Vereador defende chacina de mendigos

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Durante uma sessão na Câmara Municipal de Piraí, Rio de Janeiro,  o vereador José Paulo Carvalho de Oliveira (PTdoB), conhecido como Russo, gerou polêmica ao afirmar  que os moradores de rua deveriam virar “ração para peixe”. A frase foi dita no mesmo momento em que ele se posicionava contra o direito dos moradores de rua de votarem.”Mendigo não tem que votar. Mendigo não faz nada na vida. Ele não tem que tomar atitude nenhuma”, disse.

O comentário foi feito no dia 8 de outubro, em uma discussão sobre os 25 anos da Constituição Federal. Na ocasião, o vereador ainda tocou em outros pontos polêmicos como a pena de morte, não prevista pela legislação brasileira. Ele comentou que achou uma pena quando acabaram com a pena de morte. “Deveria haver pena de morte. ‘Ah, vai matar inocente’. Não vai. Ainda que matasse, ia morrer muito menos inocente do que morre hoje, porque se um bandido soubesse que ele ia ser morto, com certeza ele ia pensar mais um pouquinho antes de fazer as coisas”, declarou.

Sobre a censura aos meios de comunicação, o legislador se mostrou preocupado com os conteúdos proporcionados para as crianças. “Fim da censura: eu acho isso ruim. Tem que ter censura. Tem um programa que passa altas horas da noite lá, tem um filme lá que pode passar de qualquer maneira. Eu sei que vai passar um filme ruim e não vou deixar meu filho ver. Mas nas propagandas de intervalo de um filme, de uma novela, tem coisas ridículas. Nas novelas de hoje passam gente transando escandalosamente na frente de criança. Tem que ter censura, sim, tem que ter um bom senso. Não pode se liberar tudo na vida, não, tem que ter censura”, defendeu.

O vereador pronunciou um discurso nazista/fascista/stalinista.  Coisa de reacionário, extremista, racista que prega a “solução final para os mendigos”. Isso é apologia do crime, das chacinas de mendigos, que são incendiados ou mortos a tiros, pauladas, e que entram na lista dos desaparecidos e do rendoso tráfico de cadáveres.

Comida para peixe. Na ditadura militar dos países do Cone Sul, inúmeros presos políticos foram transportados em aviões e jogados no alto mar.

Quanta ganha por mês esse vereador aproveitador do PTdoB de Piraí, terra que mata jornalistas?

José Paulo Carvalho de Oliveira não sabe distinguir um mendigo de um picareta político, de um funcionário de serviço fantasma, de um parasita vereador, de um lobista, de um gigolô e outros malandros – uma gentalha que “não faz nada” de útil, e sem trabalhar, vive uma vida de luxo e luxúria.

Jornalista Mário Randolfo Marques Lopes
Jornalista Mário Randolfo Marques Lopes

Que ele responda se já descobriram os assassinos do jornalista Mario Randolfo Marques Lopes que informava sobre a corrupção em Barra do Piraí. Randolfo havia sobrevivido a vários atentados contra sua vida nos últimos anos. Atentados por denunciar vereadores e prefeitos ladrões em Piraí.

95 moradores de rua foram assassinados desde o começo do ano

Rezo para que o discurso nojento do vereador José Paulo Carvalho de Oliveira não aumente a lista das chacinas de mendigos, impunemente praticadas no Brasil por assassinos cruéis e covardes.

Escreve Wilson Lima

Dados são da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República: Minas Gerais é o Estado que concentra o maior número de mortes, seguido de Goiás

Dos 195 assassinatos de moradores de rua registrados entre janeiro e junho, dez pessoas foram mortas por apedrejamento e nove por espancamento. Houve também o registro de sete moradores de rua que morreram após terem sido queimados.

In Wikipédia: Mendigomendicantepedintemorador de ruasem-teto ou sem-abrigo é o indivíduo que vive em extrema carência material, não podendo manter a sobrevivência com meios próprios. Tal situação de indigência material força o indivíduo a viver na rua, perambulando de um local para o outro, recebendo o adjetivo de vagabundo, ou seja, aquele que vaga, que tem uma vida errante.

O estado de indigência ou mendicância é um dos mais graves dentre as diversas gradações da pobreza material.

