Vice de Marina alimenta teoria da conspiração. Mas esquece de nomear os interessados e beneficiados com a morte de Eduardo Campos

Marina avião

Disse o deputado Beto Albuquerque, que se tornou candidato à vice-presidente no lugar de Marina que ganhou o lugar de Eduardo Campos na disputa presidencial: “Continuamos querendo explicações das causas do acidente, como ele caiu e porquê”.

Este “porque”, persiste na cabeça do povo, e motiva o voto justiceiro que beneficia a candidata socialista Marina Silva e o próprio Beto, que sempre teve o apoio dos latifundiários, e ligado à indústria de armas, que abastece as polícias estaduais dos governadores.

O voto justiceiro é um voto de vingança. Boatos e rumores e palavras senhas como “caixa preta”, “drones”, “providência divina”, “avião fantasma” provocam a derrota de Dilma e Aécio, antes considerados vitoriosos pelas pesquisas.

Slogan tipo “não vou desistir do Brasil” faz renascer a profecia do sebastianismo, que persiste no inconsciente popular, e ressuscita Eduardo Campos, “vivo” e encarnado em uma santa Marina Silva, sacerdotisa de uma “nova política”.

 

O AVIÃO DA CAMPANHA DE EDUARDO CAMPOS E MARINA

Beto

 

 

247 – O PSB continua encontrando dificuldades para explicar a quem pertencia o avião que vitimou Eduardo Campos e outras seis pessoas, na recente tragédia aérea em Santos. Os antigos proprietários, do grupo AF Andrade, alegam ter vendido a aeronave a pessoas próximas a Eduardo Campos. O empresário que teria intermediado a transação, o pernambucano Aldo Guedes, sócio de Campos numa fazenda, nega ter adquirido a aeronave. O problema é que, tanto em um caso como em outro, o avião não poderia ter sido cedido à campanha, por não pertencer a uma empresa de táxi aéreo. E ninguém se dispõe a assumir a propriedade, uma vez que teria que arcar com os custos de indenizações às vítimas do acidentes.

Caso o imbróglio persista, a candidatura do PSB à presidência da República, encampada por Marina Silva, poderá até ser impugnada, uma vez que o uso da aeronave, também utilizada por Marina em outros voos, configuraria fraude à Justiça Eleitoral (leia mais aqui).

É uma situação tão delicada que Marina Silva, que fez campanha hoje em São Paulo, se negou a falar sobre o caso. Quem se pronunciou foi seu vice, Beto Albuquerque (PSB-RS), em tom de desafio à Polícia Federal, instando as autoridades policiais a provar qualquer irregularidade – na verdade, caberá ao PSB provar que o avião tinha dono, poderia ter sido usado como táxi aéreo e foi, de fato, contratado pela campanha.

Leia, abaixo, trecho da reportagem da Agência Brasil sobre a evasiva de Marina Silva e a declaração de Beto Albuquerque:

Ao ser questionada sobre notícia publicada hoje pela Folha de S.Paulo de que a Polícia Federal vai investigar se a aeronave do acidente que matou Eduardo Campos foi comprada com dinheiro de caixa 2 do PSB, Marina deixou que seu vice, Beto Albuquerque, respondesse à pergunta. “Continuamos querendo explicações das causas do acidente, como ele caiu e porque a caixa-preta não tinha gravado [a conversa no avião]. Não sei o que a Polícia Federal está falando, mas se ela está falando, ela precisa apurar antes de falar. O partido prestará informações a todos sobre as condições daquele contrato”, falou ele, acrescentando que o PSB deve se pronunciar durante a semana sobre o assunto.

marina avião

[P.S. Não esquecer que, no primeiro debate, Marina Silva pediu uma investigação da Polícia Federal. A investigação está sendo realizada, mas ela mudou, como sempre, de opinião. Não quer mais a polícia federal. Talvez prefira uma investigação exclusiva da polícia de Alckmin ou do Tio Sam.]

