Acimentando o verde e o azul do Recife

 

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Eta sorriso besta do prefeito Geraldo Júlio. Nem trepa nem sai de cima.

Depois de dois anos de improvisos. Metas, que é bom!

Olha que um prefeito do Recife não tem quase nada para fazer. A Prefeitura não possui universidade, nem hospital, nem biblioteca pública, nem museu, nem editora, não tem um passeio público, nenhum parque.

Não sei que um prefeito faz, além de criar avenidas, ruas e túneis para os shoppings, ou oferecer o espaço urbano para a especulação imobiliária.

O Estado cuida dos transportes, do trânsito, do ensino público, da saúde, da água, do saneamento, da segurança, da política habitacional.

Abandonada Recife. Cheia de obras inacabadas, terrenos baldios, favelas.

Estão cimentando o verde dos manguezais, o que resta da Floresta Atlântica, o azul das lagoas e da Bacia do Pina.

A Cidade das Águas está cada vez mais seca, quente, escura e cinzenta.

 

 

Shoppings: Império das empreiteiras, falência dos pequenos negócios e escravidão

DP shopping

 

Talis Andrade: Um shopping fecha centenas de pequenos negócios, levando famílias à miséria, despejando milhares de pessoas em troca de empregos temporários. Deveria existir uma lei proibindo shoppings e supermercados em áreas residenciais. Isso não acontece no centro das grandes cidades planejadas, civilizadas, humanizadas no Primeiro Mundo. Isso é cruel, selvagem, fica para países vassalos, sem governo, sem justiça social, sem leis que beneficiem o povo em geral. Rolê nesses templos de luxo, onde tudo fica mais caro, e separado do povo, motivando o racismo e a discriminação social.

Luiz Tagore: Desordem urbana, assalto nas saídas, pobreza extrema no entorno, consumismo e endividamento…

Sandri Rodrigues: + parques – shoppings

Caique de Lira: Árvores não pagam impostos

Daniel Moura: Olha a ideia da criatura. “arvore n paga imposto”…

Kaio Aragão Sales: No more shoppings!

Karenina Moreno: Chega de shoppings!!!

Robson Valentim: Lugar decente para alocar os comerciantes de rua ninguém encontra. E ainda tenho que aguentar ver a imprensa maquiar uma noticia deplorável como essa.

Flavio Silva: Camaragibe, ainda bem que não tem favela perto. Porque Shopping Recife e o Rio Mar, misericórdia

Glaucon Andrade: Camaragibe é uma favela

Wanda Lima: Mais escravidão

Rafael Comparato: Quer viver de bolsa esmola? Tem cara!

Wanda Lima: Não sabe brincar não queridinha, já trabalhei em shopping e é escravidão sim, quem quiser dizer o contrário que diga. Não preciso de bolsa esmola, já vou me formar, e paguei sem precisar disso. Então, não fale do que não sabe sua louca.

Lucia Amo Filha: Wanda Lima, te dou toda razão. Também trabalhei… e donos de lojas fazem dos funcionários escravos mesmo.

Wanda Lima: É absurdo. Agora, em dezembro, a coisa piora porque tem que pegar duas horas mais cedo, e o shopping, em um certo período, fecha às 23 horas. Agora, me diz se isso não é escravidão? Sei que ajuda muita gente que precisa, mas não deixa de ser escravidão.

Ruan Lima: + ar puro – ar condicionado

Matheus Beltrão: + moradias populares – shoppings

shopping segurança nazismo

Augustinho Guerra: Mais um exemplo do discurso noticioso. O Diário insiste em trazer esses discursos produzidos, colocando sempre o que dizem a respeito do que pensam o setor empresarial, os gestores públicos, e silenciando os outros atores sociais, deixando evidente a intenção de difundir ao público leitor uma boa imagem desses empreendimentos, apontando as qualidades, como a geração de empregos, e ocultando os possíveis problemas, evitando assim o debate e o caráter de imparcialidade, atrelando Crescimento com Desenvolvimento. Eu, leitor, critico, não caio nesse discurso!

Carlos Lira Jr.: Mais consumismo, mais endividamento, mais engarrafamento, mais salário mínimo, mais dinheiro pras empreiteiras.

Layssa Maria: Shopping é escravidão sim. Abrir novas oportunidades de emprego não significa que os brasileiros terão a oportunidade de crescer. O Ministério do Trabalho precisa mudar. Defender o nosso país das multinacionais. Nas empresas, com lojas em shopping, somos escravos. A hora que larga é um absurdo…

Adriano Hinderlandesön: Em ipojuca deveria ter… maior arrecadação do Estado….

Alexandre Albuquerque: Eu fico a observar. Recife tem chances de crescer de maneira sustentável, e com justiça social, mas comete os mesmos erros de outras grandes metrópoles do SE/S!

Ewerton Oliveira: Baderna? Então os países desenvolvidos, onde os shoppings estão em plena decadência, são baderneiros? Acorde rapaz, os shoppings só se desenvolvem em países atrasados como o nosso!!

Edilson Santos: Baderna. Então se mude daqui se está achando ruim

Sandri Rodrigues: Mais shoppings, lojas e ESCRAVIDÃO!

Elisangela Cantidio: O Ministério do Trabalho tem que defender os brasileiros dessa escravidão, fiscalizar, visando a integridade física e mental dos trabalhadores.

Elisangela Cantidio: Trabalhar Ok! Mas, com o mínimo de qualidade. O trabalhador tem que ter saúde, e tempo para a família.

Felipe Souza: Trabalhar em shopping não é lá das últimas maravilhas , mas tudo bem né?

Déh Mazzony: Mais escravidão… em todos sentidos.

André Eduardo: A RMR não precisa de mais shopping. Precisa de mais qualidade de vida, de uma requalificação do centro que valorize o comércio popular e incentive a moradia no centro. E já sabemos a qualidade dos empregos gerados nesses shoppings…

Foto dos rolês de 2013. A polícia do apartheid negro
Foto dos rolês de 2013. A polícia do apartheid negro. Nos shoppings negro entra para trabalhar. Os brancos têm passagem livre e protegida. 

Elisangela Cantidio: Fora a escravidão! Por favor apoiar já! gente. Abra os olhos por favor, perguntar pra quem trabalha lá se eles não querem meter o pé de lá.
Porque é escravidão pura. As pessoas precisam de ter, no mínimo, uma qualidade de vida (tempo para cuidar da própria saúde, e curtir seu bem maior que é a família).

Antonio Miguel: Horrível!  Prefeito faça como João Pessoa, PB . Faca um shopping para os camelôs. Eles merecem isso sim , seria uma boa ação .

Fernanda Melo: Mais trabalho escravo, quase me prejudiquei nas provas da faculdade, mas larguei! Um dia isso vai mudar.

Everton Machado: Escravidão!

Lucas De Sá: Menos shoppings.

 

As redes sociais contra a gentrificação do Recife

do recife antigo para o recife do futuro

 

Em uma intercessão de diferentes grupos sociais, culturais e urbanos, Recife se aproxima de considerar a necessidade de organização popular e da participação ativa e efetiva dos cidadãos na construção de novos espaços urbanos.

O objetivo é abordar o chamado fenômeno da gentrificação: o processo de transformação urbana em que a população original de um bairro pobre é gradualmente forçada a mover-se, e substituída por outra de maior poder de compra, depois de uma reavaliação anterior da área para fins especulativos.

Um grupo atuante “Direitos Urbanos” visa: “discutir não só os problemas da cidade do Recife, mas também idéias, propostas, novos rumos. A proposta é reunir pessoas interessadas em um Recife realmente para as pessoas (não só nos slogans), um Recife com vida”. Participe.

A especulação imobiliária se volta para a conquista do Recife Antigo e da Bacia do Pina, cartões postais do Recife, pela beleza visual.

 

Bacia do Pina
Bacia do Pina

 

Veja um exemplo de luta que ora acontece na Espanha

História e paisagens do Recife roubadas pela “modernidade” espelhada e a cegueira do poder público

por Josué Nogueira

 

Rio Mar ocupa a cena onde existia mangue e divide a paisagem com igrejas do bairro de São José
Rio Mar ocupa a cena onde existia mangue e divide a paisagem com igrejas do bairro de São José

 

A preservação da história de um centro urbano passa pela manutenção de edificações, paisagens e peculiaridades que documentam o passado e dão fisionomia à localidade.

Infelizmente, a cara do Recife, cidade nascida sobre ilhas, braços de rios e canais cortados por pontes, tem desaparecido aos poucos.

Áreas que reuniam cenários naturais e construções antigas de valor arquitetônico inquestionável vem sumindo gradativamente.

 

Torres com Brasília Teimosa e Pina ao fundo
Torres com Brasília Teimosa e Pina ao fundo

Impossível reconhecer o Cabanga olhado a partir de São José e do Recife Antigo, por exemplo.

O shopping Rio Mar e empresarias substituíram um trecho grande do estuário que compõe a Bacia do Pina – um dos últimos indícios de que vivemos sobre o mangue.

Do mesmo modo, é estranho olhar para o centro a partir das pontes que ligam Cabanga e Pina.

O casario secular e igrejas históricas são engolidos pelas “torres gêmeas” levantadas no cais vizinho à antiga ponte giratória.

O cenário vai ficar ainda mais estranho com o tal do projeto do Novo Recife entre o Cais José Estelita e a Av Sul.

Nada contra a ocupação de zonas esquecidas que devem e merecem ser revitalizadas, abrigando gente, comércio e “povoando” a cidade.

Foto de Ricardo Fernandes
Foto de Ricardo Fernandes

Mas, tudo contra a especulação imobiliária que toma mangues, viola paisagens e faz brotar espigões de concreto onde a história da cidade é contada (por que não limitar o número de pisos?).

A falta de limites na altura dos edifícios, associada à cultura do exclusivismo (prédios e condomínios fechados em si, erguidos como se estivessem em territórios independentes da urbe), rouba a feição e a alma da cidade.

As fotos do post atestam um pouco do escrito aqui. As duas primeiras, postadas na página de uma amigo, me estimulara a escrever este post.

O tema pode não estar na ordem do dia, mas segue carente de debate e de atitude (e comprometimento com a história) por parte do poder público.

É triste ver a cidade perder DNA diariamente e ser convertida em mais uma entre tantas, com prédios espelhados – tidos como atestado de luxo e “desenvolvimento” – e desconectados com a realidade circundante.


Dos comentários ao oportuno texto de Josué Nogueira, destaco dois anônimos (Recife é a cidade do medo, das patrulhas, do pensamento único, assim fica justificado o anonimato.

1 – Pois é… nos roubam a paisagem em nome de uma “mudernidadhy” pra lá de atrasada. Difícil escutar – todo o tempo – de gente que se diz esclarecida, e que já viajou mundo afora: “mas vai crescer como?”. E que não consegue captar bons exemplos de cidade, e que tem a mente no caixote que só enxerga o mundo na caixa fechada de espelhos a 100 metros de altura.

E é bom investigar os EIV’s (estudos de impactos de vizinhança) e os EIA’s (estudos de impactos ambientais) desses empreendimentos

2 – Engraçado, o blogueiro mora onde?
Deve morar em Boa Viagem ou em outro bairro nobre da cidade. Recife tem que se desenvolver e ficar uma cidade bonita. É muito fácil para esses intelectuais, com suas roupas de grifes, quererem que a cidade fique feia, enquanto eles moram na parte bonita.


[O comentarista n. 2 não diz em que lugar e que tipo de moradia deve residir o despejado pela justiça dos ricos e pelo braço armado da polícia que prende e arrebenta. Que todo arranha céu que aparece ocupa espaços antes habitados pelos pobres, pelos sem teto, pelos sem nada.

Quem são esse altos moradores que ocupam as novas altas torres?

Nada se faz que preste para o povo. Não há espaço para a vida e a morte das populações. Recife não tem um passeio público. Os hortos, parques e praças estão abandonados. Não se constrói mercado público. Centros de lazer, de cultura, de esportes. Nem cemitérios. O recifense não tem onde viver, nem onde morrer]

APARTHEID NEGRO. Rolezinho, uma invasão do espaço dos brancos

Rolezinho devem acontecer sim, do jeito que rolam em diferentes partes do mundo: para combater o isolamento, a falta de locais de lazer dos jovens pobres.

