Fim de uma era, uma nova civilização ou o fim do mundo?

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por Leonardo Boff

Há vozes de personalidades de grande respeito que advertem que estamos já dentro de uma Terceira Guerra Mundial. A mais autorizada é a do Papa Francisco. No dia 13 de setembro deste ano, ao visitar um cemitério de soldados italianos mortos em Radipuglia perto da Eslovênia disse:”a Terceira Guerra Mundial pode ter começado, lutada aos poucos com crimes, massacres e destruições”. O ex-chanceler alemão Helmut Schmidt em 19/12/2014 com 93 anos adverte acerca de uma possível Terceira Guerra Mundial, por causa da Ucrânia. Culpa a arrogância e os militares burocratas da União Européia, submetidos às políticas belicosas dos USA. George W. Bush chamou a guerra ao terror, depois dos atentados contra as Torres Gêmea, de “World War III”. Eliot Cohen, conhecido diretor de Estudos Estragégicos da Johns Hopkins University, confirma Bush bem como Michael Leeden, historiador, filósofo neoconservador e antigo consultor do Conselho de Segurança dos USA que prefere falar na Quarta Guerra Mundial, entendendo a Guerra-Fria com suas guerras regionais como já a Terceira Guerra Mundial. Recentemente (22/12/2014) conhecido sociólogo e analista da situação do mundo Boaventura de Souza Santos escreveu um documentado artigo sobre a Terceira Guerra Mundial (Boletim Carta Maior de 22/12/2014). E outras vozes autorizadas se fazem ouvir aqui e acolá.

A mim me convence mais a análise, diria profética, pois está se realizando como previu, de Jacques Attali em seu conhecido livro Uma breve história do futuro (Novo Século, SP 2008). Foi assessor de François Mitterand e atualmente preside a Comissão dos “freios ao crescimento”. Trabalha com uma equipe multidisciplinar de grande qualidade. Ele prevê três cenários: (1) o superimpério composto pelos USA e seus aliados. Sua força reside em poder destruir toda a humanidade. Mas está em decadência devido à crise sistêmica da ordem capitalista. Rege-se pela ideologia do Pentágo do”full spectrum dominance”(dominação do espectro total) em todo os campos, militar, ideológico, político, econômico e cultural. Mas foi ultrapassado economicamente pela China e tem dificuldades de submeter todos à lógica imperial. (2) O superconflito: com a decadência lenta do império, dá-se uma balcanização do mundo, como se constata atualmente com conflitos regionais no norte da Africa, no Oriente Médio, na Africa e na Ucrânia. Esses conflitos podem conhecer um crescendo com a utilização de armas de destruição em massa (vide Síria, Iraque), depois de pequenas armas nucleares (existem hoje milhares no formato de uma mala de executivo) que destroem pouco mas deixam regiões inteiras por muitos anos inabitáveis devido à alta radioatividade. Pode-se chegar a um ponto com a utilização generalizada de armas nucleares, químicas e biológica em que a humanidade se dá conta de que pode se auto-destruir. E então surge (3) o cenário final: a superdemocracia. Para não se destruir a si mesma e grande parte da biosfera, a humanidade elabora um contrato social mundial, com instâncias plurais de governabilidade planetária. Com os bens e serviços naturais escassos devemos garantir a sobrevivência da espécie humana e de toda a comunidade de vida que também é criada e mantida pela Terra-Gaia.

Se essa fase não surgir, poderá ocorrer o fim da espécie humana e grande parte da biosfera. Por culpa de nosso paradigma civilizatório racionalista. Expressou-o bem o economista e humanista Luiz Gonzaga Belluzzo, recentemente: “O sonho ocidental de construir o hábitat humano somente à base da razão, repudiando a tradição e rejeitando toda a transcendência, chegou a um impasse. A razão ocidental não consegue realizar concomitantemente os valores dos direitos humanos universais, as ambições do progresso da técnica e as promessas do bem-estar para todos e para cada um”(Carta Capital 21/12/2014). Em sua irracionalidade, este tipo de razão, construi os meios de dar-se um fim a si mesma.

