O que há em comum entre HSBC, Miriam Dutra, Globo & FHC

por Gilmar Crestani

 

naoufal lahlali
naoufal lahlali

Está tudo no Google… É só pesquisar. HSBC, Miriam Dutra, FHC e Globo já estiveram muito próximo, por cima e por baixo, em relações íntimas, mas que não geraram filho, embora FHC o tenha assumido como seu. Exame de DNA provou apenas que a Rede Globo o capturou para chamar de seu. Escondeu o álibi na Espanha e o lucro, no HSBC…

Os bancos são os finanCIAdores ideológicos do golpismo. Na abertura da Copa, no Itaquerão, a Multilaser e o Banco Itaú financiaram os reis dos camarotes vips para vaiarem Dilma. Mostraram ao mundo o nível educacional da elite brasileira. Neca Setúbal revelou todo seu preparo em educação.

94506-hsbc_jn_2005

O HSBC foi o patrocinador do Jornal Nacional da TV Globo desde meados de 2004. Este negócio entre o HSBC e a TV Globo durou até o meio de 2006, época em que ocorria o Suiçalão..
Neste período o HBSC Suíço captava dinheiro graúdo em vários países do mundo, inclusive no Brasil. Em muitos casos o dinheiro tinha origem na sonegação, corrupção e outras atividades criminosas.

A investigação “SwissLeaks” revelou que até 2007 haviam 8,667 clientes do HSBC Suíço ligados ao Brasil. Gerentes de relacionamento da unidade suíça do HSBC realizaram 39 visitas ao Brasil para fazer captação irregular junto a clientes brasileiros do banco, apenas entre 2004 e 2005, período do patrocínio ao telejornal da TV Globo.

Hoje, o Jornal Nacional tem blindado o antigo parceiro de negócios em seu noticiário.

.

A lista de Xilindró: HSBC rima com FHC

.

Não é difícil entender porque nenhum político do PSDB deu apoio à CPI do HSBC. Podem ser mau caráter, mas têm conhecimento suficiente para não darem tiro no pé. O PSDB não quer a CPI não só para não atingirem o príncipe da privataria, mas também porque seus verdadeiros cabos eleitorais, os grupos mafiomidiáticos, são os principais beneficiários do HSBC. São eles que criam empresas nos paraísos fiscais. E são eles os maiores sonegadores.

Os a$$oCIAdos do Instituto Millenium fazem parceria para se defenderem. Nem no PCC há tanta parceria como entre O Globo e a Folha. Aí está a prova.

Após muita pressão das redes sociais, o “dono” da lista do HSBC no Brasil, o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, decidiu vazar alguns nomes que estão sendo investigados pela Receita Federal.

São 15 nomes dos 342 que O UOL teve a generosidade de informar à Receita que estão presentes em sua lista com mais de 8 mil nomes.

Vazou para a Globo…

Explicando de novo. O UOL teve acesso aos 8 mil nomes de brasileiros com contas secretas no HSBC. Desses 8 mil, enviou 342 para a Receita Federal.

E agora vaza 15 nomes para Globo…

O esforço vem logo em seguida à abertura da CPI do HSBC, pelo senador Randolfe Rodrigues, para a qual não contou com nenhuma assinatura do PSDB.

A Globo vem bloqueando o assunto de todas as formas.

A reportagem da revista Época – que pertence à Globo – é o primeiro esforço da Vênus de estabelecer o controle sobre a narrativa desse escândalo, que tem potencial para desencadear um grande debate nacional sobre o problema da evasão fiscal.

Um problema que o andar de cima tem pavor de discutir.

A Globo, principalmente.

Enfim, ao menos o negócio já começou a vazar.

Agora que começou, não pode parar.

Abaixo, o texto publicado no site da Época.

.

A lista das contas de brasileiros no HSBC na Suíça

.

ÉPOCA teve acesso aos nomes dos correntistas que são investigados pela Receita Federal

por Thiago Bronzatto

investigacao_documento

SOB A LUPA A lista de investigados pela Receita. O vazamento abre uma brecha no sistema bancário suíço:

O gaúcho Lirio Parisotto, diretor presidente da fabricante de plásticos Videolar, e a família Steinbruch, dona do Banco Fibra, costumam figurar nas listas dos mais ricos do país. Recentemente, passaram a integrar uma nova lista, muito mais seleta: a dos brasileiros que mantinham contas na Suíça e estão em investigação pela Receita Federal. ÉPOCA teve acesso à lista de 342 correntistas brasileiros do banco HSBC na Suíça e ao relatório sigiloso do Fisco sobre os 15 primeiros brasileiros investigados no caso conhecido como SwissLeaks – que desnuda o inextricável sistema bancário de Genebra.