No Brasil, os rolezinhos nasceram para combater o apartheid dos jovens negros e pardos, que vivem cercados nos cortiços do centro e nas favelas das periferias das grandes cidades. Presos nos guetos e favelas.

Não há locais de lazer para o povo, além das praias fluviais e marítimas. Recife é uma cidade que não tem nenhum passeio público, e o espaço urbano da capital pernambucana está todo grilado pela especulação imobiliária. Veja o escândalo desta manchete bem demonstrativa do descaso da prefeitura de Cuiabá:

diario_cuiaba. terreno baldio grilagem

Vários prefeitos – com a desculpa de fazer caixa – vendem terrenos baldios, ruas e praças para as construtoras. Ainda no Recife, temos a Bacia do Pina toda destinada para o rasga céu de pavorosas torres, e o rasga verde da destruição dos manguezais, inclusive para a construção de uma autopista, com investimento de meio bilhão de reais do governo, para beneficiar um empreendimento privado, oficializando o tradicional abuso da violentação dos shoppings em bairros residenciais.

Os rolezinhos contra o apartheid nos shoppings recebem da imprensa  elitista e patronal  manchetes terroristas, reverberando ameaças da polícia e da justiça.

diario_cuiaba.750 justiça rolezinho

correio_braziliense. rolezinho fecha

 

Shopping não é local para comício. A simples presença do jovem negro  uma chocante e reveladora denúncia contra o racismo, a prova de que o aparheid existe. Outros tipos de protestos sejam organizados, principalmente, nas ruas e praças.

Dos prefeitos a obrigação de construir hortos e parques; passeios públicos e praças; centros culturais e desportivos.

O Brasil não investe em  lazer. E nada se faz que preste para o povo.

Latuff
Latuff

Rolezinho rola até Não Vai Ter Copa

JOANA GORJÃO HENRIQUES (TEXTO) E VERA MOUTINHO (VÍDEO)

Um enorme centro comercial, Iguatemi do Lago Norte, o mais frequentado pela classe alta de Brasília, fecha as suas lojas de luxo a um sábado à tarde. Fica cercado por polícia e por homens que olham de frente quem se aproxima. No lado de fora, um grupo de não mais de duas dezenas de rolezeiros — muitos deles estudantes universitários, alguns de juventudes partidárias e uns quatro jovens da periferia – saca de uma coluna de som, e põe a tocar funk e até o Geração Coca-Cola dos Legião Urbana. Num terceiro grupo, uma dezena de jornalistas sentados na relva tecla ao computador.

Em Junho, isto chamar-se-ia protesto, hoje chamou-se rolezinho e foi marcado no Facebook por um grupo de amigos activistas (entre eles Pilar de Freitas, Serginho Lopes e Franklin Rabelo de Melo, que irão conhecer numa das nossas reportagens): quiseram estar solidários contra a violência policial exercida em rolezinhos passados. Rolezinhos são encontros marcados pelas redes sociais entre jovens da periferia para irem passear dentro do centro comercial, juntando às vezes grandes grupos, e estalou um polémica recentemente porque alguns shoppings em São Paulo barraram a entrada a jovens e por a polícia ter usado balas de borracha e violência.

De manhã, os jornais tinham anunciado que o shopping Iguatemi iria fechar, portanto a organização já estava à espera que não aparecesse muita gente. Mas o aparato policial dá afinal ainda mais força a quem o organizou: o gigante tem medo do anão e protege-se na sua fortaleza accionando a segurança máxima. Passada uma hora e meia, e com um protesto Não Vai Ter Copa marcado para as 17h no Brasília Shopping, desliga-se a música, arruma-se o megafone, e os rolezeiros rolam nos seus carros até ao Não Vai Ter Copa. Se estavam mais de 50 manifestantes ao todo, contando com os do rolezinho, era muito. Já de polícia e polícia militar, o número era bem maior. Para os rolezeiros, o dia já tinha sido ganho.
Ouçam a Mácia Teixeira: Vídeo de Vera Moutinho

 

Rafael Balbueno
Rafael Balbueno

Cota de negros já para o shopping Rio Mar da Bacia do Pina, Recife

Fui ontem, pela primeira vez, ao Rio Mar, e fiquei espantado: não vi nenhum negro entre os usuários. Certamente existem pessoas de cor, para realizar os serviços sujos e pesados: segurança, limpeza e descarga de mercadorias.

