Prefeito do Recife inimigo público

Roberta Soares: Pedestres correspondem a 31% das vítimas indenizadas em acidentes de trânsito
Roberta Soares: Pedestres correspondem a 31% das vítimas indenizadas em acidentes de trânsito

Recife maltrata os pedestres. As novas pontes e viadutos não possuem passagens, nem caminhos para o povo.

O prefeito não constrói praças. Parques nem pensar.
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Recife não tem passeio público.
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Tem apenas uma biblioteca para um milhão e 500 mil recifenses.
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Do mapa, prefeito e vereadores estão riscando tudo que é público. Não existe nenhum projeto de cemitério público. O último foi o Parque das Flores, municipalizado por Antonio Farias, um excelente prefeito.
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Não existe nenhum mercado público na Zona Sul do Recife. O dono do shopping, financiador de campanhas eleitorais, proibiu para todo sempre. Uma desautorização válida para toda a Região Metropolitana.
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Não se faz mais nada que preste para o povo.

Governar o Recife é construir os caminhos do shopping
Governar o Recife é construir os caminhos do shopping

Hoje o Diário de Pernambuco arrisca afirmar que “pedreste é associado a uma condição social de pobreza”.  Leia

Recife da Cultura desprezada. Duvido o prefeito destinar um palacete para os artistas

Palacete dos Artistas faz parte do projeto da Prefeitura de ocupação do Centro de São Paulo (Foto Olivia Florência/ G1)
Palacete dos Artistas faz parte do projeto da Prefeitura de ocupação do Centro de São Paulo (Foto Olivia Florência/ G1)

 

Artistas, escritores, poetas, jornalistas e educadores da rede pública morrem na miséria em Pernambuco, notadamente no Recife.

O poeta Carlos Pena Filho, termina assim seu Guia Prático da Cidade do Recife:

“Recife, cruel cidade,
águia sangrenta, leão.
Ingrata para os da terra,
boa para os que não são.
Amiga dos que a maltratam,
inimiga dos que não
este é o teu retrato feito
com tintas do teu verão
e desmaiadas lembranças
do tempo em que também eras
noiva da revolução”

Um prefeito não faz nada que preste para o povo, principalmente pela Cultura.

Que realiza um prefeito, se o Recife não tem museu, biblioteca, editora, universidade, cinema, tv educativa e passeio público?

As festas tradicionais – Carnaval, São João, Natal e Virada do Ano Novo – são animadas por artistas de fora, contratados a peso de ouro.

Que diabo um prefeito do Recife empreende com os bilhões que arrecada?

Constrói e varre os caminhos dos shoppings.

PALACETE PARA 50 ARTISTAS EM SÃO PAULO

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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, inaugurou nesta sexta-feira (12) o edifício Palacete dos Artistas, destinado a moradia popular de artistas com mais de 60 anos e renda familiar de um a três salários mínimos.

Os 50 artistas beneficiados terão que pagar de 10% a 12% da renda mensal deles pelo apartamento. O contrato será renovado a cada quatro anos.

O imóvel permanecerá como propriedade pública. “Uma locação social a um preço bastante módico para permitir que o prédio seja sempre destinado a artistas que dependam de locação”, explicou Haddad.

SÃO 50 HABITAÇÕES COMO HOMENAGEM E RECONHECIMENTO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS ÀS ARTES

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A Prefeitura de São Paulo entregou nesta sexta-feira (12) 50 apartamentos do Edifício Palacete dos Artistas, o antigo Hotel Cineasta, localizado na Avenida São João, a poucos metros do seu cruzamento com a Avenida Ipiranga. O edifício foi revitalizado e adaptado para ser o novo endereço de 50 artistas ligados a diversas entidades do meio, entre as quais o Sindicato dos Artistas, a Cooperativa Paulista de Teatro o Balé Stagium e o Movimento de Moradia dos Artistas e Técnicos.

“São 50 habitações, mas este número não expressa a importância do gesto. O nosso programa habitacional é mil vezes maior, mas [este gesto] significa muito mais do que isso. A sua dimensão quantitativa não retrata a dimensão qualitativa do projeto. Vocês certamente vão alegrar o centro, vão enriquecer a vida do centro e suas próprias vidas. Este é o reencontro da cidade com seu centro histórico. Requalificar o centro não é só reformar prédios. É, sobretudo, um gesto em direção às pessoas. E acho que o gesto não poderia ser mais significativo”, afirmou o prefeito Fernando Haddad na cerimônia onde foram entregues aos artistas as chaves de seus apartamentos.