O processo de evolução deverá possivelmente esperar alguns milhares ou milhões de anos até que surja um ser suficientemente complexo, capaz de suportar o espírito que, primeiro, está no universo e somente depois em nós.

Mas pode também irromper uma nova era que conjuga a razão sensível (do amor e do cuidado) com a razão instrumental-analítica (a tecnociência). Emergirá, enfim, o que Teilhard de Chardin chamava ainda em 1933 na China a noosfera: as mentes e os corações unidos na solidariedade, no amor e no cuidado com a Casa Comum, a Terra. Escreveu Attali:”quero acreditar, enfim, que o horror do futuro predito acima, contribuirá para torná-lo impossível; então se desenhará a promessa de uma Terra hospitaleira para todos os viajantes da vida (op.cit. p. 219).

E no final nos deixa a nós brasileiros esse desafio:”Se há um país que se assemelha ao que poderia tornar-se o mundo, no bem e no mal, esse país é o Brasil”(p. 231).

Pavel Constantin
Pavel Constantin

São Paulo sem água, tucano parou com as piadas sobre o voto dos nordestinos paus de arara

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Os tucanos governam São Paulo desde 1995, e trasformaram o Estado de São Paulo em um seco Sertão.

Geraldo Alckmin, reeleito com 57.31% dos votos, conseguiu secar as represas, sendo sua última façanha, conforme modelo de privataria tucana, vender as ações da Sabesp na bolsa de Nova Iorque.

 

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Falta de água em São Paulo já afeta mais de 15,6 milhões de pessoas

 

Vida de paulistano
Vida de paulistano

 

por María Martín/ El País/ São Paulo

O Estado de São Paulo vive hoje sob uma ameaça com toques apocalípticos: a água está terminando. Não se trata de uma previsão a longo prazo ou uma campanha de conscientização, é que não existe nenhuma garantia de que no próximo mês será possível abastecer a cidade, tampouco cerca de 70 municípios do Estado. Enquanto que na região metropolitana fala-se de cortes encobertos, no interior, a água já deixou de correr em muitas localidades. A empresa estatal de saneamento Sabesp, que abastece 60% dos municípios paulistas, continua negando o racionamento. Já para as prefeituras e gestoras dos recursos hídricos dos municípios menores é mais difícil ocultar a falta de previsão e de investimento. Os cortes afetam 38% da população, mais de 15,5 milhões de pessoas, segundo uma pesquisa do Instituto Ibope de setembro.

Nesta maior crise hídrica do último século, EL PAÍS percorreu quatro municípios onde a falta de chuva e a gestão dos recursos determina o cada vez mais angustiado dia a dia dos moradores. Veja vídeo 

 

 

 

 

À sombra de Caim

O papa Francisco no cemitério de Fogliano Redipuglia. DANIEL DAL ZENNARO (EFE)
O papa Francisco no cemitério de Fogliano Redipuglia. DANIEL DAL ZENNARO (EFE)

 

Papa Francisco visitou neste sábado de manhã o maior cemitério militar da Itália, para “rezar pelas vítimas de todas as guerras”. A iniciativa, anunciada em junho passado pelo próprio Papa, visava assinalar o centenário do início da I Guerra Mundial (1914-1918), que causou a morte a nove milhões de pessoas, entre soldados e civis.

Foi “como peregrino” que o Papa se deslocou ao chamado Santuário militar de Redipuglia, em Gorizia, região próxima da fronteira de Itália com a Eslovénia, visitando um cemitério inaugurado em 1938 para dar sepultura a 100 mil italianos que tombaram no decurso da I Grande Guerra.

Logo após a sua chegada ao aeroporto local, o Papa deslocou-se ao cemitério austro-húngaro de Fogliano di Redipuglia, detendo-se em oração e depositando um ramo de flores diante do monumento central.

A Missa, no Santuário militar de Redipuglia, decorreu num ambiente de grande recolhimento, com a participação de uns dez mil fiéis, não obstante o frio e a chuva. Presentes também peregrinos provenientes de países limítrofes, nomeadaemnte da Eslovénia, Áustria e Hungria.