O Rio Mar foi construído em terreno doado pelo Estado para a fábrica Bacardi, quando expulsa de Cuba, nos começos da vitoriosa revolução de Fidel.

E toda a infra-estrura: via expressa, ruas e mais ruas,  viadutos, túneis,  desapropriações de terrenos, despejo de favelas, redes de água, energia, esgoto etc – uma bilionária botija de benesses doada pelos prefeitos João Paulo, João de Costa para o Povo, e o atual Geraldo Julio, mais governo do Estado, governo da União, e perdidos fundos – que os lá de cima metem a mão – dos bancos oficiais.

estrutura

rio mar estrutura

Com a justiça de Pernambuco assinando despejo de negros nas favelas, e a partir do terreno da Bacardi, o rasgar do verde dos manguesais para construção de altas torres.

Veja se esse paraíso é lugar para negro. Negro é bicho de maloca, acostumado a viver na lama, que nem caranguejo, que rasteja pra trás.

RioMar Shopping 02

RioMar Shopping 03

RioMar Shopping 04

Veja quanta agressão na beleza roubada. Quem esta dentro do paraíso de luxo nem percebe
Quanta agressão na beleza roubada! Clique na foto para ampliar

RIOMAR-1 interior

Rio-Mar- interior

riomar loja

Esse anunciado rolezinho não aconteceu

folha

A polícia de Eduardo Campos promete traçar planos de segurança para evitar rolezinhos. O que fica provado a existência do apartheid negro.

Nestes meses de férias escolares, para onde deve ir o jovem estudante negro?

O Recife não tem passeio público, e as poucas praças sem árvores não oferecem nenhum atrativo. Nem sombra tem.

Por que a Prefeitura do Recife não constrói para o povo, na Bacia do Pina, hortos, parques, praças, centros esportivos e culturais?

Veja que curioso: nos bairros da Zona Sul não existe nenhum mercado público.

Via Mangue destrói o verde e o azul, acinzentando o Recife, “Cidade das Águas”

Um americano que morou em São Paulo por três anos resolveu criar um lista com motivos pelos quais odiou viver no Brasil. Ele é casado com uma brasileira e não gostou muito da experiência. A lista inicial tinha 20 motivos, mas um fórum gringo resolveu continuá-la.

Transcrevo dois ítens:

39- Tudo é construído para carros e motoristas, mesmo os carros sendo 3x o preço de qualquer outro país. Os ônibus intermunicipais de luxo são eficientes, mas o transporte público é inconveniente, caro e desconfortável para andar. Consequentemente, o tráfego em São Paulo e Rio é hoje considerado um dos piores da Terra (SP, possivelmente, o pior). Mesmo ao meio-dia podem ter engarrafamentos enormes que torna impossível você andar mesmo em um pequeno trajeto limitado, a menos que você tenha uma motocicleta.

40- Todas as cidades brasileiras (com exceção talvez do Rio e o antigo bairro do Pelourinho em Salvador), são feias, cheias de concreto, hiper-modernas e desprovidas de arquitetura, árvores ou charme. A maioria é monótona e completamente idênticas na aparência. Qualquer história colonial ou bela mansão antiga é rapidamente demolida para dar lugar a um estacionamento ou um shopping center.

Shopping construído na Bacia do Pina, Recife
Shopping construído na Bacia do Pina, Recife

Conheça os outros dezoitos motivos. No Recife, o sonho da classe média alta é viver no alto de uma alta torre. E a vida acontece assim: Pega o carro e vai para um escritório. E depois pega o carro para a viagem de retorno. Quando o trânsito piorar deve fazer de helicóptero este percurso de ida-e-volta. Como já acontece em São Paulo. E no Rio de Janeiro. O governador Sérgio Cabral vive trepado em um helicóptero. Do alto a paisagem permanece sempre linda. Que as elites não sofrem do medo das alturas. Apenas têm medo do povo. Medo e nojo.