Também fazem parte dessa lista outros empresários, doleiros e, segundo o documento, gente suspeita de ligação com o tráfico de drogas. Alguns podem ter sido relacionados só por ter conta na Suíça, o que não é ilegal.

O vazamento começou quando documentos com dados de 106 mil pessoas com contas no HSBC da Suíça foram entregues por um ex-funcionário do banco a autoridades francesas. Os documentos chegaram a um grupo internacional de jornalistas investigativos, conhecido como Icij (na sigla em inglês). E surgiram no Brasil em reportagens de Fernando Rodrigues, no site UOL. Os 8.667 brasileiros na lista tinham depósitos de cerca de US$ 7 bilhões em 2006 e 2007. A Receita recebeu uma relação de 342 investidores e analisou a lista, cruzando-a com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Surgiu daí o primeiro grupo de suspeitos, que ÉPOCA publica com exclusividade. Agora, apura se eles de fato fizeram algo ilegal.

lista_nomes

Privatista Itamar Franco entregou CSN para Steinbruch. Safra outra família famosa na lista dos traficantes de dinheiro do Brasil para o exterior, via HSBC

Banqueiros bandidos com dinheiro desviado do Brasil

 

.

Brasil, el gigante sudamericano aparece noveno en la lista, con US$ 7.000 millones en las cuentas suizas del HSBC, y es el cuarto con mayor número de clientes en dicha entidad bancaria, con un total de 8.667 personas naturales y jurídicas. De ellas, el 55% tienen la nacionalidad brasileña.

ICIJ destaca que, hasta ahora, uno de los principales personajes es Edmond Safra, un descendiente sirio que estableció bancos en todo Brasil, Suiza y Estados Unidos (los bancos de su familia fueron vendidos al HSBC en 1999). Estaba relacionado en siete cuentas del HSBC: cuatro abiertas en 1988, dos en 1989 y una en 1999. En total, entre 2006 y 2007 acumulaba US$ 5.3 millones.

También se menciona a la familia Steinbruch, una de las más ricas de Brasil y fundadora del conglomerado Vicunha, que se desempeña en la industria del acero, la fabricación de textiles y uno de los bancos grandes de ese país. Varios miembros de la familia son accionistas y directores de Peak Management Inc. en las Islas Vírgenes Británicas.

Los dos hermanos que construyeron el conglomerado, Mendel y Eliezer Steinbruch, eran clientes del HSBC. Mendel era beneficiario directo de seis cuentas y fue vinculado a otras cinco. Ambos fallecieron en 1994 y 2008 respectivamente, por lo que sus familias heradaron la fortuna. La esposa de Mendel, Dorothea Steinbruch, controlaba parte del conglomerado familiar y fue vinculada a 12 cuentas del HSBC de las cuales en 11 era titular efectivo. En conjunto, manejaron US$ 464 millones entre 2006 y 2007.

DOROTHÉA STEINBRUCH

Dorothéa Steinbruch é viúva de Mendel Steinbruch, co-fundador do Grupo Vicunha e figura na lista da revista Forbes como uma das pessoas mais ricas do mundo. É mãe de Benjamin Steinbruch. Recentemente Dorothéa Steinbruch foi anunciada como 160ª pessoa mais rica do mundo, teve sua fortuna triplicada de 2007 para 2008 com de crescimento de US$ 1,8 bilhão para US$ 6,1 bilhões.

Mãe de três filhos é dona da maior empresa de aço do Brasil, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Sua família também é dona do Grupo Vicunha que hoje tem fábricas até na Ásia e também são proprietários do Banco Fibra, que atualmente tem ativos de US$ 5,7 bilhões.

Benjamin Steinbruch

Benjamin Steinbruch (Rio de Janeiro1, 28 de junho de 1953) é um empresário brasileiro.

Casado e pai de quatro filhos, formou-se em Administração pela Fundação Getulio Vargas. Filho de Mendel Steinbruch, que ao lado de Jacks Rodrigues Rabinovich foi fundador do Grupo Vicunha, maior grupo têxtil da América Latina.

