GLOBO E O CONTRABANDO DE NIÓBIO. TUDO BEM EXPLICADO

* Contrabando de minérios fosfatados, ao lado do nióbio explorado pela empresa CBMM

* Pirataria de suas águas medicinais

 

 

Nióbio2

Por Sergio Rocha em seu Blog

 

 

Araxá, em Minas Gerais, devia ser uma das cidades mais ricas do Brasil. Não é. Até sua beleza é roubada.

A mineração, em Araxá, poderia ser a maior fonte geradora da economia de Minas Gerais. Não é, pelo constante contrabando de minérios fosfatados, ao lado do nióbio explorado pela empresa CBMM.

Outra fonte de riqueza para os estrangeiros & lacaios mineiros & outros: a pirataria de suas águas medicinais.

Conheça os nomes dos ladrões:

 

A REDE GLOBO E O CONTRABANDO DO NIÓBIO

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Um canal de televisão que desde seu surgimento esteve no centro das grandes jogadas políticas estaduais e nacionais, através de acordos pouco ortodoxos, volta à cena sob suspeita de carrear recursos provenientes da venda subfaturada de Nióbio, para financiar a expansão da Rede Globo em Minas Gerais, a serviço de um projeto político.

A principal suspeita de irregularidade encontrada é o fato do dirigente da Rede Integração, Antônio Leonardo Lemos Oliveira, sem se afastar da emissora, assumir a vice presidência da CODEMIG, empresa pertencente ao governo de Minas encarregada de administrar o patrimônio minerário do Estado, por consequência a extração, beneficiamento e venda do Nióbio.

A venda e exploração do Nióbio de Araxá já é objeto de investigação pelo Ministério Público mineiro. Porém, um relatório da Receita Federal visando apurar a evasão de divisas existente na venda subfaturada do mineral joga luz sobre a possível transferência de recursos obtidos na operação pela Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá, sociedade celebrada sem autorização legislativa ou licitação entre CODEMIG e CBMM, empresa do Grupo Moreira Sales para a Rede Globo de Televisão.

Araxá, em Minas Gerais, devia ser uma das cidades mais ricas do Brasil. Não é. Até sua beleza é roubada.

A mineração, em Araxá, poderia ser a maior fonte geradora da economia de Minas Gerais. Não é, pelo constante contrabando de minérios fosfatados, ao lado do nióbio explorado pela empresa CBMM.

Outra fonte de riqueza para os estrangeiros & lacaios mineiros & outros: a pirataria de suas águas medicinais.

Conheça os nomes dos ladrões:

A REDE GLOBO E O CONTRABANDO DO NIÓBIO

Um canal de televisão que desde seu surgimento esteve no centro das grandes jogadas políticas estaduais e nacionais, através de acordos pouco ortodoxos, volta à cena sob suspeita de carrear recursos provenientes da venda subfaturada de Nióbio, para financiar a expansão da Rede Globo em Minas Gerais, a serviço de um projeto político.

A principal suspeita de irregularidade encontrada é o fato do dirigente da Rede Integração, Antônio Leonardo Lemos Oliveira, sem se afastar da emissora, assumir a vice presidência da CODEMIG, empresa pertencente ao governo de Minas encarregada de administrar o patrimônio minerário do Estado, por consequência a extração, beneficiamento e venda do Nióbio.

A venda e exploração do Nióbio de Araxá já é objeto de investigação pelo Ministério Público mineiro. Porém, um relatório da Receita Federal visando apurar a evasão de divisas existente na venda subfaturada do mineral joga luz sobre a possível transferência de recursos obtidos na operação pela Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá, sociedade celebrada sem autorização legislativa ou licitação entre CODEMIG e CBMM, empresa do Grupo Moreira Sales para a Rede Globo de Televisão.

 

Nota do editor do blogue: Venho escrevendo sobre o tráfico de minérios em Minas Gerais. Coisa de máfia, que envolve as mais poderosas famílias do Brasil.

Tudo sobre a Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá é secreto. Até informações sobre o minério pirocloro também são difíceis de encontrar. Clique nos links (T.A.)

 

 

 

AÇÃO BILIONÁRIA ENVOLVE AÉCIO E ANASTASIA NA EXPLORAÇÃO DE NIÓBIO EM ARAXÁ

Nióbio entregue. 28 bilhões de dólares perdidos

 

Niobio

 

Poços 10 – O Nióbio, riqueza que poderia significar a redenção da economia mineira e nacional, foi entregue, através de operação bilionária e ilegal, a empresa estatal japonesa, Japan Oil, Gas and Metals National Corporation, em parceria com um fundo de investimento coreano que representa os interesses da China. Este é o final de um ruidoso conflito instalado no centro do Poder de Minas Gerais que vem sendo, nos últimos dois anos, de maneira omissa e silenciosa, testemunhado pelo governador Antônio Anastásia.

AÉCIO E A CODEMIG
Desde 2002 o então governador e atual senador Aécio Neves entregou a condução das principais decisões e atividades econômicas do Estado de Minas a Oswaldo Borges da Costa, que assumiu a função estratégica de presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (CODEMIG). Criou um governo paralelo, onde as principais decisões sobre obras e investimentos das estatais CEMIG, COPASA, DER/MG, DEOP e das autarquias de MG ficaram a cargo de “Oswaldinho”.

