Violações contra jornalistas nos protestos de rua passam de 82. A polícia prende e arrebenta

A Abraji contabilizou 21 casos de violação contra 20 profissionais da imprensa durante os protestos realizados no 7 de Setembro. A polícia foi a autora de 85% das agressões – dezoito casos – na maioria das vezes por uso ostensivo de spray de pimenta. Os números podem aumentar conforme mais casos forem confirmados. Os 21 casos registrados pela Abraji estão organizados em uma planilha disponível para download neste link: http://bit.ly/15R0fgi.

Brasília foi a cidade mais violenta para os profissionais da imprensa: 12 jornalistas foram agredidos, todos por policiais militares. O fotógrafo Ricardo Marques, do jornal Metro, desmaiou após ser atingido no rosto por spray de pimenta. Uma de suas câmeras foi furtada. A fotorrepórter Monique Renne, do Correio Braziliense, registrou o momento em que um policial jogou spray de pimenta diretamente em sua câmera; ao fotografar a cena, André Coelho, do mesmo jornal, foi agredido por PMs.

SJP-DF lança carta aberta em repúdio à truculência da Polícia Militar do DF. Policiais utilizaram gás de pimenta, gás lacrimogênio, balas de borracha e cães para coibir diretamente a atividade de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas durante a cobertura dos protestos de 7 de Setembro. Confira a carta http://tinyurl.com/nngm7sy Foto: Carlos Vieira, do Correio Braziliense, precisou de ajuda para se recuperar. André Coelho, de O Globo, foi atingido por bala de borracha. Breno Fortes/Iano Andrade/ CB/DAPress
SJP-DF lança carta aberta em repúdio à truculência da Polícia Militar do DF. Policiais utilizaram gás de pimenta, gás lacrimogênio, balas de borracha e cães para coibir diretamente a atividade de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas durante a cobertura dos protestos de 7 de Setembro. Confira a carta http://tinyurl.com/nngm7sy
Foto: Carlos Vieira, do Correio Braziliense, precisou de ajuda para se recuperar. André Coelho, de O Globo, foi atingido por bala de borracha. Breno Fortes/Iano Andrade/ CB/DAPress
André Coelho: "Resultado do disparo de bala de borracha por parte da PM-DF, durante a cobertura do Dia da Independência em Brasília. Ontem compareci à Corregedoria da Polícia Militar do DF e em seguida ao IML. Mais alguém compareceu?"
André Coelho: “Resultado do disparo de bala de borracha por parte da PM-DF, durante a cobertura do Dia da Independência em Brasília. Ontem compareci à Corregedoria da Polícia Militar do DF e em seguida ao IML. Mais alguém compareceu?”

No Rio de Janeiro, o repórter da Globo News Júlio Molica foi duplamente atingido: pelo spray de pimenta da PM e por chutes de manifestantes, que tentavam expulsá-lo do local.

Os manifestantes também se voltaram contra a imprensa em Manaus: a repórter Izinha Toscano, do Portal Amazônia, levou socos nas costas; Camila Henriques, do G1 Amazonas, foi empurrada. Elas tentavam registrar a prisão de alguns manifestantes.

Forças de segurança: tradição de violência


Os números mostram a recorrência das forças de segurança como autoras de violência contra jornalistas. No último sábado, as PMs igualaram o recorde de 13 de junho, quando agentes de segurança também agrediram 18 profissionais da mídia.

Desde o dia 13 de junho a Abraji já contabilizou 82 violações contra jornalistas durante a cobertura de manifestações. A planilha completa com os nomes de todos os profissionais agredidos, veículos para o qual cada um trabalhava, data e local da agressão está disponível para download neste link: http://bit.ly/13C5YKi.

A Abraji repudia as ações de policiais e de manifestantes contra profissionais da imprensa. Agressões são sempre injustificadas. Quando os agredidos são repórteres, todos os cidadãos terminam sendo vítimas da falta de informação.

Fotos e legendas transcritas da Página de André Coelho no Facebook