Os votos bizarros do impeachment de Dilma

As declarações de votos do ‘não’ ou do ‘sim’ ao impeachment, na Câmara dos Deputados, que não usaram os termos “pedalada fiscal”, “crime”, “culpada” ou “inocente”, precisam ser declaradas nulas.

Informou a golpista Globo: “Seja qual for a ordem de chamada dos deputados, já se sabe que a votação do impeachment, que está marcada para domingo (17) à tarde, deve ser longa, vai levar mais de quatro horas. Isso porque cada um dos 513 deputados vai ser chamado. Tem que se aproximar do microfone e falar o voto: ‘sim’ ou ‘não’ ao impeachment. Mas como esse é um momento considerado importante, a maioria dos deputados quer falar alguma coisa para justificar o voto. Mas essa justificativa vai ter que ser bem objetiva”.

O professor Fernando Mendes disse que a justificativa dos deputados, que em sua maioria mencionaram Deus ou a própria religião, além da família, em alguns casos, nominando parentes, como netos, é uma tentativa de “se abster de uma responsabilidade individual” e de eventual reação de eleitores contrários ao impeachment. “Eles [deputados] se escoram nessas instituições para não dar as verdadeiras razões de se votar contra a democracia”.

Ironiza um portal de humor Sensalionista sobre “os momentos mais bizarros e as justificativas mais loucas da votação do impeachment”. Vale a leitura aqui

O ruído das panelas e os palavrões na boca dos privilegiados são a língua culta da ignorância

A língua culta dos midiotas

 

 

 

por Luciano Martins Costa

 

Esse é um aspecto que não será lido na imprensa: o jornalismo brasileiro é feito para aqueles que nunca se conformaram com as políticas de redução das desigualdades sociais.

Ainda que tais políticas tenham beneficiado também as classes de renda mais altas, não apenas pela oportunidade de multiplicação das fortunas criada pela nova escala de negócios, aquela fração da sociedade brasileira mimada pelas políticas segregacionistas resiste a admitir a companhia dos emergentes na fila do aeroporto, no navio de cruzeiro ou nos empórios dos melhores bairros.

O jornalismo brasileiro é uma máquina de fabricar midiotas.

O Globo, por exemplo, afirma na primeira página que “enquanto a presidente pede paciência em pronunciamento, população reage”.

Para o jornal carioca, a população brasileira se resume aos moradores de bairros como o Leblon e a Barra da Tijuca.

A Folha compara a circunstância ao clima que antecedeu o impeachment de Fernando Collor de Mello, e um de seus diretores afirma que o Brasil vive uma “debacle econômica”.

O leitor que não reflete sobre aquilo que lê, compra pelo que lhe é oferecido tanto a ideia de que a “população brasileira” está contida nas regiões onde se concentra o bem-estar, quanto a tese de que a economia nacional foi para o abismo.

O ruído das panelas e os palavrões na boca dos privilegiados são a língua culta da ignorância, mas não se pode condenar liminarmente quem não teve a oportunidade de se educar para a cidadania.

A midiotice é moléstia que afeta principalmente a consciência social do paciente.

Mas a circunstância não facilita apreciações sobre essa questão, mesmo porque nossa produção intelectual em torno de política e sociologia empobreceu drasticamente desde que a universidade resolveu higienizar o marxismo dos fundamentos do conflito de classes.

Aqui tratamos das responsabilidades da imprensa, e o episódio serve bem para ilustrar o que tem sido objeto de nossas observações: a mídia tradicional tange seu gado – o rebanho dos midiotas – na direção da irracionalidade.

O ato de bater panelas vazias sempre foi uma expressão daqueles a quem faltava alimento.

Os abastados abestados se apropriam desse símbolo sem mesmo saber o que significa.

Em torno dos edifícios onde os direitos são medidos pelo valor do metro quadrado, a maioria silenciosa não bate panelas.

 

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[As repetitivas manchetes de hoje indicam a existência de um movimento. De um planejamento político. Preparativo de passeatas nas ruas, que desde o final das eleições do segundo turno não conseguem juntar gente, principalmente em Minas Gerais, terra do candidato derrotado Aécio Neves.

