Quem deve receber privilégios o que tem tudo ou quem não tem nada?

No Brasil, as elites sempre receberam tudo do governo; os sem nada, nada.

O egoísmo, o preconceito, o racismo e o individualismo levam as elites a defender partidos direitistas e golpistas, e ao mesquinho combate aos programas sociais como Fome Zero e Bolsa Família.

As elites odeiam o cheiro do povo, e classificam de populismo, demagógico e eleitoreiro qualquer projeto que vise beneficiar os sem terra e os sem teto.

Na manchete abaixo o termo agricultores apenas inclui os latifundiários, os grandes e os médios proprietários de terra, que plantam a lavoura de exportação.

BRA^PR_OP sem terra

 

Brasil dependente alimentar

A desnacionalização da mesa do brasileiro, provocada pelas multinacionais, transformou o Brasil em importador de alimentos. O pão do índio era o milho. Era a mandioca. O milho virou lavoura de exportação para fabricar álcool nos Estados Unidos.

O Brasil importa os alimentos básicos: trigo, arroz, inclusive feijão. Trocamos o suco de frutas pela Coca-Cola e bebidas com sabores artificiais.

Os cursos de Nutrição têm como livros básicos autores europeus e estadunidenses. Publica hoje o jornal Público de Portugal:

Teresa quis lembrar aos cariocas o gosto da tapioca

A chef Teresa Corção criou o Instituto Maniva, que se apresenta em feiras biológicas no Rio de Janeiro com a sua banca de tapioca orgânica Nelson Garrido
A chef Teresa Corção criou o Instituto Maniva, que se apresenta em feiras biológicas no Rio de Janeiro com a sua banca de tapioca orgânica. Nelson Garrido
Por Alexandra Prado Coelho

Porque é que o Rio de Janeiro se afastou dos alimentos mais tradicionais, como a mandioca, ou as frutas da mata atlântica, e começou a comer pão feito de trigo importado e frutas que vêm de outros países? Foi esta a pergunta que levou um grupo de chefs cariocas a criar o Instituto Maniva e a iniciar uma nova relação com os produtores.

Tudo começou com a mandioca. A história do Brasil — e a história da eco-chef carioca Teresa Corção e do seu Instituto Maniva.

“E [os índios] não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos”. Isto registou na sua Carta Pero Vaz de Caminha, cronista de D.Manuel I, depois de os navegadores portugueses terem encontrado os índios tupinanquins na Bahia, a 24 de Abril de 1500.

Saltamos uns cinco séculos e estamos, pelas dez da manhã, na Feira Biológica do bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, onde o Instituto Maniva está a inaugurar a sua banca de tapioca (uma das farinhas que se fazem a partir da mandioca) biológica. Foi há uns dez anos que Teresa Corção se lançou na missão de dar a conhecer a tapioca aos cariocas. É que, descobriu ela, em 500 anos os brasileiros, pelo menos os do Rio de Janeiro, tinham-se esquecido dessa comida — o inhame e a mandioca — que deixava os indígenas “tão rijos e tão nédios”.

“A mandioca é o elemento identitário brasileiro, o nosso símbolo de segurança alimentar, existem mais de 1800 variedades catalogadas”, explica, sentada num banco baixinho. “Em 2002 fui a um festival em Pernambuco e foi aí que me dei conta de que não conhecia as coisas da mandioca e comecei a perguntar-me porquê. Percebi então que a mandioca era uma grande desconhecida, embora fosse muito presente na mesa de todo o mundo, sobretudo através da farofa.” A tapioca, no Rio nessa época, “não era tão conhecida”, e era comida sobretudo pelos imigrantes vindos do Nordeste.

Aproxima-se de nós e junta-se à conversa Marcelo Scofano, especialista em azeite e também ele um eco-chef. “A questão da tapioca tem muito a ver com o facto de o colonizador ter introduzido o trigo como elemento essencial”, explica. “E o trigo não é nativo daqui nem dá em lado nenhum. Oitenta por cento do nosso trigo é importado. A gente depende da Argentina, do Canadá e dos Estados Unidos para um alimento essencial, o pão nosso de cada dia, quando temos um alimento extremamente

rico, sem glúten, e que dá nos cinco biomas brasileiros, que é a mandioca. A tapioca era o pão nativo e foi substituído pelo trigo. Ainda ontem falei com uma pessoa que nunca tinha comido pão até vir para o Rio. Comia macaxeira, aipim, inhame.”

