Camila Valadão: Casagrande e Hartung são parceiros. Doze anos de mando

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NO primeiro debate na TV, Camila Valadão questionou Casagrande sobre a participação popular e apontou para a falta de diálogo entre o governo, nos últimos 12 anos, e a população. “Todos nós sabemos que a marca do seu mandato e a do ex-governador Hartung é a intransigência e ausência de diálogo com o povo”.

Camila ressaltou a predominância dos dois candidatos. “Evidentemente, vimos aí uma polarização entre Hartung e Casagrande. Polarização essa que não tem como interesse a defesa dos direitos da população capixaba e, sim, de seus interesses privados. Os dois compõem o mesmo bloco que governa o Espírito Santo há 12 anos”, reafirmou.

Disse Camila: “Cabe destacar que no Espírito Santo prevalece a lógica que considera as políticas públicas de juventude como um elenco de programas isolados, de caráter pontual e de curta duração!

É preciso garantir direitos e políticas públicas de juventude!”.

motivos para votar em Camila

 

O jornalista José Rabelo escreveu um excelente texto, imparcial e verdadeiro, no Século Diário:

Crítica de Camila Valadão iguala as gestões de Casagrande e Hartung
Com discurso de oposição na ponta da língua, candidata do PSOL tentou mostrar ao eleitor que rivais defendem o mesmo projeto

 

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por José Rabelo

 

Camila Valadão foi a surpresa positiva no debate promovido pela Rede Gazeta na manhã desta segunda-feira (28) — o primeiro entre os candidatos ao governo do Estado. A representante do PSOL assumiu com propriedade o posto de candidata de oposição, papel que o concorrente do PT, Roberto Carlos, preferiu renunciar.

A candidata do PSOL foi firme e coerente no seu discurso. Todas as perguntas que fez foram endereçadas aos candidatos Renato Casagrande (PSB) e Paulo Hartung (PMDB). Mesmo quando a pergunta era feita a um dos candidatos, ela procurava incluir o outro no enredo. A intenção era mostrar ao eleitor que os dois defendem o projeto das elites, ou seja, são iguais na essência.

Sem deixar se intimidar pela presença do último e atual ocupante do Palácio Anchieta, Camila Valadão equilibrou bem o discurso do PSOL, que não ficou com aquele tom de radicalismo que costuma assustar o eleitor mais conservador. Nas poucas oportunidades que teve, ela tentou mostrar que o partido tem o melhor projeto para o Espírito Santo.

As formulações da candidata deixaram claro que o Estado tem o mesmo projeto desde 2003, só mudou o operador com a entrada de Casagrande. Camila não aliviou nas críticas. Numa das questões que fez a Hartung sobre mobilidade urbana, ela acusou Hartung de ter feito uma gestão marcada pelo autoritarismo e pela falta de diálogo com os movimentos sociais. Camila testemunha que em 2005 sofreu a truculência da polícia nos protestos pela melhoria dos transportes públicos. “Sofri com a repressão do governo Hartung nos protestos. Até agora nada foi feito. Qual a proposta para o transporte?”

Hartung, que nada fez para melhorar os problemas de mobilidade da Grande Vitória, ignorou a pergunta da candidata e respondeu o que bem entendeu. “Com muito diálogo e parceria, o que faz parte da minha vida desde o movimento estudantil, quero construir uma cidade para o pedestre”, divagou.

Ela também cutucou Casagrande sobre os protestos de rua, tentando evidenciar as semelhanças entre os dois governos. “Quero falar sobre participação popular. No governo Hartung vimos repressão aos movimentos sociais e aos protestos. O mesmo ocorreu no governo Casagrande. Qual a sua proposta para esse tema?”.

Casagrande tentou fugir da pecha de governo que não dialoga com os movimentos sociais. Disse que estava ampliando os canais de comunicação com a sociedade. Ele acrescentou que seu governo constituiu conselhos que nunca foram criadas, se referindo ao governo anterior. Não disse, porém, que só os constituiu depois de muita pressão na sociedade civil organizada. “Não governo de forma autoritária. O cidadão não quer mais um governante dono da verdade e é nesse conceito que eu trabalho”, disse Casagrande, mais uma vez, se comparando ao antecessor.

A resposta, porém, parece não ter convencido a candidata do PSOL, que cravou: “Para o PSOL, a radicalização da democracia é imprescindível. Não adianta só investir na mídia corporativa. O governo precisa acatar o que a sociedade sugere”, destacou.

