O mais belo alimento

por Luana Duarte
Luana Duarte
Duas sementes, uma raiz
Vidas diferentes, uma só escolha
Momentos iguais, atitudes iguais
O vazio que deu vida a vida.
.
Cresceu, viveu, vivendo
Nasceu, floresceu o fruto santo
O fruto da união
O mais belo alimento.
.
Folhas, folhas de sustento
Algo doce e amargo
que se ponderado
não seca, não murcha, não cai.
.
A luta diária
Para novos frutos
O que vem agora
Para dar vida
Um novo sentido
As sementes, a raiz
Os frutos e folhas
Uma árvore
Nossa árvore
Nossa vida.

Turquia, uma país em guerra para defender 600 árvores. Quantos parques, bosques e matas o Brasil já devastou este ano?

Una manifestante levanta el puño en una manifestación en Ankara.- UMIT BEKTAS (REUTERS)
Una manifestante levanta el puño en una manifestación en Ankara.- UMIT BEKTAS (REUTERS)
MEU RESPEITO AOS TURCOS!

Estou em Istambul em visita à minha filha, Teté, que mora em Beshiktas, um bairro próximo de Taksim.

Como está sendo noticiado aí no Brasil, um projeto de reurbanização do governo pretende derrubar 600 árvores de um parque na Praça Taksim, no coração de Istambul, para a construção de um shopping center no local.

Muitas pessoas ocuparam o parque para impedir o corte das árvores, e sexta-feira passada, 31 de maio, a polícia invadiu o parque para expulsar os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, jatos d’água e muita violência.

O que aconteceu depois, e continua acontecendo, é emocionante.

Uma manifestação popular que foi crescendo ao longo dos dias, o protesto foi tomando o país! Parece que quanto mais a polícia reprime, mais gente aparece e a ameaça da derrubada das árvores acabou se transformando num protesto político sem precedentes nos últimos 90 anos do país.

Trouxe à tona uma série de insatisfações contra o governo que os turcos não querem mais calar: se fala em autoritarismo, na arbitrariedade nas tomadas de decisão, na falta de escuta, em algumas questões econômicas, em posições retrógradas e muito conservadoras em relação… E isso contra um governo com popularidade baseada no sucesso da política econômica.

Milhares de pessoas tomaram as ruas em muitas cidades do país!
Como a casa da Teté é no meio do caminho, sábado acabamos participando de parte da passeata do pessoal que veio do lado asiático pela ponte em direção à Praca de Taksim (fala-se em 40.000 pessoas que atravessaram a ponte a pé!).

Foi das coisas mais bonitas e emocionantes que já vi: pessoas de todas as idades, cantando, empunhando bandeiras da Turquia, uma festa. Vinha mais gente das ruazinhas laterais, os carros que passavam no sentido oposto buzinavam em apoio, muita gente batia panela nas janelas dos prédios… incrível!

A polícia está reprimindo as manifestações com uma violência absurda, muito gás lacrimogêneo e canhões de água. Mesmo assim, os protestos continuaram durante o final de semana inteiro, em muitos pontos da cidade. Vale dizer que são pacíficos até a ação da policia começar: aí surgem as barricadas, pedras, etc…

O movimento foi organizado através das redes sociais, não tinha nenhum partido político por trás da mobilização popular. Tive a oportunidade de presenciar cenas incríveis: gente distribuindo água, máscaras, limão e leite com água (que dizem amenizar os efeitos do gás). Panos brancos em alguns estabelecimentos sinalizavam abrigo possível em caso de necessidade.
As bandeiras nas janelas das casas, nas vitrines das lojas também se transformaram numa marca do protesto.

A partir da segunda-feira, os protestos voltaram a se concentrar na Praça de Taksim, o início marcado para as 9 horas da noite. Além disso, diariamente às 9 da noite em ponto uma barulheira danada continua tomando as ruas: panelas batendo, buzinas, apitos e vuvuzela durante muitos minutos. Para lembrar que podem não estar presentes na Praça, mas continuam mobilizados, insatisfeitos, querendo mudanças.

Ontem à noite bati panelas em sinal de apoio, quis mostrar meu respeito e admiração pelos turcos. Confesso que senti uma pontinha de inveja!

Manifestantes en la Plaza Taskim de Estambul, 06 de junio de 2013- REUTERS
Manifestantes en la Plaza Taskim de Estambul, 06 de junio de 2013- REUTERS
Secuencia en la que un policía dispara gases lacrimógenos contra una mujer en la Plaza Taksim. REUTERS
Secuencia en la que un policía dispara gases lacrimógenos contra una mujer en la Plaza Taksim. REUTERS

Veja A revolta turca em imagens

Tráfico de madeiras nobres

Os navios piratas começaram a chegar no Brasil no ano de 1500, e daqui saíam carregados de madeira. Pau brasil e outras, como o jatobá. Assim acabaram com a Floresta Atlântica. Assim acontece com a Floresta Amazônica.

Depois do desmate, tocam fogo nas clareiras abertas na mata, e das queimadas nascem os campos de latifúndios.

Dou o exemplo do jatobá.

O jatobá ou jataí é uma árvore originalmente encontrada na Amazônia e Mata Atlântica brasileiras, onde ocorre naturalmente desde o Piauí até o Norte do Paraná.

Com altura entre 15 e 30 m (até 45 metros na Amazônia) e um tronco que pode ultrapassar 1 m de diâmetro.
O fruto é um legume indeiscente, de casca bastante dura. Cada legume costuma ter duas sementes e é preenchido por um pó amarelado de forte cheiro, comestível, com grande concentração de ferro, indicado para anemias crônicas. Doces feitos com esta farinha eram muito comuns até o século XIX.

A madeira é empregada na construção civil em vigas, caibros, ripas, acabamentos internos (marcos de portas, tacos e tábuas para assoalhos), na confecção de artigos para esportes, cabos de ferramentas, peças torneadas, esquadrias, jóias, objetos de arte e peças decoração, bem como móveis de alto luxo. Conhecida como Brazilian-cherry, a madeira do Jatobá consta junto com o Ypê (Brazilian-walnut) e o Mogno (Mahogany) no grupo das 10 mais valiosas e negociadas madeiras do mundo.

Entre seringueiros e moradores de regiões próximas das florestas onde se encontram, é comum utilizarem a casca da árvore para fazer um chá, também chamado de vinho do jatobá. Acreditam que este chá é um poderoso estimulante e fortificante.

Por volta do início dos anos 2000, para evitar a retirada da casca, a UFAC (Universidade Federal do Acre) desenvolveu um método de extração do vinho do jatobá através de uma mangueira. Os mercados americanos e europeus são grande mercado para os extratos de Jatobá.

Em épocas diferentes, desde 1930, foi indicada a comercializada para fins medicinais.
A partir do final do século XX passou a ser estudada por etnobotânicos americanos, e é consumida nos EUA com os mesmos fins tradicionais.
Como planta medicinal, diferentes partes são usadas por indígenas do Brasil, Guianas e Peru contra diarréia, tosse, bronquite, problemas de estômago e fungos nos pés. Estudos recentes indicam que Jatobás antigos podem produzir substancias com eficácia no combate a alguns tipos de câncer.

Fruta mística

O Jatobá é um fruto muito conhecida dos índios da América Latina por ser uma das frutas místicas. Por assim ser, os índios pesquisavam seus efeitos antes de consumi-lo. Este fruto trazia equilíbrio de anseios, desejos, sentimentos e pensamentos em uma orgia espiritual.

Os índios costumavam em tempos remotos comer um ou dois pedaços de jatobá e logo após fazer rodas de meditação. Eles cultuavam a fruta e hoje a árvore (jatobeira ou Jatobazeiro) é considerada um patrimônio sagrado no Brasil.

Tão sagrado para os piratas que se tornou um luxo dos palácios e palacetes dos 1% ricos, principalmente, nos Estados Unidos, Europa e Japão. Eis um exemplo dos milhares de exemplo