Na homilia, num tom meditativo, direto, evocando a beleza daquela região, com a vida quotidiana das pessoas, na tranquilidade da paz, o Papa Francisco declarou sem meios termos: a guerra é uma loucura:

a guerra destrói; destrói até mesmo o que Deus criou de mais belo: o ser humano. A guerra tudo transtorna, incluindo a ligação entre irmãos. A guerra é louca: como plano de desenvolvimento, propõe a destruição!

Apontando como motivos que impelem à opção bélica a ganância, a intolerância, a ambição do poder, o Papa observou que tais motivos são muitas vezes justificados por uma ideologia; mas, antes desta, existe a paixão, o impulso desordenado.

A ideologia é uma justificação e, mesmo quando não há uma ideologia, há a resposta de Caim: «A mim, que me importa? Sou, porventura, guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). A guerra não respeita ninguém: nem idosos, nem crianças, nem mães, nem pais… «A mim, que me importa?»

Todas as pessoas, cujos restos repousam nestes cemitérios – observou o Papa – tinham projectos, sonhos, mas as suas vidas foram ceifadas. Porquê?!

Porque a humanidade disse: «A mim, que me importa?» E mesmo hoje, depois do segundo falimento de outra guerra mundial, talvez se possa falar de uma terceira guerra combatida «por pedaços» com crimes, massacres, destruições… Para serem honestos, os jornais deveriam ter como título da primeira página: «A mim, que me importa?» Caim diria: «Sou, porventura, guarda do meu irmão?»

Aludindo ao Evangelho do juízo final (Mt 25), Papa Francisco sublinhou que esta atitude é, exactamente, o contrário daquilo que Jesus nos pede… Ele está no mais pequeno dos irmãos; Ele, o Rei, o Juiz do mundo, é o faminto, o sedento, o estrangeiro, o doente, o encarcerado… Quem cuida do irmão, entra na alegria do Senhor; quem, pelo contrário, não o faz, quem diz, com as suas omissões, «a mim, que me importa?», fica fora.

Aqui e no outro cemitério há aqui muitas vítimas. Hoje recordamo-las: há o pranto, o luto, o sofrimento… Daqui recordamos todas as vítimas de todas as guerras.

Também hoje as vítimas são tantas… – prosseguindo o Papa, interrogando-se como é possível isto.

É possível, porque ainda hoje, nos bastidores, existem interesses, planos geopolíticos, avidez de dinheiro e poder; e há a indústria das armas, que parece ser tão importante! E estes planificadores do terror, estes organizadores do conflito, bem como os fabricantes das armas escreveram no coração: «A mim, que me importa?»

É próprio das pessoas sensatas reconhecer os erros, sentir tristeza por os ter cometido, arrepender-se, pedir perdão e chorar.

Com o «a mim, que me importa?» que têm no coração, os negociantes da guerra talvez ganhem muito, mas o seu coração corrupto perdeu a capacidade de chorar. Caim não chorou, não conseguiu chorar.

Hoje a sombra de Caim estende-se sobre nós aqui, neste cemitério. Vê-se aqui! Vê-se na história que vem de 1914 até aos dias de hoje; e vê-se também em nossos dias.

Com coração de filho, de irmão, de pai, peço a vós todos e para todos nós a conversão do coração: passar de «a mim, que me importa?»… ao pranto. Por todos os mortos daquele «inútil massacre», por todas as vítimas da loucura da guerra de todos os tempos, chorar. Irmãos, a humanidade precisa de chorar; e esta é a hora do pranto.

No final, uma militar italiana, recitou, no meio da comoção geral, uma oração pelas vítimas de todas as guerras, concluindo com o toque de clarim convidando ao silêncio de evocação de todos os mortos…

O Santo Padre entregou aos bispos e responsáveis pela pastoral militar uma lâmpada que vai ser acesa nas respetivas dioceses, no decorrer das cerimónias comemorativas da I Guerra Mundial.

