Prisão motel

Tem preso que fica incomunicável. Caso de Ricardo Antunes. Pela máxima culpa de ser pobre.

Milhares e milhares de presos – sequestradores, assaltantes de banco, pistoleiros – vão ter indulto natalino. Ricardo Antunes vai passar o Natal e o Ano Novo em uma masmorra de segurança máxima. Simplesmente por que está “sem dinheiro e socialmente desamparado”. Que sofra! Quem mandou escrever os podres do Leão do Norte.

O Aníbal Bruno, o maior presídio do mundo, denunciado como campo de concentração nazista, matadouro e centro de tortura, desde que se pague, vira motel para encontros sexuais. Acontece o mesmo em outros Estados.

Para comemorar o aniversário, o goleiro Bruno Fernandes recebeu a visita da amante  Ingrid Oliveira na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds), Ingrid deixou a cadeia por volta das 14h deste domingo, após pernoitar no local.

O bicheiro Cachoeira também recebia a visita da amante (que a imprensa chama de noiva).

E para comemorar o encontro sexual, a imprensa fotografou

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Quero ver os jornalistas “safados” (assim classificados pelo presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa), empregados que recebem o salário de fome e medo, ousar o registro da via crúcis de Ricardo Antunes, preso político da Sorbonne.

Sobre Ricardo publicaram, nos dias 5 e 6 de outubro último, um release parcial e interesseiro da polícia do governador Eduardo Campos, sentenciando o coleguinha jornalista, e decretando a lei do silêncio.

Até no Chile, os sicários de Pinochet estão sendo punidos. No Brasil ainda impera a ditadura de 64 na justiça e na polícia

Em Pernambuco a polícia prende e sentencia. O Aníbal Bruno, o maior presídio do mundo, constitui um antro de tortura e assassinatos.

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No Aníbal Bruto tudo tem que ser grandioso…

No Rio de Janeiro, quartéis inteiros comandam o tráfico e chacinas. Em São Paulo, em São Paulo, os soldados atiram no povo. A justiça comanda onda de despejos, para beneficiar grileiros.

El juez dictó este martes el auto de procesamiento en contra de 13 ex integrantes de la DINA por las figuras penales de secuestro y homicidio calificado en contra de 20 personas.

El magistrado encausó a los ex miembros de la DINA señalando que corresponden a delitos de lesa humanidad cometidos “por una organización criminal que tenía como único objetivo reprimir a los opositores, que consideraba enemigos políticos, el mismísimo Presidente de la República, Augusto Pinochet Ugarte, utilizando como medios de destrucción armas de fuego, explosivos y otros idóneos”, dice la extensa resolución del magistrado.

En un listado que encabeza el ex director de la DINA, general en retiro Manuel Contreras, el juez Solís menciona una a una las víctimas de estos graves crímenes cometidos en el régimen militar.

Joaquim Barbosa chamou, bem chamado, os jornalistas de canalhas. Ricardo Antunes está nesse time?

No mesmo dia em que a imprensa internacional destacou a origem humilde de Joaquim Barbosa, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) se desentendeu com jornalistas brasileiros e, de acordo com texto de Ricardo Noblat, de O Globo, o vazamento de um comentário feito em off a alguns repórteres fez com que o ministro chamasse todos de “canalha”.

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Para Noblat, o ministro costuma ser antipático com jornalistas e quase sempre pede para que as informações sejam em “off”. Nessa quinta-feira, 22, ele usou o recurso para responder o questionamento do jornalista Luiz Fara Monteiro, da TV Record, negro como Joaquim, que perguntou ao presidente do STF se ele estava “mais tranquilo, mais sereno”.

Como resposta, Barbosa chamou o repórter da Record de “brother” e disse que, diferentemente, dos demais jornalistas, ele não deveria formular perguntas com bases em estereótipos. O ministro não disse se vai ficar “sereno” à frente da mais alta corte do País, mas ressaltou que é para a imprensa parar de relacionar seus feitos com a cor de sua pele.

“Nesses dez anos, o ministro Joaquim botou para quebrar aí, quebrou as cadeiras? Gente, vamos parar de estereótipo. Logo você, meu brother! Ou você se acha parecido com a nossa Ana Flor [repórter da agência Reuters que é loira]? A cor da minha pele é igual à sua”, disse o ministro.

Ainda se dirigindo a Monteiro, Barbosa reforçou que falar da sua cor de pele é algo negativo e desnecessário. “Não siga a linha de estereótipos porque isso é muito ruim. Eles [os demais jornalistas] foram educados e comandados para levar adiante esses estereótipos. Mas você, meu amigo?”.

Segundo Noblat, ao saber que o diálogo tinha sido publicado em veículos jornalísticos, inclusive com o áudio disponível, Barbosa desabafou durante uma conversa com amigos e chamou os jornalistas de “canalhas”. Oficialmente, o ministro não se pronunciou sobre a suposta crítica aos profissionais da imprensa. In Comunique-se.

Certamente, o ministro não generalizou. Tanto, que não me sinto atingido.

Jornalistas canalhas reproduziram, em 5 (dia do prende e arrebenta) e 6 de outubro último, o press release policial da prisão de Ricardo Antunes. Release não é notícia jornalística. E sim uma mera e interesseira fonte.

Depois imperou o silêncio da polícia, da imprensa, da justiça.

O jornalista Ricardo Antunes continua preso, incomunicável, em um presídio de segurança máxima, e seu blogue fechado. A última notícia que publicou foi uma hora antes do aprisionamento. Isso chamo de censura. Mordaça. Encabrestamento. Amarrado está Ricardo em uma cela sombria, no pior e maior presídio do mundo, o Aníbal Bruno. Corre o boato de tortura. Que a imprensa precisa investigar. Pode acontecer com qualquer outro jornalista.

Denuncia a polícia que Ricardo é extorsionário. Cobrou, para ser pago pelo bacharel Antônio Lavareda, em trinta (30) suaves prestações, um milhão de dólares para não publicar uma desconhecida reportagem investigativa. É uma história estranha. Misteriosa. Não dá para acreditar neste preço, e nem na armadilha de pagar uma extorsão em trinta (30) meses. Que revela essa reportagem? Os jornalistas perderam a curiosidade?

Nenhum bandido negociaria com esse prazo de quase três anos. Tanto, diz o release, que Ricardo foi preso ao receber a primeira prestação. Pelo noticiário, pego com uma gigantesca mala cheia de notas marcadas. Algemado ora na rua ora no escritório de Lavareda.

Qualquer bandido tem advogado, assessor de imprensa (canalha) e familiares que são entrevistados. Por que negam o direito de defesa para Ricardo?

A questão não é Ricardo ser ou não ser criminoso. O que incomoda, envergonha, macula, enxovalha, intimida e aterroriza é a crença cega em um release.

PSB rir. O salto das eleições municipais para a presidencial e a prisão de Ricardo Antunes

O PSB ainda festeja as conquistas de várias prefeituras. E Ricardo Antunes continua preso incomunicável em uma cadeia de segurança máxima. Seus escritos eram considerados perigosos para a vitória do PSB no Recife. Foi preso no dia 5 de outubro último.

Foi a última vez que se teve notícia de Ricardo. Isto é, ninguém mais viu Ricardo. Sumiu na escuridão da Sorbonne. No dia 2, Ricardo publicou: “Denuncia sobre compra de votos sofre censura branca nos jornais”. Também continua proibida qualquer notícia sobre a prisão de Ricardo.

Corre rumores que está sendo torturado. Veja que notinha mais curiosa tendo como fonte um release da polícia:

Defesa

“A defesa de Antunes afirmou que o jornalista acha muito estranho ser preso às vésperas da eleição, e ressalta o valor da liberdade de expressão. O jornalista deve escrever uma nota que será divulgada em breve“. Apenas o Ricardo acha estranho?…

Esse advogado tem nome?
Cadê a nota? Esse “em breve” da polícia do governador Eduardo Campos, candidato a presidente, é dia de São Nunca.

A prisão foi acertada em Palácio. O das Princesas, no Recife. Num jantar do governador com Antônio Lavareda, bacharel em Jornalismo, na semana das eleições. Isto é, dois ou três dias antes de Ricardo ser preso.

Polícia de Pernambuco fecha blogue político a sete chaves

Ricardo Antunes e a grana de Antônio Lavareda
Ricardo Antunes e a grana de Antônio Lavareda

A última notícia publicada no Leitura Crítica data de 5 de outubro último, às 15h47m, dia que o editor do blogue jornalista Ricardo Antunes foi preso. Confira

Não sei em que local Ricardo Antunes escreveu. Pegou um transporte, e partiu para um encontro marcado com o bacharel em Jornalismo Antônio Lavareda, para receber a primeira parcela das trinta prestações de uma “extorsão”.

Botou 50 mil reais em alguma capanga. Desceu o prédio e terminou pescado na rua pela polícia do governador. Ele e as notas marcadas. Cinquenta mil reais são quantos peixinhos azuis?

Quanto tempo levou Ricardo Antunes no trajeto redação-escritório de Antônio Lavareda-prisão na rua?

Quem mais veloz: Ricardo Antunes ou a polícia?

Recordando: Ele editou o blogue às 15h e 47m. Às 16h29m, Severino Bittencourt (confira) reproduzia o seguinte press release:

Instantaneamente esses foguetes, disparados pela polícia civil, foram publicados no Brasil inteiro. Blogues, portais, jornalismo on line, rádios, televisões. Tal rapidez talvez possa reacontecer com a morte de um figurão da República, de um artista global, de um jogador de futebol da seleção.