Nas considerações finais, Camila Valadão reforçou ao eleitor a mensagem de que os dois candidatos que polarizam a disputa defendem o mesmo projeto. “No Espírito Santo há alternativa. Ninguém precisa votar no velho. São 12 anos de dois candidatos governando o Estado. É o PSOL que não tem rabo preso”, enfatizou

 

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Quando o governador Casa Grande destruiu Nova Esperança. Morte de moradora

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O povo contra a polícia de Casagrande, em Nova Esperança
O povo contra a polícia de Casagrande, em Nova Esperança

 

Em maio de 2011, ao completar cinco meses de governo, Renato Casagrande mostrou a cara de sua polícia. O prende e arrebenta dos tempos da ditadura militar.

A violência policial em um despejo, teve a pronta reação de Camila Valadão: “O Partido Socialismo e Liberdade no Espírito Santo (PSOL-ES) vem expressar sua irrestrita solidariedade às/aos militantes e a todas/os que sofreram com as violações aos Direitos Humanos ocorridas em Barra do Riacho, no município de Aracruz.

Foram atingidos pela truculência policial tanto militantes da ocupação, que apenas lutavam pelo seu direito constitucional à moradia e não ofereceram resistência à ação policial, quanto militantes defensores de Direitos Humanos que se dirigiram ao local tão-somente para tentar intermediar uma saída negociada para o conflito.

Diante de tanto desrespeito, o PSOL-ES só pode reafirmar sua firme oposição ao Governo Renato Casagrande (PSB), e ao prefeito de Aracruz Ademar Devens (PMDB), que trata os movimentos sociais como caso de polícia. Nos colocamos à disposição d@s lutador@s do povo que estão sofrendo com a criminalização da luta por direitos no Espírito Santo”.

LEGENDA DO MEDO

Para retirar 330 famílias do loteamento Nova Esperança, no distrito de Barra do Riacho, no município de Aracruz (ES), a Polícia Militar (PM) realizou uma operação de guerra nesta quarta-feira (18). Foram mobilizados cerca de 400 policiais da Rondas Ostensivas Táticas Motorizada (Rotam), do Grupo de Apoio Operacional (Gao) e do Batalhão de Missões Especiais (BME). Usaram helicóptero, cavalaria, cachorros, tratores, bomba de gás, tiros de borracha e muita violência física e moral.

Assim, cerca de 1,6 mil ficaram desabrigadas.(Fonte: Página Global)

DESPEJO COM MORTE

A área pertence à prefeitura de Aracruz e a Justiça emitiu um mandado de reintegração de posse há cerca de seis meses. Porém, de acordo com os moradores, eles não receberam nenhuma ação de despejo e nunca foram procurados pela administração municipal para negociar.

A violenta ação policial chocou a comunidade. Até o CEDH foi tratado com agressividade. “Fomos recebidos com bombas de gás lacrimogênio. Posteriormente, nos disseram [polícia] que qualquer contato teria que ser feito pelo 190. Um desrespeito total!”, disse Arthur Moreira, membro do conselho.

De acordo com o militante do Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), Bruno Lima, outra conseqüência negativa da ação policial foi a morte de dona Santa da Silva Pessanha, na quinta-feira (19):

“Ela estava em casa na hora da ação e foi obrigada a sair do pelos policiais, quando começou a passar mal. Ela não foi autorizada a voltar para pegar seus remédios controlados para pressão alta. Quando a PM liberou e Dona Santa iria entrar na casa, retomaram os tiros e bombas. Passando mal, Dona Santa foi internada em estado grave no hospital de Aracruz, e morreu, resultado de um AVC”.

A habitação é um problema crônico no município de Aracruz, mesmo sendo esta região composta por empreendimentos de peso. Ali estão instaladas atividades da Petrobras, Fibria (ex-Aracruz Celulose), Nutripetro e Nutrigás. A menos de um ano, a prefeitura local doou um terreno avaliado em R$ 25 milhões para a construção do estaleiro da Jurong – gigante do setor naval com presença nos Estados Unidos, China, Cingapura e Oriente Médio.

