Imprensa que golpeu Jango e Arraes cria legenda de Eduardo Campos para eleger um candidato da direita

O FIM DO MITO ARRAES

 

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Michel Zaidan Filho: O sentimento de náusea do mundo político pernambucano

 

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Quando Miguel Arraes de Alencar tomou posse, pela terceira vez, do Governo de Pernambuco, ele citou uma conhecida frase de Carlos Drummond de Andrade que dizia: “tenho duas mãos e o sentimento do mundo”. Se foi mais do que uma mera frase de efeito, significaria que o velho líder do PSB queria dizer que, embora despojado de riqueza e poder, era portador do sentimento fundo das iniquidades sociais e que trabalharia para combatê-las, no exercício do seu último mandato. Infelizmente não pode fazê-lo, em função da política de “terra arrasada” praticada contra ele pelo governo do PSDB e do PFL (leia-se Fernando Henrique Cardoso e Jarbas Vasconcelos). Negaram-lhe até a antecipação de receita da privatização da CELPE, com que ele poderia pagar a folha dos servidores do Estado, no fim do seu melancólico mandato.

É, portanto, com um sentimento de náusea que se pode contemplar o espetáculo degradante em que se tornou o mundinho político de Pernambuco, reduzido aos interesses de uma família (mãe, nora, filho, irmão, primo, cunhada etc.) Foi nisso que se transformou o calvário da prisão e do exílio do velho Arraes: na formação de mais uma oligarquia familiar, que certamente pensa que o estado é seu e pode ser rateado ou distribuído entre os parentes, os amigos e apaniguados. Alguns, muito novos, aliados de vésperas ou de conveniência. É nisso que se transformou o “leão do norte”. Um mero botim para satisfação da ambição e a cupidez de uma minoria, atrelada -na última hora -à carruagem do vencedor.

E as denúncias só se acumulam. Quando vamos desengavetar os processos sobre as licitações fraudulentas, que tratam de propinas aos políticos do PSB e PSDB, entre nós? Quando será apurado a denúncia do propinoduto da Petrobrás e o superfaturamento da Refinaria Abreu e Lima? – E os grampos da Polícia Federal, que surpreenderam as ligações promíscuas entre empresas e políticos do PSB. E o avião fantasma de Eduardo Campos? – E a doação post-mortem do ex-governador à irmã Marina Silva? E o favorecimento do candidato vencedor a empresários que intermediaram a compra da aeronave? – Nada vai ser apurado? Vai tudo para debaixo do tapete, como aconteceu com os escândalos do longo governo do FHC?

Se nada for feito para apurar as denúncias e esclarecer a opinião pública, temos de convir que o processo eleitoral e seus resultados estão sob suspeita. A vitória eleitoral está longe de ser um indulto ou anistia para os crimes cometidos durante a campanha política. Pelo contrário: essa vitória será contestada, a cada minuto, pelas perguntas, dúvidas, incertezas, silêncio em relação aos indícios apresentados, desde o início, do processo eleitoral.Nem a morte, nem a vitória representam a porta larga dos cortesões ao paraíso, por mais atraentes que sejam as burras de dinheiro do erário público, os cargos, as demissões, o tráfego de influência, o nepotismo, o troca-troca de favores e apoios recebidos etc.

Se o Estado for mais do que um mero mercado persa, um balcão de negócios ao arrepio da lei e do controle da sociedade, é preciso agir: dá um basta a este festim alimentado pela memória de um morto, mas a serviço dos vivos, bem vivos – que sobreviveram para contar o dinheiro, as benesses, as vantagens auferidas pela necrofilia política praticada pelos amigos e correligionários.

Os nossos ancestrais indígenas comiam a carne de seus adversários mortos (o banquete totêmico) numa espécie de homenagem à força, a sabedoria e a coragem dos inimigos. Mas esse canibalismo político atual, visa exclusivamente o botim, as vantagens, o lucro. Não a grandeza, despojamento, vocação de serviço, carisma, dom ou seja lá o que for. Apenas interesses. Só interesses.

Quanto tempo mais, estaremos dispostos a suportar esse triste espetáculo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PSB perde rumo e enterra princípios, diz neta de Arraes

Marília Arraes

 

A vereadora recifense Marília Arraes (PSB) conta que escutou seu avô criticar debandadas de grupos de esquerda para a direita, como agora está acontecendo com o PSB. “A meu ver, o PSB está perdendo o rumo e enterrando os seus princípios.

Escutei Miguel Arraes se referir, algumas vezes, a situações parecidas como ‘o caminho da perdição’.” Marília subiu o tom das críticas e afirmou que dirigentes querem transformar o “S” da sigla em apenas uma letra. O “S” em questão, significa: Socialismo.

Prima de Eduardo Campos, a vereadora em Recife era contra o lançamento de Eduardo à Presidência da República e apoiou as candidaturas do PT no estado. Na última quarta-feira (8), quando o PSB decidiu apoiar a candidatura do tucano Aécio Neves, Marília questionou como uma legenda de esquerda, que teve entre seus quadros Antonio Houaiss, João Mangabeira e Miguel Arraes, pode se unir ao PSDB.