Não sabia que Ricardo Antunes era tão famoso! Disse a polícia que ele era dono de uma grande “rede de notícias”. Quando acredito que essa rede tem outro dono. Que Ricardo foi preso na antevéspera das eleições.

Um jornalista acusado de fazer “pedidos estranhos” sabe o valor monetário de suas notícias. Tanto que padece uma pobreza de Jó. Puro surrealismo cobrar um milhão de dólares. E muita burrice aceitar – coisa de chantagista mequetrefe, primário, insano –  o pagamento em 30 prestações.

Tão absurda essa história da prisão de Ricardo Antunes que merece um estudo psicossocial forence. Tão inacreditável que a Sorbonne não conseguiu fechar o inquérito. Por causa dessa demora – e falta de cobrança da imprensa vendida – Ricardo continua incomunicável em um cárcere de segurança máxima. Por ser um louco perigoso.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta terça-feira que prefere a morte a cumprir uma pena de longa duração no atual sistema penitenciário brasileiro, qualificado por ele como ‘medieval’.

O que dizer do Aníbal Bruno, o pior presídio do mundo?

"Qualquer pessoa que negocia contra o relógio leva desvantagem." (Giampaolo Baglioni)

“Qualquer pessoa que negocia contra o relógio leva desvantagem.”
(Giampaolo Baglioni)

Ilustrações: Telas de René Magritte

Ei, jornalista, onde esconderam Ricardo Antunes? No Aníbal Bruno, o maior e pior presídio do mundo?


O Silêncio (1842–1843), escultura pintada em gesso de Antoine-Augustin Préault.

Aníbal Bruno, em Recife, Pernambuco, o pior presídio. Organizações denunciaram homicídios, tortura, superlotação, insalubridade e falta de atendimento médico. OEA

Violações de direitos humanos nos presídios Aníbal Bruno e Urso Branco são discutidas na OEA

Em que presídio está preso o jornalista Ricardo Antunes? Ele tem direito à prisão especial. Direito de jornalista profissional e de que tem curso universitário. Espero que bem longe do Aníbal Bruno.

Argumenta Francisco de Assis Toledo que a prisão especial, prevista no art. 295 do Código de Processo Penal, é um direito, e não um privilégio, tendo em vista que a mesma somente se aplica àqueles presos submetidos, excepcionalmente, à prisão provisória, antes da condenação definitiva, e que gozam ainda da presunção de inocência. Critica a campanha de mídia brasileira, de certos políticos e burocratas que, sem verdadeiro conhecimento de causa, defendem que todos os presos sejam submetidos ao mesmo regime, sem distinção.

Por fim, salienta que a tradição do Direito brasileiro em evitar a promiscuidade dos presos, com classificação e separação dos presos por sexo, idade, periculosidade, condições etc., quando houver necessidade justificada e comprovada de segregação do indiciado, tem razão de ser nos direitos e garantias fundamentais da pessoa humana.

Escreve Kelly Oliveira:

Representantes da sociedade civil querem que o Brasil vá para o banco dos réus na Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) devido a problemas no maior presídio do país, o Aníbal Bruno, em Pernambuco.

Hoje (3), a violação de direitos humanos nos presídios Aníbal Bruno e Urso Branco, em Rondônia, foi tema de reuniões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington, nos Estados Unidos. As reuniões contaram com a presença de representantes dos governos dos dois estados, do governo federal e da sociedade civil.

O advogado da organização não governamental Justiça Global e representante da Clínica de Direitos Humanos da Universidade de Harvard Fernando Delgado explicou que o pedido de medida provisória para o caso do Presídio Aníbal Bruno é uma espécie de sanção mais grave. Isso porque o Brasil já havia se comprometido a cumprir medidas cautelares para resolver os problemas de violação de direitos humanos e para ampliar a segurança de funcionários do presídio e de visitantes. Para chegar até a corte, o pedido ainda precisa ser aprovado e encaminhado pela CIDH.

De acordo com Delgado, o Presídio Aníbal Bruno abriga quase três vezes mais detentos que sua capacidade. São cerca de 5 mil homens para 1.448 vagas. Os representantes da Justiça Global informaram na reunião que desde agosto de 2011 ocorreram pelo menos 14 homicídios no Presídio Aníbal Bruno. Delgado disse ainda que a última morte, no mês passado, foi de um preso provisório de 20 anos, acusado de furto. “Era um preso provisório há mais de um ano”, destacou. A organização não governamental também relatou que há casos de tortura e de morte por falta de atendimento médico.

“Nossa expectativa é que o Estado comece a levar mais a sério essa questão. Devido ao agravamento da violência no presídio e ao descuido, há todas as chances de ir para a corte”, disse Delgado.