“A elite brasileira acha que o Estado é para ela, que não pode ter esse negócio de dar dinheiro para pobre”.

Dez anos após sua implantação, o Bolsa Família mudou a vida nos rincões mais pobres do país: o tradicional coronelismo perde força e a arraigada cultura da resignação está sendo abalada.

A conclusão é da socióloga Walquiria Leão Rego, 67, que escreveu, com o filósofo italiano Alessandro Pinzani, “Vozes do Bolsa Família” (Editora Unesp, 248 págs., R$ 36).

Durante cinco anos, entre 2006 e 2011, a dupla realizou entrevistas com os beneficiários do Bolsa Família e percorreu lugares como o Vale do Jequitinhonha (MG), o sertão alagoano, o interior do Maranhão, Piauí e Recife. Queriam investigar o “poder liberatório do dinheiro” provocado pelo programa.

Aproveitando férias e folgas, eles pagaram do próprio bolso os custos das viagens. Sem se preocupar com estatística, a pesquisa foi qualitativa e baseada em entrevistas abertas.

Professora de teoria da cidadania na Unicamp, Rego defende que o Bolsa Família “é o início de uma democratização real” do país. Nesta entrevista, ela fala dos boatos que sacudiram o programa recentemente e dos preconceitos que cercam a iniciativa: “Nossa elite é muito cruel”, afirma.

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por Eleonora de Lucena

Folha – Como explicar o pânico recente no Bolsa Família? Qual o impacto do programa nas regiões onde a sra. pesquisou?
Walquiria Leão Rego – Enorme. Basta ver que um boato fez correr um milhão de pessoas. Isso se espalha pelos radialistas de interior. Elas [as pessoas] são muito frágeis. Certamente entraram em absoluto desespero. Poderia ter gerado coisas até mais violentas. Foi de uma crueldade desmesurada. Foi espalhado o pânico entre pessoas que não têm defesa. Uma coisa foi a medida administrativa da CEF (Caixa Econômica Federal). Outra coisa é o que a policia tem que descobrir: onde começou o boato. Fiquei estupefata. Quem fez isso não tem nem compaixão. Nossa elite é muito cruel. Não estou dizendo que foi a elite, porque seria uma leviandade.

Como assim?
Tem uma crueldade no modo como as pessoas falam dos pobres. Daí aparecem os adolescentes que esfaqueiam mendigos e queimam índios. Há uma crueldade social, uma sociedade com desigualdades tão profundas e tão antigas. Não se olha o outro como um concidadão, mas como se fosse uma espécie de sub-humanidade. Certamente essa crueldade vem da escravidão. Nenhum país tem mais de três séculos de escravidão impunemente.

Qual o impacto do Bolsa Família nas relações familiares?
Ocorreram transformações nelas mesmas. De repente se ganha uma certa dignidade na vida, algo que nunca se teve, que é a regularidade de uma renda. Se ganha uma segurança maior e respeitabilidade. Houve também um impacto econômico e comercial muito grande. Elas são boas pagadoras e aprenderam a gerir o dinheiro após dez anos de experiência. Não acho que resolveu o problema. Mas é o início de uma democratização real, da democratização da democracia brasileira. É inaceitável uma pessoa se considerar um democrata e achar que não tenha nada a ver com um concidadão que esteja ali caído na rua. Essa é uma questão pública da maior importância.

O Bolsa Família deveria entrar na Constituição?
A constitucionalização do Bolsa Família precisava ser feita urgentemente. E a renda tem que ser maior. Esse é um programa barato, 0,5% do PIB. Acho, também, que as pessoas têm direito à renda básica. Tem que ser uma política de Estado, que nenhum governo possa dizer que não tem mais recurso. Mas qualquer política distributiva mexe com interesses poderosos.

A sra. poderia explicar melhor?
Isso é histórico. A elite brasileira acha que o Estado é para ela, que não pode ter esse negócio de dar dinheiro para pobre. Além de o Bolsa Família entrar na Constituição, é preciso ter outras políticas complementares, políticas culturais específicas. É preciso ter uma escola pensada para aquela população. É preciso ter outra televisão, pois essa é a pior possível, não ajuda a desfazer preconceitos. É preciso organizar um conjunto de políticas articuladas para formar cidadãos.