Para ela, o partido de Aécio é ligado aos interesses conservadores da parcela mais privilegiada da população: “Como é possível aliar-se a um partido de direita, que sempre combatemos e que não representa em nada os nossos ideais progressistas e socialistas? Como é possível ignorar todos os avanços sociais do projeto político conduzido por Lula e por Dilma?”

A “nova política” também foi alvo de Marília durante as eleições, por achar um conceito que leva ao descomprometimento. “Acredito que em política a gente tem que ter lado”, dizia ela durante o primeiro turno.

A memória de Arraes e o PSB

Para a nova face do PSB, que ainda mantém o nome de Partido Socialista Brasileiro, foi decisivo o papel da direção partidária de Pernambuco. Nesta nova face, que alguns já chamam de novo fascio, têm lugares decisivos o avô Miguel Arraes e o neto Eduardo Campos. Mas como opostos e ruptura em um processo de morte, enterro e transformação. Façamos um brevíssimo recuo.
por Urariano Mota
O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) cumprimenta Beto Albuquerque, durante reunião em que o partido de Marina Silva declarou apoio a Aécio no segundo turno, nesta quarta-feira Sergio Lima/ Folhapress
O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) cumprimenta Beto Albuquerque, durante reunião em que o partido de Marina Silva declarou apoio a Aécio no segundo turno, nesta quarta-feira Sergio Lima/ Folhapress

 

Em 13 de agosto de 2005, escrevi que os obituários, sempre tão generosos no olho e olfato de abutres, pois sempre esvoaçam e rondam a agonia dos grandes homens, daquela vez haviam falhado no alcance e na mira. Sempre tão bons no faro e argúcia, daquela vez os obituários haviam errado o cadáver do brasileiro Miguel Arraes. No entanto hoje, no mais recente outubro de 2014, que continua o trágico 13 de agosto deste ano, o cadáver é outro. Ou melhor, Eduardo Campos ainda não é um cadáver, como foi o socialista e avô em 2005. Hoje, Eduardo Campos se tornou um fantasma, que ronda o Brasil a partir de Pernambuco.

A mudança no perfil do PSB foi de tal forma, que não devemos falar em diferenças. Talvez devêssemos falar na decomposição de um nobre que gerou um vampiro. Quando era presidente nacional do PSB, Miguel Arraes alertava que as eleições não deviam contaminar o partido. Mas o que Arraes dizia, os valores pelos quais o pensador de esquerda Miguel Arraes lutava têm agora a moldura de marketing. As ideias de Arraes não mais lutam, hoje apenas enlutam. Em lugar da luta, o luto, das suas ideias. Para o luto de Eduardo Campos.

Desde o velório, diante do seu corpo, os sinais de esgotamento do PSB pulavam entre os vivos. De fato, no contexto armado do show mortuário em frente ao palácio do governo de Pernambuco, cujo mote era uma tragédia, entre os telões com os atores políticos e pessoas com bandeiras eleitorais do PSB e de Marina Silva, a ressurreição falava mais perto à terra. Porque o significado era mais simples e baixo, nas condições do show eleitoral criado em torno da missa: a ressurreição era para Marina Silva e a inclinação à direita.

Ali começou a campanha da onipresença da direita no Recife e no Brasil, de modo sufocante e matador da sensibilidade e inteligência. A trágica morte de Eduardo Campos foi usada sem nenhum pudor. Desde o velório, plantaram-se boatos de que Dilma e o PT eram responsáveis pela morte física de Eduardo Campos. Durante toda a campanha, Eduardo Campos se tornou o personagem El Cid, aquele que morto teve o cadáver posto, amarrado a um cavalo, a cavalgar na batalha, para que desse a ilusão de vida e assim melhor ânimo espalhasse na tropa. Mas o caminho à direita já estava aberto bem antes do feito heroico do novo El Cid.

Para o PSB, Arraes como pensamento já era passamento, morte, anterior ao desastre de 13 de agosto de 2014. A sua prática, do avô, a sua destruição, pelo neto, estava em queda antes da tragédia do avião. Aquele abraçar contrários, ex-adversários, inimigos do avô Arraes, como Jarbas Vasconcelos, ao mesmo tempo que se voltava para um lugar distante de aliados, amigos de esquerda e socialistas históricos, a quem antes havia abraçado, isso já estava claro, porque se fazia a olhos vistos. Mas sempre com um sorriso aberto, que era um passaporte para a mordida, que a maioria de nós não víamos.

Uma das maiores contribuições de Maquiavel foi abstrair da análise política os propósitos virtuosos, repletos de valores éticos e edificantes. Mas isso não significa que a moral, no reino até dos animais, tenha deixado de existir. Daí que lembramos de passagem a mudança assustadora do PSB em Pernambuco, que se transformou também em partido fincado em laços de amizade e genéticos. Com Arraes, naquele tempo que se apagou definitivo, havia ex-companheiros do tempo da resistência democrática que o acusavam de concentrador, porque não distribuía generoso cargos, valores e representações, e, pior, não abria espaço para que os ex-companheiros também ascendessem ao poder no tempo das vacas gordas. Quanta ironia, quando se compara com o PSB que Eduardo Campos construiu. O neto não seguiu o avô, embora tenha usado a sua memória mais de uma vez para receber apoios na esquerda e receber atenções materiais dos governos Lula e Dilma.