No começo da década de 1990 foi incumbido de procurar novos negócios para o grupo. Entrou nas privatizações liderando os consórcios que compraram a Companhia Siderúrgica Nacional e a Companhia Vale do Rio Doce, entre outras. Acabou por abrir mão de suas ações na Vale para aumentar sua participação na CSN, empresa da qual atualmente é o principal acionista. Ocupou também a posição de gestor executivo no Banco Safra, na gestão 2008-2011. Durante sua gestão faturou equivalente a 200 milhões de reais.

Além do Grupo Vicunha e CSN sua família também tem o controle do Banco Fibra. Atualmente sua fortuna está estimada em R$ 980 milhões de reais.

Um de seus cavalos Quari Bravo já foi campeão do GP São Paulo.

CSN, em Volta Redonda
CSN, em Volta Redonda

Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) é a maior indústria siderúrgica do Brasil e da América Latina, e uma das maiores do mundo.

Sua usina situa-se na cidade de Volta Redonda, no médio Paraíba, no sul do estado do Rio de Janeiro, tendo suas minas de minério de ferro e outros minerais na região de Congonhas e Arcos, ambas cidades do estado de Minas Gerais e também de carvão na região de Siderópolis no estado de Santa Catarina.

Sua principal usina hoje produz cerca de 6 milhões de toneladas de aço bruto e mais de 5 milhões de toneladas de laminados por ano, sendo considerada uma das mais produtivas do mundo.

História. A CSN foi criada durante o Estado Novo por decreto do presidente Getúlio Vargas, após um acordo diplomático, denominado Acordos de Washington, feito entre os governos brasileiro e estadunidense, que previa a construção de uma usina siderúrgica que pudesse fornecer aço para os aliados durante a Segunda Guerra Mundial e, na paz, ajudasse no desenvolvimento do Brasil. Os fundos norte-americanos vieram através do EXIMBANK – Export Import Bank, pois a iniciativa privada daquele país não se interessou.

Em 1940, aumentara a produção de ferro gusa e lingotes de aço mas laminados ainda estavam abaixo da demanda. Dessa forma, a industria brasileira não estava capacitada para fornecer produtos pesados tais como trilhos e chapas de aço para as ferrovias, estaleiros e construtoras. Edmundo de Macedo Soares, presidente de Volta Redonda, era engenheiro militar e defendia a usina. A região fica no Vale do Paraíba, que estava decadente com o declínio da Cultura do Café. Em discurso de 7 de maio de 1943, o presidente Vargas saudou a nova usina como simbolo da emancipação econômica do Brasil

Começou efetivamente a operar no ano de 1946, durante o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra, o qual não convidou o idealizador do projeto, Getúlio Vargas, para a inauguração.

No final dos anos 70, a Andrade e Gutierrez era responsável pelo abastecimento de minério de ferro para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, no Rio de Janeiro.

Em novembro de 1988, uma greve dos trabalhadores que ultrapassou 15 dias teve como saldo a morte de 3 operários num conflito com o Exército, havendo também muitos feridos.

Foi uma empresa estatal até 1993, ao ser privatizada pelo governo do então presidente Itamar Franco.

Atualmente, a CSN possui diversas empresas, como a GalvaSud (em Porto Real-RJ), Prada (em Mogi das Cruzes e Volta Redonda), CSN Paraná (em Araucária-PR), os terminais de contêineres (Sepetiba Tecon) e de carvão (Tecar) no Porto de Itaguaí (em Itaguaí), a Metallic (CE), além de participações acionárias nas empresas MRS Logística e Transnordestina Logística, de transporte ferroviário, usinas hidrelétricas de Igarapava entre os estados de São Paulo e Minas Gerais e a de Itá, entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e usinas nos Estados Unidos (CSN LLC, Terre Haute, Indiana); em Portugal (Lusosider, Aldeia de Paio Pires, Setúbal), e na Alemanha (Stahlwerk Thüringen GmbH – SWT), adquiridas de outros grupos nacionais.

Em 2006 a CSN apresentou proposta de compra da siderúrgica anglo-holandesa Corus. A proposta era superior à da indiana Tata, mas no dia 25 de outubro de 2007, a CSN perdeu a disputa pela empresa, que foi comprada pela indústria indiana. Desde então, a empresa tem buscado seguir uma estratégia com foco em novas áreas de atuação, como aços longos e cimento e busca por aquisições fora do Brasil, como por exemplo a Cimpor, fábrica de cimento de Portugal.

