Temer o grande eleitor da emenda da reeleição de FHC, defensor do coronel Ustra e pirata do porto de Santos

Escondem que Michel Temer foi três vezes secretário de Segurança de São Paulo, cargo que exerceu para abafar os crimes, nos porões da tortura e assassinatos, das polícias civil e militar de São Paulo. Para exemplificar sua cumplicidade, protegeu sanguinários e fanáticos do golpe de 1964, basta lembrar que se prestou a ser um dos 3-M, uma das testemunhas de defesa do torturador símbolo coronel Ustra.

Pelo exercício do cargo de secretário da Segurança, inclusive durante a ditadura militar, conseguiu se eleger duas vezes deputado da bancada da bala, até que deu o grande as-salto para a presidência da Câmara dos Deputados, por indicação do presidente Fernando Henrique, como moeda de troca por conchavar, no baixo clero, a aprovação da emenda da reeleição, com os votos de deputados e senadores comprados com diferentes moedas: dinheiro vivo, concessões de rádios e televisões, e cargos e mais cargos no primeiro, segundo e terceiro escalões do Governo Federal. A mesma negociação fez José Sarney, presidente de honra do PMDB, para esticar em um ano seu mandato presidencial. FHC, mais ambicioso, ganhou mais quatro anos de presidência. Pelo poder de chefe do Executivo, FHC elegeu Temer duas vezes presidente da Câmara dos Deputados. E o comprado Temer, como presidente da Câmara, passou a engavetar os pedidos de impeachment contra Fernando Henrique, e aprovar o rasga da CLT e a privataria tucana.

Pirata do porto de Santos (denúncia de ACM), Temer possui uma biografia embuçada pela imprensa, e desconhecida do povo em geral, que revelada aumentaria sua rejeição que beira os 99 por cento da população.

Escreve Maison Ramos:

 

O simulacro Temer

 

A mídia está vendendo Michel Temer como aquele que vai conter a crise; o seu governo é chamado de “governo de salvação”. Criam uma imagem irreal a partir de uma ilegitimidade.

O sistema político brasileiro foi corrompido aos poucos. Também aos poucos se dissolveram as utopias, polarizando a narrativa e o discurso ideológico como jamais havia ocorrido; divergentes e díspares, os diálogos apontaram para uma narrativa de ódio, avinagrados a sabores de corrupção, traições, conchavos e particularidades partidárias inerentes ao interesse público. Em resumo paragráfico, estes foram os fatos relevantes que nos conduziram até a imagem estatuária de Michel Temer.

Os interesses hegemônicos que movimentam a engrenagem política não estão ao alcance de boa parte da sociedade; significa dizer que a supressão de informações cria uma atmosfera irreal dos fatos. Mesmo não tendo assumido as funções de presidente da República – a comissão do senado ainda votará relatório sobre o afastamento de Dilma – Temer se comporta como se fosse legitimamente o mandatário da República. E não é.

Sobre a figura hierática repousa um ocultismo que não resistirá ao tempo. A mídia não vai sustentar por muito tempo a representação que criou de um homem impoluto, cuja imagem augusta se retrata nas manchetes de jornais e capas de revistas desde que se iniciou esta contenda. Os aliados que o Temer angaria para si são tão falsos quanto a representação do mito da caverna de Platão. Enquanto preparam o foguetório da vitória, mandam os coveiros cavarem a sua cova.

O simulacro se define por retratos de um político que acenou aos poderes hegemônicos e lhes prometeu até as calças para derrubar a presidenta da República democraticamente eleita; um homem que se aliançou ao maior chantagista deste país, hábil manipulador da política parlamentarista, para dar cabo a um plano de traição. Temer é, com efeito, o resultado da cavalgada insana da mídia contra o governo, dos próprios erros do governo a quem pertenceu até o rompimento e das malas-artes de Eduardo Cunha e seu séquito repugnante.

O governo Temer não andará muitos metros. Nascerá debilitado como tudo o que vem antes do seu tempo, prematuro, ilegítimo, forçado. Na antecipação da sanha golpista, deixaram o povo de fora da discussão. O que seria uma festa no dia 17 de abril se transformou o espetáculo mais deprimente da história política deste país; porque não receberam deliberação da população brasileira para fazê-lo. E achincalharam o eleitor com aquela história de homenagem à família e a Deus. Em nome de Temer e seu capanga Cunha.