O mesmo acontece com a fruta, continua Teresa Corção. “Esta região é mata atlântica, riquíssima em fruta. E no entanto há pouquíssima fruta no Rio. O que é fruta para um carioca? É maçã, uva, frutas europeias adaptadas ao Brasil. E as frutas brasileiras, tanto da mata atlântica como da Amazónia, são completamente desconhecidas aqui.”

Aponta para a pequena feira à nossa volta, onde, além da tapioca orgânica do Maniva — que tem uma versão rosa forte, feita com beterraba —, há algumas bancas de legumes, um vendedor de azeite e sumo de uva biológicos e quase nenhuma fruta. “Quando os portugueses chegaram, havia tanto caju que eles botavam os escravos debaixo das árvores para eles comerem caju, que era muito bom contra o escorbuto.” Olha em redor. “Não era para ter imenso caju aqui? E não tem, não se encontra nas feiras. Pitanga é outra fruta maravilhosa, dá em tudo quanto é lugar, e não há nas feiras porque não tem o hábito do consumo. E ao mesmo tempo a gente jura que o coco é tropical, quando o coco foi o português que trouxe da Ásia.”

Para contrariar este cenário de desconhecimento de alimentos locais, o Maniva – que reúne 16 ecochefs, entre os quais Claude e Thomas Troisgros (Olympe, CT Brasserie, CT Boucherrie e CT Trattorie), Kátia Barbosa (Aconchego Carioca) e Pedro de Artagão (Irajá Gastrô) — começou a trabalhar, dedicando-se à divulgação de produtos. Teresa produziu, por exemplo, filmes sobre a produção de farinha de mandioca, O Professor da Farinha, e documentário Seu Bené vai Pra Itália, sobre a viagem de um produtor de farinha de mandioca da Amazónia para o evento Terra Madre, do movimento Slow Food, em Turim.

O trabalho do Maniva passa também por uma colaboração cada vez mais próxima com pequenos agricultores locais dedicados à produção biológica, como os que estão hoje na

feira das Laranjeiras. “Aqui há todo um astral. Se você perguntar àquela moça ali, ela é mãe de cada um destes produtos.” Uma das grandes dificuldades destes pequenos agricultores, que não conseguem entrar nos grandes supermercados, é fazer chegar os seus produtos aos compradores. Daí o aparecimento das feiras biológicas, que são apoiadas pela Secretaria de Desenvolvimento Económico Solidário Prefeitura do Rio, e cujo número tem vindo a crescer na cidade. “Há uns seis anos estes produtores vendiam em torno a uns 700 mil reais por ano, hoje estão vendendo nove milhões”, diz Vinícius Assumpção, responsável da Secretaria, que está de visita à feira. “Já temos doze feiras, e a ideia é ir ampliando, mas de forma consistente, sem perder a qualidade.”

tapioca

Comprar os excedentes

Quando, no final da feira, sobram produtos, Teresa e outros eco-chefs vão comprá-los. “Comecei a comprar os excedentes e é uma coisa que eu quero transformar num método. O que é que está sobrando aí? Está sobrando alho-porro. Eu arremato aquilo, vou noutra barraca e tem o cara do shitake, a quem sobrou algum, e eu e os outros chefs que têm restaurantes podemos gerar valor agregado, fazendo um prato. E o meu cliente sabe que está ajudando o produtor porque está escrito lá no meu cardápio.”

O restaurante que Teresa Corção dirige há mais de 30 anos chama-se O Navegador e fica no Centro do Rio de Janeiro, a zona mais antiga da cidade, no belo espaço do sexto andar do edifício do Clube Naval. A filosofia está explicada no cardápio: “Das hortaliças orgânicas de Friburgo e do Brejal na Serra Fluminense, às farinhas de mandioca especiais de Bragança no Pará, Cruzeiro do Sul no Acre e de Palhoça em Santa Catarina, passando por queijos tradicionais de Minas Gerais das serras do Salitre e da Canastra à pimenta rosa da foz do Rio de São Francisco, nossos alimentos são escolhidos com toda a atenção. Conhecemos quem os produz e visitamos suas terras.” Por baixo, um mapa do Brasil mostra que o doce de leite e a goiabada (ambos excelentes) vêm de Minas Gerais, tal como os cogumelos orgânicos e o queijo meia cura, o palmito pupunha vem do Rio de Janeiro, assim como o aipim, e a farinha e o tucupi vêm de Bragança, no estado do Pará.

