A morte de um herói discreto

por Leneide Duarte-Plon

A criança soldado e o sol  de Mali. Ilustração de Talal Nayer. Que mostra o eterno sofrimento de um povo colonizado. Quando um negro de alma branca governa os Estados Unidos. Esta expressão popular negro de alma branca nunca foi racista. Apesar dos diferentes significados.   Apenas frisa que falta generosidade. De negro para negro. Vale para toda a humanidade. Independente da cor da pele
A criança soldado e o sol de Mali. Ilustração de Talal Nayer. Que mostra o eterno sofrimento de um povo colonizado. Quando um negro de alma branca governa os Estados Unidos. Esta expressão popular negro de alma branca nunca foi racista. Apesar dos diferentes significados.
Apenas frisa que falta generosidade. De negro para negro. Vale para toda a humanidade. Independente da cor da pele

Em fevereiro de 1958, graças ao livro La Question, de Henri Alleg, a França descobriu que seu Exército torturava na Argélia, como os nazistas da Gestapo tinham torturado os resistentes franceses. Imediatamente, o jornalista comunista nascido em Londres sob o nome de Harry Salem, filho de judeus russo-poloneses, se transformou num ícone da luta anticolonial, em plena guerra da Argélia.

Antes, alguns intelectuais haviam escrito artigos na imprensa mas naquele livro, um homem torturado dava seu testemunho. O diretor do jornal Alger Républicain – militante da luta anticolonialista, sequestrado e preso no ano anterior – confirmava as suspeitas num relato que se transformou imediatamente num best-seller. A partir da segunda edição, o livro passou a ter um posfácio de Jean-Paul Sartre, no qual o filósofo dizia: “Henri Alleg pagou o mais elevado preço para ter o direito de continuar um homem”.

Dia 17 deste calorento mês de julho, Henri Alleg faleceu em Paris, aos 91 anos, vítima de um AVC. Os principais jornais franceses noticiaram sua morte com espaço dedicado somente aos grandes personagens. O Le Monde deu uma página inteira, Libération, duas, e o comunista L’Humanité, do qual Alleg foi diretor, deu a notícia na capa, ressaltando os combates do jornalista e escritor contra o colonialismo, a opressão e todo tipo de racismo.

O presidente François Hollande louvou “o anticolonialista ardente cujo livro alertou o país sobre a realidade da tortura na Argélia”.

O secretário nacional do Partido Comunista Francês, Pierre Laurent, escreveu que o nome de Henri Alleg “permanecerá para sempre sinônimo de verdade, de coragem, de justiça”.

O diretor do jornal L’Humanité, Patric Le Hyaric, escreveu :

“A melhor homenagem que o Estado francês poderia fazer a Henri Alleg seria, enfim, reconhecer oficialmente a tortura na Argélia, assim como os crimes de guerra.”

Outra articulista, Rosa Moussaoui ressaltou que Alleg combateu “até o fim, sem cessar, a direita francesa sempre disposta a exaltar os ‘aspectos positivos’ da colonização”. Ela se referia ao longo debate durante o governo de Nicolas Sarkozy que, tentando reabilitar o período colonial, se pôs a apontar “aspectos positivos” na colonização francesa.

O livro

Quando foi proibido na França, três meses depois de ser lançado, o livro La Question já era um best-seller, com 65 mil exemplares vendidos. O governo do general Charles De Gaulle, tendo o escritor André Malraux como ministro da Cultura, não sabia ainda como iria acabar a guerra que, aliás, não era chamada de guerra pela França, mas “les événements d’Algérie” (os acontecimentos da Argélia). A expressão guerra da Argélia só foi imposta pelos historiadores muito depois da independência da antiga colônia.

A partir da proibição, o livro passou a ser impresso na Suíça e depois saiu em diversos países. Na França, o texto de Alleg passou a ser distribuído clandestinamente por uma rede de militantes católicos, socialistas e comunistas. Antes do livro, a revista católica Esprit havia denunciado a tortura na Argélia, mas Alleg veio trazer à opinião pública um texto-testemunho de grande qualidade literária. Nele não há psicologia ou julgamento moral – o texto é límpido, seco e objetivo.

