A entrevista que a Veja jamais publicará

AA

████████████████ A revista Veja entrou em contato com so Advogados Ativistas para que fosse concedida uma entrevista. Apesar de ter sido avisado que não falamos com este veículo de comunicação, a publicação insistiu e nos mandou algumas perguntas, deixando claro que a matéria sairá com ou sem as nossas respostas.
Os jornalistas que realizam um trabalho sério têm a nossa admiração e respeito, o que se traduz na ótima relação do grupo com eles. Porém, é intolerável que publicações mal intencionadas queiram, mais uma vez, desinformar, mentir e difamar aqueles que realizam trabalhos relevantes.
Portanto, achamos por bem responder publicamente as perguntas que nos foram enviadas, para que uma possível matéria que cite o Advogados Ativistas já tenha seu contraponto. Segue abaixo:

Veja: Como surgiram os Advogados Ativistas?
AA: Advogados Ativistas sempre existiram, apenas uma parte deles se uniu.

Veja: Há lideranças?
AA: Não.

Veja: Quais são as causas mais emblemáticas pelas quais o movimento já lutou desde junho de 2013?
AA: Principalmente a defesa da Democracia e da Constituição, as quais vêm sendo incessantemente violadas.

Veja: Quais são suas bandeiras?
AA: Não carregamos bandeiras.

Veja: O que é necessário fazer para participar?
AA: Não ser leitor da Veja é um bom começo.

Veja: Hoje há quantos advogados ativistas?
AA: O suficiente.

Veja: Os senhores atuam apenas em São Paulo ou em outras cidades brasileiras? Se sim, em quais?
AA: Através da internet somos capazes de levar informação para qualquer lugar.

Veja: Em redes sociais do grupo há publicações, como fotos de protestos em cidades como o Rio de Janeiro. Vocês viajam para atuar em causas fora da cidade?
AA: Advogados Ativistas possuem amigos em muitos lugares. Se for preciso viajar, viajaremos.

Veja: Como vocês se mantém?
AA: Somos advogados, ora.

Veja: Quanto tempo do dia se dedicam ao ativismo?
AA: Não o quanto gostaríamos, mas quando o fazemos a dedicação é total.

Veja: Pode definir o conceito de advocacia “pro bono”?
AA: É a advocacia gratuita para o bem do povo. Bastava jogar no Google, essa foi fácil. 

Veja: Quais os obstáculos que enfrentam para garantir o direito de ampla defesa dos manifestantes?
AA: A Veja, por exemplo, é um dos obstáculos, pois criminaliza qualquer forma de pensamento diferente do seu.

Veja: Os senhores declararam que sofreram intimidação na OAB-SP no último protesto em São Paulo, de que forma isso aconteceu?
AA: Sofremos intimidação de um grupo inexpressivo, o qual falou indevidamente em nome da classe. Como explicado pelo Presidente da Ordem, a atitude destes não reflete o pensamento da entidade. Assunto superado.

Veja: Advogados ativistas já deram declarações de que a OAB-SP não está cooperando com o trabalho de vocês e se portando de maneira governista [governo de Alckmin]. Como é a relação entre os senhores e a entidade? Os senhores publicaram um artigo afirmando que a entidade criminaliza a ação de vocês. De que maneira isso acontece?
AA: A política de relação com outros grupos ou entidades é discutida internamente. No entanto, informamos que o Presidente da OAB/SP, em conjunto com o Presidente da Comissão de Prerrogativas, apresentaram nota pública em defesa de nosso trabalho, disponibilizando, inclusive, amparo emergencial caso cada um de nós tivesse seu ofício prejudicado.

Veja: Os senhores já receberam honorário de algum cliente que atenderam nas manifestações?
AA: Nao visamos lucro algum, mas podemos começar a receber quando a Veja informar quem paga a tal “Bolsa Manifestação”.

Veja: Quais são as principais orientações do Manual do Manifestante? Por quais mudanças ele já passou desde a primeira versão?
AA: O Manual está disponível na página do Advogados Ativistas e é de fácil compreensão. Recomendamos a leitura.