Hoje o Brasil è sotto una cappa di piombo, como dizem os italianos. O céu carregado de nuvens tenebrosas nos faz lembrar 1964. A desfaçatez das forças antipovo impregna o discurso midiático, cria uma cortina de fumaça sobre o que de fato acontece no país. A atmosfera é pesada, ouve-se a conspiração em cada entrevista dada, numa contemporização do ósculo de Judas. Temer, contudo, verá o seu simulacro desfazer-se como vapor quando sentir o amargor da rejeição (8%) em pleno acesso ao poder. Minguará. Não haverá pluralis majestatis capaz de aglutinar adeptos a um eventual governo que nascerá ilegítimo.

NAO ESQUEÇA QUE MICHEL TEMER FOI TESTEMUNHA DE DEFESA DO CORONEL USTRA. TORTURA NUNCA MAIS

“É preciso ser cauteloso em relação a movimentos que podem ser prejudiciais ao avanço democrático”

Depoimento tocante da atriz Bete Mendes sobre a tortura

“Não dá para ter raiva de quem me torturou. A gente é tão humilhado, seviciado, vilipendiado que o que se quer é sobreviver e bem”, diz Bete Mendes
“Não dá para ter raiva de quem me torturou. A gente é tão humilhado, seviciado, vilipendiado que o que se quer é sobreviver e bem”, diz Bete Mendes

Sobrevivente da ditadura, a atriz Bete Mendes relatou à jornalista Eleonora de Lucena, da Folha, sua experiência na prisão, onde foi torturada. Leia abaixo.

Sobrevivi à tortura

Fui presa duas vezes. Na primeira, não fui torturada fisicamente. Na segunda, foi total. Fui torturada [em 1970] e denunciei [o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra]. Isso me marcou profundamente. Não desejo isso para ninguém – nem para meus inimigos. A tortura física é a pior perversidade da raça humana; a psicológica, idem.

torturador ultra brilhante

Não dá para ter raiva [de quem me torturou]. A gente é tão humilhado, seviciado, vilipendiado que o que se quer é sobreviver e bem. Estou muito feliz, sobrevivi e bem. E não quero mais falar desse assunto.

Superei isso com tratamento psicológico e com trabalho. Agradeço à família, à classe artística, aos amigos que foram meu alicerce. Carlos Zara me convidou para fazer a novela “O meu pé de laranja lima”, e isso me salvou. Continuei o trabalho artístico, fui fundadora do PT, fui deputada federal duas vezes e secretária da Cultura de São Paulo.

Comecei a fazer teatro e cantar com seis anos de idade. Com oito já participava de manifestações de alunos. Era do grêmio do colégio, depois fui para o diretório da faculdade. Em bibliotecas públicas ou pegando livros emprestados lia tudo: Rousseau, Marx, Mao, Lênin, Gorki, Aristóteles. Depois, adotei o codinome de Rosa em homenagem a Rosa Luxemburgo.

VAR-Palmares

Na adolescência escrevi textos de peças de teatro. Quando fui presa, eles levaram esses textos. Achavam que eles eram prova de crime, que depunham contra mim. Nunca mais os recuperei. Era coisa tão pouca, boba, pessoal.

Quando fecharam as portas à democracia, me senti usurpada, revoltada, aprisionada. Achei que a única saída era entrar numa organização revolucionária contra a ditadura militar. Entrei na VAR-Palmares. Fizemos aquela opção. Foi certa, errada? É difícil julgar hoje.

A minha visão era a revolução socialista: tirar o poder dos militares, dos opressores, do capitalismo selvagem. Deixar a gente governar para o bem de todos, com todos participando.

Eu tinha 18, 19 anos, e achava que podia fazer tudo. Não tinha consciência do risco imenso que estava correndo. Era atriz de uma novela que explodia no Brasil, “Beto Rockfeller”, estudava ciências sociais na Universidade de São Paulo e participava de uma organização clandestina revolucionária. Aí deu zebra.

O medo era a pior coisa que a gente sentia na época. Historicamente tem de se reconhecer que nós entramos numa ditadura muito mais pesada do que foi dito no passado. Isso vai sendo desdito atualmente pela Comissão da Verdade.

Hoje não tenho medo de retrocesso, mas é preciso prestar atenção em manifestações como de movimentos nazistas em vários países e no Brasil. Por exemplo? O coronel Brilhante Ustra faz parte desse movimento. Ele tem um site. Há jovens fazendo movimento nazista.

Democracia

É um receio. É preciso ser cauteloso em relação a movimentos que podem ser prejudiciais ao avanço democrático. Mas impedir jamais, porque a gente legitima a manifestação de todos, de opiniões diversas. É preciso cuidar da democracia para que esses movimentos não cresçam.