Fogliano Redipuglia é uma localidade do nordeste da Itália, próxima da fronteira com a Eslovênia, palco de uma das frentes de batalha mais encarniçadas da Primeira Guerra Mundial. Nesse município há dois cemitérios nos quais jazem combatentes do império austro-húngaro e da Itália.

A intenção do Papa foi invocar a paz e orar pelos mortos em todos os conflitos bélicos, razão pela qual, de maneira simbólica, compareceu, em uma visita pastoral de apenas cinco horas, aos dois campos-santos para honrar os caídos de todos os lados.

No cemitério de Redipuglia celebrou uma missa em uma colossal escadaria de pedra coroada por três cruzes, cuja construção foi ordenada por Benito Mussolini em 1938 e que hoje em dia é o maior monumento aos mortos de guerra de todo o país.

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A quem engana o São João do Carneirinho?

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Por que São João do Carneirinho? Pouco se sabe de João Batista criança, mas deve ter sido predestinado a ser um sacerdote. Que naqueles tempos os filhos seguiam a profissão do pai. E João, quando nasceu, foi entregue para ser criado no Templo, assim como aconteceu com Maria, mãe de Jesus.

O São João do Carneirinho, menino pastor de ovelhas, nunca existiu.

Por que a negação do verdadeiro João, o profeta?

Das três religiões do deserto (judaísmo, islamismo), o cristianismo a única que não cultua os profetas, pela dureza das palavras, a exemplo de Jesus que jamais usou a palavra pecado, e sim crime.

Proclamamos: “Todos os homens são pecadores”.

Nunca ouvi ninguém confessar: ‘Sou um criminoso”.

Jesus era profeta, e profeta outro João, o Evangelista, pouco citado pela Igreja Católica, que prefere mais os exemplos dos santos católicos mudos, e nomeados pelos papas.

 

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Na minha poesia procuro descobrir quem foi o primo de Jesus:

(…) o açoite da nudez
de João Batista
a nudez contida
em uma vestimenta
de pêlos de camelo
o cinto de couro
em volta dos rins
garroteando os impulsos
convulsivos repulsivos

(…) o dom da palavra
a língua de fogo
coriscando o ar
como um raio
a palavra que incendeia
e queima a palavra
que amaldiçoa
e fere
mais afiada
que o gume
de uma cica

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Sobre o Apóstolo cito estes versos do livro inédito O Judeu Errante:

Por que João-espera-por-Deus
o nome do discípulo amado
a quem Jesus confiou Maria
e encarregou de anunciar sua vinda
no fim dos tempos

O apóstolo João de quem foi tomado
o patronato de igrejas
de aldeias e cidades

João o exilado em Patmos
escreveu o evangelho da Profecia
o evangelho das visões
fonte dos símbolos
do cristianismo secreto

Noutro poema:

O EVANGELISTA

Por onde anda
João Evangelista
a quem foi destinado
esperar o Cristo

Por onde anda
ninguém registra

 

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Nas festas dos santos juninos – Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo – a rememoração dos antigos cultos pagãos, agrícolas, do solstício de verão (no hemisfério norte) e de inverno (no hemisfério sul). Não esquecer que o termo paganismo, do latim paganus, significa “camponês”, “rústico”.

Os primeiros cristãos, não judeus, eram moradores de cidades, localizadas no chamado Mar Romano, o Mediterrâneo.

Papa cita hoje os 3 verbos do cristão: “Preparar, discernir e diminuir”, como São João

 

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“O cristão não anuncia si mesmo, mas o Senhor”. Foi o que disse o Papa na missa matutina na Casa Santa Marta, na solenidade da Natividade de São João Batista. O Papa também se centrou nas vocações do “maior dos profetas”: preparar, discernir, diminuir.