As receitas são também homenagens a pratos tradicionais. Há Nosso bobó (creme camarão e aipim, dendê artesanal da Bahia, lascas de beijus), e Terra Brasilis (peixe do dia grelhado no azeite, servido sobre puré de aipim e banana-da-terra, acompanhada por pétalas de palmito pupunha e cubos de tomate — o palmito e aipim são de pequenos produtores do município Silva Jardim, do estado do Rio de Janeiro, e “escolher este prato incentiva a economia local”, lê-se). Há Panelinha de moqueca capixaba do Gui Secchin, “à moda do artista plástio capixaba Guilherme Secchin”, há Tortacapixaba, prato típico do Espírito Santo, com bacalhau, camarão, pescada amarela e palmito, ovos batidos e azeitonas verdes, gratinado no forno, há Pirão Seu Bebé e Dona Maria, Galinhada com palmito, que é um arroz de frango típico da região do cerrado, e muitos outros pratos.

Escolhemos o “Prato nosso de cada dia” que, por ser uma terça-feira, era um riquíssimo “Cozido da Terrinha, feito com vegetais da estação produzidos pelos agricultores do Estado do Rio de Janeiro, participantes do Circuito Carioca de Feiras Orgânicas” (as segundas-feiras são dia de peixe assado, as quartas de costelinha assada no tropeiro, as quintas de galinha com pirão-de-parida e as sextas de “feijoada sustentável preparada com feijão dos pequenos produtores”).

E assim, uma história que começara naquela manhã com a mandioca, numa banca de feira num bairro do Rio de Janeiro, levou-nos até aos índios que Pero Vaz de Caminha encontrou em 1500, atravessou muito do Brasil e da sua enorme variedade de produtos, e terminou, da melhor forma possível, em frente a um prato cheio de carnes cozidas, com abóbora, milho, ovo, quiabo, couve, batata-doce, banana-da-terra, arroz e pirão.

 

Otro paso para Fortalecer la lucha por la Soberanía Alimentaria

Comunicación Vía Campesina

recorte%20web.jpgLuego de un proceso  de casi una década de discusión y construcción llegamos a la I Asamblea Continental de la Alianza por la Soberanía Alimentaria de los Pueblos de América Latina y el Caribe, instancia desde la que esperamos lograr mayor coordinación de luchas y acciones en torno a la construcción de la Soberanía Alimentaria como un eje estratégico, imprescindible para fortalecer el proceso de integración Latinoamericana con carácter popular, con Soberanía popular y democracias fortalecidas ante las arremetidas de las transnacionales y el imperio.

El contexto, requiere de máximos esfuerzos de articulación y unidad del campo popular, las crisis, sobre todo la crisis alimentaria y la ambiental están estrechamente ligadas al modelo de la agricultura Industrial y de los agronegocios.

Este modelo presenta las consecuencias de la ofensiva del capital financiero y las transnacionales en la agricultura que tuvo comienzo en la pos guerra con la Revolución Verde, pretexto para lograr que las transnacionales bélicas que fabricaron armamentos, maquinarias y químicos puedan obtener mercados en el mundo agrícola. Desde ese momento vemos el desenlace de diversos mecanismos  de destrucción de sistemas locales de producción de alimentos, de desplazamientos de millones de campesinos y campesinas, de mercantilización de la tierra, los bienes naturales y los alimentos. La globalización y la consecuente hegemonía del capital financiero aceleró este proceso, surgieron tecnologías funcionales a las transnacionales como las semillas transgénicas y resistentes a agrotóxicos. Por primera vez en la historia de la humanidad llegamos a tener mayor población urbana que rural, muchas ferias y mercados locales fueron reemplazados por hipermercados, y los comoditties subordinando territorios nacionales a las transnacionales, los alimentos cotizando en bolsa y sus precios en un aumento sostenido por la presión de los fondos especulativos. El mercado global de alimentos en manos de un puñado de corporaciones que dominan todos los eslabones de la misma.