A cantora aposentada Penha Maria, de 74 anos, é uma delas. Nesta sexta-feira (12), ao visitar o que será sua residência, não conteve a emoção. “Não tenho nem palavras. É um sonho. Achei o apartamento lindo”, disse com a voz embargada. O ator e diretor de teatro Kokocht, de 66 anos, elogiou a vista. “É maravilhosa, uma vista para a Avenida São João. Amei o apartamento. Está lindo”, afirmou.

O cantor Valdemar Farias, 85, popularmente conhecido como Roberto Luna, será um dos novos maradores do palacete. Atualmente, ele vive com sua companheira na casa de uma amiga no Horto Florestal, zona norte da capital. Nesta manhã, ele não escondia o seu contentamento pela conquista. “Sou da Paraíba e, quando cheguei em São Paulo, na década de 50, foi para o centro que eu vim. Fui morar no Hotel Excelsior. Hoje posso dizer que estou voltando às origens”, afirmou.

“Esta é a luta de nós artistas. Nós lutamos com a nossa alma, com a palavra, com a emoção e com o coração. E a nossa luta de tantos anos vai cada dia conquistando mais espaço”, afirmou a atriz Vicencia Militello, 71. Após receber a chave do apartamento que habitará, Vic, como é chamada pelos colegas, chamou atenção para a questão dos idosos e afirmou que o projeto contribui para uma melhoria da qualidade de vida dessa população. “Trazer para o Centro os idosos é importante, pois desobrigaremos eles a terem de andar de ônibus e atravessar a cidade frequentemente”, disse, lembrando que nem sempre os mais jovens são generosos de modo a facilitar suas vidas.

 

A INCRÍVEL HISTÓRIA DE PENHA MARIA, A SAPOTI DO NORDESTE

por Germano Barbosa

 

Recife,1968, Jornal do Comércio
Recife,1968, Jornal do Comércio

Ela foi a maior cantora do Norte e Nordeste do Brasil, de todos os tempos. Brilhou no Rio, em shows do rei da noite, Carlos Machado, foi aplaudida e elogiada pela imprensa em mais de 10 países da antiga cortina de ferro, representando a Varig. Trabalhou com Abelardo Figueiredo, no Beco e nas melhores casas noturnas de São Paulo, até que resolveu parar, em 1972, para cuidar da família. Agora, 42 anos depois, eu a encontrei, pobre e doente, mas completamente lúcida, em um lar para idosos, na periferia da capital paulista.

Simpática e muito educada, ela quer dar a volta por cima e voltar a cantar.

Eu a procurei, incansavelmente, durante mais de 10 anos.

Nascida em 22 de dezembro de 1939, em João Pessoa, Paraíba, com o nome de Maria da Penha Soares, desde cedo seus pais, Antônio e Hercília, lhe deram uma educação religiosa, tendo ela começado a cantar na igreja aos 10 anos.

Com 18 anos, depois de ganhar um concurso de calouros, estreou profissionalmente na Radio Tabajara, a melhor da capital paraibana, e aí começou a sua trajetória de sucesso.

Dois anos depois, em 1959, o grande maestro Giuseppe Mastroianni a descobriu e levou-a para a Rádio Jornal do Comércio de Recife. No ano seguinte, ela inaugurou a TV Jornal do Comércio, onde sua voz, maravilhosa, aliada a sua beleza e elegância, deslumbrava os espectadores, participando dos famosos programas da época, Você Faz o Show, de seu grande amigo Fernando Castelão, Noite de Black-Tie e Bossa 2, de Nair Silva.

Durante cinco anos, foi eleita a melhor cantora de Recife, sendo conhecida como “a sapoti do nordeste”.