Quando se olha a administração pública, pela incidência de nomes vinculados aos Campos e Arraes, temos a impressão de que estamos diante de novos nobres, ou um clã de novos Kennedys. A comparação, a lembrança do nome Kennedy, não vem por acaso, mas não cabe um aprofundamento nos limites deste artigo. O fato é que o DNA Arraes aparece em todos os caros cargos da administração. Segundo uma pesquisa publicada no site Vi o Mundo, em reportagem de Conceição Lemes, Chico Diniz e Daniel Bento, os parentes de Eduardo Campos se estendiam da mãe Ana Arraes, no Tribunal de Contas da União, a sobrinhos, tia, sogro, cunhada, ex-cunhado e primos em cargos relevantes de Pernambuco. O que mais chamava a atenção na lista era a presença de três gerações de familiares de Eduardo e Renata Campos na administração estadual, inclusive jovens. (Em http://www.viomundo.com.br/denuncias/eduardo-campos-tem-parentes-no-governo-secretario-nega-nepotismo.html ) É uma família de gênios, reconheçamos. Da mãe aos primos e filhos, a quem já prometem um futuro venturoso na política.

Que diferença, para os princípios “atrasados“ do velho Arraes, que exigia da filha Mariana uma prática de jornalismo sem privilégios, pois a deixava correr perigo em programa de rádio de Direitos Humanos, como fui testemunha e com quem trabalhei. Para o velho pensador, para o socialista Miguel Arraes, a família era acima de tudo os trabalhadores espoliados. Uma das maiores dificuldades de Gregório Bezerra, no primeiro de abril de 1964, foi convencer camponeses a não virem ao Recife. Massas de trabalhadores se dispunham a vir à luta armados apenas de facões, facas e enxadas contra fuzis e tanques do exército brasileiro. Bastaria esse fato para dar a dimensão do velho. Mas ainda é pouco. A coisa dita assim, até parece que massas ignorantes, fanatizadas, dispunham-se ao sacrifício, a entregar o próprio corpo ao genocídio. Mas não. Tal amor era manifestação testemunhal por atos concretos do que foi o primeiro governo Miguel Arraes. É com ele que surge o revolucionário, o pioneiro e odiado “Acordo do Campo”: trabalhadores da cana-de-açúcar tiveram os mesmos direitos que os trabalhadores urbanos de Pernambuco: salário, décimo terceiro, carteira assinada… deixavam de ser escravos. Daí o fanatismo daquela grande família.

As últimas notícias falam que na portaria da sede do PSB, a quem os jornais chamam com acerto de “sigla”, na região central de Brasília, chegaram a ser pregadas folhas com a inscrição: “Aqui o socialismo resiste. #nenhumvotonoPSDB”. Coitados dos idealistas, tão inocentes. E tão frágeis, porque afinal se mantiveram neste novo PSB, que nega e renega o que foi o partido de Miguel Arraes. O compressor da direita de Eduardo Campos foi mais pesado.

Há nove anos, em um 13 de agosto, escrevi “Arraes, urgente”. Naquele dia, para a memória de um dos mais ilustres brasileiros, lembrei uma declaração de princípios do velho político: “Como homem público, tenho que esperar tudo, sem queixa, porque é minha obrigação ir pra cadeia, se é pra manter a minha posição de defesa do povo e não capitular diante dele. É minha obrigação ir pro exílio, se não posso ficar na minha terra”.

Quantas ciladas a vida nos prega. Hoje, com o apoio do PSB à direita brasileira, a história responde com o fantasma do neto Eduardo Campos: Arraes, adeus.

Golpe baixo. Marina propõe luto hoje no “Agita 13” da campanha de Dilma

Dinheiro Marina avião Eduardo

Quando Eduardo Campos morreu, acidentalmente em um desastre de avião, no dia 13 de agosto, Marina Silva foi a única que não respeitou os sete dias de luto, espontaneamente decretado por todos os candidatos a presidente da República.

No dia 14, ainda não recolhidos os restos do corpo de Eduardo no local do acidente, Marina já tinha mudado o CNJ da campanha, e transferido para uma nova conta, controlada por ela, mais de 2,5 milhões de reais.

Fez campanha eleitoral durante o velório e o enterro, e cambalachos para consolidar o lançamento do seu nome para substituir o de Eduardo, quando o PSB, partido criado por Miguel Arraes, tem socialistas ideologicamente credenciados.

Marina continua uma hospedeira no PSB, assim como incorporou Chico Mendes para realizar sua campanha presidencial em 2010, pelo Partido Verde, agora diz encarnar Eduardo Campos.