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Preparar a chegada do Senhor, discernir quem é o Senhor, diminuir para que o Senhor cresça. O Papa indicou nestes três verbos as vocações de João Batista, modelo sempre atual para os cristãos. Francisco lembrou que João preparava o caminho para Jesus “sem tomar nada para si. Era um homem importante: “o povo o procurava, o seguia, porque as palavras de João eram fortes”, iam ao coração. Ele até teve a tentação de acreditar ser importante, mas não cedeu. Quando os doutores da lei se aproximaram e perguntaram se ele era o Messias, João respondeu: “Sou voz, somente voz, mas vim preparar o caminho ao Senhor”. esta é a primeira vocação do Batista – evidenciou o Papa: “Preparar o povo, o coração do povo para o encontro com o Senhor. Mas quem é o Senhor?”.

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“E esta é a segunda vocação de João: discernir, em meio a tanta gente boa, quem era o Senhor. O Espírito lhe revelou e ele teve a coragem de apontar: é este. “Este é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”. Os discípulos olharam ao homem e o deixaram ir. No dia seguinte, aconteceu a mesma coisa. “É aquele! É mais digno que eu!”. Os discípulos foram atrás Dele. Na preparação, João dizia: “Atrás de mim, virá ele…” No discernimento, diz: “Na minha frente.. é ele!”.
A terceira vocação de João, prosseguiu, é diminuir. A partir daquele momento, “a sua vida começou a se reduzir, a diminuir para que o Senhor crescesse, até aniquilar a si mesmo: “Ele deve crescer, eu diminuir”. “Atrás de mim, na minha frente, longe de mim”:

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“E esta foi a etapa mais difícil de João, porque o Senhor tinha um estilo que ele não tinha imaginado, a ponto de que na prisão – porque estava preso naquele tempo – sofreu não somente a escuridão da cela, mas o breu no seu coração: ‘Mas, será isto? Não errei? Porque o Messias tem um estilo muito simples… Não se entende…’. E já que era homem de Deus, pede aos seus discípulos que perguntem a Ele: ‘Mas, és Tu realmente, ou devemos esperar outro Messias?’.

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“A humilhação de João – constatou – é dúplice: a humilhação da sua morte, como preço de um capricho”, mas também a humilhação “da escuridão da alma”. João que soube “esperar” Jesus, que soube “discernir”, “agora vê Jesus distante”. “Aquela promessa – reiterou o Papa – se afastou. E acaba só. Na escuridão, na humilhação”. Permanece só “porque se aniquilou tanto para que o Senhor crescesse”. João, disse ainda, vê o Senhor que está “distante” e ele “humilhado, mas com o coração em paz”:

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“Três vocações num homem: preparar, discernir, deixar crescer o Senhor e diminuir a si mesmo. É belo pensar a vocação do cristão assim. Um cristão não anuncia si mesmo, anuncia outro, prepara o caminho a outro: ao Senhor. Um cristão deve saber discernir, deve conhecer como discernir a verdade daquilo que parece verdade, mas não é: homem de discernimento. E um cristão deve ser um homem que saiba diminuir-se para que o Senhor cresça, no coração e na alma dos outros”.

 

«Como ir pelo nosso caminho cristão, quando há tentações? Quando nos perturba o diabo?”

Como se derrota a estratégia do diabo

«Por favor, não façamos negócios com o diabo» e levemos a sério os perigos que derivam da sua presença no mundo», recomendou o Papa na manhã de 11 de Outubro, na homilia da missa em Santa Marta. «A presença do diabo está na primeira página da Bíblia, que termina com a vitória de Deus sobre o demónio», que volta sempre com as tentações. Não podemos «ser ingénuos».

O Pontífice comentou o episódio em que Lucas (11,15-26) fala de Jesus que expulsa os demónios. O evangelista menciona também os comentários de quantos assistem perplexos e acusam Jesus de magia ou, no máximo, reconhecem que Ele é só um curandeiro de pessoas que sofrem de epilepsia. Também hoje, observou o Papa, “existem sacerdotes que quando lêem este e outros trechos do Evangelho, dizem: Jesus curou uma pessoa de uma doença psíquica». Sem dúvida, «é verdade que naquela época era possível confundir a epilepsia com a possessão do demónio, mas também a presença do demónio era verdadeira. E nós não temos o direito de simplificar a questão», como se se tratasse de doentes psíquicos, e não de endemoninhados.