Os mendigos obtêm normalmente os seus rendimentos através de subsídios de sobrevivência estatais ou através da prática da mendicância à porta de igrejas, em semáforos ou em locais bastante movimentados como os centros das grandes metrópoles.

No Brasil, numa tentativa de abordar de forma mais politicamente correta a questão dos que vivem em carência material absoluta, criou-se as expressões pessoas em situação de rua e sem-teto para denominar este grupo social.

Blogueiros na mira enquanto aumenta o número de assassinatos no Brasil

Em 23 de abril de 2012, Décio Sá, o jornalista e blogueiro mais influente do Maranhão, estado localizado no nordeste brasileiro, foi baleado três vezes na cabeça por um atirador que fugiu de motocicleta. Sá foi morto dois meses depois do assassinato de Mário Randolfo Marques Lopes, um combativo blogueiro que era editor de um site de notícias em Barra do Piraí, cidade localizada a aproximadamente 145 quilômetros ao noroeste do Rio de Janeiro.

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A presidente Dilma Rousseff tentou minimizar os perigos que os jornalistas brasileiros enfrentam. (AFP / Yasuyoshi Chiba).

As mortes de Sá e Randolfo, os primeiros blogueiros brasileiros a serem mortos devido ao seu trabalho informativo, fazem parte de um aumento mais amplo no número de assassinatos de jornalistas no país desde 2011. O caso de Randolfo também é emblemático da difícil situação dos repórteres interioranos no Brasil: sem vínculos com os principais meios de comunicação de grandes centros urbanos, esses jornalistas não têm visibilidade e o apoio de colegas em nível nacional. Um perfil tão discreto pode significar que as autoridades se sintam menos pressionadas a investigar atentados contra a imprensa regional. Ataques não resolvidos contra jornalistas, por sua vez, podem dissuadir os repórteres locais de investigar crimes e corrupção em suas regiões.

“Quando ocorre qualquer tipo de violência contra jornalistas, ela ameaça outros repórteres que poderiam querer fazer o mesmo tipo de trabalho,” afirmou Marcelo Moreira, editor-chefe da TV Globo no Rio de Janeiro e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a ABRAJI. “Isso é especialmente verdadeiro no Brasil, onde o número de ataques está aumentando. É por isso que estamos tão preocupados.”

Repórteres e agentes encarregados de manter a lei disseram ao CPJ, durante visitas realizadas em setembro de 2012 às cidades de São Luís, Barra do Piraí e Rio de Janeiro, que Sá e Rodolfo provavelmente foram visados por suas enérgicas reportagens sobre a corrupção política local e o crime organizado; histórias que foram, em grande parte, ignoradas pela grande mídia estabelecida no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Jornalistas de rádio foram amiúde baleados em áreas remotas do Brasil devido a reportagens agressivas e, muitas vezes, politicamente tendenciosas. Mas, os blogueiros que produzem notícias, vistos como mais independentes do que repórteres de rádio, vêm ganhando influência em muitas das pequenas e médias cidades do país. Dessa forma, eles se tornaram os alvos mais recentes daqueles que querem silenciar a mídia brasileira.

“Tradicionalmente, o maior número de mortes de jornalistas no interior ocorria entre os que trabalhavam em rádio,” disse ao CPJ José Reinaldo Marques, pesquisador da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), um grupo do setor com sede no Rio de Janeiro. “Mas isso foi até o surgimento dos blogueiros.”

Não há estimativas oficiais do número de blogs noticiosos no Brasil. Uma pesquisa realizada em 2011 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, criado pelo governo brasileiro, mostrou que 16% dos usuários online em áreas urbanas e 11% em áreas rurais haviam criado blogs. Os dados nada revelavam sobre a natureza das postagens, mas está claro que blogs e sites de notícias sérios, focados em eventos atuais, estão se originando por todo o país. Por exemplo, na cidade de São Luiz, capital do estado do Maranhão, onde Sá foi morto, cerca de 20 blogs com ampla difusão abordam notícias e política, segundo Marco Aurélio D’Eça, blogueiro que era um dos amigos mais próximos de Sá.