Penha era convidada para cantar para as grandes personalidades da época que passavam por Recife, como o governador de São Paulo Ademar de Barros e o presidente Juscelino Kubitchek, e cantou ao lado de grandes ídolos, como Cauby Peixoto e Angela Maria. Transcrevi trechos. Leia mais 

 

RECIFE QUEIMA DINHEIRO NO RÉVEILLON

No Palacete dos Artistas de São Paulo foram investidos cerca de R$ 8,2 milhões, sendo R$ 1,3 milhão em restauro; R$ 5,1 milhões em reformas e adequações em geral e R$ 1,8 milhão em reforços da estrutura do prédio e adequação e instalação dos elevadores. Outros R$ 4,2 milhões foram gastos com a desapropriação do edifício.

A fonte de recurso foi do governo federal, por meio do Programa Especial de Habitação Popular (PEHP), que previa o financiamento para esse tipo de empreendimento a fundo perdido por meio da Caixa Econômica Federal.

No Recife gasta-se muito mais com qualquer festança. Como acontece no Réveillon, com a queima de fogos e carnaval à baiana.

Os palacetes e casarões do Recife, reservados para a especulação imobiliária, deveriam ser transformados em museus, biblioteca de bairros, asilos, casas de artistas, de educadores, de jornalistas, ateliês, escolas de arte como a de João Pernambuco na Várzea, cinemateca, sede de bandas de música, galerias de arte etc

Estudante brasileiro um dos piores em ranking leitura

opinião, imprensa, livro

 

Livro no Brasil, uma mercadoria de luxo vendida em papelarias com nome de livrarias, e supermercados. O preço continua absurdo, e apenas oferecem best sellers estrangeiros, que foram temas de filmes.

Os governos estaduais e municipais não investem em bibliotecas públicas, apesar da existência das secretarias de cultura apenas no nome, cujas verbas são desviadas para o pagamento de shows comícios e outros e-ventos políticos.

Nas escolas, os professores  desatualizados empurram os clássicos: Machado de Assis, romancista, e algum poeta parnasiano, também de leitura entediante para quem tem quinze anos. Ou algum livro paradidático, cujo autor escreveu nas coxas, acreditando que o jovem brasileiro, por natureza, não passa de um burro.

Os didáticos são também mal escritos, e não possuem a beleza de um livro, lembram cadernos xerocados, e selecionados via lóbi das editoras que faturam adoidado, repassando parte do lucro como jabá para secretarias de educação, diretores de colégios e alguns professores.

‘Leitores’ analfabetos

Quantas vezes, na Universidade, ouvi de estudantes de comunicação a triste revelação: “li, mas não entendi”? Leia mais 

O que preocupa os jovens comunicadores

Informa Venício A. de Lima que cerca de seiscentos estudantes de jornalismo, publicidade, relações públicas e cinema, da maioria das unidades da federação, e com idade entre 19 e 23 anos, estiveram reunidos para discutir “A qualidade de formação do comunicador social”, tema geral do 34º Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, Enecom PI 2013, que ocorreu de 20 a 27 de julho, no campus da distante Universidade Federal do Piauí, em Teresina.

Claudius Cecon
Claudius Cecon

 

por Venício A. de Lima

Chamou minha atenção a “metodologia” utilizada. O painel é dividido em “perfis” a serem apresentados por diferentes expositores, não necessariamente professores. Sobre a “Democratização da Comunicação” foram quatro perfis: 1. Por que a democratização da comunicação tem tudo a ver com você?; 2. Novas leis para um novo tempo: marcos regulatórios pelo mundo; 3. Construindo outras vozes; e 4. Das redes às ruas: a internet e a mobilização social da juventude. (…)

1. Diagnósticos e críticas não interessam mais. Precisamos discutir alternativas.

Como viabilizar a construção de alternativas locais de jornais populares? Quem teria mais credibilidade nos assuntos de interesse local, o Jornal Nacional da Globo ou um jornal produzido na comunidade? Quem os financiará? Quais parcerias coletivas são possíveis para viabilizar, por exemplo, a contratação “por serviço”, do maquinário ocioso de grandes jornais ou de gráficas?

2. A internet é importante, mas a maioria dos brasileiros ainda não tem acesso a ela. A banda larga é cara e de má qualidade. Precisamos criar alternativas complementares à internet.

A importância das rádios comunitárias é amplamente reconhecida. É necessário priorizar uma nova legislação que impeça a criminalização e o fechamento de rádios já existentes e amplie o seu alcance.

3. Não basta ser um canal de televisão público ou educativo para uma emissora se constituir em alternativa à mídia comercial dominante.