 

Enio
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Em Pernambuco, teorias conspiratórias são usadas para explicar a morte de Campos

Autores de ‘atentado’ são os mais diversos nas ruas do Recife

Quem tem medo de Eduardo

por Letícia Lins/ O Globo

A investigação sobre as causa do acidente que matou o ex-candidato do PSB à Presidência da República Eduardo Campos ainda não tem data para ser concluída. Mas, para grande parte da população pernambucana, a tragédia já tem uma explicação: trata-se de um “atentado”. Essa, pelo menos, é a versão que corre no cemitério onde o socialista foi enterrado, nas praias, nas esquinas, em escritórios do Recife. E não foi por outro motivo que a palavras mais repetida, aos gritos, por pessoas durante todas as cerimônias fúnebres do ex-governador foram: “Justiça, justiça!”.
O GLOBO ouviu 30 pessoas em quatro bairros da capital, e apenas duas não compartilham da mesma suspeita, que intriga os pernambucanos desde a última quarta-feira. A equipe ouviu conversas espontâneas no meio das ruas e abordou também pessoas de todas as classes sociais. Não há limite para procurar culpados. As pessoas apontadas como “responsáveis” vão da presidente Dilma Rousseff à “máfia do PT”. De alguém “muito invejoso” à ex-senadora Marina Silva, candidata a vice quando houve a tragédia.

Ambulante na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, onde vende cerveja e refrigerantes, Francisco Tenório gritava à beira mar, na segunda feira:

‘FOI A MÁFIA DO PT’

—Vou dizer uma coisa a vocês. É muito estranha a morte de Eduardo Campos. Ele era um grande guerreiro. Quem matou foi Dilma, foi o PT. Nós somos fiéis a Eduardo. O avô dele, Miguel Arraes, era nosso amigo. Eu garanto, quem matou Eduardo foi a máfia do PT. Vamos escolher um novo presidente — dizia.

Professora universitária aposentada, Maria Helena Cruz de Oliveira também já formou sua opinião. Ela só falava no assunto, ao chegar logo cedo em um salão de estética, no bairro do Rosarinho:

— Eu acho que foi sabotagem. Esse negócio de caixa preta que só gravou as conversas de outro voo, para mim, não passa de enrolada. Pode ser até que o acidente tenha sido de verdade. Mas na minha mente, foi uma coisa programada mesmo. Claro que há muito interesse no desaparecimento de Eduardo, inclusive de partidos contrários a ele, como o PT — afirmou ela.

‘FOI ALGUM LOUCO’

Irmãs, Maria Cordeiro das Neves e Aládia Neves, que trabalham em um salão de beleza, informaram que a maior parte da clientela também acredita na hipótese de sabotagem. Da mesma ideia, compartilham as duas:

— Acho que houve, sim, sabotagem. Algum louco. Não acredito que foi só um acidente e Deus permita que eu esteja enganada — suspeita Aládia.

– Para mim, também houve alguma coisa estranha. A forma como descreveram o acidente… Parecia até um traque de massa estourando no ar — disse Maria, comparando o avião ao fogo junino.

‘FOI UM ASSASSINATO’

Eleitora do ex-presidente Lula por duas vezes e de Dilma Rousseff no último pleito presidencial, a dona de casa Maria do Carmo (ela não quis dizer o sobrenome) se preparava para votar em Eduardo para presidente em 2014. E não escondia a tristeza e a suspeita:

— Foi uma perda que os brasileiros e pernambucanos só têm a lamentar. Para mim, foi um assassinato. Não quero culpar ninguém, mas o ser humano morre de inveja de quem tem sucesso. Eduardo Campos era uma estrela que ia subir muito. Na minha rua, na minha família, por onde ando, é unanimidade. Se você for conversar, vai dar 99,9% de pessoas que pensam que foi um atentado. Meu sonho agora é que se descubra quem fez isso— afirmou ela. Maria do Carmo esteve no domingo no cemitério de Santo Amaro, onde o socialista foi sepultado.

‘OLHO GRANDE’

Ainda há pessoas que atribuem o acidente ao “olho grande”, como foi o caso da dona de casa Maria das Dores da Silva. Ela mora em uma comunidade que fica às margens do rio Capibaribe:

— Mataram aquele homem. O avião não ia cair assim. Foi alguém com olho grande. Ele era humilde, falava com todo mundo, dizia que ia fazer mudanças, uma pessoa simples. Para mim, o acidente foi provocado — disse ela, enquanto sua fala era aprovada por duas outras vizinhas, no bairro de Dois Irmãos.

