Quando o Black Bloc vai tirar a máscara?

Transcrevo texto do Anonymous que também usa máscara. Que ataca os políticos, mas nenhuma palavra contra a ditadura de 64. E nada mais corrupto que uma ditadura. Corrupto quer dizer podre. Putrefato.

Defende ora o apartidarismo, ora o antipartidarismo. Quando a campanha presidencial já está nas ruas.

Faz campanha antecipada Marina Silva ao pedir assinatura para a fundação do seu partido. Toda entrevista dos presidenciáveis são eleitoreiras: Dilma, José Serra, Aécio Neves, Eduardo Campos, Joaquim Barbosa & quem mais aparecer para falar da sucessão.

Democracia é voto do povo nas urnas. Democracia é referendo. É plebiscito. Até o anarquismo é uma ideologia política.

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Resposta do Black Bloc à Veja

Quem é Emma?
Quem é Emma?

Na tarde de sábado 17/08, logo após a revista chegar às suas mãos, Emma integrante do black blocs no Rio, acampada no Ocupa Cabral, apoderou-se do celular que fazia transmissão ao vivo pelo TwitCasting e passou mais de uma hora vociferando contra a publicação.

Revoltada, demonstrava discordar da matéria. Ainda na capa, ela aponta um erro que considera primário ao inseri-la como membro de um grupo. “Black Bloc não é grupo e sim uma tática de manifestação. Não tenho como ser integrante de uma coisa que não existe.” A chamada (O bando dos caras tapadas) também desperta ira quanto ao trocadilho que ela diz ser “digno do Zorra Total” e que jornalistas deveriam se envergonhar de trabalhar numa revista como aquela.

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Ao folhear a revista, Emma vai analisando e xingando trechos preconceituosos e moralistas. Sua revolta (e dos que estão ao redor) aumenta diante do relato sobre consumo de drogas e sexo promíscuo. “Entre um baseado e um gole de vodka, (…) vinho barato e cocaína ! Onde isso?”

Abaixo de uma foto em que aparece lendo História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman, o texto procura atingi-la de modo a reduzir suas insatisfações a desvarios adolescentes. Emma ridiculariza a tentativa da revista de expor intimidades e frases soltas apenas para diminuí-la.

O mascarado também faz seu desabafo: “Isso foi tudo inventado. A grande mídia faz assim, ela conta a história que ela quer. Essa matéria aqui é completamente mentirosa, não é nem falaciosa, é mentirosa mesmo. A intenção é manipular a opinião pública”, diz ele.

Emma aponta a câmera para as barracas: “Olha lá, todo mundo transando e se drogando.” Ela se enfurece com o golpe baixo ao ser chamada de namoradeira e suspeita que gente infiltrada a delatou na passagem em que “fica” com dois acampados num mesmo dia.

Ainda que através de uma elíptica fenda apenas se revelem os olhos azuis, sobrancelhas finas e um pouco do nariz, todos de traços sugestivamente médio-orientais e de ar misterioso, fica evidente que Emma mexe com a curiosidade. Enquanto conta que o fotógrafo se fez passar por membro de agência internacional, Emma recebe um elogio à sua beleza através do chat interativo. “Obrigada, mas a reportagem não mexeu com meu ego. Não adianta nada a foto estar bonita se o conteúdo é escroto”, disse. “Não vendi foto nenhuma, publicaram isso sem minha autorização”. Uma senhora que estava ao lado pergunta se ela pode processar a revista por uso indevido de imagem. “Sim”, responde Emma. Um outro espectador bem humorado diz ter sentido falta de um poster central na revista. “Poster o caralho, já falei para parar com a idolatria. Não vim aqui para mostrar a bunda, vim mostrar o que tenho no cérebro.”

Emma diz ter sido procurada no acampamento por uma repórter da Veja e também pelo Globo. Dá a entender que recusou ambos os convites por não concordar com a grande mídia. Afirmou ter dito à repórter da Veja que não conversaria com ela pois o editor manipularia tudo conforme seu interesse. Contudo, enquanto lia a reportagem, por diversas vezes declarou: “Eu não disse isso, desse jeito.”

Além dos equívocos denunciados por Emma, a matéria afirma que os blacks blocs são um grupo pequeno e não chegariam a duzentos miilitantes. Apenas na frente da Assembleia Legislativa de São Paulo, na semana passada, havia um grupo de aproximadamente cem indivíduos. Comunidades black blocs no Facebook são encontradas em São Paulo, Caxias do Sul, Minas, Ceará, Niterói, Rio de Janeiro. Só a do Rio possui mais de 23 mil “curtidores”.

Também não é verdade quando a revista afirma que black blocs haviam queimado uma catraca durante uma manifestação (o ato é simbólico e religiosamente proporcionado pelo MPL, não teve nada a ver com black blocs) ou quando alega que nenhum McDonald’s ou Starbucks escapem ilesos de protestos em que haja pelo menos um mascarado (na noite de sexta-feira, novamente na Assembleia, nenhuma guerra de spray ou gás ocorreu mesmo na presença de 60 ou 70 black blocs).

Criticando professores universitários admiradores do movimento, a Veja incita a polícia a enquadrar os “arruaceiros” pelo crime de formação de quadrilha, algo ainda não feito, obviamente, por não ser possível juridicamente. Ao encerrar sua participação no Twitcasting, Emma diz para a Editora Abril: “A população está vendo o que vocês estão fazendo.”

2. Negro de alma branca. O racismo da Globo

Pintar um artista branco para encenar um negro faz parte da história das novelas brasileiras.

Que papéis eram reservados para os atores negros nas novelas globais?

Quem é este negro, um dos principais atores da história do nosso cinema, teatro e tv?
Quem é este negro, um dos principais atores da história do nosso cinema, teatro e tv?

Historia a Wikipedia:

A Cabana do Pai Tomás é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Globo e exibida entre 7 de julho de 1969 e 1 de março de 1970 às 19 horas. Escrita por Hedy Maia, baseada no romance Uncle Tom’s Cabin, de Harriet Beecher Stowe, e dirigida por Régis Cardoso. Teve 205 capítulos. Foi produzida em preto e branco.

Plínio Marcos, em sua coluna no jornal Última Hora, liderou uma campanha de repúdio a escolha do ator branco para interpretar um negro. A opinião geral na classe artística era que Milton Gonçalves deveria fazer o papel.

Assim, a televisão brasileira usava de uma prática iniciada no cinema norte-americano, chamada de “blackface”, onde atores brancos eram pintados de preto, encarnando assim uma visão destorcida de que atores negros não estavam à altura de representar, bem como para não chocar a sociedade marcadamente racista e segregacionista. O “blackface” todo o tempo reporta ao espectador que aquele negro na verdade esconde um branco.

Além da trama de A cabana do pai Tomás, a novela tinha partes tiradas de …E o vento levou, de Margaret Mitchell, com o personagem Dimitrius correspondendo a Rhett Buttler.

O ator branco pintado de negro é Sérgio Cardoso.

Escreve Paulo Senna:
A trama abordava a luta política, social e econômica entre escravos e latifundiários do sul dos Estados Unidos, à época da Guerra da Secessão, tomando por base a vida do velho escravo Pai Tomás (Sérgio Cardoso) e de sua mulher, Cloé (Ruth de Souza). Ele era um escravo negro de bom coração, que
passava de mão em mão, enfrentando senhores de engenho cada vez mais cruéis.

É bom lembra que Sérgio Cardoso (na foto como Pai Tomás ao lado da atriz Ruth de Souza) foi contratado pela Globo para viver o papel, mas contra a vontade de Glória Magadan, a supervisora de novelas da emissora na época. Ele teve que pintar o corpo, usar peruca e rolhas no nariz. Afinal, era um trabalho de composição, e ninguém melhor do que ele para fazê-lo. Apesar de que tinhamos e temos ótimos atores negros que poderiam ter interpretado o velho Pai Tomás

Um Ator Branco a Interpretar um Negro

 POR 

O protagonista da novela era o velho negro Tomás. A emissora, em um momento de preconceito racial que marcaria a nossa televisão, entregou o papel a um ator branco. Sérgio Cardoso, para interpretar o negro Tomás, tinha que pintar o corpo com uma tinta negra, usar peruca e rolhas no nariz. O ator Milton Gonçalves teria sido preterido ao papel, por exigência de uma subsidiária norte-americana da agência publicitária Colgate-Palmolive, patrocinadora das telenovelas à época.

Na classe artística, houve muitos movimentos de protesto contra a escolha de um branco para o papel de um negro. Incomodado, Sérgio Cardoso, conhecido por sua famosa falta de habilidade com as palavras, tentaria justificar-se em uma desastrosa declaração, que o faria ser visto como racista: “Tenho vários amigos de cor que são como meus irmãos; tenho afilhados pretinhos que amo como se fossem meus filhos.”

Sérgio Cardoso vivia três papéis nesta novela, além do negro Tomás, era Dimitrus, um galã a Clark Gable, e o presidente Lincoln. Dos galãs da época, Sérgio Cardoso era o único que arriscava fazer personagens deformados, para ele pintar o corpo de negro, era mais uma caracterização de uma personagem, não enxergando no fato uma discriminação racial da televisão. A novela resultou em um grande fracasso.

(Transcrevi trechos) Vale a leitura. Jeocaz escreve o perfil de Sérgio Cardoso, um verdadeiro ator. “No dia 18 de agosto de 1972 o Brasil parou, emocionado com a morte súbita do ator Sérgio Cardoso. O país perdia um dos maiores atores do teatro e da televisão do século XX”

Próximo desta série: Blackface. E ainda as diferenças entre negro e preto. Aguarde