OPERAÇÃO CONDOR

por Talis Andrade

 

 

Herzog torturado. Desconheço a autoria deste excelente quadro que ilustra o cartaz do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog

1

Em uma ceia demoníaca
os generais do Cone Sul
aprovaram a Operação Con
dor cujas asas agourentas
selam a noite com chumbo

O conúbio dos generais
arranca do calor dos lares
artistas e intelectuais
para os interrogatórios imbecis
de cegos vampiros
as cabeças lavadas
nas apostilas da CIA
os cérebros curetados
pelas palavras-ônibus
dos pastores eletrônicos

2

Em sombrios porões
os massagistas atestam
os instrumentos de suplício
os massagistas adestram
os toques de fogo
arrancando unhas e gritos
espicaçando as últimas palavras
os nomes e codinomes
de um exército de fantasmas
um exército apenas existente
nas doentias mentes dos agentes

3

Em refrigerados gabinetes
os técnicos em interrogatórios
e informações estratégicas
trabalham noite e dia
na burocracia cívica
de selecionar os copiosos
relatórios dos espias
decifrar os depoimentos
tomados sob tortura
depoimentos escarnificados
na escuridão dos cárceres
depoimentos cantados
no limiar do medo
confissões soluçadas
nas convulsões da morte

O terrorismo da polícia do governador Sérgio Cabral

A polícia pacificadora do governador do Rio realiza assédio moral, stalking, quando não prende e arrebenta. São milhares e milhares de casos. E a que não é pacificadora? Simplesmente é polícia de dia, e milícia de noite.

URGENTE: Família de Deise Carvalho sofre com arbitrariedades de policiais da UPP do Morro do Cantagalo, Zona Sul do Rio

Família de Deise Carvalho sofre com arbitrariedades de policiais da UPP do Cantagalo

Na semana passada, a Rede divulgou dois novos casos de agressão e ameaça ocorridos na favela do Cantagalo. No dia 16 de março, o filho de Deise Carvalho, estudante de 15 anos, foi agredido e ameaçado por um dos policiais da UPP local. No dia seguinte (17/03), Lorraine Carvalho, filha de Deise de 19 anos, também foi abordada por um dos policiais da UPP local para passar por uma revista. A jovem, então, solicitou que a revista fosse realizada por uma policial mulher e a partir daí tiveram início as agressões do policial. O mesmo episódio se repetiu ontem à noite, dia 28/03: Lorraine chegava do trabalho (o turno diário de Lorraine no trabalho vai das 15h às 23h, portanto ela sempre chega tarde em casa) e foi abordada por um dos policiais da UPP do Cantagalo, sob o mesmo argumento da necessidade de revistá-la – sendo que ontem utilizou como justificativa para a revista uma denúncia anônima a respeito de uma mulher que estaria chegando na favela com drogas.

Mais uma vez Lorraine disse que só aceitaria ser revistada por uma policial mulher e o policial a empurrou, dando início às agressões. Uma tia de Lorraine que passava no local, viu o que estava acontecendo e ligou pra Deise, mãe de Lorraine, que se dirigiu à sede da UPP para saber o que estava acontecendo. O episódio se encerrou às 3h da madrugada na 12a DP, após Lorraine ter sido autuada por desobediência (artigo 330 do códico penal) e desacato à autoridade (artigo 331 do códico penal) – registro de ocorrência 013-01767/2012. Deise, que mora há 41 anos no Cantagalo, afirma jamais ter passado por situações semelhantes a essas que estão ocorrendo após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora na região.

A história de Deise se tornou conhecida por sua insistente luta por justiça, que finalmente foi parcialmente recompensada com o indiciamento e denúncia dos agentes responsáveis pela morte do Andreu. Deise, além de buscar justiça no caso de seu filho barbaramente morto, colabora nas denúncias de abusos e arbitrariedades cometidas por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora. Este, inclusive, é um dos motivos pelos quais Deise foi escolhida para receber este ano a Medalha Chico Mendes de Resistência – prêmio criado em 1988 pelo grupo Tortura Nunca Mais para homenagear pessoas e/ ou grupos que lutam pelos Direitos Humanos e por uma sociedade mais justa.

As represálias que Deise Carvalho e sua família vêm sofrendo estão sendo amplamente divulgadas junto a diferentes órgãos, como o Conselho Estadual de Direitos Humanos e a Sub-Procuradoria de Direitos Humanos do Ministério Público – dos quais exigimos comprometimento com a apuração desta situação.

Todo apoio à luta de Deise Carvalho!

Comissão de Comunicação – Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência