Abraji completa dez anos com associado preso

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A Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – completa no próximo dia 10 de dezembro, dez anos de fundação.

“A Abraji lidera o Fórum de Direito de Acesso, coalizão de 25 entidades da sociedade civil, e trabalhou desde sua fundação pela elaboração e aprovação do texto. Também segue lutando pelo direito de acesso a informação – agora que a lei está em vigor, o trabalho é cobrar seu funcionamento célere e capacitar jornalistas a utilizá-la”.
Que comece esse trabalho em Pernambuco, investigando a polícia do governador Eduardo Campos.

Para os próximos dez anos, a atual diretoria da entidade vê como prioridade seguir defendendo o jornalismo de qualidade, a liberdade de expressão, do direito de acesso e da segurança profissional. “Um novo desafio é ajudar o jornalismo de qualidade a encontrar espaços neste ambiente de mudanças abruptas e de futuro incerto, além de buscar a estabilidade financeira”.

Não há festa quando existe o luto de um jornalista preso. Não há jornalismo investigativo sem liberdade de expressão do povo em geral, dos jornalistas e dos meios de comunicação.

A prisão de um jornalista, no exercício da profissão, comprova a inexistência da Liberdade, o império do arbítrio, da censura, do terrorismo estatal/policial e assédio judicial.

A prisão de Ricardo Antunes envergonha os festejos da Abraji. Macula.
O silêncio da Abraji é covardia ou cumplicidade.

Diz Ricardo que é sócio da Abraji.

Compete a Abraji ouvir Ricardo que se encontra preso, incomunicável, desde 5 de outubro último, em uma secreta prisão do Recife, vítima – conforme rumores – de stalking, assédio moral, tortura psicológica, tortura física. Onde há segredo, há atoarda, há balela, há boato. Jornalismo se faz com a Verdade. Jornalismo não se faz com meia-verdade, press release da polícia (fonte única e interesseira), barriga, caixa preta e medo.

Compete a Abraji punir, expulsar (conselho de ética) ou defender Ricardo. Não tem outra.

Charge

O “maloqueirismo” na mídia brasileira

por Lula Miranda

Esses jornalistas vivem enclausurados em seus próprios umbigos e crenças de classe. Tal qual vampiros* não saem à luz do dia – têm seus motivos [* sentido figurado: aquele que explora os pobres em benefício próprio]. Não se encontra um “maloqueiro” nas ruas e shoppings de sua cidade, por exemplo. Eles rastejam nas antessalas e corredores do poder. Não pegam ônibus, trem ou metrô; desconhecem, portanto, as agruras por que passam os cidadãos comuns. Seus patrões, zelosos, tal qual o bom carcereiro da fábula que embala os inocentes, vez em quando lhes coloca um prato de comida e uma cuia com água fresca, na porta de seus catres sombrios, para que estes se alimentem e matem a sua sede. Sede de água, vale o registro, mesmo sob o risco do pleonasmo – pois a sede de servir ao patrão, esta é insaciável.

São regiamente remunerados e recebem, a título de bônus, pequenos mimos e mordomias – para que, também eles, sintam-se parte integrante do que se convencionou chamar de “classe dominante” ou, numa linguagem mais vulgar, de “bem nascidos”. Viajam de 1ª classe; acomodam-lhes em bons hotéis estrelados; bebem vinho caro e bom champanhe; comem em bons restaurantes [de alta gastronomia] etc. A eles, em verdade, bem como aos seus leitores, são destinadas as migalhas, os restos dos banquetes em que se fartam os hipócritas.

Tal qual condenados, subjugados pelo seu próprio servilismo e vacuidade, eles sequer percebem, mas a cada movimento que fazem em seu claustro de misérias escuta-se ao fundo o rangido do lento arrastar dos grilhões e correntes invisíveis, que lhes servem de amarras. Grilhões e correntes invisíveis aos olhos dos justos e dos incautos, mas que não engana o rigoroso juiz que todos carregamos n’alma e que lhes assombram e comprometem o sono.

O “maloqueirismo” ou “jornobanditismo” é um neologismo, um conceito relativamente novo, nem tão recente decerto, mas que ainda não foi devidamente estudado, dicionarizado ou catalogado. Já foi traduzido, inapropriadamente, algumas vezes, por variados nomes e qualificativos, tais como “parcialismo”, servilismo ou sabujice, vilania, pena de aluguel, “escreventes da infâmia”, jornalismo fiteiro etc. Mas não é nada disso; é muito mais além, ou aquém.