PALÁCIO DA LIBERDADE E OS MILIONÁRIOS
Para sede da CODEMIG, caminharam nos últimos 10 anos investidores internacionais que tinham interesse no Estado. O Palácio da Liberdade transformou-se apenas em cartão postal e símbolo de marketing publicitário de milionárias campanhas veiculadas na mídia. Por trás deste cenário artificial operou um esquema de corrupção, que contou com a cumplicidade até mesmo da Procuradoria Geral de Justiça, que impedia a atuação do Ministério Público Estadual.

DISPUTA ENTRE FAMÍLIA NEVES FORTUNA DUVIDOSA
Foi necessária esta longa introdução, uma vez que à imprensa mineira jamais foi permitido tocar neste assunto para que se entenda o que agora, uma década depois, está ocorrendo.
Após a morte do banqueiro Gilberto Faria, casado em segunda núpcias com Inês Maria, mãe de Aécio, iniciou uma disputa entre a família Faria e a mãe de Aécio, sob a divisão do patrimônio deixado. Oswaldo Borges da Costa, casado com uma das herdeiras de Gilberto Faria, passou a comandar inclusive judicialmente esta disputa.
Diante deste quadro beligerante, as relações entre Aécio Neves e Oswaldo Borges da Costa acabaram, o que seria natural, pois Aécio fatalmente ficaria solidário com sua mãe. Mais entre Aécio Neves e Oswaldo Borges da Costa é público que existia muito mais, desta forma deu-se início a divisão do que avaliam ser uma fortuna incalculável.

ORIGEM DA FORTUNA…
No meio desta divisão estaria “a renda” conseguida e a conseguir através da diferença entre a venda subfaturada e o valor real no exterior do Nióbio. Peça chave neste esquema, a CBMM pertencente ao Grupo Moreira Salles, que sem qualquer licitação ou custo renovou o contrato de arrendamento para exploração da mina de Nióbio de Araxá pertencente ao Governo de Minas Gerais por mais 30 anos.

INVESTIDORES NÃO IDENTIFICÁVEIS?
Meses depois venderia parte de seu capital a um fundo Coreano, que representa investidores, não identificáveis.
Para se ter idéia do que significou, em matéria de ganho, a renovação para Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que tem com atividade exclusiva a exploração da mina de Nióbio de Araxá – sem a mina cessa sua atividade – depois da renovação a empresa vendeu 15% de suas ações por R$ 2 bilhões, ou seja, levando em conta apenas o valor de suas ações a empresa valeria hoje R$ 28 bilhões, R$ 4 bilhões a menos que o Estado de Minas Gerais arrecada através de todos os impostos e taxas em um ano. Mas esta operação já havia causado desconfiança principalmente nas forças nacionalistas que acompanhavam de perto a movimentação.

Acrescentando: “Circula por aí versão segundo a qual só as jazidas de nióbio dos “Seis Lagos” valem em torno de 1 trilhão de dólares. Necessário esclarecer que por sua localização e facilidade de exploração a jazida de Araxá vale muito mais que a “Seis Lagos”.

CADE – MINISTÉRIO DA JUSTIÇA OMISSO, FAVORECE AS CLASSES INTERNACIONAIS
Evidente que o Ministério Público mineiro já está investigando esta renovação do arrendamento celebrado pela CODEMIG, porém, ela nada significa perto do crime praticado contra a soberania nacional que foi a venda de parte das ações da CBMM, dando poder de veto a uma empresa estatal japonesa. Foi uma operação cheia de irregularidades com a questionável participação de órgãos que deveriam fiscalizar este tipo de operação como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), subordinado ao Ministério da Justiça.
A operação foi aprovada em prazo recorde e com base em um parecer de folha única, que desrespeitou toda legislação existente no País. A menor das irregularidades cometidas foi conceder “Confidencialidade” aos termos da operação aprovada. Foi desrespeitada a determinação legal para que não ocorra a cassação da autorização da sociedade estrangeira funcionar no País; esta deverá tornar público todos os seus dados econômicos, societários e administrativos, inclusive de suas sucursais (art. 1.140, CC).

SOCIEDADES ESTRANGEIRAS FUNCIONANDO NO TERRITÓRIO BRASILEIRO CONTRÁRIAS A ORDEM PÚBLICA DO BRASIL
E mais, conforme constante do artigo 1.134 do Código Civil, se faz necessária para que a sociedade estrangeira possa funcionar no território brasileiro prévio exame da legitimidade de sua constituição no exterior e a verificação de que suas atividades não sejam contrárias a ordem pública no Brasil.
O Poder Executivo poderá, ou não, conceder a autorização para uma sociedade estrangeira funcionar no Brasil, estabelecendo condições que considerar convenientes à defesa dos interesses nacionais (art. 1.135, CC). Segundo a assessoria de imprensa do CADE, na tramitação da analise foi-se observado o regimento, evidente que um regimento não pode se sobrepor a lei.

PORQUE O CADE NÃO ANALISOU Á CRITÉRIO?
Nada disto foi observado e agora, a exemplo da briga instaurada entre as famílias Faria e Neves, o divorcio entre Aécio Neves e Oswaldo Borges da Costa fatalmente se transformará num dos maiores escândalos da historia recente do País e poderá levar Minas Gerais a perder a propriedade sobre a jazida de Nióbio.
Principalmente as Forças Armadas veem promovendo gestões para federalizar, a exemplo da Petrobras, a exploração de Nióbio. [O nióbio é um minério estratégico. Principalmente para a fabricação de armas cibernéticas, nucleares e conquista espacial]

RELATÓRIOS COMPROVAM ESQUEMA CRIMINOSO DE SUBFATURAMENTO DO NIÓBIO
Relatórios confidenciais da Abim e da área de inteligência do Exército demonstram como operou o esquema criminoso de subfaturamento montado pela CODEMIG/ CBMM, através da Cia de Pirocloro de Araxá. A assessoria de imprensa da CBMM, da CODEMIG e do senador Aécio Neves foram procuradas e não quiseram comentar o assunto.
O assunto “Nióbio” é amplo, não tendo como esgotá-lo em apenas uma matéria, desta forma Novojornal publicará uma série de reportagens ouvindo as diversas áreas envolvidas no tema.
Nota da Redação (atualizado às 15:26 de 21/12/2012)
O valor da venda de 15% da CBMM, ao contrário dos R$ 2 bilhões de reais, constante na matéria, foi de US$ 2 bilhões de dólares. Desta forma, 100% das ações da CBMM equivalem a US$ 28 bilhões de dólares, levando em conta que a arrecadação total anual do Estado de Minas Gerais é de R$ 32 bilhões de reais, o valor das ações da CBMM representa quase o dobro do arrecadado.
(US$ 28 bilhões de dólares x R$ 2 reais = R$ 56 bilhões de reais).

Por que Minas Gerais, a terra do nióbio pirateado, gasta o dinheiro que não possui na campanha para eleger o governador?

Juan Hervas
Juan Hervas

Os oito candidatos ao governo de Minas gastarão, juntos, R$ 151,8 milhões em três meses de campanha. Valor é maior que o orçamento de 93% dos municípios do estado

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Já pensou essa dinheirama aplicada nos municípios mais pobres, governados por prefeitos ladrões?

O Tribunal Regional Eleitoral continua mais preocupado em censurar os jornalistas livres, que fiscalizar a origem e destino dessa grana de candidatos com e sem ficha suja.

Qual dos oito candidatos a governador vai falar da pirataria do nióbio, a maior riqueza do Brasil, com a sua maior mineradora no pobre e roubado munícipio de Araxá, mais conhecido pela sua estância hidromineral, outra riqueza roubada?

Existem várias campanhas que visam negar que o Brasil continua dilapidando suas valiosas reservas de nióbio; que é praticamente o único produtor desse metal, mas não está lhe dando o devido valor; que o vende a preços irreais; que permite que seja contrabandeado etc.

Para confundir o roubo do nióbio, no mercado negro, ele é vendido como tântalo ou colúmbio. O Brasil possui mais de 90 por cento das jazidas.

O nióbio é atualmente empregado em automóveis; turbinas de avião; gasodutos; tomógrafos de ressonância magnética; nas indústrias aeroespacial, bélica e nuclear; além de outras inúmeras aplicações como lentes óticas, lâmpadas de alta intensidade e bens eletrônicos etc. Não existiria a atual revolução industrial sem nióbio. Começa pelas atuais e futuras conquistas espaciais. E o Brasil vende o nióbio a preço de banana.

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Reservas brasileiras

As reservas brasileiras são da ordem de 842, 46 milhões de toneladas e encontram-se em Minas Gerais (75%), Amazonas (21%) e Goiás (3%). Há reservas pequenas também em Roraima, mas elas, como as do Amazonas, estão em região de fronteira ou em áreas de reservas indígenas, e não há previsão de abertura de novas minas no país além das atualmente em lavra.

 

Os donos dessa riqueza

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A oferta do produto está praticamente toda nas mãos de duas empresas privadas, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração – CBMM (que detém 80% da produção mundial) e a Mineração Catalão de Goiás.

As exportações dessas duas empresas colocam o nióbio em 3º lugar na nossa pauta de exportação mineral, logo após o minério de ferro e o ouro. Um terceiro lugar que precisa ser investigado.

 

país pobre pirata globalização

TCE de Minas de olho no nióbio

Amaury Ribeiro Jr e Rodrigo Lopes informamAuditorias realizadas pelo Tribunal de Contas Minas Gerais (TCE) na prestação de contas do governo de Minas, em 2012, revelam suspeitas de que a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que detém o monopólio na extração de nióbio, está lesando os cofres de governo mineiro, ao praticar valor menor que a cotação do quilo do produto e também pela inconsistência na quantidade extraída e a vendida.

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Subfaturamento

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De acordo com o documento do Tribunal, a CBMM repassa ao Estado 25% de seu faturamento, vendendo o quilo do mineral por menos de U$$ 40. Mas, de acordo com dados da Secretária Comércio Exterior do governo federal, o quilo do nióbio praticado no mercado internacional é U$$ 52,36.

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Mais problemas

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Outras disparidades reveladas no relatório são a quantidade do nióbio extraído e as toneladas comercializadas mundialmente, que são bem superiores às declaradas pela Companhia.

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Estranho

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De acordo com o documento, é natural a perda entre extração direta de mineral, mas em razão do alto volume de perda do nióbio não foi encontrada nenhuma justificativa.

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Investigação

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Ano passado, o Hoje em Dia publicou que o Ministério Público preparava um arsenal de documentos para abrir a caixa-preta da exploração de nióbio em Araxá. O mineral é explorado com exclusividade pela CBMM, de propriedade da família Moreira Salles, fundadora do Unibanco.

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Explicação

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O MP pretende usar esses documentos para entender como a CBMM tem privilégio de extrair o mineral, considerado um dos mais estratégicos do mundo, sem licitação, há mais de 40 anos, com renovação em 2003 por 30 anos. O governo de Minas detém a concessão federal para explorar a jazida, mas arrendou à CBMM sem nenhum critério.