As novas pontes são feias. As ruas e estradas de uma monotonia de dar sono no motorista e passageiros. Não proporcionam nenhuma beleza. Pior ainda: destroem a beleza da paisagem.

A Via Mangue, ora em construção, para facilitar o acesso do Aeroporto Guararapes a um shopping de João Paes Mendonça, e às altas torres que serão erguidas na Bacia do Pina, tornou-se um super, super faturado mostrengo de cimento. Que é fácil diferenciar o que é belo e o que é feio, horrendo, nocivo, aberração.

Via Mangue, Recife
Via Mangue, Recife
Estrada da Graciosa (1873), Brasil. Fotografia: Mauro Nogueira
Estrada da Graciosa (1873), Brasil. Fotografia: Mauro Nogueira

Os engenheiros (não pode ser coisa de um arquiteto, de um artista) pegam um mapa, colocam uma régua em cima, e traçam uma linha reta. Não entendem que Iara é a Senhora das Águas. Que a Mãe-d’água tem curvas.

IARA

Vive dentro de mim, como num rio,
Uma linda mulher, esquiva e rara,
Num borbulhar de argênteos flocos, Iara
De cabeleira de ouro e corpo frio.
Olavo Bilac

Iara
Iara

Eles não entendem das curvas de uma mulher. Nem amam a Mãe Terra.

Encosta o ouvido
no morno ventre
da Mãe Terra.

(…)
Se queres sentir
o cheiro fresco do verde,
o doce gosto de chuva.
Se teu sexo anseia
arranhar-lhe o ventre,
arando a vida.
Se tuas penetrantes mãos
cavar-lhe o útero –
onde a semente
será jogada,
onde a semente
encontrará abrigo -,
sejas amigo.
Porque quando teu corpo
não mais te servir,
a Terra Mãe te desobrigará
de tão enfadonha
pesada carga.
Talis Andrade

A linha reta da Via Mangue
A linha reta da Via Mangue
Tianmen Mountain Road – Hunan, China
Tianmen Mountain Road – Hunan, China

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Serra do Rastro, Santa Catarina
Serra do Rastro, Santa Catarina

A BELEZA ROUBADA

O meio ambiente devastado pela especulação imobiliária, pela grilagem de terras e de águas, pelos aterros para a construção de shoppings e de altas torres & toda estrutura urbana presenteada com o dinheiro dos cofres públicos, apenas para atender esse novo Recife, sem povo, das elites provincianas e turistas da classe média baixa dos países do Primeiro Mundo.

O acesso ao shopping Rio Mar, construído com o dinheiro do povo
O acesso ao shopping Rio Mar, construído com o dinheiro do povo
POLUIÇÃO VISUAL. Via Mangue, afeando o Rio, encobrindo o azul - a beleza das águas que dão nome ao Recife, chamada de "Cidade das Águas", "Veneza Brasileira"
POLUIÇÃO VISUAL. Via Mangue, afeando o Rio, encobrindo o azul – a beleza das águas que dá nome ao Recife, chamada de “Cidade das Águas”, “Veneza Brasileira”

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The Atlantic Road, Noruega
The Atlantic Road, Noruega
Ponte de Dhongal, China
Ponte de Dhongal, China

A Via Mangue teve seu nome mudado para Celso Furtado, para não lembrar os manguezais destruídos pelos aterros clandestinos e oficiais. Uma proposital destruição do verde. Da natureza.

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Foto do Blog de Priscila Krause
Foto do Blog de Priscila Krause

Especulación inmobiliaria y la fuerte conflictividad social que se registra en torno de la cuestión de la vivienda

por Natalia Cosacovi  y Guillermo Jajamovich

de terras nas cidades e no campo
de terras nas cidades e no campo

Nos interesa puntualizar una serie de aspectos especialmente problemáticos en relación con la ampliación de derechos urbanos y sociales dentro de la ciudad.

Una cuestión general que atraviesa la concepción del Modelo Territorial es la preponderancia que asume la dimensión física de la ciudad por sobre la social. Esto no es menor, porque a partir de los indicadores utilizados, se evalúa la situación actual y se orientan las intervenciones futuras. Así, se llega a afirmaciones autocelebratorias como éstas: “Hay un escenario de partida prácticamente óptimo evidenciando que la CABA no posee problemas serios de hábitat e infraestructuras”. De esa manera, a partir del criterio de construcción de los indicadores, se invisibilizan problemáticas clave como la del acceso a la vivienda y al suelo urbano.

