Mimando os ricos

por Sebastião Nery

COPOM

O Brasil viveu, quarta-feira, um dia de perplexidade. Pela primeira vez, em muitos anos, o Copom, o Comitê Monetario do Banco Central, ousou baixar os juros em míseros 0,5%, meio ponto percentual, desafiando a matilha financeira nacional que, chefiada pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e seus perdigueiros nos gabinetes dos bancos, nas agencias de especulação e nas redações, protestava contra a taxa básica Selic em 12% e exigia no mínimo sua manutenção em 12,5%.

Imediatamente, nas TVs, radios, jornais, todos os servos e serviçais do chamado “mercado”, entraram numa patetica crise de menopausa financeira. O “escândalo: o Banco Central perdera sua autonomia, sua independência, e deixara de ser o Sindicatão dos Bancos.

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DILMA

Como o saudoso e bravo Abelardo Jurema sabia, o Brasil não é propriedade dos interesses e da gula dos bancos e seus “trustes”. Mas, infelizmente, bancos e grupos internacionais sempre agiram como se fosse.

Apareceu uma mulher consciente e valente como a presidente Dilma e, mesmo sem interferir na reunião do Copom, disse que o unico caminho para a diminuição da criminosa divida publica e o crescimento econômico é a gradual queda dos juros para os niveis internacionais.

Isso só acontecerá no dia em que o pais deixar de ser o pantanal dos ricos que vivem da renda e da especulação, à custa da produção dos outros. Esta semana, tivemos nos Estados Unidos uma bela e insuspeita lição.

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SUPER-RICOS

O multimilionário Warren Buffett, dos mais ricos do mundo, escreveu no “New York Times”: – “Parem de mimar os super-ricos. Os políticos norte-americanos se recusam a elevar impostos dos milionários. Pago aliquota de impostos menor do que qualquer dos meus funcionários”.

1. – “Enquanto a classe média e os pobres lutam por nós no Afeganistão, e enquanto a maioria dos americanos luta para fechar as contas do mês, nós mega-ricos continuamos com extraordinárias isenções fiscais. Esta e outras benções nos são concedidas por parlamentares em Washington que se sentem na obrigação de nos proteger, como se fossemos uma espécie em extinção. É bom ter amigos em cargos elevados.”

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IMPOSTOS

2. “No ano passado a conta dos meus impostos federais, foi de US$ 6.938.744. Parece um bocado de dinheiro. Mas foi apenas 17,4% do meu rendimento tributável. Menor do que aquela paga por qualquer das 20 pessoas que trabalhavam em meu escritório. A carga fiscal delas ficou entre 33% e 41%, numa média de 36%.”

3. “É preciso examinar as fontes de receita do governo. No ano passado, cerca de 80% vieram de imposto sobre a renda de pessoas físicas e da contribuição para a Previdência. Os mega-ricos pagam 15% de IR sobre a maior parte dos seus ganhos, mas não pagam quase nada de contribuição previdenciária. Os americanos estão perdendo a fé na capacidade do Congresso em lidar com os problemas fiscais do país.”

O Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil fez um estudo sobre nosso “Sistema Tributário”. Os maiores tributos incidem sobre o assalariado e os consumidores que respondem com a maior carga tributária do país. É preciso estar ao lado de Dilma nessa justa guerra.

Quem não aposta na impunidade?

Nos 1001 palácios de Brasília

O caso Salvatore Cacciola é exemplar. Preso por engano na Europa, pelo príncipe de Mônaco, voltou sem os bilhões que levou para a Itália. A quadrilha dele, a diretoria do Banco Central no governo Fernando Henrique, permanece no Brasil, bilionária e impune.

Continuar deputada para Jaqueline não significa nada. Que o pai renunciou o mandato de senador. O que vale para essa gente são as facilidades para o enriquecimento rápido.

Quatro vezes governador ladrão de Brasília, Joaquim Roriz morrerá podre, podre de rico. Viva Jaqueline Roriz! herdeira da fortuna & do curral político da capital da corrupção & de todos os crimes & vícios.

Roubar no Brasil é um bom negócio

Preso pelo príncipe de Mônaco, Salvatore Cacciola já está solto para gozar a grana que roubou do Banco Central. A quadrilha dele foi condenada, mas nenhum bandido viu o sol quadrado. Roubar no Brasil é vantajoso

Cacciola foi preso em um cassino de Mônaco. Estava lá com uma amante, gastando o dinheiro dos brasileiros. Turista da justiça, foi pego por que esqueceram de tirar o nome dele da lista de procurados da Interpol.

A prisão me pareceu injusta. Que toda sua quadrilha, formada por dirigentes do Banco Central, também condenada, e só Cacciola terminou na cadeia. Preso em Mônaco, esqueceu de trazer o dinheiro que levou do Brasil para a Itália.

Em 2001, lançou o livro

“Eu, Alberto Cacciola, Confesso: o Escândalo do Banco Marka”

Neste livro Cacciola não apresenta uma confissão, apesar do seu título. No livro faz acusações contra Fernando Henrique Cardoso, policiais, juízes, senadores, procuradores e economistas e jornalistas. E mostra como funciona a venda de sentenças, intermediada por advogados de renome, na justiça do estado do Rio de Janeiro. Clique e fique sabendo quantos bilhões o Brasil perdeu.

Escreve Leonardo Attuch:

A algumas quadras do Coliseu, na Via Petroselli, em Roma, há um pequeno

monumento à corrupção brasileira

Chama-se FortySeven. Sim, este é o nome de um hotel em Roma, que pertence a ninguém menos que Salvatore Cacciola, o ex-dono do Banco Marka, que acaba de deixar o presídio, em Bangu, no Rio de Janeiro, tendo cumprido apenas um terço de sua pena.

Tido como um dos mais sofisticados endereços de Roma, o FortySeven ganhou esse nome porque tem 47 quartos, minuciosamente decorados. Um luxo. Era lá que Cacciola desfrutava sua dolce vita depois de ter fugido do Brasil, após o escândalo do Banco Marka. Para quem não se lembra, em 1999, na desvalorização do real, o banqueiro tomou um jatinho, pousou em Brasília e praticamente obrigou o Banco Central a vender dólares para o Marka de forma subsidiada. Uma operação que, segundo os procuradores, causou prejuízos de R$ 1,5 bilhão ao sistema financeiro nacional. E o trunfo de Cacciola era o vínculo estreito que ele mantinha com dois economistas do Rio de Janeiro – os irmãos Bragança – que lhe repassavam informações privilegiadas do Banco Central.
Um pacote explosivo.

Quando o escândalo veio a público, o governo FHC foi colocado nas cordas, com a queda do então presidente do Banco Central, Francisco Lopes, e a quase demissão do ministro da Fazenda, Pedro Malan. Cacciola foi condenado pela Justiça e preso, mas, valendo-se de um habeas-corpus, protagonizou uma fuga espetacular pelo Uruguai, de onde zarpou para a Itália. E lá, com o pé de meia que acumulou no Brasil, fez do FortySeven um pequeno oásis romano. Leia mais. Veja como é fácil roubar no Brasil, quando se tem um amigo ladrão na presidência de um banco