É preciso exigir dos órgãos fiscalizadores (Ministério das Comunicações) o cumprimento das obrigações dos canais não comerciais e transformá-los em espaços de veiculação de programação alternativa de qualidade.

4. A explicação midiática “pós-moderna” da total fragmentação de interesses e objetivos das manifestações de jovens não deve ser aceita sem discussão.

Por detrás da aparente fragmentação existem insatisfações comuns como, por exemplo, uma demanda por participação na construção de políticas públicas. Surge aqui a necessidade de se instalarem os conselhos de comunicação como espaço de interferência na destinação de recursos públicos nos planos estaduais de comunicação.

Com “os pés no chão”

O indispensável diálogo com os jovens é muitas vezes surpreendente. Os observadores de gabinete, analisamos movimentos de jovens sem conhecer o que de fato pensam esses sujeitos coletivos.

Mesmo levando-se em conta que boa parte de participantes dos Enecoms são jovens diferenciados porque envolvidos em militância estudantil, é gratificante observar que eles não estão – como em geral se acredita – “deslumbrados” com os falaciosos superpoderes das redes sociais virtuais. Na verdade, estão com “os pés no chão” e preocupados em encontrar formas factíveis de exercício profissional em suas respectivas áreas de formação, sem abrir mão de interferir politicamente nas transformações do país.

Ignorados pela grande mídia, no calor estorricado do Piauí, jovens futuros comunicadores sociais brasileiros “fazem” mais um Enecom e mostram saber muito bem o que querem.

Estão no caminho certo.

imprensa nanica jornalismo censura blogue

Nota do redator do blogue: Todas as redes sociais virtuais são censuradas sim, e seu tempo de exibição demasiado curto. Uma vida menor que a dos jornais impressos, que têm a duração de um dia, mas podem ser conservados, adquirindo assim uma permanência que depende das bibliotecas e arquivos.  Todas as mensagens na web desaparecem no ar. Principalmente os blogues, que possuem diferentes e diversificados tipos de censura. Inclusive estão destinados à solução final do apagão eterno.  T. A.

Quando os jornalistas mentem (Veja vídeo)

Conheça a verdade

Veja o vídeo. Jornalista eis sua casa:

Divulgue o vídeo. Foi produzido pelos jornalistas da Campanha. Não custou nenhum tostão furado.

A mentira tem pernas curtas

Publicado em 10 de maio último pelo Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco, nas vésperas das eleições sindicais, que acontecem nos próximos dias 17 e 18 (além de anunciar um tardio cuidado, a Diretoria confunde livro velho com livro raro):

“Livros raros, entre eles uma coleção editada no século dezenove, em Portugal, fazem parte do acervo bibliográfico do Sinjope. Livros e coleções foram aos poucos sendo redescobertos, a partir de uma faxina nos armários de uma das salas do Sinjope. O material estava armazenado há mais de trinta anos. Os livros se misturavam a documentos e pilhas de pastas de arquivo de documentos do dia a dia do sindicato, acumulados ao longo do tempo. A maioria dos livros foi doada na década de1970 por particulares.

Mas, paralelamente à descoberta, foi possível verificar que o tempo e a umidade fizeram estragos. Uma das estantes estava tomada pelo cupim e isso também afetou o que nela estava guardado. Foi preciso muito cuidado para não danificar ainda mais os livros. Alguns deles, infelizmente, atingiram um estado tal , que acabavam se desintegrando à medida que eram retirados. Outros, apresentavam-se totalmente imprestáveis para qualquer trabalho de recuperação.

Agora, o próximo passo é catalogar cada obra, por meio de uma parceria, que está sendo articulada entre o Sinjope e algumas instituições que atuam nessa área, para que parte do acervo possa ser disponibilizada por meio de empréstimo aos associados.

O objetivo é recuperar aos poucos as edições que precisam ser restauradas e que devem ganhar uma capa nova para que possam ser manuseadas com segurança. È um trabalho que deverá ser feito aos poucos, à medida que o acervo vá sendo catalogado”. Confira 

Em quinze anos de governismo. Em quinze anos de continuísmo. Em quinze anos de chapa batida. Tudo apodreceu no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco. Até os livros.