Até hoje falharam as marchas pelo terceiro turno, pelo impeachment, pelo golpe “suave”, pelo retorno da ditadura. Assim partiram para o panelaço em suntuosos edifícios. Cinco ou seis protestantes, em uma varanda, realizam a festa.

A próxima manifestação está marcada para este dia 15. Tais protestos vem acontecendo, também sem êxito, contra a presidenta Cristina Kirchner na Argentina, que denunciou a presença de traidores da pátria. Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro chama de “golpe permanente”, e financiado pela CIA.

As convocações no Brasil partem do extremismo político e religioso, com Bolsonaro, Marco Feliciano, Silas Malafaia, líderes do PSDB, notadamente Aloysio Nunes Ferreira, candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves.  Nunes pulou do extremismo da esquerda para o extremismo da direita.

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Jorge Lemann é a maior riqueza do Brasil, e a segunda da Suíça onde reside. Sócio da filha de José Serra, conseguiu várias concessões de água, inclusive em São Paulo, para fabricação de cerveja, sorvetes, bebidas frias e quentes e, também, exportação de água engarrafada.

O bem mais precioso da riqueza de Lemann é a água brasileira. A fartura da água brasileira, país que possui os dois maiores aquíferos do mundo, e rios perenes como o Amazonas, chamado de “Mar Doce”. T.A.]

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Largo da Batata é um logradouro público localizado no distrito de Pinheiros, na cidade de São Paulo
Largo da Batata é um logradouro público localizado no distrito de Pinheiros, na cidade de São Paulo

O Brasil venezuelano e a volta do Febeapá

por José de Souza Castro

 

O homem burro, que ilustrou a capa do livro de Stanislaw Ponte Preta
O homem burro, que ilustrou a capa do livro de Stanislaw Ponte Preta

 

A “Folha de S.Paulo” esclareceu ontem o caso, numa reportagem de Samy Adghirni, de Caracas. O governo venezuelano não estava cooptando jovens brasileiros, como suspeitava o Ministério Público Federal em Goiás. Resumindo:

No dia 17 de novembro, um procurador federal em Goiás, cujo nome completo se encontra na reportagem, mandou que se investigassem “ações ou omissões ilícitas da União, relativamente às condutas praticadas pelo governo venezuelano, ao levar, desde 2011, crianças e adolescentes brasileiros à Venezuela, com o fim de transmitir conhecimentos relativos à ‘revolução bolivariana’”.

Tomo emprestado de Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa, um parágrafo que mais bem resume o caso:

“O nobre procurador não se deu conta de que o comunicado do Ministério das Comunas da Venezuela – equivalente ao nosso Ministério das Cidades –, publicado em 2011, se referia a um bairro chamado Brasil, da cidade de Cumaná, no estado venezuelano de Sucre. Provavelmente foi contaminado pelo palavrório segundo o qual o Brasil vai aderir ao ‘bolivarianismo’, suspeitou de uma rede de tráfico humano comandada pelo governo da Venezuela e se cobriu de ridículo.”

Todos já ouviram falar do Febeapá – o Festival de Besteira que Assola o País, com o qual o jornalista Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, iluminou com seu texto bem-humorado a tragédia vivida pelo país pós-golpe militar de 1964. Ele morreu de ataque cardíaco, no dia 29 de setembro de 1968, apena 45 dias antes do Ato Institucional nº 5 que assombrou o país por muitos anos e quase acabou com o bom-humor dos brasileiros.

Entre os “ódios inconfessos” do criador de personagens inesquecíveis, como Tia Zulmira, Rosamundo e Primo Altamirando, Stanislaw Ponte Preta selecionou os seguintes: puxa-saco, militar metido a machão, burro metido a sabido e, principalmente, racista.

Como se vê, não seria difícil concordar com ele, naquele tempo e agora.