DAVI GOMES, O SELVAGEM

O atual secretário de habitação de Aracruz, Davi Gomes é conhecido pela violência utilizada contra populações indígenas e quilombolas em conflitos que protagonizou a serviço da então Aracruz Celulose, em 2006. À época, Gomes era presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Madeira de Aracruz (Sintiema), posição que ocupou por 22 anos, até ser afastado pelos próprios trabalhadores em assembléia da categoria – decisão validada pela Justiça em janeiro deste ano.

Homens ligados ao Sintiema, liderados por Davi Gomes, atacaram violentamente índios que ocuparam o porto da ex-Aracruz (Portocel), em luta pela demarcação de terras na área da papeleira. Até o deputado e cadeirante Claudio Vereza (PT).

O SUJEITO CASAGRANDE

O Centro Acadêmico Livre de Psicologia “Maria Clara da Silva” do curso de Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo, também expressou a solidariedade às pessoa cujos direitos constitucionais e humanos foram violados no ato da desocupação de um terreno no bairro Nova Esperança, na localidade de Barra do Riacho no município de Aracruz.

O CALPSI-UFES manifestou repúdio à ação policial violenta efetivada contra as pessoas que ali habitavam, entre elas, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

“Segundo diversas fontes seguras de informação, os policiais feriram as pessoas fisicamente com bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, e utilizaram a cavalaria, cães e um helicóptero a fim de coagir pessoas de várias idades que estavam desarmadas, em busca do diálogo com os policiais e tentando defender pacificamente suas habitações.

Com violência intensa e violando direitos constitucionais e humanos, os policiais conseguiram afastar as pessoas de suas casas e destruir as residências construídas no terreno da Prefeitura de Aracruz.

Não só os habitantes do terreno, porém, militantes que lutam pelo direito à moradia e militantes dos direitos humanos foram desrespeitados no seu direito à manifestação pacífica e foram impedidos de dialogar. Alguns tiveram ferimentos físicos e sofreram assédio moral por parte de policiais.

Cabe aqui ressaltar a hipocrisia e incoerência da instituição Polícia Militar do Espírito Santo que lista em seu site Ética, Interesse Público e Priorização dos Direitos Humanos como valores institucionais e que, no episódio do dia 18 de Maio de 2011, lutou contra pessoas desarmadas e organizadas pacificamente e que desconsiderou direitos constitucionais e humanos a custo de guerrear contra o povo pobre e desarmado do Espírito Santo.

Declaramos firme desacordo com os sujeitos Renato Casagrande e Ademar Devens, respectivamente, Governador do Espírito Santo e prefeito de Aracruz. Estes sujeitos desconsideraram a necessidade das pessoas no seu direito à habitação e deliberaram que a Polícia Militar do Espírito Santo travasse uma batalha sangrenta com a população do bairro Nova Esperança para a desocupação de um terreno público. O fato ocorrido em Barra do Riacho produziu intensa indignação contra esses sujeitos eleitos pelo povo capixaba”.

 

 

 

 

Uma candita pé de serra para governar o Espírito Santo dos governos que não são santos

Sempre existe a primeira vez

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A “política não pode ser um balcão de negöcios”, diz Camila Valadão, classificada como candidato pé de serra.

A frase pejorativa tem vários significados: ela é de Serra, cidade do Espírito Santo; e não possui dinheiro para fazer a campanha fácil dos endinheirados candidatos dos jatinhos e do helicóptero do pó.

Acorda povo do Espírito Santos. Acorda Serra! Vota na tua filha!

“Essa é minha primeira disputa em eleição. Embora eu tenha participado do processo de eleição a partir de outros candidatos, inclusive, por exemplo, o nome de Brice que foi a nossa candidata ao Governo do Espírito Santo em 2010. Também já participei da construção de outras campanhas proporcionais, agora como candidata, é a primeira, e sem dúvidas vai ser um grande desafio”, enfatizou.

A pré-candidata esta filiada ao partido desde 2005, onde é integrante da executiva nacional do PSOL, anteriormente era militante do PT.

Camila Valadão tem 29 anos, é professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e de uma faculdade particular da Serra.

Em entrevista ao Portal Capixabão, Camila falou sobre as coligações, desafios e definições partidárias para 2014.