O relato de Alleg tinha deixado a prisão em folhas soltas, levadas por seu advogado, burlando o controle dos torturadores. La question foi editado por Jérôme Lindon nas Editions de Minuit, num clima de debate passional entre os anti e os pró-colonização. O livro despertou a consciência de toda uma geração que descobriu horrorizada a tortura exercida pelos paraquedistas franceses em nome do combate à “subversão” da Frente de Libertação Nacional, que lutava pela independência da Argélia.

Em 1960, Alleg foi condenado a 10 anos de trabalhos forçados. No ano seguinte, fugiu da prisão indo se refugiar num país do Leste europeu. Escreveu diversos livros e dedicou toda sua vida ao jornalismo, à causa comunista e ao combate anticolonialista.

A notícia da morte de um herói discreto me transportou ao mês de dezembro de 2011, quando fui à sua casa nabanlieue parisiense para uma entrevista em torno do seu livro e de sua experiência de resistente à guerra colonial na Argélia. Ele será um personagem do livro que estou escrevendo sobre como os militares franceses na Argélia exportaram técnicas de tortura e de controle das populações civis através do general Paul Aussaresses, que viveu no Brasil por quase três anos como adido militar da França.

Apesar da idade avançada, Alleg tinha a memória intacta e a inteligência preservada pelo tempo. E ao contar sua prisão, tortura e engajamento, seus olhos brilhavam cheios de vida e de generosidade.

 —
Nota do redator do blogue: A França continua colonialista. A propaganda sempre cria neologismo para seculares crimes de guerra. Os países colonizados são classificados como departamentos ultramarinos. No nosso continente temos a Guiana que, inclusive, invade terras brasileiras.
Guiana Francesa livre!, repetindo o grito de De Gualle.
A França imperialista continua a mesma, desde quando tentou uma França Antártica, em 1555, no Rio de Janeiro; em 1594, no Maranhão.
Recentemente, em abril de 1988, na Ilha de Ouvea, Nova Caledônia, mais um massacre de libertadores nativos, contado no filme A Rebelião, dirigido por Mathieu Kassovitz, e proibido de ser exibido nas colônias francesas, a começar, obviamente, pela Nova Caledônia. O filme foi rodado no Taiti, em 2010, pelas dificuldades criadas pelo exército francês.
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Cartaz original
Cartaz original
 Dirigido e estrelado por Mathieu Kassovitz
Dirigido e estrelado por Mathieu Kassovitz
Um dos libertários
Um dos libertários
Trailer do filme:
A brutal Legião Francesa, formada por mercenários e criminosos internacionais, jamais abandonou a África.  François Hollande começou seu governo com a invasão do Mali, onde pretende manter, permanentemente, mil soldados, sob a desculpa de combater o terrorismo islâmico religioso. Até a queda do Muro de Berlim era o terrorismo ateu do comunismo.

A presidente Dilma Rousseff fez críticas à ação francesa para conter “grupos rebeldes” que dominam parte do norte do Mali. Em declaração à imprensa junto a autoridades da União Europeia, em Brasília, a presidente defendeu que as ações no país sejam realizadas por vias multilaterais e criticou o que chamou de “tentações coloniais”, referindo-se ao protagonismo da França – que colonizou o país africano até meados do século 20 – nas ações militares.

Fotos: veja a intervenção francesa no Mali

“No que se refere a essa questão do Mali, nós defendemos a submissão das ações militares às decisões do Conselho de Segurança da ONU com atenção à proteção dos civis. O combate ao terrorismo não pode violar os direitos humanos nem reavivar nenhuma das tentações, inclusive as antigas tentações coloniais”, afirmou Dilma.

Outro filme interessante: Zarafa. Ver link

No es nuestra deuda. Manifiesto final del encuentro mediterráneo de partidos políticos en Túnez

No es nuestra deuda

Reunidos/as en Túnez el 23 y 24 de marzo de 2013, ante la llamada del Frente Popular, nosotros y nosotras, representantes de partidos políticos de izquierdas de la región mediterránea hemos adoptado la resolución siguiente.

1 – Durante más de un cuarto de siglo, la globalización capitalista neoliberal ha ido extendiendo su dominio sobre el planeta entero. Los procesos que ha puesto en marcha aceleran la mercantilización del mundo al servicio de una minoría, que confiscan la ciudadanía y la soberanía de los pueblos y los Estados; agravan la inseguridad económica y las desigualdades sociales en el Norte y el Sur, y ahondan todavía más la brecha entre los países ricos y los países llamados pobres.

Los pueblos del Sur están sometidos en particular a un régimen devastador de políticas de ajuste estructural y de políticas de libre comercio que impiden su desarrollo solidario, destruyen su medio ambiente y los privan de su soberanía, debilitándolos así más y exacerbando su dependencia de los polos económicos dominantes del Norte.

El destino de la humanidad se decide ahora por un puñado de corporaciones transnacionales y por las instituciones financieras internacionales sobre las cuales los pueblos no tienen ningún control.

Desde el año 2008, en medio de una crisis del sistema capitalista mundial, las políticas de ajuste estructural se han extendido a los países de la ribera norte del Mediterráneo, llamados despectivamente como PIGS (cerdos en inglés).

En Túnez, esta política se ha impuesto desde 1986 por el Banco Mundial y el Fondo Monetario Internacional, antes de ser reforzada en 1995 por el Acuerdo de Asociación impuesto también por la Unión Europea y sus Estados miembros. La aplicación de tanto lo uno como lo otro era asegurado por la dictadura política.

En la actualidad, los diversos actores de la globalización capitalista neoliberal pretenden dar continuidad a estas políticas, tratando de sacar provecho de la crisis revolucionaria, profundizando en estas políticas y ampliando su alcance. Buscan con ello bloquear el camino para el desarrollo de las aspiraciones y del deseo de un cambio radical expresado de forma masiva por las clases populares, en particular la juventud, durante el levantamiento revolucionario de diciembre-enero de 2011.

2. La expulsión del dictador ha desarmado el orden capitalista neoliberal local pero sin derribarlo, que han permitido lograr algunos avances. El régimen social que es el producto histórico de la dominación imperialista y, más recientemente, de la reestructuración capitalista neoliberal a nivel mundial, sigue todavía en pie. Pero la crisis revolucionaria que abrió la insurgencia sigue activa. La victoria de la revolución democrática, social y nacional en Túnez, como en otros países de la región, sigue siendo posible.

3. La revolución tunecina marcó el comienzo de la revolución árabe. Hasta la fecha, cuatro dictadores, cuya media en el poder superaba los 30 años, han sido eliminados. Estos cambios políticos son, sin lugar a dudas, los más importantes que conoce la región árabe desde hace décadas. Túnez y toda la región árabe y magrebí viven un momento de punto de inflexión en su historia.

Es, en el sentido propio del término, un momento “histórico”. De hecho, por primera vez en su historia, los pueblos de la región árabe que no han dejado de luchar se alzan hoy contra sus opresores directos e irrumpen en la escena política para tomar su destino en sus manos.

4. La deuda – odiosa, ilegitima – que ha servido bajo la dictadura como una herramienta de sumisión política y como mecanismo para la transferencia de ingresos del trabajo al capital local y, sobretodo, al mundial, sirve actualmente a la contra-revolución para mantener la economía neocolonial y la dominación imperialista en Túnez. Además, en Egipto, en Marruecos, en Grecia, en Chipre en el Estado español y en muchos otros países de la cuenca Mediterránea, la deuda continúa sirviendo a los intereses de una minoría en contra de los intereses de la inmensa mayoría. Está en todas partes, el pretexto para la aplicación de las políticas de austeridad impuestas por las instituciones financieras internacionales y los estados capitalistas que violan los derechos humanos.

dívida auditoria crise FMI indignados

5. En todas partes, tanto en el Norte como en el Sur, son las mismas lógicas las que operan, las de la ganancia, de la dominación y de la destrucción del planeta, que siguen imponiéndose al conjunto de los pueblos y de la naturaleza. La revolución tunecina, la revolución árabe, las luchas heroicas de todos los pueblos del mundo contra el orden capitalista neoliberal, como la de los pueblos griegos, portugués, vasco, catalán, del estado español son actos políticos fundacionales de este nuevo orden mundial social, democrático, feminista solidario, pacífico, que garantice la soberanía popular y la auto-determinación de los pueblos y respetuoso con el medio ambiente por el que luchan nuestros partidos políticos respectivos.