Sou política como qualquer cidadão. Sou cidadã, atriz, socialista. O socialismo se constrói todo dia. Não temos o modelo socialista do passado, mas a gente constrói um novo. Quero continuar trabalhando como atriz e viajar mais. Poder viver essa democracia até morrer. Sonho político? Que o trabalho escravo acabe no Brasil.

Estou aqui viva e feliz. Minha vida é muito efervescente. Emendei três trabalhos na televisão. Faço o que eu gosto: ser atriz. Não vamos ficar presos no passado. O que eu tinha de dizer, disse com todas as letras na época. “Revival” não tem sentido. Meu assunto hoje é [a novela] “Flor do Caribe”.

Problema de audição? Tenho. É que eu fui torturada [fica com os olhos marejados]. Brasil 247

Un ex represor de la dictadura brasileña vinculó a Dilma Rousseff con el terrorismo

Carlos Brilhante Ustra, ex jefe de la policía política, aseguró que participó en “cuatro organizaciones terroristas”. Raoussef, presa y torturada durante casi tres años, no le responderá

BRA_OE Ustra dilma terrorista

La presidenta de Brasil, Dilma Rousseff, no responderá la acusación de “terrorista” que le hizo el represor Carlos Brilhante Ustra, ex jefe de la policía política de la dictadura militar, quien ayer rompió un silencio de décadas para hablar de su rol en el gobierno de facto.

La oficina de prensa de la Presidencia de la República consignó que Rousseff, ex presa política bajo la dictadura, no emitirá ningún comunicado oficial sobre los dichos de Ustra, quien comandó el temible DOI-Codi, el organismo de inteligencia y represión de San Pablo.

“Todas las organizaciones terroristas tenían el objetivo de derrocar a los militares e implantar el comunismo. Incluso las cuatro organizaciones terroristas en las que participó nuestra presidenta querían eso, implantar el comunismo”, afirmó ayer el coronel retirado Ustra.

Acusado de 50 asesinatos y torturas, Ustra fue el jefe del Destacamento de Operaciones de Informaciones (DOI-CODI) , dependiente del II Cuerpo de Ejército, entre 1970 y 1974, consignó la agencia Ansa.

Las acusaciones contra Rousseff fueron expresadas al hablar ante la Comisión de la Verdad creada por Rousseff en 2011 para develar los crímenes cometidos durante el régimen militar cuando ella, ex miembro de una organización guerrillera, fue presa y torturada durante casi tres años.

Debido a la Ley de Amnistía de 1979 ningún militar puede ser procesado. La Comisión de la Verdad, creada a instancias de Rousseff, puede busca investigar lo ocurrido, pero sin consecuencias penales. (Télan)

ustra dilma

Brasil. “Si queremos una sociedad justa, una democracia real, debe haber justicia”

VICTORIA GRABOIS, PRESIDENTA DE LA ORGANIZACION TORTURA NUNCA MAIS, DE BRASIL

–El grupo Tortura Nunca Mais fue creado con el objetivo de localizar a todos aquellos que fueron desaparecidos durante la dictadura. Pero este grupo creció porque Brasil es un país donde reina la impunidad. Nadie que haya cometido un crimen de lesa humanidad fue juzgado. Sólo ahora, por primera vez, Carlos Alberto Brilhante Ustra, quien fue juzgado como “torturador” por parte de la Justicia. El día 14 de agosto, un juez de San Pablo de segunda instancia declaró que este hombre había torturado a los miembros de la familia Teles. Torturó al padre, a la madre y a los hijos. Este es el primer caso en Brasil en que un torturador es declarado torturador. Además, se han recogido recientemente las denuncias contra Sebastiao Curi y Licio Maciel, acusados de secuestrar y desaparecer a cinco miembros de la guerrilla de Araguaia. La jueza Fair Pimenta de Castro del segundo tribunal federal de Marabá aceptó finalmente las denuncias, lo cual es un hecho inédito en Brasil. La importancia del grupo Tortura Nunca Mais, es que no sólo trabaja con la violencia de la época de la dictadura, sino también con la violencia actual. Principalmente en la década del 90, donde acontecieron tres masacres emblemáticas, sobre todo por parte de la policía hacia los sectores más vulnerables. Una de las causas, es la falta de justicia. Pero las causas son muchas. Entonces, Tortura Nunca Mais atiende psicológicamente y legalmente a las víctimas de crímenes de lesa humanidad de la época de la dictadura y de hoy. Porque actualmente las víctimas son los jóvenes pobres que viven en las favelas.