 

Marina foi do Partido Revolucionário Comunista

Marinacomunista

Marina não passa de uma biruta do aeroporto de Cláudio, o escravo. Já foi atéia, quando comunista, e virou católica, sendo noviça de um convento. Atualmente professa o fundamentalismo evangélico dos pastores Silas Malafaia e Marco Feliciano.

Leia em Wikipédia: “Ingressou no Partido Revolucionário Comunista (PRC), organização marxista e leninista que se abrigava no Partido dos Trabalhadores, então sob o comando do deputado José Genoíno“.

Apoiada por Lula, Marina se elegeu senadora do PT pelo Acre. E Ministra do Meio Ambiente no governo Lula.

Exonerada do ministério, abandonou o PT para criar o Partido Verde, e ser candidata a presidente. Saiu do partido que fundou, e  para se candidatar de novo a presidente, inventou de criar o Partido Rede, mas fracassou.

O candidato do Partido Verde é Eduardo Jorge.

Sem partido, Marina entrou no último dia permitido pela Justiça Eleitoral, para uma nova filiação partidária, apelando para o Partido Socialista Brasileiro, PSB, de Eduardo Campos, e contentando-se em ser candidata a vice.

 

Marina decretou hoje dia de luto

Cellus
Cellus

 

Marina lança hoje dia de luto pela morte de Eduardo quando tradicionalmente  o PT realiza o “Agita 13”

Marina Silva acaba de propor que se “estabeleça, hoje, um dia de trégua na campanha” ao lembrar da morte do então candidato do partido, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que completa um mês neste sábado (13).

”Hoje é um dia muito especial para todos nós. Neste dia, eu quero estabelecer um dia de trégua na campanha”, decretou Marina. Não se sabe se ela vai exibir o programa de sua campanha na televisão. Talvez se limite à propaganda fúnebre, explorando o cadáver de Eduardo.

Marina Silva também disse que é possível achar “pessoas de bem” em todos os partidos. Para ela, “foi preciso Eduardo Campos morrer para que todos os políticos e partidos reconhecessem o seu valor.”

“Esse dia é um dia simbólico para os partidos, para os candidatos do mesmo partido e de partidos diferentes. Então, em memória de Eduardo Campos ofereço neste dia a outra face. A face do diálogo, do respeito, de que acredito nas pessoas”, completou.

Marina costuma citar Jesus. Começou com a frase “ninguém é profeta em sua terra”, para explicar suas derrotas eleitorais no Acre.

Marina o partido deu sozinho. E Neca para o povo

 

AGITA 13 

Marina foi do PT, sabe que, historicamente, no dia 13 de setembro, seu antigo partido realiza o “Agita 13”.

O dia de luto de Marina é um golpe sujo. Que ela não vai parar a campanha hoje. Nem parou nos dias 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19 de agosto.

Registra o portal do PT: “Chegou o #Agita13!, nosso grande dia de mobilização nacional pela reeleição de Dilma. Tem eventos espalhados pelo Brasil inteiro, e você pode conferir o mais proximo de você usando nosso mapa interativo (veja aqui).

É claro que Dilma não podia ficar de fora da programação. Ela passará o sábado em Minas Gerais, sua terra natal, e participa de dois grandes eventos muito especiais. Pela manhã, Dilma estará em Nova Lima para o Ato pelo Dia Nacional de Promoção da Igualdade Racial. No evento, Dilma vai apresentar seus 13 compromissos com o segmento, documento desenvolvido em parceria com diversos movimentos sociais. O Ato acontece na Praça do Rosário e começa às 10h.

Logo depois, Dilma vai para Belo Horizonte e participa de um novo ato, agora com a Juventude. O grande encontro será em Belo Horizonte, na praça Nova Pampulha. A chegada de Dilma está prevista para as 16h, mas desde as 11h há atividades no local”.

 

Mario
Mario

 

Marília tomou a decisão certa. Marina tem o apoio dos generais que prenderam Arraes

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A vereadora do Recife Marília Arraes, do PSB, prima de Eduardo Campos, está realizando campanha em favor da candidata do PT, Dilma, no plano nacional, além de pedir votos, no plano local, para o petebista Armando Monteiro Neto, adversário do candidato Paulo Câmara (PSB). A socialista também avisou que vai apoiar o petista João Paulo, deputado federal, para a disputa ao Senado.

Marília desaprovava as alianças realizadas por Eduardo Campos com direitistas. Mais razão tem agora que Marina tem o patrocínio da extrema-direita. Inclusive dos generais que prenderam seu avô Miguel Arraes.

Várias vezes Marília Arraes fez questão de ressaltar que a divergência ideológica não interfere na relação pessoal da família. “Ele foi no meu casamento, eu vou na casa dele”, afirmou, em referência ao primo Eduardo Campos.