Relendo sua biografia AQUI e, sobretudo o texto escrito pelo poeta mineiro Paulo Mendes Campos logo após a morte do amigo, encontrei uma frase que conhecia dos tempos em que eu era adolescente em Lagoa da Prata: “Se peito de moça fosse buzina, ninguém dormia nos arredores daquela praça”. Eu a ouvia, durante sermões dominicais, referindo-se à praça em que se localizava nossa igreja matriz, dos lábios do monsenhor Alfredo, um velho holandês que jamais a atribuiu ao humorista carioca, mas que, desse modo, fazia sorrir discretamente o seu sofrido rebanho. E corar mocinhas recatadas com suas inescapáveis buzinas.

Tempos e costumes mudaram muito desde então. Há ainda militar metido a machão, como aquele notório deputado federal inimigo do comunismo, do bolivarianismo e do governo Dilma, há muito burro metido a sabido, há racistas e o diabo a quatro. Livramo-nos do AI-5, mas o Febeapá continua aí, 46 anos após a morte de Stanislaw Ponte Preta.

Vão-se os milicos, aprochegam-se os procuradores federais…

 

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Rezemos pelos políticos para que nos governem bem

Um bom cristão participa activamente na vida política e reza para que os políticos amem o próprio povo e o sirvam com humildade. Foi a reflexão proposta pelo Papa Francisco nesta manhã de segunda-feira, 16 de Setembro, durante a missa celebrada na capela de Santa Marta.

Comentando o trecho do evangelho de Lucas (7, 1-10) no qual é narrada a cura, por obra de Jesus, do servo do centurião em Cafarnaum, o Pontífice realçou «duas atitudes do governante». Antes de tudo, «deve amar o seu povo. Os anciãos judeus dizem a Jesus: ele merece o que pede porque ama o nosso povo. Um governante que não ama não pode governar. No máximo, pode pôr um pouco de ordem mas não pode governar». E para explicar o significado do amor que o governante deve ao seu povo o Santo Padre recordou o exemplo de David que desobedeceu às regras do recenseamento sancionadas pela lei moisaica para frisar a pertença da vida de todos os homens ao Senhor (cf. Êxodo 30, 11-12). Contudo David, quando compreendeu o seu pecado,  fez de tudo para evitar a punição ao seu povo. E isto porque, embora pecador, amava o seu povo.

Para o Papa Francisco o governante deve ser também humilde como o centurião do Evangelho, que teria podido orgulhar-se do seu poder, se Jesus  lhe  tivesse pedido   para ir ter com ele, mas «era um homem humilde e disse ao Senhor: não te preocupes, não sou digno que entreis    em minha casa. E com humildade: diz uma palavra e o meu servo será curado. Estas são as duas virtudes de um governante, tal como nos faz pensar a palavra de Deus: amor ao povo e humildade».

Portanto, «cada homem e  mulher que assume a responsabilidade de governo deve formular estas duas perguntas: amo o meu povo para o servir melhor? E sou humilde para ouvir as opiniões dos outros a fim de escolher a estrada melhor?». Se eles – realçou o Pontífice – «não  se fizerem  estas perguntas, o seu governo não será bom».

Contudo, também os governados devem fazer a suas escolhas. Portanto o que é preciso fazer? Depois de ter notado que «como povo temos muitos governantes», o Papa recordou uma frase de são Paulo tirada da primeira carta a Timóteo (2, 1-8): «Recomendo-te, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, petições e acções de graças por todos os homens: pelos soberanos e por todas as autoridades para que tenhamos vida tranquila e sossegada, com toda a piedade e honestidade».

Isto significa – frisou o Papa Francisco – que «nenhum de nós  pode dizer: mas o que tenho a ver com isso, são eles que governam. Não, eu sou responsável pelo seu governo e devo fazer o meu melhor para que eles governem bem, participando na política como puder. A política, diz a doutrina social da Igreja, é uma das mais elevadas formas da caridade, porque é servir o bem comum. E não posso lavar as mãos: cada um de nós deve fazer algo.  Mas já temos o hábito de pensar que dos governantes  só falarmos mal, deles e do que não está bem».