-Hace algunos meses la sede del grupo Tortura Nunca Mais de Río de Janeiro fue invadida. Una semana antes de que ocurriera esto, llamó por teléfono una voz masculina pausada y educada diciendo: “Esto se va a terminar, nosotros vamos a volver”. Nosotros siempre recibimos amenazas de militares, dependiendo el caso que estemos tratando. Por ejemplo, el caso de Lapuente, un alumno de la escuela militar, quien murió por el maltrato en el ejercicio de su actividad. Pero hay que destacar otra cuestión, existe una cuadrilla llamada “Emilio Garrastazu Médici”, que fue el dictador más sanguinario de todas las dictaduras que tuvimos en el país. Esto refleja la violencia que existe en esos campos. Entonces yo no considero que el reclamo de los militares sea algo aislado, sino que es un evento muy serio. Lo militares no quieren que se abran los archivos de la dictadura, porque saben que si esos archivos se abren toda la sociedad brasileña va a conocer las grandes atrocidades que ellos cometieron durante el régimen dictatorial. En el caso de la guerrilla de Araguaia, ellos cortaban las cabezas y las manos de los guerrilleros y las mandaban a Brasilia. La Corte Interamericana, determinó que el Estado debe buscar en Araguaia los restos mortales de 68 guerrilleros. En el año 91, tres cuerpos fueron reconocidos. Un familiar contó, que un general de alto mando declaró frente a varios familiares, e incluso frente al Estado brasileño, que cortaban las cabezas de los guerrilleros para poder cargar los cuerpos, hacerlos más ligeros. Frente a estos acontecimientos, yo no puedo concluir que los militares hayan cambiado profundamente en nuestro país. La mentalidad de la época de la dictadura, todavía existe en el medio de los oficiales del ejército.

–Nosotros tenemos una mirada crítica respecto de la Comisión de la Verdad. Sucede que el coordinador de la Comisión, Gilson Dipp, fue perito por el Estado brasileño frente a la Corte Interamericana de Derechos Humanos. El atestiguó en contra de la familias, e indicó que la cuestión de la amnistía en Brasil ya estaba resuelta, que la dictadura militar en el país era un capítulo cerrado de la historia. Por lo tanto, cuando fue elegido coordinador de la Comisión, por supuesto que nosotros protestamos. Luego rechazamos la declaración, en el diario Folha de Sao Paulo, de Jos Carlos Dias quien fue abogado de presos políticos, donde afirmó que se iban a investigar los crímenes de ambos lados. Luego se retractó indicando que el periodista no había entendido lo que él quiso decir, y que descontextualizó sus palabras. Lo que debe quedar claro es que nosotros no cometimos crímenes, nosotros luchamos contra un régimen que se había vuelto contra su propio pueblo. Por otro parte, nuestra gran aliada, una persona muy honesta de grandes principios, es Rosa Cardoso, quien fue abogada de la presidenta Dilma Rousseff y de muchos otros presos políticos. Es una mujer de grandes principios, siempre fue un referente del grupo Tortura Nunca Mais.

–La mayoría de los grandes medios de comunicación en Brasil son conservadores. Entonces promueven la idea de que es necesario investigar ambos bandos. Según ellos los opositores al régimen militar cometieron crímenes. Esta es un posición totalmente retrógrada y conservadora. Leer más

Condenado o sequestrador, torturador e assassino Brilhante Ustra

Coronel Ustra
Coronel Ustra

 

A justiça decide que a vida de um jornalista vale 50 pratas. Isso não equivale dois salários de um desembargador de São Paulo, o maior tribunal do mundo, com 360 desembargadores.

O dinheiro pouco importa. Vale o precedente de colocar um bandido na cadeia. Lugar que, pelo Brasil medroso e golpista, Brilhante Ustra jamais, em tempo algum, ficará trancado. Apesar de ter sido um cruel carcereiro.

A Justiça paulista condenou, em primeira instância, o coronel reformado do Exército e ex-comandante do DOI-Codi, Carlos Alberto Brilhante Ustra, a indenizar a companheira e a irmã do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, morto em 1971. Cada uma delas receberá R$ 50 mil e Ustra terá ainda de arcar com o pagamento de custos e despesas processuais.

Merlino morreu quando estava preso no DOI-Codi. À época, a versão oficial oferecida pelos agentes do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) foi de que ele teria se suicidado enquanto era transportado para o Rio Grande do Sul, para lá reconhecer colegas militantes de esquerda, se jogando à frente de um carro que trafegava pela rodovia.

As condições do corpo da vítima e relatos de outros presos políticos mostraram, no entanto, que Merlino fora severamente espancado.