D’Eça contou ao CPJ que blogs e sites de notícias suplantaram o rádio como a mídia mais importante em muitas cidades e capitais no interior. Nestas regiões, frequentemente faltam jornais ou canais de TV locais com cobertura agressiva e elas são amplamente ignoradas pelos grandes e massivos meios de comunicação brasileiros.

As estações de rádio já supriram algumas destas lacunas, mas muitas emissoras pertencem a políticos, e seus repórteres frequentemente produzem relatos que favorecem seus chefes, disse ele. Embora alguns blogueiros também estejam alinhados e sejam e pagos por políticos, comentou D’Eça, ele e muitos outros blogueiros independentes “têm mais liberdade para investigar” assuntos como tráfico de drogas, tráfico de pessoas e crimes ambientais.

Além disso, o noticiário de rádio geralmente visa audiências menos sofisticadas e fica no ar só por alguns minutos antes de desaparecer. Em contraste, disse D’Eça, notícias locais e comentários publicados online podem ter maior impacto porque as postagens são normalmente voltadas a uma audiência mais letrada, composta por políticos, líderes empresariais, e formadores de opinião. Além disso, textos de blogs ficam disponíveis na internet por meses e podem ser reproduzidos e enviados por e-mail para atingir um público mais amplo. O resultado é que casos de corrupção, escândalos políticos e rumores em áreas rurais de Pernambuco, Mato Grosso, Bahia e outros estados – histórias que no passado teriam permanecido no âmbito local – podem agora ser lidas por usuários de internet em todo o país e repercutidas pela grande mídia.

Sá, 42, era um repórter político veterano do maior jornal da região, O Estado do Maranhão, pertencente à família Sarney, uma dinastia política liderada pelo ex-presidente brasileiro e atual presidente do Senado José Sarney, cuja filha, Roseana Sarney, é governadora do estado. O jornal geralmente evita fazer investigações ou reportagens críticas sobre os Sarney, disse Saulo McClean, repórter policial de O Estado do Maranhão. McClean escreve notícias com base em boletins policiais, mas disse que seus editores raramente o pressionam a investigar mais fundo.

Sá, entretanto, tornou-se conhecido fora do jornal em 2006, quando iniciou seu independente Blog do Décio, que vigorosamente abordava a intersecção entre a política e o crime organizado. “Décio tinha que seguir a linha editorial em seu trabalho no jornal, mas não em seu blog,” disse McClean. “O blog dele era mais informal. Incluía boatos e rumores, mas ele sempre ia atrás dos ‘peixes grandes’”. Logo se tornou um dos blogs mais lidos no estado. As fontes de Sá eram tão boas que, às vezes, ele ia longe demais e comprometia investigações policiais, disse Aluísio Mendes, chefe da polícia do Maranhão. “Ele era muito agressivo,” disse Mendes ao CPJ. “Todo mundo lia seu blog.”

As postagens que podem ter levado ao assassinato de Sá diziam respeito ao homicídio, ocorrido em março, de um empresário local. Mendes disse que Sá se antecipou à investigação policial ao conectar o caso a uma rede maranhense de agiotas que frequentemente emprestava enormes quantias para candidatos políticos em troca de contratos governamentais quando seus clientes fossem eleitos. O empresário morto, Fábio Brasil, aparentemente não pagara sua dívida, disse Mendes. Embora Sá não tenha publicado nomes, diversos comentários publicados sob sua postagem original alegavam que o assassinato tinha sido encomendado por Gláucio Alencar e seu pai, José de Alencar Miranda Carvalho – renomados líderes do grupo de agiotas.

Como os líderes da quadrilha contavam com policiais corruptos e políticos em sua folha de pagamento, disse Mendes, eles estavam mais preocupados com o que Sá poderia revelar em seu blog do que com a investigação oficial da polícia. Assim, contrataram o mesmo atirador que assassinara Brasil para matar Sá, contou Mendes. Sá levou um tiro enquanto estava sentado em um bar em São Luís. Ele deixou esposa, que na época estava grávida, e uma filha.