É obra do jornalismo maloqueiro, por exemplo, a politização do descalabro, as denúncias seletivas, que só afetam determinado partido político; as manchetes tão grandiloquentes quanto vazias; a “espetacularização” da notícia; a utilização de arapongas e detetives mafiosos em seus métodos investigativos; o desrespeito às pessoas, a sujeição do outro ao linchamento moral e à desonra; a expropriação da identidade do indivíduo, o culto ao patrimônio, dentre outras mazelas e vergonhas.

Devemos, portanto, em nome da liberdade e do pluralismo da imprensa, condenar e denunciar esse tipo deletério de jornalismo. Transcrevi trechos

Grécia imita Pernambuco. Detido jornalista grego que publicou a “lista Lagarde”

 Kostas Vaxevanis
Kostas Vaxevanis

Um jornalista grego foi detido hoje por ter revelado os nomes de uma lista de cidadãos com contas bancárias na Suíça e vai ser presente ao procurador de Atenas, informou fonte policial citada pela agência France Presse.

O jornalista Kostas Vaxevanis publicou os 2.059 nomes da lista entregue ao Governo grego, em 2010, por Christine Lagarde, na altura ministra das Finanças de França.

O anúncio de que o gabinete de procurador de Atenas ordenou um inquérito à publicação da lista pela revista HotDoc indignou muitos gregos e dominou os comentários nas redes sociais.

“Em vez de prenderem os ladrões e os ministros que violam a lei, querem prender a verdade”, escreveu o jornalista na sua conta no Twitter no sábado à noite.

A lista faz parte de um conjunto de documentos revelado por um funcionário do banco HSBC na Suíça e foi entregue ao Governo grego em 2010 pela ex-ministra francesa e atual diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O ministro das Finanças grego à época, George Papaconstantinou, disse na quarta-feira passada no Parlamento não saber o que aconteceu ao original da “lista Lagarde”.

No mesmo dia, o atual ministro das Finanças, Yannis Stournaras, disse ter pedido a França que envie uma cópia.

O Governo de coligação grego saído das eleições de junho começou por afastar a possibilidade de agir judicialmente contra as pessoas que constam da lista, por evasão fiscal, alegando que ela foi obtida ilegalmente.

Mas a indignação de muitos gregos com o que consideraram ser uma tentativa de encobrimento do caso obrigou o Governo a recuar.

Em Pernambuco, o jornalista Ricardo Antunes foi preso pela polícia do governador Eduardo Campos. Está em prisão de segurança máxima, incomunicável. Não pode escrever para se defender da acusação de extorsão. Parece humor negro: inquérito policial contra jornalista corre em segredo de justiça. A acusação é de que Ricardo cobrou do jornalista, cientista político, sociólogo, banqueiro, construtor imobiliário, pesquisador de opinião pública etc Antônio Lavareda, um milhão de dólares por uma notícia. A “grande rede” noticiou a prisão, e não publicou mais nada. Eta rede encabrestada! Esta mesma rede vai ser estendida na campanha presidencial de 2014. Diante do espantoso silêncio da grande imprensa, correm entre jornalistas independentes e blogueiros tenebrosos boatos e rumores. É no que dá a censura.

A imprensa pernambucana é governista

Com santa inocência, o Jornal do Comércio do Recife abre esta manchete: “Eduardo Campos fara campanha Brasil afora no segundo turno.

O governador e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, convocou coletiva, menos de 48 após o fim da eleição em primeiro turno, para um balanço de seu partido nas urnas. Informou que na manhã desta segunda-feira  já fez contatos com os candidatos socialistas e se colocou à disposição para ajudar no que for necessário para elegê-los.

O PSB disputa no segundo turno as prefeitura de várias cidades e de três capitais: Florianópolis com César Souza Júnior contra o PMDB; em Porto Velho com Mauro Nazif que disputa contra o PV e Roberto Cláudio que briga com o PT pelo comando de Fortaleza. Além de gravar para o programa eleitoral dos candidatos, o governador participará das campanhas in loco. Essa agenda ainda está sendo avaliada.

Sobre o Recife, Eduardo Campos resumiu a vitória do seu candidato Geraldo Julio ao ‘desejo da população por trabalho e realização’ e, indiretamente alfinetou o PT: ‘As pessoas precisam aprender a ler o recado das urnas. A população não quer briga’, disse. Não falou em reaproximação política com os petistas por entender que ‘não houve distanciamento’. Mas, textualmente, só ressaltou que a ‘relação de respeito do PSB é com Lula’. ‘Nossa relação nunca foi afetada em razão das candidaturas próprias’, assegurou.