En la cumbre mundial de la Alimentación de 1996 , la cifra de 800 millones de hambrientos resultó un escándalo, sin embargo, el lobby empresario, instaló la idea de que el problema era falta de tecnología, proponiendo multiplicar las acciones de promoción y desarrollo de la Agricultura Industrial y su paquete destructor.  En cuanto a la urgencia del hambre, esta tendencia de lucro por encima de la vida, propone alcanzar la Seguridad Alimentaria, es decir, terminar con el hambre por medio de donaciones caritativas de alimentos desde los países ricos a los subdesarrollados.

En ese momento, en la misma Cumbre se alzó la voz de La Vía Campesina Internacional.
En completo desacuerdo con estas “propuestas de la FAO”. Los pueblos tienen el derecho de producir sus propios alimentos, las campesinas y campesinos han alimentado a la humanidad durante 10 mil años, y aun hoy con tan solo 1/3 de la tierra, alimentamos al 75% de la población mundial, difícil que exista justicia y democracia en pueblos que no tienen autonomía alimentaria. Allí surgió la propuesta de la Soberanía Alimentaria, como respuesta a las evidentes mentiras del capital. La Soberanía Alimentaria, es un plateo político, que considera que los pueblos tienen derecho a producir y consumir sus propios alimentos. Para ello la tierra debe estar en función del bien común, es un bien social y son campesinos, campesinas, pueblos originarios, trabajadores quienes pueden garantizarlo.

La crisis ambiental, también está directamente relacionada al modelo agropecuario, casi el 50% de las emisiones de gases con efecto invernadero provienen de la cadena agroindustrial, por el enorme consumo de combustibles fósiles, agrotóxicos y fertilizantes, y plásticos para el packing. Por eso sostenemos que la Agricultura campesina Enfría en planeta.  Nos encontramos en un momento más que interesante en América Latina, con un proyecto de integración , de construcción de la patria grande, bajo principios antimperialistas, anticolonialista, con horizonte al socialismo,  que se enfrenta en una disputa sin cuartel con  proyecto del imperialismo yanqui, del capital reinando con su lógica egoísta  y donde todo tiene su precio.

En ese marco entendemos que la Soberanía Alimentaria es una piedra fundamental del proyecto popular. Y entonces la disputa de Agricultura campesina vs Agricultura Industrial – Agronegocios hace parte de las contradicciones fundamentales.

En el continente, se ha agudizado el acaparamiento de Tierras, los desalojos y asesinatos de dirigentes campesinos, indígenas, millones de hectáreas de bosques y selvas son destruidas, aguas contaminadas, pueblos enteros fumigados.  Empiezan a morir las abejas… y como dijera Albert Einstein, «Cuando se muera la última abeja, cuatro años después, desaparecerá la especie humana».

Según la FAO 1000 millones de hambrientos aproximadamente hay en el mundo hoy, sumando a 500 millones de obesos, esto se acompaña también según la FAO, con que más del 40% de los alimentos de la cadena agroalimentaria industrial se desperdician por descomposición.

La soberanía Alimentaria es una propuesta política, económica social y cultural, que solo puede ser alcanzada en el marco del avance del proyecto popular.

Así, esperamos que la Alianza por la Soberanía Alimentaria, permita darle mayor vitalidad a la confluencia de distintos procesos de articulación y lucha, Amigos de la Tierra, El Consejo de Tratados de Pueblos Indios, MAELA, COPROFAM, son algunas de las redes que forman parte de esta iniciativa junto a la CLOC Vía Campesina.

El año 2014 ha sido declarado el año mundial de la Agricultura Familiar, y será muy importante dar la lucha ideológica en cuanto a los conceptos y significancias. Para algunos agricultura familiar se refiere a agronegocios de pequeña escala y “dirigidos” por miembros de una familia. Para nosotros no, por eso insistimos con el término Campesino, que hace referencia a una forma de vida, que tiene una memoria histórica,  en la cual predomina el espíritu del bien común, el trabajo digno como un valor fundamental para el desarrollo de los pueblos, con una fuerte relación con los mercados locales y una práctica productiva basada en la armonía con la naturaleza. Sintiendo a la Tierra como nuestra madre, por eso los campesinos y campesinas vivimos en la tierra, trabajamos, producimos alimentos sanos y diversos,  hacemos nuestros hijos, festejamos y morimos en la tierra.