Voltando ao Evangelho, o Papa disse que Jesus nos oferece critérios para compreender esta presença e reagir: «Como ir pelo nosso caminho cristão, quando há tentações? Quando nos perturba o diabo?”. O primeiro critério sugerido pelo trecho evangélico «é que se pode obter a vitória de Jesus sobre o mal, sobre o diabo, parcialmente». Para explicar, o Papa citou as palavras de Jesus referidas por Lucas: «Ou estás comigo, ou contra mim; quem não está comigo está contra mim, e quem não recolhe comigo dispersa». E referindo-se ao gesto de Jesus diante dos possuídos pelo demónio, disse que só se trata de uma pequena parte «daquilo que Ele veio fazer por toda a humanidade»: destruir a obra do diabo para nos libertar da sua escravidão.

Não se pode continuar a crer que é um exagero: «Ou estás com Jesus, ou contra Ele. E neste ponto não há alternativas. Existe uma luta na qual está em jogo a nossa salvação eterna». E não há alternativas, embora às vezes ouçamos «propostas pastorais» que parecem mais tolerantes. «Não! Ou estás com Jesus – repetiu o Papa – ou contra Ele. Este é um dos critérios».

O último critério é a vigilância: «Devemos vigiar sempre contra o engano e a sedução do maligno». E o Pontífice voltou a citar o Evangelho: «Quando um homem forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que ele possui. E nós podemos perguntar: eu vigio a mim mesmo? O meu coração? Os meus sentimentos? Conservo o tesouro da Graça, a presença do Espírito Santo em mim? Se não o guardarmos, «vem outro mais forte do que ele, vence-o e tira-lhe todas as armas em que confiava, repartindo os seus despojos».

Eis os critérios para enfrentar os desafios da presença do diabo no mundo: a certeza de que «Jesus luta contra o diabo», «quem não está com Jesus está contra Ele» e «a vigilância». É preciso ter presente que «o demónio é astuto: nunca é expulso para sempre, e só o será no último dia», pois quando «o espírito impuro – recordou – sai do homem, vagueia por lugares desertos à procura de alívio e, dado que não o encontra, diz: voltarei à minha casa, de onde saí. Quando volta, encontra-a limpa e adornada; vai então e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, entram e estabelecem-se ali. E a última condição desse homem vem a ser pior do que a primeira».

Eis por que motivo é preciso vigiar. «A sua estratégia – avisou o Papa – é esta: tornaste-se cristão, vai em frente na tua fé e eu deixo-te tranquilo. Mas depois, quando te habituas e já não vigias, sentindo-te seguro, eu volto. O Evangelho de hoje começa com o demónio expulso e termina com o diabo que volta. São Pedro dizia: é como um leão feroz que dá voltas ao nosso redor». E isto não é mentira, «é a Palavra do Senhor».

«Peçamos ao Senhor – foi a prece conclusiva do Papa – a graça de levar isto a sério. Ele veio para lutar pela nossa salvação e venceu o demónio».

A corrupção é mãe de todos os crimes hediondos

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Dilma propôs uma nova legislação que considere a corrupção como crime hediondo. Isso depende de um plebiscito. Que o povo diga sim.

SIM. A corrupção pariu as quatro bestas do Apocalipse: a fome, a morte, a peste, a guerra. Só um corrupto, obviamente, defende a impunidade, uma justiça que não prende bandido de colarinho (de) branco: os empresários de obras super, super faturadas, ou inacabadas, e os negociadores de serviços fantasmas.

O Brasil precisa acabar com as chacinas dos fins de semana. A morte dos jovens pobres, dos negros pobres, dos moradores de rua (Belo Horizonte, em dois anos, trucidou cem filhos da rua).

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Quem rouba as verbas do SUS mata os doentes nas filas e dentro dos hospitais. Rouba as verbas para erradicar as doenças terceiro-mundistas como a dengue.  Quem rouba a merenda escolar mata os pobres estudantes pobres das escolas públicas.