6. Pero frente a esta voluntad popular de cambio radical, las clases dominantes, las transnacionales y las finanzas mundiales hacen frente común, contra-atacando e intentando implementar políticas todavía más antisociales y antidemocráticas para romper este impulso popular liberador y para seguir haciendo que los costes de la crisis del sistema capitalista mundial recaigan sobre las y los de siempre; el conjunto de las personas y el planeta.

7. Nosotras y nosotros, representantes de partidos políticos de izquierdas de la región del Mediterráneo estamos convencidos y convencidas que debemos también unir nuestros esfuerzos y nuestras acciones, tanto a nivel regional como internacional, para respaldar y apoyar las luchas de los pueblos y de las clases explotadas y oprimidas, de la región y del mundo entero, que anhelan la libertad, la dignidad y la justicia social. Apoyamos la lucha revolucionaria del pueblo sirio para conseguir la libertad, la democracia, la justicia social, la igualdad y la dignidad nacional. Condenamos toda intervención extranjera que vaya en contra de la consecución de estos objetivos.

Con el fin de actuar conjuntamente en esta dirección, los partidos políticos de izquierdas de la región mediterránea que participamos en el encuentro Mediterráneo de Túnez contra la deuda, las políticas de austeridad y la dominación imperialista, y que abogamos por un mediterráneo libre, democrático, social, solidario y respetuoso con el medio ambiente, nos comprometemos a:

Apoyar los procesos de lucha de los movimientos sociales, sindicatos y organizaciones sociales por una auditoria ciudadana.
Promover mociones para la anulación y el no pago de la deuda ilegítima
Incorporar la reivindicación del NO pago de la deuda ilegitima y la promoción de una auditoria ciudadana como parte de nuestros programas políticos, y apoyar la lucha por la soberanía de los pueblos y su libre determinación.
Ir avanzando en el desarrollo de una red de apoyo mutuo entre los pueblos para asistir a aquellos que decidan no pagar la deuda ilegítima
Establecer una red de comunicación permanente para el intercambio de información y experiencias.
Organizar una nueva reunión de coordinación en la orilla norte del mediterráneo.
Desarrollar una cooperación concreta con el objetivo de construir herramientas de lucha y movilización necesarias para la defensa de nuestros objetivos.
Los partidos políticos de izquierdas de la región mediterránea y otras partes del mundo saludamos al Foro Social Mundial que se celebrará en Túnez del 26 al 30 marzo, y deseamos que sea un éxito y pueda alcanzar los objetivos consagrados en la Carta de Porto Alegre.

Condenamos enérgicamente el asesinato de Chokri Belaid, Secretario General del Partido Patriota Democrático Unificado y líder del Frente Popular, que calificamos de crimen político. Exigimos que la verdad sea dicha sobre todas las personas implicadas en este crimen atroz.

Para concluir, los partidos políticos de izquierdas acuerdan organizar la próxima reunión en el Estado español.

Primeras organizaciones firmantes (por orden alfabético)

Argelia

Partido Socialista de los Trabajadores
Movimiento Baath argelino
Egipto

Unión Popular Socialista
Estado español

SORTU – Euskal Herria
IA – Izquierda Anticapitalista
CUP – Comités de Unidad Popular
IU – Izquierda Unida
Francia

Partido Comunista francés/Frente de Izquierdas
Gauche anticapitaliste – Izquierda Anticapitalista
NPA – Nuevo Partido Anticapitalista
Les Alternatifs
Grecia