Mendes contou ao CPJ que solucionar o crime era uma enorme prioridade. Sá não apenas trabalhava para a família Sarney, que exigia respostas, como era o jornalista mais conhecido do Maranhão. “Havia a sensação de que se eles podiam matar o Décio, podiam matar qualquer um,” afirmou Mendes. Um homem foi logo preso, confessou ser o atirador, e disse que o crime havia sido encomendado pela família Alencar, segundo Mendes. Gláucio Alencar, seu pai, e sete outros suspeitos – incluindo um subcomandante da polícia militar que supostamente forneceu a pistola usada para matar Sá – foram presos. Alencar e os outros suspeitos negaram as acusações e, assim como o suposto atirador, aguardavam julgamento no final de 2012.

O assassinato de Sá atraiu grande atenção da imprensa brasileira e foi considerado solucionado em 50 dias. Em contrapartida, o assassinato de Randolfo permanece sob investigação e pouco chegou aos noticiários, segundo Moreira, presidente da ABRAJI. Ao contrário de Sá, Randolfo não trabalhava para um grande jornal e não tinha conexões políticas de peso. Ele também vivia em uma cidade muito menor, Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, onde era fundador, editor-chefe e o principal blogueiro do site de notícias Vassouras na Net.

Como muitos jornalistas de internet independentes, Randolfo se sustentava com a venda de publicidade em seu site para empresas locais, de acordo com Wilians Renato dos Santos, repórter policial para a RBP Rádio na cidade de Barra do Piraí, onde Randolfo foi assassinato. Em suas postagens, Randolfo frequentemente acusava funcionários locais de corrupção e havia noticiado sobre uma suposta rede de assassinos de aluguel liderada por um ex-chefe de polícia de Vassouras. “Ele desafiava todo mundo,” disse dos Santos. “Denunciava crimes. Ele pôs muita gente em uma situação difícil, e queriam silenciá-lo.”

Ele descreveu Randolfo como um repórter honesto e ético. J. C. Moreira, amigo de Randolfo e presidente do sindicato dos jornalistas, disse que o blogueiro proclamava com frequência: “Ninguém pode me comprar”. Mas o chefe de polícia de Barra do Piraí, José Mário Salomão de Omena, contou ao CPJ que Randolfo também publicou boatos e investigou a vida pessoal de funcionários públicos, até escrevendo sobre seus casos extraconjugais. “Ele era como um franco-atirador desarmado. Não tinha limites,” disse Omena, que não era um dos alvos das investigações de Randolfo. “Em uma cidade pequena, esse tipo de informação pode ser devastadora. Você não ia querer matar alguém que dissesse que sua mãe era uma prostituta e seu pai infiel?”

Em julho de 2011, um desconhecido entrou na redação do Vassouras na Net e disparou contra a cabeça de Randolfo, deixando-o em coma por três dias com uma bala alojada atrás de sua orelha direita. Ele sobreviveu e posteriormente denunciou em seu site que foi alvo de retaliação por ter revelado irregularidades na investigação de um assassinato. Ninguém foi acusado ou preso pelo atentado. Para sua segurança, Randolfo se transferiu em janeiro de Vassouras para Barra do Piraí, uma cidade de 88.000 habitantes. Mas as duas cidades estão a apenas 25 quilômetros de distância, e Randolfo não parou de escrever em seu site. “Depois do ataque, eu disse a ele pra tomar cuidado e esquecer o jornalismo,” seu amigo Moreira disse ao CPJ. Como Barra do Piraí era muito perto de Vassouras, comentou Moreira, “achei que ele era louco de se mudar para cá”.

Randolfo foi assassinado em 9 de fevereiro de 2012, junto com sua companheira, Maria Aparecida Guimarães. Omena disse que os corpos foram encontrados na beira de uma estrada, nos arredores de Barra do Piraí. Ambos foram raptados da casa de Randolfo na noite anterior e mortos a tiros no início da manhã.

Omena disse que, em sua maioria, os homicídios em Barra do Piraí são solucionados, mas admitiu uma falta de progresso no caso de Randolfo. Pouco tempo após a morte de Randolfo, ele disse a repórteres que o jornalista tinha criado “um número tão grande de inimigos que é difícil saber por onde começar” a investigação. Em resposta às questões escritas pelo CPJ, Ramon Leite Carvalho, promotor público encarregado do caso de Randolfo, se recusou a discutir detalhes, argumentando que a investigação ainda estava em curso.