A sra. quer dizer que a ascensão é só de consumidores?
As pessoas quando saem desse nível de pobreza não se transformam só em consumidores. A gente se engana. Uma pesquisadora sobre o programa Luz para Todos, no Vale do Jequitinhonha, perguntou para um senhor o que mais o tinha impactado com a chegada da luz. A pesquisadora, com seu preconceito de classe média, já estava pronta para escrever: fui comprar uma televisão. Mas o senhor disse: ‘A coisa que mais me impactou foi ver pela primeira vez o rosto dos meus filhos dormindo; eu nunca tinha visto’. Essa delicadeza… a gente se surpreende muito.

O que a surpreendeu na sua pesquisa?
Quando vi a alegria que sentiam de poder partilhar uma comida que era deles, que não tinha sido pedida. Não tinham passado pela humilhação de pedi-la; foram lá e compraram. Crianças que comeram macarrão com salsicha pela primeira vez. É muito preconceituoso dizer que só querem consumir. A distância entre nós é tão grande que a gente não pode imaginar. A carência lá é tão absurda. Aprendi que pode ser uma grande experiência tomar água gelada.

Li que a sra. teria apurado que o Bolsa Família, ao tornar as mulheres mais independentes, estava provocando separações, uma revolução feminina. Mas não encontrei isso no livro. O que é fato?
É só conhecer um pouco o país para saber que não poderia haver entre essas mulheres uma revolução feminista. É difícil para elas mudar as relações conjugais. Elas são mais autônomas com a Bolsa? São. Elas nunca tiveram dinheiro e passaram a ter, são titulares do cartão, têm a senha. Elas têm uma moralidade muito forte: compram primeiro a comida para as crianças. Depois, se sobrar, compram colchão, televisão. É ainda muito difícil falar da vida pessoal. Uma ou outra me disse que tinha vontade de se separar. Há o problema de alcoolismo. Esses processos no Brasil são muito longos. Em São Paulo é comum a separação; no sertão é incomum. A família em muitos lugares é ampliada, com sogra, mãe, cunhado vivendo muito próximos. Essa realidade não se desfaz.

Mas há indícios de mudança?
Indícios, sim. Certamente elas estão falando mais nesse assunto. Em 2006, não queriam falar de sentimentos privados. Em 2011, num povoado no sertão de Alagoas, me disseram que tinha havido cinco casos de separação. Perguntei as razões. Uma me disse: ‘Aquela se apaixonou pelo marido da vizinha’. Perguntei para outra. Ela disse: ‘Pensando bem, acho que a bolsa nos dá mais coragem’. Disso daí deduzir que há um movimento feminista, meu deus do céu, é quase cruel. Não sei se dá para fazer essa relação tão automática do Bolsa com a transformação delas em mulheres mais independentes. Certamente são mais independentes, como qualquer pessoa que não tinha nada e passa a ter uma renda. Um homem também. Mas há censuras internas, tem a religião. As coisas são muito mais espessas do que a gente imagina.

O machismo é muito forte?
Sim. E também dentro delas. Se o machismo é muito percebido em São Paulo, imagina quando no chamado Brasil profundo. Lá, os padrões familiares são muito rígidos. É comum se ouvir que a mulher saiu da escola porque o pai disse que ela não precisava aprender. Elas se casam muito cedo. Agora, como prevê a sociologia do dinheiro, elas estão muito contentes pela regularidade, pela estabilidade, pelo fato de poderem planejar minimamente a vida. Mas eu não avançaria numa hipótese de revolução sexual.

O Bolsa Família mexeu com o coronelismo?
Sim, enfraqueceu o coronelismo. O dinheiro vem no nome dela, com uma senha dela e é ela que vai ao banco; não tem que pedir para ninguém. É muito diferente se o governo entregasse o dinheiro ao prefeito. Num programa que envolve 54 milhões de pessoas, alguma coisa de vez em quando [acontece]. Mas a fraude é quase zero. O cadastro único é muito bem feito. Foi uma ação de Estado que enfraqueceu o coronelismo. Elas aprenderam a usar o 0800 e vão para o telefone público ligar para reclamar. Essa ideia de que é uma massa passiva de imbecis que não reagem é preconceito puro.

E a questão eleitoral?
O coronel perdeu peso porque ela adquiriu uma liberdade que não tinha. Não precisa ir ao prefeito. Pode pedir uma rua melhor, mas não comida, que era por ai que o coronelismo funcionava. Há resíduos culturais. Ela pode votar no prefeito da família tal, mas para presidente da República, não.

Esses votos são do Lula?
São. Até 2011, quando terminei a pesquisa, eram. Quando me perguntam por que Lula tem essa força, respondo: nunca paramos para estudar o peso da fala testemunhal. Todos sabem que ele passou fome, que é um homem do povo e que sabe o que é pobreza. A figura dele é muito forte. O lado ruim é que seja muito personalizado. Mas, também, existe uma identidade partidária, uma capilaridade do PT.

Há um argumento que diz que o Bolsa Família é como uma droga que torna o lulismo imbatível nas urnas. O que a sra. acha?
Isso é preconceito. A elite brasileira ignora o seu país e vai ficando dura, insensível. Sente aquele povo como sendo uma sub-humanidade. Imaginam que essas pessoas são idiotas. Por R$ 5 por mês eles compram uma parabólica usada. Cheguei uma vez numa casa e eles estavam vendo TV Senado. Perguntei o motivo. A resposta: ‘A gente gosta porque tem alguma coisa para aprender’.

No livro a sra. cita muitos casos de mulheres que fizeram laqueadura. Como é isso?
O SUS (Sistema Único de Saúde) está fazendo a pedido delas. É o sonho maior. Aliás, outro preconceito é dizer que elas vão se encher de filhos para aumentar o Bolsa Família. É supor que sejam imbecis. O grande sonho é tomar a pílula ou fazer laqueadura.

A sra. afirma que é preconceito dizer que as pessoas vão para o Bolsa Família para não trabalhar. Por quê?
Nessas regiões não há emprego. Eles são chamados ocasionalmente para, por exemplo, colher feijão. É um trabalho sem nenhum direito e ganham menos que no Bolsa Família. Não há fábricas; só se vê terra cercada, com muitos eucaliptos. Os homens do Vale do Jequitinhonha vêm trabalhar aqui por salários aviltantes. Um fazendeiro disse para o meu marido que não conseguia mais homens para trabalhar por causa do Bolsa Família. Mas ele pagava R$ 20 por semana! O cara quer escravo. Paga uma miséria por um trabalho duro de 12, 16 horas, não assina carteira, é autoritário, e acha que as pessoas têm que se submeter a isso. E dizem que receber dinheiro do Estado é uma vergonha.

Há vontade de deixar o Bolsa Família?
Elas gostariam de ter emprego, salário, carteira assinada, férias, direitos. Há também uma pressão social. Ouvem dizer que estão acomodadas. Uma pesquisa feita em Itaboraí, no Rio de Janeiro, diz que lá elas têm vergonha de ter o cartão. São vistas como pobres coitadas que dependem do governo para viver, que são incapazes, vagabundas. Como em “Ralé”, de Máximo Gorki, os pobres repetem a ideologia da elite. A miséria é muito dura.

A sra. escreve que o Bolsa Família é o inicio da superação da cultura de resignação? Será?
A cultura da resignação foi muito estudada e é tema da literatura: Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego. Ela tem componente religioso: ‘Deus quis assim’. E mescla elementos culturais: a espera da chuva, as promessas. Essa cultura da resignação foi rompida pelo Bolsa Família: a vida pode ser diferente, não é uma repetição. É a hipótese que eu levanto. Aparece uma coisa nova: é possível e é bom ter uma renda regular. É possível ter outra vida, não preciso ver meus filhos morrerem de fome, como minha mãe e minha vó viam. Esse sentimento de que o Brasil está vivendo uma coisa nova é muito real. Hoje se encontram negras médicas, dentistas, por causa do ProUni (Universidade para Todos). Depois de dez anos, o Bolsa Família tem mostrado que é possível melhorar de vida, aprender coisas novas. Não tem mais o ‘Fabiano’ [personagem de “Vidas Secas”], a vida não é tão seca mais.

Robin de los Bancos se queda sin abogado por causas “extrañas”

Robin Hood

Cuarto Poder

A veces el bosque de Sherwood no es un lugar seguro. Enric Duránel Robin Hood de los bancos, acaba de repudiar a su abogado a cinco días de que se le juzgue. Durán robó –el verbo es suyo– 492.000 euros a 39 bancos solicitando créditos. Y desde el primer instante reconoció que no los pensaba devolver. De hecho, ya no los tiene. Se los donó a movimientos sociales alternativos. Robin de los Bancos tiene claro su credo: “Se ha demostrado que los bancos nos roban y condenan a la miseria a millones de personas, que la especulación y la avaricia dominan la sociedad, que el consumismo guía las vidas de la mayoría y todo gracias a la banca”. La banca española ha recibido 41.000 millones de euros en ayudas que pagarán los españoles. Lo “robado” por Enric Durán supone un 0,0012 por ciento de esta cantidad. Le piden ocho años de cárcel.

Enric Durán será juzgado este día 12 y ya no tiene abogado. Lo repudió ayer. Su defensor le comunicó la fecha del juicio solo hace tres semanas. Algo falla. Las notificaciones judiciales jamás dejan un margen menor a los tres meses. Durán elude decir que su abogado pueda haber actuado de mala fe. De hecho, prefiere salvaguardar la identidad del letrado para no manchar su honorabilidad. “Es extraño”, permite transcribir al periodista. “Es extraño”.

“Ninguna persona puede preparar su juicio sin tener la información de las diligencias previas. Esto no ha ocurrido. Esta indefensión ha llevado a Durán a revocar la confianza al abogado y pedir la suspensión del juicio. Esta mañana [por ayer] se han trasladado ambas peticiones a la Audiencia Provincial de Barcelona”, señala Durán en su escrito en tercera persona.

Ahora Durán tiene un problema. Él pretendía que el juicio se convirtiera en una causa social contra los abusos de los bancos. Y no tiene tiempo para organizar eso. Quería exponerse a la justicia y enfrentarse a la posible pena con un apoyo social tan grande como el institucional que ampara a banqueros como Rodrigo Rato. “Mientras la legitimidad de diversas instituciones del estado y de la banca es cada vez más cercana a cero, mientras cientos de cargos políticos y bancarios van saliendo airosos de sus imputaciones penales, la fiscalía y 14 entidades bancarias continúan adelante con una petición de 8 años de prisión para Enric Duran”, escribió ayer en un correo electrónico destinado a los medios.

Y continúa: “Este activista participa en la construcción de otra forma de vivir y quiere explicarla. La convocatoria de este juicio es una oportunidad para hacer visible la contraposición entre las instituciones corrompidas que están perdiendo sentido y las otras sociedades que la dignidad de los de abajo están haciendo realidad. Con esta voluntad divulgativa, hoy Enric ha puesto en marcha su nuevo bloghttp://www.enricduran.cat, donde explica con detalle el proceso que le llevó a la acción de expropiación bancaria y el movimiento de construcción, ahora con más fuerza que nunca, de otra sociedad. El derecho a la defensa motiva legalmente el aplazamiento del juicio y el derecho a la información de la ciudadanía es una motivación política de fondo”.

¿Y dónde está el medio millón de euros “rescatado” de los bancos? Ya en su momento, Enric Durán señaló que esta “acción individual de insumisión a la banca” se destinaría a “denunciar el sistema bancario e iniciativas que alerten de la crisis sistemática”.