Syriza
Italia

Sinistra Critica
Libano

Partido Communista Libanés
Forum Socialista
Marruecos

Via democrática
El Mounadhil
Portugal

Bloco da Esquerda
Siria

La corriente de la Izquierda Revolucionaria de Siria
Túnez

Frente Popular
Con el apoyo del grupo GUE/NGL en el Parlamento europeo (Grupo Confederal de la Izquierda Unitaria Europea / Izquierda Verde Nórdica)

Cartaz português

La France au Mali: repérer les médiamensonges

por Michel Collon

 aujourd_hui.o novo

En guerre contre le terrorisme, vraiment? Pourquoi les médias ne parlent-ils pas des ressources naturelles convoitées, des multinationales françaises qui se construisent des fortunes dans cette région, de la misère dont elles sont responsables? Pourquoi nous cache-t-on les véritables cibles: Mali, Niger, Algérie et l’Afrique en général? Et le Qatar, allié de Paris, qui arme les islamistes maliens, qu’est-ce que cela cache? Ou bien part-on en guerre pour des intérêts économiques et stratégiques soigneusement cachés?

A sangre y fuego en el corazón del desierto argelino

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Por Eduardo Febbro
Desde París

La guerra que Francia azuzó en Mali con la intervención directa de sus tropas repercutió en Argelia con, todavía, un incierto baño de sangre. El ejército argelino intervino ayer para liberar a los más de 600 empleados argelinos y los cerca de 50 extranjeros secuestrados por un comando de Al Qaida en el Magreb Islámico (AQMI) en una planta de gas situada en la localidad argelina de Amenas, al sureste del país y próxima a la frontera con Libia. Las informaciones que circulaban anoche sobre el saldo final de víctimas son muy confusas: la agencia oficial argelina APS aseguró que seis rehenes y ocho jihadistas habían muerto en el asalto. En cambio, la agencia mauritana ANI y el canal Al Jazeera evocan la muerte de 34 rehenes y 15 secuestradores. En París, otras fuentes adelantaban la cifra de 30 muertos, entre ellos siete de los 41 extranjeros secuestrados por el comando islamista que actuó en represalia contra la intervención del ejército francés en Mali decidida hace exactamente una semana por el presidente socialista François Hollande. Hasta ahora trascendió que entre las víctimas hay dos británicos, un francés y dos japoneses.

El Ejército argelino bombardeó la planta con helicópteros en momentos en que los jihadistas intentaban trasladar a los secuestrados. Argelia intervino de manera unilateral, sin avisar a los países concernidos por el secuestro. “Los argelinos son conscientes de que hubiéramos preferido ser avisados con antelación”, dijo un portavoz de la cancillería británica luego de que el primer ministro, David Cameron, se comunicara con las autoridades argelinas. Tanto Japón como Noruega protestaron por la forma en que se decidió la toma de la planta por parte de Argelia. En París, el presidente François Hollande reconoció que la crisis de los secuestros atraviesa “condiciones terribles, dramáticas”. Pese a este baño de sangre y a la libertad que Francia se tomó para entrar en Mali sin base legal internacional alguna, François Hollande recalcó que este episodio “justifica todavía más la decisión de acudir en ayuda de Mali”. Un testimonio de uno de los secuestrados obtenido por el vespertino Le Monde detalla las condiciones del secuestro: según la fuente, que mantiene el anonimato, “los terroristas estaban perfectamente preparados y conocían muy bien el lugar”. En otro testimonio telefónico difundido por el canal France 24, uno de los rehenes contó que los secuestradores obligaron a varios rehenes a ponerse cinturones cargados de explosivos.

El grupo que protagonizó el ataque a la planta de gas, autodenominado Los que Firman con su Sangre, secuestró el miércoles a 41 extranjeros y 150 argelinos y planteó dos condiciones para dejarlos en libertad: que Argelia liberara a 100 islamistas presos y que Francia ponga término a la operación militar asumida por París para cortar el avance de los islamistas hacia el sur con el tímido y poco visible apoyo de varios países africanos. En un comunicado emitido el miércoles por la noche, el grupo exigió “el fin inmediato de la agresión contra nuestros hermanos en Mali”.