En sintonía con lo anterior, la sobrevaloración de lo físico por sobre lo social desemboca en una celebración del boom constructivo como indicador de desarrollo. Se menciona el crecimiento de la construcción, pero nada se dice respecto de los destinatarios de tales construcciones. En ningún momento se menciona la creciente distancia entre las necesidades habitacionales y la orientación de los permisos, destinados hacia vivienda de alto standard. Tampoco se señala que paralelamente al celebrado boom constructivo ha crecido la población con problemas habitacionales.

Sin medidas paliativas (como ser, políticas de vivienda, créditos hipotecarios, control de alquileres, uso de instrumentos de recuperación de plusvalías urbanas, etc.) los aumentos del precio del suelo traen aparejados fenómenos de desplazamiento de población de menores recursos.

Así, cabe interpretar indicadores como el de “equitatividad en el valor del suelo”.

Del modo en que está construido ese indicador, si el valor del suelo crece en las zonas “deprimidas”, estamos ante una situación de mayor equitatividad. Esto deja de lado lo que acontece con las posibles “víctimas” de ese aumento del valor, es decir, la población de menores recursos imposibilitada de afrontar aumentos de alquileres o gentrificaciones comerciales. El desplazamiento de parte de esa población no sería algo accidental o aleatorio. Existe abundante bibliografía y experiencias de gestión que indican que, para evitarlo, el Estado debe actuar antes de que se dispare la valorización del suelo ya que, posteriormente, las actuaciones se vuelven más complejas en términos políticos y económicos.

En síntesis, lo que podría pensarse como una política habitacional insuficiente es en realidad parte de una visión más general sustentada en una idea excluyente de ciudad que entiende que hay desarrollo urbano si hay expansión inmobiliaria y se registran procesos de valorización del suelo, quedando opacados los efectos sociales y urbanos de tal valorización.

Transcrevi trechos.

Despejos Zero – pelo Direito de Habitar. Todos juntos!

 

A primeira etapa da agenda comum do Fórum Social Urbano 2012 é em outubro, com as Jornadas Mundiais Despejos Zero – pelo Direito de Habitar, para federar a Campanha Mundial pelo Direito à Moradia e à Terra.

No centro, a luta contra os Despejos, as execuções de hipoteca, a grilagem de terras, a perseguição aos militantes: esses temas dizem respeito a todos os habitantes, das cidades e do campo.

Como alvos, as políticas neoliberais, raízes da crise global e urbana, da corrupção e da especulação imobiliária, que excluem da moradia mais de um bilhão de pessoas, enviando à rua, a cada ano, outras dezenas de milhões.

Assim, de maneira muito concreta, apoiamos a Chamada FSU para defendermos juntos os bens comuns para o futuro das cidades e territórios.

Denunciamos aqui os responsáveis pela crise global e da moradia

No banco dos réus, os parasitas escondidos por trás dos fundos, sem nome ou “soberanos”, o FMI, a Troika Europeia, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Banco Asiático de Desenvolvimento, ou seja, os principais produtores da crise, que já não têm mais nenhuma legitimidade para propor suas receitas neoliberais para sair da crise, baseadas no mercado e nas guerras.

No banco dos réus ainda os governos em todos os níveis e às vezes certas instituições supranacionais, como a ONU-Hábitat, que deveriam ser aliadas nas lutas pelo direito à moradia e à terra, mas que se tornam cúmplices das violações, por causa do papel ambíguo desempenhado, ao propor parcerias que subordinam os Estados e autoridades locais ao mercado privado, entregando as chaves das cidades e dos territórios a quem desejar utilizá-los para especulação.

As organizações de habitantes lançam um desafio aos governos

A partir das Jornadas, as organizações de moradores lançam um desafio aos governos em todos os níveis (local, nacional, regional, supranacional) para obter políticas de habitação, urbanas e sociais, fundadas num pacto social alternativo aos paradigmas neoliberais, ou seja, sobre os direitos humanos individuais e coletivos, e o direito dos habitantes de criar comunidades que respeitam a diversidade, condição essencial para um futuro em harmonia com a natureza, em vez de serem clientes-usuários dos territórios.

