estado, teremos uma oportunidade real de corrigir tais distorções, resultando em benefícios para o conjunto da população, tanto da região emancipada, quanto da área remanescente. Isto passa pela aglutinação de forças em torno do fortalecimento de uma inteligência inovadora, especialmente no campo da cultura digital;

5)      Democracia participativa: O Estado do Tapajós já nasce diferente de todos os outros, pois a população está sendo consultada quanto a sua criação. Entendemos que este processo é educativo e a democracia participativa deve ser a regra no Estado do Tapajós. Não necessariamente com a realização de plebiscitos ou referendos, mas com o fortalecimento da organização da sociedade para discutir, aprovar ou rejeitar propostas de projetos que interferem na vida de todos;

6)      Relação com a Amazônia e com o Brasil: O Estado do Tapajós significa maior presença do Brasil na Amazônia. Não apenas nos discursos ufanistas, mas em ações concretas que representem melhorias de condições de vida para os povos que nela habitam. Preservar implica em conhecer e cuidar. E isto se faz com presença e clareza de propósitos. Teremos uma maior bancada parlamentar no Congresso Nacional. Nossas escolhas podem significar presenças significativas em defesa dos interesses coletivos, impedindo a continuidade das práticas destruidoras dos projetos já implantados, e propondo alternativas coerentes e inovadoras. Temos que engendrar uma nova forma de integração nacional, tendo como eixo condutor o estabelecimento de redes de conexões inclusive no campo digital;

7)      Estado descentralizado: A dimensão territorial do atual estado do Pará, e as dificuldades de acesso a todos os locais que precisam da presença do Poder Público, são características típicas da Amazônia, que justificam a necessidade de maior presença dos governos junto às populações. O estado do Pará tem se mostrado ineficaz neste e em outros itens relativos a sua institucionalidade. Buscamos a emancipação para termos um estado mais presente, e no qual a população possa estar atenta e vigilante, evitando que se consolidem os problemas que hoje combatemos, cuja solução passa pela adoção de políticas que considerem as demandas de todo o Estado, e não apenas em benefício de grupos políticos e econômicos da capital.

Pelas razões expostas, e em sintonia com a luta dos que nos antecederam nesta esperança, assumimos o compromisso de defender a bandeira do Estado do Tapajós, reconhecendo que se trata de uma aspiração coletiva, legítima, tecnicamente viável e socialmente justificada.

 O vídeo da campanha 

Carajás Estado. Igrejas favoráveis. TV Globo contra

Carajás (proposta de unidade federativa)

Estado de Carajás
Estado de Carajás

As origens do movimento de emancipação local, datam dos fins do século XIX, quando a população dos vilarejos ao longo dos rios Araguaia e Tocantins, na região sul do estado, reclamavam da falta de assistência da então Província do Grão-Pará. Os moradores da região se sentiam mais próximos das províncias de Goiás e do Maranhão do que da província do Grão-Pará.

Os 39 municípios do novo estado seriam os seguintes:

 

Um novo Estado Com 39 municípios
Abel Figueiredo Ourilândia do Norte
Água Azul do Norte Pacajá
Anapu Palestina do Pará
Bannach Pau d’Arco
Bom Jesus do Tocantins Parauapebas
Brejo Grande do Araguaia Piçarra
Breu Branco Redenção
Canaã dos Carajás Rio Maria
Conceição do Araguaia Rondon do Pará
Cumaru do Norte São Domingos do Araguaia
Curionópolis São Félix do Xingu
Dom Eliseu São Geraldo do Araguaia
Eldorado dos Carajás São João do Araguaia
Floresta do Araguaia Sapucaia
Goianésia do Pará Santa Maria das Barreiras
Itupiranga Santana do Araguaia
Jacundá Tucumã
Marabá Tucuruí
Nova Ipixuna Xinguara
Novo Repartimento

Evangélicos e católicos apoiam a divisão do Pará e se unem para criação do novo Estado de Carajás

Os líderes cristãos da região Sul e Sudeste do estado do Pará se uniram para incentivar os fiéis a votarem a favor da criação do estado dos Carajás. A motivação vem pelo horizonte que tanto católicos quanto evangélicos enxergam: desenvolvimento econômico e social, com a possibilidade de um governo mais próximo.
Bispos, padres e pastores estão usando seus sermões durante missas e cultos, além de gravarem depoimentos para a campanha do “Sim” no plebiscito que definirá se o Pará será dividido ou não.
A Igreja Católica não divulgou um parecer oficial sobre o assunto, mas liberou seus padres e bispos para orientarem os fiéis como entendessem melhor. Dom José Foralosso, Bispo da diocese de Marabá, é responsável por cerca de 700 mil fiéis que frequentam as 27 paróquias localizadas nas 17 cidades da região onde seria fundado o novo estado. Ele fala abertamente que votará a favor da divisão: “É um evento de importância notável para o Pará. Aqui, a presença do Estado está ausente. Pelo tamanho do Estado, pelas distâncias. Não sentimos uma solução dos problemas”, defende o bispo.
A Igreja Assembleia de Deus de Marabá, através do Pastor Sales Batista, orientou aos 112 pastores de seu ministério que eles pregassem nos cultos sobre as vantagens da divisão, e estimulassem os fieis a votarem “Sim” no plebiscito. Foram feitos eventos em praças e ginásios, todos com média de público superior a 20 mil pessoas.“Nós falamos de Deus (nestes eventos) e aproveitamos também para falar dos problemas da região, falta de médicos, estradas. Falamos de saúde, educação. Nós precisamos ter um governo mais próximo. Nós dependemos em tudo da capital. Então, nós defendemos a ideia da separação pela dificuldade de acesso à saúde, à educação”, prega o pastor .
Veja vídeo da campanha  do sim.
TV GLOBO CONTRA
Veja vídeo do não da Globo 
Bandeira do Estado de Carajás e música 

Pará ainda tem políticos indecisos no plebiscito amanhã

O plebiscito acontece amanhã. Bizarro, espantoso, esdrúxulo é quem tem político em cima do muro.

Santa ignorância ou oportunismo político?

O sei não em um momento histórico é inacreditável. Coisa do Pará.

O Correio Bragantino faz propaganda contra a divisão

Cartaz do contra. Quando 17% do Pará é um mar de terra maior que vários países da Europa juntos
Cartaz do contra. Quando 17% do Pará é um mar de terra maior que vários países da Europa juntos

Publica:

Caso a maioria do eleitorado vote pela divisão, o Pará, hoje com área de 1.247.689 quilômetros quadrados, ficaria com 17% desse território, Carajás, ao sul do estado, com 35%, e o Tapajós, localizado a oeste, com 58%.A votação de domingo ocorre das 8h às 17h. Os eleitores responderão a duas perguntas: a primeira, se eles são a favor ou contrários à criação do estado do Tapajós. Em seguida, devem opinar se são a favor ou não da criação do estado de Carajás. A ordem das perguntas foi definida em sorteio pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O voto é obrigatório para quem tem título de eleitor do Pará, e os que estiverem fora do domicílio eleitoral têm o prazo de 60 dias para justificar a ausência.

Contra a divisão: deputados

– André Dias (PSDB)
– Arnaldo Jordy (PPS)
– Elcione Barbalho (PMDB)
– Josué Bengtson (PTB)
– Lúcio Vale(PR)
– Miriquinho Batista (PT)
– Zenaldo Coutinho (PSDB)
– Cláudio Puty (PT)

senadores

– Flexa Ribeiro (PSDB)
– Marinor Brito (PSOL)

Favoráveis à divisão:

– Asdrubal Bentes (PMDB)
– Giovanni Queiroz (PDT)
– Lira Maia (DEM)
– Wandenkolk Gonçalves (PSDB)
– Zé Geraldo (PT)
– Zequinha Marinho (PSC)

Neutros: deputados

– Beto Faro (PT)
– José Priante (PMDB)
– Wladimir Costa (PMDB)

senador

– Mário Couto (PSDB).

Imensidão do Pará deve ser divida em três Estados?