Até mesmo o Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, tocou no assunto, durante a homília da missa de corpo presente no velório, no Palácio do Campo das Princesas:

— Como isto é algo que parece tão incompreensível para muitas pessoas, não só podemos como temos até que perguntar de que maneira tudo isto aconteceu — disse ele no domingo.

Dúvidas também circulam até no Palácio do Governo, onde os restos mortais de Eduardo foram velados:

— Quando penso no que aconteceu, os indícios aparecem divididos na minha cabeça. 50%do que penso é que houve um acidente, mas os outros 50% me induzem à hipótese de atentado — disse Manoel Messias, assessor do governador João Lyra Neto (PSB).

‘QUEM TERIA O INTERESSE?’

Para o ex-secretário de Imprensa do então governador Eduardo Campos, Evaldo Costa, só resta às autoridades uma alternativa:

— A Polícia Federal, o governo federal, a Aeronáutica não podem economizar nenhum esforço na investigação. Porque o que ocorreu envolve o sonho da população, a segurança da aviação. Quem, enfim, teria interesse em matar Eduardo Campos? Seja acidente ou atentado, o que não pode é que as autoridades brasileiras deixem que nos restem dúvidas sobre isso — disse.

O aposentado Fernando Laime também desconfia:

— Alguém cortou o seu sonho no meio do caminho. Ao meu ver, foi um atentado. Até porque é muito estranho o que ocorreu com a caixa-preta — disse.

‘NÃO FOI MARINA?’

Alguns, como uma faxineira, chegam a levantar hipóteses absurdas.

— E não foi Marina? Ela era a mais interessada, porque agora a candidata vai ser ela.

A esteticista Ilusca Estefânia da Silva não acredita em atentado.

— Pelo que o povo está pensando, as pessoas interessadas na morte dele seriam os candidatos Dilma e Aécio. Mas os dois só têm a perder com a morte de Eduardo. Porque Marina passa na frente de Aécio, e tem chance de chegar ao segundo turno. Logo, nem mesmo teoricamente, haveria interesse por parte dos dois outros candidatos na morte dele. Falam que era o tipo de combustível usado no avião. Realmente só as autoridades podem explicar o que aconteceu.

Ex-prefeito do município da cidade de Jaboatão dos Guararapes, aos 93 anos, o ex-deputado Newton Carneiro foi outra voz dissonante em meio a tantas e curiosas suposições:

— O que houve foi uma fatalidade. Já soube que naquela região de Santos tem muita ventania. Eduardo era um santo, não fazia mal a ninguém, e não acredito que alguém tivesse interesse em matá-lo.

meme 1

meme 2

[Postei o material ilustrativo. São memes que circulam na internert. A reportagem de Letícia Lins mostra uma realidade que os marqueteiros burros de Dilma não conseguem lidar. É uma campanha emocional. A teoria da conspiração foi iniciada com a queda do avião. A “confirmação” do atentado vem sendo fortalecida com as seguintes senhas: “avião fantasma”, “drone”, “investigação do acidente”, principalmente quando solicitada por Marina e Beto Albuquerque, “caixa-preta”]

Jornalista estadunidense sobre a morte de Eduardo Campos e o “silêncio” da caixa-preta”: A CIA sempre conseguiu encobrir sua participação em outros acidentes de avião na América Latina

 

Revista Veja informa que “caixa-preta não gravou áudio do voo de Campos, diz FAB

Áudios captados pelo equipamento são referentes a outro voo – até agora, não se sabe qual. Investigação será aberta para apurar o caso”.

A Veja apenas está alimentando a idéia de que Eduardo Campos foi vítima de um atentado político, conforme noticiário insinuado pela mídia desde o voo da morte, que Marina recusou ser passageira.

Leia aqui a propaganda fúnebre da revista Veja.

Campos substituído, como candidato, por elemento importante na infraestrutura política coordenada por George Soros

 

desistir Brasil Eduardo

por Wayne Madsen (*)

O mais provável é que jamais se conheçam todos os detalhes do acidente que matou Campos. Participam hoje das investigações sobre o acidente a National Transportation Safety Board (NTSB) e a Federal Aviation Administration, do governo dos EUA. Membros dessas duas organizações com certeza serão informados do andamento das investigações e passarão tudo que receberem para agentes da CIA estacionados em Brasília, os quais tudo farão para ter o título “Trágico Acidente” estampado no relatório final.