A CSN também controla a empresa mineradora de ferro Namisa, criada em 2006 . Fonte Wikipédia

 

Tudo começou com o Proer de Fernando Henrique. Emissões para ajudar bancos aumentaram dívida pública em R$ 31,4 bilhões

salvar bancos banqueiros indignados

Para entender o montante da dívida veja o serviço de casa que a Islândia fez, e o Brasil não tem coragem, por falta de patriotismo. E porque falta justiça.

piramide povo elite banqueiros
EX-RESPONSÁVEIS DE BANCO ISLANDÊS CONDENADOS A CINCO ANOS

Três antigos dirigentes do banco islandês Kaupthing, que faliu, foram condenados hoje (ontem), em Reiquejavique por fraudes, com penas entre os três e os cinco anos e meio de prisão. Os três homens foram julgados por terem omitido que a compra em 2008 por um investidor do Qatar de 5,1% do banco, em plena crise financeira, foi efetuada com um empréstimo do próprio banco. O antigo diretor geral Hreidar Mar Sigurdsson foi condenado a cinco anos e meio de prisão e o antigo presidente Sigurdur Einarsson a cinco anos. O antigo diretor da filial luxemburguesa Magnus Gumundsson, que desempenhou um papel decisivo no empréstimo, vai cumprir três anos e meio de cadeia. Já um importante acionista que deu o seu consentimento, Olafur Olafsson, foi sentenciado a três anos de prisão. Todos foram reconhecidos culpados por terem desrespeitado as obrigações de transparência e de terem manipulado o mercado bolsista. No final de setembro de 2008, num período em que o sistema bancário islandês estava em plena degradação, o surgimento de Mohammed bin Khalifa al-Thani, um investidor do Qatar, foi saudada pelo banco Kaupthing como um sinal de evidente solidariedade. No entanto, o banco declarou falência no mês seguinte, na sequência do pânico generalizado desencadeado pela falência do banco norte-americano de investimentos Lehman Brothers. http://www.noticiasaominuto.com/

banco pobre

Publica o CapitalNews:

A Dívida Pública Federal (DPF) cresceu em 2013 e, atualmente, ultrapassa a barreira de R$ 2 trilhões. Os especialistas dizem que o crescimento se deve não apenas aos juros e à necessidade de financiar os compromissos de curto prazo do governo, mas também dos encargos para capitalizar bancos oficiais  [e privados] e bancar a redução da tarifa de energia [que beneficia os pobres], as emissões diretas, que aumentaram o endividamento federal em R$ 31,368 bilhões este ano.

Em agosto deste ano, o Tesouro Nacional não rolou (renovou) a totalidade da DPF, emitindo menos títulos do que o volume de vencimentos, medida que segurou um endividamento ainda maior. Apenas a partir de setembro, as emissões superaram os resgates e a dívida voltou a subir. Sem as emissões diretas, a DPF ainda estaria abaixo de R$ 2 trilhões.

Os R$ 15 bilhões para irrigar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 8 bilhões injetados na Caixa Econômica Federal para viabilizar o Programa Minha Casa Melhor [um programa de habitação para os pobres, os sem teto] – que financia a compra de móveis e eletrodomésticos para os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida – foram as maiores emissões diretas este ano. [O pobre, nos seus casebres, não devem possuir fogão, geladeira e outros bens de consumo que aumentam o gasto de energia]  Por meio dessas operações, o Tesouro emite títulos e repassa os papéis às instituições financeiras, que os revendem no mercado conforme a necessidade de ampliarem o capital.

No segundo semestre deste ano, o Tesouro também passou a emitir títulos para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que indeniza as concessionárias de energia pela redução média de 20% nas tarifas de luz, que entrou em vigor no início do ano. Desde julho, essas operações somaram cerca de R$ 6 bilhões. O governo decidiu lançar os papéis depois de críticas por usar recebíveis (direito de receber recursos) da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

As emissões diretas diferem-se das emissões comuns porque os títulos públicos não são leiloados e têm destinatário certo. Tradicionalmente, essas emissões são usadas para converter títulos da reforma agrária e financiar exportações, mas os valores não ultrapassam R$ 1 bilhão por mês, montante considerado baixo para as operações da União.