Camila Valadão e a campanha dos pingos

Camila Valadão diz não ter medo de governar o Espírito Santo. Foto: Andressa Mian
Camila Valadão diz não ter medo de governar o Espírito Santo. Foto: Andressa Mian

por Flávio Borgneth

Camila Valadão é a candidata do PSOL ao governo do Estado do Espírito Santo e a única mulher a disputar esse cargo. Está em terceiro lugar nas pesquisas e jura estar no pleito por razões além de ganhar ou perder. É o nome das minorias, ou pelo menos pretende ser. Vai fazer sua campanha sem ajuda de empresários. Propõe doações individuais de apenas R$ 50,00. Garante que não vai dar apoio a ninguém no segundo turno por não concordar com nenhum dos lados. E ponto.

A candidata é defensora de temas polêmicos. A favor do aborto, da legalização da maconha e defensora da igualdade de sexos e renda. Seu pai a pegava no colo e dizia que ela seria presidente. Ela mesma não imaginava no réveillon deste ano que seria candidata ao governo do Espírito Santo.

É uma campanha dos pingos. Uma pessoa de cada vez. Pequenas doações e um monte de internet. É com a rede que a candidata tem se defendido dos recursos rasos. Ela segue pra cima e pra baixo no seu Uno básico, único bem declarado na inscrição do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES). Anda sem colmeias de assessores a sua volta. Tem tempo de conversar com cada eleitor e nem se importa de participar de eventos em que não seja destaque. Naquela quinta-feira chuvosa foi assim.

Era um debate que reunia membros de coletivos que defendem a literatura de rua (marginal), com catedráticos da academia. Camila estava presente, mesmo não sendo uma das convidadas da mesa. Foi para ouvir, tomar um café e dialogar com quem viesse dialogar com ela. Na sequência participou de um lançamento de livro e pediu autógrafo da autora. Não se incomoda com seu anonimato, faz dele charme de candidato.

Perfil

Camila teve uma trajetória que se assemelha a do PSOL. Ela era militante do PT. Deixou o partido para ingressar na sigla criada para abrigar dissidentes petistas puxados pela expulsão de Heloísa Helena. Também atuou no movimento estudantil, o que lhe confere sinergia natural com as passeatas. Teve uma infância marcada pela política. Seus pais são fundadores do PT na Serra. Com apenas seis anos ela não gostava de entrar nas casas das amigas que não fossem vermelho e branco. Na sua meninice, montou uma sala de aula improvisada no terraço de casa e ensinava os amigos a ler e escrever. Hoje em dia é Assistente Social e Mestre em Política Social pela Universidade Federal do Espírito Santo.

A aposta do PSOL foi por uma candidata com a energia dos jovens e o sonho todo que isso representa. O ideário de igualdade. Os livros vermelhos e identidade com as minorias. Os movimentos feministas que defendem o aborto como um direito da mulher. Cidadãos desejosos de novas leis para viver diferente e fumar um baseado em paz. Homossexuais, pessoas que acreditam na bicicleta. Professores, mulheres, todas as mulheres. Os negros que amam ser negros. Os negros que sofrem por ser negros. Não se trata de bandeira por menores impostos. O compromisso reza o ideário de que tudo deve ser o máximo de todos possíveis. Camila pede o voto de protesto e os votos das pessoas que andam pensando em nem votar, ou votar em branco.

De 50 em 50

Claro que uma eleição de um nome que não tem representação Legislativa poderia ser um nó danado. O sonho da candidatura é quase tão bonito quanto a vitória. Mas, não se trata bem de ganhar ou perder. A participação é encarada como um livro valoroso pela candidata e o resto deixa vir. É como se a maneira de participar do pleito já justificasse o ingresso. Os meios justificando os meios. Em uma eleição com dois medalhões da política capixaba (Paulo Hartung e Renato Casagrande), o caminho proposto é caminhar em centavos. Não fazer nada com dinheiro de nenhum empresário. Por isso a candidata acaba de lançar uma campanha intitulada “de 50 em 50”. A ação consiste em receber doações de pessoas física no valor que dá titulo a proposta. Com tais prerrogativas os recursos são poucos. A campanha será simples e vai usar e abusar da internet, o meio mais barato de comunicação e que, por sorte, tem assiduidade do público jovem.

Camila sabe que é pouco conhecida, por isso aguarda o material de campanha para ingressar em agenda de massa. Ainda se detém em ambientes familiares. Coisas próximas a sua rotina acadêmica e de ativista política. De maneira discreta ela se apresenta para seus próprios pares. Gente que geralmente acaba conseguindo voto de gente. O plano de aumentar as fronteiras existe, mas é a segunda parte da estratégia. Camila percorre até o final deste mês polos políticos e realiza reuniões de apresentação com a militância. São esses colaboradores que irão catalisar a campanha por todo o Estado.