Veja: Os senhores declararam que já sofreram ameaças de morte. Pode descrever em quais situações e como essas ameaças se deram?
AA: A investigação está em andamento. É um trabalho para a polícia.

Veja: Os senhores foram apontados como advogados de Humberto Caporalli e Fabricio Proteus, apontados pela policia como adeptos à tática black bloc. Qual a posição dos senhores sobre os black blocs?
AA: Não generalizamos estereótipos e tão pouco criamos inimigos fictícios, isso é trabalho da Veja.

Veja: Na confusão das manifestações e porta de delegacias, é possível distinguir os manifestantes adeptos e não adeptos da tática black blocs?
AA: Não entendemos no que se aplica ao grupo esta pergunta.

Veja: Os senhores prezam pelo direito de se manifestar e defendem todos sem restrições?
AA: Ao contrário do que algumas pessoas (e a Veja) pregam, de acordo com a Constituição todos tem Direito a Defesa. Veja só que coisa (com o perdão do trocadilho).

Veja: Já se recusaram a defender algum manifestante?
AA: Nunca, inclusive se algum repórter da Veja for preso em alguma manifestação pode nos contatar que iremos defende-lo, já que o direito de defesa é para todos, mesmo que este veículo propague o contrário.

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Nota do redator do Blogue: A Veja deveria publicar, na íntegra, esta entrevista. Como prova de que os Advogados Ativistas desgostam da revista, em papel cuchê, sem motivo.

Nunca antes na história desse país se mentiu tanto com a desculpa de informar

por Mauro Donato

 

 

 

manipulação persuasão mídia imprensa pensamento opinião

Estufar o peito e bradar “mídia manipuladora” muitas vezes faz com que sejamos confundidos com adolescentes rebeldes e criadores de mitos.

Mas quando vemos a fotografia da ativista Sininho (Elisa Quadros Sanzi) inserida por meio de fusão em outra imagem, “recortada” através de ferramentas como o photoshop como pode ser observado na Veja desta semana, passamos do mito para o hiper-realismo (a manipulação de imagens, digitalmente ou não, é amplamente condenada no jornalismo).

Quando vemos que um ato em desagravo ao deputado Marcelo Freixo contou com a presença de vários artistas e lotou o auditório do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ devido às invencionices criadas a respeito do envolvimento do deputado com os autores do disparo de rojão, percebemos que paciência tem limite.

No evento estavam presentes artistas como Caetano Veloso, que escreve para o Globo (a TV não teve como ignorar e noticiou o ato no Jornal Nacional desta segunda-feira tendo a lividez cínica de, ao final, dizer que “entendia o desconforto” de Freixo, mas que “estava segura de que havia cumprido fielmente seu papel de informar”. Informar? Mentir mudou de nome?).

images mentira

 

Quando vemos a nota tímida, minúscula, quase um rodapé de página, anunciando que um segurança do metrô admitiu que foram funcionários que acionaram os botões “secretos” de emergência que cortaram a energia das estações — e não, como gritavam as manchetes garrafais endossando a versão do governador Alckmin e seu fiel escudeiro Fernando Grella, os “vândalos” de sempre –, comprova-se que existe má fé.

Credibilidade é tudo, já dizia a campanha publicitária de um determinado jornal que hoje faz parte desse grupo “orquestrado”, para usar termo tão caro a eles. Se hoje subestimam a inteligência de seus leitores e pouco se preocupam com o fato de jogarem no lixo os escrúpulos e o compromisso com a verdade, de que servem? A quem se destinam? Por quem são financiados, quais os reais interesses na depredação da honestidade — afinal, o que querem esses imensos black blocs corporativos? Por que dão destaque a uma manipulação de foto na qual o aparelho auditivo de Fidel Castro foi deletado (igualmente condenável), mas inserem uma pessoa num outro cenário que não aquele em que a foto foi realizada?

A tal “mídia manipuladora” soltou suas travas de vez. Perdemos todos, pois o contraponto, o embate saudável é que colabora para um ambiente intelectualmente profícuo, para elucidação de casos, para aceitação das diferenças.