Participaram da coletiva, o vice-presidente nacional do PSB, Ricardo Amaral, o secretário-nacional do partido, Carlos Siqueira, e o presidente do PSB no Estado, Sileno Guedes”.

Governador começa assim sua campanha presidencial. O Jornal do Comércio esquece de informar: quem financia a viagem.

A imprensa pernambucana é petista (sempre apoiou o prefeito João da Costa, que foi impedido de disputar a reeleição), é PSB no Estado (apóia o governo de Eduardo), é comunista em Olinda (promoveu a candidatura de Renildo Calheiros).

De tão desacostumados, as autoridades e fortunas pernambucanas não toleram críticas.

Crítica em Pernambuco é extorsão (caso Ricardo Antunes). Mas acontece que as eleições municipais deste domingo, com a imprensa autocensurada e censurada pela justiça, foram marcadas por boatos, infâmias, prisão de jornalista, e todo tipo de sujeira.

Onde impera a censura, a coscuvilhice, a fofoca, a inverdade, a mentira, o mexerico, o rumor e o zunzum campeiam.

Quem comprar a melhor rede de comunicação de boatos e fajutos institutos de pesquisas do já ganhou vence uma eleição. Para isso servem os marqueteiros, os cabos eleitorais, os bocas de urnas, os “jornalistas falantes”, na definição do rei Luís XV. Os arautos do rei falam mais alto.

 

Não sei quando o Brasil vai criar um jornalismo verdadeiro, opinativo e investigativo.

Dou exemplo do Diário de Notícias de Portugal que abre o seguinte espaço:

CONTEÚDO
EVENTUALMENTE OFENSIVO
Por opção editorial, o exercício da liberdade de expressão é total, sem limitações, nas caixas de comentários abertas ao público disponibilizadas pelo Diário de Notícias em http://www.dn.pt. Os textos aí escritos podem, por vezes, ter um conteúdo susceptível de ferir o código moral ou ético de alguns leitores, pelo que o Diário de Notícias não recomenda a sua leitura a menores ou a pessoas mais sensíveis.
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Arquivos de Cachoeira continuam secretos! e seus negócios com a imprensa, o judiciário e governadores não serão investigados pela CPI

O poder de chantagem de Cachoeira começou com suas relações com a imprensa vendida

Relações que continuam.

Andressa Mendonça, porta-voz e amante do bicheiro Cachoeira, e candidata à musa da CPI
Andressa Mendonça, porta-voz e amante do bicheiro Cachoeira, candidata à musa da CPI

O bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, criou uma agência de notícias que, através de grampos e espionagem, investigou a vida de políticos, governantes, empresários e jornalistas. Foram montados filmes exibidos, com exclusividade, nos jornais da TV Globo, e fotos e textos publicados nas revistas de papel cuchê, notadamente a Veja.

Pasmem! reportagens sensacionalistas que reberam o prêmio Esso.

A fábrica de notícias de Cachoeira espalhou boatos, meias-verdades, balões de ensaio e, via a chamada grande imprensa, praticou um jornalismo marrom para abrir alas nos três poderes, e provocar o crescimento de empresas que terminaram edificando obras superfaturadas, inacabadas e rachadas no judiciário e no executivo. Idem para fazer a propaganda dos candidatos da quadrilha a vereador e prefeito de médias e grandes cidades, a deputado estadual e governador de Estados, e até senadores, pelo menos um tem o nome carimbado.

Outro serviço da agência de Cachoeira foi rosear biografias de notáveis, para ser nomeados para os mais altos cargos municipais, estaduais e da Federação. Um serviço de relações públicas e de marketing que forticou a teia de um poder paralelo, cujas ramificações ainda são desconhecidas, mas que protege Cachoeira, uma figura misteriosa, tanto que se desconhece se ele é, realmente, o chefe da corrupção no Brasil ou mero lugar-tenente.

Esses serviços de imprensa, de propaganda, de relações públicas, de marketing, de publicidade, incluindo os mais diferentes profissionais – jornalitas, radialistas, fotógrafos, cinegrafistas, publicitários, marqueteiros, espias, capangas – além de redações da grande imprensa, foram realizados (não podia ser diferente) com a participação de agências de publicidade e seus fornecedores, de agências de relações públicas e seus fornecedores, de agências de espionagem e de empresas de segurança.