A CIA sempre conseguiu encobrir sua participação em outros acidentes de avião na América Latina que eliminaram opositores do imperialismo norte-americano naquela parte do mundo. Dia 31/7/1981, o presidente Omar Torrijos, do Panamá, morreu quando o avião da Força Aérea panamenha no qual viajava caiu perto de Penonomé, Panamá. Sabe-se que, depois que George H. W. Bush invadiu o Panamá em 1989, os documentos da investigação sobre o acidente, que estavam em posse do governo do general Manuel Noriega foram confiscados por militares norte-americanos e desapareceram.

Dois meses antes da morte de Torrijos, o presidente Jaime Roldós do Equador, líder populista que se opunha aos EUA, havia também morrido num acidente de avião: seu avião Super King Air (SKA), operado como principal aeronave de transporte oficial pela Força Aérea do Equador, caiu na Montanha Huairapungo na província de Loja. No avião, também viajavam a Primeira-Dama do Equador, e o Ministro da Defesa e esposa. Todos morreram na queda do avião. O avião não tinha Gravador de Dados do Voo, equipamento também chamado de “caixa preta”. A polícia de Zurique, Suíça, que conduziu investigação independente, descobriu que a investigação feita pelo governo do Equador encobria falhas graves. Por exemplo, o relatório do governo do Equador sobre a queda do SKA, não mencionava que os motores do avião estavam desligados quando a aeronave colidiu contra a parede da montanha.

Como o avião de Roldós, o Cessna de Campos também não tinha gravador de dados de voo. Além disso, a Força Aérea Brasileira anunciou que duas horas de conversas gravadas pelo gravador de voz da cabine de voo do Cessna em que viajava Campos não incluem qualquer conversa entre o piloto, copiloto e torre de controle naquele dia 13 de agosto. O gravador de voz da cabine a bordo do fatídico Cessna 560XL foi fabricado por L-3 Communications, Inc.de New York City. Essa empresa L-3 é uma das principais fornecedoras de equipamento de inteligência e espionagem para a Agência de Segurança Nacional dos EUA, a mesma empresa que fornece grande parte das capacidades de escuta de seu cabo submarino, mediante contrato entre a ASN (Agência de Segurança Nacional – NSA em inglês) e a Global Crossing, subsidiária da L-3.

Embora Campos não fosse inimigo dos EUA, sua morte em circunstâncias suspeitas, apenas poucos meses antes da eleição presidencial, substituído, como candidato, por elemento importante na infraestrutura política coordenada por George Soros, cria alguma dificuldade eleitoral para a presidenta Rousseff, que Washington, sem dúvida possível, vê como adversária.

Wayne Madsen
Wayne Madsen

[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al Jazeera, Strategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.

A caixa-preta da Polícia Militar mineira

por Cristina Moreno de Castro

 

 

pm cris

Em 26 de novembro de 2012, um servente de pedreiro foi assassinado por policiais militares durante uma suposta troca de tiros no Aglomerado da Serra. O caso foi investigado pela Corregedoria da PM. Acompanhei de perto o episódio e, no dia 28, entrevistei uma liderança do aglomerado, que me explicou que o clima estava tenso desde a morte de tio e sobrinho em fevereiro de 2011, também por policiais.

Naquele mesmo dia, entrei com um pedido de informações para o Governo de Minas, usando a Lei de Acesso à Informação. Para quem não sabe, esta é uma lei de 2011 que permite a qualquer cidadão solicitar e receber dos órgãos e entidades públicos, de todas as esferas e Poderes, informações de interesse público.

Na minha solicitação, fiz os seguintes questionamentos:

“Gostaria de solicitar do governo de Minas, por meio de sua Polícia Militar, informações sobre: 1) quantas denúncias de agressão, letal ou não, a cidadãos, foram recebidas contra cada Batalhão da PM em Belo Horizonte, em 2012 e historicamente. 2) na lista, quantas dessas denúncias dizem respeito a agressão letal. 3) dessas denúncias, quantas foram apuradas pela Corregedoria de Polícia. 4) desses processos abertos, quantos resultaram em punição e quantas prisões de policiais denunciados ocorreram, por BPM.”