A mentira não colabora em nada.

 

Cinco ações para derrubar um governo

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Basta o acompanhamento diário das manchetes dos jornais da elite, nos países democráticos, para se ter uma leitura da propaganda golpista.

Paradoxalmente a mídia é mantida ora pelos governos nacionalistas ora pelos governos estrangeiros colonialistas. É esta imposição, em nome da liberdade de imprensa, que os governos da Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador decidiram não aceitar.

Primeiro não se financia o inimigo. Segundo, a liberdade de imprensa não é uma propriedade exclusiva da empresa, do barão da mídia, e sim um direito do trabalhador, do jornalista.

Conheça o mais famoso teórico de golpes neste novo milênio sangrento. No You Tube existem várias conferências e filmes sobre Gene Charp.

 

sharp saint

¿Cómo se llevan a cabo los golpes de Estado en el siglo XXI? En tiempos en que la guerra ‘cuerpo a cuerpo’ no es eficaz, han surgido nuevos métodos para tomar el poder.

“La naturaleza de la guerra en el siglo XXI ha cambiado.” Así lo manifiesta desde hace tiempo el politólogo Gene Sharp, que recuerda que “nosotros combatimos con armas psicológicas, sociales, económicas y políticas”.

Estas son las armas que en la actualidad se usan para derrocar Gobiernos sin tener que recurrir a las armas convencionales. Sharp es autor de un polémico ensayo titulado ‘De la dictadura a la democracia’, que describe 198 métodos para derrocar Gobiernos mediante lo que se conoce como ‘golpes suaves’.

Esos golpes se llevarían a cabo mediante una serie de medidas que van desde el debilitamiento gubernamental hasta la fractura institucional, como sería el caso de lo que está ocurriendo en Venezuela promovido por la oposición, según algunos expertos.

Derrocamiento de Gobiernos en cinco pasos

Los ‘golpes suaves’ de Estado se desarrollarían en cinco etapas:

Primera etapa: Consistiría en llevar a cabo acciones para generar y promocionar un clima de malestar. Entre dichas acciones destacan la realización de “denuncias de corrupción y la promoción de intrigas”, señalan los expertos.

Segunda etapa: Se procedería a desarrollar intensas campañas en defensa de la libertad de prensa y de los derechos humanos acompañadas de acusaciones de totalitarismo contra el Gobierno en el poder.

Tercera etapa: Esta fase se centraría en la lucha activa por reivindicaciones políticas y sociales y en la promoción de manifestaciones y protestas violentas, amenazando las instituciones.

Cuarta etapa: En este punto se llevarían a cabo operaciones de guerra psicológica y desestabilización del Gobierno, creando un clima de “ingobernabilidad”.

Quinta etapa: La fase final tendría por objeto forzar la renuncia del presidente mediante revueltas callejeras para controlar las instituciones, mientras se mantiene la presión en la calle. Paralelamente se va preparando el terreno para una intervención militar, mientras se desarrolla una guerra civil prolongada y se logra el aislamiento internacional del país.

La “violencia no es tan eficiente”, opina Sharp, dado que el poder no es monolítico y que “en los Gobiernos, si el sujeto no obedece, los líderes no tienen poder”.

sharp violência

Gene já sofreu vários tipos de acusações. De ser agente da CIA e defensor do Black Bloc, que me parece ser a mesma coisa.

Undoubtedly the most successful and best known proponent of nonviolence in the last two decades, Gene Sharp received funding for his doctoral dissertation from the Defense Department’s Advanced Research Projects Agency, and his Albert Einstein Institution received grants from the International Republican Institution and the National Endownment for Democracy (the international agencies of the Republican and Democratic Parties, respectively) in order to translate and distribute some of Mr. Sharp’s writings internationally (this even according to a pro-Sharp article that initially claims his organization has received no government funding). Campaigns for nonviolent movements in other countries in which Sharp played an influential role also received major funding from the IRI and the NED, as well as the Rand Corporation, George Soros, and others.