O escritório de Cachoeira parecia mais com o Salão Oval da Casa Branca nos tempos de Nixon. Tudo era filmado. Tudo era gravado. Um imenso acervo que Cachoeira, tendo como porta-voz e mula a amante, considerada a musa da CPI, fez anunciar que se encontra em local bem seguro. Incluindo farto material do seu “jornalismo investigativo”, que foi recusado ou parcialmente divulgado pela imprensa nos anos pares de campanhas eleitorais. E mais os documentos que mandou elaborar, para usar em momentos cruciais, de real perigo – julgamento pela justiça ou ameaça de morte.

 

 

Tráfico de órgãos existe. Não é lenda urbana

 

A venda de órgãos rende bilhões.  É um  negócio que envolve a medicina de vanguarda.

A divulgação de boatos torna este crime uma lenda urbana. Isso beneficia os traficantes de órgãos, de pessoas, de cadáveres.  Circula na internet:

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[aviso para sua segurança, não deixe de ler] aconteceu em Olinda
com um amigo meu e vejam o que ele relatou:
[Vale a pena estar atento]

No último sábado procurava um telefone público e encontrei apenas um,
em frente ao estacionamento da Praça da Biblia – Casa Caiada – Olinda.
Estacionei alguns metros mais atrás e desci do carro.

Quando estava falando chegou um homem sem uma perna e com muletas.

Me perguntou se podia ajudar a anotar um número, e me deu o cartão com
o número e um papel para anotar o telefone.

Com muito prazer para ajudar, peguei o papel e comecei a marcar o número.

Então em poucos segundos comecei a me sentir mal, sentia que estava desmaiando.

Acontecia algo de anormal, então corri para o carro e me fechei, ainda
me sentindo enjoado.

Tonto, consegui ligar o carro, e afastei-me um pouco
do local, estacionando mais a frente.

Depois, não lembro de mais nada.

Fui imediatamente para o hospital…

Após os exames de sangue, confirmou-se o que suspeitava.

Era a droga que está na moda: a burundanga ou escopolamina.

“Você teve sorte” – me disse o médico.

“Não foi uma intoxicação, apenas uma
reação à droga…

Não quero nem imaginar o que teria acontecido se os teus dedos
tivessem absorvido toda a droga ou ficassem em contato com ela por
mais 30 segundos…”

Com uma dose mais forte, uma pessoa pode ficar até oito dias
“desligada deste mundo”.

Nunca tinha pensado que aquilo podia acontecer
comigo.

E foi tudo tão rápido.

Escrevo não para assustar, mas para alertar.

Não se deixem surpreender.

O Médico do hospital (Dr. Raul Quesada) comentou que já são vários os
casos como este, e falou dos mortos que são encontrados sem órgãos,
e com restos dessa droga nos dedos.

Estão traficando órgãos com esta droga.

A escolopamina ou burundanga, usada também em medicina, provém da
América do Sul, e é a droga mais usada pelos criminosos (geralmente
agem em grupo de 3) que escolhem suas vítimas.

Ela atua em 2 minutos, faz parar a atividade do
cérebro, e com isso os criminosos agem à vontade, fazendo com as
vitimas o que querem: roubos, abusos, etc.

E o pior: ela não se lembrará de nada.

Em doses maiores, essa droga pode fazer a vítima entrar em coma e até
levar à morte.

Pode ser utilizada em doces, papéis, num livro,… ou ainda em um
pano que, uma vez aberto, deixa escapar a droga em forma de gás.

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Burundanga escopolamina: verdades e mentiras

A mensagem que menciona suposto caso de assalto com uso da droga burundanga ou escopolamina é mais uma lenda cujos componentes são os de praxe: um pouco de verdade, muitos dados imprecisos e um monte de inverdades.

A mesma mensagem, com pequenas mudanças, como atroca do nome da cidade de Curitiba para Sontghon (Johannasburg) (sic), circula em países africanos de língua portuguesa. Versão em castelhano cita un centro comercial que está en la esquina de avenida Clouthier y Patria na cidade de Guadalajara, México. Outra versão menciona centro comercial em Caracas, Venezuela.

Um das versões em circulação no Brasil é cópia da versão de além-mar e é fácil ver os termos e expressões não usuais no Brasil:

Quando estava a falar
comecei a marcar o número.
reacção à droga
Estão a traficar
rebuçados
connosco
Actua

Versões que circulam nos EUA mencionam não cartão de crédito e um papel, mas cartão de visita contaminado pela burundanga.

Escopolamina ou burundanga. 

 

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