(…) Francia está pagando sola el tributo de una intervención militar delicada, hecha en nombre de la sempiterna y dudosa “lucha contra el terrorismo” (François Hollande) junto a un ejército, el de Mali, acusado de las más espantosas violaciones a los derechos humanos. Amnistía Internacional recopiló un copioso catálogo de crímenes imputables a todos los actores de esta guerra, ejército e islamistas. La Corte Penal Internacional, presidida por el argentino Luis Moreno Ocampo, anunció hace dos días el inicio de una investigación sobre los crímenes cometidos en Mali por cada una de las partes en conflicto, institucionales o no.

Estos lodos proceden de aquellos polvos coloniales

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Gara – Editorial

El secuestro y posterior asalto de una planta gasística en el este de Argelia, cuyos detalles y saldo de víctimas estuvieron envueltos en la confusión durante toda la jornada de ayer, no pueden desligarse de la guerra que el Ejército francés ha emprendido en Mali ni con la atmósfera general que se ha asentado desde hace tiempo en toda la región. Y entre todos los análisis posibles sobre el terreno, sobresale la constatación de que la llamada comunidad internacional no ha hecho más que acumular errores en la zona hasta dar cuerpo a un auténtico avispero del que puede salir trasquilada.

Puede argumentar el Ejecutivo galo, y quienes apoyan su intervención militar, que no podía permitir que los islamistas se hicieran con el control de Mali haciendo de Bamako la capital de un (nuevo) estado islámico, pero no ocultará con tal aseveración la mentalidad colonial que sigue guiando su política y la responsabilidad que tanto París como el resto de potencias occidentales tienen sobre el devenir de la zona. El hecho de que buena parte del noroeste de África se haya convertido en un erial en el que grupos afines al islamismo rigorista campan a sus anchas ante la impotencia de los gobiernos locales tiene mucho que ver con el control que las metrópolis mantienen aun sobre estos. Occidente tiene intereses económicos superlativos en esa parte del planeta -que el último enfrentamiento violento haya tenido lugar en una instalación gasística es el mejor ejemplo- y nunca ha permitido que sus pueblos se desarrollaran plenamente, con instituciones potentes y democráticas. Ha tratado de evitar cualquier tipo de oposición a sus planes y, como contrapartida, ve cómo ahora en esa amplia tierra de nadie proliferan grupos armados capaces de ponerle en aprietos y que se nutren de personas que en gran medida han sufrido su política.

Tampoco hay que rascar mucho para recordar episodios como la guerra civil argelina, de la que surgieron algunos de los grupos que operan en la zona; dónde y con qué objetivo nació lo que hoy se conoce como Al Qaeda, o el papel determinante de algunos regímenes que cuentan con el beneplácito occidental en el reforzamiento del islamismo más conservador y militante. Las potencias siempre han jugado sus bazas en la región convencidas de poder controlar sus consecuencias, pero ahora estas están llamando a su puerta.

El secuestro de Argelia acaba en matanza y polémica mundial

Washington, Londres y Tokio piden explicaciones al Gobierno argelino del ataque a la planta de gas que aparentemente acaba con la vida de decenas de rehénes y asaltantes. París, que aparece en la raíz del conflicto por su intervención militar en Mali, se refiere a «condiciones dramáticas»

Argelia optó ayer por el asalto militar a la planta de gas de In Amenas donde un grupo jihadista mantenía secuestrados a cientos de rehenes en represalia por la intervención francesa en el vecino Mali.

La operación, iniciada al parecer con un bombardeo al que siguió el intento de asalto a la instalación, consiguió liberar a 600 secuestrados argelinos, según la agencia de noticias argelina APS, pero provocó a la vez una matanza en la que, según algunas fuentes, murieron alrededor de medio centenar de personas.

 

Argélia é arrastada à força ao conflito do Mali

lacroix.mali conflito se alarga

Argel – A crise dos reféns no campo de exploração de gás de In Amenas arrastou a Argélia para o centro do conflito do Mali, apesar da sua oposição à intervenção militar, com o sequestro de dezenas de estrangeiros na esteira de sua decisão de fornecer apoio logístico para a França, noticia a AFP.