A propósito o Santo Padre notou que a televisão e os jornais só mostram críticas negativas dos políticos: dificilmente se encontram observações como «este governante deste modo  comporta-se bem; este governante tem esta virtude. Errou nisto, nisto e nisto, mas nisto acertou». Ao contrário, dos políticos fala-se «sempre mal e é-se contra eles. Talvez o governante seja um pecador, como o foi David. Mas devo colaborar, com a minha opinião, com a minha palavra e também com a minha correcção: não concordo com isto. Devemos participar no bem comum. Às vezes ouvimos dizer: um bom católico não se interessa de política. Mas não é verdade: um bom católico participa na política oferecendo o melhor de si para que o governante possa governar».

Então, o que  «podemos oferecer de bom» aos governantes? «É a oração» respondeu o Pontífice, explicando: «Foi o que disse Paulo:  oração  pelos soberanos e por todas as autoridades». Mas, pode-se dizer: «aquele é uma má pessoa, deve ir para o inferno. Não. Reza por ele, reza por ela, para que possa governar bem, para que ame o seu povo, para que seja humilde. Um cristão que não reza pelos governantes não é um bom cristão. É necessário rezar. E isto – frisou   –  não o digo eu, são Paulo que o diz. Os governantes sejam humildes e amem o seu povo. Esta é a condição. Nós, os governados, ofereçamos o melhor. Sobretudo a oração».

«Rezemos pelos governantes – concluiu o Papa Francisco  –  para que nos  governem bem. Para que levem a nossa pátria, a nossa nação para a frente, e também o mundo; e que haja paz e bem comum. Esta palavra de Deus nos ajude a participar melhor na vida comum de um povo: quantos governam, com o serviço da humildade e com o amor; os governados, com a participação, e sobretudo com a oração».

 

Transcrito do L’Osservatore Romano

Quando o Black Bloc vai tirar a máscara?

Transcrevo texto do Anonymous que também usa máscara. Que ataca os políticos, mas nenhuma palavra contra a ditadura de 64. E nada mais corrupto que uma ditadura. Corrupto quer dizer podre. Putrefato.

Defende ora o apartidarismo, ora o antipartidarismo. Quando a campanha presidencial já está nas ruas.

Faz campanha antecipada Marina Silva ao pedir assinatura para a fundação do seu partido. Toda entrevista dos presidenciáveis são eleitoreiras: Dilma, José Serra, Aécio Neves, Eduardo Campos, Joaquim Barbosa & quem mais aparecer para falar da sucessão.

Democracia é voto do povo nas urnas. Democracia é referendo. É plebiscito. Até o anarquismo é uma ideologia política.

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Resposta do Black Bloc à Veja

Quem é Emma?
Quem é Emma?

Na tarde de sábado 17/08, logo após a revista chegar às suas mãos, Emma integrante do black blocs no Rio, acampada no Ocupa Cabral, apoderou-se do celular que fazia transmissão ao vivo pelo TwitCasting e passou mais de uma hora vociferando contra a publicação.

Revoltada, demonstrava discordar da matéria. Ainda na capa, ela aponta um erro que considera primário ao inseri-la como membro de um grupo. “Black Bloc não é grupo e sim uma tática de manifestação. Não tenho como ser integrante de uma coisa que não existe.” A chamada (O bando dos caras tapadas) também desperta ira quanto ao trocadilho que ela diz ser “digno do Zorra Total” e que jornalistas deveriam se envergonhar de trabalhar numa revista como aquela.

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Ao folhear a revista, Emma vai analisando e xingando trechos preconceituosos e moralistas. Sua revolta (e dos que estão ao redor) aumenta diante do relato sobre consumo de drogas e sexo promíscuo. “Entre um baseado e um gole de vodka, (…) vinho barato e cocaína ! Onde isso?”

Abaixo de uma foto em que aparece lendo História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman, o texto procura atingi-la de modo a reduzir suas insatisfações a desvarios adolescentes. Emma ridiculariza a tentativa da revista de expor intimidades e frases soltas apenas para diminuí-la.

O mascarado também faz seu desabafo: “Isso foi tudo inventado. A grande mídia faz assim, ela conta a história que ela quer. Essa matéria aqui é completamente mentirosa, não é nem falaciosa, é mentirosa mesmo. A intenção é manipular a opinião pública”, diz ele.