Na esteira dos assassinatos de Sá e Randolfo, o governo da presidente Dilma Rousseff tentou atenuar a noção de que o Brasil está se tornando uma zona vermelha para jornalistas, de acordo com Moreira, presidente da ABRAJI. Ele assinalou que a Copa do Mundo de 2014 vai ocorrer em 12 cidades por todo o Brasil e que, em meio a um maior escrutínio internacional, o governo está tentando defender a ideia de que o país é pacífico e amistoso para repórteres. Mas pelo menos sete jornalistas brasileiros foram mortos por motivos diretamente relacionados ao seu trabalho entre janeiro de 2011 e outubro de 2012, tornando o país um dos mais letais para a imprensa. E o governo, às vezes, pareceu insensível ao problema. Em abril de 2012, a delegação brasileira se opôs a um plano liderado pela UNESCO para combater a impunidade em assassinatos de jornalistas em todo o mundo. Depois que a posição do Brasil atraiu muitas críticas da ABRAJI e de outros organismos, em junho a embaixadora do país junto à ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, disse que o país apoiaria o plano à medida que este avançasse nas Nações Unidas.

Sá e Randolfo se apraziam em cutucar os poderosos, mas nenhum deles tomou qualquer medida especial para se proteger, de acordo com amigos e companheiros de profissão. Seus colegas blogueiros reagiram às mortes de maneiras diversas. Gildean Farias, editor online de O Imparcial, o jornal diário mais antigo de São Luís, disse que o assassinato de Sá o persuadiu a passar ao largo de política no blog que escreve para o jornal. D’Eça, ao contrário, tem usado seu blog para continuar a investigação de Sá sobre os agiotas do Maranhão.

Amigos repórteres de Sá têm mantido seu blog ativo. Mas, no interior do estado do Rio de Janeiro, o site de Randolfo foi tirado do ar; com sua morte, há uma sentinela a menos em uma parte do país já com poucos jornalistas. Não houve quase nenhum acompanhamento da mídia brasileira sobre o seu caso. De acordo com Moreira, da ABRAJI, isso significa bem menos pressão sobre as autoridades locais para encontrar os assassinos.

Moreira disse que repórteres no Rio de Janeiro e São Paulo frequentemente veem jornalistas do interior como tendenciosos, corruptos e coniventes com políticos locais. Dessa forma, explicou, a grande mídia presta menos atenção quando esses repórteres e blogueiros são alvos de ataques. O assassinato de Randolfo nem chegou ao principal noticiário da TV Globo no Rio de Janeiro, apesar de o blogueiro ter sido morto numa cidade próxima. “Se não estão escrevendo para os grandes meios de comunicação, são praticamente inexistentes,” disse Moreira ao CPJ. “Mas esses blogueiros tiveram a coragem de escrever sobre as coisas ruins que estavam acontecendo em suas comunidades.”


John Otis, correspondente do Programa das Américas do CPJ nos Andes, também trabalha como correspondente para a revista Time e para o Global Post. Ele escreveu em 2010 o livro Lei da Selva, sobre contratantes militares norte-americanos raptados por rebeldes colombianos. Ele vive em Bogotá, na Colômbia.

Entidade internacional pede para Dilma proteger os jornalistas brasileiros. Três já morreram este ano

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) pediu, em nota nessa terça-feira, 14, que a presidente Dilma Rousseff apresentasse medidas para proteger os jornalistas do País.

Devido ao assassinato de “outro jornalista no Brasil em menos de uma semana”, afirmou a SIP, se referindo ao editor-chefe do diário ‘Jornal da Praça’ e fundador do site de notícias Mercosulnews, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues. Conhecido com Rocaro, o jornalista foi morto na madrugada de segunda-feira, 13,  por dois homens, que dispararam 12 tiros, na em Ponta Porã (MS).

A entidade, que tem sede em Miami, condenou as atitudes brasileiras e solicitou que Dilma  “concentre esforços para criar uma jurisdição especial para processar crimes contra jornalistas, assim como órgãos em nível federal para proteger repórteres e fotógrafos em risco”.

No comunicado, a SIP também lembrou que Rocaro foi o terceiro jornalista morto no Brasil em 2012. Além do jornalista que trabalhava no Mato Grosso do Sul, foram assassinados o editor do site de notícias Vassouras na Net’, Mário Randolfo Marques Lopes, e o  radialista Laércio de Souza. “Desde 1987, 41 jornalistas foram assassinados no país, quatro deles em 2011”, informou a SIP.

Laerte de Souza, morte encomendada

Radialista Laércio de Souza
Radialista Laércio de Souza

Um jovem de 16 anos confessou ter sido o autor dos disparos que mataram o radialista Laércio de Souza, em Simões Filho, região metropolitana de Salvador (BA).

A polícia está a procura de um outro adolescente, da mesma idade, que teria acompanhado o jovem detido. Testemunhas foram ouvidas e reconheceram o adolescente preso como o autor dos disparos.

Segundo o  delegado titular da 22ª DT, Antônio Fernando Soares do Carmo, o jovem disse ter planejado matar Souza depois de ter sido denunciado à Polícia Militar pelo radialista, por causa de delitos que cometeu na região. Mas há suspeita de que o crime tenha outros motivos (por Priscila Fonseca)

O radialista era candidato a vereador nas eleições de outubro próximo.

Mário Randolfo Marques Lopes
combatia os corruptos de Vassouras

Mário Randolfo Marques Lopes
Mário Randolfo Marques Lopes

Tudo indica que tem gente muito poderosa envolvida.

ornalista e editor-chefe do site Vassouras na NetMário Randolfo Marques Lopes, de 50 anos, foi morto a tiro juntamente com sua namorada, Maria Aparecida Guimarães, em Barra do Piraí (Rio de Janeiro), na noite de 8 a 9 de fevereiro de 2012.

As circunstâncias do crime são ainda imprecisas. De acordo com informações difundidas pela imprensa local, o casal terá sido sequestrado em sua casa por três indivíduos, que os conduziram a outro bairro da cidade para executá-los. A polícia não dispõe, até ao momento, de nenhuma pista concreta acerca dos assassinos.

Embora a motivação do crime esteja ainda por estabelecer, Mário Randolfo Marques Lopes era conhecido pelas inimizades causadas por suas repetidas denúncias de casos de corrupção, envolvendo por vezes empresários e políticos locais. Um delegado e um juiz chegaram mesmo a processá-lo por “calúnia” e “difamação”.

A 6 de julho de 2011, um indivíduo encapuzado tentara matá-lo, em circunstâncias semelhantes, no seu antigo domicílio de Vassouras. Atingido por cinco balas na cabeça, com proteção policial durante o internamento no hospital, o jornalista sobreviveu miraculosamente a esse atentado, nunca elucidado, e decidiu mudar-se para Barra do Piraí.

“Apesar de toda a prudência que o caso exige, esperamos que esses antecedentes serão tomados em consideração e explorados pelos investigadores. Em 2011, foram várias as tragédias que enlutaram a imprensa brasileira. O acompanhamento de casos políticos delicados continua colocando os jornalistas em perigo, sobretudo ao nível local. Qualquer que seja a motivação por trás desse crime, sua rápida elucidação deve constituir um ponto de viragem na luta contra a impunidade”, declarou Repórteres sem Fronteiras, que expressa também suas condolências à família e colegas de Mário Randolfo MarquesLopes e de Maria Aparecida Guimarães.

Os graves atos de violência ocorridos no Brasil em 2011 motivaram uma significativa queda – de 41 posições – do país na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa, publicada por Repórteres sem Fronteiras no passado dia 25 de janeiro. (Repórter sem Fronteiras)

Paulo Roberto Cardoso Rodrigues
também assassinado a tiros no MS

Paulo Roberto Cardoso Rodrigues
Paulo Roberto Cardoso Rodrigues

O jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, editor-chefe do ‘Jornal Da Praça’ e diretor do Mercosulnews.com, fundador do PT,  foi assassinada a tiros na noite do domingo 12 último, em Ponta Porã (MS), cidade que faz divisa com o Paraguai.

Paulo Rocaro, como era conhecido, estava dentro de seu carro na avenida Brasil, quando foi parado por uma motocicleta com dois homens armados, que dispararam 12 tiros contra o jornalista, em seguida fugiram.

“Algumas pessoas trouxeram essas informações sobre a possibilidade de crime político, mas tudo está sendo investigado e não temos nenhuma pista ainda, disse o delegado Clemir Vieira Júnior (Comique-se.com).