As autoridades argelinas insistiram por um longo tempo numa solução política para a crise no Mali, mas finalmente autorizaram o sobrevoo de aviões de combate franceses para apoiar uma ofensiva terrestre destinada a expulsar extremistas islamitas do norte do país.

O ataque mortífero na madrugada de quarta-feira, no qual extremistas ligados à Al-Qaeda afirmaram ter sequestrado 41 estrangeiros, a maioria deles proveniente de países ocidentais, ocorreu num importante campo de exploração de gás no sudeste da Argélia operado pela gigante britânica BP, pela norueguesa Statil e pela argelina Sonatrach.

hoje (quinta-feira), meios de comunicação estatais informaram que 15 reféns estrangeiros e 30 argelinos que eram mantidos reféns conseguiram escapar dos seus sequestradores.

Posteriormente, numa ofensiva do Exército argelino, muitos outros reféns foram mortos, assim como vários dos sequestradores, num balanço que não parava de subir.

“Este sequestro não é um aviso apenas para os países ocidentais, mas também para a Argélia, que abriu o seu espaço aéreo para os aviões militares franceses”, afirmou Chafik Mesbah, ex-oficial do exército argelino, em entrevista ao jornal local Echorouk.

“É um duro golpe para a Argélia… O objetivo pode ser envolvê-la na guerra que a França está a travar no Mali”, afirmou o jornal Liberty, escrito em francês.

“Isso pode estar sinalizando o início das represálias contra a Argélia, após a autorização de sobrevoo do seu território por caças Rafale franceses e a implementação da operação militar no norte do Mali”, acrescentou.

Os extremistas afirmam que o ataque é uma retaliação pelo apoio da Argélia aos ataques aéreos franceses e por sua linha dura contra os jihadistas, exigindo a libertação de islamitas radicais detidos no vizinho Mali.

“Esta operação é uma mensagem política forte para a Argélia em relação as suas posições intransigentes para com os jihadistas, e uma mensagem para outros países vizinhos”, disse um dos sequestradores, identificado como Abu al-Baraa, à rede de
televisão por satélite Al-Jazeera.

“Nossos detidos em troca dos deles”, afirmou, acrescentando que o seu grupo “contactou nossa liderança no Mali”.

O ministro argelino do Interior, Dahou Ould Kablia, insistiu quarta-feira que Argel não iria negociar com os “terroristas”, depois de anunciar o ataque inicial contra um autocarro que transportava engenheiros para o aeroporto, no qual duas pessoas, incluindo um britânico, foram mortas.

Seis pessoas também ficaram feridas no ataque, incluindo outros dois britânicos, um norueguês, assim como um agente de segurança da Argélia e dois policiais.

Um grupo que se autodenomina “Signatários por Sangue” reivindicou a autoria do sequestro em um comunicado publicado no site mauritano Alakhbar.

O grupo é liderado pelo combatente islâmico veterano Mokhtar Belmokhtar, um ex-líder da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) que foi expulso do grupo no ano passado e que já foi acusado de sequestros e assassinatos anteriores tanto de argelinos quanto de estrangeiros.

“A Argélia foi escolhida para esta operação para ensinar (ao presidente Abdelaziz) Bouteflika que nunca vamos aceitar a humilhação da honra do povo argelino… ao abrir o espaço aéreo da Argélia para aviões franceses”, disse o grupo. Angola Press

Argelia asalta la planta de gas atacada por un grupo de islamistas

aujourd_hui.Mali terrorismo

 

El Ejército de Argelia ha decidido asaltar la planta de gas que ayer fue tomada por un grupo de islamistas para poner fin al secuestro de los trabajadores, decenas de ellos occidentales. Las consecuencias de la operación militar están todavía por ver ya que el número de víctimas que ha dejado el ataque es aún muy confuso.