Una de estas iniciativas que recibió el dinero prestado tan generosamente por los bancos a Robin es la Cooperativa Integral Catalana: “Es un modelo económico alternativo basado en la utilización de una moneda social de carácter físico y virtual –utilizan a tal fin una página web surafricana denominada CES para la gestión de cuentas de sus asociados al modo de una red de trueque o banco de tiempo- una estructura legal en forma de cooperativa y un mercado interno de productores y consumidores que utilizan moneda social para efectuar intercambios de productos y servicios”.

El día 12 habrá juicio. Salvo milagro.

RELACIÓ D’ENTITATS FINANCERES QUE HAN PRESENTAT DENÚNCIA PENAL CONTRA ENRIC DURAN:

Bancaja
La Caixa
Bankpime
Caixa Sabadell
Cetelem
Cofidis
CAM
Finconsum
Cajamadrid
Caixa Galicia
Barclays
Citifin
Banco sygma
General electric bank
El Corte Inglés
Santander Consumer EFC

 

Mitos del pensamiento neoliberal

por Vicenç Navarro

povo governo impostos cortes indignados

Hoy el pensamiento económico dominante en los círculos políticos, mediáticos, económicos y financieros españoles continúa siendo el neoliberalismo y ello a pesar de que la evidencia científica existente muestra, sin que haya lugar a dudas, que la aplicación de las políticas públicas inspiradas en tal pensamiento han sido responsables de la génesis de las crisis financiera y económica que vivimos. Tal pensamiento se continúa reproduciendo en los mayores medios de información (también en fórums académicos) del país, como consecuencia del enorme poder de los grupos promotores de tal conocimiento (mejor definido como ideología) en tales medios. Entre ellos destacan la banca y la gran patronal. Las premisas de tal ideología son:

Mito nº 1. Hay que favorecer a las rentas superiores pues son ellas las que ahorran e invierten, creando puestos de trabajo.

Un reciente ejemplo de esta postura es la oposición del Partido Republicano en EEUU a que el presidente Obama elimine las rebajas de impuestos de los súper ricos que el presidente Bush junior aprobó durante su mandato (ver el excelente artículo “10 Things Republicans Don’t Want You to Know About the “Fiscal Cliff””, Jon Perr, 07.12.12, de donde extraigo gran parte de los datos que aquí presento). En tal argumento, se utiliza el término de “creadores de puestos de trabajo” para describir a los súper ricos (menos del 2% de la población).

Para sostener esta tesis, uno tendría que ver que a menos carga impositiva de los ricos, habría mayor creación de puestos de trabajo. Pues bien, la realidad es precisamente opuesta a este supuesto. Así, el Congressional Research Service de EEUU (que es el servicio de investigación del Congreso estadounidense) ha documentado que durante los años 40 y 50, cuando los súper ricos tenían que pagar un tipo máximo por encima del 90% (sí, 90%), hubo mayor producción de empleo que ahora que pagan el 35%. Algo idéntico ocurre con el Impuesto sobre las Ganancias del Capital, cuyo tipo máximo pasó de ser un 25% en aquel periodo al actual 15%, sin que se haya aumentado la producción de puestos de trabajo. La evidencia de que la bajada de impuestos a los súper ricos no incrementa la producción de empleo es robusta como una piedra. No es cierto que a menor carga impositiva de las rentas superiores y/o de las rentas del capital haya mayor producción de empleo. En realidad, la época reciente, con menor producción de empleo (la presidencia de Bush Junior), fue la que tuvo un menor gravamen de las rentas superiores. No se puede, pues, sostener la tesis neoliberal de que hay que bajar los impuestos (o que no hay que subirlos) a fin de facilitar la creación de empleo. Tal bajada de impuestos disminuye los ingresos al Estado, con los cuales, por cierto, éste podría haber creado empleo.