[O endividamento brasileiro começou com o proer dos bancos, com a entrega do dinheiro público, do dinheiro do povo brasileiro para o banco das netinhas de Magalhães Pinto e Fernando Henrique, com a privatização dos bancos dos Estados e mais empréstimos do BNDES para os leilões quermesses das empresas estatais, doadas aos piratas da globalização. Veja os links para conhecer a verdadeira história do endividamento]
dívida auditoria crise FMI indignados
Fonte: Lucas Junot – Capital News (www.capitalnews.com.br)

Onde está o dinheiro sujo

por Luciano Martins Costa

 

Estado de S. Paulo e o Globo reproduzem nas edições de sexta-feira (5/4) reportagem que circulava havia dois dias na internet, com origem no Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, sobre 2,5 milhões de documentos bancários nos quais são revelados os proprietários de 250 mil contas secretas em paraísos fiscais.

Trata-se potencialmente do maior escândalo financeiro dos nossos tempos. Algumas das primeiras revelações atingem um ex-colaborador do presidente da França, François Hollande, acionista de pelo menos duas empresas que mantém contas na Ilhas Cayman. Também são citados dois filhos do ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe e um general venezuelano, além de outras autoridades e empresários de várias partes do mundo.

Mas há muito mais. Os documentos compõem um superarquivo digital de 200 gigabytes, cerca de 150 vezes maior do que o conteúdo divulgado pelo site Wikileaks.com sobre segredos diplomáticos dos Estados Unidos. A diferença entre a iniciativa do ativista Julian Assange, que tem sido tratado como terrorista internacional pelo governo americano, e o projeto do consórcio de jornalismo investigativo é que, no caso do Wikileaks, os documentos eram simplesmente postados na rede mundial de computadores, enquanto o consórcio usa as informações primárias como fontes de reportagens e verifica a veracidade delas junto aos suspeitos de serem donos do dinheiro.

Folha de S. Paulo provavelmente não teve interesse em reproduzir o relato, o que causa estranheza, pois foi o primeiro jornal brasileiro a repercutir os vazamentos do Wikileaks. O desinteresse da Folha se torna ainda mais bizarro se for considerado que a revelação dos nomes de proprietários das contas em paraísos fiscais está sendo feita com o trabalho colaborativo de 38 grandes instituições da imprensa internacional, entre as quais o jornal inglês The Guardian, o americano Washington Post, o francês Le Monde e a rede britânica de televisão BBC.(Veja aqui o texto do Guardian, em inglês e aqui a reportagem do Monde, em  francês)

E os outros?

Nem todos os dados se referem a depósitos ilegais, mas o trabalho jornalístico permitiu identificar alguns casos emblemáticos, o que inspirou o Monde a escolher como manchete uma afirmação bombástica: “Como os bancos franceses ajudam seus clientes a praticar a evasão fiscal”.

Essa é a chave-mestra para qualquer política de combate ao crime organizado e à corrupção em todo o mundo, mas até aqui a imprensa nunca tinha se atrevido a devassar a caixa-preta dos paraísos fiscais.

Benjamim Steinbruch
Benjamim Steinbruch

Na primeira lista divulgada, os únicos brasileiros citados são três membros da família Steinbruch, cujo representante mais conhecido é o empresário Benjamin, que controla o grupo Vicunha, o banco Fibra e a Companhia Siderúrgica Nacional. Procurados pelos jornalistas do consórcio investigativo, os Steinbruch explicaram que mantém uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, devidamente registrada no Banco Central do Brasil e legalizada nos órgãos fiscais brasileiros.

No entanto, as primeiras revelações são apenas uma pequena parte do imenso arquivo que está sendo analisado pelos investigadores. O problema da evasão fiscal e do trânsito de dinheiro ilegal por contas bancárias chamadas off shore é considerado por especialistas como um dos maiores problemas da economia mundial. Além de servir de abrigo para o lucro de atividades criminosas que vão desde as grandes fraudes financeiras até o contrabando de armas e o tráfico de drogas e de seres humanos, esse tipo de operação bancária tem servido para ocultar as fortunas acumuladas por tiranos e autoridades corruptas em centenas de países.

A existência dessas ilhas de impunidade e descontrole tem provocado até mesmo incidentes políticos, como o questionamento do rigor fiscal imposto pela Grã Bretanha a negócios legais enquanto o país tolera o trânsito de dinheiro suspeito pelos bancos das Ilhas Virgens, sob sua jurisdição.

O texto distribuído pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (veja aqui, em inglês) afirma que boa parte da crise na Europa é provocada ou agravada pela evasão através dos paraísos fiscais.

Os atuais habitantes do antigo paraíso tropical dos Tupiniquins esperam que a imprensa siga revelando nomes e valores, “duela a quién duela”, como diria aquele ex-presidente.

Transcrito do Observatório da Imprensa