Por eso hablamos de una propuesta clara:  Agricultura campesina, con base agroecológica y hacia la Soberanía Alimentaria.

Claro que consideramos aliados a todas y todos aquellos que se identifican con este modelo pero lo denominan agricultura familiar, como con los pastores, los pescadores artesanales, los indígenas.

En estos últimos tiempos la FAO está cambiando el rumbo, muy a pesar de su burocracia, ya ha reconocido que para revertir el hambre es necesario fortalecer la agricultura familiar, aprobó en conjunto con el CSA las directrices de la Tierra, donde recomienda a los gobiernos a generar políticas de acceso a la tierra para agricultura familiar y campesina. Sin embargo, la gran mayoría de gobiernos progresistas continúan con políticas agrarias funcionales a la agricultura industrial, donde la tierra queda subordinada a los intereses transnacionales y de oligarquías locales.

Por eso otro objetivo de esta Alianza es promover cambios en las políticas agrarias para favorecer políticas publicas orientadas a la Soberanía Alimentaria, Reformas Agrarias Integrales, Créditos a los campesinos, educación y salud de calidad en el campo, fortaleciendo de mercados locales etc…, es decir lograr instalar en las agendas de UNASUR, CELAC y ALBA estas políticas, además de poder establecer más acciones  con organizaciones urbanas y de trabajadores.

Nace la Alianza por la Soberanía Alimentaria, para sembrar más esperanza, sembrar más luchas esperando  cosechar  conquistas populares y nuevos desafíos.

Diego Montón

Secretaría Operativa

CLOC -Vía Campesina

 

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Estar pronto para compartilhar tudo

Papa Francisco

Dan Carino
Dan Carino

A situação que hoje vivemos, enquanto está directamente ligada a factores financeiros e económicos, é também consequência de uma crise de convicções e de valores, inclusive daqueles que são aduzidos como fundamento da vida internacional. Trata-se de uma situação que exige o empreendimento de uma obra consciente e séria de reconstrução que comprometa também a Fao. E desejo pôr em evidência, quero indicar uma expressão: obra de reconstrução. Penso na reforma encetada para garantir uma gestão mais funcional, transparente e equitativa. Sem dúvida, trata-se de um dado positivo, mas cada reforma autêntica consiste em adquirir uma maior consciência da responsabilidade de cada um, reconhecendo que o nosso próprio destino está vinculado ao dos outros indivíduos. Os homens não são ilhas, somos uma comunidade! Penso naquele episódio do Evangelho, que todos conhecem, onde um Samaritano socorre alguém que se encontra em necessidade. E não o faz como um gesto de esmola, nem porque tem dinheiro à disposição, mas sobretudo para se tornar um só com aquele que é por ele socorrido: quer compartilhar a sua sorte. Com efeito, depois de ter deixado um pouco de dinheiro para curar o ferido, avisa que voltará para o encontrar, a fim de se certificar que foi curado. Não se trata apenas de compaixão, ou talvez de um convite à partilha ou ainda ao favorecimento de uma reconciliação que vá mais além das adversidades e das oposições. Significa, ao contrário, estar pronto para compartilhar tudo e desejar ser bom samaritano, e não uma pessoa indiferente diante das necessidades de outrem.

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À Fao, aos seus Estados membros, assim como a cada uma da instituições da Comunidade internacional é pedida uma abertura de coração. É necessário superar o desinteresse e o impulso a olhar para o outro lado, e urgentemente prestar atenção às exigências imediatas, com a confiança de que no futuro possam amadurecer os resultados dos esforços de hoje. Não podemos sonhar programas assépticos, que hoje são inúteis. Cada programa proposto deve empenhar cada um de nós e todos. Ir em frente de maneira construtiva e fecunda nas diversas funções e responsabilidades significa ter a capacidade de analisar, de compreender e de doar, abandonando qualquer tentação de poder, de possuir cada vez mais ou de procurar o próprio interesse, em vez de servir a família humana e, nela, especialmente os mais necessitados, aqueles que ainda sofrem devido à fome e à subalimentação.