En un primer momento, la agencia mauritana ANI, que citaba a uno de los captores, hablaba de 34 rehenes y 15 secuestradores muertos. La televisión qatarí Al Yazira también reportaba una cifra similar de fallecidos. El portavoz del grupo islamista radical aseguraba además que quedaban siete rehenes vivos (dos estadounidenses, tres belgas, un japonés y un británico) y había amenazado con ejecutarlos si el Ejército argelino seguía aproximándose a las instalaciones.

Sin embargo, la agencia Reuters ha disminuido la cifra y dice que habría seis rehenes extranjeros y ocho secuestradores muertos. Asimismo, la agencia asegura que 25 de los secuestrados habrían podido escapar junto a 180 trabajadores argelinos. Algo que contrasta con la información ofrecida por la agencia argelina de noticias APS que dice, citando a fuentes locales, que el Ejército habría conseguido liberar a 600 rehenes argelinos y cuatro extranjeros (dos escoceses, un keniano y un francés).

De momento, las autoridades del país no han confirmado ninguna cifra de víctimas. Continúa siendo una incógnita la cifra sobre el número de rehenes, tanto argelinos como de otras nacionalidades, que permanecen retenidos en este gran complejo gasístico en el que trabajan cientos de operarios.

Los secuestradores siguen las órdenes de Mojtar Belmojtar, otrora uno de los principales dirigentes de Al Qaeda en el Magreb Islámico (AQMI), pero que abandonó el grupo hace unos meses para liderar otra formación yihadista cercana a Al Qaeda. Al-Mouthalimin, tal y como se han autodenominado, ha reivindicado la autoría del secuestro y ha subrayado que los secuestradores son varias decenas y que tienen en su poder armas ligeras y pesadas, incluyendo morteros y cohetes antiaéreos, según han informado a ANI fuentes del grupo.

Signo de los tiempos ahora son los españoles que se convierten en inmigrantes ilegales en Argelia

Pergunta: o leitor espanhol algum dia ouviu a palavra harraga? Resposta: Não, nunca. A variante do árabe marroquino chama de harragas os africanos que queimam os próprios documentos de identidade, antes de emigrar para a Europa em balsas, para dificultar a repatriação. Mas não têm nome na Espanha pós-colonial, pois os jornais e televisões, lá, chamam-nos simplesmente de “imigrantes ilegais” ou “sem papéis”.

Até há poucos dias, a viagem desses sem papéis e sem nome era sempre para o norte. Pois eis que a crise econômica que assola a Europa acaba de nos oferecer uma notícia que é como uma revanche histórica: dia 17 de abril, o jornal argelino Liberté publicou notícia sobre quatro imigrantes ilegais espanhóis, interceptados pela polícia costeira da Argélia.

Dessa vez, haviam partido do norte, rumo ao sul. O curioso é que já se passou mais de um mês do acontecido, sem que nenhum jornal ou rede de televisão na Espanha ou no resto da Europa tenha noticiado. Vergonha? Sabe-se lá. Façamos votos de que os quatro rapazes tenham melhor sorte na próxima tentativa, talvez rumo à Argentina, Venezuela ou Cuba.

Aqui, a notícia publicada no Liberté, de Alger (traduzida):

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HARRAGAS ESPANHÓIS

K. Reguieg-Issaad (Jornal Liberté, da Argélia)

A informação é uma bomba e não passou inadvertida, pois são… harragas espanhóis recentemente detidos pela polícia argelina, na costa ocidental do país.

A crise econômica mundial, que afeta a Espanha e alguns países europeus sugeriu uma via a quatro jovens espanhóis, que decidiram procurar trabalho em terras africanas. O que poderia ser mais natural, uma vez que a Argélia negou-lhes os vistos, que tentassem cruzar o mar em sentido oposto?

Os harragas espanhóis foram interceptados num barco, quando desembarcavam na costa da Argélia. Viajaram atraídos pelas oportunidades de trabalho nas muitas empresas espanholas que operam em Orán. Segundo nossas fontes, os jovens espanhóis, demitidos dos respectivos empregos em empresas que fecharam na Espanha, solicitaram visto de entrada na Argélia, sem sucesso. Os jovens espanhóis, agora, serão repatriados.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro)