Por que a PF não busca quem matou Toninho?

por José Nêumanne

No sábado passado, enquanto o mundo inteiro se preparava para prantear as quase 3 mil vítimas do terrorismo fundamentalista em Nova York, outra efeméride fúnebre passou em brancas nuvens pelos céus deste nosso Brasil varonil. Os dez anos da execução do então prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, não foram lembrados com a indignação com que deveriam tê-lo sido, neste momento em que até a presidente Dilma Rousseff definiu como “positiva” (a seu assessor palaciano Gilberto Carvalho) a mobilização popular contra a corrupção, no Dia da Pátria. A omissão passou a ser mais uma evidência acumulada de que os antigos romanos tinham razões de sobra para constatar que sic transit gloria mundi (assim passa a glória mundana).

Afinal, a vítima não era um anônimo qualquer. O compositor e intérprete de sucessos musicais Chico César, seu amigo pessoal e testemunha de muitos dos comícios e outras manifestações de apreço dos campineiros, garante nunca ter visto amor tão genuíno como o que estes demonstravam explicitamente pelo líder, baleado na noite de 10 de setembro de 2001 quando manobrava à saída do estacionamento de um shopping center. A cidade que ele administrava não é propriamente um vilarejo insignificante, o que poderia justificar a lápide fria que foi posta não apenas sobre seu corpo, mas também sobre a obra de um dirigente político que denunciou, com coragem, o banditismo em suas mais diversas formas, entre as quais as da política e da governança pública. É possível até argumentar que seus assassinos se beneficiaram do fato de a execução ter ocorrido justamente na véspera dos atentados contra as torres do World Trade Center. Mas mesmo essa desculpa é pálida, para não dizer amarela, como definia minha avó Nanita, que pontificava do alto de sua vetusta sabedoria doméstica: “Desculpa de cego é feira ruim e saco furado”.

O certo é que só o acaso não justificaria ou, em última instância, perdoaria o silêncio de cemitérios que se impôs sobre o assassínio do líder que teria acrescido ao apelido familiar Toninho a expressão “do PT” para não ficar dúvida quanto ao partido a que pertencia o mártir na luta contra o crime. Nem para deixar que os dez anos de negaças e incúria das autoridades públicas os despejem no oblívio.

Toninho 13, assim conhecido por causa do número de suas postulações a cargos no Executivo municipal de sua cidade, não era decerto um militante apreciado e totalmente aprovado pelo comando do partido, como o era outra vítima de morte dada como acidental, nunca devidamente esclarecida, Celso Daniel. O campineiro chegou a ser demitido da Secretaria de Obras de Jacó Bittar, amigo do padim Lula e pai dos sócios do filho do profeta de Garanhuns, a exemplo do que também ocorreu com o ex-guerrilheiro Paulo de Tarso Venceslau, que não chegou a ser morto pelas denúncias que fez, mas sobreviveu a dois atentados na Rodovia do Trabalhador. E não escapou do expurgo partidário por insistir em não compactuar com a omissão cúmplice da direção partidária.

Quando Celso Daniel foi baleado, quatro meses depois de Toninho, tinha saído da prefeitura de Santo André para coordenar o programa presidencial na campanha, que terminaria vitoriosa, de Luiz Inácio Lula da Silva. Com sua morte, o posto foi ocupado por Antônio Palocci, abatido dos mais altos postos da Esplanada dos Ministérios não por balas de pistoleiros, mas por acusações de agressões à ética que iam desde a invasão do sigilo bancário de um pobre caseiro até a multiplicação do patrimônio pessoal sem renda que a justificasse. Só por aí já dá para imaginar o destino glorioso que poderia ter tido o moço do ABC, se não houvesse morrido.

De qualquer maneira, há semelhanças entre as vítimas. O amado e corajoso líder campineiro denunciara grupos poderosos de corruptos públicos e privados na comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigava o narcotráfico. E o preparado quadro de Santo André também protagonizava um escândalo em que o produto da propina, segundo dois irmãos dele, fora transportado em malas entregues ao mesmo Gilberto Carvalho que acabou de ouvir Dilma elogiar as manifestações contra o esbulho, tendo como destinatário o então presidente nacional petista, José Dirceu. Todos os personagens dos casos citados, é claro, negam envolvimento e este último tem negado muito mais, de vez que é acusado de chefiar um bando organizado que movimentava recursos públicos e privados na compra de apoio parlamentar.

A Polícia Civil, chefiada por adversários do PT no poder no Estado de São Paulo, logo incriminou o sequestrador Andinho, dado como o matador de Toninho. Da mesma forma, concluiu que um menor teria acertado a testa de Daniel a oito metros de distância no escuro da madrugada numa mata em Itapecerica da Serra. Em ambos os casos, o comando petista não discutiu a conclusão dos subordinados de tucanos e contestou familiares dos mortos, indignados com as óbvias falhas nas investigações.

Há pouco tempo, um júri popular começou a condenar alguns participantes da execução do prefeito sequestrado. A promessa feita por Lula, candidato no palanque, em Campinas, em 2002, de mandar a Polícia Federal (PF) investigar o assassinato do prefeito baleado na direção do carro nunca foi cumprida. Márcio Thomaz Bastos, indicado para assessorar juridicamente a família do morto, Tarso Genro, Luiz Paulo Barreto e José Eduardo Martins Cardoso, no comando da pasta à qual está subordinada a PF, não moveram uma palha para cumprir essa vã promessa de seu líder supremo.

O mínimo que se pode questionar neste décimo aniversário da execução de Toninho do PT é por que nunca ninguém das cúpulas petista e federal se interessou em saber se tem razão a polícia paulista, que acusa Andinho, ou o sequestrador, que sempre negou a autoria do crime.

Casa Civil, Palocci mais rico

Caiu Antonio Palocci.
Serve de catarse para o povo.
A ilusão de que no Brasil, finalmente, o crime não compensa.
Quando Palocci continuará impune e mais afortunado.

Ele revelou:
Todo ex-ministro fica rico.

Duplamente rico.
Porque duas vezes ex-ministro.
Rico por ter sido o ex da Fazenda de Lula da Silva.
Rico por ter sido ex caseiro de Dilma Rousseff.

Palocci vai continuar solto e rico

Enriquecimento ilícito e rápido náo é crime no Brasil.
Existem vários Antonios Palocci no executivo, no judiciário e no legislativo.
E fora.
Que no Brasil virou praxe. Cada presidente faz um ou dois ou mais bilionários. Os governadores e prefeitos, os milionários.

O que pode acontecer com Palocci é ele perder o cargo de caseiro de Dilma. Apenas isso. Nada mais do que isso.

A imprensa grita. Mas é contra qualquer lei que criminalize o enriquecimento ilícito.
A oposição grita. Mas é contra qualquer lei que criminalize o enriquecimento ilícito.
E o enriquecimento quanto mais rápido melhor. A grita faz parte do espetáculo.

ENRIQUECIMENTO ILÍCITO E RÁPIDO

Ricardo Boechat, no jornal da noite da Bandeirantes, lembra que, desde que começaram os comentários sobre o enriquecimento ilícito do ministro Antônio Palocci, pela primeira vez Dilma Rousseff apareceu para defendê-lo.

A presidente disse que Palocci está dando todas as explicações para os órgãos de controle.

É. Parece que deve muitas explicações.

Órgãos de controle no plural. São inúmeros. Isso atrapalha. O caminho certo começa pela quebra do sigilo bancário.

Boechat preferiu a expressão

enriquecimento rápido

Que lembra mão rápida.

Ou mão leve.

Que foi dinheiro ganho sem fazer força.

Palocci nunca pegou no pesado.

Trabalhar duro não dá dinheiro.

Nem enobrece.

Palocci sujeito de sorte

Palocci nasceu rico.
Foi prefeito, e perdeu dinheiro ajudando os munícipes. Notadamente oferecendo merenda escolar para as crianças pobres. Inventou, inclusive, o enlatado palmito com molho de tomate

Perdeu mais dinheiro como ministro do dinheiro do presidente Lula da Silva e na fundação da Republica do Ribeirão mais do que Preto em Brasilia. “Tanto que declarou bens de R$ 375 mil em 2006 e comprou apartamento de R$ 6,6 milhões no ano passado”.

Como chefe da casa de Dilma Rousseff pode sair da vida publica na miséria