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A CBMM

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Em 1972, o Estado constituiu a Companhia Mineradora de Piroclaro de Araxá (Comipa), para gerir e explorar o nióbio, em Araxá. Como não tinha know-how, à época, definiu que arrendaria 49% da produção do nióbio para a CBMM, sem licitação.

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Farra

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Após a investigação e análises da papelada, o MP quer acabar com a farra e obrigar o governo a abrir licitação para a exploração deste que é o maior complexo mínero-industrial de nióbio do mundo.

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Números

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O nióbio produzido em Araxá responde por 75% da produção mundial. A produção anual é de 100 mil toneladas da liga de ferronióbio. Ainda há reserva para 400 anos.

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Contrato

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O estado arrecadou R$ 749 milhões com o nióbio no ano passado. A CBMM concede 25% da participação nos lucros ao governo, via Companhia Mineradora de Minas Gerais (Codemig), que incorporou a Comipa.

 

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O nióbio roubado de Minas Gerais virou tema de propaganda política

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Está na internet um filme denunciando a pirataria do nióbio. Crime que sempre denunciei neste e noutros blogues.

O filme é de propaganda partidária. Porque denuncia o tráfico apenas na Amazônia. Quando o Estado mais roubado é, precisamente, Minas Gerais, estado governado pelo PSDB.

O Brasil tem mais de 98 por cento das reservas mundiais, precisamente entre 99,4%35 e 98%.

O Canadá fica com o restinho. As jazidas estão presentes em 3 cidades brasileiras: 61% proveniente de Araxá (MG), 21% das reservas em Catalão (GO) e outros 12% em São Gabriel da Cachoeira (AM).

Araxä deveria ser a cidade mais rica do Brasil. Pela riqueza do nióbio, mais caro do que o ouro, e pela água. Mas o povo de lá vive na miséria. Isso Agliberto Bello Matos escondeu.

Ninguém de Minas fala sobre nióbio. É tema proibido na imprensa.

Tenho certeza que Aécio Neves jamais falará sobre o tráfico do nióbio, nem para onde vai o dinheiro arrecado com royalties.

Conheça a importância do nióbio.

Leia sobre o tráfico de nióbio.

 

Brasil roubado. Uma das maiores riquezas do mundo que não beneficia Araxá

nióbio araxá

Os ladrões do Brasil levam o nióbio e deixam o buraco em Araxá
Os ladrões do Brasil levam o nióbio e deixam o buraco em Araxá

O deputado Edio Lopes (PMDB-RR) cobrou, em audiência pública da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, uma política definida do governo para a exploração e comercialização do nióbio no Brasil. Ele questionou a política de preço para o metal, alegando que o nióbio tem uma cotação aviltada, em comparação com o aço e o ouro.

Nióbio pirateado.

“É necessário acompanhar, fiscalizar e esclarecer a política adotada na produção do nióbio brasileiro, principalmente no que se refere à exportação”, destaca.

Atualmente, afirma o deputado, existe um debate envolvendo a produção de nióbio no País. O metal é empregado em vários segmentos da indústria, tais como os de automóveis, equipamentos médicos, bélicos e nucleares. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, o Brasil é responsável por 98% das reservas de nióbio conhecidas no mundo.

No Brasil, três empresas respondem pela totalidade da produção do nióbio, de acordo com informações de Lopes. Estão localizadas em Minas Gerais, Goiás e Amazonas. A Anglo American, empresa britânica instalada em Catalão (GO), é a segunda maior produtora de nióbio no Brasil. A empresa estima um crescimento de 6% ao ano. Conforme dados divulgados, a divisão do nióbio respondeu por uma receita de US$ 173 milhões (aproximadamente R$ 377 milhões) em 2012, com lucro operacional de US$ 81 milhões (aproximadamente R$ 176 milhões). [Isso é uma mixaria. Isso é roubo. É falta de patriotismo. De nacionalismo. De brasilidade]

Atuação do governo
Lopes ressalta que os críticos do modelo atual de exploração do nióbio no Brasil cobram uma maior atuação do governo federal, defendendo o controle do preço de comercialização do produto. Em alguns casos eles pedem até mesmo a estatização da produção, pois quem consome o nióbio são empresas transnacionais superespecializadas que devem fazer pressão para ter um produto a um preço acessível.

Segundo o deputado, “alguns analistas afirmam que, se o Brasil ditasse o preço do produto, poderia ganhar até 50 vezes mais do que recebe atualmente”. Ele cita o exemplo da China em relação à produção de terras- raras. [O Brasil tem 98 por centos das jazidas mundiais. E uma riqueza roubada. Que o Brasil entrega a preço de banana]

Nióbio: a maior riqueza dos Moreira Salles

niobio banana

A produtora de nióbio CBMM é avaliada em US$ 13 bilhões, com reservas para 200 anos.

Presente da ditadura militar

A mina de nióbio – que é misturado ao aço para uso na fabricação de automóveis, estruturas, gasodutos e turbinas – era só promessa e esperança em 1965, quando o embaixador e banqueiro Walter Moreira Salles se associou à companhia de mineração Molycorp, para produzir o metal em Araxá, no Triângulo Mineiro. Deu esse passo a convite de um amigo, o almirante Arthur Radford, que presidia o conselho da empresa americana.  Leia mais

 

O Brasil e o segredo do nióbio

por Júlio Ferreira

Marcos Valério

A cada vez mais no dia-a-dia, o tema é abordado em reportagens nas mídias escrita e televisiva, chegando a já ser alarmante. Como é possível que metade da produção brasileira de nióbio seja subfaturada “oficialmente” e enviada ao exterior, configurando assim o crime de descaminho, com todas as investigações apontando de longa data, para o gabinete presidencial?

Como é possível o fato do Brasil ser o único fornecedor mundial de nióbio (98% das jazidas desse metal estão aqui), sem o qual não se fabricam turbinas, naves espaciais, aviões, mísseis, centrais elétricas e super aços; e seu preço para a venda, além de muito baixo, seja fixado pela Inglaterra, que não tem nióbio algum?

EUA, Europa e Japão são 100% dependentes do nióbio brasileiro. Como é possível em não havendo outro fornecedor, que nos sejam atribuídos apenas 55% dessa produção, e os 45% restantes saindo extra-oficialmente, não sendo assim computados.

Estamos perdendo cerca de14 bilhões de dólares anuais, e vendendo o nosso nióbio na mesma proporção como se a Opep vendesse a 1 dólar o barril de petróleo. Mas petróleo existe em outras fontes, e o nióbio só no Brasil; podendo ser uma outra moeda nossa. Não é uma descalabro alarmante?

O publicitário Marcos Valério, na CPI dos Correios, revelou na TV para todo o Brasil, dizendo: “O dinheiro do mensalão não é nada, o grosso do dinheiro vem do contrabando do nióbio”. E ainda: “O ministro José Dirceu estava negociando com bancos, uma mina de nióbio na Amazônia”.

Há fortes indícios que a própria Funai esteja envolvida no contrabando do nióbio, usando índios para envio do minério à Guiana Inglesa, e dali aos EUA e Europa. A maior reserva de nióbio do mundo, a do Morro dos Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira (AM), é conhecida desde os anos 80, mas o governo federal nunca a explorou oficialmente, deixando assim o contrabando fluir livremente, num acordo entre a presidência da República e os países consumidores, oficializando assim o roubo de divisas do Brasil.

O nióbio apresenta numerosas aplicações. É usado em alguns aços inoxidáveis e em outras ligas de metais não ferrosos.

Estas ligas devido à resistência são geralmente usadas para a fabricação de tubos transportadores de água e petróleo a longas distâncias e canos de armamentos leves e pesados, revertimentos externos de foguetes e cápsulas espaciais.

1 – Usado em indústrias nucleares devido a sua baixa captura de nêutrons termais.
2 – Usado em eletrodos especiais para soldas elétrica.
3 – Devido a sua coloração é utilizado, geralmente na forma de liga metálica, para a produção de
jóias como, por exemplo, os ecastes.
4 – Quantidades apreciáveis de nióbio são utilizados em super ligas para fabricação de componentes de motores de jatos, subconjuntos de foguetes, ou seja, equipamentos que necessitem altas resistências ao calor da combustão.
5 – Pesquisas avançadas com este metal foram utilizados no programa Gemini.
6 – O nióbio está sendo avaliado como uma alternativa ao tântalo para a utilização em  super condutores.

O nióbio se converte num super condutor quando reduzido a temperaturas criogênicas.
Na pressão atmosférica, tem a mais alta temperatura crítica entre os elementos super condutores, 9,3.

Além disso, é um dos três elementos super condutores que são do tipo II (os outros são o vanádio e o tecnécio), significando que continuam sendo super condutores quando submetidos a elevados campos magnéticos.

(Transcrevi trechos)

niobio prop

Holocausto no Brasil. Genocídio na Amazônia e campo de concentração em Minas Gerais. Os crimes escondidos, no Brasil, das mineradoras internacionais

A CHACINA QUE O MUNDO TODO VIU MENOS OS BRASILEIROS

Empalação

empalação 2

por Eduardo Bueres

Genocidio no Brasil. Campo de concentração em Minas Gerais,  aquela que depois se tornaria o grande ícone da imprensa no Brasil [ Tv Globo] dá um show de desinformação. Estrangeiros vêm no Brasil, filmam tudo e as imagens rodam o mundo. 

Expedição do SPI ao Xingu. Primeiro contato com os índios Mehinaku, 1944 | Heinz Forthmann: Museu do Índio:Funai
Expedição do SPI ao Xingu. Primeiro contato com os índios Mehinaku, 1944 | Heinz Forthmann: Museu do Índio:Funai

O grande ícone da grande imprensa brasileira, estrategicamente, acusa erroneamente garimpeiros brasileiros da chacina, mobilizando a opinião pública mundial contra o Brasil. A justiça brasileira investiga e, um mês depois, descobre que a culpa são de empresas como a Arruda e Junqueira, empresas terceirizadas por Nelson Rockefeller e pela CIA para o extermínio generalizado de centenas de tribos que vivem em regiões de interesse de mineradoras internacionais. Mas isso não é transmitido para o mundo e nem para o Brasil. Segundo decisão dos donos da grande emissora “para não gerar uma visão negativa do Brasil do exterior”. 

O ano é 1963. O padre Edgar Smith recebe em seu confessionário o genocida Ataíde Pereira que, prevendo a morte breve e atormentado pelos crimes que havia cometido, procura o padre para confessar seus pecados e tentar de alguma forma mudar o rumo das coisas. Todos seus companheiros já estão mortos, o chefe da expedição, Francisco Brito, o piloto do avião que bombardeara a tribo e até o próprio padre Edgar estariam mortos algumas semanas mais tarde. Além disso não havia recebido os quinze dólares prometidos pelo serviço. O padre convenceu Pereira de repetir sua confissão em um gravador e entregou a fita ao SPI, Serviço de Proteção ao Indio. O caso foi abafado no Brasil, mas não no mundo. Finalmente, com toda a pressão internacional o caso chega ao procurador geral de justiça que pede uma investigação completa do caso.

