Juiz envolvido na morte de dois jornalistas de Minas Gerais

Justiça censura jornalista

Vários juízes substituíram os coronéis da ditadura militar nos serviços sujos de censura a jornalistas.

Sempre repito: a morte de um jornalista é a solução final da censura.

Que fique sabendo o Conselho Nacional de Justiça, CNJ, presidido pelo ministro Joaquim Barbosa, que tem um juiz acusado de participar da quadrilha que chacinou os jornalistas Walgney Carvalho e Rodrigo Neto.

Em Ipatinga, a sede de um grupo de extermínio com juiz, médico legista (Jose Rafael Miranda Americano), entre outras autoridades,  corre o boato do envolvimento do presidente da Câmara, Werley Glicério Furbino. Só tem gente fina. Os executores das mortes são policiais. Foi preso o investigador José Cassiano Guarda.

O Brasil precisa federalizar já! os inquéritos dos jornalistas martirizados, pela participação, em 99 por cento dos casos, de policiais ou ex-policiais.

Uma semana antes de morrer, Rodrigo Neto apresentou, para a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, uma relação de crimes em Ipatinga e outras cidades mineiras. O depoimento vazou. Que a AL divulgue o depoimento. Nele estão os nomes dos assassinos.

Na Assembléia, quando Aécio Neves era governador, um deputado deu um tapa na cara de uma jornalista diretora da assessoria de imprensa parlamentar. Um coronel da guarda do governador fez uma jovem jornalista ajoelhar, com um revólver engatilhado na cabeça.

Com coragem, idealismo e amor ao jornalismo, escreve Heron Guimarães:

jornalista ameaça censura

Extermínio em Ipatinga
 
A mais nova denúncia do presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, deputado Durval Ângelo, que aponta a participação de um juiz no extermínio de jornalistas no Vale do Aço, lança mais um sinal de alerta para os poderes constituídos do Estado.

Isso porque os assassinatos dos dois repórteres no Vale do Aço não podem, de forma alguma, ser tratados como homicídios comuns, que, apesar de igualmente inadmissíveis, não despertam mais, na população e nos próprios órgãos de segurança pública, a comoção que deveriam.

Ao que tudo indica, o repórter Rodrigo Neto, acostumado a fazer coberturas policiais, encontrou uma linha investigativa que ligava policiais de Ipatinga a crimes bárbaros e a um grupo de extermínio. Acabou sendo fuzilado após deixar uma bar que tinha o hábito de frequentar. Morreu cedo e abreviou sua passagem pela vida, deixando esposa e filhos.

Um mês depois, seu colega de profissão, o fotógrafo Walgney Carvalho, morreu em circunstâncias semelhantes. Assim como Neto, deixou família e filhos. Assim como Neto, foi covardemente fuzilado após um momento de descontração. Ele também participava das “investigações” que deixariam em maus lençóis homens da “lei” que mudaram de lado.

Neto e Carvalho sabiam demais e, certamente, por saberem demais, escarafunchavam demais, aliás, o que todo bom jornalista, por convicção ou por dever de ofício, honraria em fazer, desde que munido de coragem.

A situação é bem mais grave e vai além da necessidade de se fazer a justiça tão rogada pelos familiares e pelos amigos dos dois profissionais mortos; assim como no caso Tim Lopes, quando traficantes cariocas popularizaram o termo “micro-ondas”, estamos diante de um verdadeiro atentado à liberdade de imprensa e à democracia.

Evidências que apontam para o envolvimento de policiais já seriam o bastante para que todas as forças de Minas se unissem e reforçassem as investigações, tirando de Ipatinga o comando central das investigações.

Agora, com essa nova hipótese lançada por Durval, colocando no rol de suspeitos um membro do Judiciário, a gravidade aumenta. É preciso dar uma resposta ainda mais clara para a sociedade, apresentando, com o máximo de urgência, os responsáveis por tais barbaridades.