De acordo com a Lei de Acesso à Informação, “se a informação estiver disponível, ela deve ser entregue imediatamente ao solicitante. Caso não seja possível conceder o acesso imediato, o órgão ou entidade tem até 20 (vinte) dias para atender ao pedido, prazo que pode ser prorrogado por mais 10 (dez) dias, se houver justificativa expressa.”

Eu tinha a doce ilusão de que nossas polícias e nossa Secretaria de Estado de Defesa Social possuíam (ou possuem) um sistema informatizado, com registro de todos os crimes, em especial os cometidos por seus agentes. Ou seja, os 30 dias de prazo previstos pela Lei de Acesso à Informação seriam mais que suficientes para tabular o que foi pedido por mim, considerando apenas os batalhões de Belo Horizonte, pelo menos no que diz respeito ao ano de 2012.

Mas, como eu disse, isso é uma doce ilusão.

No dia 21 de janeiro de 2014, passados mais de um ano do meu pedido, portanto, o Controlador-Geral do Estado, Plínio Salgado, enviou um ofício para o Comandante-Geral da Polícia Militar, Márcio Martins Sant’Ana, pedindo resposta à minha demanda — dentre outras — em caráter de urgência, por estarem pendentes desde 2012.

A resposta da PM veio apenas em 20 de março, chegando até mim na última sexta-feira, dia 25 de abril, assinada pelo coronel da PM Renato Batista Carvalhais, Corregedor da instituição. Com 16 meses de atraso.

Em sua resposta, ele traz 13 parágrafos com justificativas sobre o funcionamento do sistema de informática da PM, dizendo que ainda não foi definido pela PM, passados mais de dois anos da promulgação da Lei de Acesso à Informação, os dados que serão classificados como se natureza sigilosa e concluindo: “nos vemos impossibilitados de atender à demanda apresentada”. Você pode ler os documentos clicando aí: Of 2146 Lei de acesso à Informação.

A resposta só não foi de todo perdida porque o corregedor disse, a certa altura, que o sistema de Procedimento Administrativo Disciplinar Informatizado (PADI) registrou, em 2012, 293 casos de agressões cometidas por policiais, 71 fatos de lesão corporal, 8 de tentativa de homicídio e 23 de homicídio consumado. Em 2013, o mesmo sistema registrou 285 agressões, 19 fatos de lesão corporal, 3 tentativas de homicídio e 9 homicídios consumados.

Há ainda fatos registrados nos dados do Sistema Informatizado de Recursos Humanos (SIRH), que não foram informados na resposta.

Não foi esclarecido se esses fatos registrados no sistema PADI são de todo o Estado, se são ocorrências em investigação pela corregedoria e qual a diferença entre o sistema PADI e o SIRH. Muito menos foi respondido o que perguntei, sobre o nível de letalidade dos nossos batalhões, sobre quantos processos terminaram com investigação e quantos culminaram em uma punição etc.

Assim, sabemos apenas que houve 32 homicídios provocados por policiais militares em dois anos, provavelmente em todo o Estado, que chegaram ao sistema da Corregedoria da PM. De um total de quantos? Não fazemos ideia.

O que podemos concluir disso tudo? Primeiro, que a Lei de Acesso à Informação ainda é tratada como piada pelos nossos órgãos públicos (lembrem-se de como foi a resposta que tive da BHTrans, no âmbito municipal). Segundo, que ainda não temos o direito de saber, como cidadãos, se a parcela de policiais que cometem crimes graves está sendo devidamente investigada e punida e qual é essa parcela. Ou mesmo se moramos perto de um batalhão que é significativamente mais violento que outro.

Tenho pra mim que é apenas com transparência que os problemas se resolvem. Em Minas, esta transparência parece inexistir.

Leia também:

A caixa-preta da BHTrans (e a do governo de Minas)
O que nossos deputados estaduais fazem quando não têm o que fazer
Paz na Serra
Um a menos pra dar trabalho pra PM
A covardia da Polícia Militar

O “maloqueirismo” na mídia brasileira

por Lula Miranda

Esses jornalistas vivem enclausurados em seus próprios umbigos e crenças de classe. Tal qual vampiros* não saem à luz do dia – têm seus motivos [* sentido figurado: aquele que explora os pobres em benefício próprio]. Não se encontra um “maloqueiro” nas ruas e shoppings de sua cidade, por exemplo. Eles rastejam nas antessalas e corredores do poder. Não pegam ônibus, trem ou metrô; desconhecem, portanto, as agruras por que passam os cidadãos comuns. Seus patrões, zelosos, tal qual o bom carcereiro da fábula que embala os inocentes, vez em quando lhes coloca um prato de comida e uma cuia com água fresca, na porta de seus catres sombrios, para que estes se alimentem e matem a sua sede. Sede de água, vale o registro, mesmo sob o risco do pleonasmo – pois a sede de servir ao patrão, esta é insaciável.