As provas do genocidio são incontestáveis, 20 volumes de provas são coletados e acusam que entre 1957 e 1968 cerca de 100 mil indios foram assassinados por mineradoras estrangeiras. Os que não resistiram a ocupação, tiveram a vida poupada e foram levados para Crenaque em M.G. onde existia um enorme campo de concentração onde mais alguns milhares morreriam de fome e maus tratos.
O detalhamento do genocídio é chocante: os Nambikuaras haviam sido mortos com metralhadoras, os Pataxós com varíola inoculada no lugar de vacinas, os Canelas mortos por jagunços, os Maxakalis drogados e mortos a tiros, os Beiços de Pau receberam alimentos com formicida e arsênico.
Todas as tribos estudadas pelo SIL haviam sido mortas. O Instituto Summer de Linguística aprendia a língua da tribo o suficiente para dar alternativa aos índios. Ou eles fugiam para o campo de Crenaque (origem do nome) ou morreriam. Trechos da confissão de Pereira mostram como era a vida do matador:
” …estavamos com bastante medo uns dos outros. Nesse tipo de lugar, as pessoas atiram umas nas outras, e são alvejadas, pode-se dizer, sem saber a razão. Quando abrem um buraco em você , eles tem mania de enfiar uma flecha na ferida, para colocar a culpa nos indios…”
As próximas vítimas eram os Cintas-Largas, uma pequena tribo indígena da Amazônia brasileira que havia cometido o erro de se instalar sobre uma mina de nióbio e se recusavam a sair.
O depoimento de Pereira da chacina dos Cintas- Largas mosta como era o cotidiano desses matadores. Após metralhar toda tribo, haviam sobrados somente uma jovem menina e uma criança que chorava abraçada a menina no centro da aldeia. Os matadores pedem pela vida da menina, alegando que pode ser usada para prostituição”. Chico atravessou a cabeça da criança com um tiro. Ele parecia descontrolado. Ficamos muito assustados. Ele amarrou a garota índia de cabeça para baixo numa árvore, as pernas separadas, e a rasgou ao meio com o facão. Quase com um único golpe, eu diria. A aldeia parecia um matadouro. Ele se acalmou depois de cortar a mulher, e nos disse para queimar as cabanas, jogar os corpos no rio.
Depois disso, pegamos nossas coisas e retomamos o caminho de volta, tomando cuidado para esconder nossas pegadas. Mal sabia que um dia a pegada a ser apagada seria ele.
No fim foi provado que o SPI estava diretamente envolvido nas chacinas com a distribuição de roupas contaminadas por varíola, alimentos envenenados, crianças escravizadas, mulheres prostituídas e muito mais.
Dos 700 funcionários, 134 foram processados, mas todos perdoados na ditadura, foram então treinados pela CIA aos moldes da Policia Tribal do Departamento de Assuntos Indios(BIA) dos EUA e colocados sob a chefia do ex-chefe do serviço militar de informações. Assim por mais alguns anos a FUNAI adotou a politica de arrendar terras indigenas para empresas mineradoras, encaminhando os índios para morrerem em Crenaque. [A tribo indígena Crenaque, na região do Vale do Rio Doce, Minas Gerais, em 2010, vivia em uma pequena reserva. Chamados de Aimorés, os cremaque estavam reduzidos à cerca de apenas 150 indivíduos]
Caçadores crenaque do Vale do Rio Doce, no Estado do Espírito Santo, posam com seus arcos e flechas, divertidos e receosos por serem fotografados, por volta de 1910. Os crenaques, aparentados aos botocudos, pertenciam a um dos grupos que mais resistiram à colonização portuguesa
Caçadores crenaque do Vale do Rio Doce, no Estado do Espírito Santo, posam com seus arcos e flechas, divertidos e receosos por serem fotografados, por volta de 1910. Os crenaques, aparentados aos botocudos, pertenciam a um dos grupos que mais resistiram à colonização portuguesa
Os militares do ministério do interior cooperavam com a agência americana de pesquisa geológica, mapeando a Amazônia.
Trechos do livro Seja Feita a Vossa Vontade de Gerard Colby com Charlotte Dennett. A grande e maior rede de TV do Brasil é  uma ferramenta criada pela CIA para esconder a operação Brother Sam e a extração de niobio do Brasil. Através de Nelson Rockefeller a CIA obtém, usando a CBMM do falecido amigo e sócio, Walter Moreira Salles o nióbio de Araxá praticamente de graça.
Quando Getulio Vargas descobriu, e tentou interromper esse processo, foi deposto no golpe militar que levaria a sua morte.
Quando Jango descobriu, cassou a Hanna Mineradora e anunciou as reformas de base, também morreu.
Em todos esses momentos Moreira Salles estava presente. Agora que o Ministério Público começou a investigar a relação desta emissora com a CBMM, surgiu a PEC 37. Se não colar, os tumultos estão ai nas ruas, como o IPES fez em 1964, criando o caos para justificar a intervenção militar.
Não podemos fazer protestos violentos, e a razão da luta não pode ser aumento do preço da passagem, e sim o fim da exploração oculta do nióbio. Isso é a origem de todo problema.
Precisamos mostrar aos EUA que nós sabemos o que está se passando para que ele libere ainda mais a famosa emissora e grande rede de TV brasileira da obrigação de nos manter desinformados, sempre sabotando o QI dos brasileiros com programas alienativos, condenando ao esquecimento nossos heróis e politicos honestos, e escondendo o extermínio sistemático dos nossos índios para beneficiar as empresas estrangeiras, facilitando seus interesses, até  tomarem posse de suas terras sem serem notadas. Acorda Brasil!
[Em 15 de maio de 2009, a jornalista Roberta Vieira informava que Shirley Krenak ia ser a atriz principal de um filme francês, tendo como cenário a aldeia da tribo indígena Crenaque na região de Valadares.
Skirley Krenak
Skirley Krenak
De acordo com Maria Tereza Alves, roteirista e diretora, o objetivo da película é mostrar o preconceito que existe por parte dos europeus em relação aos indígenas. Quando indagada se o nível de preconceito na Europa é alto, a resposta é rápida: “O mesmo nível de preconceito que existe no Brasil. O filme abordará o racismo que existe na Europa em relação às comunidades indígenas. Vai mostrar o que eles pensam a respeito dessas pessoas. O preconceito que existe na França é igual ao que existe no Brasil, no mesmo nível”, explicou.
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O príncipe alemão Maximilian Alexander Philipp Wied-Neuwied, esteve no Brasil em 1818, e escreveu sobre os costumes e a língua dos botocudos, inclusive um dicionário. Levou um índio com ele, Kuêk.