As vagas dos repórteres assassinados não estão sendo preenchidas por outros jornalistas por causa do temor que se abateu sobre a região de Ipatinga, mas o medo deve ser de todos. Não o medo de boçais que resolvem suas podres questões e escondem suas sujeiras matando e fazendo desaparecerem provas vivas, mas o medo de um Estado inerte, incapaz de agir.

 
 
 
 

Afastado ( pra onde?) o desembargador Francisco de Assis Betti de Minas Gerais

Desembargador Francisco Betti
Desembargador Francisco Betti

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceitou denúncia e afastou do cargo, nesta quarta-feira (7), o desembargador Francisco de Assis Betti, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ele é acusado de receber propina de empresa de consultoria em troca de liminares que liberavam valores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) a prefeituras em débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Afastado. Que diabo é afastado?

Afastar. Retirar para longe. Separar.

Afasta de mim este cálice.

Há algum tempo venho refletindo sobre a rogativa de Jesus “Pai, Afasta de mim
este cálice
” [1] , um pouco antes de Dele ser capturado pelos romanos.

O entendimento que tinha era um pedido para nos deixar longe de algum tipo de tentação, seja uma traição, uma ofensa ou ato ilícito, cometido pelo ego. “Não quero mais fazer isso, então me afaste de situações que eu poderia o fazê-lo“. Acredito que o meu pensamento esteja mudando, diante de tantos fatos, pois, não há como negar que somos seres que tem pré-disposições e tendências.

É até engraçado ver situações se repetirem constantemente. Hoje percebo com mais clareza, algumas situações insistentes. Certa vez fiquei quase uma semana recebendo, todo “o santo dia“, troco a mais em vários mercados e coletivos. Uma hora peguei o hábito de acusar e devolver o dinheiro. A partir da conquista deste hábito eu quase não mais recebo troco errado. Coincidência? Eu creio que não.

Me recordo especialmente desta rogativa quando o meu lado sombra resolve se mostrar, fazendo aquilo que tenho inclinações. Fugir de um vício é escondê-lo, como varrer o pó para baixo do tapete. Um dia ele terá que ser limpo e seria melhor que fosse o quanto antes.

Talvez a única forma de nos afastar do cálice seja ter contato com ele, para que naturalmente possamos o afastar.

Pai, afasta de mim este cálice, para que eu possa remover estas má inclinações da minha alma, e agora sei que o Senhor me expõe a todas elas para que eu possa, pela minha possa vontade, me afastar, vitorioso e contente por não precisar esconde-lo.

Em tempo, a letra de Chico Buarque, também inspirada nesta rogativa é
muito bela.

[1] – Marcos 14:36

17 prefeitos bandidos
presos e soltos

O STJ também começou a analisar a participação da desembargadora Ângela Maria Catão, também do TRF1, no esquema. No entanto, o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Herman Benjamim. Até o momento, sete dos 15 ministros que compõem o colegiado já rejeitaram a denúncia, e uma ministra recebeu a denúncia apenas em relação ao crime de corrupção passiva. Após o pedido de vista, pode haver mudança no placar caso algum ministro decida voltar atrás.

A Operação Pasárgada resultou na prisão de 17 prefeitos de Minas Gerais e da Bahia. Segundo a Polícia Federal, o esquema gerou um rombo de pelo menos R$ 200 milhões nos cofres públicos.

Dinheiro roubado dos miseráveis que, na sua grande maioria, recebem pensões e aposentadorias de 545 reais.

200 milhões. Uma boa dinheirama no bolso de uma quadrilha de almas sebosas.

Nova denúncia

Nesta quarta, o Ministério Público Federal também apresentou ao STJ novas denúncias contra quatro conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Eles são suspeitos de contratar funcionários “fantasmas” e também foram investigados na Operação Pasárgada da PF.

O MPF não informou os nomes dos conselheiros. Na denúncia, foi pedido que eles fossem processados pelos crimes de falsidade ideológica, corrupção, peculato e prevaricação.

Segundo o MPF, a apuração revelou indícios de ligação entre uma organização criminosa e conselheiros do TCE-RJ que, supostamente, recebiam vantagens indevidas em troca de votos favoráveis na análise de contas municipais.