Emma aponta a câmera para as barracas: “Olha lá, todo mundo transando e se drogando.” Ela se enfurece com o golpe baixo ao ser chamada de namoradeira e suspeita que gente infiltrada a delatou na passagem em que “fica” com dois acampados num mesmo dia.

Ainda que através de uma elíptica fenda apenas se revelem os olhos azuis, sobrancelhas finas e um pouco do nariz, todos de traços sugestivamente médio-orientais e de ar misterioso, fica evidente que Emma mexe com a curiosidade. Enquanto conta que o fotógrafo se fez passar por membro de agência internacional, Emma recebe um elogio à sua beleza através do chat interativo. “Obrigada, mas a reportagem não mexeu com meu ego. Não adianta nada a foto estar bonita se o conteúdo é escroto”, disse. “Não vendi foto nenhuma, publicaram isso sem minha autorização”. Uma senhora que estava ao lado pergunta se ela pode processar a revista por uso indevido de imagem. “Sim”, responde Emma. Um outro espectador bem humorado diz ter sentido falta de um poster central na revista. “Poster o caralho, já falei para parar com a idolatria. Não vim aqui para mostrar a bunda, vim mostrar o que tenho no cérebro.”

Emma diz ter sido procurada no acampamento por uma repórter da Veja e também pelo Globo. Dá a entender que recusou ambos os convites por não concordar com a grande mídia. Afirmou ter dito à repórter da Veja que não conversaria com ela pois o editor manipularia tudo conforme seu interesse. Contudo, enquanto lia a reportagem, por diversas vezes declarou: “Eu não disse isso, desse jeito.”

Além dos equívocos denunciados por Emma, a matéria afirma que os blacks blocs são um grupo pequeno e não chegariam a duzentos miilitantes. Apenas na frente da Assembleia Legislativa de São Paulo, na semana passada, havia um grupo de aproximadamente cem indivíduos. Comunidades black blocs no Facebook são encontradas em São Paulo, Caxias do Sul, Minas, Ceará, Niterói, Rio de Janeiro. Só a do Rio possui mais de 23 mil “curtidores”.

Também não é verdade quando a revista afirma que black blocs haviam queimado uma catraca durante uma manifestação (o ato é simbólico e religiosamente proporcionado pelo MPL, não teve nada a ver com black blocs) ou quando alega que nenhum McDonald’s ou Starbucks escapem ilesos de protestos em que haja pelo menos um mascarado (na noite de sexta-feira, novamente na Assembleia, nenhuma guerra de spray ou gás ocorreu mesmo na presença de 60 ou 70 black blocs).

Criticando professores universitários admiradores do movimento, a Veja incita a polícia a enquadrar os “arruaceiros” pelo crime de formação de quadrilha, algo ainda não feito, obviamente, por não ser possível juridicamente. Ao encerrar sua participação no Twitcasting, Emma diz para a Editora Abril: “A população está vendo o que vocês estão fazendo.”

Não é, mas será

por Carlos Chagas

 

Charge Daniel Paz & Rudy
Charge Daniel Paz & Rudy

“Não sou candidato” disse mais uma vez  o ministro Joaquim Barbosa, agora em entrevista a Mirian Leitão, no Globo. Impossível duvidar da sinceridade do presidente do Supremo Tribunal Federal, que entre os motivos para justificar a negativa, elenca o fato de ser negro e de o Brasil não estar preparado para ter um presidente da República negro. Também alega não ser político e não ter laços com qualquer partido político.

Só que tem um problema no tempo do verbo. Não  é, hoje, encerrando a questão no  momento em que fala a uma jornalista. Ninguém garante que amanhã manterá a decisão, correndo por nossa conta e risco a projeção futura: poderá ser. Ou será . Citou as manifestações espontâneas da população, “onde quer que vá”. “Pessoas pedem para que eu me candidate e isso tem  se traduzido em percentual de alguma relevância, nas pesquisas”.

Barbosa deixa em aberto a hipótese pela simples referência a um estado de fato, as manifestações espontâneas e as pesquisas. Em especial quando erra no diagnóstico de o país não estar preparado para um negro no palácio do Planalto. Está sim, até  porque já  o tem na chefia do Poder Judiciário. A cor da pele servirá  mesmo como fator de simpatia eleitoral.