Esta é a única estante da "biblioteca". Foto Sinjope
Esta é a única estante da “biblioteca”. Foto Sinjope

Eu gosto desta idéia

livro 2

por Giovanna Souza

Olá, pessoal, olhem quem apareceu: EU! Estou sem internet, aí fica difícil de postar pelo celular… Mas hoje eu consegui, e estou aqui com uma proposta bem legal. Um dia desses a Renata postou uma campanha super legal no blog dela… É um abaixo assinado para reduzir os impostos sobre o preço dos livros. Gente, todo mundo sabe que os livros são bem carinhos… Seria ótimo que o preço deles abaixasse um pouco, só pra variar. Para assinar só é preciso o nome e o email. Eu já assinei, agora é a vez de vocês. Precisa de pelo menos 20.000 assinaturas… Vamos lá, isso não dura nem 3 minutos. Estou contando com vocês! Para assinar é só clicar aqui.

banco biblioteca livro

A informação é frágil como o Amazonas

José Afonso Furtado
José Afonso Furtado

José Afonso Furtado, em Uma Cultura da Informação para o Universo Digital, que acaba de ser publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, reflecte sobre o problema da literacia e a chamada “fratura digital”, provocada pelas dificuldades de alguns na interação com as novas tecnologias.

O que me interessava era saber como é que se está a alterar a produção, a dimensão, a distribuição e a salvaguarda dos dados. Perceber que tipo de saberes e habilidades é que as pessoas devem ter para terem um pensamento não proletarizado face ao novo ambiente informacional. E discutir com mais profundidade a noção de literacia de informação.
Para chegar aí, tive de explicar qual era a dimensão do problema e, para isso, tive de fazer a recolha das tentativas de medir a produção, o consumo e a circulação de informação. Todos os relatórios são americanos.

Os jogos de computador, por causa dos gráficos complexos, são agora 95% da informação produzida. E a seguir é o vídeo. Podemos pensar que se produzem um milhão de livros por ano e que isso é uma carga enorme. Mas não. É 0,04% da informação produzida. Não tem significado. Ouvir rádio continua a ter muita importância, mais do que eu pensava. As actividades na Internet são muito menos significativas em termos de quantidade de informação em bytes do que se poderia pensar.

Os dados só por si não servem para nada, só servem se forem transformados em informação. O que não sabemos é se alguns dados podem vir a ser transformados em informação daqui a algum tempo. Há dados que hoje não nos servem, mas não sei se daqui a um ano servem. Pode haver uma pergunta a que esses dados respondem.
O que me preocupa é este progressivo desfasamento entre aquilo que se produz e aquilo que se pode armazenar. Porque aí é que vai estar o grande problema deste século.
Neste momento está tudo a construir silos e centro de dados.

O que é certo é que quem tem dinheiro para construir centro de dados gigantescos são as empresas privadas, que fazem disso negócio. Mas na Holanda, é proibido os dados do Estado serem armazenados em empresas privadas. A UE não tem nenhuma directiva sobre isso, mas aconselha a que não se faça. Não tenho uma teoria da conspiração.

A ética da informação é exactamente tudo o que temos estado a falar. No livro, aplico à infosfera as preocupações que é comum ter-se com a biosfera. Só que a informação não é considerada um objecto tão grave e tão frágil como é o Amazonas ou o aquecimento global. Mas é a mesma coisa, porque a dificuldade vai ser escolher o que se guarda e o que se deita fora, o que deve ficar conservado e como. Há a preocupação de não perder informação ao mudar de suportes e, sobretudo, de saber como é que vamos encontrar o que queremos e como é que o vamos obter.

Se for à Internet, metade dos livros produzidos emself-publishing nos EUA não tem ISBN sequer. E a não ser que confiemos que há um deus bom, isto vai multiplicar-se. Esse desfazamento entre capacidade de produção de bens digitais e a capacidade de armazenamento põe uma série de problemas. O consumidor nunca se preocupou com o armazenamento da informação até entrarmos num paradigma digital. Nunca se preocupou se a Biblioteca Nacional tinha espaço ou não. O desfazamento entre a produção e a capacidade de armazenamento só tem duas soluções: mecanismos tecnológicos e epistemológicos. Mas não podem ser só tecnológicos. Por isso é que digo que as bibliotecas não podem ser dispensadas. Transcrevi trechos