Os principais vândalos desviaram o dinheiro da construção de mais escolas, mais hospitais, mais moradias populares, para edificar, a toque de caixa, estádios luxuosos, elefantes brancos e palácios com rachaduras como aconteceu com a sede do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, com o estádio Engenhão, que pode ser derrubado com uma ventania.

Estes ladrões, sim, são os vândalos invisíveis, que destroçam os prédios públicos. O prefeito e o governador do Rio de Janeiro vão demolir um parque aquático, um estádio, um museu, uma escola, a décima melhor do Brasil, para doar os terrenos a um grupo de empresários liderados por Eike Batista.

A corrupção só acaba se for considerada um crime hediondo.

 

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Papa Francisco: devemos criar, com a nossa fé, uma ‘cultura do encontro’, uma cultura da amizade, uma cultura onde encontramos irmãos, onde podemos conversar mesmo com aqueles que pensam diversamente de nós

Quando se ouve alguns dizerem que a solidariedade não é um valor, mas uma “atitude primitiva” que deve desaparecer… é errado! Está-se a pensar na eficácia apenas mundana. Quanto as momentos de crise, como este que estamos vivendo… Antes tinhas dito que “estamos num mundo de mentiras”. Atenção! A crise actual não é apenas económica; não é uma crise cultural. É uma crise do homem: o que está em crise é o homem! E o que pode ser destruído é o homem! Mas o homem é a imagem de Deus! Por isso, é uma crise profunda! Neste tempo de crise, não podemos preocupar-nos só com nós mesmos, fecharmo-nos na solidão, no desânimo, numa sensação de impotência face aos problemas. Não se fechem, por favor! Isto é um perigo: fecharmo-nos na paróquia, com os amigos, no movimento, com aqueles que pensam as mesmas coisas que eu… Sabeis o que sucede? Quando a Igreja se fecha, adoece, fica doente. Imaginai um quarto fechado durante um ano; quando lá entras, cheira a mofo e há muitas coisas que não estão bem. A uma Igreja fechada sucede o mesmo: é uma Igreja doente. A Igreja deve sair de si mesma. Para onde? Para as periferias existenciais, sejam eles quais forem…, mas sair. Jesus diz-nos: “Ide pelo mundo inteiro! Ide! Pregai! Dai testemunho do Evangelho!” (cf. Mc 16, 15). Entretanto que acontece quando alguém sai de si mesmo? Pode suceder aquilo a que estão sujeitos quantos saem de casa e vão pela estrada: um acidente. Mas eu digo-vos: Prefiro mil vezes uma Igreja acidentada, caída num acidente, que uma Igreja doente por fechamento! Ide para fora, saí! Pensai também nisto que diz o Apocalipse (é uma coisa linda!): Jesus está à porta e chama, chama para entrar no nosso coração (cf. Ap 3, 20). Este é o sentido do Apocalipse. Mas fazei a vós mesmos esta pergunta: Quantas vezes Jesus está dentro e bate à porta para sair, ir para fora, mas não O deixamos sair, por causa das nossas seguranças, por estarmos muitas vezes fechados em estruturas caducas, que servem apenas para nos tornar escravos, e não filhos de Deus que são livres? Nesta “saída”, é importante ir ao encontro de…; esta palavra, para mim, é muito importante: o encontro com os outros. Por quê? Porque a fé é um encontro com Jesus, e nós devemos fazer o mesmo que Jesus: encontrar os outros. Vivemos numa cultura do desencontro, uma cultura da fragmentação, uma cultura na qual o que não me serve deito fora, a cultura das escórias. A propósito, convido-vos a pensar – e é parte da crise – nos idosos, que são a sabedoria de um povo, nas crianças… a cultura das escórias. Nós, pelo contrário, devemos ir ao encontro e devemos criar, com a nossa fé, uma “cultura do encontro”, uma cultura da amizade, uma cultura onde encontramos irmãos, onde podemos conversar mesmo com aqueles que pensam diversamente de nós, mesmo com quantos possuem outra crença, que não têm a mesma fé. Todos têm algo em comum conosco: são imagens de Deus, são filhos de Deus. Ir ao encontro de todos, sem negociar a nossa filiação eclesial. Leia mais