Soldados desenho o símbolo da paz, por Banksy
Soldados desenho o símbolo da paz, por Bristol Banksy

O Black Bloc é financiado pela CIA?

Presidente Maduro presentó videos que prueban fascismo

El presidente de la República, Nicolás Maduro, en cadena de radio y televisión, presentó ayer tres videos donde quedaron en evidencia los destrozos y las agresiones que cometieron los grupos violentos que participaron en la movilización convocada por la derecha el pasado 12 de febrero.

Durante un Consejo de Ministros desde el Salón Néstor Kirchner en el Palacio de Miraflores, el mandatario mostró imágenes donde se observan jóvenes encapuchados causando daños e incendios en Caracas y varios estados del país, con bombas molotov y objetos contundentes.

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Igualmente, quedó demostrada la intensión del coordinador nacional del partido de derecha Voluntad Popular, Leopoldo López, de generar estos hechos violentos que dejaron un saldo de tres personas fallecidas y 66 heridas.

En las imágenes, una periodista le pregunta a López “¿cuándo termina esto?”, el dirigente de la derecha responde: “Cuando logremos sacar a quienes nos están gobernando”.

Además presentó nuevamente el audio de la conversación del jefe de la Casa Militar durante el gobierno de Carlos Andrés Pérez, Iván Carratú Molina, y el exembajador venezolano en Colombia, Fernando Gerbasi.

En el sonido Gerbasi le dice a Carratú Molina: que alguien lo había llamado la misma persona que le alertó el 11 de abril que tuviera cuidado, que iba a haber muertos.

En este sentido, el presidente Maduro señaló que los sectores de derecha han tomado el camino de la violencia ante los llamados a diálogo del Gobierno Nacional.

“Yo he planteado el camino de la convivencia pacífica, he planteado el camino de la tolerancia, del diálogo en la diversidad y de la paz, pero de filas de ustedes, dirigentes políticos de la oposición, es que ha surgido la opción de la violencia”, enfatizó el gobernante.

Maduro también rechazó las recientes declaraciones del senador estadounidense Marco Rubio, quien está vinculado al prófugo de la justicia venezolana Luis Posada Carriles, quien mediante un comunicado acusó al Gobierno Nacional de haber creado “una ola de represión sin precedentes”.

“Es un guión, el mismo de 2002. Ya asumían ellos que el 12 de febrero iba a haber muertos en Venezuela y tenían lista la acusación. Según él, el Gobierno Nacional es el culpable de las muertes de inocentes ayer”, expresó.

NO HABRÁ IMPUNIDAD

El mandatario nacional aseguró que no habrá impunidad en el país ante estas acciones, por lo que pidió a todo el pueblo venezolano acompañarlo en esta batalla contra el fascismo.

En ese orden de ideas, informó que los autores intelectuales de estos hechos de violencia ya están requeridos por la justicia, y los llamó a entregarse.

“Llueva, truene o relampaguee, el prófugo fascista debe ir tras las rejas”, afirmó el jefe de Estado.

Asimismo anunció que a través de fotos y videos se ha identificado a todas las personas armadas que participaron en los destrozos en Caracas.

Maduro subrayó que se han “encontrado documentos comprometedores y claros de lo que ha sido el plan de la derecha en la última semana”.

Además detalló que con las investigaciones que llevan adelante las autoridades, se logró conocer que Juan Montoya y Bassil Alejandro Da Costa fueron asesinados con la misma arma.

Igualmente, destacó que Neider Arellano falleció luego de que cuatro motorizados dispararon en la avenida Francisco de Miranda, de Chacao.

Al respecto, resaltó que “estamos identificándolos, tenían motos muy costosas, de alto cilindraje, cascos, y chaquetas negras, recuerdan a las bandas fascistas de 2002”.

Denunció manipulación de agencia francesa

El jefe de Estado, Nicolás Maduro, denunció a la agencia de noticias France Press (AFP) porque “está a la cabeza de la manipulación” mediática que realizan los medios internacionales sobre Venezuela.

“He pedido a la ministra de Comunicación e Información, Delcy Rodríguez, que tome las medidas y hable muy claro con los corresponsales de AFP en Venezuela y a los jefes, dueños de esa agencia de noticias en el mundo”, expresó desde el Palacio de Miraflores.

Del mismo modo afirmó que sacar del aire al canal NTN24 fue una “decisión de Estado, porque no vamos a permitir que generen zozobra de un golpe de Estado en el país como el 11 de abril de 2002”.

Indicó que el Gobierno Nacional defenderá el derecho a la tranquilidad de Venezuela “y nadie va a venir del exterior a tratar de pertubar el clima psicológico de Venezuela”.

Señaló que las grandes cadenas de comunicación se han prestado a lo largo de 15 años para “influir, perturbar y hacerle daño a la verdad de Venezuela”, refiere AVN.

Vídeos

Maduro presenta video 1

Maduro presenta video 2  

Maduro presenta video 3  

 

Como diferenciar um policial de um black bloc? O povo e os jornalistas desarmados

Nossas armas são as lentes.
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Eles estão blindados da cabeça aos pés,
do coturno ao capacete.
Eles têm balas de fogo, borracha, pimenta e gás,
Eles estão armados de ódio,
e protegidos pelo poder da farda que os veste.
Trazem nos punhos cerrados e no cassetete
anos de chumbo que não deixam pra trás.

Nós estamos na rua porque a rua é nossa.
Seguimos despidos de medo, e livres de espírito.
Nosso escudo é o grito,
nossas armas são lentes, sempre em riste.
Somos atropelados, pisados, baleados…
Mas não nos calaremos, jamais.
Fotógrafos e Ativistas.

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FOTO: Tércio Teixeira – Coletivo R.U.A
TEXTO: Nina Lira – Fotógrafos Ativistas

AUDIODESCRIÇÃO: Foto colorida. A foto registra momentos antes de um Policial da ROCAM atirar no chão em direção a um fotógrafo. A bala ricocheteou e atingiu de raspão o rosto do fotógrafo. Atrás do policial outro mídia ativista registra a ação através do celular.

NOTA DO EDITOR DO BLOGUE: Como diferenciar um policial de um black bloc? Ambos se vestem de preto. E usam máscaras. E muitas vezes estão misturados. Na foto: dois policiais armados para uma guerra mortal. Por que o uso de armas letais contra o povo e os jornalistas? (T.A.)

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O bloco negro no pelotão da frente

ALEXANDRA PRADO COELHO (TEXTO E FOTOS)

Não há como não serem o centro das atenções. Máscaras a cobrirem o rosto, lenços que transformam o nariz e a boca num esgar de caveira, protecções contra o gás lacrimogénio penduradas ao pescoço. Eles são os anarquistas do Black Bloc, os que seguem sempre no pelotão da frente nas manifestações contra o Governo brasileiro, os políticos e o despesismo da Copa, e por mais investimento em saúde, casa e educação – como a que aconteceu sábado em São Paulo.

mani público

 

O alvo deles é a polícia, mas quando a violência rebenta –e mais cedo ou mais tarde, ela acaba por rebentar – não olham para os jornalistas que estão no meio (a polícia também não). Aliás, não gostam da imprensa tradicional e têm a sua própria, a Mídia Ninja. Um deles, enorme, parece o Exterminador Implacável, de fato com protecções de borracha e capacete negro com a palavra “imprensa” escrita a letras brancas.

manif publico 2

 

Estão ali para enfrentar a polícia – e é isso que acaba sempre por acontecer. Como uma coreografia bem ensaiada, a manifestação caminha desde o início para o momento culminante: o confronto violento. Aí, sai de cena quem não é de cena. O palco é todo para a tropa de choque e os Black Blocs. (Público/ Portugal)
manif publico 3

Desembargador nega habeas corpus para estudante ‘suspeito’ de agredir coronel

Por que a imprensa ajuda a matar

(Continuação)

por  Raphael Tsavkko Garcia

 

Coronel, descontrolado, exigia documentos

A primeira versão, a da manchete, é sempre a da polícia. Depois é que há – quando há – o espaço para as testemunhas, para o contraditório. Quando a polícia mata, não há reação. Todos estes assassinatos geraram protestos, os dois últimos resultando em ônibus e caminhões queimados e mais violência policial como resposta. Para a periferia, a resposta é sempre mais repressão, mais violência.

No Rio de Janeiro, por sua vez, não podemos nos esquecer de Amarildo. Mas ele é apenas um dos milhares de “desaparecidos” nas UPPs. Torturado violentamente, não é do interessa do Estado encontrar seu corpo e, na verdade, não era sequer do interesse do Estado que seu caso tomasse as ruas. No dia 17 de outubro, um “novo caso Amarildo”, na favela de Manguinhos: Paulo Roberto, de 18 anos, foi espancado por PMs até a morte. Dado curioso: durante um protesto em Manguinhos pela morte de Paulo Roberto, uma adolescente de 17 anos foi… baleada. Em nenhum desses casos a versão principal, na mídia, é a das vítimas.

No dia 26, o mesmo em que Severino foi assassinado, o coronel da PM Reynaldo Rossi foi agredido por adeptos da tática conhecida por Black Bloc no centro de São Paulo. A versão da mídia, baseada em relatos da PM e em vídeos nem sempre completos foi a de que o pobre policial havia sido agredido de graça enquanto trabalhava na contenção dos “vândalos”. A versão de quem estava presente foi a de que o coronel, descontrolado, exigia documentos de identificação de qualquer um que se aproximasse, mesmo jornalistas, e que partiu em direção a um mascarado para, com violência, efetuar uma prisão sem qualquer acusação – como a Polícia Militar está tão acostumada a fazer.

“Porte de vinagre” foi criminalizado

Frente a isto, as pessoas em volta reagiram e “partiram pra cima” do coronel, que foi defendido por um policial armado e sem uniforme, um conhecido P2, ou agente infiltrado. Ora, muitos dos presentes depois suspeitaram de toda a ação. O que fazia um coronel sozinho em meio a mascarados em um protesto e, pior, o que fazia um policial sem uniforme ou identificação no local? De qualquer forma, em momento algum a “grande mídia” buscou o outro lado. Ouviram a polícia, o governador, a presidente (que ofereceu “ajuda” federal, ou seja, ofereceu-se para apoiar a repressão com mais força), e até mesmo a esposa do coronel. Mas não ouviram as testemunhas que estavam presentes – e muito menos foram capazes de ligar sua figura à repressão de junho, com vítimas inclusive entre os jornalistas desta mesma mídia.

Ao ligar a TV em busca dos noticiários, é possível, como já fazem muitos na internet, “brincar” de bingo e esperar que as palavras “vândalos”, “criminosos”, “provocaram a reação da PM”, “a PM reagiu” dentre outras, sejam pronunciadas pelos âncoras. Não importa qual noticiário ou qual canal de TV: invariavelmente, a criminalização dos protestos acontece.

Mais grave que isto, aliás, é a ideia passada pelos jornais de que a PM apenas reage à violência dos protestos quando, na verdade, é a PM a primeira a agredir, a efetuar prisões sem qualquer motivo, a realizar revistas vexatórias (circula pela internet a foto de uma garota que teve sua vagina vasculhada por uma policial no meio de um protesto), a criminalizar mesmo o “porte de vinagre”, como durante os protestos de junho.

Manter a situação sem tocar nas feridas

As notícias na mídia impressa, por sua vez, em geral destacam não apenas a versão “oficial” da polícia e do Estado, mas ao cobrir protestos dão destaque ao “vandalismo”, e não às razões pelas quais se chegou naquele ponto. É o sensacionalismo puro, cruel, que criminaliza e praticamente pede por uma “reação” policial. Jornalistas são alvos preferenciais das forças policiais, mas seus patrões estão mais interessados em criminalizar os manifestantes – raramente assim chamados – enquanto fazem vista grossa às agressões policiais.