Os primos Eduardo e Marília. Foto do álbum da família
Os primos Eduardo e Marília. Foto do álbum da família

Quando Eduardo faleceu, revelou: “Eduardo é o meu primo mais velho, uma pessoa muito querida por mim, alegre, saudável e que amava viver. Apesar de discordarmos politicamente nos últimos tempos, mantínhamos o nosso relacionamento familiar preservado. Sempre deixei claro que qualquer divergência seria menor do que os laços que nos uniriam para sempre – tanto com ele, quanto com qualquer familiar tão próximo. Isso porque, desde cedo, aprendemos a separar os assuntos políticos dos familiares. Era uma das pessoas mais inteligentes que conheci, um pai exemplar, bom marido e filho dedicado, que amava e protegia muito sua mãe. Lamento bastante pela perda, principalmente, por minha tia Ana, por Renata, Eduarda, João, Pedro, José e Miguel. Eduardo morreu em um dia que já era muito doloroso para todos nós, porque é aniversário da morte de meu avô Miguel Arraes. Agora, a dor se tornou insustentável.”

 

Marina só continua perto de Eduardo Campos nas fotos de propaganda que ela explora. Partidariamente está cada vez mais distante. Faz os cambalachos da velha política que Campos jamais imaginária.

 

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247 – Depois de receber o apoio oficial do deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP), conhecido e duramente criticado por entidades que lutam pelos direitos humanos, por suas posições radicais e polêmicas contra os homossexuais, Marina Silva recebe o voto de um setor ainda mais conservador: o Clube Militar do Rio de Janeiro.

Em manifesto divulgado na última quarta-feira, o clube mais conservador do Exército trata a candidata do PSB como “um fio de esperança” para derrotar o PT. “Esperança de algo novo e diferente, que rompa com a tradição negativa representada pelos atuais homens públicos”, diz trecho do texto.

Regi
Regi

Autor do documento, o general da reserva Clóvis Purper Bandeira diz que os militares veem Marina como a grande aposta para tirar os petistas do poder. Entre as reivindicações dos militares está a preservação da Lei da Anistia, para que se evite que os agentes da ditadura militar sejam punidos enquanto ex-militantes da esquerda armada contra o regime permaneçam impunes.

Embora defina Marina como a esperança, o manifesto também aponta “uma nova política misteriosa” comandada pela “figura messiânica” da eventual presidente da República. A candidata, segundo o Clube Militar, faz “declarações vagas” e “propostas esquerdistas e ambientalistas”, com “cheiro de bolivarianismo”, em referência à maior participação popular, como por meio de plebiscitos. Depois, acrescenta que “ser uma incógnita camaleônica é uma vantagem”.

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Leia abaixo ou no site do Clube Militar a íntegra do texto:

UM FIO DE ESPERANÇA

As surpresas que o destino nos reserva são assustadoras. Tudo corre num determinado sentido quando, de repente, um acontecimento totalmente inesperado muda nossa história, nossa vida.

O terrível acidente aéreo que, no meio de agosto (sempre agosto) ceifou a vida do Senador Eduardo Campos, candidato à Presidência da República, bem como as da tripulação e de assessores que o acompanhavam, mudou em duas semanas todo o panorama e as previsões para as eleições de outubro, em nível federal e estadual.

Subitamente elevada à condição de presidenciável, a até então candidata a Vice Presidente, Marina da Silva, foi talvez a pessoa diretamente mais atingida pelas consequências da tragédia.

Relembremos.

Tendo obtido 20 milhões de votos nas últimas eleições presidenciais, em 2010, Marina despontou como um fenômeno eleitoral, séria pretendente ao cargo nas próximas eleições.

Para conseguir ser apontada como candidata, procurou fundar um partido próprio, a Rede de Sustentabilidade, ou simplesmente Rede. No entanto, a burocracia – e os problemas reais ou criados pelos cartórios para o reconhecimento de centenas de milhares de firmas necessárias para a criação de um partido – terminaram por impedir que o mesmo viesse à luz no prazo legal para permitir o registro de seus candidatos.

Assim, sem uma sigla que a apresentasse, Marina teve que se contentar em aderir ao PSB, que já apontara Eduardo Campos como candidato a Presidente da República. Ela teve, então, que limitar-se à Vice Presidência.

A morte do cabeça da chapa do PSB a menos de dois meses das eleições determinou sua substituição por Marina, que imediatamente decolou nas pesquisas de intenção de votos.

Atualmente, já empata com Dilma Roussef no primeiro turno e vence folgadamente por dez pontos percentuais no segundo turno.

Na verdade, a nova candidata incorporou o desejo vago de mudanças que levou o povo às ruas em junho do ano passado. Que tipo de mudança, isso já é outro problema.

Não tendo ainda sido atacada pelos demais candidatos – pois sua candidatura não foi, inicialmente, percebida como grande ameaça – navega em mar calmo e vento muito favorável, enquanto o tempo, cada vez mais curto, corre a seu favor.

Sua figura messiânica, suas declarações vagas, suas promessas iniciais muito generosas, mas fora do alcance do cofre nacional, acenam com uma “nova política” misteriosa, mistura de propostas esquerdistas e ambientalistas, entre as quais maior participação direta, governar com pessoas e não com partidos, participação direta popular no governo, por meio de plebiscitos e consultas populares (cheiro de bolivarianismo), criação de conselhos do povo (cheiro dos sovietes petistas), orçamento participativo etc.