São regiamente remunerados e recebem, a título de bônus, pequenos mimos e mordomias – para que, também eles, sintam-se parte integrante do que se convencionou chamar de “classe dominante” ou, numa linguagem mais vulgar, de “bem nascidos”. Viajam de 1ª classe; acomodam-lhes em bons hotéis estrelados; bebem vinho caro e bom champanhe; comem em bons restaurantes [de alta gastronomia] etc. A eles, em verdade, bem como aos seus leitores, são destinadas as migalhas, os restos dos banquetes em que se fartam os hipócritas.

Tal qual condenados, subjugados pelo seu próprio servilismo e vacuidade, eles sequer percebem, mas a cada movimento que fazem em seu claustro de misérias escuta-se ao fundo o rangido do lento arrastar dos grilhões e correntes invisíveis, que lhes servem de amarras. Grilhões e correntes invisíveis aos olhos dos justos e dos incautos, mas que não engana o rigoroso juiz que todos carregamos n’alma e que lhes assombram e comprometem o sono.

O “maloqueirismo” ou “jornobanditismo” é um neologismo, um conceito relativamente novo, nem tão recente decerto, mas que ainda não foi devidamente estudado, dicionarizado ou catalogado. Já foi traduzido, inapropriadamente, algumas vezes, por variados nomes e qualificativos, tais como “parcialismo”, servilismo ou sabujice, vilania, pena de aluguel, “escreventes da infâmia”, jornalismo fiteiro etc. Mas não é nada disso; é muito mais além, ou aquém.

É obra do jornalismo maloqueiro, por exemplo, a politização do descalabro, as denúncias seletivas, que só afetam determinado partido político; as manchetes tão grandiloquentes quanto vazias; a “espetacularização” da notícia; a utilização de arapongas e detetives mafiosos em seus métodos investigativos; o desrespeito às pessoas, a sujeição do outro ao linchamento moral e à desonra; a expropriação da identidade do indivíduo, o culto ao patrimônio, dentre outras mazelas e vergonhas.

Devemos, portanto, em nome da liberdade e do pluralismo da imprensa, condenar e denunciar esse tipo deletério de jornalismo. Transcrevi trechos

O mensalinho pariu o mensalão

Marcos Valério era pobre de marré deci. Não sei que diabo fez para ganhar duas agências de presente. Uma do sobrinho do vice-presidente José de Alencar. Outra de um vice-governador de Minas Gerais. Foi assim que começou o mensalinho tucano.

Com a primeira conta no governo de Itamar Franco presidente. Marcos Valério deixou de ser um marqueteiro provinciano. Sem esse pulo não haveria mensalão.

Os mais ricos marqueteiros do Brasil trabalharam ou trabalham para o PSDB e para o PT. Antigamente o nome era propagandista, relações públicas. Hoje esses marreteiros preferem ser chamados de cientista político.

Escreve Marco Antonio L.:

Bob Fernandes: No Supremo, há quem não esconda: Lula é o alvo

Marcos Valério teve relações financeiras com o PT. Como teve com o PSDB de Minas. Empresas de Valério tiveram negócios com empresas do grupo Oportunnity, de Daniel Dantas. Dantas teve ligações importantíssimas com gente importante no PSDB. Como teve ligações importantes com gente importantíssima no PT. Já passou da hora do PT vir a público e admitir os erros brutais que cometeu nesse contubérnio.

Condenado há 40 anos, Valério não quer ir para a cadeia. Para isso, fará e dirá qualquer coisa. Assim como Valério pode dizer o que quiser, a mídia tem o direito, e o dever, de publicar o que ele diz. Mesmo que, por ora, baseada apenas na palavra do condenado que não quer ser preso.