A campanha já começou

Ela pretende e precisa ir para porta de escola, feira-livre. O início do programa eleitoral na TV vai ajudar nessa tarefa do primeiro contato com os eleitores. Essa preocupação de apresentar um rosto novo também tange o material de campanha. Ela explica que seu material vai explicar quem ela é, bem como a proposta que tem para montar seu governo. As secretarias serão assumidas pelos movimentos que as representam. Se uma categoria representa uma área do Governo, ela vai participar da indicação para esta pasta. É justamente com esse argumento da cooperação e do “eu não vou governar sozinha” que a candidata se defende de sua juventude. Ela tem 29 anos e fala sem medo disso.

Dia a dia

Imagine um dia acordar com 29 anos e ser governador(a) do Espírito Santo. Ficaria complicado tomar uma cerveja na Rua da Lama ou dormir até mais tarde. Governar um Estado não é bem uma função usual a rotina dos balzaquianos. Por outro lado, o ineditismo da iniciativa pode ser justamente o que a torna interessante. Camila Valadão fala de sua candidatura com ares de aventureira que acabou gostando do vento. Está em terceiro lugar nas pesquisas. Na frente do PT, e quer mais. Admite que ganhar até dá um pouco de medo. Não medo do cargo, ou da sua idade. Apenas consciência do que significa acordar com 29 anos e ser governador (a) do Espírito Santo.

Camila acorda às 5h20 para cumprir os ritos da manhã. Escuta música no chuveiro e gosta de manter o direito de beber um café sem pressa. É uma grande organizadora de tempo. Já na segunda-feira tem todos os outros dias previamente definidos e as aulas da semana em pastas com etiquetas. Adianta os planos de aula e chega cedo na Universidade Federal do Espírito Santo para lecionar.

Geralmente dá aulas de manhã na Ufes e de noite em uma instituição particular. De tarde prepara as aulas. Chega em casa por volta das 23 horas e tem tido alguma dificuldade para dormir. É uma pessoa capaz de rir de sua personalidade e isso não deixa de ser uma espécie de sabedoria. Camila faz piada com sua organização ou com a mania de limpar a casa sempre nos mínimos detalhes. Acha graça quando alguém a reconhece na rua como candidata. Nem os vizinhos sabem. Usa caneta de ponta, não risca livros com caneta, nunca quebrou o braço, não sabe assobiar e sua campanha não vai ter jingle. (Transcrevi trechos)

Brasil não tem Camila Vallejo. Tem Camila Valadão

Camila Vallejo, um mito internacional
Camila Vallejo, um mito internacional

Camila Vallejo revolucionou o Chile, promovendo uma greve de oito meses, com o apoio dos estudantes, professores e pais de alunos, pelo ensino público grátis. Conseguiu o primeiro mandato de deputada federal, e os chilenos sonham elegê-la presidente.

A greve de Camila Vallejo apagou de vez a legenda do medo criada pelo ditador Pinochet. Será que Camila Valadão conseguirá mudar o Espírito Santo, um estado com seu meio-ambiente ameaçado pelo Porto de Açu, pouso de naves dos traficantes de cocaína, invadido pelos milicianos e bicheiros do Rio de Janeiro e repleto de corruptos no executivo, no legislativo e no judiciário?

Camila Valadão, do PSOL, concorre pela 1ª vez em uma eleição e é a mais jovem a tentar o cargo de governador em 2014

 

por Aretha Martins

O que você faz aos 29 anos? Busca um bom emprego, deixa a casa dos pais, pensa em casar? Camila Valadão se encaixa em parte desse perfil, mas tenta um pouco mais. A 28 dias de completar 30 anos, idade mínima estabelecida pela Constituição para um governador, a representante do PSOL é a candidata mais jovem ao governo estadual nas eleições deste ano, concorrendo ao cargo no Espírito Santo.

Camila, que se descreve como da oposição, é assistente social e mestre em política social pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e disputa o seu primeiro pleito. Desde o começo do ano, quando deixou a casa da mãe, Rita de Cássia, no município da Serra, mora sozinha na capital Vitória para cuidar da campanha. “Facilita para a candidatura, para cumprir a agenda. Mas minha mãe vem sempre para ajudar, principalmente com as coisas da casa”, disse a candidata em entrevista ao iG.