Cálculos preliminares orçam suas promessas – entre as quais 10% do orçamento para a saúde, outros 10% para a educação, aumento da bolsa esmola, do efetivo da Polícia Federal – em quase 100 bilhões de reais por ano, cuja origem não é esclarecida.

Seu calcanhar de Aquiles é o fraco apoio político, pois na verdade não tem o apoio firme de nenhum partido. Seus apoiadores são aqueles interessados em pegar carona em sua súbita popularidade, sem nenhum compromisso com a realidade política durante seu possível governo.

Mas uma excelente candidata não será, necessariamente, uma excelente Presidente.

No governo, terá que descer das nuvens “sonháticas” onde flutua e lutar na arena do dia a dia da Praça dos Três Poderes, enfrentando as feras insaciáveis que fazem as leis, sempre cobrando algum preço político por seu apoio.

Na verdade, os políticos temem o populismo de suas propostas e os desvios que promete adotar, para evitar o isolamento de seu governo pelos partidos, percebendo uma ameaça de autoritarismo na ideia de governar sem os mesmos. Será real isso ou será apenas uma ameaça para angariar apoios mais fortes dos partidos, que seriam enfraquecidos com um governo mais populista?

Dona de um discurso inatacável, é a favor de tudo que é bom e contra tudo que é ruim. Como, aliás, todos os candidatos.

Ser uma incógnita camaleônica é uma vantagem, pois o que é conhecido da política e dos políticos é rejeitado pelos eleitores.

A esperança de algo novo e diferente, que rompa com a tradição negativa representada pelos atuais homens públicos, parece impulsionar a subida de Marina nas pesquisas eleitorais.

A desilusão popular procura o novo. As mudanças podem ser para melhor ou para pior, desde que interrompam a malfadada corruptocracia instalada no poder pelo lulopetismo.

Como está não pode continuar. Há expectativa de que novos rumos e novos governantes tragam melhores dias e maior esperança para os eleitores desiludidos.

É um fio de esperança, mas parece que as pessoas a ele se agarram com fé, apostando no futuro para esquecer o presente.

Gen Clovis Purper Bandeira – Editor de Opinião do Clube Militar

Neta de Arraes condena abuso da propaganda fúnebre com o nome de Eduardo Campos

Do álbum de Marília
Do álbum de Marília

A vereadora do Recife Marília Arraes, prima do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, pediu para os candidatos deixarem o ex-presidenciável descansar.”Homenagem não se faz com voto”, disse.

“Querem uma homenagem…? A gente pode levar uma flor; quem for evangélico, católico pode fazer uma oração. Deixem a pessoa descansar e não ficar usando exaustivamente a imagem de uma pessoa que já faleceu”, criticou a vereadora.

Filha da psicóloga Sônia Valença Rocha e do administrador de empresas Marcos Arraes de Alencar, Marília é a primeira neta do governador de Pernambuco Miguel Arraes, e sobrinha da ex-deputada e atual ministra do Tribunal de Contas da União, Ana Arraes, e do cineasta e diretor da Rede Globo de Televisão, Guel Arraes.

Nascida em momento de grande efervescência política, participou, desde os 14 anos de idade, das movimentações políticas de Pernambuco, ao lado de Miguel Arraes.

Em 2002, ingressou na Faculdade de Direito do Recife (UFPE), onde atuou no Movimento Estudantil, defendendo o Movimento Faculdade Interativa.

É filiada ao PSB e trabalhou na Secretaria de Juventude e Emprego do Estado de Pernambuco, em 2007, no programa a geração de emprego e renda para mulheres.

Em 2008, deixou a Secretaria para ser candidata nas eleições municipais daquele ano.

Em 2012, reelegeu-se vereadora.

 

Marília pensamento

Marília pretendia disputar eleição à Câmara Federal, mas por não concordar com os rumos que o PSB está tomando com relação ao pleito, renunciou à candidatura. Marília revelou, na ocasião, que não seria possível fazer campanha e, posteriormente, assumir um possível mandato defendendo o que não acredita.

“Sempre fui uma militante disciplinada, durante minha vida respeitei meu partido e a hierarquia (sim, para um militante partidário isso é fundamental!) que havia nele. Cumpri missões. Entretanto, sinto-me com o dever moral e político de divergir, quando as determinações e orientações possam alterar o rumo de nossa caminhada à justiça social”.

Por sua fidelidade aos ideais socialistas do avô, tudo indica que passou a ser a herdeira política de Miguel Arraes.

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LÍDER DA CAMPANHA DE ARMANDO MONTEIRO GOVERNADOR

Marília justificou o seu apoio ao senador petebista: “Eu conheço Armando há 20 anos e eu tenho 30 anos de idade. Desde 1984 estamos juntos. Por que estaríamos separados agora?”, questionou a vereadora, que rechaçou, novamente, a candidatura de Paulo Câmara ao executivo estadual: “Ele pode até ser uma boa pessoa; mas não é suficiente para ser um grande governador de Pernambuco”.