Quanto a não ser político, a correção surge óbvia: é sim, pelo fato de estar onde está. Deixando de filiar-se a um partido, apenas cumpre determinação constitucional, válida para todo juiz, desembargador e ministro. Em certo  momento da trajetória estimulada pela voz das ruas  receberá, como  já tem recebido, montes de convites para filiar-se a uma legenda qualquer, também em cumprimento da lei.  Lei, aliás,  capaz de ser mudada na  reforma política com a  aceitação do princípio das candidaturas avulsas, por ele  defendido.

Em suma, nada haverá que opor à afirmação do presidente do Supremo Tribunal Federal sobre não ser, hoje, candidato. Mas tudo a acrescentar diante da previsão de que, amanhã, poderá ser.

As recentes pesquisas realizadas depois das explosões de junho indicam o descrédito nas candidaturas clássicas já  postas, a começar por Dilma Rousseff. A reeleição deixou de ser uma certeza. Aécio Neves não decola como imaginaram os tucanos. Marina Silva ocupa lugar restrito na disputa, situada à esquerda do PT. Eduardo Campos abriga-se na sombra de um hipotético lançamento do Lula, equação à espera de fatores variados. À exceção da atual presidente, comprometida com a indicação de Michel Temer para seu vice, os demais candidatos gostariam de ter Joaquim Barbosa como companheiro de chapa. Inverta-se a ordem dos fatores  e se terá, ao contrário da aritmética, um produto  capaz de alterar a sucessão.

O restante da entrevista referida mais pareceu uma plataforma de candidato.  Um social-democrata à maneira dos europeus, saber gastar bem porque o Brasil gasta muito mal, racionalizar a máquina publica, falta de  honestidade nas pessoas com responsabilidade, necessidade da exposição da vida privada de pessoas altamente suspeitas da pratica de crimes, insatisfação generalizada no país, relações fraternas com jornalistas, necessidade de os meios de comunicação discutirem questões verdadeiramente nacionais, superação das dificuldades, discriminação racial  evidente – essas e outras questões integram uma entrevista de  candidato. Apesar de hoje não ser…

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)
[Acrescentei uma charge da campanha ora realizada, na Argentina, pela eleição dos juízes.
No Brasil, costuma-se dizer que os togados são apolíticos. Ora, ora, nada se faz sem Política.
Joaquim Barbosa candidato, suas ações no TST precisam ser politicamente analisadas. Principalmente porque, indo para um provável segundo turno, dependerá do apoio dos tucanos ou dos  petistas, sem contar outros partidos.
Que desconfio muito de candidato, tipo Fernando Collor, que vai para uma campanha eleitoral e declara que não quer nem precisa de apoio de políticos e partidos]

Compare Lisboa com São Paulo. Entenda o que é analfabetismo político

Lisboa possui 545 245 habitantes.

São Paulo é a sexta maior cidade do planeta, com 19 223 897 habitantes.

A imprensa portuguesa assinala com orgulho: Dia dos Indignados: cem mil participantes.

A imprensa brasileira registra: São Paulo reuniu apenas 70 pessoas no Largo São Bento. Informa o Estadão: setenta pessoas. Confira.

Lisboa tem motivos para se revoltar. São Paulo tem não...
Lisboa tem motivos para se revoltar. São Paulo tem não...
100 mil em Lisboa
100 mil em Lisboa
Em São Paulo, 70 manifestantes
Em São Paulo, 70 manifestantes

Lisboa: 100 mil o número de participantes. Intervenções exigem “auditoria popular” às contas públicas. Investigação cívica que o Brasil precisa urgentemente. Descobrir para onde foi o dinheiro dos leilões das estatais. Auditar a dívida externa. Somar quanto foi roubado dos cofres públicos, e que hoje se encontra depositado nos paraísos fiscais. Analisar os gastos do judiciário. As cortes dos palácios da justiça vivem no mais escandaloso esbanjamento. Um luxo que faria inveja à corte da rainha Maria Antonieta da França.

Veja as marchas principais em Portugal:

* Lisboa  vídeo 1

* Porto vídeo 2