Antes de tudo, para obter políticas públicas de habitação e de solo baseadas no princípio de “Despejos Zero”.

Para aproximar-se da abertura de um verdadeiro diálogo sobre esses temas com as contrapartes, as organizações de habitantes e suas redes, com o apoio de aliados e parceiros, estão em marcha, juntos.

Cabe aos governos responder positivamente a essas propostas, recusando todo recurso à repressão.

Cabe às organizações sociais a tarefa de levar adiante esse compromisso federativo e de luta, preparando assim a próxima etapa global, na Assembleia Mundial dos Habitantes (FSM, Túnis, 23 a 28 de março de 2013)

 

Bacia do Pina – vislumbrando um futuro pólo de lazer aquático para o Recife

por  Alex Maurício Araújo

 

 

A bacia do Pina está situada após a bacia portuária do Porto do Recife, em plena zona urbana da cidade e  é separada do Oceano Atlântico por meio de um dique, o qual impede o contato direto de suas águas com as do mesmo. Possui uma extensão de aproximadamente 3,6 km e larguras variáveis, sendo a mínima de 0,26 km, e a  máxima de 0,86 km, perfazendo uma área total de espelho d’água de aproximadamente 2,02 km².

É um ambiente dinâmico do ponto de vista hidrográfico com características estuarinas sujeitas à ação das marés provenientes do Porto do Recife e às alterações ambientais devido aos despejos de efluentes domésticos e industriais nos seus rios formadores (Tejipió, Pina, Jordão)  e contribuinte (rio Capibaribe via braço morto e antiga ponte giratória). Durante a estação do verão, época mais crítica em termos ambientais, a contribuição das vazões dos rios fica minimizada relativamente à das águas do mar.

Pode-se afirmar que atualmente os principais usos-benefícios dos recursos hídricos da área da bacia do Pina, são por ordem: transporte e diluição dos efluentes sanitários e industriais lançados diretamente ou afluindo para a bacia através dos seus corpos d’água formadores; navegação e atracação de embarcações; uso estético, além de sua importância sócio-econômica em função das atividades pesqueiras realizadas pela população de baixa renda circunvizinha.

As águas que circulam na bacia vem sendo alvo de intensa poluição. É visível a presença de manchas de óleo na superfície  da água e os efeitos dos lançamentos  de lixo e de esgotos  sem  tratamento prévio. A intensificação do uso dos  recursos hídricos na modalidade transporte e diluição de efluentes limita e inibe a expansão de outras modalidades mais  nobres  de  aproveitamento  como;  navegação,  pesca,  lazer, esportes náuticos e  principalmente o  uso  estético daquela belíssima coleção d’água.

Um corpo d’água com potencial biológico e produtivo, e grande importância sócio econômica, deve ser considerado área privilegiada e ter um uso mais adequado e que traga benefícios mais vantajosos. Em especial, e de forma diferencial relativamente às outras capitais, a cidade do Recife possui um grande patrimônio fluvial estuarino disponibilizado pela natureza para ser explorado na área de lazer aquático. Além das praias, tradicional atração turística, os aspectos fluviais e estuarinos da cidade do Recife devem ser considerados, estudados, levantados e planejados racionalmente os seus usos de modo a que se possa explorar, em bases ambientalmente auto-sustentada,  todo o seu potencial.

A idealização e o planejamento urbano e ambiental integrados de um pólo de turismo e lazer aquático na bacia do Pina fundamentam-se na melhoria da qualidade de vida dos habitantes da cidade do Recife e nos pressupostos macroeconômicos de que o turismo em Pernambuco está situado entre as suas maiores vocações econômicas. Sua concepção baseia-se na valorização da beleza paisagística e nos seus atributos naturais para vir a ser um local ideal para a promoção de eventos públicos ligados ao lazer e esportes náuticos (remo, vela, esqui aquático, canoagem, etc.), devendo ser este patrimônio ambiental usufruído, protegido e garantido por todos contemporâneos para as futuras gerações pernambucanas.