No Pará reinam todos os crimes. Contra o povo. Contra o Brasil.
É o segundo maior Estado com uma extensão de 1.247.689,515 km², e uma população de 7 588 078. Uma densidade habitacional de 6,08 habitantes por km². É um deserto de gente.

Dividi-lo em três ajuda a acabar com a corrupção, e a conter a invasão da pirataria estrangeira?

Esta de que vai aumentar as despesas com a criação de mais dois tribunais, duas assembléias, duas governadorias, significa dizer que o judiciário, o legislativo, o executivo são onerosos em qualquer unidade federativa.
Mais dinheiro se perde com os desvios de verbas nos três poderes, no tráfico das riquezas do Pará, e na ingovernabilidade

A imprensa evita discutir o plebiscito em nível nacional. Prefere as pesquisas de opinião pública viciadas.

Hoje se publica que “pela primeira vez um integrante do primeiro escalão do governo federal afirmou que é contra a divisão do Pará, para a criação dos estados do Tapajós e do Carajás.

Durante audiência pública, ontem, na Comissão de Infraestrutura do Senado, para discutir o andamento das obras do PAC, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, comemorou as recentes pesquisas que indicam vitória do ‘Não’ no plebiscito do próximo domingo”.

Uma pesquisa do Data/Folha sempre me deixa desconfiado. Pela propaganda lesiva aos interesses do País e do povo.

“Essa é uma notícia quente e boa: que a chance é pequena, que isso (divisão do Pará) ocorrerá. É, muito importante. Com todo respeito a quem é a favor da divisão, mas é muito importante mesmo que o Pará permaneça unido. O Pará tem uma identidade muito forte. As pesquisas que vi no começo eram preocupantes. Estava um pouco mais dividido. Ainda bem, então, que as pesquisas mais recentes mostram que não virou. Que bom mesmo!”, comemorou a ministra, apontada como um dos membros mais fortes do governo Dilma”.

PT CONTRA

“Até então, o governo federal se mostrava imparcial quanto ao plebiscito. Mas a reação da ministra Belchior deixa entender que a torcida é pela manutenção do Pará unido. O discurso segue a linha de expoentes do PT que também se manifestaram contrários ao desmembramento do Estado no Congresso Nacional. A senadora petista Marta Suplicy (SP), vice-presidente do Senado, criticou a consulta popular sem embasamento técnico sobre possíveis vantagens para as populações envolvidas”.

Por que o governo não apresenta as vantagens e desvantagens da criação dos três Estados?

Compare a imensidão do Pará com os países da Europa por km2:
Albânia        28 748
Alemanha 357 021
Andorra 468
Arménia 29 800
Áustria 83 858
Azerbaijão 86 600
Bélgica 30 510
Bielorrússia 207 600
Bósnia e
Herzegovina 51 129
Bulgária 110 910
Cazaquistão 2 724 900
Chipre 9 251
Croácia 56 542
Dinamarca 43 094
Eslováquia 48 845
Eslovénia 20 273
Espanha 504 851
Estónia 45 226
Finlândia 336 593
França 547 030
Geórgia 69 700
Grécia 131 940
Hungria 93 030
Irlanda 70 280
Itália 301 230
Islândia 103 000
Letónia 64 589
Liechtenstein 160
Lituânia 65 200
Luxemburgo 2 586
Macedónia 25 333
Malta 316
Moldávia 33 843
Mónaco 1,95
Montenegro 13 812
Noruega 324 220
Países Baixos 41 526
Polónia 312 685
Portugal 91 568
Reino Unido 244 820
Repúb Checa 78 866
Roménia 238 391
Rússia 17 075 400
San Marino 61
Sérvia 88 361
Suécia 449 964
Suíça 41 290
Turquia 783 562
Ucrânia 603 700
Vaticano 0,44

Por que a imprensa tradicional, elitista e vendida esconde o plebiscito?

Que o Pará vote. Mas o voto do Pará não pode ser escondido.

O plebiscito é uma decisão histórica. Do interesse do Brasil. 

Do Brasil hoje.

No plebiscito está em jogo o futuro do Pará, da Amazônia e, principalmente, do Brasil.