Pero existe otro factor negativo en la reducción del gravamen de los ricos y súper ricos. Éstos consiguen la mayoría de sus rentas de las rentas del capital a través de acciones, depósitos bancarios y otros medios de ahorro, y sólo una pequeñísima parte procede de sus salarios. Así, las 400 personas más ricas de EEUU reciben de su propiedad el 80% de sus ingresos y sólo un 8% de sus salarios. Para el resto de la población, la situación es al revés. La gran mayoría de su renta procede de salarios y una pequeñísima proporción viene de la propiedad (el 5%). De estos datos se deduce que las rebajas fiscales a la propiedad (acciones, depósitos y otros) benefician predominantemente a las rentas superiores, favoreciendo una enorme concentración de las rentas. Los datos son abrumadores. Entre 1979 (inicio de la revolución neoliberal) y 2007 (inicio de la crisis), las rentas (después de pagar impuestos) del 1% de la población más rica de EEUU crecieron un 281% (descontando la inflación), comparado con un crecimiento de sólo un 16% para el 20% de la población con menor renta.

Mito nº 2. La bajada de impuestos aumenta los ingresos al Estado

Estas políticas fiscales favorables a las rentas superiores que derivan sus rentas del capital han facilitado la enorme concentración de las rentas en Estados Unidos. Y una consecuencia de ello ha sido el descenso de los ingresos al Estado, hoy de los más bajos de la historia reciente en aquel país. Los ingresos al Estado federal representan sólo el 15% del PIB, el porcentaje más bajo desde los años 50. No es cierto, pues, que el Estado y su sector público estén ahogando a la economía.

Tales datos muestran la falacia de otro de los grandes dogmas del neoliberalismo, que asume que la bajada de impuestos, en lugar de descender los ingresos al Estado, los aumentará, pues –según tal dogma- la bajada de impuestos aumenta la demanda, y con ello el crecimiento económico y los ingresos al Estado. Pues bien, los datos tampoco respaldan tal supuesto. Al revés, la reducción de los impuestos (con predominio de los impuestos a los súper ricos) disminuyó los ingresos al Estado. Como ha mostrado el Center on Budget and Policy Priorities, la bajada de impuestos de los súper ricos (durante el gobierno Bush junior) fue responsable del crecimiento del déficit público del Estado (específicamente un 50%). En realidad, la gran mayoría de estudios que han analizado los orígenes del crecimiento del déficit del Estado federal han coincidido en que éstos han sido causados por los recortes de los impuestos (que favorecieron predominantemente a las rentas del capital y, por lo tanto, a los súper ricos) de la época de gobiernos republicanos, el aumento del gasto militar debido a las dos guerras iniciadas en periodo republicano –Irak y Afganistán- y a la recesión económica. La explicación de que el déficit del Estado federal es debido al incremento del gasto social carece de credibilidad. Una situación casi idéntica ha ocurrido en España. La reforma fiscal del 2006 que introdujo una bajada de impuestos muy notable para las rentas del capital y de las rentas superiores significó un incremento del déficit público estructural del Estado español (aumentándolo más de 20.000 millones de euros) que apareció en toda su magnitud cuando, en el 2007, la burbuja inmobiliaria explotó y la economía entró en recesión. En realidad, esta ralentización de la actividad económica implicó solo un 20% del aumento del déficit público estructural. El 80% de tal aumentó fue resultado del bajón de los impuestos. De ahí la situación absurda e incoherente de que cuando tal déficit aumentó se intentó reducir bajando el gasto púbico (y muy en particular el social que es ya en sí uno de los más bajos existentes en la UE-15), en lugar de revertir la bajada de impuestos del 2006.

Mito no 3. El aumento del Impuesto de Sucesiones dañará la economía

El presidente Obama ha propuesto aumentar el Impuesto de Sucesiones, pasando a ser un 45% de la propiedad del individuo. A este impuesto, conocido como el “impuesto sobre los muertos”, se han opuesto los neoliberales pues –según ellos- afecta a las pequeñas propiedades, destruyéndolas, pues los herederos se ven forzados a venderlas para poder pagar tal impuesto. Pero este argumento ignora que dicho impuesto afecta sólo a un 0,24% de las propiedades de EEUU. Un caso semejante ha ocurrido en España donde hay una enorme concentración de la propiedad. España es uno de los países de la UE-15 con mayor concentración de la propiedad.