Não há como comparar a ação de indivíduos, em geral poucos, que porventura queimem lixeiras, pichem muros ou depredem agências bancárias com paus e pedras e a ação violenta de uma polícia que mata diariamente, armada com bombas, gás e, algumas vezes mesmo com armas com munição letal. O repúdio à violência dos chamados Black Blocs não pode ser mais alto, mais consistente que o necessário repúdio à violência policial. Ora, quantos foram mortos ou mesmo feridos gravemente pelos Black Blocs desde que a tática começou a ser usada no país, durante os protestos de junho? Agora contemos quantos negros, pobres, moradores de periferia foram torturados, espancados e mortos pela PM apenas em um mês. Ou melhor, apenas em uma semana!?

A violência das ruas jamais poderá ser equiparada à violência do Estado. E “quem começou primeiro” faz diferença. Não se trata de birra ou de brincar de “ovo e galinha”, mas de compreender que a violência estatal está presente desde sempre. Está na gênese do Brasil, na concepção da polícia e das ditas forças de segurança, que em geral servem para garantir o controle da periferia, para que esta não exploda e incomode as elites. A mídia, ao reportar sem qualquer questionamento a posição das forças de segurança (sic), ao tratar como nota de rodapé a posição das vítimas e de seu entorno, contribui para a manutenção do status quo, este que significa a repressão violenta ao protesto e, em muitos casos, a repressão antes mesmo do protesto.

Enquanto jovens são assassinados na periferia ou são espancados pela polícia nas ruas do país, a mídia guarda para si o papel de mantenedor dessa situação, sem questionar, sem tocar nas feridas, mesmo que ela mesma seja alvo da violência policial.

 

De óculos, Paulo Henrique Santiago dos Santos, 22, é transferido de São Paulo para CDP do Belém, como acontece com os criminosos do PCC. O estudante nega agressão contra o coronel Rossi da PM
De óculos, Paulo Henrique Santiago dos Santos, 22, é transferido de São Paulo para CDP do Belém, como acontece com os criminosos do PCC. O estudante nega agressão contra o coronel Rossi da PM

Nota do redator do blogue: Os governadores Alckmin e Sérgio Cabral decretaram uma lei marcial nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro para prender manifestantes, e enquadra=los como membros de facções criminosas.

Principalmente os estudantes que gritam “fora Alckmin”, “fora Cabral”.

ESTUDANTE CONTINUA PRESO POR TENTATIVA DE ASSASSINATO E ASSOCIAÇÃO A UMA DESCONHECIDA FACCÃO CRIMINOSA. NINGUÉM FALA DA ESTRANHA ATUAÇÃO DO CORONEL ROSSI, DISTANTE DA TROPA E SALVO POR UM INFILTRADO

 

O desembargador Alex Zilenovski negou nesta um pedido de habeas corpus para o estudante Paulo Henrique Santiago, de 22 anos, preso em flagrante por tentativa de homicídio e associação criminosa depois de ser identificado como um dos agressores do coronel Reynaldo Simões Rossi em manifestação do Movimento Passe Livre (MPL), no último dia 25.

Santiago já teve a liberdade provisória negada pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital na semana passada.

A defesa do estudante contratou o perito Ricardo Molina para tentar demonstrar, com imagens de um vídeo, que ele não teria participado das agressões contra Rossi. Um laudo será apresentado à Justiça. “As imagens mostram ele inerte, sem nenhum movimento de agressão. Ele não está participando da agressão. Infelizmente, por acaso do destino, saiu numa foto e foi preso”, disse o advogado Guilherme Silveira Braga.

De acordo com Braga, a gravação mostra que havia mais manifestantes na região, mas que a maioria não agiu com violência. Agora, o habeas corpus passará por uma nova análise em julgamento com três desembargadores.

 A imprensa propagou que o coronel foi agredido com uma barra de ferro. Agora se diz o certo: pedaço de pau.
Soldado infiltrado tira Rossi do cerco dos manifestantes. O coronel não estava no comando da tropa
Soldado infiltrado tira Rossi do cerco dos manifestantes. O coronel não estava no comando da tropa