Com o objetivo de fundamentar os seus argumentos contra a postulação de Câmara, Marília lembrou o avô: “Miguel Arraes era um homem preparado. E não ficava apenas atrás de uma mesa cobrando imposto, enfrentando burocracia de Estado, sem colocar os pés na lama e sem conhecer a realidade do povo”.

A parlamentar vem sendo vítima de retaliação. Funcionários do comitê central da campanha do PSB, no Recife, batizaram de “Marília” o nome de uma cadela encontrada na rua por militantes da legenda. O caso foi criticado por organizações de defesa dos direitos da mulher.

Fontes: Wikipédia/ 247

O esquecido impeachment de Arraes

 

A propaganda do mito Arraes criou várias lendas.

1 – Uns dizem que Arraes recebeu convite dos militares para permanecer no governo, mas recusou.

2 – Outros, que foi deposto.

A verdade: Era repórter setorista do Diário de Pernambuco no Palácio das Princesas e, inclusive, escrevia a tradicional coluna “Ontem, em Palácio”.

O golpe militar estava previsto para ter início após uma senha que seria anunciada pelo deputado federal Costa Cavalcanti, em discurso na Câmara dos Deputados. Aconteceu do general Mourão Filho antecipar o movimento armado. Que, em Pernambuco, era do conhecimento dos coronéis ligados a Costa Cavalcanti, sendo ainda articuladores, no Nordeste, os generais Muricy e Golbery. Entre os civis, apenas Cid Sampaio. Costa Cavalcanti foi secretário de Segurança Pública no governo de Cid. Arraes sucedeu Cid no governo, e eleito com o apoio não declarado de Cid, de quem era concunhado.

A antecipação de Mourão possibilitou que o golpe não fosse certeiro, permitindo dúvidas sobre quem assumiria a presidência da República, e impossibilitando a conquista dos governos estaduais pelos coronéis do Exército, com ou sem autorização do comando revolucionário.

Sim, o termo certo era revolução. Esperada desde que Jango, via plebiscito, fez retornar o presidencialismo. O improvisado parlamentarismo não passou de uma condição negociada pelos ministros militares, após a renúncia de Jânio, que não puderam evitar a posse de Jango, imposta pelo movimento de Brizola no Rio Grande do Sul.

Era esperada uma revolução, um confronto dos camponeses de Francisco Julião (brigado com Arraes), a Polícia Militar do Rio Grande do Sul, mais o Exército do Sul, inclusive Kruel em São Paulo, e governadores aliados de Jango contra os militares golpistas. Uma revolução que não aconteceu.

No começo da tarde passei no Diário de Pernambuco para pegar um vale, que estava decidido gazetear um cinema com a namorada. Na redação, na caixa de correspondência havia uma telegrama da Meridional. Abri. Informava: “O general Moura Filho deslocou tropas em direção da Região da Mantiqueira, para treinamento…”. Este o primeiro telegrama da Meridional. O jornalista Moacir Japiassu, no célebre romance “Quando Alegre Partiste”, publica o texto de um segundo telegrama. A narrativa demonstra a preocupação dos jornalistas aliados de Jango quanto ao desconhecimento do golpe, pelo povo e autoridades civis. Era a crença de que o povo iria para as ruas combater o golpe.

Fui correndo para o Palácio das Princesas para entrevistar Arraes, mas não consegui.

Quando apareceu o deputado Aderbal Jurema. Mostrei o telegrama. Não entendeu. Tive que argumentar, para conseguir o encontro com Arraes.

– Aderbal, você foi jornalista. Treinamento de tropas não é notícia nacional. E a Meriodional jamais gastaria dinheiro para mandar um telegrama com esta informação sem nenhuma importância: de que Mourão está treinando soldados…

Aderbal levou o telegrama para Arraes. Esperei inquieto, nada de Aberbal descer da ala residencial do Palácio.

Decidi telefonar para a casa do vice-governador Paulo Guerra. Atendeu a esposa, que revelou que o marido estava na fazenda. Recomendei: Mande avisar que a revolução estourou. Pura loucura o recado. Mas quem me conhece sabe que sou capaz de tais riscos. Sempre confiei no meu “faro” de jornalista.

Nada de Aderbal descer. Era a hora do crepúsculo. Paulo Guerra telefonou. Falei do telegrama e da demora de Aderbal.

Cobri para o Diário de Pernambuco, no Rio de Janeiro, a convenção do PSD, e foi manchete minha: Paulo Guerra lançou as candidaduras de Juscelino presidente, e Arraes vice. Nos bastidores da convenção o assunto cochichado era a revolução, que ninguém acreditava. A imprensa estava voltada para as articulações das candidaturas para presidente de Juscelino e Carlos Lacerda, sendo que, sem chances, Brizola e Arraes buscavam o apoio de Jango. E para as marchas golpistas da Tradição, Família e Propriedade, TFP, e as procissões do povo que reza unido permanece unido.

Finalmente apareceu Aderbal, e pressenti que alguma coisa de sério estava acontecendo. Justificou: – Arraes não pode lhe receber. Está com uma forte alergia nos olhos. Demorei porque estávamos tentando falar com Brasília. Só agora conseguimos, pelo rádio amador. Abelardo (Jurema, irmão de Aderbal, ministro da Justiça de Jango) confirmou que havia um quisto revolucionário em Minas Gerais, mas que seria debelado até às 18 horas. E que Arraes telefonou para Justino. O comandante do IV Exército garantiu que desconhecia qualquer movimentação de tropas, e que em Pernambuco tudo estava em paz.

Acredito que, no momento do telefonema de Arraes, Justino estava por fora. Nesta mesma noite, Edmundo Moraes, chefe de reportagem do Diário de Pernambuco, e ex-secretário de Imprensa de Cid, e amigo de Costa Cavalcanti, me confidenciava que os coronéis estiveram no gabinete do comandante do IV Exército, para comunicar  a quartelada, e cobrar um posicionamento.

Falei para Aderbal, que Paulo Guerra se encontrava na casa do deputado estadual Osvaldo Coelho. Quando passamos pelo prédio do comando do IV Exército, perto da Faculdade de Direito, um tanque de guerra posicionado.

Na casa de Osvaldo, além do anfitrião, Paulo, João Roma, ex-secretário de Segurança de Agamenon Magalhães, e Barreto Guimarães, ex-prefeito de Olinda. Foi uma reunião rápida. Paulo acertou com Aderbal ele se esconder. E Roma assegurou que as delegacias de polícia estavam sob o comando dos delegados da confiança de Costa Cavalcanti, adversário político e inimigo de Paulo Guerra.

Paulo Guerra: – Talis, queria um favor seu. Que presenciasse a minha ida ao IV Exército. Caso seja preso você avisa para Osvaldo na Assembléia Legislativa. Não questionei por que na AL.

Nunca vi coisa mais fácil. Na porta, apenas um sentinela. E próximo, outro soldado ou cabo. Paulo Guerra entrou, depois eu. Sem dar a impressão de que estávamos juntos. Ouvi quando Paulo disse andando, e incisivo: – Justino está me esperando. Onde ele está?

Um terceiro praça, talvez um sargento, apontou com um dedo a escada e orientou: – Na primeira sala. Paulo Guerra abriu a porta e estava Justino falando, pelo rádio amador, com Mourão. Junto, a surpresa da presença de Cid Sampaio.

Voz de Mourão: – Quem vai assumir o governo de Pernambuco?

Justino: – Está chegando aqui Paulo Guerra, vice-governador.

Mourão: – Deve ser gente fina. Minha mulher é da família Guerra. Todos os Guerra são boas pessoas.

Ouvindo esta conversa, Paulo solicitou: Diz para João Domingos que decidi pela segunda votação. João, filho primogênito de Paulo Guerra, estava esperando num carro estacionado no Hotel 13 de Maio. Pedi explicação para João Domigos. Primeira votação: o afastamento; segunda era a votação do impeachement de Arraes: 45 votos a favor, 17 contra, e um voto em branco.

Assim entendi o motivo da reunião na casa de Osvaldo, porque desconhecia a convocação extraordinária da Assembleia. E dei o recado porque Paulo Guerra perguntou: você quer que um coronel ou um general assuma o governo de Pernambuco?

Fui para o Diário de Pernambuco escrever o que testemunhei. Beirando a madrugada, Edmundo escalou: – Vai para o Palácio cobrir a posse do governador.

Durante a solenidade, Paulo Guerra fez um sinal que queria falar comigo. Era para um encontro às 7 horas.

Nem todas as minhas reportagens foram publicadas.

Passei o resto da madrugada acordado, e às 7 horas estava esperando Paulo Pessoa Guerra, que chegou com Barreto Guimarães, que seria seu secretário de Governo.

A porta principal do Palácio das Princesas estava fechada, e só havia uma passagem livre, pelo portão da Casa de Guarda, ocupada por soldados do Exército.

Quando Paulo Guerra ia entrando, uns milicos tentaram barrar. Paulo Guerra falou alto: – Sou o governador de Pernambuco, se quiser me prender estou no meu gabinete.

Do gabinete telefonou que estava convocando uma guarda da Polícia Militar. E disse para mim: – Não vou iniciar o governo com tropa do Exército.

Era o começo da articulação de uma política para manter nos cargos todos os governadores nordestinos. Só não teve tempo de evitar o afastamento de Seixas Dória em Sergipe.

Em Pernambuco, os golpistas não cuidaram da política, apenas da estratégia militar de uma guerra interna.  Preferiram, primeiro,  assumir o comando da Secretaria de Segurança e delegacias, o antigo reinado de Costa Cavalcanti, que Paulo Guerra teve que combater.

Arraes negociar com os militares, não aconteceu. Seria confirmar a versão de Samuel Wainer, fundador do Última Hora, de que ele conspirou pela queda de Jango.