Foto do príncipe Maximilian
Foto do príncipe Maximilian
A foto de empalação publicada por Eduardo Bueres, tudo indica, visou ilustrar o esquartejamento de uma índia. Este método de execução e punição foi introduzido no Brasil pelos portugueses. A empalação, também, era praticada nas Américas pelos espanhóis.
A foto de empalação acima não consegui identificar a origem. Recentemente, em novembro de 2011, em Salvador, Bahia, “o corpo de Fernanda Souza Mendonça, de 26 anos, foi encontrado no interior da sua casa na rua Antônio Martins de Lima, localizada no bairro de Bom Juá, segundo informações da 9ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM). O corpo da vítima, que morava sozinha, apresentava sinais de violência sexual e teria sido empalada com dois cabos de vassoura.
O pedaço de madeira atravessou a vagina e saiu no pescoço de Fernanda” .
CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
Em uma série de reportagens sobre a seca no Nordeste, Mauri Kónig fala de um campo de concentração em Fortaleza para os retirantes.  O padre Bianor Aranha me revelou a existência de um campo de concentração em Umbuzeiro, construído por João Pessoa, para os presos da Guerra de Princesa.
Pouco se fala, mas em Crenaque existiu um campo de concentração.]

UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO INDÍGENA A 200 QUILÔMETROS DE BELO HORIZONTE (MG)

por André Campos

Localizada poucas horas a nordeste de Belo Horizonte (MG), próxima à região da Serra do Cipó, a Fazenda Guarani foi, a partir do fim de 1972, uma continuação da experiência de confinamento de índios iniciada quatro anos antes, com a instalação do Reformatório Krenak em Resplendor (MG).

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O Posto Indígena Guido Marlière, que abrigava o reformatório e os índios krenaks, vinha há anos tendo partes de suas terras ocupadas por fazendeiros. Algo que ocorria com a anuência do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), órgão federal que antecedeu a Fundação Nacional do Índio (Funai). Durante décadas, foi política oficial do SPI o arrendamento a terceiros de lotes nas áreas dos índios. “Esse foi o instrumento que patrocinou oficialmente a invasão de quase todas as terras indígenas até então demarcadas em todo o país”, escreve Egon Reck, experiente ativista do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

A pressão para que fosse extinto o Posto Indígena Guido Marlière levou à negociação de uma permuta entre a Funai e o governo mineiro. As terras foram cedidas aos fazendeiros, e, em contrapartida, o órgão federal recebeu a Fazenda Guarani, uma área pertencente à Polícia Militar, no município de Carmésia (MG).  Em 1972, concretizado o acordo, a Ajudância Minas Bahia, órgão regional da Funai, transferiu para lá todos os indígenas de Resplendor – os krenaks e os presos do reformatório.

“Fomos despejados dentro de um vagão de carga, que nem animais”, conta Edmar Krenak, que era criança quando ocorreu a transferência. “Eu lembro da tristeza dos índios mais velhos. Meu pai mesmo não queria sair de dentro da casa. Armou-se de arco e flecha, deu um trabalho e teve que ir algemado”. Nesse novo “lar”, os krenaks relatam diversas privações. “Lá era muito frio e não tinha nada para comer. Só banana”, lembra Maria Sônia Krenak..

NA LUTA PELAS TERRAS EM ARACRUZ

A Fazenda Guarani assumiu o papel, antes exercido pelo Reformatório Krenak, de central carcerária indígena da ditadura. Para o local passaram a ser enviados diversos os índios e comunidades envolvidos em litígios Brasil afora.

“Quando começamos a lutar pela demarcação das terras aqui no município de Aracruz (ES), eles levaram a gente para lá”, revela Toninho Guarani, indígena guarani mbyá que passou parte de sua adolescência em naquele local. “Eles colocavam a própria polícia militar para vigiar. Ninguém podia entrar e ninguém podia sair.”

Os guaranis, explica Toninho, caminham pelo mundo seguindo revelações. E foi uma revelação de sua avó que levou seu grupo a iniciar, ainda na década de 1940, uma caminhada de contornos épicos, partindo do sul do país em busca da chamada “terra sem males” – o local onde, segundo a crença da etnia, é possível alcançar um estado de perfeição e ascender a uma espécie de paraíso.