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Estamos conscientes de que um dos primeiros efeitos das graves crises alimentares, e não apenas daquelas determinadas por calamidades naturais ou por conflitos sanguinolentos, constitui a erradicação de pessoas, famílias e comunidades inteiras do ambiente que lhes é próprio. Trata-se de uma separação dolorosa, que não se limita à terra natal, mas que abrange inclusive o âmbito existencial e espiritual, ameaçando e às vezes fazendo desabar aquelas poucas certezas possíveis. Este processo, que já se tornou global, exige que as relações internacionais voltem a estabelecer aquela referência aos princípios éticos que as regulam, recuperando deste modo o autêntico espírito de solidariedade que pode tornar incisiva toda a actividade de cooperação.

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A este propósito, é mais expressiva do que nunca a escolha de dedicar o próximo ano à família rural. Para além do momento celebrativo, é necessário fortalecer a convicção de que a família é o lugar principal do crescimento de cada um, pois é através dela que o ser humano se abre à vida e àquela exigência natural de se relacionar com o próximo. Podemos constatar frequentemente que os vínculos familiares são essenciais para a estabilidade dos relacionamentos sociais, para a função educativa e para um desenvolvimento integral, porque animados pelo amor, pela solidariedade responsável entre as gerações e pela confiança recíproca. São estes os elementos capazes de tornar menos gravosas inclusive as situações mais negativas e levar a uma verdadeira fraternidade a humanidade inteira, levando-a a sentir-se como uma única família, na qual as atenções mais importantes são dirigidas aos seus membros mais frágeis.

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Reconhecer que a luta contra a fome passa pela busca do diálogo e da fraternidade significa para a Fao que a sua contribuição nas negociações entre os Estados, dando impulso aos processos decisórios, seja caracterizada pela promoção da cultura do encontro e da cultura da solidariedade. No entanto, isto exige a disponibilidade dos Estados membros, a plena consciência das situações, uma preparação adequada e ideias capazes de abranger cada pessoa e cada comunidade. Só assim será possível conjugar o anseio de justiça manifestado por biliões de pessoas e as situações concretas que a vida real apresenta.

Papa Francisco: “A corrupção produz privilégios para alguns e injustiças para muitos”

 

A abundância da produção de alimentos no mundo inteiro permitiria dar de comer a toda a população do planeta. No entanto, ainda hoje milhões de pessoas sofrem e chegam a morrer de fome. Trata-se de um verdadeiro escândalo, que se manifesta na indiferença total. Foi quanto reiterou o Papa Francisco, dirigindo um discurso aos participantes na trigésima oitava conferência da Organização das Nações Unidas para para a Alimentação e a Agricultura (Fao).

 Alfredo Sábat
Alfredo Sábat

As iniciativas e as soluções possíveis são numerosas, e não se limitam ao aumento da produção. Sabe-se que a produção actual é suficiente, e no entanto ainda existem milhões de pessoas que sofrem e morrem de fome: estimados amigos, isto constitui um verdadeiro escândalo! Então, é necessário encontrar os modos para que todos possam beneficiar dos frutos da terra, não apenas para evitar que se alargue o fosso entre quantos são mais abastados e aqueles que se devem contentar com as migalhas, mas também e sobretudo para uma exigência de justiça e de equidade, bem como de respeito devido a cada ser humano.

 

Na minha opinião, o sentido deste nosso encontro consiste em compartilhar a ideia de que se pode e se deve fazer algo mais para dar vigor ao esforço internacional a favor dos pobres, animados não apenas de boa vontade ou, o que é pior ainda, por promessas que muitas vezes não foram mantidas. Também não se pode continuar a aduzir como álibi, um álibi quotidiano, a actual crise global, da qual de resto não será possível sair completamente, enquanto as situações e condições de vida não forem consideradas através da figura da pessoa humana e da sua dignidade.
Pessoa e dignidade humana correm o risco de se tornarem uma abstracção diante de questões como o uso da força, a guerra, a subalimentação, a marginalização, a violência, a violação das liberdades fundamentais ou a especulação financeira, que neste momento condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como qualquer outra mercadoria, esquecendo-se do seu destino primário. A nossa tarefa consiste em voltar a propor, no actual contexto internacional, a pessoa e a dignidade humana já não como uma simples referência, mas sobretudo como pilares sobre os quais construir regras que sejam compartilhadas e estruturas que, ultrapassando o pragmatismo ou os simples dados técnicos, sejam capazes de eliminar as divisões e preencher as lacunas existentes. Neste mesmo sentido, é necessário contrastar os interesses económicos míopes e as lógicas de poder de poucos, que excluem a maioria da população mundial, gerando pobreza e marginalização com efeitos desagregadores na sociedade, assim como se deve combater aquela corrupção que produz privilégios para alguns e injustiças para muitos.