Mito nº 4. Las políticas de estímulo económico han tenido un impacto mínimo en recuperar la economía

Tal premisa aparece frecuentemente en las tertulias y en los programas televisivos sobre las soluciones para salir de la crisis. Uno de ellos es el reciente programa de la BBC sobre la crisis en España y que contó con el asesoramiento de uno de los economistas más ultraliberales de los muchos existentes en los medios, el sr. Pedro Schwartz. En tal programa, se hizo la afirmación de que el estímulo que realizó el gobierno Zapatero no solo no sirvió para nada sino que incluso empeoró la situación, aumentando la deuda pública. Tal aseveración ignora varios hechos. Uno de ellos es que el estímulo del gobierno Zapatero consistió mayoritariamente en una reducción de impuesto que se creyó que estimularía la demanda y con ello reavivaría a la economía. Tal tipo de estímulo es erróneo por las razones indicadas en el párrafo anterior. La manera más efectiva para que el gasto público pueda estimular la economía es creando empleo directamente, lo cual el gobierno Zapatero hizo muy poco. La mayoría del estímulo no se llevó a cabo mediante obras públicas (haciendo piscinas como erróneamente señalaron el sr. Schwartz y la BBC) sino bajando impuestos. Existe la percepción generalizada entre los neoliberales (a veces compartida por algunos keynesianos) que el crecimiento de la demanda conlleva automáticamente un crecimiento del empleo lo cual no es del todo cierto, pues la demanda puede crecer sin que la producción de empleo aumente. Este punto es de gran importancia porque el problema mayor –causa de la recesión- es el elevado desempleo el cual no se resolverá sin una activa producción de empleo por parte del sector público. Esto es, por cierto, lo que explica también que el estímulo económico del presidente Obama fue, a pesar de su moderación, más eficaz en salir de la Gran Recesión que el de la UE y ello debido a que dio mayor énfasis en la creación de empleo con los fondos federales que no la UE. En esta última no hay todavía reconocimiento que el mayor problema económico (además de social) que tiene la UE es el elevado desempleo. Y así nos va.

 inndignados governo povo impostos indiretos

El banco malo: Eje de la reforma financiera española

por  Luis Rosero M.

El gobierno español acaba de aprobar la tercera reforma financiera, para responder a los efectos de la crisis financiera internacional que, con la política de ajustes, ha generado recesión afectando al sistema financiero, el cual a su vez realizó una mala gestión crediticia al concentrar su financiamiento en cartera hipotecaria.

A fin de velar por la estabilidad financiera los estándares internacionales recomiendan una red de seguridad financiera, integrada por la supervisión bancaria (para prevenir riesgos), fondo de liquidez (para entrega de fondos a bancos cuando haya una corrida), seguro de depósito (para el pago de la garantía de depósito) y resolución bancaria.

Esta última se aplica cuando un banco tiene problemas de insolvencia, para lo cual hay diversas alternativas como recapitalización, la liquidación forzosa o la exclusión o transferencia de activos y pasivos. Con ésta,  los activos sanos son transferidos a un fideicomiso, los cuales a su vez los trasladan al banco bueno y después a un banco comprador. En cambio los activos problemáticos (cartera y otros) son transferidos al llamado banco malo.

En España, por efecto de la crisis y el rompimiento de la burbuja inmobiliaria, la recesión aumentó fuertemente el desempleo, con lo que a muchos compradores de vivienda se les redujo sus ingresos o se quedaron sin ellos, lo que ocasionó que no pudieran pagar sus créditos hipotecarios, aumentando la morosidad y los intermediarios financieros (bancos y cajas de ahorro) tuvieron problemas de liquidez y solvencia, por tanto las autoridades exigieron la recapitalización de éstos, pero como no tenían recursos acudieron al gobierno para que pida un rescate bancario a la UE con un crédito de 100.000 millones de euros.