Já na década de 1960, eles chegaram em Aracruz (ES), então um município litorâneo com boa parte da sua fauna e mata preservados. Mas sobre aquele lugar, uma terra supostamente propícia para a busca da “terra sem males”, também repousavam planos para viabilizar enormes plantações de eucalipto. E o choque de interesses levou os indígenas, sob pressão e a contragosto, para a Fazenda Guarani.

“Em Minas Gerais e no Espírito Santo, se houve alguma resistência de um povo indígena, eles pegavam essas pessoas e levavam pra lá”, diz Toninho, que perdeu um irmão na Fazenda Guarani, morto devido a uma picada de cobra.

O confinamento, avalia ele, foi uma tentativa de impor o sedentarismo aos guaranis, cujas contínuas migrações pelo sul do continente, frequentemente associadas a motivações espirituais, são amplamente documentadas desde o século XIX. “Foi uma violação dos direitos sagrados dos nossos líderes religiosos. Nós lutamos para que o Estado brasileiro reconheça o direito do nosso povo de fazer essas caminhadas”, reivindica Toninho.

Depois de alguns anos, os guaranis fugiram da fazenda e empreenderam nova peregrinação – percorrendo longos trechos de carona ou mesmo a pé. Em 1983, a Justiça determinou a homologação da área indígena ocupada pelos guaranis naquele município.

A ANUÊNCIA DOS ALTOS ESCALÕES

Em 1973, pouco após a transferência do Reformatório Krenak para a Fazenda Guarani, mudou também a chefia da Ajudância Minas Bahia da Funai. Assumiu o posto João Geraldo Itatuitim Ruas, um quadro histórico do SPI e um dos primeiros servidores de origem indígenas a integrarem o serviço público brasileiro.

Itatuitim conta ter sido salvo da morte por uma missionária católica, após sua mãe morrer no parto – segundo a tradição de sua etnia, do Alto Xingu, as crianças que não recebiam o leite materno supostamente eram sacrificadas. Entregue ao Marechal Rondon, foi criado entre brancos e estudou com a mãe de Darcy Ribeiro antes de ingressar nas fileiras do órgão indigenista.

Com essa biografia, Itatuitim, sofreu ao se tornar encarregado da Fazenda Guarani ao assumir a Ajucância. “Imagina o que era para mim, como índio, ouvir a ordem do dia do cabo Vicente (policial militar e chefe local do posto indígena), botando todos os presidiários em fila indiana, antes de tomarem um café corrido, ameaçando baixar o cacete em quem andasse errado. E alertando que, para aquele que fugisse, havia quatro cachorros policiais, treinados e farejadores, prontos para agir”, exemplifica. “Eles não trabalhavam no sábado, que era dia de lavar a roupa, costurar, essas coisas todas. Mas, durante a semana, era trabalho escravo!”

Itatuitim conta ter procurado o general Bandeira de Mello, então presidente da Funai, para discutir o fim da instituição correcional. Do general, diz ele, ouviu a seguinte pergunta: “Por que você vai salvar 50 índios que já estão condenados à morte?”.

Não satisfeito, o chefe da Ajudância Minas Bahia procurou o então ministro do Interior – o engenheiro Maurício Rangel Reis, morto em 1986. “Ao invés de me tratar com educação, ele me maltratou. Disse que eu queria perdoar, e ameaçou me demitir”, relembra.

Mesmo assim, Itatuitim afirma ter começado a enviar diversos índios que estavam confinados na Fazenda Guarani de volta às suas aldeias de origem. Algo que, de acordo com ele, teria contribuído para a sua demissão da Funai, pouco tempo depois.

Além dos “infratores”, a Fazenda Guarani também recebia indígenas para “tratamento mental”. Apesar, no local, de não haver nenhum atendimento psiquiátrico disponível.

Um deles foi um índio da etnia campa que, segundo diz sua ficha individual, já havia sido clinicamente diagnosticado como esquizofrênico. Entre outras excentricidades, ele dizia ser dono de vários automóveis e aviões, além de amigo íntimo do mandatário supremo da nação. “Sempre que um avião passa sobre esse reformatório ele pula e grita, dizendo que é o presidente vindo buscá-lo”, escreveu o chefe de posto a seu respeito.

Cela do casarão da fazenda Guarani
Cela do casarão da fazenda Guarani
Grade de entrada na cela
Grade de entrada na cela

As denúncias sobre o uso da Fazenda Guarani como local de prisão, confinamento ou despejo de índios “sem terra” seguiram até o final da década de 1970. Atualmente, lá vive apenas um grupo pataxó, cujos primeiros representantes foram remanejados por conta de conflitos fundiários em Porto Seguro (BA), acompanhados de novas levas após a “desmilitarização” da fazenda. Hoje, a comunidade pataxó na Fazenda Guarani é composta por 280 pessoas.

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Como resquícios da presença da polícia militar, o local ainda conserva as ruínas da antiga capela e do engenho. O casarão que servia como sede para os destacamentos policiais foi convertido em moradia para alguns dos indígenas. E a antiga solitária – um cubículo de, no máximo, quatro metros quadrados – virou um depósito onde se empilham os cachos de banana colhidos nas redondezas.

André Campos, 31 anos, é autor de reportagens e documentários investigativos e pesquisa há cinco anos as cadeias indígenas da ditadura.  Esta reportagem foi realizada através do Concurso de Microbolsas de Reportagem da Pública. André Campos não faz referência ao relatório do Edgar Smith (In Pública)

O País da Geral não cuida sequer de suas riquezas naturais hoje roubadas

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O que restou das Minas Gerais está sendo carregado para o exterior. Acontece com o nióbio. Os governantes apenas estão interessados no aqui e agora.