Militante desde os 17 anos – começou no PT e migrou para o PSOL em 2005 –, Camila afirma que a primeira reação ao saber que seu nome era cotado para disputar o governo do Estado foi um susto. “Eu fiquei muito aflita e muito desesperada. Eu pensava: ‘Não tem como, não tenho preparação ou qualificação para isso’”, relembrou Camila, escolhida pelo partido depois de meses de debates por se encaixar no perfil de alguém com potencial para dialogar com a juventude e várias classes sociais.

“Até a homologação, eu acordava todos os dias pensando: ‘É isso mesmo? Sou candidata mesmo? É real?’. Agora eu já assimilei a tarefa e tenho vivido tudo em torno dela. Já tenho tocado a agenda da candidatura na íntegra. O medo já passou”, afirmou.

Para ela, a candidatura é mais um trabalho, e a pouca idade em relação aos concorrentes – Casagrande, candidato à reeleição, tem 53 anos e Paulo Hartung, que já foi governador do Espírito Santo, tem 57 – não é um problema. Camila afirma que, apesar de ela e seu partido saberem que governar um Estado é uma grande responsabilidade, não é uma tarefa absurda pela premissa de que quem governa não governa só. “Certamente o nosso governo não seria o da Camila e seus 30 anos de idade, mas das ideias que a gente está se propondo a defender”, comentou.

Estréia na disputa

Camila Valadão é professora e já trabalhou como assistente social
Camila Valadão é professora e já trabalhou como assistente social

Antes de 2014, a candidata era concorrente apenas nos sonhos do pai, Sérgio Valadão. “Eu falava que ia ser presidente quando eu era criança, e meu pai apoiava. Lembro bem que na, eleição anterior, quando Dilma já aparecia com chance, meu pai dizia: ‘Ela não vai ser eleita porque a primeira presidente mulher do Brasil será você’. Ele continuou com a ideia, eu que a abandonei assim que cresci. Eu sempre quis ser professora”, conta.

Apesar de ter desistido da ideia de ser presidente, a jovem cresceu rodeada por políticos. Seus pais ajudaram a fundar o PT na cidade de Serra, por exemplo. Ela relembra ter crescido no meio das atividades, de plenárias, em comícios, em visitas a assentamentos do MST. Entretanto, a primeira possibilidade de uma candidatura veio em 2010. O PSOL cogitou que ela concorresse à Prefeitura de Vitória naquele ano, mas o final do mestrado e a dissertação a impediram de seguir com a ideia.

Camila Valadão é professora e já trabalhou como assistente social
Agora, a primeira candidatura de Camila é logo para o cargo de governador. “Até o momento, a receptividade em torno da campanha tem sido muito positiva. Acho que as pessoas têm se surpreendido. Ousadia é a palavra que a gente tem escutado de muita gente e inclusive usamos isso até no slogan da campanha”, explicou. Será que começar pelo governo pode significar ambição para os eleitores? “Até o momento eu não tenho percebido isso, não. Vamos ver mais para frente”, respondeu.

O episódio que ela conta como desconfortável foi no dia da homologação da campanha, quando relata ter recebido um tratamento diferenciado em relação aos outros candidatos. “O governador, o Casagrande, me cumprimentou com um beijo na testa. Eu fiquei incomodadíssima com isso. Os outros ele cumprimentou com aperto de mão. Eu achei um ato machista e uma tentativa de inferiorização. Quem você beija na testa? Um amigo ou um filho. Eles podem ter essa percepção por eu ser uma jovem, mas posso assegurar que essa jovem vai dar muito trabalho”, desafiou a candidata. Segundo ela, os debates serão uma boa oportunidade para a população ver como “estamos bem preparados”.

Já algumas reações ela encara com bom humor. Solteira, Camila Valadão é alvo de pretendentes. “Já recebi muitos pedidos de casamento pelo Facebook. Acham que estou participando das eleições para casar, mas não é.”

Apesar da rotina intensa com a campanha e do desafio de tentar ser a governadora mais nova do Brasil – Ciro Gomes assumiu o comando do Ceará em 1990, aos 32 anos –, a candidata do PSOL não deixa de lado as atividades corriqueiras e que lhe dão prazer. “Adoro sair, ouvir música e gosto muito de ler. Gosto de MBP, rock, forró… Gosto muito de leitura que tenha a ver com tema de política, mas também literatura em geral”, resumiu.

Camila

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