El banco malo es una empresa creada para sanear la cartera del sistema financiero. Forma parte de las condiciones impuestas por la UE para acceder al salvataje bancario. Será una entidad pública gestionada por el Fondo de Reestructuración Ordenada Bancaria. A este banco, las entidades financieras, transferirán la cartera hipotecaria problemática y viviendas sin vender, saneando de esta manera los balances de las instituciones financieras.

Este banco recibirá 25.000 millones de euros del crédito, con lo que comprará la cartera y vivienda. Al vender éstas tendrá descuentos, sobre todo, de la vivienda que, por la crisis, han caído sus precios. Si después de comercializar éstas no alcanza a cubrir ese valor, habrá un déficit que será cubierto por los contribuyentes.  En otras palabras, la mala gestión crediticia de los bancos la terminarán pagando los ciudadanos.

Las auditorías determinarán cual es el impacto de la cartera hipotecaria mala y las necesidades de recapitalización de cada uno de los bancos y cajas de ahorro. Por la crisis, el gobierno ha aplicado una política de ajuste con la reducción de gastos sociales, aumento de impuestos (IVA), alza de precios de productos básicos, aumento de luz y gas, provocando más desempleo y pobreza. Además de esto, la población tendría que pagar el salvataje bancario aumentando aún más el deterioro social.

Brasil, quarta potência mundial. Empresas verde e amarela

Veja filme das grandes empresas brasileiras. Para elas os programas de ajuda do BNDES, via FAT, Fundo de Ajuda ao Trabalhador, para a felicidade geral do povo. Certamente essas empresas nacionais vão pagar um salário além do mínimo, para os peões; e além do piso, para os bacharéis formados por nossas universidades públicas e particulares – isso num futuro próximo.

Por que a privataria é contra uma auditoria da dívida brasileira?

A Bolívia fez. O Equador fez. Via plebiscitos os governos nacionalistas de Evo Morales e Rafael Correa salvaram seus países do pagamento da vassalagem. Mas os governos das privatizações das estatais brasileiras temem uma auditoria da dívida. Seria um pega ladrão, um pega traidor, um pega quinta-coluna, um pega agiota, um pega traficante de moedas, um pega especulador, um enquadramento de uma multidão de piratas e corsários de várias bandeiras.

¿Por qué no una auditoría ciudadana de todas las deudas?

Los lobbies privados están consiguiendo que los gobiernos practiquen políticas de salvamento de las cuentas de las empresas privadas insolventes, a costa del conjunto de la ciudadanía y de las rentas del trabajo, convirtiendo la deuda privada en pública. Esta operación a gran escala es completamente ilegítima.

Hay que detallar por qué, por quiénes y cómo se contrajo la deuda, el montante, las condiciones, tipos de interés, plazos de devolución, garantías, avales, o, por otro lado, a qué se dedicó la financiación. Este análisis nos daría una medida y proporción de deuda que no se debe pagar o se ha de reestructurar.

La auditoría debería exigir al sector público transparencia en sus cuentas, declarar una suspensión temporal del pago de la deuda y abrir un proceso, que durará meses, para escudriñar la documentación y hacer un juicio público encaminado a tomar decisiones sobre qué hacer sobre la deuda pública una vez culminado ese proceso.

Itália diminui o lucro dos especuladores

A Itália não derrubou nada que pertença ao povo brasileiro.
A Itália vai bem, obrigado!
Tem dinheiro de sobra. Está investindo em guerras no mundo árabe. Comprou empresas brasileiras a preço de banana. Isso representa ganhos infinitos.

Admitir que a Itália está em crise, significa que as empresas italianas estão ameaçadas. Isso me parece choradeira de quem quer mais dinheiro fácil do Brasil.

A suspeita ajuda de Fernando Henrique e Lula da Silva

a latifúndios,
a bancos,
a montadoras,
a oficinas,
a mineradoras,
aos colonizadores estrangeiros,

constituiu um desperdício, um esbanjamento, uma irresponsabilidade, uma malversação. Um crime! que precisa ser investigado.

Que o Banco Central ajude o pobre povo pobre do Brasil.