Há um consenso que esses são direitos democráticos, os de Valério, e os da Mídia. Como é de direito quem recebe tais informações, o telespectador, o leitor, fazer uma pergunta: por que o que Valério diz sobre Lula chega às manchetes e 115 páginas de documentos verídicos não são nem notícia? 115 páginas de documentos confidenciais produzidos em uma CPI ou obtidos em paraísos fiscais.

Valério prestou depoimento ao Ministério Público. Ele quer delatar e ser beneficiado com a liberdade. As 115 páginas de documentos estão num livro chamado “A Privataria Tucana”. As informações contidas no livro receberam um registro em dois grandes jornais.

Essas informações seguem inéditas em boa parte da chamada Grande Mídia. Inclusive na revista Veja. A pergunta de quem não conhece esse ramo é: por que manchetes num caso é silêncio, ou desqualificação, no outro caso? Em outros casos também. Leia mais.

Ricardo Antunes preso incomunicável

Tentei falar com Ricardo Antunes e não consegui. Em que porão da polícia de Pernambuco o jornalista, preso na antevéspera das últimas eleições, se encontra acorrentado, lembrando os tempos da ditadura de militar?

Tentei falar com o meu ex-aluno Antônio Lavareda e não consegui.

Sobre a prisão de Ricardo Antunes existe apenas um release – tudo indica que da autoria da polícia do governador Eduardo Campos – que foi publicado na imprensa e em uma imensidão de blogues. Este o release multiplicado ad infinitum:

“O jornalista Ricardo Antunes foi detido nessa sexta-feira, 5, por suspeita de extorsão. A Polícia Civil afirma que ele estaria tentando extorquir dinheiro do cientista político Antônio Lavareda, colunista da Rádio Band News FM. A quantia seria entregue em troca de que matérias sobre Lavareda fossem retiradas do blog ‘Leitura Crítica”.

Retirar notícias não é extorsão. Nunca será. Esta prática existe. Trata-se de uma corrupção comum na imprensa. O bicheiro Cachoeira é mestre nisso. Espionou autoridades, empresário, e filmou reuniões, gravou conversas telefônicas, roubou documentos secretos, forjou dossiês que foram publicados na grande imprensa escrita e televisionada, tendo jornalistas famosos como parceiros.  O ‘jornalismo investigativo’ de Cachoeira recebeu prêmios Esso de Jornalismo. Pobre imprensa brasileira, “pusilânime jornalismo” como bem definiu o jornalista, poeta, teatrólogo e filósofo Millôr Fernandes.

Apesar da origem sebosa este jornalismo marrom não é extorsão. Extorsão foram as matérias com assinaturas de jornalistas e espiões que Cachoeira não divulgou. A caixa-preta da imprensa está cheia dessas notícias escabrosas. Idem o livro 2 da polícia, a investigação policial sob segredo de justiça, e a justiça secreta do foro especial.

O Brasil é o país do segredo eterno.

A repetição da mesma notícia não é suíte, uma prática necessária, mas que vem sendo abusivamente realizada na cobertura do julgamento do mensalão.

Sobre a retirada de notícias: de repente, não mais do que de repente, a imprensa pára de publicar um suíte.

Suíte – é uma matéria que dá sequência ou continuidade a uma notícia, seja por desdobramento do fato, por conter novos detalhes ou por acompanhar um personagem.

O JORNALISMO COMO BALCÃO DE NEGÓCIOS

Pagar para publicar uma notícia ou não publicar faz parte do mercado negro do jornalismo.

Óbvio que na imprensa de papel é impossível retirar uma notícia depois de publicada. Paga-se para que determinado ato ou fato não seja mais noticiado.

Na internet isso acontece. No caso Lavareda-Ricardo Antunes falta saber quem tomou a iniciativa. Se Lavareda propôs: pago tanto para você retirar tais notícias. Um ato de corrupção e/ou armadilha que Ricardo Antunes caiu. Ou se foi Ricardo Antunes que fez a proposta nojenta: me vendo, retiro as notícias por dois milhões de reais.

Lavareda é banqueiro, empresário imobiliário e dono de duas agências de publicidade, noticiou Ricardo Antunes. Lavareda tem o dinheiro. Se Ricardo Antunes é tão esperto, por que aceitou receber em trinta prestações de 50 mil reais?

(continua)