(Transcrevi trecho do discurso do Papa Francisco)

Brasil: líder mundial em alimentos envenenados

O país que está prestes a tornar-se líder mundial na produção de alimentos abusa de venenos que causam várias doenças

Por Tatiana Achcar, do blog Habitat

Nunca tivemos tanta comida produzida no mundo, mesmo assim um milhão de pessoas passam fome e outro milhão comem menos do que necessitam. A fome é um problema de economia mundial. Em 20 anos, o Brasil tomará dos Estados Unidos a liderança mundial na produção de alimentos.

“O caminho percorrido historicamente pelo Brasil com seu atual modelo de produção nos levou ao lugar do qual não nos orgulhamos de maior consumidor de agrotóxicos no mundo e uma das maiores áreas de plantação de transgênicos”, afirmou.

O país que está prestes a tornar-se líder mundial na produção de alimentos abusa de venenos que causam intoxicação crônica, aquela que mata devagar com doenças neurológicas, hepáticas, respiratórias, renais, cânceres entre outras e provoca o nascimento de crianças com mal formação genética.

O uso massivo de agrotóxico promovido pela expansão do agronegócio está contaminando o agricultor, que tem contato direto com a lavoura envenenada, os alimentos, a água e o ar. Estudos científicos recentes encontraram resíduos de agrotóxicos em amostras de água da chuva em escolas públicas no Mato Grosso. O sangue e urina dos moradores de regiões que sofrem coma pulverização áreas de agrotóxicos estão envenenados.

Nos últimos anos, o Brasil tornou-se o principal destino de defensivos agrícolas banidos no exterior. Segundo dados da Anvisa, são usados em nossas lavouras pelo menos dez produtos proscritos na União Europeia, Estados Unidos, China.

É evidente que segurança e soberania alimentar dependem de um sistema de produção alimentar bom, limpo e justo, sustentável e descentralizado, de base agroecológica de produção, extração e processamento, de processos permanentes de educação alimentar e nutricional. É estratégico adotar a soberania e segurança alimentar como um dos eixos ordenadores da estratégia de desenvolvimento do país para superar desigualdades socioeconômicas, regionais, étnico-raciais, de gênero e de geração e erradicar a pobreza extrema e a insegurança alimentar e nutricional.

Investir na agricultura familiar e camponesa é eixo fundamental que deve estar na prioridade do governo. Ela gera emprego e renda para milhões de pessoas, estimula a produção de alimentos e a diversidade de culturas, respeita tradições alimentares e preserva a natureza, fixa o homem no campo e fortalece as economias locais e regionais.

Brasil financia agricultura familiar em Moçambique e Cuba

O Brasil vai conceder um crédito de cerca de 74 milhões de euros a Moçambique para a dinamização da agricultura familiar, anunciou na quinta-feira o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior brasileiro.

A decisão, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior do Brasil, prevê que o dinheiro seja aplicado na compra de máquinas e equipamentos agrícolas produzidos pelo Brasil.

Além da concessão daquela verba, a ajuda contempla ainda o estabelecimento da cooperação técnica para a promoção da agricultura familiar, no âmbito do Programa Mais Alimentos, instituído pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário brasileiro.

O financiamento integra-se no quadro do programa Mais Alimentos África, uma réplica do Programa Mais Alimentos, criado pelo Brasil e objeto de cooperação com países africanos, como Gana e Zimbabué.

Apesar de deter 36 milhões de terra fértil, Moçambique ainda enfrenta um enorme défice alimentar, devido ao seu fraco desenvolvimento agrícola, por causa do baixo financiamento ao setor.

O financiamento aprovado pela Camex do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior do Brasil inclui ainda Cuba, que vai receber, no quadro da iniciativa, pouco mais de 53 milhões de euros para programas de desenvolvimento agrário.